MACEIÓ E A PADROEIRA (Clerisvaldo B. Chagas 28.8.2009) Maceió comemorou com muita dignidade, o dia da sua excelsa padroeira, Nossa...

MACEIÓ E A PADROEIRA

(Clerisvaldo B. Chagas 28.8.2009)

Maceió comemorou com muita dignidade, o dia da sua excelsa padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres. Movimentaram-se os meios religiosos do mundo católico maceioense para merecida homenagem a sua protetora. Os devotos participaram de atos de fé nas diversas igrejas da capital alagoana. Para os trabalhadores, um feriado ou dia santo em meio de semana, valeu para um pequeno descanso, uma parada defronte a mãe de Jesus, um tempo para o lazer.

Nossa Senhora é evocada no mundo inteiro sob variadas denominações de acordo, muitas vezes, com as próprias localidades. O nome Nossa Senhora dos Prazeres vem muito antes da segunda peste que aconteceu na Europa. Em 1599, na capital Lisboa apareceu a imagem em fonte de Alcântara, na quinta dos Condes da Ilha. Com a presença da imagem, a fonte — que passou a ser chamada santa — passou a curar vários tipos de enfermidades. Com essas curas acontecendo, a imagem foi levada para a casa dos Condes e posta em oratório. Aconteceu, porém, que a imagem desapareceu do oratório e da casa, sendo depois encontrada em um poço. Nesse novo lugar, Nossa Senhora manifestou-se através de uma menina fazendo pedidos. Um deles foi para ser ali construída uma capela em sua homenagem. O pedido ia passando para os familiares da garota e à vizinhança do poço. A capela foi erguida e a imagem entronizada. Seguindo ainda o pedido de Nossa Senhora, a santa começou a ser venerada com o nome de Nossa Senhora dos Prazeres. Após essas providências perto do poço, os prodígios continuaram acontecendo.

Eis aí um resumo de origem da padroeira acolhida na capital alagoana.

Em Alagoas, a fé em torno de Nossa Senhora dos Prazeres, não ficou restrita a Maceió. Diversas cidades, vilas e povoados adotaram a santa de Portugal como padroeira dos seus lugares. Seguindo a tradição religiosa nordestina, a padroeira recebe muitas homenagens no seu dia. Acontecem missas, procissões, leilões, foguetório e movimentos profanos incorporados ao núcleo festivo. A Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres também surge em ilha no meio do rio São Francisco, no povoado Barra do Ipanema, município de Belo Monte. Ali pregava periodicamente, o Padre Francisco Correia. Família do sertão de Alagoas tem sobrenome Prazeres, originário da devoção à santa.

Ninguém ama ao filho sem considerar a mãe. Amar a Jesus é venerar Nossa Senhora sob qualquer denominação. Nossa advogada, Senhora do Mundo, que não desampara aos que evocam o seu poderoso nome. Parabéns a MACEIÓ E A PADROEIRA.

FAZ DE CONTA (Clerisvaldo B. Chagas. 27.8.2009) O cumprimento de uma ordem judicial não é para ser discutida. Todos sabem disso. Às vezes a ...

FAZ DE CONTA

FAZ DE CONTA
(Clerisvaldo B. Chagas. 27.8.2009)

