SE KHADAFHI NÃO CAIR (Clerisvaldo B. Chagas, 11 de março de 2011). Pelo caminho mais perto Do ditador africano Um esforço sobre-humano ...

SE KHADAFHI NÃO CAIR

    SE KHADAFHI NÃO CAIR
(Clerisvaldo B. Chagas, 11 de março de 2011).

Pelo caminho mais perto
Do ditador africano
Um esforço sobre-humano
Vai chegando a céu aberto
Canhões varrendo o deserto
Povoados a ruir
Cova rasa a se abrir
Sob bombas e porfia
No inferno é alegria
Se Khadafhi não cair

Nos levantes populares
Bem longe de água e mangue
Coragem se junta ao sangue
Aviões deixam os hangares
São bombas riscando os ares
Refugiado a partir
Milhões de bala a sair
Da metralhadora guia
No inferno é alegria
Se Khadafhi não cair

Facões vibram vibra o aço
No pescoço peregrino
Da areia brota um hino
Do velho corpo o bagaço
Das entranhas é só mormaço
Fervilhante do porvir
Frases roucas a rugir
Quais leões à luz do dia
No inferno é alegria
Se Khadafhi não cair

Rasgam-se véus e turbantes
Nas investidas ferozes
O cerco espinha os algozes
Nos areais escaldantes
Beduínos triunfantes
Brancos sabres a luzir
Negra fumaça a cobrir
A fúria da infantaria
No inferno é alegria
Se Khadafhi não cair

Sobem vozes nas tribunas
Cruzam balas pelas ruas
As palavras estão nuas
O sangue escorre nas dunas
Golpes golpes tais bordunas
Somente a morte a sorrir
Uma nação a sentir
O peso da tirania
No inferno é alegria
Se Khadhafi não cair

Tremula o verde estandarte
Na força do vento quente
Com o guiso da serpente
Guerreiros marcham com arte
Valentes de parte a parte
Tentando se garantir
O front a reproduzir
Sangue suor covardia
No inferno é alegria
Se Khadafhi não cair

                                             FIM

ANJOS E DEMÔNIOS (Clerisvaldo B. Chagas, 10 de março de 2011). Vendo o mundo do alto, quatro coisas destacam-se nessa jornada do planet...

ANJOS E DEMÔNIOS


ANJOS E DEMÔNIOS
(Clerisvaldo B. Chagas, 10 de março de 2011).

Vendo o mundo do alto, quatro coisas destacam-se nessa jornada do planeta Terra. Duas boas e duas ruins.
 Uma das coisas boas é a preocupação com a Natureza. Há pouco tempo países ainda relutavam, mas despertaram para a realidade que ameaça a todos nós. Se o problema climático é considerado cíclico, mas a contribuição do homem funciona como potente catalizador. Felizmente os grandes poluidores como a China, deram uma guinada no antigo pensamento retilíneo. Embora ainda não esteja com a velocidade desejada, todos estão fazendo alguma coisa, desde o recolhimento e destino correto do lixo, à geração de energia limpa extraída das mais diferentes fontes.
Uma parte ruim é a que contrasta com a primeira. Movidos pelo desenvolvimento econômico, um movimento armamentista vai-se estabelecendo nos arsenais dos emergentes e no reforço das antigas potências. É o homem caminhando sem largar as duas bandeiras que trouxe das cavernas: a da paz e a da guerra. Construção e destruição. Esse sentimento animalesco ainda mal evoluído prende o ser humano às paixões que originam hecatombes sem vitórias. Quando as bombas atômicas forem usadas, não haverá mais nunca a oportunidade de refazê-las. Dar-se-á o êxodo das almas desse planeta para colônias invisíveis ou para outros planetas melhores ou piores.
Na segunda coisa boa, vem à conscientização amplificada dos blocos econômicos quando a parte social é olhada como saída para a paz. Quando esses blocos, como o MERCOSUL, UE, NAFTA e vários outros espalhados, inclusive na África, apontam o respeito mútuo e o cidadão, individualmente, como prioridade, esses blocos estão desenvolvendo. Isso por que estão saindo do início puramente comercial para uma fase humanitária até de irmandade. Vistos por esse ângulo, os blocos auxiliam a vida.
A segunda coisa ruim são os regimes onde não existe a liberdade individual. Ou manda um só, um grupo pequeno ou um grupão, mas o povo não possui liberdade religiosa, de pensamento, de trabalho, de livre trânsito ou mesmo de planejar a vida. É mero escravo dos dominadores sob os mais diferentes títulos políticos. Aguardamos que a queda desses espíritos de bichos continue em expansão por todos os continentes. O derramamento de sangue vale à pena quando o povo luta contra a opressão. Liberdade não tem preço.
É essa uma visão rápida e geral sobre o nosso planeta. O leigo não percebe, mas estar havendo uma transformação geral, cujo assentamento ainda levará certo tempo, assim como os chamados nas ruas “freios de arrumação”. Não vamos ser pessimistas para não assustar, nem otimistas para não cair na ingenuidade. O homem é ao mesmo tempo nas suas ações florísticas e catastróficas, seu próprio anjo, seu próprio demônio. Ah! ANJOS E DEMÔNIOS.

CINZAS DE FOGUEIRA (Clerisvaldo B. chagas, 9 de março de 2011) Quarta-feira de Cinzas. Ainda tem muitos camaradas curtindo a terça de Carn...

CINZAS DE FOGUEIRA

CINZAS DE FOGUEIRA
(Clerisvaldo B. chagas, 9 de março de 2011)

Quarta-feira de Cinzas. Ainda tem muitos camaradas curtindo a terça de Carnaval. Blocos inteiros ultrapassaram o limite da meia-noite, viram o dia raiar e tentam um prolongamento infinito das suas emoções. Como é bom extravasar! Deus não condena a alegria. O condenável é apenas aquilo que não se coaduna com os princípios cristãos, a violência, o álcool em excesso e muitas outras práticas nocivas que muitas vezes terminam em tragédia. Brincar o Carnaval com sabedoria é salutar e recomendável, quando inúmeros problemas imaginários evaporam no sentimento alegre, na música, na camaradagem, na euforia que não cabe dentro da alma. Entretanto, poucos são os conscientes que sabiamente fazem como manda a regra do bem viver. Nesse novo dia vamos contemplando o que restou do reinado de Momo pelas calçadas e sarjetas numa filmagem real da vida humana. Aqui, acolá, um fantasiado passa procurando um bar aberto para os últimos tragos de uma farra que se extingue. Um instrumento mudo, uma ressonância nos ouvidos dos que persistiram nos quatro dias numa toada de ilusões.
Tem início, para os católicos, o período da Quaresma que são os quarenta dias antes da Páscoa, a partir de hoje e sem contar os domingos. Essa fase é praticada há bastante tempo pela Igreja e faz parte do calendário cristão ocidental. Chamamos a este dia, especialmente quarta-feira de cinzas, lembrando o simbolismo do Médio Oriente, quando as pessoas colocavam cinzas à cabeça demonstrando arrependimento perante o Senhor. Os católicos celebram missas, ocasião em que os sacerdotes marcam as testas dos fiéis com cinzas e realizam belas práticas sobre esse significado. Representam às cinzas, reflexão sobre a vida, mudança, conversão, a nossa fragilidade perante a morte. Geralmente o cristão só retira a marca deixada na testa, no início da noite. Ainda pela Igreja, na quarta-feira de Cinzas não se come carne, assim como na Sexta-Feira Santa. O jejum e abstinência são guardados pelas pessoas que gostam de manter a tradição. O próprio Cristo falou sobre a força do jejum, hoje comprovado pela Ciência. Infelizmente esse dia, outrora tão sagrado para todos, torna-se propício aos indiferentes a tudo.
De um jeito ou de outro, o chamado feriadão foi bom para o funcionalismo e ruim para os comerciantes, segundo eles. Azar! A ambição pelo dinheiro nunca satisfaz ao avarento. Vamos voltar ao ritmo normal pelo menos até à Semana Santa. Afinal, ninguém é de ferro. É difícil parar para refletir. Mesmo assim, vamos vivendo como se fôssemos eternos nessa condição terrena, mas quando o nosso mundo desaba, notamos que não passamos de CINZAS DE FOGUEIRA.

CARNAVAL DA SEGUNDA (Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2011).           O tempo em Alagoas continua nublado com nuvens cinza. Às vezes ...

CARNAVAL DA SEGUNDA

CARNAVAL DA SEGUNDA
(Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2011).

