MACEIÓ/SANTANA Clerisvaldo B.Chagas, 12 de julho de 2011 Vamos chegando perto dos meados de julho, o mês que mais chove em nosso inverno...

MACEIÓ/SANTANA

MACEIÓ/SANTANA
Clerisvaldo B.Chagas, 12 de julho de 2011

Vamos chegando perto dos meados de julho, o mês que mais chove em nosso inverno alagoano. Mas agora aparece uma chuva entrecortada, confirmando esse modo particular de ser, o clima de Maceió. Usando a expressão sertaneja, o tempo fica bonito para chover, bem que o céu escurece, mandando cada um se prevenir, vem que o maceioense chama de toró. E quando se pensa que o dia será todo sem trégua, o toró vai embora. Bate o estio e assim vai se formando um inverno quebrado, costumeiro da “cidade sorriso”. De vez em quando uma rara friezinha ameaça ficar, mas logo arriba. Quando bate a chuva forte, continuam sofrendo os passageiros de ônibus nos abrigos improvisados, pequenos, sem amparos laterais, verdadeiras toldas de vender bananas. Os motoristas prosseguem imprudentes. Provocam prejuízos. Logo ali perto duas batidas. Uma em cima da outra. O motoqueiro fica estendido no pretume molhado do asfalto. Os gritos de todos os lados nada resolvem. Um policial que vai passando telefona para SAMU. Forma-se imediatamente fila quilométrica, quando os não educados buzinam em vão. Sirenes alarmam e, a vítima é levada, só aí a multidão se dispersa. Mal a fila roda, novo acidente repete a cena anterior.
Vem à mente as festas de Santana do Ipanema. Quem é do interior, na capital é pássaro cativo. Época de início da festa da padroeira e da desmembrada festa da juventude. E por falar em festa da juventude, esse ano não haverá cavalo de pau, atração máxima dos jovens que chegam aquele núcleo. A cidade fica pequena para receber tantos visitantes que honram a “Rainha do Sertão”. Entretanto a força da ordem ainda está muito aquém do desejado. O abuso do som escandaloso estressa até as pedras do rio Ipanema. Parece que em nome das boas vindas, as autoridades liberam o núcleo, à semelhança de cidade sem lei. As ruas principais são interditadas de tantas coisas, tornando o trânsito um inferno, fato que não se admite mais hoje em dia.  Quando alguém fala dos absurdos, sempre recebe a sábia resposta própria da terra: “Em Santana tudo pode”.
A festa de Senhora Santa Ana, considerada a maior festa religiosa do interior, esvazia-se devido ao crescimento ligado à festa da juventude. O bom senso ainda não distanciou uma da outra, evitando o fenômeno da antropofagia. Enquanto isso vamos curtindo Maceió, desejando êxito e paz em ambas as festas de Santana do Ipanema. Enquanto a capital continua quente, o Sertão rende um frio de matar sapo. Salve Maceió/Santana, SANTANA/MACEIÓ.

ADEUS CARUARU Clerisvaldo B. Chagas, 11 de julho de 2011 Ao vencer as estradas perigosas Maceió – Caruaru, um churrascão em Agrestina é...

ADEUS CARUARU


ADEUS CARUARU
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de julho de 2011

Ao vencer as estradas perigosas Maceió – Caruaru, um churrascão em Agrestina é sempre bem vindo. Ali, Cupira, nome famoso de abelha. Acolá, Panelas, terra do grande repentista Oliveira das Panelas. Finalmente o descortinar de vales importantes. Cortando neblina, enfrentando curvas extraordinárias, vamos chegando de mansinho à “Capital do Forró”. Há décadas sem passar pela região, ficamos de boca aberta com a beleza da cidade que evoluiu bastante, acompanhando o aspecto físico ao seu comércio. Mesmo não sendo dia da feira mais famosa do Brasil, o movimento de gente em determinados lugares, parece carreiros de formigas fugindo de enchentes. Um grupo de zabumba vai animando o povo, saindo e entrando pelas ruas de barracas. Monte de berrantes está exposto no meio da praça. Não deixam de aparecer possíveis compradores e curiosos tentando tocar na comprida ponta de boi. Quando alguém acerta o berro, de longe se ouve o som do gado chegando ao Pantanal. O turista quer tirar foto nos monumentos ao feirante. E uma das estátuas de pedra sai na fotografia, mesmo de braço quebrado. A poluição sonora, porém, não foge a falta de lei como em tantos outros municípios. Bate um pé d’água no Agreste e os transeuntes acalmam-se sob as marquises. O mendigo cabuloso, não para a cantilena, obstruindo a passagem estreita. E o rio Ipojuca fede como o diabo com aquela horrorosa poluição.
Em Caruaru, o fluxo de veículos é impressionante. Muitos edifícios destacam-se no vale, apreciados pelos trechos mais altos da BR. Ainda estão por ali vestígios do que foi a festa junina que atraiu gente do mundo inteiro. Homens do forró percorrem as praças provocando à dança. Indago ao vendedor como é Caruaru no cotidiano. O homem responde no seu linguajar característico: “O trupé aqui, meu amigo, é assim direto. Toda hora o cancão pia. Ô terra boa para se ganhar dinheiro!” A manhã vai se enchendo de pessoas das inúmeras cidades circunvizinhas, de Pernambuco, do Nordeste todo, disputando compras num campo sem fim de negócios que vão desde uma simples agulha a um antigo gipão. Ali, feira de tecidos, acolá a feira dos arreios, artes, brinquedos, jeans, móveis... E vamos lembrando Luiz Gonzaga: “Tudo no mundo há na feira de Caruaru”. E do nosso ex-professor e escritor Aleixo Leite Filho, vamos recordando também sua condenação a outra cidade e os elogios a esse lugar de sua moradia.
         Quem vem A Caruaru não pode pensar em somente um dia para compras. E ainda tem muitos pontos para visitas, principalmente para quem quer conhecer a parte turística e a vida noturna da cidade titã. São mais de 300 mil habitantes fazendo o que eles mais gostam, vender e comprar ao som quente do forró. Não mais podendo ficar, fui. Maceió me espera. ADEUS CARUARU.

LAMPIÃO, CANDEEIRO E QUEROSENE Clerisvaldo B. Chagas, 08 de julho de 2011   Lampião , Candeeiro e Querosene iluminaram o cangaço e escure...