O cumprimento de uma ordem judicial não é para ser discutida. Todos sabem disso. Às vezes a ordem não é justa, mas é legal. No caso da greve dos professores, a categoria é quem decide se retorna às aulas ou não. Em havendo retorno ao trabalho, os mestres sabem da responsabilidade profissional. Não se concebe, entretanto, que um professor diga que “vai fazer de conta que vai lecionar”, como surgiu a frase em um jornal da terra. Isso não é honesto nem ético. O que tem o aluno e os seus pais com a decisão do juiz? O caso é como se o operário, por falta de aumento, não oleasse as máquinas, não varresse o salão, não obedecesse ao horário da fábrica. Revoltados com injustiças todos ficam. Mas daí a deixar o cumprimento do dever, grande diferença tem. Nos trinta anos de magistério, conhecemos vários tipos de diretores, muitos até não pertencentes à Educação. Entre eles, várias personalidades. O excelente, o bom, o médio, o ruim e o péssimo. Além de péssimos, beberrões, perseguidores, invejosos e nervosos quase loucos. Falamos sobre homens e mulheres. Nunca, porém, deixamos de pesquisar, preparar as aulas e ministrá-las com esforço máximo pela eficiência. Ser professor é antes de tudo responsabilidade com os pais que nos confiam os seus filhos. O professor pode ser duro, mole, chato, exigente, amigo, fraco... Mas nunca irresponsável. Muitas vezes o mestre chega à porta da escola com os olhos lacrimosos devido aos problemas particulares. Não sabe nem como adentrar ao prédio. Entretanto, Deus vem e coloca a mão sobre sua cabeça. E ele, momentaneamente, esquece tudo e cumpre sua tarefa com amor, responsabilidade e eficiência. Dizer “vou fazer de conta que ensino”, é citar uma frase infeliz que só irá diminuí-lo diante de si e do Magistério que o acolheu.
Cabe ao honesto e bravo professor, lutar dentro do direito para sua melhoria e a da sua classe. A greve é uma dessas formas de luta extrema. Mas, na normalidade prejudicar o aluno deliberadamente é “descompromisso” com a juventude. A mesma cartilha da ética vale para os outros funcionários que compõem a unidade escolar: orientador, secretário, vigia, merendeira e serviçais. Responsabilidade até na greve. Sem greve, mais responsabilidade ainda. Geralmente as frases infelizes são frutos da infidelidade profissional. É possível também que seja apenas uma fraqueza do momento. Não queremos alunos robôs para o futuro do País. Almejamos cidadãos aptos para a vida em coletividade, conscientes dos direitos e deveres. A briga do professor não é contra o aluno, é contra o baixo salário. No sagrado dever do Magistério não existe FAZ DE CONTA.

O TERCEIRO COMÉRCIO (Clerisvaldo B. Chagas. 26.8.2009) Podemos dividir o comércio de Santana do Ipanema, hoje, em três polos distin...

O TERCEIRO COMÉRCIO

O TERCEIRO COMÉRCIO

(Clerisvaldo B. Chagas. 26.8.2009)

Podemos dividir o comércio de Santana do Ipanema, hoje, em três polos distintos. O maior é o comércio do centro que teve início ainda nos tempos de povoado e vila. Nas últimas décadas, as casas comerciais foram tomando os lugares das residências em torno do centro. A própria avenida principal, Coronel Lucena, dos privilegiados fazendeiros e comerciantes de outrora, transformou-se praticamente na sua totalidade, em lojas diversas. Assim aconteceu com outras ruas: Ministro José Américo, Tertuliano Nepomuceno e as adjacentes menores; todas tendo como núcleo a Praça Cel. Manoel Rodrigues da Rocha.

Um segundo comércio formou-se no Largo do Maracanã, desde a sua importância como desaguadouro de sete ruas. Além disso, o local de passagem da BR-316 — ainda na fase de rodagem — animou aquele importante entroncamento urbano. Pela falta de espaço no primeiro comércio, teve início um arremedo de complemento na Rua Pedro Brandão, ala de calçada baixa, que serve como corredor comercial e prestador de serviço, agora, indo da Ponte Cônego Bulhões até o Largo do Maracanã. Neste espaço existem indústrias como a de beneficiamento do algodão e duas padarias. Várias casas comerciais como bares, lanchonetes, autopeças, madeireira, farmácia, mercadinhos e mais. Prestadoras de serviços como rádio, funerárias, pousada, escolas, lotérica, hospital e até mesmo casas religiosas e repartição pública federal.