          O tempo em Alagoas continua nublado com nuvens cinza. Às vezes nem sequer as folhas movem-se pela falta da mais leve brisa. O calor sufoca dentro de casa, nas ruas, nos automóveis. De vez em quando, pequena e cansada chuva tenta amenizar o mormaço asfixiante. O máximo que consegue é aumentar essa quentura do mês de março. Novamente a capital está ocada como talo de abóbora. Fica fácil enfrentar o trânsito reduzido de avenidas quase vazias. Os bares do centro estão fechados. Os donos, ou estão nas farras do litoral norte/sul ou fugiram da chateação dos poucos bêbedos que ficaram. Pegar umas latinhas só nos postos de gasolina; almoçar, somente em raríssimos restaurantes ou nas barracas do litoral sul. É a segunda-feira de Carnaval pontilhando a terra. Para quem não brinca, visitar o santuário da Virgem dos Pobres é boa opção. É logo ali perto do Extra, numa entrada estreita e ladeirosa que termina na metade da barreira. Está havendo retiro. Os inúmeros agradecimentos por graças alcançadas, estão pregados ao longo da parede que leva ao santuário.
          Na realidade, nesses dias de Carnaval, poucas são as opções de visitas sociais. Em compensação, para quem aprecia a Natureza litorânea, além das lagunas, pode encontrar a majestade dos cenários deslumbrantes. Passeio de jangada na piscina natural da Pajuçara; uma geladinha na praia do Francês; pescaria na barra da lagoa ou boa caminhada pela ilha de Santa Rita deixam o indivíduo na mais completa ordem. Não vamos cair na tolice de sair de casa meio-dia por que o Sol não alisa nem mesmo a sertanejos como nós. Perguntamos a moça que vende coco verde onde está à freguesia, cadê o povo. Ela nos olha com olhar brejeiro, sorriso maroto e responde: “Oxente! O povo, meu senhor, tá nos Carnavá”. Indagamos se não estamos no “Carnavá”. A moça já vai ficando invocada e responde estirando o beiço: “Virche! Não senhor. Os Carnavá é pracolá, ói!” E vai ajudando o beiço com a mão, como quem está varrendo com os dedos.
          A noite chega. O Sol parece ter ficado embutido na escuridão, pois o calor continua sufocante. As pessoas correm ao único supermercado aberto, como prevenção para amanhã. Um funcionário ameaça fechar a porta de ferro. Saem pedidos aperreados dos clientes retardatários. Lá fora, àquela chuvinha mortiça também vai anunciando que o mercado fechou. Os pneus vão fazendo ruídos estranhos pelo asfalto borrifado. Não se ouve uma só música de Carnaval nem dentro nem fora do estabelecimento. A segunda-feira vai-se despedindo meio tristonha, cansada, abatida pelo sufoco climático do dia. E se for para dizer, vou copiar a frase do flanelinha guarda carro:”Tá na hora de pegar o beco”. Adeus CARNAVAL DA SEGUNDA!

PAI É PEIA (Clerisvaldo B. Chagas, 7 de março de 2011). Queixam-se Maceió e Santana do Ipanema sobre o Carnaval que não consegue melhorar. ...

PAI É PEIA

PAI É PEIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 7 de março de 2011).

Queixam-se Maceió e Santana do Ipanema sobre o Carnaval que não consegue melhorar. Deu pena lê a entrevista de uma autoridade da capital falando sobre o assunto. Alegava à pessoa que os foliões haviam esvaziado Maceió em busca de outras localidades. Apontava Paripueira, Barra de São Miguel, Barra de Santo Antonio e Marechal Deodoro como destinos dos brincantes no litoral. Dizia ainda a citada autoridade, ser o Carnaval sinal de praia, além de exaltar as belezas naturais das urbes litorâneas acima. Continuava à pessoa, dizendo que não adiantaria um planejamento carnavalesco para um lugar onde faltariam pessoas para a realização do planejado. Resumindo: reconhecia a falência do Carnaval em Maceió, que ficara restrito a um desfile de escolas de samba. “Ê pai! Pai é peia, mas quando pai tiver na peia, acode pai!”. Esses dizeres sertanejos antigos refletem bem a situação de hoje. É semelhante àquele que diz que na casa que falta pão, todos reclamam e ninguém tem razão. Se formos olhar por certo ângulo, a autoridade está certa no modo de vê o reinado de Momo dessa maneira no “Paraíso das Águas”.
Em Santana do Ipanema, capital do sertão de Alagoas, a coisa é semelhante, amigo velho. Digo Santana do Ipanema, por que não queremos falar de outras cidades interioranas, pois cada uma tem a sua realidade. Por mais esforço que o município faça, os foliões formam seus blocos e na hora “H” partem para cidades ribeirinhas, principalmente Pão de Açúcar e Piranhas. Esta última tem se tornado o principal destino dos que pulam o Carnaval no Médio e Alto Sertão. Os prefeitos Cícero Almeida e Renilde Bulhões não estão errados e não são culpados da falência dos carnavais maceioense e santanense. Com os tempos modernos, uma sucessão de prefeitos em ambas as cidades, foi abandonando a tradição, como se apoiá-la fosse uma cafonice que não ficava bem na era da televisão, do computador, do celular. Abnegados que defendiam sempre o folclore foram-se tornando vozes isoladas e as tradições ficando enfraquecidas até chegar aos nossos dias. Como está havendo um novo olhar sobre o Carnaval no Brasil através do mesmo instrumento que o fez hibernar, voltam cidades como Maceió e Santana do Ipanema a querer requebros dos bonecos mortos por elas mesmas.
Percorremos as ruas e praias da capital nesse domingo (6) e só vimos o vazio. Deve ter acontecido a mesma coisa em Santana do Ipanema. Ao longo do litoral maceioense, poucas pessoas às sombras de barracas de praia. Em Santana, os antigos e bons carnavais dividiam-se em três partes. Durante as manhãs, blocos e mais blocos pelas ruas, inclusive com bandos de caretas. Às quatro da tarde, uma orquestra tocava no centro do comércio para quem quisesse brincar, além do corso, realizado à mesma hora. Na parte da noite, a sociedade divertia-se nos dois clubes rivais, Tênis e Sede dos Artistas. Sempre foi ali o melhor Carnaval do interior. Como os dois carnavais foram exterminados, recomeçar do zero não é nada fácil. Vai ser preciso muita competência para pesquisar, planejar, plantar e fazer brotar o novo. Enquanto isso vamos também pegando roteiros espetaculares que desembocam em lugares paradisíacos dentro desse estado de tantas e tantas praias e coqueirais. PAI É PEIA!.

BRASIL DO PIBÃO (Clerisvaldo B. Chagas, 4 de março de 2011).        Não, não minha comadre. A palavra acima não é o que você pensou. Pibão...

BRASIL DO PIBÃO

BRASIL DO PIBÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 4 de março de 2011).

       Não, não minha comadre. A palavra acima não é o que você pensou. Pibão foi apelido dado por um repórter ao referir-se ao nosso extraordinário PIB – Produto Interno Bruto, referente ao ano 2010. O resultado foi tão fantástico que o repórter fez à pergunta a presidenta Dilma, o que ela tinha achado do Pibão. Entendendo na hora e não querendo externar uma alegria doida, Rousseff respondeu apressada que foi bom. O maior resultado do PIB em vinte e quatro anos, quando teve alta de 7,5%. Para nós que sempre acompanhamos o desenrolar do mundo, foi uma alegria tão grande como um gol nosso na Copa do Mundo de Futebol. Com esse resultado, o Brasil passa a ocupar definitivamente um lugar de destaque entre as maiores economias do planeta. Segundo o ministro Mantega, assumimos o sétimo lugar entre as nações, desbancando ─ difícil de acreditar ─ Inglaterra e França; duas nações tradicionais do chamado primeiro mundo, inclusive, a iniciadora da industrialização mundial, Inglaterra. Embora não tenha saído ainda à classificação oficial, ficamos mais ou menos atrás, pela ordem, dos Estados Unidos, China, Japão, Índia, Alemanha e Rússia.
       Por coincidência, chega ao Brasil em cima da bucha, o diretor do FMI, Dominique Strauss Kahn, sendo recebido no palácio do Planalto pela Presidenta, em cuja reunião estava presente também o ministro Guido Mantega. Pois até o poderoso pediu para que o Brasil não crescesse tanto. É dia de festa ou não é? Não se pode passar a vida inteira comendo osso. Deve ter sido também de muita felicidade, para o primeiro-ministro de Timor Leste, a nação jovem da Ásia que fala português e veio pedir ajuda em Brasília. Foi nesse clima que Xanana Gusmão com sua comitiva foi recebido nessa quinta (3) e ficará no Brasil até amanhã (5). Assim o Timor veio fazer intercâmbio na Educação, Justiça, Segurança, capacitação de mão de obra, inclusão social, infraestrutura, e convênios na área militar e defesa. É assim que o Brasil vai ampliando sua atuação significativa em todos os continentes. Para o ministro Guido, a notícia dada pelo IBGE deve ter sido a parte do pão que faltava para preenchê-la com sua própria manteiga sempre virada para cima.
       Como tudo foi somente alegria nessa quinta-feira passada, o restante parece que vai ser entregue ao Rei Momo, para os rebates das celebrações. Felizmente ou infelizmente, a vida é mesmo assim, uma alternância entre a dor e a felicidade. É bom, entretanto, salientar que a oposição é sempre oposição. Carrega o eterno pessimismo das catacumbas. A oposição sublinhada aqui é a dos indivíduos que não enxergam além das suas amarguras e só distinguem em preto e branco, igualmente a touros de arena. Mesmo nada caindo em nossos bolsos, estamos satisfeitos em apontar o tamanho do gigante. O melhor frevo desse ano será, sem dúvida alguma, no Carnaval do bloco maravilhado BRASIL DO PIBÃO.