LAMPIÃO, CANDEEIRO E QUEROSENE

LAMPIÃO, CANDEEIRO E QUEROSENE
Clerisvaldo B. Chagas, 08 de julho de 2011

 Lampião, Candeeiro e Querosene iluminaram o cangaço e escureceram o mundo. Lampião, cangaceiro alvo das atenções mundiais, passou mais de vinte anos torturando, estuprando, matando gente. Eles e alguns dos seus asseclas esquartejavam pessoas como se esquartejam os bodes do Sertão. Para a felicidade da quietude nordestina, foi surpreendido e morto com sua companheira Maria Bonita no dia 28 de julho de 1938. Com ele, desencarnaram mais nove sequazes naquele alvorecer friorento de inverno. Candeeiro era uma espécie de secretário e tesoureiro particular da confiança. Viajava com o chefe e conhecia as transações com os fornecedores de armas e munição para Virgulino. Candeeiro estava presente naquele amanhecer fatídico que derrotou o mito do cangaço. Conseguiu escapar à hecatombe da grota juntamente com mais trinta e três companheiros que estavam no coito de Angicos. Depois resolveu entregar-se à polícia e foi recambiado de Santana do Ipanema, Alagoas, para à prisão em Maceió. Quanto a Querosene ─ o mais obscuro de todos ─ foi um dos responsáveis da outra frente de motivo para eliminar o chefe. Joca do Capim, vaqueiro da fazenda Novo Gosto, imediações de Pão de Açúcar, Alagoas, procurava um jeito de vingar-se do cangaceiro Querosene que estava saindo com sua mulher (mulher de Joca). A maneira encontrada por Joca do Capim, como era coiteiro de Lampião, foi trair o bando todo entregando a presença dos cangaceiros por ali ao sargento Aniceto, na cidade de Piranhas (AL). Com algumas tramas acontecidas no triângulo Piranhas, povoado Entremontes (AL) e Grota dos Angicos, Sergipe, livra-se o Nordeste da incômoda presença de Virgulino.
           Lendo o magnífico trabalho sobre a última semana de Lampião, na tese do escritor Frederico Bezerra Maciel: “Lampião seu tempo e seu reinado”, temos a lista de todos os cangaceiros que estavam ali acampados na madrugada do ataque alagoano: 44 pessoas no total, mas ali não consta o nome de Querosene, entre os 44 apresentados. Ora! O Joca do Capim havia perdido a paciência quando sua mulher, mais uma vez saiu de casa logo cedo daquele dia 27 de julho, para ir ao encontro de Querosene na própria fazenda Novo Gosto. Na noite daquele dia 27, Querosene não poderia ter dormido fora sem autorização. Onde estaria Querosene na madrugada do dia 28, momento fatal? Fora essa referência ao cangaceiro, ninguém mais fala sobre ele, nem no coito entre os listados, nem entre os mortos após Lampião e nem entre os que se entregaram às forças. Vamos às hipóteses: Primeira, pertenceria ao grupo de Corisco que foi dormir em Entremontes (AL). Segunda: Faria parte do grupo de Labareda que também não quis dormir ali dizendo que aquilo era “cova de defunto, compadre!” Foi pernoitar duas léguas abaixo em solo sergipano. Terceira: Pertenceria, por acaso, ao grupo de Moita Brava que inventara estar adoentado e conseguiu permissão para dormir fora? Moita Brava levou seu grupo também? Querosene foi com eles?
           Como um dos pivôs da perfídia, não podia faltar Querosene no bojo de Candeeiro nem na placa de Lampião. Um silêncio toma conta dos pesquisadores sobre esse cabra. Você sabe? Você viu? Ah! Meu amigo! Esse trio energético deu o que falar! Ora no claro, ora no escuro, vão piscando no outro mundo os cangaceiros LAMPIÃO, CANDEEIRO E QUEROSENE.
·         Na última semana de julho, publicaremos diariamente crônicas sobre o cangaço, durante os dias úteis, enquanto terminamos um livro sobre o assunto.

  

  O CHARME DA PROFISSÃO   Clerisvaldo B. Chagas, 7 de julho de 2011   Quando os automóveis foram surgindo com mais frequência nas cidades ...

O CHARME DA PROFISSÃO

  O CHARME DA PROFISSÃO
  Clerisvaldo B. Chagas, 7 de julho de 2011

 Quando os automóveis foram surgindo com mais frequência nas cidades do interior nordestino, surgiu a profissão do “motorista de praça”. Não somente pela condição financeira, mas também pelo entendimento e posição social, o automóvel era alugado (nunca alocado) por pessoas de classe média e alta. Essas maravilhosas máquinas que substituíam o carro de boi, o cavalo, o burro e mesmo os primeiros caminhões da década de 20, esbanjavam um encanto geral e um suave e doce prazer em suas viagens para fora da cidade. Até hoje o automóvel exerce um fascínio extraordinário sobre os homens, bem difícil de explicar. Imaginemos, então, no passado, a satisfação que dava em rodar dentro de um carro confortável, cheiroso, bem zelado, tendo como condutor um homem entendido a nossa disposição. No interior de Alagoas, em Santana do Ipanema, passageiros bem vestidos deslocavam-se com esse encanto para cidades vizinhas a visitar amigos, participar de batizados, casamentos, saborear buchadas em casas de compadres lá para as bandas de Maravilha, Ouro Branco, Poço das Trincheiras. Quando ainda não havia médicos na cidade, as viagens mais comuns ganhavam o destino de Palmeira dos Índios, núcleo urbano situado no agreste de Alagoas, sede do bispado, terra de Graciliano Ramos, e que funcionava como pequena capital.
       Os chamados “motoristas de praças” eram poucos. Entre eles ─ dividindo essa atividade com outras de maior dureza ─ três pessoas destacavam-se como pioneiras no ramo de conduzir passageiros com exclusividade: Mestre Abel e seu filho galã, Aroldo; Anedota, conhecido por Seu Dota, pessoa enriquecida, moradora do Bairro Monumento; e Zé V8, residente à Rua Nova. Mestre Abel exercia também a profissão de mecânico, o que lhe deu fama em toda a região. Seu Dota, enrascado com o nome próprio de Anedota, por causa da ignorância da época, preferiu o apelido, menos chamativo de Dota. E Zé V8, tinha seu vulgo associado ao motor tipo V8, do carro que dirigia. Como torcedor radical do time Ipanema, ao clube forneceu três filhos que se destacaram como atletas: Jair, Zuza e Joãozinho, craques que sabiam honrar a camisa do time “Canarinho do Sertão”, final da era 1950. Por falar nisso, Dota, já adiante no tempo, falava com orgulho que dirigira mais de vinte anos e nunca dera uma batida e nem sequer um arranhão. Foi quando um dos ouvintes da roda de amigos levantou-se e disse na brincadeira: “Também, como bater em outro carro se só havia o seu?”
         Somente agora, em torno de oitenta anos depois, é que o governo resolve regulamentar a profissão do antigo “motorista de praça”, chamado atualmente “taxista”. Segue para sanção o projeto que regulamenta profissão de taxista da autoria do ex-deputado Confúcio Moura. O profissional, além da habilitação deverá fazer cursos de relações humanas, direção defensiva, primeiros socorros, mecânica e elétrica básica de veículos. Em municípios com mais de 50 mil habitantes será obrigatório o uso do taxímetro.
         Os profissionais do volante talvez possam respirar melhor com profissão reconhecida, mas agora numa luta insana entre eles mesmos, pela concorrência desleal de táxis no mercado. Bons tempos sem acidentes de trânsito, os de Seu Dota. Também, “de carro só havia o dele!” Ainda hoje, mesmo com menor intensidade, ainda existe o CHARME DA PROFISSÃO.


