O HOMEM DO COXIM (Clerisvaldo B. Chagas, 13 de abril de 2011). O homem apresenta-se à porta da Van. ...

O HOMEM DO COXIM

O HOMEM DO COXIM
(Clerisvaldo B. Chagas, 13 de abril de 2011).

O homem apresenta-se à porta da Van. Identifico-o imediato como gente da roça. Seu chapéu de massa de abas largas não mente a minha afirmação íntima. Tem cara de seus mais de oitenta anos (cara não, “quem tem cara é cavalo”, dizia meu “tio” Manoel Anastácio). Aspecto sereno, agradável e limpo, o passageiro traz um alvo coxim à mão. Penso que o matuto iria ficar um pouco perdido ao entrar no veículo. Perdido o quê! Engano-me redondamente. Do chão não dava para notar quem estava sentado, por causa da altura e do encosto comprido. O “coroné” espia de imediato por baixo da cadeira isolada da frente e, cata assim o passageiro pelos pés. Vejo logo que o homem é muito esperto e viajado. Não descobre pés de passageiro e indaga ao condutor se tem pretendente para a citada poltrona. O motorista anima-se com a figura do velho durinho e responde perguntandose “meu patrão gosta duma cadeirinha à frente?”. Pronto! O cobrador já perdeu a mordomia de antes e terá que viajar sentado no piso.
Com a partida, o motorista vai indagando ironicamente sobre o coxim que o “coroné”, de pronto, havia forrado à poltrona e sentado em cima:Que o coxim era muito bom; que não achava aquele bicho para comprar em nenhum canto; como poderia adquirir igual; tentando puxar conversa com o recente passageiro. O senhor, aspecto de homem que no Sertão chamamos “barriga cheia”, vai-se entusiasmando com os elogios ao objeto e fala também. Há sessenta anos que usava coxim. Aquele havia sido adquirido por quatro reais e andava com ele há vinte anos. Havia sido usado nos carros de boi, nos cavalos e agora nas Vans. O condutor complementa ainda com ironia que “e logo, logo no avião”. O “coroné” rirsatisfeito e responde: “Quem sabe!”.Informa ainda ao motorista que ele pode adquirir um troço daquele nas feiras do Riacho Grande, isto é, na atual cidade Rui Palmeira. Explica ainda o meu simpático “coroné” que onde vendem redes, vendem-se coxins.
Fico besta em viajar com um homem típico sertanejo da área rural. Um pouco mais atrás, fixo sempre o olhar ao seu chapéu, tentando decifrar o pequeno nome ali gravado. Queria saber se era marca das que eu vendia na loja de meu pai: Prada, Cury, Três X... Chama-me atenção sua boca pequena, passando o lábio inferior. Dá-me uma vontade danada de perguntar seu nome, de saber sua vida, de mergulhar fundo num passado rural bonito e perfumoso. A oportunidade é mínima. Vou lembrando o personagem do meu romance inédito “Fazenda Lajeado”, Seu Deolindo; e o coxim macio do mulato ladrão de moça e jogador de baralho do outro romance inédito, “Deuses de Mandacaru”, João Mulato, o homem dos dentes de ouro. A Van chega a Maceió, o homem não esquece seu precioso objeto, despede-se e vai embora. Fico grudado, saudoso, vendopartir meu “coroné” que aos poucos se dilui no modernismo. Viro-me para minha senhora e digo: Vai dá crônica... O HOMEM DO COXIM.

JOGO DE XADREZ (Clerisvaldo B. Chaga, 12 de abril de 2011). A China é um país sofrido pelas invasõe...

JOGO DE XADREZ


JOGO DE XADREZ
(Clerisvaldo B. Chaga, 12 de abril de 2011).

A China é um país sofrido pelas invasões de vários países, no passado. Ao longo da sua existência passou muitas necessidades e humilhações, mas inventou inúmeros aparelhos e outras coisas que ajudaram a impulsionar a humanidade. Para mencionar apenas alguns deles, temos a tecelagem da seda, chá, tinta, calibrador, pólvora, foguete, bússola, detector de mentiras, bicicleta, papel, óculos, caneta, periscópio, balança de peso, pluviômetro, compasso, leme, paraquedas, sino, tambor, álcool, fósforo, sismógrafos e jogo de xadrez. Passou um longo período isolada do mundo, fez revoluções internas e vem de um certo tempo para cá, trazendo o seu regime de exceção. Sua abertura para o mundo deu-se aos poucos, principalmente na área mais próxima ao mar, fazendo com que a China tivesse uma maneira própria de administração entre o socialismo pesado no interior e um capitalismo disfarçado no litoral. Decidindo progredir economicamente sem abrir mão do seu regime totalitário, esse país procura fazer as duas coisas juntas e detesta falar em liberdade política. Na verdade é um país difícil de lidar com ele, pois os costumes e a maneira de pensar são específicos.
Quando o mundo começou a despertar para as potencialidades comerciais da China, como os Estados Unidos, foram chegando devagar algumas empresas de marcas mundiais com objetivo de conquistarem um “negócio da China”, isto é, venderem para a maior população do mundo. Não é à toa, porém, que a China é considerada paciente. Não é nada fácil entrar no mercado Chinês. A China sabe que todos procuram um mercado excepcional, por isso procura impor condições que terminam sendo aceitas pelos países, como por exemplo, dividir com eles a tecnologia lá implantada. Além da paciência e das peculiaridades chinesas, o candidato a negociar com a China, vai enfrentar uma série de dificuldades impostas. É muito mais fácil negociar com qualquer outra nação de que com a China.No caso do Brasil, descobriu-se ser um bom negócio exportar para Pequim, açúcar, soja, minérios. Mas aquele país possui produtos de alta tecnologia, muito mais valiosos, não precisa importá-los do Brasil e quer nos vender o mais caro para comprar o mais barato, aliás, como já vem fazendo.
Essa viagem de Dilma a China, poderá ser uma visita tipo quebra-gelo a render alguma coisa para o futuro. De imediato, não haverá vantagem alguma para o Brasil. Apesar de todo aparato por trás da presidenta, é de se contar com tudo que é diferente na China. Não é só brasileiro que gosta de levar vantagem. Nessa faixa de luta o chinês é mestre e observador de paciência infinita. Não só o Brasil, mas também Estados Unidos ou outra nação qualquer do Ocidente suam quando sentam à mesa para entendimento com os seguidores de Confúcio. Dilma é boa jogadora, mas não esquecer que foram os chineses que inventaram o JOGO DE XADREZ.

CORONÉIS DO SERTÃO (Clerisvaldo B. Chagas, 11 de abril de 2011).        Tenho em meu poder um pequeno grande livro, recebido pela cortesia...

CORONÉIS DO SERTÃO

CORONÉIS DO SERTÃO
(Clerisvaldo B. Chagas, 11 de abril de 2011).

       Tenho em meu poder um pequeno grande livro, recebido pela cortesia do Museu Darras Noya, no último final de semana. (VASCONCELLOS, Hélio Rocha Cabral de. Coronéis do sertão e sertão do São Francisco. Maceió, 2005, s.e.). O saudoso desembargador fornece um material enxuto, valioso e esclarecedor, principalmente para quem atua nas áreas de pesquisas. O livro faz uma síntese com alguns fatos inéditos sobre quatro coronéis conhecidos no Sertão no início do século XX: Ulisses Luna, em Água Branca; Delmiro Gouveia, na Pedra; Manoel Rodrigues da Rocha, em Santana do Ipanema e José Rodrigues de Lima, em Piranhas.
       Hélio Cabral, membro da família do Coronel Manoel Rodrigues da Rocha, foi prefeito em Santana do Ipanema, gestão 1956-60, na época, promotor público da cidade. Entre outras realizações, Hélio Cabral organizou a primeira feira de livros do município e construiu a estrada de rodagem Carneiros ─ povoado Riacho Grande (atual Senador Rui Palmeira), que pertenciam a Santana do Ipanema. Tendo valorizado muito a área social, recebeu deste autor o título de “Prefeito Cultura”. Hélio Cabral, entretanto, estendeu sua fama até os dias de hoje, pilotando os carros chefes da sua administração, pelo menos as obras mais lembradas: criação da Biblioteca Pública Municipal e do Museu Histórico e de Artes do Município.
       Na faixa dos dez anos de idade, conheci o prefeito que, vez ou outra, chegava à loja de tecidos de meu pai (frente com a esquina do atual museu) e sempre de costas para o balcão, com olhar estendido para o centro do comércio, em direção ao “sobrado do meio da rua”, falava por alguns minutos indagando e dizendo. Sempre elegante, jamais sentava nos degraus mais altos da porta maior, como outros frequentadores habituais. Certa feita eu tinha ido à missa da manhã na Matriz de Senhora Santa Ana, cuja frente era um jardim dividido em duas partes cortadas pelos degraus. No centro de cada parte havia um poste de metal próximo à calçada alta. Gostávamos de pular da calçada para uma pequena saliência do poste trabalhado e vice-versa. Fui flagrado na brincadeira por Hélio Cabral que disse quase ríspido: “Deixe disso, menino!”.
       Todas as autoridades mantinham uma atitude respeitosa com meu pai e eu diria ainda, muito carinhosa até, por reconhecê-lo como homem de bem. Sem saber que iria mexer com letras no futuro, perdi muitas oportunidades de pesquisas ─ até por timidez ─ com pessoas que eram verdadeiros arquivos como os comerciantes Pedro Agra, Evilásio Brito, promotor Fernando, alguns ex-volantes de combate ao cangaço e o próprio Vasconcellos. Durante uma visita que o fazendeiro Ialdo Falcão iria fazer ao doutor Hélio, em Maceió, convidou-me. Ialdo queria fazer uma pesquisa para um livro sobre sua própria família. Não fui. Em Maceió Hélio Cabral perguntou-lhe “de quem é filho o grande escritor santanense Clerisvaldo B. Chagas, que por certo não é da minha geração”. Respondida a pergunta “é de Manezinho Chagas”, Hélio disse de imediato: “É mesmo, homem!... Manezinho é muito meu amigo”. Se era amigo de meu pai, era meu amigo sem saber. Entre todos os prefeitos de Santana, eleva-se o homem que hoje denomina o Fórum da cidade. Muito irá contribuir o seu trabalho CORONÉIS DO SERTÃO.