NÓS NA MÍDIA (Clerisvaldo B. Chagas, 3 de março de 2011).        Senhores e senhoras, finalmente o nosso estado entra na mídia, honrando a...

NÓS NA MÍDIA

NÓS NA MÍDIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 3 de março de 2011).

       Senhores e senhoras, finalmente o nosso estado entra na mídia, honrando assim a bandidagem que, satisfeitíssima, levanta o troféu de guerra. Os últimos anos vêm mostrando o recrudescimento da violência que se expande no sentido capital, cidades, povoados, áreas rurais. Os crimes vão resistindo e até vencendo às investidas do bem. Quem foge da violência de Maceió, não encontra mais no interior a calma, o sossego, a mansidão de outrora. Caminha com os olhos dançantes vendo em cada pessoa na rua, no banco, na feira, um possível bandido que a qualquer momento poderá estragar tudo. As saídas de bancos e supermercados tornaram-se perigosas no interior sertanejo, bem como as escolas sem vigias. E se alguém sonhava em adquirir uma bela ou modesta chácara pertinho das pistas, é melhor esquecer ou enfrentar os constantes roubos que normalizam o perigo. Vender boiada no interior é receber visitas armadas em casa, nos sítios, sem qualquer oportunidade de defesa. A droga vai sendo repassada com venda também na área rural, principalmente em lugares de jogos e bebidas. Motos com mais de uma pessoa circulando pelas estradas poeirentas, despertam suspeita e cuidado, estimulando corridas que em nada se assemelham as de São Silvestre. Parece até que o mundo inteiro resolveu entrar na malandragem de tomar o alheio. Quando descobertos, quase sempre são conhecidos profissionais como pedreiros, marchantes, tangedores, motoristas, motoqueiros ente outros. Esses são citados porque mais aparecem por aqui.
       Quanto aos bairros, principalmente os carentes de tudo, passaram a ser criadouros da mesma maneira como são gerados os mosquitos da dengue. De vez em quando saem às notícias dos mais novos perigosos que surgem na periferia. Os que estão bem informados vão relatando para você quem são eles e os limites dos seus territórios. Quase sempre essas cobras tornam-se conhecidas por apelidos. A partir das primeiras horas da noite, portas de bairros estão sendo cerradas, tornando perigosa qualquer aventura dos desavisados que ousam circular por essas bandas. Coitados dos professores que lecionam no turno em escolas distantes do centro! Até mesmo alunos, pessoas de idade que fazem o EJA, saem do estabelecimento rumo ao lar conduzindo sua faquinha de doze polegadas. Outros, sem coragem de arriscar a vida, desistem cedo de um benefício promissor. Ainda tem a moda de assaltos a bancos, ônibus, escritórios e até consultórios médicos. É aquela conhecida frase irônica usada pela juventude: “Tá bom ou quer mais?”.
       Os Assassinatos em ruas e os constantes tiroteios na capital, vão coroando todas as mazelas que levam ao topo das pesquisas. O que estar faltando para acabar com esse desadoro que aflige a população alagoana? A “Terra de Escritores”, o “Filé do Nordeste”, o “Recanto da Cultura” e o “Paraíso das Águas”, são títulos trocados pelo primeiro lugar em violência no país. É por isso que os bandidos ganham troféus. E com a bandidagem em alta em nosso estado, olhemos NÓS NA MÍDIA.

UM BIGODE CONDENADO                                   (Clerisvaldo B. Chagas, 2 de março de 2011). Orquestrados pelos Estados Unidos, os s...

UM BIGODE CONDENADO

UM BIGODE CONDENADO
                                  (Clerisvaldo B. Chagas, 2 de março de 2011).

Orquestrados pelos Estados Unidos, os sucessivos golpes militares
foram acontecendo em toda a América Latina. O receio de que forças esquerdistas
tomassem o poder, fez a nação americana apoiar golpes de estado, levando os
militares a ditaduras cruelíssimas que ainda hoje repercutem. Brasil,
Argentina, Chile, entre outros regimes de exceções, faziam parte de uma rede de
força combativa que tanto sofrimento causou ao povo latino. Era assim que agia
o “dono” da democracia no mundo, fazendo ditaduras em seu favor à custa de
milhares (não americanos) que pagaram com a vida.  Entre os títeres do musical Tio Sam, estava o
argentino Jorge Rafael Videla Redondo que golpeou o seu país e governou a gestão
1976-81, até que foi afastado do poder. Na época, a imagem de homem duro,
honesto, calmo e sério, causava até respeito diante da propaganda da sua figura
projetada no exterior. Rosto másculo, impenetrável, Videla mostrava um bigode à
moda Sarney, mantido até o presente momento.

Jorge Rafael Videla Redondo foi acusado de violação dos direitos
humanos como encarceramentos ilegais, torturas e assassinatos. Julgado pelo
desaparecimento de milhares de cidadãos, o ex-ditador foi condenado à prisão
perpétua em 1983. Aquele jogo de prende e solta, solta e prende costumeiro da
região, fez levar o homem ao cárcere e trazê-lo para as ruas. Em 2010 foi
confirmada a sua prisão perpétua, inclusive como culpado de morte de trinta e
um prisioneiros. Agora em fevereiro de 2011, Videla volta aos bancos dos réus. É
acusado de roubo e troca de identidade de cerca de quinhentos bebês, filhos de
desaparecidos, em sua maioria, nascidos em cativeiro. Prossegue o julgamento do
ex-ditador, reabrindo fortemente as feridas dos tempos de chumbo e de terror
que avassalaram a nação vizinha do sul. De vez em quando se descobre um adulto,
vítima como bebê dos tempos Videla. O povo argentino vai assim entre a sede de
justiça e as lembranças dolorosas, tentando viver a normalidade.

Está ali o general impassível, do mesmo jeito de outrora, assumindo
suas culpas, juntamente com outros que fizeram parte da tramoia violenta da
temporada atropeladora. Enquanto isso, o país do norte silencia como se nada
tivesse feito às pátrias alheias: derrubar as democracias e instalar ditaduras
amigas. Dúbia política ianque. Na Argentina, mesmo tardia, a justiça procura
ser feita. Daqui a alguns dias poderá sair à nova sentença para UM BIGODE
CONDENADO.








                                                                   ASSIM NÃO DÁ                                              (Clerisvaldo B...

ASSIM NÃO DÁ

                                                                   ASSIM NÃO DÁ
                                             (Clerisvaldo B. Chagas, 1º de março de 2011).