BESOURO QUENTE Clerisvaldo B. Chagas, 6 de julho de 2011.   Acompanhando a evolução comercial do município de Santana do Ipanema, Alagoa...

BESOURO QUENTE

BESOURO QUENTE
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de julho de 2011.

 Acompanhando a evolução comercial do município de Santana do Ipanema, Alagoas, a bandidagem não podia ficar indiferente. Se os diversos atos marginais estão na mídia e dão moral ao mundo do crime, por que ficar paradão no tempo e no espaço? Com essa mentalidade anti-heroica, elementos da periferia santanense, começaram a aparecer como os destemidos para a própria comunidade. Esses movimentos isolados em forma de ilhas tiveram como antecedentes algumas poucas “ovelhas negras”, com um comerciozinho de maconha aguardando à porta, a chegada relâmpago do usuário. A rapidez de mãos treinadas capta o dinheiro no leste e solta a folha seca pelo oeste na Geografia singular dos dedos. A contínua ação dessa atividade proscrita parece não incomodar muito à sociedade que jamais pensou na evolução que se seguiu. Despreparada, juntamente com a ineficácia estatal, a aglomeração humana vai apenas de mãos atadas, contemplando essas ações com o fermento eficiente do crescimento. As ilhas insignificantes viraram arquipélago em mar tenebroso de ressacas.
          Nessa cidade sertaneja ─ a mais importante do Médio, Alto Sertão e parte do Sertão do São Francisco ─ tinha como ilhas as localidades Lajeiro Grande, Rua das Pedrinhas, Lagoa do Junco, Artur Morais, Rua da Praia e Cajarana. O isolamento local, entretanto, deu origem a uma rede marginal que interliga a cidade no seu todo. Seus tentáculos ganham os campos com essa evolução do submundo. A droga mínima agora é a cachaça pura que diante da valentia das novas drogas, virou água. Com as disputas dos rapazes em questão, O Bairro Artur Morais, em pleno centro comercial, parece ter conseguido a liderança sobre os outros. Está sempre na mídia com seus tiroteios permanentes a qualquer hora do dia ou da noite. Perambular por ali agora, somente com boas pernas, daquelas que superam com facilidade as carreiras dos jogadores Lucas e Ramires.
        Semana passada, durante certa reunião social e política, um cidadão presente recebeu um telefonema. A reunião foi interrompida para facilitar as coisas em relação ao receptor. Ao desligar seu diálogo inesperado, o pacífico indivíduo falou com a tranquilidade de sempre: “Não era nada; apenas um novo tiroteio que estar havendo no Bairro Artur Morais. Também, faltando teatro, praça, cinema e futebol, os coitadinhos não têm como brincar. Toquem a reunião e deixemos os bichinhos divertirem-se trocando figurinhas com música de besouro quente”.
          Ê cabra velho! Vamos sim, prosseguir a reunião. São apenas balas cruzando os ares, insetos pelados desprovidos de membros emplumados, e seus divertidos roncos de BESOURO QUENTE.

A ZEBRA DO HOMEM FEIO               Clerisvaldo B. Chagas, 05 de julho de 2011 Lembro que em minha época como pesquisador do IBGE, fom...

A ZEBRA DO HOMEM FEIO

A ZEBRA DO HOMEM FEIO
              Clerisvaldo B. Chagas, 05 de julho de 2011



Lembro que em minha época como pesquisador do IBGE, fomos a um treinamento em Maceió. No alojamento estavam reunidos colegas de várias cidades do interior. Histórias e piadas iam amenizando a dureza da hospedagem. No meio desses pesquisadores, havia um cabra bom danado, das bandas de Igreja Nova, alto como um coqueiro, feio igual à castanha e, brincalhão tal Costinha. No para-brisa traseiro do carro, havia um adesivo daquela zebra da televisão, dos jogos lotéricos. Entra conversa e sai conversa e o feioso revela que estava ameaçado de morte, porque um dos candidatos a prefeito da sua cidade havia perdido a eleição. Quando a rural surgiu com o adesivo da simpática zebrinha, o ex-candidato ficou brabo e iniciou com as suas ameaças. Mesmo assim o homem feio estava tranquilo a contar anedotas sem parar. Um sujeito da Viçosa, da boca escura, não parava os risos com as presepadas do castanha.  Quanto à política, era impressionante como um simples animalzinho pintado provocara tanta ira no coitado perdedor.
           As denominações de lugares nas cidades e nos campos puxam muito pelos vegetais. No caso dos humanos, os jogadores de futebol levam a preferência nos apelidos dos chamados bichos brutos. Alagoas mesmo tinha os jogadores Aranha e Catenga. No Flamengo antigo havia o Pavão, no Ipanema, Carneiro. Na seleção brasileira feminina temos a Formiga e, lá nos outros pedestais, surgem os famosos do momento que formam a dupla do terreiro da roça, o Pato e o Ganso. Para orientar os outros, sacaram de campo o Leão e a ele deram o comando do timaço. Além disso, ainda tem o time do Peixe, o do Urubu e a Seleção Canarinho que representa o nosso país na Libertadores. Com o reino animal em alta, poderíamos até dizer que temos uma seleção pai-d’égua. Vamos, então, sonhando como os viciados fazem às vésperas do jogo do bicho. Assim muita gente do ramo deve ter apostado no Cachorro no dia seguinte à partida Brasil e Venezuela, ante o profético passeio daquele Cão pelo gramado. Não sei se cachorro é da sorte ou do azar, mas os tradicionais falam que significa dinheiro para você, ao vê-lo defecando a sua frente. Nem sei também se o dinheiro que falam é real de verdade ou aquilo mesmo que o cachorro está depositando adiante, em linguagem figurada.
           Quando, nós brasileiros víamos a estreia da seleção, mesmo ressabiados, ainda havia um pouco de esperança nos animais Pato e Ganso. Sendo uma seleção, teria que voar por ser canarinho e, ser forte como um touro por ser brasileira. À medida que o tempo passava e a Venezuela fechava portas e janelas, diminuía em nós a esperança de um jogo de bicho envolvente, dono de todas as apostas da torcida para quebrar a banca; no mínimo, o jogo de Marta e da Formiga. No final de tudo, além da tristeza, volta a decepção sobre os bichos e banqueiro, ao deixarmos o estádio com cara de “maria”. Nem leão, nem “trigue”, nem “alufante”. Somente o cenho medonho, zangado, ameaçador de quem viu A ZEBRA DO HOMEM FEIO.

DEVAGAR E FRANCO Clerisvaldo B. Chagas, 04 de julho de 2011 Cada presidente tem uma característica física ou social sempre aproveitada...

