ILUMINURAS Clerisvaldo B. Chagas, 15 de fevereiro de 2013. Crônica Nº 967 Iluminura. (Biblioteca Nacional da França).  Para s...

ILUMINURAS


ILUMINURAS
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de fevereiro de 2013.
Crônica Nº 967
Iluminura. (Biblioteca Nacional da França). 

Para se produzir um livro na Idade Média, era missão bastante trabalhosa. A maioria dos livros era feita em pergaminho, isto é, com o uso de pele de cabra, carneiro e até mesmo de vaca. O papel foi invenção chinesa e introduzida na Europa, pelos árabes. Esse papel só foi usado, mais ou menos, no século XIV. Mas esses livros eram poucos e destinados a estudantes e clérigos.
As folhas eram produzidas artesanalmente, tanto em pergaminho quanto em papel, depois escrita uma a uma com caprichosa caligrafia. Em torno das páginas os artistas colocavam motivos florais e geométricos. Já os textos, costumavam ser com desenhos coloridos que podiam ser sobre anjos, animais, plantas e pessoas. Esses desenhos que ornamentavam os textos chamavam-se Iluminuras.
Havia outra etapa muito importante nessas confecções. Depois de encadernado, o livro recebia proteção em capa grosa de couro ou em material nobre. Entre esse material estava o marfim, pedras semipreciosas e mesmo o ouro.  Por esse trabalho todo, livro era coisa rara e caríssima.
Pouca gente sabia ler e escrever, portanto, essas informações escritas passavam a ser privilégio de uma elite que era a de clérigos letrados. Geralmente os assuntos eram de interesses religiosos.
Os livros, então, eram objetos de luxo na Idade Média. Quando os escritores presenteavam livros aos reis e rainhas, estavam ofertando, na verdade, grandes, valiosos e raros presentes.
Hoje o livro está fácil de ser produzido.  Muitos estados e municípios estão com 50% de analfabetos. Dos que leem e escrevem muitos não podem comprar outros não têm interesse. O que sobra para o escritor e o país? Lançar livro no Brasil, principalmente em lugares pequenos, é ser herói de fato e de direito. É a chegada espiritual de novas ILUMINURAS.



O POBRE MESMO SOU EU Clerisvaldo B. Chagas, 14 de fevereiro de 2013. Crônica Nº 966 Nos tempos da escravidão, os fazendeiros no...

O POBRE MESMO SOU EU


O POBRE MESMO SOU EU
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de fevereiro de 2013.
Crônica Nº 966

Nos tempos da escravidão, os fazendeiros nordestinos complementavam as comidas dos escravos com charque e bacalhau. O charque (carne seca) vindo das charqueadas do Rio Grande do Sul e o outro, vindo de Portugal, eram considerados alimentos de pobre. Até a década de cinquenta e início de sessenta, os proprietários rurais ainda utilizavam bastante os dois produtos para seus trabalhadores. Formavam-se nos sertões nordestinos, os chamados “batalhões”, com cerca de cem homens e mulheres para a colheita do algodão, plantio, limpa e colheita também de outros produtos como feijão e milho. Ao meio-dia, os pane laços à sombra do juazeiro, cajueiro, imbuzeiro... Atraiam os trabalhadores com o aroma gostoso do feijão com charque ou bacalhau. Nessa época, só quem comia charque e bacalhau eram os pobres... Ou os ricos na Semana Santa, por causa dos preceitos do catolicismo.  O preço era muito baixo. Depois o bacalhau e o charque passaram a peso de ouro, inclusive, aos poucos, foram extintos os “batalhões” de trabalhadores no campo.
 Na época em que charque e bacalhau passaram a custar uma fortuna, os papéis se inverteram. O consumo de ambos passou a ser somente pelo rico. O pobre ficou triste porque não podia realizar sua “mistura”: nem carne, nem peixe, nem nada. O naco diferente de feijão e farinha, no sertão, passou a ser coisa de luxo, comida premiada em dia de felicidade. Foi nessa época em que o coronel fazendeiro Antônio Bagano, com seu chapelão de abas largas e bigode cheio, passou pelo popular Zé Balão em dia de Quarta-Feira de Cinzas e indagou, por indagar, se ele já “havia comido o seu bacalhau de hoje”. O trabalhador braçal, sério, irônico e desconfiado, respondeu: “Coroné, o senhor já viu pobe comer bacaiau! O único bacaiau que eu comi hoje, foi o da minha nega, em casa”.
O coronel Bagano − Viúvo que não costumava ouvir resposta dos fracos − surpreendido eriçou o bigode, deu de ombros e saiu a resmungar: “Cabra fi' da peste de sorte! Pode não ter dinheiro, mas não pode se queixar do 'bacaiau' da nega!". Acho que O POBRE MESMO SOU EU.