O terceiro comércio, o mais recente, surgiu após a construção da Ponte Gel. Batista Tubino, à margem direita do rio Ipanema. Ali, dois bairros, Floresta e Domingos Acácio, dominam a região unidos pela ponte sobre o riacho Salgadinho. Existe também daquele lado, uma mistura de indústrias, prestação de serviço e comércio. Os pontos fortes são dois postos de gasolina, uma clínica, uma pousada, um restaurante, fábrica de fubá e fábrica de colchas. Além disso, surgem madeireiras, açougue, mercadinhos, bares e outros estabelecimentos.

Afastado da base do terceiro comércio, em lugar alto chamado Cajarana, (dentro do amplo bairro Floresta), em breve será inaugurado o Hospital Geral que irá precisar de cerca de mil funcionários. Vizinho deverá funcionar também o polo da UfAL. Com esses dois órgãos em plena atividade e mais uma camada asfáltica sobre o calçamento da Rua Abdias Teodósio — ligação entre a base e o hospital novo — um poderoso comércio poderá subir junto com o asfalto da ponte Gel. Batista Tubino ao Hospital Geral em trajeto de mais de 1 km.

É de se notar, entretanto, que esses dois últimos comércios são complementos do principal: núcleo nas Praças Cel. Manoel Rodrigues da Rocha e Senador Enéas Araújo. Lembramos do “Rei Pelé” construído em Maceió no meio da pobreza e dando nova dinâmica ao Trapiche da Barra. Assim acontecerá com a UFAL e o Hospital Dr. Clodolfo de Melo na pobreza dos conjuntos Cajarana, Marinho e Santa Quitéria além da Floresta como um todo. Os dois gigantes estão chegando. Resta planejamento municipal para erradicar a miséria. Querer é poder com uma ajuda grande do TERCEIRO COMÉRCIO.

CASO O SEU SITE (PORTAL) TENHA INTERESSE EM REPRODUZIR AS CRÔNICAS DIÁRIAS DO ESCRITOR CLERISVALDO B. CHAGAS, CONTATAR O ENDEREÇO: Clerisval...

INTERESSE

CASO O SEU SITE (PORTAL) TENHA INTERESSE EM REPRODUZIR AS CRÔNICAS DIÁRIAS DO ESCRITOR CLERISVALDO B. CHAGAS, CONTATAR O ENDEREÇO:
Clerisvaldobchagas@hotmail.com

BRIGA DE FOICE NO ESCURO (Clerisvaldo B. Chagas. 25.8.2009) Os fazendeiros ricos do sertão costumavam convocar dezenas e dezenas de pessoas ...

BRIGA DE FOICE NO ESCURO

BRIGA DE FOICE NO ESCURO
(Clerisvaldo B. Chagas. 25.8.2009)