DEVAGAR E FRANCO

DEVAGAR E FRANCO
Clerisvaldo B. Chagas, 04 de julho de 2011


Cada presidente tem uma característica física ou social sempre aproveitada pelos humoristas das diversas linhas do humor. Apenas como alguns poucos exemplos, temos Floriano que se destacou pela coragem; Getúlio, pela ambição e sagacidade; Juscelino, pela visão de desenvolvimento; Castelo Branco, pela moral e falta de pescoço; Costa e Silva, pela falta de tutano; Geisel, pela crueldade; Figueiredo pela cavalice; Color, pela empáfia e Itamar pela vagareza nas palavras, decisões e, fisicamente, pelo seu topete. Assim, o mar de coisas engraçadas vai banhando os que encontram a comédia nos mais sérios dos gabinetes. Itamar visto por esse ângulo, chegava a irritar os telespctadores com suas palavras demoradas ou por suas decisões no mesmo rítmo. Era por isso que os comediantes substituiram o seu nome “Itamar Franco” por “Itamar Devagar Franco”. Além disso, as voltas naturais dos seus cabelos ─ que ele fazia questão de conservar para não aparecer com a fronte calva ─ alimentavam aqueles tipos da profissão. Desse modo, o presidente aparecia mais para as brincadeiras do que para coisas sérias.
           Mas havia por trás desse aspecto irritante e cômico, um homem honesto, sério, direito, cujo período na presidência não foi envolvido com escândalos. Quando Collor foi afastado do governo, Itamar, como vice, assumiu a presidência interinamente no dia 02 de Outubro de 1992. O Brasil vivia uma fase de inflação altíssima. Itamar saiu trocando ministros da economia até chegar à vez de Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda. Em abril de 1993, o governo realizou uma forma de plebiscito para o sistema de governo no Brasil. Pelo povo, foi mantido o modelo republicano e presidencialista. Através de Edmar Bacha, o governo Itamar lançou o Plano Real, em 1994. O plano estabilizou a economia e acabou com a crise hiperinflacionária. O sociólogo Betinho ajudou Itamar no combate à miséria. Não se pode dizer outra coisa sobre Franco, um homem sério e correto em tomar decisões. Dizem que talvez tenha sido o único  governo republicano livre de escândalos de corrupção. Posteriormente apoiou Fernado Henrique à presidência, mas discordou de várias coisas de Henrique.
           Quem elogia sua postura de homem público tem razão. Governou mesmo o país em situação delicada e conseguiu vencer.  Sua carreira aberta foi brilhante, deixando esse exemplo para os políticos brasileiros que vale à pena entrar na história como homem de bem. Precisamos de governantes que honrem a dignidade e se mantenham longe da corrupção, arma poderosa destruidora de caráter. Entretanto, apesar de tudo, o presidente não deixou apagar a imagem característica do topete e das brincadeiras do DEVAGAR E FRANCO.

O DIA DA ENTREGA Clerisvaldo B. Chagas, 1º de julho de 2011 . Mesmo com o escuro os pardais iniciam a orquestra da madrugada sem ligaçã...

O DIA DA ENTREGA

O DIA DA ENTREGA
Clerisvaldo B. Chagas, 1º de julho de 2011.



Mesmo com o escuro os pardais iniciam a orquestra da madrugada sem ligação aparente com a falta de energia, às duas e meia, ainda da festa de São Pedro. Julho amanhece nublado com aquela frieza dos antigos invernos sertanejos. E assim ─ na linguagem singela da roça ─ o bastão do mês é passado em alto estilo invernoso de festas, diversões e fartura. Um período de chuvas regulares permitiu um ano rico em precipitação generosa, de sementes na hora certa, de boa circulação do real pelos prados, povoados e cidades. Os campos tornaram-se, cheirosos, atraentes. Encheram-se os barreiros, vigoraram-se os pastos, arredondaram-se os animais. Nos partidos de catingueiras as abelhas zumbem e enriquecem o mel. Os pássaros alegram-se na louvação ao Sol que rompe a neblina da aurora. Cantam as águas serenas dos tortuosos riachos no doce encanto do inverno nordestino.
        A raposa dormita na toca do pedregulho. Pula o preá “lampreiro” no lajeado farejando o mundo. Sacode as asas o gavião-carijó. Estica o canto mensageiro o galo velho da fazenda na cabeça da estaca. Bichos peçonhentos enroscam-se nos esconderijos sem gosto pela frieza. O sereno matutino derrete o barro da tapera do caboclo pobre. Pelos lajeiros esbranquiçados, fios d’água prateiam a face molhada, jardim suspenso da coroa-de-frade, urtiga peluda, macambira de flecha. No meio do roçado afia o bico o carcará nos galhos da aroeira morta. E o céu leitoso, infinito, gelado, sente frio e chama o mês de julho.
       Na cidade os pardais insistem nos anteparos dos sobrados; no campo aberto a fauna se retrai. Banham-se as folhas com o transparente orvalho, enquanto as pontas dos galhos enegrecidos balançam a friagem que se impõe. E no chão rendado, o doce ruído das gotas serenadas fazem minúsculas barrocas na areia fina. Lá na forquilha da baraúna, a casinha do joão-de-barro continua virada para o poente.
       É nessa sabedoria multiforme que Senhora Santa Ana recebe o mês de julho, o mês da magia sertaneja. Que os ventos julianos tragam bons fluidos quando junho traz o seu irmão para O DIA DA ENTREGA.

O PAU COMEU Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2011. Quem diria! A velha Grécia de tantos filósofos importantes e memoráveis batal...

O PAU COMEU

O PAU COMEU
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2011.


Quem diria! A velha Grécia de tantos filósofos importantes e memoráveis batalhas militares, numa situação vexatória medonha! O grande combate de Maratona do passado atualiza-se perigosamente nas ruas de Atenas. Penando para pagar suas dívidas e honrar compromissos, o país grego caiu naquela situação antiga do Brasil em que o FMI ditou as mesmas regras de aperto. Sem poder pagar as suas contas (coisa que pode acontecer a qualquer cidadão de bem que deve, quer pagar e não consegue. Profundamente humilhado, é visto com desconfiança pelo credor) a Grécia submete-se ao sacrifício. Para receber dinheiro emprestado e liquidar seus débitos, terá que fazer uma grande maldade com seu povo, notadamente os pequenos. Demitir milhares de pais de família e cortar inúmeras despesas sociais que já eram conquistas dos seus trabalhadores. Lembram quando vivíamos no Brasil do salário congelado, das demissões em massa, das privatizações... Como sofreu o povo brasileiro! O mesmo remédio é imposto pelo FMI, à Grécia de Sócrates e do premiê Georges Papandreau. A Grécia nunca foi rica, porém assim é demais.