SOU FILHO DO DONO (Clerisvaldo B. Chagas, 8 de abril de 2011).        Quando imaginamos uma época tão distante como a década de 1920, é co...

SOU FILHO DO DONO

SOU FILHO DO DONO
(Clerisvaldo B. Chagas, 8 de abril de 2011).

       Quando imaginamos uma época tão distante como a década de 1920, é como deitar a vista sobre estradas poeirentas e caminhões gemedores palmilhando o Brasil. As máquinas possantes vão chegando, cruzando pontes, vadeando rios, vencendo distâncias. Moças às janelas, acenos apaixonados, cheiros fortes de gasolina. Lá vai o caminhão, subindo ladeiras, descendo montanhas, comendo as planícies. A buzina tange o gado, espanta o passarinho, cativa a mulher. É a carga linheira, torta, aprumada, saudosamente levando o progresso do Brasil. Finda-se a carroceria na curva da estrada, eleva-se o pó esbranquiçado, se acomoda ao chão. Carros de boi ciumentos choram nos cocões. Ornejar de burros protesta com seus cargueiros e, os ventos das pradarias anunciam à nova. Corre o tempo, estradas viram rodagens, rodagens viram pistas, mas saudade continua saudade e romantismo não tem fim, com quatro, com oito, com dezoito pneus.
       Quem aprecia vai colecionando as frases de para-choques, da frente, da lameira, da filosofia grega, da sabedoria popular. Nessas engrenagens funciona a autêntica democracia do gosto, o poder sacrossanto de pensar, de berrar, de seguir.
       As frases que se espalham pelo mundo, vão dizendo, do homem que se afirma. Do trabalhador que longe da família ganha o pão suado, abastecendo sem parar a pátria amada, idolatrada, às vezes madrasta que o faz sofrer. E sua brincadeira vai à frente: “Oi eu aqui de novo”. Sua religiosidade atrás: “Com Deus vou e volto”, “Vai com Deus”, “Tenha fé”. Ou na ironia conselheira: “Não me inveje, trabalhe”. No humorismo: “Mulher feia eu não carrego”. Aconselhador: “Calma, amigo”. E assim vão se cruzando sulistas, nordestinos, brasileiros gerais, soberanos das cabinas, senhores dos volantes, generais do asfalto. Ferro, algodão, cimento, passeiam na madeira volante que não cansa nunca. Não só as lameiras vão inspirando o povo. O próprio caminhão desperta sentimentos. Passa nome à bebida brasileira por excelência. Sua figura surge no rótulo da garrafa. Sua carroceria vai levando canas verdinhas, saindo do canavial, subindo topete: “Beba Chora na Rampa”, diz o comercial da cachaça.
     Ficamos impressionados com tantos dizeres, com diversos chavões, com essas inventividades. Mundo interessante que procura ser divertido para não ficar amargo. O açúcar das palavras acalenta o pranto, dissipa o furor, seduz a alma. Arrogantes, mas consoladoras, benditas palavras as que levaram o escritor a reagir ao banzo: “Não sou o dono do mundo, mas SOU FILHO DO DONO”.

UM MUNDO ENCANTADO (Clerisvaldo B. Chagas, 7 de abril de 2011).        Nas últimas décadas, graças a vários pesquisadores, a xilogravura, ...

UM MUNDO ENCANTADO

UM MUNDO ENCANTADO
(Clerisvaldo B. Chagas, 7 de abril de 2011).

       Nas últimas décadas, graças a vários pesquisadores, a xilogravura, aos poucos, alcançou a ressurreição. Arte vinda da antiguidade foi bastante utilizada na Europa do século XV. Seus trabalhos prestavam-se a ilustrar cartas de baralho e imagens sacras naquele continente, segundo estudiosos. A xilogravura é uma espécie de carimbo feito em madeira. Desenhado, entalhado pelo buril, o motivo recebe tinta no alto relevo e fica pronto para imprimir com perfeição. No Brasil, a arte de xilogravar chegou em 1808, com a Imprensa Real Portuguesa, mas se destacou no Nordeste onde casou com o folheto de cordel, também vindo de Portugal. As histórias em versos dos chamados cordelistas são tantas e tão variadas, tornando difícil uma perfeita classificação. Para ilustrar as capas dos seus folhetos, esses poetas populares ─ que se dedicaram e se dedicam a escrever criativas histórias em versos rimados e metrificados ─ adotaram a xilogravura como padrão permanente em seus trabalhos. Encantando gerações no Nordeste brasileiro, vendidos pendurados em barbantes ou não, o folheto divertia, ensinava a ler e transmitia as novidades numa época ainda pobre em meios de comunicação. Visto a princípio como um desenho grosseiro, pesado, malfeito, o exposto trabalho em imburana foi rareando e morrendo juntamente com o folheto nordestino. Inúmeros são os poetas autores desses livros magérrimos, tendo alguns alcançados famas no Brasil e no exterior. Após a fase negra de quase morte, tanto voltou o folheto quanto essa arte da madeira.
       Os vates das páginas populares souberam se adaptar aos acontecimentos modernos para cantarem suas histórias maravilhosas. Os xilógrafos capricharam cada vez mais nos desenhos e detalhes que atraem pesquisadores das mais variadas origens. É tanto que a arte voltou à moda com uma força nunca antes vista. E a prima pobre da arte nordestina, ganha vestido novo, roupa de gala para desfilar as vistas do público e dos críticos que antes torciam o nariz. Caruaru e Juazeiro do Norte, grandes centros do interior, são lugares que mais oferecem esses serviços tradicionais, pois funcionam como receptores e dispersores do folclore nordestino. Outras cidades importantes como Campina Grande, Feira de Santana e Recife, contribuem enormemente com a cultura popular dessa região, hoje tão progressista.
       Entre tantos e tantos folhetos, quem não se lembra daquele que deu origem à novela “Pavão Misterioso”? Com a nova narrativa “Cordel Encantado” ─ rodada em Piranhas ("Cidade Presépio") Alagoas ─ a xilogravura vive a sua fase de princesa. Quando meu caro leitor quiser relaxar dessa vida braba, saia um pouco da rotina tecnológica. Entregue-se por alguns momentos, dias ou semanas aos folhetos de cordel, ao esmiunçar dos xilógrafos, sonhando de verdade em UM MUNDO ENCANTADO.


MULHER DE FIBRA (Clerisvaldo B. Chagas, 6 de abril de 2011).        Não viu quem não quis a notícia da televisão. Dois policias tentaram p...

MULHER DE FIBRA

MULHER DE FIBRA
(Clerisvaldo B. Chagas, 6 de abril de 2011).

       Não viu quem não quis a notícia da televisão. Dois policias tentaram prender um marginal, mas só conseguiram após alvejá-lo. Imobilizado, o fugitivo foi jogado na viatura e conduzido ao cemitério local e não à delegacia. Alvejar um delinquente é a coisa mais normal que acontece em nosso país. Faz parte da violência contada em prosa e versos de todos os dias. Aliás, raramente os jornais impressos divulgam outras coisas, bem como os sites noticiosos. Quando saem da violência caem imediatamente no chamamento pornô que não para de crescer. Mas voltando ao assunto anterior, dois policiais entraram no cemitério, naturalmente viciados, onde puxaram o preso para fora da viatura e executaram-no friamente. Esse tipo de atitude, no cemitério, nas matas, nos caminhos, em qualquer lugar está sempre acontecendo e não parece chocante para ninguém. Após executarem Dileone Lacerda de Aquino, no cemitério em Ferraz de Vasconcelos, os dois policiais foram enfrentados por uma mulher que visitava o túmulo do pai. Surpreendida com a cena brutal, a mulher teve a coragem de telefonar para o Centro de Operações da Polícia Militar, através do número 190, quando denunciou o que ainda estava acontecendo. Nervosa mais segura do cumprimento do dever, a mulher conseguiu passar o prefixo do carro envolvido. Correndo enorme risco de vida, a senhora ou senhorita sustentou a acusação cara a cara com os policias ainda dentro do cemitério. Como Deus é bom e está em todos os lugares, os policiais foram presos em flagrante e estão no presídio militar Romão Gomes. Com o desenrolar dos fatos, é possível que haja justiça, enquanto a mãe do bandido assassinado diz rezar pela testemunha.
       Se todas as pessoas desprezassem o perigo pela causa da justiça, bem que tudo poderia ser tão diferente. No meio de tudo, todavia, existe um sentimento escrito com apenas quatro letras, que toma conta imediatamente de corpos grandes e pequenos. O “medo” aparece imediatamente como um instinto forte de sobrevivência, reduzindo à testemunha a um estágio de horror e vergonha em ficar menor do que ele (o medo). Mas a senhora que se impôs aos bandidos fardados, conseguiu pisar firme no sentimento vil e surgir como heroína diante do povo brasileiro. O caso foi revelado pelo site “O Estado de São Paulo”. Como gostaríamos de banir algumas vezes esse instinto de proteção para não passarmos por covardes, simplesmente com o intuito legítimo de preservarmos as nossas próprias vidas terrenas. E se não conseguimos, nem com esforço superar a covardia, pelo menos lembremos o exemplo decente, corajoso, dignificante no mais alto grau, daquela MULHER DE FIBRA.