QUARTA DE CINZAS Clerisvaldo B. Chagas, 13 de fevereiro de 2013. Crônica Nº 965 Foto: (Jangadeiroonline.com). Para muitos, os...

QUARTA DE CINZAS


QUARTA DE CINZAS
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de fevereiro de 2013.
Crônica Nº 965

Foto: (Jangadeiroonline.com).
Para muitos, os que amam desesperadamente o Carnaval, a folia ainda não terminou. Blocos passam nas ruas e os beberrões resistem bravamente como se tivessem iniciado hoje mesmo à brincadeira. Outros são encontrados pelos becos, marquises,  bancos de praça, completamente apagados. Pessoas sóbrias passam para a Igreja dando até graças a Deus pelo início da Quaresma.
“A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. As cinzas que os cristãos católicos recebem neste dia são um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte”.
Ela ocorre quarenta dias antes da Páscoa sem contar os domingos ou quarenta e seis dias contando os domingos. Seu posicionamento no calendário varia a cada ano, dependendo da data da Páscoa. A data pode variar do começo de fevereiro até à segunda semana de março”.
“Alguns cristãos tratam a quarta-feira de cinzas como um dia para se lembrar da mortalidade. Missas são realizadas tradicionalmente nesse dia nas quais os participantes são abençoados com cinzas pelo padre que preside à cerimónia. O padre marca a testa de cada celebrante com cinzas, deixando uma marca que o cristão normalmente deixa em sua testa até ao pôr do sol, antes de lavá-la. Esse simbolismo relembra a antiga tradição do Médio Oriente de jogar cinzas sobre a cabeça como símbolo de arrependimento perante Deus (como relatado diversas vezes na Bíblia). No Catolicismo Romano é um dia de jejum e abstinência”.
“Como é o primeiro dia da Quaresma, ele ocorre um dia após do carnaval. A Igreja Ortodoxa não observa a quarta-feira de cinzas, começando a quaresma já na segunda-feira anterior a ela”.
A partir de hoje tem início um longo período de reflexão, pelo menos para os que procuram pensar sobre a vida e a eternidade. Bem chegada, a QUARTA DE CINZAS.
* Texto entre aspas: Wikipédia.

PIRANHAS Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2013. Crônica Nº 964 PIRANHAS (AL)  A "CIDADE PRESÉPIO".  Foto: (Wi...

PIRANHAS


PIRANHAS
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2013.
Crônica Nº 964