“Em meio a um dos dias mais conturbados desde o início da crise, o Parlamento da Grécia aprovou nesta quarta-feira um novo plano de austeridade que prevê uma economia de até € 28 bilhões (R$ 63 bilhões) aos cofres públicos por meio de cortes de gastos e aumento de impostos até 2015. Nas ruas, milhares de jovens atearam fogo a prédios públicos em violentos protestos que levaram quase 200 a hospitais da capital”. Claro que população ficou insatisfeita, estupefata, abobalhada diante da UE da qual a Grécia faz parte como primo pobre. Por isso os manifestantes foram às ruas praticando vandalismo, enfrentando policiais, numa claríssima revolta contra tudo. Impressionantes são as imagens que percorrem o mundo, fazendo até esquecer os ataques à Líbia e o horror escalonado do Iêmen. Mesmo os bombeiros disseram que não poderiam conter fogos espalhados por causa da violência. Pelo que se houve na revolta popular, a marcha da ferocidade procura comprimir o governo de tal forma que uma renúncia parece ser o objetivo da turba perigosa. Enquanto isso, a oposição questiona as medidas do governo e suas consequências.

Quando olhamos de longe, o mar é belo e azul. E em nossa equivocada avaliação caeté, pensamos que no mundo civilizado da Europa tudo é esplendor. Mas a aproximação das lentes sobre as águas mostra quão poluída são as massas que enganam. E na vez do acocho do cinto econômico, vão pulando as mazelas de dentro dos buracos à semelhança de ratos no porão. Está aí na Europa a repetição inglória dos antigos problemas da América Latina espoliada. Vamos seguindo, atenciosos, a mais essa provação do povo grego, os construtores de navios da mais saudável dieta do Mediterrâneo. E sem saber dizer de outra maneira, vem à frase por excelência do Sertão. Foi verdade, sim senhor ─ da Grécia só escapou a “cueca Zorba” ─ o resto O PAU COMEU.


A ESTRELA DE MANÉ GUARDA Clerisvaldo B. Chagas, 29 de junho de 2011.   Não sabemos se algum dirigente do Brasil andou consultando os búzios...

A ESTRELA DE MANÉ GUARDA

A ESTRELA DE MANÉ GUARDA
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de junho de 2011.

 Não sabemos se algum dirigente do Brasil andou consultando os búzios, cartas, runas ou coisas semelhantes a respeito do futuro pátrio. É sempre bom um trabalho duro, digno, decente, mas com muita esperança no resultado do labor. Nem todos nasceram para chegar à riqueza, até por que os mistérios divinos não permitem ainda que todos estejam nivelados por cima. Mas se não estamos nivelados por cima, também não estamos nivelados por baixo. E como temos um futuro sempre encoberto pelo nevoeiro da eternidade, é de bom alvitre conservar pelo menos uma dose de otimismo para alimentar o dia a dia. Gosto de ser simples nos escritos, mas sempre respeitar a nobreza da linguagem. Os textos imundos, chulos, que sempre chamam a atenção para o rejeito, retiram de nós até a simpatia que temos pelo escrevente. Isso também me faz lembrar certo humorista falecido cuja linha de trabalho era toda baseada nas imundícies do dia a dia. Sempre o evitei, pois náuseas me causavam a sua simples aparição. Conheço no Brasil pessoas talentosas que escrevem sempre para sites, porém, a linguagem constante sobre porcarias, tornam esses escritos penicos de hotel. E quem lida com excrementos todos os dias, não pode cheirar a sândalo. Premido, porém, pelo assunto de hoje, sou obrigado a utilizar esse expediente como arma necessária.
            Em nossa trajetória encontramos pessoas que não param de reclamar da vida. Algumas até com sucessivos “nomes” e palavrões que por isso até se tornaram conhecidas. Entre os inconformados com a existência estava o senhor Mané Guarda, um cidadão pobre de fala grossa, arranhada e devagar, prestador de serviço em Santana do Ipanema. Uma pessoa popular e querida por todos, apesar do seu constante mau humor. Certa feita, quando houve um comentário sobre o sucesso de um artista, Mané Guarda, foi enfático: “Todo mundo nasce com uma estrela na testa; a minha nasceu no c.... No primeiro p... que eu dei, ela voou na casa da peste!”
             “A PETROBRÁS anunciou nesta terça-feira sua ‘principal’ descoberta no pré-sal da Bacia de Campos. Segundo a companhia, foram encontrados ‘dois níveis de petróleo’ de boa qualidade no poço exploratório informalmente conhecido como Gávea”.
             Para os que afirmam que Deus é mesmo brasileiro, a razão parece sorrir a essa afirmativa. Enquanto estávamos pobres, o “mundo” estava rico.  O denodo, o otimismo, o trabalho constante do nosso povo, parecia clamar aos céus a nossa desdita no globo dividido. A descoberta de um oceano de petróleo foi como um prêmio total da loteria para um miserável. E o interessante é que essa dádiva nos foi ofertada no momento em que o nosso país havia se organizado completamente para poder ir ao crescimento. É como se após a higienização vestíssemos a melhor roupa para receber um presente há tempo sonhado. Depois de assombrarmos o mundo com a nova descoberta, eis que a PETROBRÁS continua descobrindo mares periféricos sobre o grande oceano do óleo. Quando Deus quer, modifica tanto o indivíduo, de repente, quanto um país grande ou pequeno, para transformá-lo num grande país. O mundo agora está mais pobre e o brasileiro mais rico. Pelo jeito, tanto sacrifício compensou. A estrela do Brasil, felizmente, não nasceu no lugar da ESTRELA DE MANÉ GUARDA.

NOSSO AMIGO PEDRINHO Clerisvaldo B. Chagas, 28 de junho de 2011.        Fechando a marcha junina, o dia dedicado a São Pedro parece ser o ...

NOSSO AMIGO PEDRINHO

NOSSO AMIGO PEDRINHO
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de junho de 2011.

       Fechando a marcha junina, o dia dedicado a São Pedro parece ser o último dia de Carnaval para os foliões.  O Brasil inteiro comemora as festas dos três santos, mas é na região Nordeste onde o auge dos festejos é atingido, graças à religiosidade, tradição, crenças e muito divertimento durante todo o mês de junho. Cada um dos santos desse chamado calendário junino tem as suas particularidades que os transformaram nos mais populares entre todos. São Pedro sempre foi o mais escolhido para piadas, anedotas, brincadeiras sadias ditadas pelo povo nordestino. Sua condição de chaveiro do céu, seu prestígio diante do Senhor, suas fraquezas antes do calvário e suas firmezas após o Gólgota, aguçam as brincadeiras dos seus seguidores na terra. Até mesmo inúmeros folhetos de cordel descrevem situações vexatórias e humorísticas das almas que procuram entrar sem merecimento no Reino de Deus. A chegada de Lampião no Céu; o embate do demônio com São Pedro; a festa no céu e a sabedoria do macaco estão entre centenas e centenas de escritos, piadas e anedotas que divertem bastante, mas não ofendem ao santo.
        Simão era seu verdadeiro nome e nasceu em Betsaida, província da Galileia. Filho de Jonas era casado e pescador. Certa feita, seu irmão André encontrou com Jesus e depois comentou com Simão. Simão quis conhecer o Messias e daí saiu à amizade que durou para sempre entre os dois. Temperamento impulsivo, mas homem generoso e de grande amor ao Mestre, Simão foi o escolhido para comandar a Igreja de Cristo, o que fez com muita firmeza e competência. Em Cesareia de Filipe, Jesus diz a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo que ligares sobre a terra será ligado também no céu, e tudo que desligares na terra será também desligado do céu”.
       Verificando os Atos dos Apóstolos, descobrimos a atuação marcante do apóstolo Pedro, principalmente nos dez primeiros capítulos. Foi ele o grande líder da comunidade cristã após a morte de Jesus. Integrou Matias ao colégio dos apóstolos para substituir Judas; e no dia de Pentecostes estava lá fazendo o seu primeiro discurso e convertendo mais de três mil pessoas. Está escrito também que realizou o seu primeiro milagre curando um homem coxo. Pedro foi preso, convocou o concílio dos apóstolos e ainda foi a Antioquia onde passou sete anos na direção da igreja. Saindo da Antioquia dirigiu-se a Roma onde permaneceu até ser martirizado em 29 de junho de 67 depois de Cristo. Como não se achava digno de morrer da mesma maneira de Jesus, pediu para ser colocado na cruz de cabeça para baixo. Pedro foi sepultado no lugar onde hoje é a Basílica do Vaticano e que leva o seu nome. Respeitado, venerado e admirado pelo povo brasileiro, continua nas brincadeiras folclóricas sendo tratado com muita intimidade pelos seus devotos, entre os quais o cronista que tem o prazer de chamá-lo carinhosamente de NOSSO AMIGO PEDRINHO.