PEDRO GAIA (Clerisvaldo B. Chagas, 5 de abril de 2011).           Os dirigentes de municípios deixaram de ser chamados intendentes. Para r...

PEDRO GAIA

PEDRO GAIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 5 de abril de 2011).

          Os dirigentes de municípios deixaram de ser chamados intendentes. Para receber o título de sétimo “prefeito” interventor, chegou a Santana do Ipanema, um cidadão das raízes dos fundadores da cidade para tomar posse no dia 28 de julho de 1938. Vindo de Palmeira dos Índios, Pedro Rodrigues Gaia, não trazia nenhuma ideia do que havia acontecido naquela madrugada e nem o que o esperava em Santana, cujo destino descortinava um dia histórico. Conduzido o seu mandato pelo dia marcante, essa gestão durou de 1938 até 1940, quando já no finalzinho desse último ano, o prefeito renunciou por motivos pessoais. Foi durante o discurso da sua posse que um telegrama alvoroçou a população de Santana do Ipanema, do Brasil e do mundo. Através do papel chegava à alvissareira notícia da morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove sequazes do cangaço (ampla cobertura detalhada no livro “O Boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema”, breve).
          O tema central, entretanto, dessa crônica, não é sobre o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, mas sim sobre uma das obras do governo Pedro Rodrigues Gaia, que foi a construção da estrada Santana ─ Águas Belas. Pedro Gaia também construiu cinco escolas, terminou as obras da nova prefeitura (não a atual), e reconstruiu trechos da estrada Santana ─ Água Branca, entre outros empreendimentos. A estrada Santana ─ Águas Belas, foi importante para Alagoas e Pernambuco, numa época em que as estradas começavam a se modernizar, deixando aos poucos os carros de boi e recebendo os primeiros automóveis. Por outro lado, havia uma intensa comunicação desde os primórdios entre Santana, Mata Grande, Água Branca (Alagoas) Água Belas, Gara-nhuns e CIMBRES (Pernambuco). Hoje, quem vai para Águas Belas, diz que vai “por dentro”, evitando um rodeio enorme via entroncamento Carié ou cidade de Ouro Branco. Lamentavelmente, mesmo com esses laços antigos entre essas duas cidades irmãs, a estrada de Pedro Gaia, nada mudou, setenta e três anos depois. O asfaltamento do trecho ajudaria a desenvolver a região serrana, desde os sítios Salgado, Camoxinga dos Teodósio, serra do Poço, Tigre, Pinhãozeiro serra do Almeida e mesmo dando fôlego ao povoado São Félix. O comércio de Santana e os serviços ganhariam a clientela de Águas Belas, por ser um centro importante mais perto dali. Pedro Gaia passou a ser nome de rua em Santana do Ipanema.
          Como dissemos antes, não se pode deixar tudo para os políticos. Outras forças sociais poderiam movimentar-se nesse sentido junto aos governos de ambos os estados, bem como para reivindicar cobertura asfáltica também de Carneiros, diretamente a Santana. Aproveitava-se a construção do Canal sertanejo, para atrair investimentos dos mais altos gabaritos para a nossa terra. Tudo, porém, para essa falta de visão estratégica, acomodamento ou desinteresse, vai deixando o nosso município somente com abelhas e carne de bode. Lembram-se qual foi o presidente que disse: “Governar é abrir estradas”? Quem irá à luta pelo novo asfalto? Com certeza não será o espírito de PEDRO GAIA.


O SILÊNCIO DAS COMUNIDADES (Clerisvaldo B. Chagas, 4 de abril de 2011).           Quando o sindicalismo estava em culminância, mesclada com...

O SILÊNCIO DAS COMUNIDADES

O SILÊNCIO DAS COMUNIDADES
(Clerisvaldo B. Chagas, 4 de abril de 2011).

          Quando o sindicalismo estava em culminância, mesclada com política, aconteceu à febre de comunidades e associações. Antes, as cidades eram divididas em ruas, avenidas e bairros. A área rural, em sítios. A fazenda ficava dentro do sítio e, conforme sua extensão podia fazer parte de vários sítios. Visando melhor defender seus interesses, foram sendo criadas nas cidades as associações de bairros. Elas pipocavam por todos os lugares e cada uma das associações, congregava uma rua, duas ou três. Na área rural, cada comunidade passou a comandar um sítio grande ou alguns menores. Associações e comunidades passaram a fazer eleições para eleger presidentes, vice-presidentes e demais membros de diretoria. Depois de certo tempo começaram os escândalos sobre essas organizações, arengas pelo poder com finalidades de negociatas com os candidatos a prefeito. Muitos presidentes foram acusados de venderem os seus votos e os dos membros das suas organizações.
          Hoje são poucas as chamadas associações de bairros e comunidades atuantes e sem escândalos políticos. As comunidades rurais, mesmo assim, funcionam melhor do que as associações urbanas. Organizações que brigavam ferrenhamente, hoje só existem no papel, sem eleições, sem diretoria, sem candidatos, esquecidas e abandonadas como as ruas que a elas confiaram os seus destinos. Não conseguiram acompanhar os tempos modernos, além de serem tragadas pelo interesse, corrupção e decadência da fase política. Mesmo aquelas que conseguiram sobreviver, falam cochichando para os seus associados, talvez por que não encontram ou não criam espaço para a divulgação de feitos e reclamos. Está na hora das rádios maiores, as que têm grande audiência e alcance territorial, abrirem espaço para associações e comunidades. Independente dos interesses políticos seria um canal respeitado para manter o público a par do que está acontecendo no município, em cada um dos recantos que forma o geral. É assim que atraem palestrantes, técnicos e investimentos para esses lugares. Muito embora tenha havido queda enorme nessas organizações, observamos também quase o mesmo fenômeno no sindicalismo que anda capenga, devagar, quase morrendo. Muitos sindicatos foram usados apenas como trampolim e até acusados de peleguismo.
          Temos impressão de que cada vez mais se vão estreitando os caminhos reivindicatórios. Os sociólogos poderiam explicar se esse enfraquecimento das entidades dos menos favorecidos é um plano asfixiante de cima para baixo ou parte apenas das fases cíclicas que nos acometem. De um modo ou de outro, grande diferença faz quando a sociedade vacila nos seus movimentos mais significativos. É muito perigoso deixar nossos problemas a serem resolvidos apenas por câmaras de vereadores, muitas delas acorrentadas dos pés à cabeça, réplicas de negros fugidos e recapturados da escravidão. Não pode continuar reinando O SILÊNCIO DAS COMUNIDADES.

OBAMA LEVOU A DELE Clerisvaldo B. Chagas, 1º de abril de 2011).        Estamos entrando no mês de aniversário de Brasília. Localizada no e...

OBAMA LEVOU A DELE

OBAMA LEVOU A DELE
Clerisvaldo B. Chagas, 1º de abril de 2011).

       Estamos entrando no mês de aniversário de Brasília. Localizada no estado de Goiás, na área vegetal de cerrado, a capital brasileira foi sonhada, idealizada e construída longe do mar. Com os antigos desejos de erguer-se o centro de decisões políticas no centro do país, foi estabelecido o local de levantamento ainda na primeira constituição do Brasil, em 1891. Dizem que a honra de nomear a futura capital, foi sugerida ainda em 1821 por José Bonifácio de Andrade que tanta influência teve no Império. A pedra fundamental foi lançada no morro da Capelinha, em Planaltina, no dia 7 de setembro de 1922, visando o Distrito Federal. A nova capital do Brasil foi inaugurada no governo Juscelino Kubitschek, gestão 1956-61. Criada a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP) com Oscar Niemeyer na diretoria de arquitetura e urbanismo, houve concurso para a escolha do plano piloto, vencendo o urbanista Lúcio Costa. Após mil dias de trabalho, Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960 e, em 1987, declarada patrimônio histórico da humanidade, pela UNESCO.
       Incentivadas pelo governo federal, chegaram ao planalto pessoas vindas de todos os lugares do país, para os mais diversos setores da construção civil. A princípio, os trabalhadores chegavam sem as respectivas famílias, onde a predominância masculina era absoluta. Foi formada, então, uma verdadeira Babel, mas de pleno entendimento, falando a mesma língua, quebrada em variados sotaques. Foi assim que surgiu o epíteto “candango”, referente a todos os pioneiros que chegavam para o trabalho, principalmente em construção. Ainda hoje a palavra “candango” gera polêmica. Dizem que assim era chamado o português na África. A impressão que dá é a semelhança com os trabalhadores braçais apelidados “cassacos”, que atuavam nas primeiras rodagens do Nordeste.
       Na percepção e sensibilidade do artista Jackson do Pandeiro, na Brasília das primeiras construções só havia homens. Jackson lançou a música que fez bastante sucesso na época, intitulada “Brasília”, como homenagem àquela cidade. A estrofe final diz assim:

“Quem tiver de malas prontas
Pode ir que se dá bem
Leve todos cacarecos
Leve seu xodó também
Esse conselho é pra os homens
Porque mulher lá não tem”.