PIRANHAS (AL)  A "CIDADE PRESÉPIO".  Foto: (Wikipédia).
Antes, os foliões deixavam por um dia, o Carnaval santanense e partiam para a cidade ribeirinha de Pão de Açúcar. Mas apesar de tantos turistas naquele núcleo, jamais benefício nenhum foi feito para esse acolhimento. Considerada a terceira cidade mais quente do Brasil, seus dirigentes nunca proporcionaram nem sombra para os seus visitantes regionais. O resultado é que houve migração quase total desses brincantes para a cidade de Piranhas, onde o banho no rio é acompanhado por ótimas bandas musicais.
O arraial de Piranhas data do século XVIII quando os Feitosas e os Alves começaram a desenvolver a região. Era conhecido como Tapera.  Depois que um caboclo pescou uma piranha em um riacho ali de perto, o lugar passou a se chamar “Porto da Piranha”. Com o tempo, o grande movimento do porto emprestou definitivamente o nome  à cidade. Com a navegação a vapor, a partir de 1867, o povoado se expandiu com a estrada de ferro ligando Piranha a Jatobá, Pernambuco. A vila também já foi chamada Floriano Peixoto e depois voltou ao nome Piranhas. Sua freguesia foi criada em 20 de julho de 1885, sob a invocação de Nossa Senhora da Saúde.
 A cidade já foi visitada por D. Pedro II, quando o monarca visitou a cachoeira de Paulo Afonso. Atualmente Piranhas, uma das cidades mais bonitas do Brasil (cidade presépio) procura apontar o turismo, pois a construção da hidrelétrica de Xingó bateu forte na economia pesqueira. São atrações à parte, o Museu do Sertão, a hidrelétrica, a antiga estação ferroviária e ainda a rota das volantes em busca de Lampião.
Temos a impressão de que Piranhas programa seu calendário  festeiro para o ano todo. O interessante é que não falte turista para deixar o real em todos os lugares atrativos que a região oferece. Aliás, quem vai a Piranhas, não fica só na primeira vez. Se existe algum arrependimento para quem visita a cidade, está no esquecimento da máquina fotográfica ou da filmadora. É assim o lugar com nome de peixe voraz e perigoso: PIRANHAS.

 O CARNAVAL DAS VACAS Clerisvaldo B. Chagas, 11 de fevereiro de 2013. Crônica Nº 963 Foto: (nogueirense.com.br.) Cada um se vi...

O CARNAVAL DAS VACAS


 O CARNAVAL DAS VACAS
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de fevereiro de 2013.
Crônica Nº 963
Foto: (nogueirense.com.br.)

Cada um se vira como pode, diz o povo sertanejo. Falamos dos vendedores de rua com seus modos habituais e peculiares de passarem adiante as suas mercadorias. Lembramos que há muito tempo em Maceió, as rádios da época falavam bastante dos produtos que os desonestos colocavam no leite à venda. Havia até um locutor que defendia a própria água no leite integral oferecido nas portas, em relação a outros produtos nocivos à saúde. Com as narrações humorísticas de casos verídicos, até piaba já encontraram no leite vendido com garantia.  Mesmo pessoas na casa dos setenta, oferecem o produto “batizado” e, são poucos, raros mesmo, os que vendem leite puro nesse país, pois a desonestidade em relação a ele é generalizada. Uns gritam seus artigos, outros tocam sinos, outros ainda usam apito e, os mais modernos apelam para carro de som.
Recentemente, em Santana do Ipanema − lugar onde ainda se vende coisa pelas residências − um sujeito esperto inventou um negócio diferente que tem dado certo. Adaptou uma buzina poderosa de som grosso, tanque de plástico com torneira larga e passou a anunciar o leite pelas ruas da cidade, em cima de moto.  Várias pessoas vendem leite, mas tudo nas santas leis do batismo, o homem não. O leite é bom mesmo, sem mistura. Das sete para às oito e meia da manhã, a poderosa anuncia que o cabra está por perto. Segure a vasilha e corra para a porta. Poooom! Pooom! Da primeira vez você pensa que é um boi berrando. Preocupada em ficar sem leite para o período momesco, uma dona de casa indagou ao vendedor que também é pequeno proprietário rural, se ele fornecia leite durante a folia. Sim, respondeu o homem. Ele alegou que ainda não disse às vacas que era Carnaval. E mesmo sem chuvas na sua região as reses continuam firmes ajudando na sua economia, auxiliadas pela buzina grossa. O que não pode é ninguém vestido de verde passar por ali, senão às vacas atacam.
Naquela conversa mole, a mulher perguntou se as coitadinhas não mereciam também um descanso, nesses dias de farras. O vendedor respondeu: “As minhas vaquinhas gostam de trabalhar minha senhora, mas quando estão estressadas eu boto umas marchinhas de Carnaval e me “abrofelo” com elas”. 
Bem, nesses tempos de volta da Zoofilia é bom não levar a coisa ao pé da letra.  É apenas O CARNAVAL DAS VACAS.