NOSSO AMIGO PEDRINHO Clerisvaldo B. Chagas, 28 de junho de 2011                Fechando a marcha junina, o dia dedicado a São Pedro parece...

NOSSO AMIGO PEDRINHO

NOSSO AMIGO PEDRINHO
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de junho de 2011

              Fechando a marcha junina, o dia dedicado a São Pedro parece ser o último dia de Carnaval para os foliões.  O Brasil inteiro comemora as festas dos três santos, mas é na região Nordeste onde o auge dos festejos é atingido, graças à religiosidade, tradição, crenças e muito divertimento durante todo o mês de junho. Cada um dos santos desse chamado calendário junino tem as suas particularidades que os transformaram nos mais populares entre todos. São Pedro sempre foi o mais escolhido para piadas, anedotas, brincadeiras sadias ditadas pelo povo nordestino. Sua condição de chaveiro do céu, seu prestígio diante do Senhor, suas fraquezas antes do calvário e suas firmezas após o Gólgota, aguçam as brincadeiras dos seus seguidores na terra. Até mesmo inúmeros folhetos de cordel descrevem situações vexatórias e humorísticas das almas que procuram entrar sem merecimento no Reino de Deus. A chegada de Lampião no Céu; o embate do demônio com São Pedro; a festa no céu e a sabedoria do macaco estão entre centenas e centenas de escritos, piadas e anedotas que divertem bastante, mas não ofendem ao santo.
             Simão era seu verdadeiro nome e nasceu em Betsaida, província da Galileia. Filho de Jonas era casado e pescador. Certa feita, seu irmão André encontrou com Jesus e depois comentou com Simão. Simão quis conhecer o Messias e daí saiu à amizade que durou para sempre entre os dois. Temperamento impulsivo, mas homem generoso e de grande amor ao Mestre, Simão foi o escolhido para comandar a Igreja de Cristo, o que fez com muita firmeza e competência. Em Cesareia de Filipe, Jesus diz a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo que ligares sobre a terra será ligado também no céu, e tudo que desligares na terra será também desligado do céu”.
              Verificando os Atos dos Apóstolos, descobrimos a atuação marcante do apóstolo Pedro, principalmente nos dez primeiros capítulos. Foi ele o grande líder da comunidade cristã após a morte de Jesus. Integrou Matias ao colégio dos apóstolos para substituir Judas; e no dia de Pentecostes estava lá fazendo o seu primeiro discurso e convertendo mais de três mil pessoas. Está escrito também que realizou o seu primeiro milagre curando um homem coxo. Pedro foi preso, convocou o concílio dos apóstolos e ainda foi a Antioquia onde passou sete anos na direção da igreja. Saindo da Antioquia dirigiu-se a Roma onde permaneceu até ser martirizado em 29 de junho de 67 depois de Cristo. Como não se achava digno de morrer da mesma maneira de Jesus, pediu para ser colocado na cruz de cabeça para baixo. Pedro foi sepultado no lugar onde hoje é a Basílica do Vaticano e que leva o seu nome. Respeitado, venerado e admirado pelo povo brasileiro, continua nas brincadeiras folclóricas sendo tratado com muita intimidade pelos seus devotos, entre os quais o cronista que tem o prazer de chamá-lo carinhosamente de NOSSO AMIGO PEDRINHO.

O BURACO DA BOTIJA Clerisvaldo B. Chagas, 27 de junho de 2011. Esse estado alagoano já sofreu tantas agruras que uma simples boa notícia n...

O BURACO DA BOTIJA

O BURACO DA BOTIJA
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de junho de 2011.

Esse estado alagoano já sofreu tantas agruras que uma simples boa notícia nos deixa desconfiada. E se uma banal mensagem provoca desconfiança, imaginemos notícias de médio e de grande impactos. Somos vítimas há décadas dos ataques desvairados às nossas riquezas, pelos donos do poder, especialmente os poderosos do Executivo e Legislativo. O insano descalabro fez o nosso território ir à falência e a miséria absoluta onde congrega analfabetos e miseráveis tipos exportação. Enquanto a elite canavieira não pagava impostos, fábricas importantes e tradicionais iam fechando e migrando para outros estados. PRODUBAN, EMATER e tantos outros órgãos foram caindo como castelos de cartas. De um estado rico e progressista, passamos para uma situação comparativa a outras unidades da federação, qualidade ainda menos que província. As páginas do cotidiano vão sendo montadas nas folhinhas de parede com um índice social vergonhoso de descida ao fundo da cisterna. E o pior é ver o progresso célere de estados irmãos, ao lado da cabeça baixa do povo alagoano.
Quando o atual governo diz que organizou o estado desestruturado, falido, moribundo, esperamos que seja verdade. Quando o atual governo diz que se instalaram mais de quarenta indústrias em Alagoas, esperamos que seja verdade. Quando o atual governo diz que será implantado um estaleiro em Coruripe, esperamos que seja verdade. Ninguém suporta mais ser reboque de Pernambuco, Bahia e mesmo Sergipe. É um olho na verdade, outro no engodo. Um pé adiante, um pé atrás; orelhas erguidas numa desconfiança que nos impuseram e estar difícil de sair. Os acomodados dormem em berços esplêndidos, deixando pouquíssimas, raríssimas, quase nenhuma voz gritar a sua “alagoanidade”.
Dizem que estar chegando a Mineração Vale Verde para extração de ferro e ouro na região de Craíbas e Igaci. Falam em 165 milhões de toneladas de minérios que, de primeira, poderiam render um trabalho contínuo de quinze anos para a citada mineradora. As previsões falam que as obras do parque industrial devem ser iniciadas em 2012 e que estudos da empresa prosseguem o que pode levar a novas descobertas de jazidas. Bem, vamos ver se é verdade que essa faina estar impulsionando o desenvolvimento social através de trabalho e educação.
         Ainda hoje no Nordeste se fala em botija (aquele dinheiro e joias que as pessoas enterravam, pela ausência de bancos). Quando o camarada sonhava com uma delas, levava tudo que encontrava, deixando somente o buraco, para a frustração de quem descobria o rombo. É por isso que ainda ficamos desconfiados quando falam em tantas bondades juntas uma das outras. Esperamos que essa extração de ferro e ouro em território do nosso Agreste seja positiva; um fato provado e comprovado como honesto e digno propulsor de desenvolvimento; ou será mais uma sabedoria titã em levar o doce do garoto? Ai, ai, Dona Maria! Reza e vigilância, mulher, para não nos deixarem apenas com O BURACO DA BOTIJA.