       Mesmo a música tendo sido lançada há bastante tempo, sabendo ou não sobre Jackson do Pandeiro e a falta de mulher em Brasília, o americano seguiu à risca o conselho do mestre do forró. Além das duas filhas, OBAMA LEVOU A DELE.

A LÍNGUA DESEJADA (Clerisvaldo B. Chagas, 31 de março de 2011).         São louváveis alguns programas encontrados em emissoras de televis...

A LÍNGUA DESEJADA

A LÍNGUA DESEJADA
(Clerisvaldo B. Chagas, 31 de março de 2011).

        São louváveis alguns programas encontrados em emissoras de televisão que resgatam usos, costumes e tradições regionais. Também encontramos leituras sobre esses assuntos em livros escolares, atos que indicam a preocupação de abnegadas pessoas preocupadas em divulgar páginas singelas e felizes das nossas tradições. Falam dos quilombolas, das quebradoras de coco, dos vaqueiros, dos cantadores, das atitudes populares na semana santa, dos antigos retratistas, de rezadores, benzedeiras, parteiras e mais uma porção de outros temas que enriquecem o social desse país.
       No reinado do boi pelo Brasil inteiro, surgiram várias lendas, estando à figura do ruminante sempre presente. Animal muito querido, quase sagrado, é o companheiro do homem no cotidiano do Brasil rural. Uma das lendas engraçadas e significativa é a do bumba meu boi, boi-bumbá e outras inúmeras denominações regionais a essa manifestação folclórica. A mulher do morador da fazenda chamada Catirina, estava grávida. Desejava comer língua de boi e incentivou o marido Francisco a obter essa iguaria. Para o menino não nascer doente ou com cara de boi, Francisco sentiu-se na obrigação de abater o animal do patrão, arrancar a sua língua e oferecer a mulher. O problema é que o patrão soube e condenou a morte o seu fiel empregado. A única saída encontrada por Francisco, para não morrer, foi encomendar uma pajelança realizada por um padre e um pajé na tentativa de ressuscitar o boi. Essa encenação é composta por vários personagens que cantam e dançam, tendo como ponto culminante a ressurreição do animal, comemorada com bastante euforia. Não temos certeza absoluta, mas parece que esse teatro do bumba meu boi é apresentado no filme “Vidas Secas”. Durante a época de Carnaval, em Maceió tem início vários dias antes, os ensaios sobre apresentação e concurso do boi. Muitas comunidades capricham na apresentação, nos enfeites e acompanhamentos musicais, visando o honroso primeiro lugar desse tradicional concurso. No interior, o boi ainda se apresenta isoladamente pedindo dinheiro para brincar, soltando fumaça pelo ânus a quem não coopera com o seu Carnaval.
       Juntam-se, então, as apresentações do bicho que ajudou a povoar enormes faixas de terras do Brasil, com as lendas dos desejos de mulheres grávidas, contadas quase sempre entre risos juvenis. No caso da mulher da fazenda, o desejo era comer a língua do boi. Se não fosse a eficiência do pajé, teria acontecido a tragédia do marido trucidado.
       Como uma coisa puxa outra, vamos imaginando a grande admiração e apreço que temos por alguma pessoa. Quando a decepção acontece vemos o nosso ícone desabar perante nós. Nessas circunstâncias lembramos o bumba meu boi, o boi de mamão, o boi-bumbá. Mas uma vez morta à admiração ─ ao contrário do folguedo ─ por mais que tentemos não há pajelança que ajude. Para não acontecer efeitos deprimentes é bem melhor evitar longe A LÍNGUA DESEJADA.

DEBAIXO DA CAMA (Clerisvaldo B. Chagas, 30 de março de 2011).           Em 1975 , foi lançada a música “A velha debaixo da cama”, do compos...

DEBAIXO DA CAMA

DEBAIXO DA CAMA
(Clerisvaldo B. Chagas, 30 de março de 2011).

          Em 1975, foi lançada a música “A velha debaixo da cama”, do compositor mineiro Geraldo Nunes. Na realidade, era a “Véia” e não a velha. Essa música longa e chata fez um sucesso enorme no Brasil inteiro, sendo mesmo a consagração de Nunes. Lembramos ainda, na cidade interiorana de Santana do Ipanema, o abrilhantamento do Carnaval com as criatividades do professor de Educação Física, Reginaldo Falcão. O professor Reginaldo sempre gostou de brincar sozinho, assim como seu parente Nozinho Falcão, fazendeiro, comerciante e em certa época prefeito, que também possuía o gosto pela folia solitária. A citada música falava de uma velha que ficava debaixo da cama e criava uma porção de animais como um rato, gato, cachorro, jumento e outros mais. Quando cada animal começava a fazer zoada, era um desadoro para a velha que sempre citava a frase: “Ai meu Deus que se acaba tudo...” Pois bem, o nosso querido professor, encarnou a “Véia”, saindo pelas ruas de Santana, dessa vez com auxiliares transportando a cama e o homem debaixo com alguns pequenos animais. O sucesso das presepadas de Falcão garantiu as apresentações do insípido carnaval de rua de Santana do Ipanema.
          Quando falamos em violência, infelizmente tema obrigatório do dia a dia, estamos sentindo na pele o que o carioca passava antes das ocupações definitivas dos morros do Rio. Alagoas teria mesmo que ser primeiro lugar em alguma coisa. E se não aparece pelo bem, vai surgindo pelo negativo, por que é muito mais fácil continuarmos na selvageria desenfreada que atinge a totalidade do seu território. Recentemente, a morte de um pai esquartejado pelo filho, foi apenas um dos inúmeros crimes entre familiares que se banalizaram na terra caeté. Não estamos mais seguros nos ônibus, nos hospitais, nas clínicas médicas, nos restaurantes, nos pontos de ônibus, pois a ousadia dos nefastos, desafiadores e cínicos arrastões, prolifera no estado como ervas daninha na Agricultura. Estamos vivendo a fase negra do Rio de Janeiro ou os tempos sem leis do Velho Oeste americano. A coisa chegou a tal ponto que espetamos o troféu de primeiro lugar no cimo do pau de sebo. E o pior de tudo é ouvir declarações das autoridades que dirigem o estado. Eles falam mostrando indiferença, ingenuidade ou delírio assim como o ditador da Líbia. Quantos mais falam as autoridades mais nos sentimos perdidos. Em Alagoas, o que vale agora é a proteção divina invocada pelas diversas religiões, principalmente para quem tem merecimento. Os santos, outros guias espirituais e o próprio Jesus em pessoa, passaram a servir como batalhões da Terra, para dá conta de tantos pedidos de proteção nessa pequenina faixa triangular e violenta.
          Por aqui mesmo não tem quem dê jeito. Nem o tão falado coronel Amaral, nem Roy Rogers, nem Rock Lane, nem mesmo o homem aranha. Sofrendo todos os dias com essa realidade de casa e das ruas, não existe mais lugar seguro. Muitos são os que têm uma vontade danada de abraçar a “Véia” do compositor Geraldo Nunes e com ela morar definitivamente DEBAIXO DA CAMA.



OS CAMINHOS DAS ESTRELAS (Clerisvaldo B. Chagas, 29 de março de 2011).                     Sendo ainda um planeta de expiação, a Terra pare...

OS CAMINHOS DAS ESTRELAS

OS CAMINHOS DAS ESTRELAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 29 de março de 2011).
         