       Vamos acompanhando certas coisas que não alegram a ninguém, a não ser as mesmas velhas classes que continuam medindo força com o povo. Os meios civilizados em uso pela população do Brasil parecem não fazer efeito contra os nababos do poder que permanecem à cata de vantagens. Muda o governo, mas os vícios permanecem. Temos ainda um longo período a percorrer para atingir à moralização administrativa das nações civilizadas. Quando se pensava que o congresso, parcialmente renovado, iria melhorar a sua imagem, nos deparamos com o aumento absurdo para os seus membros, chocando a sociedade trabalhadora. Não houve grito nenhum vindo de cima. O povo brasileiro esperneou, mas nada foi feito para desatar o nó cego que deram no povo não mais soberano. Quando se espera que a Justiça faça alguma coisa, o STJ sai com outro escândalo pior. E se o guardião da lei age dessa maneira, é de se perguntar a quem recorrer agora. Enquanto isso, o país do aumento absurdo recente, junta ao que já é absurdo há bastante tempo, sem um único freio que possa estacionar a sangria. Uma gigantesca propaganda continua iludindo o Magistério que se vai esfacelando, até que chega um aumento ridículo no chamado piso nacional. Foi por essas e outras medidas aleijadas que multidões invadiram câmaras e prefeituras em alguns lugares do país. Perigosamente essa democracia brasileira abusa do povo parecendo não saber sobre a guilhotina, a ignorar as rebeliões que devastam o Oriente Médio e o norte africano.
       Quando nos viramos para o outro lado, vamos também notando outras coisas que não se credenciam. Todos os programas sociais não seriam atingidos por cortes nenhum, dizia a propaganda. Agora é anunciado o corte no programa Minha Casa, Minha Vida, em torno de 40%. Que coisa feia! Mesmo assim, menos feio do que o golpe do congresso e do STJ no povo brasileiro. Ainda que tudo seja legal, é imoral. Como se podem querer os olhares de países sérios dessa maneira. Qual a moral que o Brasil tem em apontar com o dedo sujo os erros de Khadafi ou de Chávez, por exemplo? As Forças Armadas continuam vivas, a paciência do povo vai tombando. Outro caso que podemos apreciar é o ministro Mantega dizer que não tem mais dinheiro para comprar os caças que iriam modernizar a nossa força. Acreditamos mesmo que não tenha, pelo menos neste ano, como diz o ministro. Mas, que ridículo para nós brasileiros a negociata daquilo que não se pode adquirir. O que pensará de nós os Estados Unidos, a França e a outra nação europeia envolvida no negócio bilionário? E o nosso orgulho para onde irá?
       A presidenta Dilma pode até saber, porém, não custa falar. Quando se perde as rédeas no início, torna-se quase impossível um controle posterior. Achamos até que não é hora de querer tornar-se popular em programa de televisão, inclusive, dando preferências. Não fica bem estar mostrando como se faz bolo, quando os políticos do congresso e os impolutos do STJ já botaram a mão no bolo. Parece continuar tudo como antes, como dizia um velho político de romance nordestino: "O povo! Dane-se o povo!" Ora! Se os grandes do poder agem como fizeram com o tal aumento em Brasília, o que podem esperar das violências das ruas? Quer dizer, então, que o "X" do problema está em cima e não em lugar outro. ASSIM NÃO DÁ.

AS SEMENTES (Clerisvaldo B. Chagas, 28 de fevereiro de 2011) Toda pessoa tem missão a cumprir na Terra. Ninguém veio para esse Planeta apen...

AS SEMENTES

AS SEMENTES
(Clerisvaldo B. Chagas, 28 de fevereiro de 2011)

Toda pessoa tem missão a cumprir na Terra. Ninguém veio para esse Planeta apenas para dormir e comer. Cada profissional, sendo honesto, está fazendo parte dos planos de Deus. É que as incontáveis profissões espalhadas pelo mundo em diferentes épocas terminam fazendo um todo como qualquer quebra-cabeça, objeto comprado para entretenimento. Por isso é importante que cada indivíduo procure fazer o melhor possível dentro do seu trabalho por grandioso ou humilde que esse trabalho seja.  Fazer propositadamente péssimo o que lhe foi confiado desagrada ao dono do trabalho terreno, tanto quanto ao dono superior. Quando não ligamos muito para o nosso desempenho, nos assemelhamos ao homem que tem excelentes roupas, mas se traja como mendigo. Não tem mérito no trajar, nem no pedir. Dizer que é mal remunerado e fazer trabalho sujo, tentando justificar-se, é estar sem norte algum como uma boia ao sabor das ondas.
A Bíblia em geral, com seus evangelhos (sem nenhum fanatismo) representa a ciência da vida. Por mais que o homem seja versado nos mais diversos saberes, tem que possuir o que ensina a viver. Isso faz lembrar a parábola das sementes, segundo o Mestre. Um agricultor saiu a semear o trigo. Algumas sementes caíram no caminho. Os pássaros desceram e as comeram. Outras sementes caíram em lugar pedregoso.  O trigo brotou, subiu, mas como havia mais pedra do que areia, ele logo murchou e morreu. Mais outras sementes caíram onde havia muitos espinheiros.  Pelos espinhos foram sufocadas durante o crescimento e morreram. E os grãos restantes, tendo encontrado solo bom e trabalhado, teve grande êxito em plantio e desenvolvimento. O próprio Jesus explica as quatro situações das sementes. O terreno é a nossa alma, o nosso espírito. Na primeira situação, recebemos as boas palavras, os bons encaminhamentos, mas logo vêm os maldosos encarnados e desencarnados e os arrebatam. No segundo exemplo, são os nossos primeiros entusiasmos a seguir os bons e seguros conselhos, mas somos tentados pelos que zombam da situação (das mais diferentes maneiras) e nós terminamos acanhados e abandonamos as boas causas. Já o caso dos espinheiros, estes são os embaraços da vida como luxo, riqueza, luxúria e outras atrações que desviam a palavra divina, fazendo com que a pessoa troque seu Deus pelas coisas chamadas vaidades, diz o livro sagrado. Quanto à quarta semeadura, é a do terreno fértil e preparado daqueles que, mesmo com seus defeitos, estão sempre e sempre dispostos a seguir em frente, praticando o bem em qualquer lugar onde estejam. São as pessoas iluminadas que, muitas vezes são humildes e confundidas com os mais variados adjetivos.
Todas as formas de violência que estamos vivendo, com certeza não são originárias da quarta semeadura.  E mesmo para os terrenos preparados e férteis, é necessário observar a qualidade das SEMENTES.

NOS BICOS DOS SEIOS (Clerisvaldo B. Chagas) 26/27 de fevereiro de 2011 Vou chegando de solo resistente Mesclado em fulni-ô pankararus ...

NOS BICOS DOS SEIOS

NOS BICOS DOS SEIOS
(Clerisvaldo B. Chagas)
26/27 de fevereiro de 2011

Vou chegando de solo resistente
Mesclado em fulni-ô pankararus
De altivos reais mandacarus
Do veneno terrível da serpente
Da terra onde a seca mata gente
Das morenas de corpos sedutores
Das sonoras de vates cantadores
Do Sol inclemente todo dia
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

Sou da zona mais seca e pastoril
Dos alforjes de couro trabalhado
Das flores pequenas sobre o prado
Dos balanços da alça do cantil
Das antigas coronhas de fuzil
Que marcavam os cangaços matadores
Dos volantes ferozes caçadores
Do facheiro que acena à penedia
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

Numa besta Fubana vim montado
Pulando ao cavalo Fulustrecos
Bebendo aguardente nos botecos
Pegando na beca de soldado
Com buchada de bode fui criado
Palmilhei nos espinhos furadores
Embriaguei-me na fonte dos amores
No descalço que à bota não cabia
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

Do sereno da noite fiz meus panos
Da manhã mais feliz trouxe o orvalho
Rezei num cruzeiro de carvalho
No lajeiro deixei meus desenganos
No bojo das cavernas fiz meus planos
Nas montanhas matei os meus temores
Levantei os meus braços lutadores
Recebendo o troféu da ousadia
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

Trago a flor que entre as pedras vinga
Com espinhos cruéis dos juazeiros
As ponteiras dos relhos dos tropeiros
O cheiro do balcão após à pinga
O barulho da chuva na caatinga
As esporas dos galos multicores
O divino sugar dos beija-flores
O silêncio das grotas mais sombrias
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

Banhei-me no fulgor das alvoradas
Resisti à dolência do poente
Relutei nos esconsos da vertente
Balancei-me nos traços das ramadas
Copulei em orgia às madrugadas
Nos montes de Vênus chamadores
Gozei em amparos cobertores
Que o cio das deusas oferecia
E nos bicos dos seios da poesia
Dei vazão aos meus lábios sugadores

FIM











CADASTRO SOCIAL (Clerisvaldo B. Chagas, 25 de fevereiro de 2011).        Ninguém sabe quantos cegos, aleijados e pessoas com outros tipos ...

CADASTRO SOCIAL

CADASTRO SOCIAL
(Clerisvaldo B. Chagas, 25 de fevereiro de 2011).