FILHO DA TRADIÇÃO Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2011.              Filho legítimo da tradição junina, noite de São João fora de cas...

FILHO DA TRADIÇÃO

FILHO DA TRADIÇÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2011.

            Filho legítimo da tradição junina, noite de São João fora de casa, nem pensar. Disponível o ano inteiro para viagens, menos nas noites sagradas do São João e Natal, vamos mantendo a vontade de está em casa. Enquanto puder acender a fogueira do santo na rua pavimentada com pedras, vamos mantendo o ritual bendito das raízes, dentro do mais puro segmento interiorano nordestino. Faz parte da festa à peleja para acender a madeira misturada componente da fogueira. Os tufos insistentes da fumaça, o molejo da palha no abano comprado na feira, o esvaziamento da caixa de fósforos sem consistência, vão permitindo o recado do Criador que você ainda vive. Como o poder aquisitivo deu direito ao som para todos, o abuso musical acontece pela vizinhança, no padrão “ninguém pode conversar”. O milho chega ao momento certo e vira consumo nas mais variadas formas. As bebidas estão aí, para quem bebe e quem não bebe diante do churrasco tentador que tempera a conversa dos compadres. Não, não adianta telefonar me chamando que eu não vou, meu amigo. Já disse que noite de São João não saio de casa. Estão ali na mesinha, o quente e o frio se você me visitar, mas ir para lá, vou não. Não tem quem me faça, é assim que se diz por essas bandas.
          Quando os legítimos forrós do Rei do Baião vão desfilando, trazem a saudade danada de cada São João, de cada momento vivido, de cada item familiar que acompanha o tempo. Os olhos não resistem e, devagar, empurram duas lágrimas rebeldes que bem traduzem a dormência da alma. Ninguém percebe. Ninguém deve perceber o que é só meu. Deixe meu mundo interno escorrer até o copo tinto de vinho suave. As chamas do atilho queimam o angico, a aroeira e vai temperando uma nostalgia que maltrata. Uns olhos verdes e tentadores que chamam por cima do fogaréu. O Sol ardente do Sertão que tange um amor para os juazeiros, baraúnas, quixabeiras. Uma sequidão terrena que se mistura à seca de beijos, de nexos, de sexo. Suaves carícias no pipiri das caatingas. Arrulho de pombas rolas nos galhos retorcidos. Coaxar nas lagoas de inverno. Invasões temporárias de sentimentos viajados. Lençóis cheirosos sobre corpos sensuais. Despertar de um passado diante da fogueira. A fogueira de São João.

   "O fole roncou
          Lá no alto da serra
                   Cabroeira da minha terra
 Subiu a serra
E foi brincar

       Eu sei que morro
            De faca, de carabina
                   Mas o amor de Joventina
                   Me dá força pra brigar...”

          A chama da fogueira continua passando filme. Permanece, entra ano sai ano, reforçando um FILHO DA TRADIÇÃO.



DEU UM BRANCO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2011.           Para comemorar forte antes e no dia da fogueira, os Santos se reuniram...

DEU UM BRANCO

DEU UM BRANCO
Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2011.

          Para comemorar forte antes e no dia da fogueira, os Santos se reuniram e sob o comando de São João, vestiram branco, para o combate que se desenhava. O céu do Pacaembu produziu seu enfeite supra com a multidão santista lotando todos os lugares a que tinha direito. Gritos, urros, berros de alegria, davam a certeza de uma vitória que chegaria através do gramado poderoso da capital paulista. O povo do Peixe pressagiava com sua artilharia pesada, uma batalha dirigida contra um grande adversário. E sob o comando da turba ensandecida, os clarões de fogos de artifício mostravam os caminhos iluminados por onde trilharia o esquadrão da vila Belmiro. Os marcadores das arquibancadas vieram depois confirmando a beleza do quadro dessa noite memorável quando uma névoa decorativa tomou conta da paisagem esplendorosa. O Rei Pelé estava ali contemplando a cena, dando a força da sua presença, remoendo o passado de glórias santistas que impressionaram o mundo. Outras personalidades lotavam os camarotes juntos com a multidão contemporânea que iria coroar mais um rei no aguerrido time da vila.
          E sob o comando do velho feiticeiro do futebol, Murici Ramalho, o Santos não vacilou, não tremeu nem temeu diante da força e fama do seu rival. As cores do DETRAN do time uruguaio em nenhum momento foram terríveis como vinham sendo na campanha massacrante da América do Sul. Encolheu-se, perdeu força, sumiu com sua formosa garra massacrante. Sob o comando de Arouca que estava um furacão, Ganso, cuja simples presença levanta o moral da tropa e, Neymar que, mesmo não estando nos cem por cento das inspiradas atuações, é o novo rei, o Santos inteiro produzia. “A diferença técnica entre os times era gritante. O Santos, agora, tinha espaços para matar o jogo. O Peñarol tinha dificuldades para sair jogando. Não parecia possível o título escapar. Absolutamente”. O Santos não dava oportunidades, muito melhor, trocava passes e deixava na roda seu antes temido adversário. Enquanto isso, nas arquibancadas, a multidão enlouquecia ainda mais. Arouca apareceu em desabalada carreira. Tabelando com o companheiro Ganso e Neymar brinda a torcida com o primeiro gol, fazendo o delírio dos presentes no estádio. A porteira do tricampeonato estava aberta. Na vez de Danilo este disparou pela direita deixando o marcador e por dentro entrou para a história. Pé esquerdo na bola, canto direito do goleiro e novamente explosão da fiel torcida.
          Nem o gol contra, nem o juiz argentino, nem o ensaio de violência dos uruguaios, impediram a vitória do Santos. Abraços, beijos e vibrações que pareciam colar o torcedor nas arquibancadas, o desabafo de Pelé, a quebra da timidez de Ramalho, a entrega do prêmio aos jogadores e mais a estupenda vitória, foram coisas grandes em relação a troca de socos e pontapés entre alguns jogadores. Brasil cala o jornal inglês que disse que o futebol do Brasil estava morto. Pois o morto irá em breve ao título mundial. Enquanto isso entristece o Peñarol na noite dos Santos, no dia de Corpus Christi e na noite de São João. Com esse tão divino patrocínio assim, mais o alvor do terno santista, para o time de Montevidéu, não poderia ter sido de outra forma, simplesmente DEU UM BRANCO.