          Sendo ainda um planeta de expiação, a Terra parece socialmente injusta e desigual. Regiões marcham com cidadãos aparentemente mais evoluídos, quando outros lugares parecem o caos completo em guerras, costumes bárbaros, fome e cultura. Surgem em pontos distantes tribos selvagens, porém, organizadas dentro dos padrões tribais. Olhando-se do pé da escada a impressão é essa mesmo de uma sociedade global sem organização, sem nexo, sem rumo. Mas na escala evolutiva da Natureza, o que nos parece caos, está milimetricamente organizado. Os frutos estão presos aos galhos de origens, embora pensemos que os entrelaçamentos desses galhos estejam em desordem. Todos nós estamos viajando nessa nave Terra por apenas um motivo básico que se desdobra em dois ramos. O motivo básico é a evolução permanente da alma. Já foi dito que espírito nenhum chegará ao pai sem pagar o último ceitil. Portanto, aqui procuramos aperfeiçoar as nossas ações espirituais inseridos em corpos físicos e grosseiros próprios do Planeta. Os dois ramos do aperfeiçoamento são os do que vem para saldar dívidas anteriores e assim continuar evoluindo e os que chegam mais evoluídos com a missão de guiar (em todos os sentidos), mas não deixando também o aperfeiçoamento. A complexidade existente é que existem pessoas evoluídas e outras menos evoluídas numa escala muito variada. Assim como as pessoas, são as nações que seguem o mesmo padrão dos humanos. Enquanto alguns países já estão navegando no espaço, outros continuam na Idade da Pedra, mas que alcançarão o mesmo estágio dos primeiros a milhares de anos, nesse ou em outro planeta, se migrarem para lá. Assim também, dentro de uma mesma nação evoluída, encontramos grupos de indivíduos completamente atrasados em relação à maioria.
          Povos com mais estudos descobriram e passaram a utilizar a energia dos átomos. Não deixa de ter sido um dos grandes feitos da humanidade a descoberta do átomo e seus desdobramentos. É de se notar os grandes benefícios da energia atômica empregada na saúde, principalmente em hospitais os mais diversos espalhados pelo globo. Entretanto, como o sexo é bom e tem o seu lado perigoso nas mais diferentes formas, a energia atômica tem também a sua parte perigosa, não somente quando é usada para o mal, como no caso das bombas atômicas que abarrotam os arsenais dos países belicistas. A forma levada em frente para o bem também pode desencadear situações desagradáveis para todos, como nos casos da energia acumulada para fins pacíficos. Isso quer dizer que apesar do desdobrar da Ciência e dos cérebros privilegiados dos que vieram para descobrir e guiar parte da humanidade, o homem ainda continua distante das exigências do Criador. Tanto os meios científicos quanto às funções religiosas possuem acertos e falhas que ilustram OS CAMINHOS DAS ESTRELAS.

O GANSO TRAÍDO (Clerisvaldo B. Chagas, 28 de março de 2011).           Ao vermos reportagens de animais de estimação acompanhando os donos...

O GANSO TRAÍDO

O GANSO TRAÍDO
(Clerisvaldo B. Chagas, 28 de março de 2011).

          Ao vermos reportagens de animais de estimação acompanhando os donos, destacamos cabra, porco e bode que fogem do tradicional. Isso faz lembrar o senhor Walter, filho de Marinheiro Amaral, comerciante de sapataria de luxo por muito tempo em nossa cidade. Walter era um apreciador da boemia, das farras prolongadas e diárias. Foi fundador do cine Wanger, no Bairro Camoxinga, um prédio enorme perto do Largo Maracanã. Ali atraía pessoas com filmes, atualmente chamados pornôs. A estrutura atual do cine serve como sorveteria e rádio comunitária. Walter criava um ganso que o acompanhava pelas ruas de Santana e com ele frequentava os bares dividindo goles, piadas e conversa mole de quem bebe. Todos apreciavam a amizade entre a ave anseriforme e o seu dono. Certa feita a sociedade ficou inconformada ao saber que o senhor Walter de Marinheiro havia matado e servido o amigo ganso como tira-gosto em mais uma das suas inúmeras farras.
          Genival Wanderley Tenório, fazendeiro e comerciante, foi prefeito de Santana do Ipanema na gestão 1978-1982. Não gostava muito de despachar na prefeitura, preferindo bares e outros ambientes parecidos. Inaugurou o serrote Pelado com três imagens religiosas e rebatizou o lugar como Alto da Fé. Inaugurou a praça defronte a Igreja Matriz de São Cristóvão e, então, Hospital e Maternidade Dr. Arsênio Moreira. Lajeou uma passagem sobre o riacho Camoxinga, acesso à Escola Mileno Ferreira. Calçou algumas ruas, entre elas, a subida de acesso ao serrote Pelado. Talvez para ajudar o amigo das brincadeiras, Genival passou alguns poderes para Walter que servia como mestre de obras improvisado. Quando o povo encontrava qualquer obra daquele jeito, falava: “Isso é bem engenharia de Walter de Marinheiro”.
          Houve alguns acontecimentos importantes no período gestão de Genival. Foi lançado o livro “Geografia Geral de Santana do Ipanema”, deste autor. Houve o assassinato do ex-prefeito, por três vezes, Adeildo Nepomuceno Marques. Foi inaugurada uma agência da Caixa Econômica Federal, funcionando a princípio onde era a Cadeia Velha. Houve a instalação do DETRAN em nossa cidade. Foi constatado o ato inaugural da “Rádio Correio do Sertão”, pioneira no semiárido. É lançado o livro “Carnaval do Lobisomem”, também deste autor. Foi construído o Conjunto Residencial São João. Construído ainda o conjunto habitacional defronte o estádio e o cemitério, com 103 casas. Foi ampliada a capela do Padre Cícero, no Bairro Lajeiro Grande. Foi inaugurado o Centro Bíblico no Bairro Camoxinga. Santana perde terras para o novo município do antigo Riacho Grande. Morreu o ex-interventor do município Frederico Rocha. Faleceu o Cônego Luís Cirilo, da Paróquia de Senhora Santa Ana. Clerisvaldo lança seu segundo romance “Defunto Perfumado”.
          Pois foi nesse cenário em que vivia Genival e sua sofisticada, elegante esposa Salete, que o ganso passeador, leal e companheiro enfrentou a panela. Conquista-se e mata-se. Você pode não achar, mas existe coisa muito mais profunda no ato desnaturado contra o fiel, carinhoso e amicíssimo GANSO TRAÍDO.


MEIA PORTA (Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2011)        O presidente dos Estados Unidos fez o seu giro pela América Latina, pontilh...

MEIA PORTA

MEIA PORTA
(Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2011)

       O presidente dos Estados Unidos fez o seu giro pela América Latina, pontilhando apenas três países. O motivo resumido em três, não se sabe. Nem perguntando a ele próprio, o presidente responderia. E se respondesse, é óbvio que não falaria a verdade. E se falasse a verdade iria ofender quase o hemisfério todo. A repercussão, entretanto, da sua visita foi apática, quase inexistente. Os jornais do mundo inteiro preferiram a quentura do norte africano e a tragédia japonesa. Mas o mutismo da repercussão pode ter sido gerado na particular ação gelada, rotineira e sem vida de Barack. O que outrora causaria sensação, dessa vez conquistou apenas indiferença e sono. Os países da América do Sul, bem como os da América Central, calaram como se fosse uma combinação antecipada. Todos parecem cansados do império. Como a imprensa é a parte mais sensível dos grandes acontecimentos, a sua ausência após a visita do homem, pareceu refletir o pouco interesse no assunto. Foi por isso que os acontecimentos da Líbia e do Japão foram marcados em cima o tempo todo. Obama deve ter chegado de volta aos Estados Unidos, arrasado com a indiferença latina pela sua presença. Ele não é culpado sozinho. Os freios do congresso às suas ideias e a tradição arrogante americana, rareiam as caças nas pradarias do planeta. O presidente deve ter chorado com seus botões pela indiferença do Sul a sua visita, consequentemente a seu país. Foi levantar a popularidade e voltou pior. Ao chegar a Casa Branca, encontrou a porta fechada. Ficou preso por fora. A porta falou simbolicamente sobre o giro que acabava de fazer.
       Atolado até o pescoço no Iraque e no Afeganistão, os Estados Unidos não conseguem fazer brilhar a estrela do presidente que eles mesmos elegeram. É, porém, muito cedo para dizer se Obama está no lugar certo no tempo errado. Todo o plano de Barack no passeio latino voltou-se contra. Tanto é que, para aliviar às pressões antiamericanas em todos os lugares, entregou o comando a outros, nos ataques a Líbia. Não quis se desgastar mais ainda, muito embora possa ter alegado outras razões. Procurar notícia de Obama nos jornais ficou mais difícil.
       Enquanto isso, sigamos outros movimentos que estão ajudando a mudança global. Afinal, não se sabe tudo. Existem por aí tais bastidores, que são bichos quase invisíveis e que somente andam com o focinho nos ouvidos alheios. Longe dos bichos uma coisa é coisa; se estão os bichos, coisas não são coisas. Para os chamados agora “gestores”, nem tudo é conveniente que o povo saiba. Meu amiguinho, esse negócio de política é complicado até em casa, quanto mais no exterior. Veja o Obama, compadre. Triste que só urubu no inverno. Ao chegar ao Salão Oval da Casa Branca e encontrar a porta fechada, deve ter associado, como nós, à entrada da América Latina com apenas MEIA PORTA.

COLHER DE ENGENHO (Clerisvaldo B. Chagas, 24 de março de 2011).        Enquanto meu pai ensinava-me a ciência da vida, minha mãe preocupav...

COLHER DE ENGENHO

COLHER DE ENGENHO
(Clerisvaldo B. Chagas, 24 de março de 2011).