Os fazendeiros ricos do sertão costumavam convocar dezenas e dezenas de pessoas para o trabalho da lavoura. Muitas vezes os trabalhadores passavam de cem e o aglomerado era chamado “batalhão”. O batalhão fazia os mais diversos serviços no campo como desbastar, plantar, colher. Em algumas dessas tarefas, a ferramenta principal era a foice que facilitava o chamado “roçar o mato”. Nem todo patrão permitia que homens e mulheres trabalhassem armados. Mas, às vezes, havia desentendimentos entre campesinos quando a foice, então, servia como arma de guerra. Pelo seu formato curvo e um cabo roliço de madeira, a foice era altamente perigosa e temida pela capacidade de fazer estragos. Um deles era degolar o inimigo com um golpe feroz e certeiro. Geralmente no fim do dia saía uma cachacinha como oferta generosa dos contratantes. Já escurecendo o dia, queimados pela pinga, a desavença da roça vinha à tona. Ora, se briga de foice já era uma coisa apavorante, imagina-se após as seis horas. Daí a expressão: “briga de foice no escuro”.
Na política brasileira a coisa não é tão diferente. Aproximam-se as eleições e, as foices já estão procurando amoladores nas cúpulas de Brasília. A ministra Dilma — candidata ainda sem as manchas dos grandes escândalos lá em cima — já é o alvo predileto da oposição. De uma capacidade de trabalho extraordinária, a ministra ainda mantém a credibilidade popular. É certo, contudo, que lhe falta o carisma; daí o esforço diário do presidente em expor a ministra nas vitrinas de trabalho. Para o governo é uma esperança longe (ver pesquisa), mas é real. A concentração adversária tenta manchar ou colher a desistência da ministra. Com Dilma fora do páreo, dificilmente o governo terá tempo de apresentar um candidato que mergulhe na simpatia popular em tão pouco tempo. Todas as lideranças estão desgastadas. Dedos sujos e cangaceiros travam um duelo interessante em espetáculos ridículos e risíveis. É a oferta ao povo brasileiro. O que está acontecendo no Distrito Federal faz lembrar os bons tempos de Oscarito e Grande Otelo. Brasília passou também a ser uma atração das tardes telesivas. Apesar de tudo não se pode dizer que isso não cause preocupação. Afinal, os personagens do Distrito são verdadeiros e legítimos representantes do povo. Enquanto isso, lá em São Paulo, Serra vai observando as chamas cercando o coliseu; pelo menos na esperada folga da pesquisa. Marina entra na guerra e Dilma leva mais um golpe. Outras pessoas, como o cantor Gilberto Gil, também querem ser vice de Marina. Vamos aguardar a decisão de outros cantores. Que tal Roberto Carlos? Caetano Veloso? Maguila, o estreante?
Como na roça, o dia está terminando, os briguentos perdendo a cabeça. Quando a noite cair de verdade, com certeza teremos uma BRIGA DE FOICE NO ESCURO.


AS MENINAS DO BRASIL (Clerisvaldo B. Chagas. 24/25.8. 2009) Valeu à pena varar as madrugadas para contemplar os jogos do Grand Prix...

AS MENINAS DO BRASIL

AS MENINAS DO BRASIL

(Clerisvaldo B. Chagas. 24/25.8. 2009)

Valeu à pena varar as madrugadas para contemplar os jogos do Grand Prix. As jogadoras brasileiras adicionaram alegria e uma vaidade digna do nosso País. Cada partida um show particular e impressionante. As equipes estrangeiras faziam fila com os sacos das derrotas à mão diante das nossas cores. O azul apagado do terno transforma-se em chama devoradora na pancada. O técnico da seleção, José Roberto Guimarães, também dava espetáculos à parte com duas coisas fundamentais: frieza e competência. Após a consolidação do futebol, o Brasil agora passa a ser chamado também de “Terra do Vôlei”. Agora tanto vamos ao vôlei quanto ao futebol. Apenas o basquete continua capenga. Mesmo assim também poderemos ser potência no futebol feminino, graças ao incentivo geral da jogadora Marta. Já podemos observar diversos times femininos pelo Brasil afora com a certeza de que em breve esses clubes estarão cobrindo todo o País. Além de proporcionar a beleza e a quebra do machismo, o futebol feminino — como disse o presidente Lula — poderá gerar milhares de emprego. Além do campeonato do Grand Prix, pela oitava vez, a seleção ainda ficou com dois títulos mundiais: o de Sheilla como a melhor do mundo e o da Fabiana como a melhor bloqueadora. Importantíssima a posição invicta para ser respeitado o País pelo mundo inteiro. Afinal, uma sequência de 14 jogos com 14 vitória é, sem dúvida, um feito extraordinário. Dava gosto apreciar a queda dos grandes nomes: Estados Unidos, Alemanha, Polônia, China, Holanda, Rússia e outros como o próprio Japão. Expectativa antes, emoção depois com o predomínio do verde e amarelo. E para completar o domingo do Brasil continente, chega de quebra a vitória de Rubinho, carismático e sofredor, que dessa vez montou na vassoura da bruxa. Ainda bem que o esporte veio amenizar um pouco a onda negativa das bandas de Brasília. A garra da mulher brasileira está em alta nos quatro cantos da Terra.