CRÔNICA SOMENTE NA SEGUNDA

CRÔNICA SOMENTE NA SEGUNDA


CRÔNICA SOMENTE NA SEGUNDA

IPANEMA, UM RIO MACHO Clerisvaldo B. Chagas, 7 de fevereiro de 2013. Crônica Nº 962 POÇO DOS HOMENS, NO RIO IPANEMA.  As últim...

IPANEMA, UM RIO MACHO


IPANEMA, UM RIO MACHO
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de fevereiro de 2013.
Crônica Nº 962

POÇO DOS HOMENS, NO RIO IPANEMA. 
As últimas chuvas acontecidas no Sertão alagoano, na verdade não acabaram com a seca. Os serrotes que circundam a cidade de Santana do Ipanema foram ficando esverdeados, como acontece sempre ao chegar o período natalino. Os pontos pálidos de verdes vão aumentando a intensidade da cor e se espalhando pelos arbustos que estavam pretos e esfoliados. Chega para a cidade um aspecto alegre quando seus principais mirantes enfeitam-se como mulheres bonitas. Assim saltam aos olhos de santanenses, pesquisadores e curiosos a variedade colorida do Cruzeiro, serra Aguda, Gonçalinho, Pelado e serra dos Macacos. Começa, então, certo atrativo para as pernas preguiçosas dos que desejam passear pela Natureza. Munido de maquina fotográfica, caderninho de notas ou de objeto avançado das tecnologias, o homem que gosta de pesquisas poderá encontrar prazer examinando flora e fauna daqueles pontos.
O rio Ipanema recebe as últimas chuvas das trovoadas, mas, diferentemente dos serrotes circundantes, acumula água suja, poluída, nos seus poços mais evidentes desse trecho urbano, como Barragem, Juá, Homens e Escondidinho. Quem palmilha suas areias grossas e encardidas registra a paisagem semelhante aos séculos passados, porém, sem os bandos de pássaros que ali faziam pousada rumo das bebidas. Difícil, difícil mesmo encontrar um animal que não seja domestico e, até mesmo temidas serpentes é coisa rara. O povo não faz mais as cacimbas que abasteciam a urbe. O lixo, principalmente plástico, toma conta das suas margens que continuam sendo depósitos das inutilidades dos quintais. Aguardam-se novas cheias para outras lavagens do que foi jogado no seu leito arenoso.
Não sei, não prestei atenção se o mandacaru florou ou não para tirar dúvidas sobre o inverno desse ano. Mas o rio periódico, cheio d’água ou de areia, faz parte da identidade dessa gente, IPANEMA, UM RIO MACHO.

FEIJÃO COM ARROZ Clerisvaldo B. Chagas, 6 de fevereiro de 2013. Crônica Nº 961 ANTIGO DNER, MAIS UM CHORO SANTANENSE. É com c...

FEIJÃO COM ARROZ


FEIJÃO COM ARROZ
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de fevereiro de 2013.
Crônica Nº 961
ANTIGO DNER, MAIS UM CHORO SANTANENSE.