       Enquanto meu pai ensinava-me a ciência da vida, minha mãe preocupava-se com Educação e Cultura. Entre as suas lições, entrava o básico das etiquetas, tão apreciadas pelas sociedades grã-finas. Normalista criada na capital, vocacionada para o Magistério, Helena Braga destrinchava para nós como se comportar a mesa. Vivendo ainda numa cidade sofrida do interior ─ Santana do Ipanema ─ uma criança entre oito ou dez anos não tinha muitas oportunidades de usar as boas maneiras ministradas por Helena. Vivíamos ainda numa cidade de ruas empoeiradas ou lamacentas onde o progresso era sempre o último a chegar. Naquela época tínhamos férias no mês de julho além do prolongamento de final de ano: dezembro, janeiro e fevereiro. Só retornávamos às aulas no mês de março. As escolas verdadeiramente ensinavam, mesmo com menos tempo em relação à atualidade e com os parcos recursos existentes. Com a chegada das férias, eu me deslocava ao povoado Pedrão (pedra grande) pertencente à vila de Olho d’Água das Flores. Numa jornada de quatro léguas, o garoto viajava, ou em carro de boi com a tia Delídia ou em garupa de cavalo com Manoel Anastácio, a quem chamávamos tio.
       O Pedrão era tudo o que eu queria. Típico povoado nordestino onde a vida passava devagar, mas não faltavam diversões para o menino curioso que recolhia sem saber material para seus futuros romances. Com o abastado casal dirigente do Pedrão, eu ia vivendo uma espécie de casa-grande e senzala, engajado pleno nos dois mundos do povoado. A Igreja, a lagoa, os pomares, o cemitério, a casa de farinha, a bodega... Tudo representava a vida simples do campo, palco de inúmeros episódios que formavam o todo.
       Manoel Anastácio era um homem moreno, alto e magro conhecedor do mundo, liderança local. Certa feita, tomávamos o café da manhã quando recebi uma irônica, comparativa e inexplicável lição. Notando os meus modos à mesa, o meu tio observou que eu havia mexido o café com açúcar e experimentado o preto líquido com a colherzinha. Disse-me, então: “Na Zona da Mata, nos engenhos, eles usam colherinhas com um buraquinho no centro”. Naturalmente, pela idade, não dava para perceber a crítica. Pensei apenas porque aqueles tolos iriam comprar colheres normais para furar e mexer café. Depois de adulto fui pensar no assunto e não cheguei à conclusão nenhuma. É melhor queimar os beiços com café quente para mostrar educação ou experimentar logo com a colherinha?
       A vida da gente é uma sucessão de erros e acertos. Muitos problemas enormes, às vezes exigem soluções simples. Se minha mãe nunca me ensinou o uso da colher furada, nunca também nos exigiu queimar os beiços. Se o meu tio fosse vivo eu lhe iria cobrar o ensinamento incompreensível da crítica sem sentido. Espero que o leitor possa decifrar a lição que pula da mesa para os salões refinados das elites. Eu mesmo nada entendi da filosofia tapuia do meu tio. Mas o que é isso, comadre! COLHER DE ENGENHO.

MEU PAI (Clerisvaldo B. Chagas, 23 de março de 2011).        O céu . O céu estava claramente azul. As nuvens de rendas brancas espelhavam a...

MEU PAI

MEU PAI
(Clerisvaldo B. Chagas, 23 de março de 2011).

       O céu. O céu estava claramente azul. As nuvens de rendas brancas espelhavam as bordas prateadas de o arranjo solar. Um pincel encantado dava um toque cinza no interior dos capulhos, variando os contrastes. Aqueles algodões maiores também exibiam o simbolismo chumbo. Ameaças sutis de chuvas que não vinham. Pedaços de enfeites que escondem lágrimas contidas. Retalhos de prata que esvoaçam no poente. O céu. Quase o mesmo céu dourado de uma tarde igual. Quase o mesmo céu atípico que levou a minha irmã Neidinha. Dossel que compartimenta o meu coração em Helena, José Almir, Neide e Manoel Chagas. Miríades de letras amorosas que se fundem entre amor e universo. Sangra propenso coração. Corações têm olhos e choram. Ah! O tempo fecha o mormaço e envia mensagem na leve brisa que desalinha os cabelos, que beija na face, que suaviza o peito. É um extirpar de espinhos, um curativo na alma, um assopro na fé. Logo virar o Ângelus chavear o espaço vespertino. E vem a lua. Uma lua grande, enorme, magnífica, liberando fagulhas douradas, ladeando o caminho iluminado de Manoel. Chagas. Ouro tremeluzente sobre serrotes, montanhas, cordilheiras, mares e oceanos promulgando vitória. É a glória do ser. Sobre o ter.

A morte não é nada
É sonho fugidio
Aspecto bravio
Mas irmã disfarçada
Louçã alvorada
Que renova a semente
A vida da gente
É idílio tragédia
É teatro é comédia
Onde reina. Somente.

Em um mundo distante ornamentado
Onde os dons virtuosos são primeiros
Onde os sonhos são sonhos verdadeiros
Onde a luz não morre no banhado
Na tez do papiro desenhado
Logotipo que marca o lutador
Nem precisa repouso o viajor
Desabrocha constante sinfonia
Ganha vida a vida todo dia
Nas planícies repletas de amor

       Chagas não se estraga. Lembre-se disso, MEU PAI.

O CASAMENTO DA RAPOSA (Clerisvaldo B. Chagas, 22 de março de 2011) (Ler nota de rodapé)         Nos últimos anos comentamos coisas que vem...

O CASAMENTO DA RAPOSA

O CASAMENTO DA RAPOSA
(Clerisvaldo B. Chagas, 22 de março de 2011)
(Ler nota de rodapé)

        Nos últimos anos comentamos coisas que vem acontecendo na Educação, notadamente na área sertaneja. Os fatores da crise que se abate em nosso ensino, porém, não é somente da zona sertaneja, mas toma conta do país em seus estados e regiões. Quando os professores falam nos problemas com o alunado, logo aparecem pedagogas para culpar o professor, unicamente para mostrar serviço ou bajular quem lhes deu emprego. Citar o velho chavão que “o aluno não quer nada” (irrita a burocracia). Fomos vendo em sala de aula e fazendo às contas na ponta do lápis sobre os 30% de evasão escolar, sob o olhar apático de certas direções. Afora o não querer nada, amontoam-se problemas nas escolas levando o professor em situação de desespero, a apelar para o número altíssimo de licenças médicas, pois o Magistério passou a ser uma fábrica de fazer doidos. Recentemente, em determinado lugar, nenhum aluno quis auxiliar no laboratório de informática das escolas, pois não podia lidar com sites de relacionamentos e coisas parecidas. Por outro lado, governos estaduais e municipais deixam de cumprir as leis maiores em benefício da educação, recusam vencimentos justos e não incentivam em nada. Escolas existem com mais de trezentos alunos onde o diretor é forçado pelas circunstâncias a exercer várias funções na unidade, inclusive de vigia, coordenador, agente de disciplina e porteiro. Continua o magistério, apesar da boa vontade de alguns, sendo o saco de pancada dos dirigentes das três esferas.
       Para reforço das palavras acima, acabamos de ler ampla reportagem em um dos maiores jornais do país. Diz à fonte que os professores recém-concursados da rede estadual do Magistério de São Paulo estão se demitindo na proporção de dois por dia. Isso tudo pela falta de condições nas escolas; pelas salas lotadas (no início) desinteresse dos alunos e baixo salário. Fala a reportagem sobre um professor concursado que depois de enfrentar quatro meses de estágio para poder exercer a função, desistiu no primeiro dia de aula. Disse o professor que apenas uma aluna prestava atenção, o restante da classe estava batendo papo pelo celular. O cidadão logo percebeu que aquilo iria levá-lo à loucura e pediu demissão imediata. Ganhar apenas 1.000 reais por vinte horas seria mais um fator de depressão. Sessenta outros colegas seguiram o mesmo caminho, pois estavam amedrontados e sentiam-se desrespeitados. A média de exoneração a pedido passou a ser a descrita acima.
       Quando os dirigentes falam sobre Educação é um céu. A realidade na grande maioria das escolas, se não chegar a inferno, tira dez em purgatório. As propagandas sucedem-se como Hitler fazia na Alemanha. É preciso um rolo compressor permanente em cima dos dirigentes de estados e municípios. O problema é que tudo termina em chuva fina, dessas que surgem no Sertão quando mostram o arco-íris. Isso quer dizer que ao invés de encontramos alta qualidade nas escolas, o que vemos é O CASAMENTO DA RAPOSA.

Nota: Às 23 horas de ontem, faleceu o ex-comerciante, Manoel Celestino das Chagas (Manezinho Chagas) aos 93 anos de idade. Manoel era marido da professora Helena Braga e pai do autor desta página. O sepultamento está previsto para as 16 horas de hoje (terça). O corpo está sendo velado na OSACRE, Praça Frei Damião, em Santana do Ipanema.

NEGRO E MULHER Clerisvaldo B. Chagas, 21 de março de 2011)               Sobre a visita do senhor Barack Obama ao Brasil, foi tudo dentro d...