       Ninguém sabe quantos cegos, aleijados e pessoas com outros tipos de problemas, Jesus curou nas suas peregrinações pela Palestina. Transitando em terras da Galileia, Samaria e Judeia, seguido por multidões, não tem mesmo como se possa calcular os benefícios do filho de José. Levando-se em conta o atraso da medicina e a população regional, quantas formas de doenças não haveriam naquele recanto mediterrâneo! Mas parece que quanto mais se evolui no campo da cura, mais doentes aparecem lotando hospitais, postos de saúde e agências de benefícios.
       Especificando apenas cegos e aleijados, víamos nas feiras do interior de Alagoas, grande número de pedintes que até se tornavam conhecidos para os feirantes. Lembro bem de uma linda mulher cega, olhos azuis, bem asseada, decentemente vestida, que pedia esmola tocando uma sanfona e cantando, aos sábados na feira de Santana do Ipanema. Eu tinha muita pena. Zequinha Quelé, repentista cachoeira, também cego, circulava nas feiras de Santana a Pão de Açúcar. Aleijados também assinalavam presença e não eram poucos.
       Atualmente a denominação para quem tem problemas semelhantes, é deficiente, nome mais suave, porém, com desgaste constante que termina se igualando aos dois primeiros. Acontece que atualmente existe uma secretaria chamada de Ação Social que recebe verba a valer e, até é cobiçada pelos políticos por motivos óbvios. O que se propõe aqui, é que a AMA – Associação dos Municípios Alagoanos, elabore um censo para cadastrar pedintes habituais, comprovadamente cegos ou aleijados, em todos os municípios, inclusive confrontando os cadastros entre as diversas secretarias municipais. Uma vez de posse desses dados, tomar providências no sentido de uma política de dignidade dessas pessoas, tirando-as definitivamente da situação de mendicância e usando os benefícios da Ação Social para uma vida decente, prazerosa e produtiva.
       Essa não é uma crônica literária. É como se fosse uma pausa reflexiva em nossos trabalhos. O leitor tem todo direito de acreditar ou não. Preparados e salvos versos regionais e filosóficos, em martelo agalopado, para o dia de hoje, desapareceram misteriosamente do arquivo salvo e não pude encontrá-los em nenhum outro arquivo. Desolado fui dormir sem saber o que escrever para hoje. Passava da meia-noite, quando veio um personagem de olhos azuis no meio da multidão e, veementemente, pediu-me essa crônica que ora elaboro. Pareceu-me um deficiente visual que se elevou na multidão, cujas palavras, não as entendi como foram pronunciadas, mas que as traduzi perfeitamente e acordei. Estou aqui às duas da manhã enviando a mensagem a AMA.
       Naturalmente não é meu esse apelo aos prefeitos da Associação. Estou apenas servindo de instrumento, não deixando de cumprir a minha parte. Revelo, entretanto, a alegria imensa de ter sido usado para o bem. Tudo agora depende de boa vontade para um CADASTRO SOCIAL.

ESTRELA CADENTE (Clerisvaldo B Chagas, 24 de fevereiro de 2011 ).        O norte africano e o Oriente Médio continuam sendo as atrações do...

ESTRELA CADENTE

ESTRELA CADENTE
(Clerisvaldo B Chagas, 24 de fevereiro de 2011).

       O norte africano e o Oriente Médio continuam sendo as atrações do momento. É que não estamos vivendo apenas a transformação de um país qualquer sem expressão alguma. Trata-se de uma região inteira de bicontinentalidade, lugares importantíssimos na geopolítica, interesse geral das grandes potências militares. Tudo que acontece por ali afeta a nossa economia brasileira, sendo, portanto, motivo de interesse do país em geral. Diretamente são os brasileiros e firmas do Brasil, investidores no Oriente que são afetados. É o comércio incerto e vacilante, estremecido pelas arengas que aumentam ou não as nossas exportações. As brigas de lá podem encerrar fábricas aqui gerando desemprego. Poderá haver fechamento de passagens de navios, prejudicando a navegação, tornando mais caro os fretes, os seguros, os preços das mercadorias. Poderá haver também um substancial aumento de preço do petróleo, tanto pelo marasmo da produção, quanto pelo risco do transporte pelos pontos explosivos. O globo que virou aldeia interessa a todos e não há como permanecer indiferente ao que se passa no mundo.
       Apertado por todos os lados, o senhor Mahmoud Ahmadinejad, não querendo deixar o poder pela rebelião do povo, resolve desviar a atenção dos seus mais profundos problemas sociais, enviando navios de guerra ao Mediterrâneo. Dois navios iscas, para que Israel, com os nervos à flor da pele, ataque-os, para que o povo iraniano volte à revolta para o inimigo comum, digo, não de povo com povo, mas do ódio figadal do senhor Ahmadinejad. Penso que Israel não deveria morder a isca. É aguardar a ação dos navios e só agir em caso extremo.
       O pior de tudo nesse momento histórico ímpar (rebeliões populares em inúmeros países ao mesmo tempo) é sem dúvida a incerteza. Estão em jogo as diversas etnias, religiões, política, economia e a própria ameaça de um conflito generalizado de grandes proporções que incluiria até a Europa que se recupera lentamente da rebordosa da última crise gigante.
       Coincidentemente na área de Jesus, Abraão e Maomé, é onde mais se reprime, mais se explora, mais se odeia. A concentração de tantos carolas, tantos santos de pau oco, faz também dessas terras repletas de céu, o inferno da intolerância em eterna ebulição. A fobia religiosa, étnica e pátria, tem início na própria casa, na exploração do nome de Deus em vão, nos apelos divinos para subjugar os do mesmo sangue, na canga pesada nos pescoços menores. (Compare com alguns prefeitos do semiárido, o ferrão de ferreiro em vara de quixabeira, sapecada, na legião de analfabetos). Os torpedos dos navios iranianos são os mesmos torpedos do obscurantismo popular e da infame sagacidade ditatorial. Luzes artificiais existem no Oriente Médio, África, Cuba, Venezuela, China, Rússia e Coreia do Norte, mas está faltando um tipo de luz natural que não se fabrica com os combustíveis terrenos. Talvez a descida de um simples candeeiro pudesse alumiar, nem que fosse por frações de segundos, como pedido desesperado e esperançoso que fazemos na passagem de uma ESTRELA CADENTE.

O VELHO KHADAFHI (Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2011).        Com os recentes pipocar de rebeliões pelo Oriente Próximo e pelo...

O VELHO KHADHAFI

O VELHO KHADAFHI
(Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2011).

       Com os recentes pipocar de rebeliões pelo Oriente Próximo e pelo norte da África, ressurge o másculo rosto de Muammar Abu Minyar Khadhafi. Conheci Muammar na era de setenta, após sua chegada tempestiva ao poder, em 1969. A revista Seleções, de circulação internacional, com assinaturas no Brasil, gostava de enaltecer aliados dos americanos. O homem forte da Líbia foi apresentado pela citada revista em longa reportagem elogiosa sobre a sua coragem, inteligência e percepção. Elogiar ditaduras ou fazer vistas grossas, sempre fez parte da estratégia dos Estados Unidos, desde que esses regimes lhes fossem favoráveis. Quando o país não apoiava os interesses dos gringos, sentia o peso de campanhas públicas e camufladas, visando à queda do insistente corajoso. Muammar Khadhafi é e sempre foi polêmico desde sua tomada do poder em 1969. Após a chamada revolta da Líbia, entrou como coronel e tomou algumas providências internas que tiveram variadas repercussões. Declarou ilegal a bebida alcoólica e jogos de azar no país. Solicitou a saída de bases americanas e inglesas do seu território. Expulsou as comunidades judaicas e aumentou a participação das mulheres na sociedade. Gostava de apreciar os elogios que falavam sobre ele na imprensa mundial. Sempre se apresentou em traje de deserto, mas elegante, mostrando zelo pela aparência e planejamento nas fotografias. Khadhafi, dirigindo pela força uma nação pequena, parecia querer se mostrar, ora como estadista, ora como um Rommel em combates no deserto.
       No poder há 42 anos, o calejado coronel apoiou grupos islâmicos de libertação nacional no período 1970-1980. Em 1992-93, a ONU lhes impuseram sanções pelo financiamento ao terrorismo no mundo. Reabilitado depois, ao renunciar o apoio ao terror, Muammar, quando parecia cair no ostracismo, dava um jeito de aparecer. Como não estava incomodando muito o Ocidente, ficou na tolerância externa, mesmo sendo ditador de longas datas do seu povo sofrido, filhos do Sol.
       Já com um filho engatilhado para sucedê-lo, Muammar começa a estremecer com as suas quadragenárias mordomias. Quanto ao filho, ao invés de pedir renúncia de tudo, prefere uma guerra civil, como anunciou. Já está dizendo quem é. A ambiguidade americana de apoio/não apoio às ditaduras amigo/inimigas, ajuda na alimentação às cobras cascavéis, vigilantes implacáveis da escravidão de direitos individuais. É patética a mudança repentina de opinião americana diante das revoltas populares. Daria para ser encenado com sucesso pelo palhaço Tiririca em seus espetáculos circenses.
       Estamos contemplando agora o ocaso violento de Muammar, assim como foi o início do seu poder. Em conjunto solidário com outros dirigentes absolutos da região, desmoronam-se os reinos. É levantar os dedos no adeus ao coronel, à raposa do deserto, ao idealista de ontem, ao VELHO KHADHAFI.