O CHOCALHO DA ONÇA Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2011 .             A lenga-lenga da OTAN continua rodando como dança de peru. Ass...

O CHOCALHO DA ONÇA

O CHOCALHO DA ONÇA
Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2011.

            A lenga-lenga da OTAN continua rodando como dança de peru. Assanhada pelos Estados Unidos que empurraram os parceiros na briga e negaram o corpo no embate, a Organização não sabe o que fazer em relação à Líbia. Todos sabem que o caminho correto através das armas, é uma invasão terrestre para pegar a muque o dirigente Líbio. Entretanto, ela ainda teme uma desmoralização ao adentrar esse território ou os gastos excessivos que terá que dispor numa invasão por terra. Com a Europa parcialmente quebrada, entra-se num baile sem roupa, com arrependimento durante e posteriormente. Ataques aéreos da OTAN na madrugada dessa segunda-feira (20), segundo a agência oficial Jana, mataram oito crianças e onze adultos. Parece que a cada momento e delongas da Organização, o homem da Líbia vai ficando mais resistente como carcaça de jabuti. A população aterrorizada vai pagando os pecados, tanto de um lado quanto do outro. O ditador e família não têm pena de sua gente, conduzindo-a ao sacrifício, formando escudos humanos para aumentar a carnificina. Quanto mais vítimas inocentes dos ataques aéreos, melhor o grito da matança para o mundo todo ouvir. O governo da Líbia vai costurando como pode suas estratégias mesquinhas para não deixar o poder. Do lado dos atacantes, os cabras vão fazendo como já dizia os mais antigos nordestinos: “Quem tem pólvora pouca não atira em anum”, pássaro preto ou branco do Sertão, bem difícil de ser atingido.
            Assim o tempo vai passando sem uma definição da guerra, cujo alvo diz que anteriormente os atacantes mataram cinco crianças entre seis meses e oito anos de idade, além de dez adultos, entre eles, marroquinos e um sudanês. Quando se anuncia a morte de pessoas de outras nacionalidades, também se usa uma estratégia de comoção dos países citados, como forma de atrair nações em favor dos supostos oprimidos. As bombas continuam caindo, destruindo prédios, mas pelo visto, reforçando a intransigência de Muammar. Então vem a conhecida história da onça que comia os bezerros das fazendas. Reunidos, os fazendeiros descobriram um jeito de alertar a todos quando a onça estivesse por perto. Seria colocar no felino um bom chocalho pernambucano. Sim, a ideia era ótima, mas quem iria colocar o chocalho na onça?
           E como dizem que “em tempos de guerra, notícias são como terra”, correm também as verdades, os boatos, às mentiras pelas rochas, pelos areais, pelos ares, enganando ouvidos cansados de vítimas sem nexo e sem rumo. O regime de Trípoli acusa a OTAN de ter matado 40 pessoas em seus ataques últimos na Líbia. Os atacantes tentam destruir depósitos de armas e terminam atingindo aglomerados civis. Às vezes a OTAN emite notas lamentando os erros, mas adianta alguma coisa? Os mortos voltarão à vida com essas desculpas friorentas?
          Ninguém sabe como esses sopapos da OTAN vão terminar. Eles criaram o monstro e agora querem eliminá-lo. Já sabiam desde muito cedo a história do guizo no felídeo. Até agora, entretanto, ficam somente por cima; ainda morrem de medo quando ouvem o CHOCALHO DA ONÇA.


SERÁ O BENEDITO! Clerisvaldo B. Chagas, 21 de junho de 2011 .           Esse negócio de Brasil no Conselho Permanente da ONU vai apertando...

SERÁ O BENEDITO!

SERÁ O BENEDITO!
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de junho de 2011.

          Esse negócio de Brasil no Conselho Permanente da ONU vai apertando cada vez mais, cingindo o pescoço dos donos da Organização das Nações Unidas. Isso é como aqui mesmo em Alagoas, Santana do Ipanema e Nordeste brasileiro. O sujeito passa um tempo em certo estabelecimento público ou misto, vai se acostumando ali e daqui a pouco é o mandachuva, o reizinho, o dono do prédio, das coisas, das pessoas que ali trabalham. Pensando sempre que o povo é besta, ali se arrancha a semelhança de ninho de casaca-de-couro; dali enrica vertiginosamente, acha pouco e aprecia ser homenageado, saindo-se como herói. Ai de quem falar! Contar o segredo é ser marginalizado socialmente, por que esse tipo de mafioso também é tremendamente nocivo à sociedade média lutadora.
          Pois são assim os que, após a segunda guerra, desenharam a ONU a seu modo. Ela é de todos, mas não é. Quem manda mesmo na Organização, pasmem, são aquelas mesmas potências cheias de interesses egoístas e suas geopolíticas de interesses dominantes, assim como moça bonita não suporta outra mais bela em seu espaço. Banco Mundial, FMI, são procedentes em todas as saliências onde mãos poderosas podem alcançar. Mas como nada é eterno nesse mundo e, a roda grande começa a passar por dentro da pequena, vai se avolumando a pressão sobre a carcomida ONU, por falta de oxigenação. O simples toque no assunto vai deixando arrepiada os eternos protetores do clube fechado assim como era com o tal G-8 que vive de roupa esfarrapada. Quem perde o crédito perde tudo. E o G-8 levado ao canto da parede de concreto pelas novas forças do mundo, abriu a porta de bronze pelo menos para o G-20, o que ainda é pouco.
          À medida que o assunto tabu vai rompendo o dique da resistência, frases a respeito vão surgindo, pipocando aqui e ali, a ponto de ser iniciativa de conversas mais públicas dos seus mandões. Como seu antecessor que veio ao Brasil, foi assim que chegou o Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Joseph Deiss, nessa segunda (20) para reunião com a presidenta Dilma. Reconhece o senhor Deiss que a ONU não representa mais a realidade de hoje. É preciso preencher vazios que contemplem a América Latina, África e Ásia. Sobre as Américas, os Estados Unidos não querem outro galo em seu terreiro. Pelo continente africano, é a própria UE que recusa a pobreza no poder. E especulando pela parte asiática, a China fecha a cara para a concorrência.
          Os problemas do mundo são as questões locais ampliadas. Os donos daqui são como os donos de lá; os “manés” daqui são como os “manés” de lá, escritos assim mesmo como letra de samba carioca. E se o mandão diz que “faz dezoito anos que se discute isso”, achamos que a discussão já atingiu a maioridade. Já pode ser presa e processada, ora bananas! Pois abram alas, velharias, que o Brasil pede passagem com Lampião, padre Cícero, Zumbi, Dilma Rousseff ou Chico Xavier. Índio quer assento na ONU, Já! SERÁ O BENEDITO!