NEGRO E MULHER

NEGRO E MULHER
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de março de 2011)
      
       Sobre a visita do senhor Barack Obama ao Brasil, foi tudo dentro do previsto por nós na última crônica sobre o assunto, intitulada: “Que Queres Tu”. A única coisa que não previmos e nem podia, foi a de ordenar o ataque à Líbia daqui do palácio brasileiro. Fora os aborrecimentos das exigências de segurança, tudo aconteceu normalmente em Brasília. A recepção popular foi indiferente. Entre as autoridades, os mesmos protocolos. O casal americano tentando ser simpático; a presidenta também. Nos discursos esperados, Dilma foi determinada ao cobrar altivamente igualdade entre as duas nações e um assento permanente no Conselho da ONU. Foi firme na cobrança e habilidosa no modo de cobrar. Para a primeira cobrança, Obama reforçou o pedido da presidenta, até por que ele sabia que estamos vivendo novos tempos e não a era das ordens de Washington. Mas o segundo pedido foi evasivo (como havíamos previsto). Obama sabe que o Brasil precisa muito daquele assento e preferiu fazer charme, sustentar o pedido na mão, para com ele obter muitas concessões do nosso país para poder liberá-lo Todo político é manhoso, em qualquer parte do mundo. Quanto a ordenar o início do ataque à Líbia, destacamos a malícia programada. O Brasil se absteve na votação sobre o uso da força, não foi? Pois bem, ele ordenou o ataque daqui para dizer, primeiro, que ainda era o todo poderoso e impressionar o governo brasileiro. Segundo, para fazer a propaganda dos caças americanos em licitação, mostrando indiretamente sua eficácia na Líbia. É como quem diz: “preste atenção Dilma, como os nossos aviões são os melhores. Compre os nossos caças”. Terceiro, tentou mostrar perante os líbios que a opinião do Brasil ao não uso da força nada valia, pois ordenara o ataque do próprio território brasileiro dentro do palácio com presidenta e tudo.
       No Rio de Janeiro, ainda encontrou alguns vaidosos e curiosos no Teatro. O discurso ali foi bonito, mas nada de extraordinário. Reconheceu o Brasil que o mundo já conhece. As palavras foram muito mais para historiador do que para político. Não impressionou e nem ofendeu. Veio afagar o Brasil interessado em livrar-se do petróleo e das piadas de Chávez. Estar querendo lucros nos negócios da Copa e das Olimpíadas, mais investimentos brasileiros para gerar empregos por lá e aquele resumo que a sabedoria do nosso povo fala: “Não dá prego sem estopa”.
       Vamos aguardar agora as repercussões internas desta semana e as opiniões externas. Depois, prestar atenção nos fatos concretos que poderão acontecer entre os dois países. Por enquanto, os assuntos em evidência são relativos à Líbia e ao Japão. A diplomacia brasileira nos pareceu muito melhor estruturada, mais madura e sabendo o que realmente quer e como quer. Dilma está melhor do que a encomenda. Não se pode mais abaixar à cabeça e nem outras partes mais sensíveis do corpo, nem para americano nem para embaixada alguma. DIGNIDADE é o que todos brasileiros esperam do novo governo. Se não foi apoteótico, também não foi horrível assim, o encontro da nova simbologia no poder: NEGRO E MULHER.



OLHOS DE CORUJA (Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2011).        A reforma política é necessária, mesmo sendo feita pelas personalidad...

OLHOS DE CORUJA

OLHOS DE CORUJA
(Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2011).

       A reforma política é necessária, mesmo sendo feita pelas personalidades que fazem parte desse sistema. Político cuidando da política. Mas como não existe outro caminho para o povo brasileiro, vamos apenas aguardando as decisões dos senhores deputados e senadores. Quando existe confiança popular em seus dirigentes, parece que as coisas caminham com mais facilidade e menos preocupação. Entretanto, com o forte desgaste sofrido nos últimos anos, é de se desconfiar que político vote contra projetos que não o beneficie, até particularmente. Enquanto existir a desonestidade desenfreada no Legislativo, não se pode dizer que os habitantes brasileiros estejam felizes e domados. Mesmo que muitas medidas do Legislativo aconteçam amparadas em leis, revoltam a população que trabalha honestamente e paga seus impostos em dia. Como pode um cidadão que enfaticamente trabalha para o engrandecimento do seu país, aplaudir medidas como a do aumento exorbitante do “salário” dos políticos? O descontentamento das ruas é sempre causa perigosa para uma democracia sem direito a voz. Ninguém engoliu ainda os tais 62%. Mesmo por que a massa, com ou sem poder de compra, continua montada no cavalo em osso do salário mínimo. Mesmo assim, um pouquinho hoje, um pouco amanhã, medidas sérias tapam mais um buraco de rato. Dizer que não haverá mais reeleição para executivo, é uma verdadeira maravilha que maltrata os que carregam a síndrome de “dono”. Contudo, isso deveria valer também para o Legislativo, com mudança muito mais profunda.
       Quando o povo não está satisfeito com os políticos do seu país, vai tentando encontrar ícones de outras nações, para aplaudir. Nesse caso, desiludido com tudo, o cidadão também procura ídolos na música, na novela, no cinema e até nas imundícies que recheiam as comunicações. Obama vem aí. Fracassado diante de tantas expectativas, vem tentar golpe publicitário no país, reunindo uma multidão para conversar o que o povo chama de “abobrinha”. Nada de bom trará, apenas assuntos rotineiros que não elevam o Brasil em nada. Para isso andou, dizem, comprando publicidade em importantes emissoras brasileiras para juntar curiosos. Quer levantar a indiferença do seu povo à custa dos mais dóceis do Brasil. E se o povo daqui está tiririca com seus representantes legisladores, deverá comparecer diante de Barack que estar ficando muito esperto.
       No Senado, na Câmara, a animação é de velório. Mas ainda não deixa de haver muitas manobras entre as desacreditadas raposas sedentas de poderes. A plateia externa vai acompanhando com certa indiferença o movimento rotineiro. Ver a parte da frente, espia a parte de trás, enxerga no claro, mas vacila em contemplar os bastidores. Escuro indecifrável acessível somente aos premiados pela natureza que possuem OLHOS DE CORUJA.

VAI NO BORNÁ (Clerisvaldo B. Chagas, 17 de março de 2011).        Bornal, embornal ou, segundo as massas da caatinga, simplesmente borná. ...

VAI NO BORNÁ

VAI NO BORNÁ
(Clerisvaldo B. Chagas, 17 de março de 2011).

       Bornal, embornal ou, segundo as massas da caatinga, simplesmente borná. Trata-se de uma peça interessante confeccionada em tecido que as pessoas ainda usam com faixa sobre os ombros, cruzando o peito. Os embornais serviam e servem como uma bolsa plástica ou pequena mala para transportarem tudo que for possível durante as viagens. Como em décadas passadas o homem do Sertão andava muito a pé, aquele depósito ambulante estava em voga levando comida, roupas e quinquilharias. Os bornais viraram peças famosas e estudadas, principalmente por causa daqueles que lhes deram visibilidade. Os cangaceiros atraiam a atenção pelo modo singular de traje e enfeites. O embornal era peça tão importante quanto às armas, pois, tanto conduzia a comida de sobrevivência, quanto balas sobressalentes. A polícia perseguidora do cangaço também usava os bornais com as mesmas finalidades. Por aí se vê que o embornal era peça indispensável para uso em trânsito. Com o cangaço, os bornais adquiriram um novo visual. Passaram de peças lisas para estampadas em bordados criativos que atraíam os olhares aguçados dos sertanejos. Os embornais mais famosos do Brasil foram os conduzidos por Lampião e sua companheira Maria Bonita. As peças eram admiradas por causa dos desenhos em cores, cobiçadas devido à fortuna que transportavam. Como Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, também era compositor, fez chegar ao povo cantiga simples, porém, muita apreciada, com o título de “Mulher Rendeira”. Uma das estrofes dizia:

      “Olê mulé rendeira
Olê mulé renda
               Chorou por mim não fica
           Soluçou vai no borná”

       O escritor santanense Oscar Silva, antes de publicar livros, trabalhara em diversas profissões, tentando sobreviver numa época péssima para empregos. Terminou como soldado de polícia pertencente ao batalhão encarregado de combater o cangaço, dentro da era 1930. O batalhão fora dividido, segundo ele, em várias faixas de acordo com as funções. Oscar não pertencia à faixa dos destemidos que saiam em grupos chamados “volantes”, para combates diretos com bandidos. Fazia parte de uma elite que auxiliava o comando em seus contatos permanentes. Andava sempre com livros na mão sublinhando em vermelho os erros cometidos pelos autores. Certa feita participara de uma empreitada contra cangaceiros no lugar chamado Caldeirão dos Guedes, município de Cacimbinhas, Alagoas. Por causa dessa única circunstância forçada, o futuro escritor passara a andar com um bornal sobre os ombros. Dizia o homem em uma das suas crônicas, que o bornal não servia para nada, pois ele nunca mais saíra como volante, mas pelo menos o ocupava para carregar seus livros. Passara a enfeite. Certa ocasião um camarada apontou para aquela peça de tecido e perguntou para que servia. Oscar, sentindo-se acuado e ridículo, olhou para um canto, para outro e, sem utilizar longas explicações, foi lacônico, gozador e objetivo, lembrando a célebre cantiga do cangaço: “Soluçou VAI NO BORNÁ”.



O VEI E A FIA (Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2011 ).        Em visita a caríssimo paciente no hospital geral Dr. Clodolfo Rodrigue...

O VEI E A FIA

O VEI E A FIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2011).