Temos certeza, porém, que ninguém gostou do que a Rede Globo fez no último jogo do Grand Prix. Após viciar os telespectadores nas altas madrugadas — em espetáculos que valeram sim — nos deixou na mão, justamente na partida final e contra os donos da casa. Nenhuma outra emissora teve o direito ou o interesse de transmitir o jogo. Mesmo com seus outros compromissos, se isso não foi uma covardia, foi, no mínimo, uma falha deselegante. Então, o garoto ganha um sorvete e já no final, na parte mais gostosa, tem o sorvete arrebatado. Mesmo assim não vamos condenar no todo a poderosa. Vamos nos orgulhar das vitórias em série da Seleção Feminina de Vôlei. Abrem-se novas páginas no esporte desta nação, tentando compensar o tempo perdido do descaso. Foi realmente um domingo para ninguém botar defeito com o equilíbrio, a competência e a raça das MENINAS DO BRASIL.

PINGANDO SANGUE (Clerisvaldo B. Chagas. 21/22.8. 2008) Aos professores alagoanos para reflexão nas assembléias Quando Moisés, no deserto de ...

PINGANDO SANGUE

PINGANDO SANGUE
(Clerisvaldo B. Chagas. 21/22.8. 2008)
Aos professores alagoanos para reflexão nas assembléias

Quando Moisés, no deserto de Sin, tocou na pedra de Horeb, a água jorrou para mitigar a sede da multidão e dos rebanhos. O milagre de Deus também fez mudar o nome do acampamento de Rafidim para Tentação, segundo o livro do Êxodo. Se Moisés mudou o nome do lugar, mais adiante é o próprio Deus que chama “água da contradição”, quando o mesmo Moisés precisou tocar à pedra duas vezes ao invés de uma. Novamente jorra água para o povo incrédulo que não tolerava o sofrimento. Nem toda a assistência do Criador aos refugiados do Egito, impediu o fraquejar do comandante.
A Educação no Brasil nunca teve nenhum valor para os dirigentes políticos. As conquistas suadas, sofridas, martirizadas, tentam servir de fermento para uma longa continuidade. Os que estão no poder passaram pelas bancas escolares e muitos pelas mãos dos que continuam desvalorizados e clamam nos gabinetes, nas ruas, nas clínicas médicas à realidade dos seus direitos. As pedras, os monumentos, os insensíveis — agora com barrigas de prosperidade — viram às costas para os mestres que os iluminaram. Como se sente um professor que foi político votou contra as conquistas dos colegas, caiu do poder e volta a pedir voto de antigos companheiros? As autoridades, principalmente municipais e estaduais, devem se sentir como os imperadores romanos nas orgias e na gula dos banquetes, olhando com ironia para a plebe esfomeada. As mais esfarrapadas desculpas saem dos privilegiados, para não dividirem o bolo fabricado com o dinheiro dos desassistidos. Essa luta infinita dos mestres pela sobrevivência é uma vergonha nacional, para os responsáveis manipuladores dos cofres e das chaves. Profissão pensante nobre, gigantesca, vítima dos executores, algozes, carrascos que só enxergam a frente, a cupidez do ouro e as manobras enxadristas dos cargos eletivos. Quanto ganha um edil, um deputado, um governador... Um prefeito? Mas professor não. Professor é para viver massacrado, pensativo e silencioso. Escada para muitos crápulas que ao invés das grades cinzentas das detenções, comem, dormem e passeia mangando introspectivamente das antigas luminárias. Muitos nada são; apenas bajuladores, capachos, homens das “norminhas” que ficam contra as justas reivindicações para serem agradáveis a patrões esculachados. Como se sente a sociedade vendo a multidão de mestres às ruas, entes tão respeitados pelos pais e guias dos seus filhos?
Marcham os professores nessa profissão espinhosa sem glória nenhuma. Lutas e mais lutas por coisas tão poucas que os faraós se recusam a conceder. Homens e mulheres que pelejam como os do deserto do Sin, procurando uma fonte para saciar a dignidade e só encontram a pedra. Não a pedra de Horeb que jorrou água em abundância, mas a pedra da injustiça, da incompreensão, da falta de patriotismo e da igualdade que ao ser tocada pelo cajado do Magistério, ao invés de soltar água fica PINGANDO SANGUE.