É com certa tristeza que vamos observando o abandono ou a destruição de prédios públicos importantes. O patrimônio público físico da nossa cidade, Santana do Ipanema, foi quase todo destruído. Atualmente o prédio onde funcionou o DNER (página rica e particular da história do município) estar reduzido à garagem de consertos de carros da prefeitura. Terreno importante às margens da BR-316, zona urbana do Bairro Camoxinga não merece esse destino. Ali pode ser uma faculdade de Direito ou de Medicina, pois Santana do Ipanema, como capital do sertão alagoano, necessita de uma faculdade de Medicina até com certa urgência, seja do governo, seja particular. O grande terreno central onde era a casa do cônego José Bulhões daria outra faculdade, bem como o prédio do antigo Hospital e Maternidade Dr. Arsênio Moreira, que estar sendo demolido aos poucos. Todos deram muito trabalho para serem adquiridos e parecem liquidados sumariamente.
Os gestores dos últimos anos em nossa terra ficaram na base administrativa, apelidada pelo povo, de feijão com arroz. Teve um que até exorcizava as grandes empresas particulares e do governo que procuravam se instalar em Santana. O absurdo dos absurdos! Povo analfabeto é povo no cabresto, assim pensava o reizinho. Fábricas de renomes nacionais e até internacionais foram futucadas para passarem ao largo da terra de Santa Ana. Até enormes empreendimentos federais de ensino foram soprados pelos ventos do egoísmo, da falta de ética, do descompromisso com o desenvolvimento do sertão. Santo Deus! Quem foi já foi tarde!
Esperamos que o prefeito atual, professor Mário Silva não seja apenas um prefeito calçamento como a ruma dos últimos tempos. Santana precisa de um bom administrador para trazer indústrias, escolas superiores como as que já foram citadas, desenvolvimento do turismo, planejamento de alto nível. Se a esperança de oito mil eleitores não se concretizar, fechem as portas das rodovias e o último a sair, apague a luz cansada. Quanta falta de vocação! Onde se encontra o caviar? Chega de FEIJÃO COM ARROZ!


OS VELHOS CARNAVAIS Clerisvaldo B. Chagas, 5 de fevereiro de 2013. Crônica Nº 960 Dizem que o Carnaval foi criado na Grécia, cer...

OS VELHOS CARNAVAIS


OS VELHOS CARNAVAIS
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de fevereiro de 2013.
Crônica Nº 960

Dizem que o Carnaval foi criado na Grécia, cerca de 600 anos antes do Cristo. Em Santana do Ipanema, Alagoas, os primeiros registros sobre Carnaval na terra surgem com o escritor  santanense Oscar Silva. Oscar descreve a festa de Momo acontecida entre 1915 até mais ou menos, 1930. Aliás, quase que somente esse escritor desvenda o passado de Santana da era 20. E pelo que Silva vai contando em seus escritos, a festa já era tradicional em Santana, quando inúmeros blocos saíam às ruas, tanto masculinos quanto femininos. Antigamente e até cerca de 1960, os blocos carnavalescos percorriam as ruas da cidade, parando e brincando em casas de pessoas influentes do lugar. Ali dançavam, bebiam, comiam, faziam suas necessidades e partiam novamente para as ruas, com a próxima casa na ideia. O escritor descreve os principais blocos da época, bem como as duas residências mais procuradas pelos foliões.
A casa do influente coronel Manoel Rodrigues da Rocha, era parada obrigatória, não só das brincadeiras de Carnaval, mas também de outras apresentações ao longo do ano. Outro lugar atrativo era a casa do padre José Bulhões que oferecia pão de ló aos seus inúmeros visitantes.
Apesar dos esforços dos últimos gestores municipais, nunca o Carnaval sequer chegou às animações dos anos 60. Esta semana, um dos pagodeiros famosos do Rio de Janeiro, dizia que o Carnaval do Rio acabou. Naturalmente o fenômeno não é mais o mesmo em grande parte do Brasil e parece que fica resumido às capitais como Salvador e Recife. Em Santana, capital do sertão alagoano, não tem mais jeito. Brincadeiras insípidas ali, folias mornas acolá, e uma fila de blocos subsidiados em direção a Piranhas, cidade ribeirinha do rio São Francisco, a cerca de 70 quilômetros de distância. Penso que a culpa não é dos dirigentes atuais, mas sim da própria época que vai encostando certas tradições em busca de outras. E se você quer uma festa profana para valer, somente recordando OS VELHOS CARNAVAIS.



TEMPOS DO CANDEEIRO Clerisvaldo B. Chagas, 4 de fevereiro de 2013. Crônica Nº 959 Fonte: Blogdofifo.com.br/ Como estamos nos ...