       Em visita a caríssimo paciente no hospital geral Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo, fomos conhecendo alguns setores possíveis, pelo menos de relance. É realmente admirável o que vamos observando nesse moderno hospital em Santana do Ipanema, próximo às faldas da serra Aguda. E dentro daquela rotina prevista pelos dirigentes, saímos colocando em prática o espírito de observação do pesquisador atento. Muitos acompanhantes dos seus doentes, ficam defronte a unidade, aguardando, conversando, desabafando. Assim aparecem inúmeras informações que vão sendo filtradas de acordo com o interesse de quem ouve ou faz perguntas. Surgem pessoas da região ribeirinha, do médio e alto Sertão, entrelaçam-se em conversas variadas, curtas ou compridas, que revelam as nuanças do dia a dia. A mulher da cidade de Delmiro Gouveia está sozinha e tem parto de risco. O cidadão de Pão de Açúcar veio visitar o pai. A moça de Jacaré dos Homens tem problemas respiratórios. O tema varia para transporte, chuva, calor, política, dinheiro. Complementam-se as informações nos pequenos negócios criados ali bem perto. É o mercadinho, a sorveteria, a lanchonete onde se houve muitos desabafos sobre o aumento exorbitante do transporte de moto. De dois reais para três e três meio, dizem que os motos taxistas estão aproveitando a falta de coletivo.
       Deixamos um pouco essa feira discreta para descansar a vista. O cenário deslumbrante de morros que circundam a urbe. Os destaques de pontos longe na cidade, como as duas igrejas paroquiais, o acender das luzes pelo centro, pelos bairros, atestam uma visão nobre, bela e analítica para geógrafos, poetas e românticos em geral.
       Estando embevecido com os arredores, inclusive com o vermelhão do terreno defronte, onde serão erguidas as instalações da Universidade Federal de Alagoas, uma voz chama atenção. É de certa mulher morena e jovem que procura apressar a subida de um idoso em cadeira de roda, para a ambulância. O idoso, calvo de voz baixa, parece não aguentar a implicância da mulher que fala alto, abusada e ameaçadora. Imaginem a mundiça! Aqueles horrores que chamam atenção de todo mundo. A dona nem parece estar rodeada de gente. Ficamos na expectativa de fazer respeitar o direito do idoso. Alguém pensa ir ali e meter-se na arenga. Outro deseja enxugar a munheca no pé do ouvido da mulher. Alguém pede calma e diz que se a coisa esquentar telefona para a polícia. A mulher insiste; o idoso responde com firmeza; a plateia gosta da reação. Cada um ali vai perguntando quem serão aquelas pessoas. Um diz que a mulher deve ser amásia do senhor, pelo dinheiro. Outra acha que devem ser parentes. E assim cada qual vai formulando opinião. Cessado o barulho, um cabra curioso, bem vestido, habitante da área rural, vai lá discretamente, investiga e ─ dando título à crônica de hoje ─ lasca o veredito: É O VEI E A FIA.

CASA DE ENFORCADO (Clerisvaldo B. Chagas, 15 de março de 2011).        O mundo em notícia vai-se dividindo entre o Japão e a Líbia. Em rel...

CASA DE ENFORCADO

CASA DE ENFORCADO
(Clerisvaldo B. Chagas, 15 de março de 2011).

       O mundo em notícia vai-se dividindo entre o Japão e a Líbia. Em relação ao país asiático, a parte atingida pelo tsunami, repetida vezes pela mídia, mostra a paisagem como se fosse de um bombardeio aéreo de muitos dias. Esse cenário de horror não fica restrito, porém, a área em que ocorreu o fato. O Japão, afetado como um todo vai sofrendo as consequências pós-onda gigante. Além do amontoado de entulhos, os corpos encontrados nos mais inusitados lugares, representam uma espécie de sina comparativa às hecatombes da Segunda Grande Guerra. Os sobreviventes contemplam em redor como se tivessem sido jogados de repente no inferno. Como fica o psicológico de uma pessoa que passa por um choque radical dessa natureza? Além do trauma central, vem o frio, a falta d’água, a fome e a incerteza. Para completar o quadro dantesco, surge o escapamento radioativo que ameaça não somente o país, mas a vizinhança do arquipélago japonês. Péssima hora para algumas nações falarem a favor de continuados programas nucleares, como Brasil, por exemplo.
       Enquanto isso o povo líbio continua sua luta armada contra um homem que prefere derramar o sangue dos seus irmãos, a deixar o poder. Pelo menos nesse caso da Líbia, o ditador mostra-se pior do que o ex-colega do Egito, também apegado à posição de poderoso. O hábito pode não fazer o monge, mas o indivíduo que dirige um país há trinta anos, acha sim que aquele território lhe pertence. É assim que acontece em menor escala em grande parte dos municípios brasileiros. Mesmo com todas as garantias constitucionais e votado por um período de quatro anos, o reizinho, na sua individualidade, esquece que é apenas o gerente, o empregado do povo, partindo para as estratégias que assegurem a sua permanência no pote de mel. Esses acontecimentos no Japão e no Oriente Médio podem até não ser o início do final dos tempos, mas é o flagrante, o âmago de mudanças históricas que ainda irão se definir. Na Ásia Seca, mesmo que esse novo tsunami das multidões descansem por algum tempo, já foi suficiente para mostrar que essa marcha não retrocederá. Acusamos uma grande lição para os países europeus e os Estados Unidos, que dessa vez aguardam às resoluções da ONU. Ninguém quer se aventurar por conta própria com uma invasão militar em terras líbias. Já? Já aprenderam? Também, depois de Vietnã, Afeganistão e Iraque, só os brocos não aprendem.
       Nesse ínterim, o nosso ex-presidente, não tendo muito que fazer, vai circulando pelo Oriente, ganhando seu “cachezinho”, falando para uma plateia saudosista das suas atuações. Prega a democracia numa região repleta de ditadores. E lá no meio daqueles lobos todos, Lula vai magoando a ferida como pode, aplicando arriscadas lições sobre corda em CASA DE ENFORCADO.

LEMBRAR PELAS CICATRIZES ( Clerisvaldobchagas, 14 de março de 2011).        A catástrofe acontecida em território japonês foi lamentável e ...

LEMBRAR PELAS CICATRIZES

LEMBRAR PELAS CICATRIZES
(Clerisvaldobchagas, 14 de março de 2011).
       A catástrofe acontecida em território japonês foi lamentável e prevista. As prevenções contra fenômenos naturais não são totalmente seguras, apesar de todos os avanços que existem. Terremotos, maremotos e seus efeitos devastadores, furacões, erupções vulcânicas, fazem parte da renovação normal do planeta. São forças descomunais que levam o homem a procurar entendê-las e tentar, através desse conhecimento científico, conviver com elas. Essas forças não são inimigas e nem amigas, simplesmente elas existem e não podem ser ignoradas. O Japão estar assentado em um dos lugares mais perigosos da Terra. Faz parte do “Círculo do Fogo” ou do “Cinturão do Fogo”, que é uma enorme sucessão de vulcões nessa área do oceano Pacífico. Somente no seu território − arquipélago que congrega 6.852 ilhas – existem entre 80 e 108 vulcões em atividade. As principais ilhas são a de Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku que correspondem a 97% do território. 70% do país são florestas e montanhas, deixando a planície costeira para uma grande concentração de pessoas. O mar exerce importantíssimas influências em países arquipélagos. Geralmente são as planícies costeiras as mais procuradas pela população. Grande parcela da sobrevivência vem do oceano, todavia, também as planícies estão mais sujeitas aos ventos arrasadores e indomáveis, bem como aos tsunamis que são ondas fortíssimas provocadas pelos maremotos.
       Estamos solidários com o bravo e laborioso povo japonês, principalmente nas imensas dores que caracterizam familiares mortos ou desaparecidos. Esse território é habitado desde o período paleolítico, fala a língua japonesa e ganhou o título de “Origem do Sol” ou “Terra do Sol Nascente”. O padrão de vida japonês é alto e mostra a maior expectativa de vida do Planeta. Representa a terceira economia, é o quarto maior exportador e o sexto maior importador. Na política, o Japão é monarquia constitucional, onde o imperador é simbólico e cuja força fica com o primeiro-ministro. Com 377.815 km2 de superfície total, o Japão é menor do que o estado de Minas Gerais. Além das florestas e montanhas, pequena parte do território pratica a agricultura e a pecuária. Seus rios são curtos e despejam no mar. Sua população é envelhecida por causa da baixa taxa de natalidade, gerando um problema de falta de mão de obra jovem para impulsionar o país. A terra do Sol Nascente lidera no campo de pesquisa científica e tecnológica, maquinaria, eletrônica, robótica industrial, óptica, química, semicondutores e metalurgia. Apesar de tantos avanços, o Japão também possui uma alta taxa de suicídios.
       É esse país incomum que o mundo aprendeu a admirar e que foi agora vítima de mais um lance da natureza. Logo ele que não para de aplicar lições de Ecologia com projetos bonitos e ousados para uma vida melhor no presente e para o futuro. Como uma tragédia nunca vem sozinha acompanha o tsunami o escapamento de gás contaminado de sua usina nuclear. Outro problemão em potencial que deixa o mundo em suspense. Ainda bem que pelo menos setenta países prontificaram-se a ajudar nossos irmãos asiáticos, inclusive o Brasil. Solidariedade. Como na vida estamos sempre recomeçando, torcemos para que tudo seja recuperado na terra das cerejeiras, embora saibamos que difícil mesmo é LEMBRAR PELAS CICATRIZES.