OS BATONS DA PRESIDENTA (Clerisvaldo B. Chagas, 22 de fevereiro de 2011).        Foi uma importante vitória para os dirigentes, a presença...

OS BATONS DA PRESIDENTA

OS BATONS DA PRESIDENTA
(Clerisvaldo B. Chagas, 22 de fevereiro de 2011).

       Foi uma importante vitória para os dirigentes, a presença da presidenta Dilma Rousseff no 12º Fórum de Governadores do Nordeste. O tempo dirá sobre as palavras de Rousseff, durante quarenta e cinco minutos, acalmando os governadores da região. A antiga SUDENE, que tantos projetos fomentou, teve o seu fim cercada de muitas denúncias de todos os tipos. O certo é que o Nordeste, apesar de sempre ser apontado como foco de miséria, deu um salto qualitativo muito importante e continua desenvolvendo. Se não podemos crescer como um todo, progredimos em forma de arquipélago, mas progredimos. O importante agora é fechar o vazio em que ficaram subregiões como a do semiárido, rendido por tantos males que antes incuráveis pareciam. Nordeste que agonizava diante das discussões, quase sempre errôneas dos frascos de mezinhas. Uma região dominada por olhares portugueses, canavieiros, sesmeiros latifundiários, só a partir dos anos sessenta despertou. Descobriu não ser a Geografia, o clima, os culpados das suas pancadas na cabeça, nos pés... No fígado; mas sim, a História, a Política que machucaram em séculos consecutivos. Foi bastante descobrir que a saída do marasmo, da ignorância, das trevas, dependia da política dos governos federais sucessivos, fortes e de boa vontade. Foi assim que nasceu esse grupamento de ilhas que tem que ser transformado no todo. Um crescimento igualitário deixando de privilegiar agreste ou litoral, incluindo definitivamente o Sertão, nessa etapa que o governo estar chamando de Novo Nordeste.
       Mesmo com a expressão batida ─ Novo Nordeste ─ pode ser que o apoio maciço demonstrado enfaticamente pela presidenta, confirme mesmo o vulgo ao final do seu mandato. Se as regiões desérticas de Israel e da Califórnia são desenvolvidas, por que não podemos, então, dizer o mesmo do nosso semiárido? Querer é poder, diz bem essa frase em relação a nós dos sertões nordestinos. O problema é que nunca quiseram. E se quiseram, não entraram a casa pela frente, mas sim pela cozinha. A boa vontade e a esperteza perderam-se nas águas dos açudes, dos caminhões-pipas, nas enjoativas falácias dos palanques. Com as afirmações, portanto, da presidenta e a mentalidade una dos caciques nordestinos, é bem possível que tenha chegado definitivamente a nossa vez. E se não acreditávamos mais nos humanos, bocas de calça, voltamos às esperanças para um rabo de saia. Falavam que os valores estavam invertidos; aproveitemos a inversão das calças. O tempo dirá se os chapéus que passaram são melhores ou piores do que os BATONS DA PRESIDENTA.

CASACA-DE-COURO (Clerisvaldo B. Chagas, 21 de fevereiro de 2011).        Não tem como ficarmos indiferente ao fracassado futebol alagoano....

CASACA-DE-COURO

CASACA-DE-COURO
(Clerisvaldo B. Chagas, 21 de fevereiro de 2011).

       Não tem como ficarmos indiferente ao fracassado futebol alagoano. Lembro sim dos tempos das exacerbadas paixões pelos dois clubes que faziam Maceió dividir-se. Levei para a capital a minha força e amor pelo Ipanema, forçado a esquecer do seu brilho do final dos anos cinquenta. Como Alagoas era marcado pela tradição do folclore do pastoril, dividia-se em azul e encarnado. Assim nasceram as cores dos dois times tradicionais da capital CSA e CRB. Estádio Rei Pelé inaugurado, construído com muito sacrifício, penalizando o funcionário público, lá íamos nós ao campo da Rua Siqueira Campos. Em república de estudante, as brincadeiras em dia de clássico mostravam-se bem movimentadas. Tempo do radinho portátil marca Sharp, potente, charmoso, protegido por uma bela capa de couro desenhado, sonho de consumo como o televisor de hoje. Quando o colega chegava do jogo, encontrava o placar zombador da derrota ao desvirar o prato do jantar. Longe de casa comecei a torcer pelo time azul, como do azul eram os meus pais. Cansado de tantos fracassos do futebol alagoano nas competições maiores, deixei de ir a jogos. Houve tempo em que Maceió possuía até quatro times profissionais, quando só podia sustentar um, como ainda hoje. Continuo CSA, mas a paixão acabou. Continuo Ipanema, mas a paixão acabou.
       O futebol alagoano ainda vive no passado e do passado. Há muito essa atividade virou empresa e precisa de todo oxigênio contemporâneo. Planejamento, organização, capital, investimento e mão de obra especializada, são ingredientes básicos para o sucesso. Nem a capital, nem o interior dispõem sempre dessas exigências. Quando tem uma coisa falta à outra e assim vai-se revezando nesses itens e colecionando fracassos em competições nacionais e mesmo do estado. Quando muito, algumas ações mais efetivas, depois a queda, a decepção costumeira. Esse futebol romântico, sem resultado, ajuda a frustrar marcando escanteio nos torcedores que vão trocando esse por outro esporte mais prazeroso.
       Com as sucessivas derrotas que nunca nos deixam ir além, vejo os times caminhando como nos tempos das repúblicas estudantis. Não resistem nem ao início de uma caminhada além-fronteiras. Para compensar aos abnegados, apelam para outros tipos de glórias do pretérito, citando feito e mais feitos num romantismo ingênuo e suposto consolador. Parecemos declamadores de Camões nas praças estaduais. Como a capital nunca chega a um milhão de habitantes, parece que temos o mesmo futebol/província que resiste a mudanças ou não encontra espaço diante de metrópoles que já entenderam o espírito do esporte/empresa. A sustentação exclusivamente política de um time fica dependente do humor coronelício. Sem querer fazer nenhuma propagando de instituto algum, Alagoas, sessenta anos depois, ainda precisa de um futebol moldado num SENAI, num SENAC, para dá frutos duradouros no seu terreiro e na casa alheia. Além dos ingredientes citados acima, é preciso ainda muito amor à camisa, pois o torcedor está querendo cada vez mais das suas cores, competência e bola redonda. Chega de apreciar fracassos e ninhos de CASACA-DE-COURO.

CARTAS QUEIMADAS (Clerisvaldo B. Chagas, 18 de fevereiro de 2011).        De vez em quando volto a imaginar sobre meus maiores ícones dos ...

CARTAS QUEIMADAS

CARTAS QUEIMADAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 18 de fevereiro de 2011).

       De vez em quando volto a imaginar sobre meus maiores ícones dos últimos cem anos. Falando em termos locais, aquele que eu tanto admirava, desabou no meu conceito. Não soube ele investigar, separar, distinguir o remédio do arsênico. Quem mesmo vivido não é sensível para enxergar virtudes, não pode conservar uma amizade profundamente sincera. No âmbito de Brasil, tenho o padre Cícero Romão Batista como o homem do século vinte. E, lá fora, surgem Winston Churchill e Mahatma Gandhi, todavia, meus ícones de cabeça foi o Papa João Paulo II e são ainda Lech Walesa, Nelson Mandela e Mikhail Gorbachev.
       Eu estava saudoso desse ídolo terreno Gorbachev e de sua bela e elegante mulher Raissa. Eis que Mikhail Gorbachev reaparece aos 79 anos em entrevista, nessa quarta-feira passada (16). Veio denunciando a Rússia atual do presidente Dmitri Medvedev e do ex-presidente e hoje primeiro-ministro Vladimir Vladmovich (Putin). Em longa entrevista ao jornal de oposição “Novaya Gazeta”, do qual é acionista, o velho e coerente Gorbachev não poupou críticas a Rússia dos nossos dias. Apontou o país como uma forma política de “imitação”, formada por uma elite depravada. Quase vinte anos depois da Perestroika ─ palavra que percorreu insistentemente o mundo ─ o último dirigente soviético diz que tem vergonha da Rússia. Ninguém melhor do que o próprio Mikhail para falar com propriedade do mais extenso país do planeta. Critica a anulação de eleições para governadores e a falta de liberdade de expressão nas televisões nacionais. Foi Gorbachev quem lançou a Perestroika que derrubou o sistema da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, lado esquerdo de um mundo bipolar.
       Para quem pensa que a Rússia vive um mar de liberdade, estão aí às palavras de um homem a quem eu gostaria de abraçá-lo. O demolidor do comunismo, juntamente com o Papa João Paulo II e o sindicalista Lech Walesa, na Polônia. O velho líder fala também sobre sua mulher Raissa e o seu sofrimento (de Raissa) durante o golpe de 1991, motivo de piora da sua saúde. Raissa sofria de câncer quando piorou e veio a falecer em 1999. Ela teria sofrido um derrame e teve hemorragia nos dois olhos. Raissa havia queimado às cartas ─ cinquenta e duas ─ que seu amado havia escrito para ela durante a juventude. Assim ela fazia para proteger a vida privada de ambos contra intromissões estranhas, falou o corajoso Gorbachev, que pretende comemorar seus 80 anos festejando esse aniversário lá dentro de Moscou.
       Para ser destaque positivo no mundo, não deixam de surgir provações, dores e sacrifícios que moldam as grandes almas dos predestinados às enormes façanhas. Gorbachev não teve direito nem a recordar um doce passado diante de velhas e amarelecidas cartas de amor. Como o homem que mudou a direção do mundo, nós às vezes somos assim. Ficamos momentaneamente amuados, tristonhos, infelizes, com se fôssemos apenas pequena montanha de papéis carbonizados. Não passamos de perfumosas, meigas, amarelas folhas, relicários de jacarandás em CARTAS QUEIMADAS.