CONTINUA A PAZ (Clerisvaldo B. Chagas. 20/21.8. 2008) Voltando a comentar sobre Santana do Ipanema, antes da ponte sobre a BR-316, ...

CONTINUA A PAZ

CONTINUA A PAZ

(Clerisvaldo B. Chagas. 20/21.8. 2008)

Voltando a comentar sobre Santana do Ipanema, antes da ponte sobre a BR-316, onde foi formado um açude e surgiu também o Bairro Barragem, alguma coisa mudou. Com a falta da ponte sobre o rio, os automóveis que chegavam pela margem direita, rodeavam por um lugar denominado Volta do Rio. Era ali aonde o Ipanema chegava do norte e fazia uma curva para o leste. Como ainda era distante do centro, a Volta passou a ser lugar de passeios aos domingos, principalmente para os garotos que frequentavam o catecismo na Matriz de Senhora Santa Ana. O escritor Raul Monteiro dedica duas crônicas a Volta. Uma sobre a chegada do automóvel de Delmiro a Santana, outra sobre personagem que morava por ali de nome Satuba.

Visitando recentemente a Volta, notamos o estiramento do Bairro Barragem em direção ao Poço das Trincheiras. Pela parte de trás, surge um novo bairro chamado pelo povo de Clima Bom, pois, sendo alto e quase plano, recebe toda ventilação vinda pela Volta do Ipanema. Ainda pelas margens da BR-316, o casario do centro da cidade conseguiu encostar à ponte da Barragem, cujo leito está assoreado. É bem dinâmico o movimento na BR que se inicia logo ao amanhecer. O Bairro Barragem já possui alguns tipos de serviços como oficinas mecânicas, mercadinhos, churrascaria, bares e matadouro de bovinos.

Olhando, entretanto, pela parte baixa, no lugar exato onde o Ipanema faz a curva, a paz continua como antigamente. A Rua Manoel Medeiros conseguiu também encostar as suas residências a Volta do Ipanema. Mas, ao se chegar à margem propriamente dita, o passado retorna imediatamente. É a paisagem bucólica da área rural. As águas descem mansas por entre pedras e areia; os burros pastam nas ervas rasantes; as vacas holandesas caminham no sopé da barreira, do outro lado, e os garranchos cinzentos resistem às águas nas lascas dos pedregulhos. Lá adiante, na outra margem da Volta, casa confortável na confluência do riacho Salobinho; urubus passeando nos arredores do matadouro; tapera de parede caída perto dos lajeiros.

Quando se olha do meio do rio à jusante ou a montante, vem a impressão fortíssima de que o tempo parou em meados do século passado. Enquanto os sons da festa de Santana parecem distante dali, no Panema reina um silêncio de ontem e de paz. Uma paz longa, sem fim, infinita, que acalma que suaviza que desintoxica e que transporta.

Uma coisa, entretanto, não para de incomodar. O lixo, essa praga urbana que tomou conta dos núcleos humanos. A falta de cooperação do povo que insiste no hábito perverso de afogar os cursos d’água com entulhos os mais diversos.

E se o escritor Raul viesse de novo rever a Volta que ele descreveu o que diria da casa de Satuba? O que falaria sobre o areal que não deixava passar o automóvel lustroso de Delmiro?

Enquanto isso o rio Ipanema continua o seu novo fadário: agora não abastecendo mais à cidade — farta de água doce — mas sim, levando o lixo e as areias das encostas; vez em quando mantendo a tradição de levar gente também. Todavia, bravo, silencioso e servidor no seu vale repleto de quietude. Ipanema, “Pai de Santana”, lugar onde CONTINUA A PAZ.

Acesse o blog do escritor: http://clerisvaldobragadaschagas.blogspot.com/