TEMPOS DO CANDEEIRO


TEMPOS DO CANDEEIRO
Clerisvaldo B. Chagas, 4 de fevereiro de 2013.
Crônica Nº 959

Fonte: Blogdofifo.com.br/
Como estamos nos aproximando do Carnaval, nada nos parece melhor de que imitar na prática, as velhas marchinhas que encantaram o Brasil. Uma delas fala em uma das suas estrofes:

“Rio de Janeiro
Cidade que nos seduz
De dia falta água
De noite falta luz...”

Do Rio de Janeiro, o caso se mudou para Alagoas, ocasião em que o sofrimento do povo parece não ter limites. Falta energia constantemente (e olhe que temos a hidrelétrica de Xingó dentro do estado e a de Paulo Afonso, nos limites). Quando não falta energia de vez, a queda é constante, queimando os eletrodomésticos do povo e tornando inviável certas atividades comerciais e industriais. As donas de casa andam com as mãos à cabeça, procurando salvação. Com a falta de energia, não se bombeia água nas adutoras que abastecem Sertão e Agreste, quando o sofrimento nessa seca terrível bate no povo de cacete. Os médicos do Hospital, Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo, pararam suas atividades, alegando atraso no pagamento em dois meses e falta de abastecimento d’água para as atividades ali desenvolvidas. A Internet não se sustenta mais no ar e provoca dor de cabeça à clientela dos bancos, do comércio e de todos os lugares que anseiam por avanços tecnológicos.
O pior de tudo, porém, não é nada do que foi dito acima. O pior de tudo é não ter para quem apelar. Nem água, nem luz, nem telefone, nem hospital, nem Internet, porque estamos caminhando para trás na terra em que manda e desmanda a inoperância usineira. Ninguém dar notícia de nada! A população, atarantada, como abelhas, quando sente fumaça, não sabe a quem apelar. Quem resolve essas questões: Prefeito? Delegado? Juiz? Promotor? Vereadores? Haja desabafo coletivo nas rádios da cidade em momentos de juízo de luz e telefone, mas nada se resolve e nem satisfações aparecem. Viramos fronteira distante sem lei e sem ordem como essas mostradas por reportagens, nos confins da Amazônia brasileira. Todos se perguntam até quando a própria população vai suportar o descaso, a incerteza, a orfandade institucional do semiárido e do Agreste de Alagoas.

E para completar, o rateio prometido pelo governo estadual, não saiu para o Magistério, como foi anunciado. Os precatórios tiveram a cabeça esmagada por uma grande pedra e o SINTEAL tomou chá de esquecimento do assunto e passou esparadrapo na boca.
Afinal, em todos os sentidos, estamos vivendo os TEMPOS DO CANDEEIRO.




OS COQUEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 1º fevereiro de 2013. Crônica Nº 958 Ilustração de coqueiro (Wikipédia).     Faz bastante tem...