NOVA ERA (Clerisvaldo B. Chagas, 17 de fevereiro de 2011).        Com a pólvora pegando fogo no norte da África e na Ásia Seca, os que com...

NOVA ERA

NOVA ERA
(Clerisvaldo B. Chagas, 17 de fevereiro de 2011).

       Com a pólvora pegando fogo no norte da África e na Ásia Seca, os que comandam o opressor regime iraniano, estão morrendo de medo das manifestações de rua. Gritando: “Morte ao ditador e abaixo o governo”, é de se imaginar as cenas escondidas da Internet do povo enfurecido e da cúpula apavorada, sem dormir vinte e quatro por dia. Os parlamentares aterrorizados se unem aos gritos angustiantes pelo enforcamento das lideranças revolucionárias. Com o senhor Mahmoud Ahmadinejad, acontecimento menor de que o de Mubarak é improvável. A fúria acumulada circulando nas avenidas, não faz lembrar somente os momentos do Cairo e de Túnis, mas também dos desmantelos que tomaram conta da França na tomada da Bastilha.
       Com a tremenda confusão gerada pela Revolução Francesa, vários nomes ilustres destacaram-se, bem como alguns partidos revolucionários. Entre esses clubes participantes ativos da revolução que mudou o modo de pensar do mundo, dois foram destaques. Os girondinos, a princípio, deputados da província de Gironda, depois, grupo mais amplo, inclusive, da alta burguesia que procurava defender seus interesses. Era um bloco mais conservador. Os jacobinos, assim conhecidos, porque se reuniam nos conventos dos monges jacobinos, era um grupo radical sob a chefia de Maximilien Robespierre. Representavam a pequena burguesia e os sans-cullotte (pessoas das camadas populares). Havia também os cordeliers, representados por Georges Danton e Jean-Paul Marat.
       Após a tomada da Bastilha, muitas cabeças rolaram na guilhotina durante uma das passagens revolucionárias que ficou conhecida como a “fase do terror”. Ninguém estava seguro. Os jacobinos demonstrando força ficaram no poder sob a chefia de Robespierre, apelidado “O Incorruptível”, porém, formalmente radical, condenou a morte seu antigo companheiro Danton. Ao ser levado à morte, Danton teria gritado profetizando: “Hás de seguir-me Robespierre”. E na continuação desse processo, o próprio chefe Robespierre também foi condenado, seguindo a dura profecia do mesmo caminho de Danton.
       Aqueles do Irã que condenam inocentes, mulheres, crianças e tantos indefesos, em nome de moral egoísta e satânica usando o nome de Alá ou Maomé, estão completamente inquietos. Dirigir o povo a chicote de três pontas vai custar caro aos infames dirigentes. Com o recrudescimento da juventude nas praças, a insegurança torna-se muito maior por dentro dos palácios do que nos pavimentos das vias públicas. A mentalidade mesquinha, retrógrada, desumana, tudo indica que vai desaguar num banho de sangue na capital do antigo império persa. Avaliando pela ótica francesa, pode ser que no primeiro momento os líderes da revolta sejam enforcados, como pedem os parlamentares. Mas, igualmente a Danton, poderão ir primeiro ao cadafalso, contudo, os carrascos depois hão de segui-los assim como fizeram a Robespierre. O povo condenado há de dizer: “Hás de seguir-nos Ahmadinejad”. E no Irã também será iniciada a NOVA ERA.

BOGOTÁ (Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2011).        Tendo iniciado com a visão futurista do brasileiro José Sarney e do argentin...

BOGOTÁ

BOGOTÁ
(Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2011).
       Tendo iniciado com a visão futurista do brasileiro José Sarney e do argentino Raul Alfonsín, nasceu o MERCOSUL. Superando o individualismo tradicional da região, o Mercado do Sul vai chegando à terceira fase do seu destino. Criado como movimento econômico de reforço, passou pela fase aduaneira para a fase social dos países e agora atinge o seu ponto máximo que é a valorização individual dos filhos dos quatro países envolvidos: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Em breve teremos vários benefícios como livre circulação, validade de diplomas, chapa padronizada de veículos e, talvez, moeda comum aos membros permanentes. Hoje o Brasil faz troca de mercadorias, baseado nas moedas locais, antes regidas pelo dólar. A parceria, Brasil e seus vizinhos, já supera o comércio com os Estados Unidos, antes, seu principal destino comercial. É simplesmente extraordinário o movimento de transportes na região, especialmente de caminhões cruzando planícies e montanhas da parte meridional do continente.
       A América do Sul é composta de doze países, quatro dos quais fazem parte permanente do bloco e outros cinco são membros associados como Chile, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador. A Venezuela já pediu a entrada como membro pleno e agora é a Colômbia, com negociações adiantadas, procurando fazer parte definitiva desse auspicioso conjunto. Essa foi a grande notícia dada ─ ainda que bem discreta ─ na mídia nacional. Vale salientar que todos são convidados, ficando, porém, à vontade e marcando seu ingresso quando achar conveniente.
       A Colômbia, mesmo com seus problemas com a guerrilha é uma das nações que mais cresceram no mundo nos últimos tempos. Potência média da América Latina, segunda população regional, representa hoje a quarta economia da América do Sul. A Colômbia tem 46% de pessoas abaixo da linha de pobreza, uma renda má distribuída e uma população que se urbanizou rapidamente. Fala-se o castelhano com mais de uma centena de dialetos numa população entre 80% e 90% de seguidores do catolicismo. Rica em recursos naturais, a Colômbia exporta café, petróleo, carvão, ouro, esmeraldas e flores. A futura parceira plena será um reforço importantíssimo na evolução do MERCOSUL que, com a entrada definitiva da Venezuela, serão seis membros fortes entre si que por certo atrairão os outros países regionais.
        A repercussão dessas duas últimas nações no bloco econômico será altamente positiva no mundo inteiro. Causará ciúmes aos que não queriam esse mercado independente como a grande nação americana do norte. Quando acontecer de fato, estaremos todos de parabéns nessa parte pouco acima e abaixo do Equador, pois o significado da Colômbia entre nós é de tamanha profundidade que só o desenvolvimento acelerado poderá dizer. Pela decisão tomada e agora em vitrina, parabéns ainda para a terra da Cordilheira dos Andes, Amazônia e Caribe, representada pela sua alta, bela e acolhedora capital BOGOTÁ.

MÃO DE PILÃO (Clerisvaldo B. Chagas, 15 de fevereiro de 2011).        Acompanhamos o grande momento histórico de transformação política no...

MÃO DE PILÃO

MÃO DE PILÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 15 de fevereiro de 2011).

       Acompanhamos o grande momento histórico de transformação política no Egito. Veja na crônica intitulada Praça Tahir, quando afirmávamos pela manhãzinha que a queda de Mubarak se daria mais cedo ou mais tarde. E antes mesmo de terminar o dia, o homem desapareceu do palácio, sumiu da capital e do país. Vamos ficar aguardando agora a mudança social, esperando que as forças armadas não tomem gosto pelo poder, pois o povo poderá voltar com redobrada disposição depois da porteira aberta. De qualquer maneira o novo comando do país não vai mudar a situação econômica em apenas seis meses. Casos os militares sejam inteligentes, tentarão resolver o impasse povo/governo no menor tempo possível porque os nervos estão à flor da pele e a tensão não para. Mas poderemos também estar vivendo um momento histórico de transformação política e social no mundo. O exemplo da Tunísia e do Egito já atingiu outros países governados por ditaduras militares ou teocracias. Como também havia falado antes, o poder da comunicação com as novas tecnologias, vão invadindo esses países onde o indivíduo não tem liberdade religiosa, de palavra, de locomoção, de ascensão trabalhista. Afinal, não tem a direito a nada. Alguns povos estavam na escuridão deísta da Idade Medieval, privados do que se passava no resto do mundo com as mulheres, os negros e as garantias individuais. Descobertas essas coisas, ninguém mais pode segurar as multidões sequiosas por liberdade.
       Com as investidas populares, após os exemplos dados, as mãos de ferro vão enferrujando, caindo aos pedaços e contaminando o plácido sono dos semideuses de guabiroba. Essas rebeliões que vão endurecendo no centro da África, ganharam força com esses movimentos do norte continental que também já pulou para a Ásia do senhor Mahmoud Ahmadinejad. Aliás, falando nesse homem sem cor, bem que ele tentava desviar a atenção do povo voltando-se a vociferar contra americanos e israelenses, enquanto proibia notícias vindas de fora em seu reino que mistura política com religião. Por certo, mesmo com a tirania dos dirigentes, os muçulmanos começam a entender que essas pregações religiosas são disfarces para manter o povo acorrentado. Aquilo que o senhor Ahmadinejad chama de oposição, é nada mais nada menos de que cidadãos que despertaram para o aperto das suas garras, digo, garras do regime, da falsa simbiose entre o divino e o terreno.
       Volto a repetir, talvez estejamos testemunhando um fato histórico de proporções gigantescas que varrerá a terra de ditadores religiosos, militares e outras castas, se houver. Lembram-se dos vendavais que sopraram a União Soviética, Polônia e suas afiliadas socialistas?
      Depois de haver testemunhado tantos fatos relevantes no mundo, vamos agora anotando as derrotas dos Governos com mão de ferro e as vitórias dos povos com MÃO DE PILÃO.

QUE QUERES TU? (Clerisvaldo B. Chagas, 14 de fevereiro de 2011).        Diante de alguns recuos significativos, o presidente americano cad...

QUE QUERES TU?

QUE QUERES TU?
(Clerisvaldo B. Chagas, 14 de fevereiro de 2011).

       Diante de alguns recuos significativos, o presidente americano cada vez mais vai perdendo o prestígio inicial. Se não é prestígio, pelo menos é um desencanto generalizado. As pressões radicais do senado e de outros setores influentes são marteladas no dedão preto do pé que ainda incomoda uma tradicional sociedade racista. Todos sabiam, mas ainda restava alguma esperança por que dizem que ela é bicho duríssimo de morrer. Aquele representante apenas confirma a antiga opinião: monta o brioso corcel bem arreado, porém, o cabresto continua preso a estacaria. Imita macilento, a rainha da Inglaterra, reina, mas não governa. Os sucessivos puxões de camisa vão fazendo de Barack um homem tristonho que tenta disfarçar em seus discursos. Após tantos reveses na sua vontade, o presidente hesitou desprevenido, estonteado, inseguro, nos pronunciamentos frustrantes sobre a queda de Hosni. Não foi ouvido pelo ditador do Egito, não é mais ouvido pelo governo de Israel, não consegue ser confiável no mundo árabe e boia na Economia em pau de mulungu. A continuar assim, chegará ao final da gestão com apenas a marca na história de ter sido o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
       Em março, próximo, Barack Obama virá ao Brasil. Dizem que ele quer fazer um discurso impressionante (chama de histórico) em espaço onde caibam milhares de pessoas. Coisa assim, bem se sabe, de astros do Rock, mesmo. Até uma praia no Rio está em cogitação, pois o homem somente visitará o Rio de Janeiro e Brasília. Não falará sobre a pretensão brasileira de assento no Conselho Permanente da ONU. (Em visita a Índia, já deu esse apoio ao país asiático). Não tocará no assunto de tarifas que impedem por lá a entrada de alguns produtos do Brasil. Não reconhece a liderança plena do nosso país na América Latina e nem sua influência no mundo. Ora! Vem-se aqui para não nos brindar com nada, por que vem, então?
       Pela curiosidade, Barack pegou o jeitinho brasileiro. Quer sair do baixo crédito, da apatia em que vive, à custa de Brasil. Anda em busca de um fato novo que levante sua moral, tão surrada quanto chapéu de vaqueiro. E esse fato novo seria um discurso planejado com imensa multidão em um país que está em evidência. Ele vem para onde não reconhece, humilha, empavona-se e vai embora. Talvez porque a Dilma não lhe foi primeiro beijar a mão como o Brasil do passado. Para mim Barack, você começa a ser uma grande decepção, um mané-gostoso do senado americano querendo ficar esperto no Brasil. Cuidado com as palavras dele, Dilma, para não sobrar para nós. Deixem que ele suba os morros pacificados do Rio, atrás de golpes publicitários. E já consciente das suas intenções, bem me faria se chegasse perto do presidente nos calçadões de Copacabana. Faria a pose do conhecido Zé Carioca e perguntaria com toda malandragem do papagaio gozador: Ó Bama! QUE QUERES TU?

PRAÇA TAHRIR (Clerisvaldo B. Chagas, 11 de fevereiro de 2011).        Evocando o espírito maçônico, incutido à Revolução Francesa, no sen...

PRAÇA TAHRIR

PRAÇA TAHRIR
(Clerisvaldo B. Chagas, 11 de fevereiro de 2011).

       Evocando o espírito maçônico, incutido à Revolução Francesa, no sentido da trilogia Igualdade, liberdade e fraternidade, vamos observando o movimento político no Egito. Vai-se tornando tradição o lugar de desabafo no centro da capital egípcia. Assim como o núcleo de cidades como Salvador, na época do poeta Castro Alves, grita-se também contra os grilhões no antigo reinado de Menés. O antiescravagista baiano já dizia em suas declamações que “a praça é do povo como o céu é do condor”. A Praça Tahrir ─ situada no centro do Cairo ─ torna-se agora um poderoso centro de resistência contra a tirania em forma de ditadura. Em árabe, o logradouro se traduz em Praça da Libertação, nome esse adquirido depois de 1952. A maior praça pública da capital do Nilo, além da estratégia geográfica, tem em redor de si importantes prédios como o Museu Egípcio, Estação Sadat de Metrô, campos da Universidade Americana do Cairo e sede do Partido Democrático Nacional. Já houve na Praça Tahrir, outros movimentos como a “Revolta do Pão”, 1977, e o protesto contra a guerra do Iraque em 2003. A atual mobilização popular teve início no dia 25 de janeiro que evoluiu e chegou à chamada “Marcha de Um Milhão” no dia 1º de fevereiro de 2011. Cansadas de pobreza e desemprego, as multidões engrossaram os pequenos movimentos que gritavam pela saída de Hosni Mubarak, absoluto no poder a trinta anos. Isso vem provar que o absolutismo consentido também cansa, principalmente quando os meios de comunicações vão mostrando o mundo inteiro em tempo real. Com avanço da tecnologia, países ditatoriais já não podem continuar escondendo o que se passa no planeta, mesmo proibindo televisão privada, rádios ou Internet.
       Ou cedo ou tarde cairá Hosni e outros colegas que fazem dos seus respectivos países, eternas dinastias. Esse efeito que já atingiu todo o norte da África incomoda ao Irã, Cuba, China, Coreia do Norte, Venezuela e mais outros que teimam em não aparecer com tanta força. As manifestações populares no Egito, não deixam, porém, de ecoarem em democracias cujos escândalos de corrupção atingem elevados graus de revoltas íntimas dos seus comandados.
       No Brasil, com a renovação parlamentar em Brasília, estimada em quarenta por cento, mistura-se a água velha à água nova com chances maiores de moralização. Mesmo desse jeito, a água nova não é tão nova assim. Com ela chegam os vícios dos estados que continuam desafiando a zelo com o erário público. Um dia a paciência do povo cansa. No Brasil houve inúmeras revoltas desde os sistemas políticos mais remotos. Tempos de colônia, reino unido, império, república, ditaduras... Não houve jamais uma só forma de governo nesses quinhentos e tantos anos que não tivesse havido rebeliões em solo brasileiro. Praças de Salvador, Recife e mesmo de Brasília foram ficando na história de protestos e conquistas. Quando o vírus da liberdade se espalha, não respeita estrutura nenhuma, nem as que pensam que são fortes como concretos ou transparentes como cristais. Nossas homenagens ao bravo povo cansado de sofrer da PRAÇA TAHRIR.