OS COQUEIROS

OS COQUEIROS
Clerisvaldo B. Chagas, 1º fevereiro de 2013.
Crônica Nº 958

Ilustração de coqueiro (Wikipédia).
    Faz bastante tempo que o artista plástico Roberval Ribeiro, hoje empresário, elaborou um quadro interessante. O artista inspirou-se numa paisagem que havia às margens do riacho Camoxinga. Havia ali uma fileira de três ou cinco coqueiros finos, altíssimos e maltratados. Estavam no amplo terreno que fazia fundos do casarão do Padre, depois cônego José Bulhões. Esse local já foi matadouro municipal ao ar livre, margeado à distância por casas de prostituição. Ribeiro retratou a paisagem natural em tela miúda, ocasião em que na hora do acabamento a tinta embolou em certa região do quadro, deixando o pintor aborrecido. Não havia como consertar. Quando eu esperava que Roberval fizesse o que os escritores fazem quando não se agradam do texto escrito por eles - lixeira - o homem fez diferente. Adicionou o seu quadro à coleção de vendas. Vi imediatamente que a tela da pintura defeituosa se tornaria histórica e nem sei porque não a  adquiri. Foi feita uma exposição por Roberval Ribeiro em Santana do Ipanema (homem que produziu histórias em quadrinhos e expôs em várias partes do Brasil e do estrangeiro os seus trabalhos), noite em que todas as telas foram vendidas, inclusive, àquela.
    As sucessivas administrações municipais, por isso ou por aquilo, foram deixando que o acervo histórico do município fosse sendo lapidado, corroído, extinto. A casa do padre José Bulhões, como exemplo,  personagem que marcou época em Santana, ruiu pelo abandono. O lugar retratado na tela do santanense transformou-se em paisagem urbana, quando ali na terra dos coqueiros surgiu o Bairro Artur Morais, originário da compra do terreno e doação aos pobres na gestão do prefeito Paulo Ferreira. A área enorme quintal do padre, matadouro de bovinos chamado Matança, antigo cabaré, foi totalmente preenchida em pleno centro da cidade. Como saber, então, como era antes esse local vendo o quadro tão diferente, do pintor? Por uma parte da parede inconfudível dos fundos do Mercado de Carne.
    Meu vaticínio se concretizou. Não tendo fotografias da época da paisagem natural, a tela defeituosa tornou-se relíquia para a história de Santana. Seria bom que a prefeitura, através do Departamento de Cultura, pudesse adquiri-la e a doasse ao Museu Darras Noya com o histórico merecido. Ah, sim! Você deve estar querendo saber a quem pertence hoje esse trabalho. Não sei. Mas tenho quase certeza de que a tela foi comprada na exposição pelo comerciante Benedito Pacífico, proprietário do "Biu's Bar e Restaurante", Rua Delmiro Gouveia, em Santana do Ipanema. Diretor de Cultura Fernando Valões, vamos procurar OS COQUEIROS. 
 
 

 FRUTA DE PAL MA - OSCAR Cleris valdo B. Chagas, 31 de janeiro de 2012 Crônica Nº 957   Sobre movimento literário, nessa época em...

FRUTA DE PALMA - OSCAR


 FRUTA DE PALMA - OSCAR
Clerisvaldo B. Chagas, 31 de janeiro de 2012
Crônica Nº 957 


Sobre movimento literário, nessa época em que está sendo lançado novamente o livro de Tadeu Rocha "Delmiro Gouveia, o Pioneiro de Paulo Afonso", no aniversário da usina de Angiquinho, vamos às suas palavras, a respeito de Oscar Silva. É um santanense comentando o trabalho de outro santanense, amigos entre si, no livro "Fruta de Palma".
Trecho entre o prefácio de seis páginas do emérito Tadeu:
"Entre os 'novos' que segundo o regionalismo encorajou em Maceió estava o sertanejo Oscar Silva, cuja formação literária se fez através de ásperos caminhos, vencendo as mais terríveis barreiras econômicas, sociais e culturais que alguém possa imaginar. Menino pobre da Rua do Sebo, lá de Santana do Ipanema, o autor de "Fruta de Palma' fez muita coisa na vida para chegar a ser escritor: marceneiro, tecelão, soldado de polícia... Oscar Silva precisou lutar muito consigo mesmo e com o meio social de um rapaz pobre, a fim de reeducar-se como elemento da classe média, que ele atingiu honestamente pelos quadros do serviço público federal.
As cicatrizes das suas lutas ficaram até bem visíveis: o sertanejo outrora adepto das verdades religiosas com que a Igreja civilizou as caatingas de Santana da Ribeira do Panema andou tentando conciliar, na capital da Província, a materialização do espírito e o materialismo histórico. Coisa, aliás, bem difícil para um cristão qualquer e ainda mais para quem foi nascido e criado ao som de velhas melodias, que os nossos antepassados aprenderam dos missionários, em dois séculos e meio de civilização.
Situado o nome de Oscar Silva no atual movimento literário nordestino, muito haverá que dizer do seu primeiro livro de crônicas, onde lembra coisas e pessoas de uma terra áspera e uma gente vigorosa.. Manda, porém, a modéstia que me cale sobre 'Fruta de Palma', porque essa terra é minha e essa gente é minha gente. Recife, 27 de fevereiro de 1963".
Lembramos que esse ano, 2013, no Calendário Cultural Santanense, homenageia-se o saudoso escritor Oscar Silva. Aguardamos a lembrança da Secretaria de Cultura.

ESCRITORES: CLERISVALDO B. CHAGAS,  PEDRO PACÍFICO, MARCELLO FAUSTO E O MESTRE DE CERIMÔNIAS PROF. RONALDO, EM NOITE DE GALA NO TÊNIS CLU...

MEU AMIGUINHO


ESCRITORES: CLERISVALDO B. CHAGAS,  PEDRO PACÍFICO, MARCELLO FAUSTO E O MESTRE DE CERIMÔNIAS PROF. RONALDO, EM NOITE DE GALA NO TÊNIS CLUBE SANTANENSE.


ESCRITOR MARCELLO FAUSTO, ROBSON (COCADA), SILVIO NASCIMENTO, ESCRITOR JOSÉ NOYA E EDVAN LIMA. "LAMPIÃO EM ALAGOAS".
 MEU AMIGUINHO
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de janeiro de 2013.
Crônica Nº 956

Não faça isso comigo, rapaz! Você está como os humanos, quando mais se precisa o sujeito dá às costas! Eu não lhe ajeito tanto, por que você quer me deixar na mão, ora! Não basta a frescura dessa energia que baixa mais de que bunda de aviador! E essa Internet velha de bengala na mão que sai constantemente do ar! Rshhh! Estou p... da vida com você, rapaz! Eu lhe azeito mais de que eixo de carro de boi, passo flanela macia no seu lombo, limpo sempre seus olhos, isto é, seu monitor, só não faço beijar sua vidraça, mas aliso muito mais de que coxa de moça, e então! Ontem você correu da parada. Como é que fica a crônica que não foi ao ar porque o Office 13 deu tchau? Ainda bem que ele voltou reinstalado. Mas, o que pensaram os que estão acostumados com as crônicas matinais diárias? Será que você não viu que já era mais de meia-noite nessa peleja. Tá certo que você não tem culpa quando a Internet trouxe seu rastro amarelo de ausência, mas tenha cuidado rapaz. Qualquer hora dessa, quando o estresse bater mais forte, “dano-lhe” a mão no pé do ouvido que você vai ver! Digo, na base do monitor.
Agora, você fique aí quietinho que eu quero voltar ao meu trabalho. Por favor não me faça raiva, senão eu vou dizer ao povo todo quem é você. Hum... Deixe-me ver... Onde era que eu estava mesmo? Você não conhece o site santanaoxente, o  blogdomendes e o sednenmendes? E pois! Tenho compromisso com eles, cara, se eu não trabalhar certinho, a coisa não presta, embola tudo, vão gritar: “E a crônica do dia 29?”. O que é que eu vou dizer? Vou falar que foi você o culpado. Eita rapaz, um puxão de orelha bem que seria bom. Mas você, torre, também merece uns cascudos, uns croques daqueles que as professoras de outros tempos costumavam aplicar em seus alunos rebeldes. E você impressora, não pense que está fora da minha raiva não. Quero imprimir você não deixa, com esse luxo de imperador só querendo cartucho novo e original. Não suporto mais essa sua insistência de piscar o tempo inteiro e não aceitar a tinta plebeia que vendem por aí.
Graças a Deus você está mais calmo. A mesma coisa digo de mim. Tudo bem, tudo bem, terminei a minha crônica e você desta vez não me aborreceu como o fabuloso Joãozinho, menino levado de todas às piadas. Obrigado, obrigado, desculpe o mau jeito amigo, máquina não tem culpa, precisamos é de muita paciência para descascar os abacaxis da vida. Não vou lhe dá um beijo agora, mas reconheço, computador, você é mesmo MEU AMIGUINHO.