BARRIGUDOS DA POLÍCIA Clerisvaldo B. Chagas, 18 de agosto de 2011            A chamada de atenção do presidente do Tribunal de Justiça de A...

BARRIGUDOS DA POLÍCIA

BARRIGUDOS DA POLÍCIA
Clerisvaldo B. Chagas, 18 de agosto de 2011
           A chamada de atenção do presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Sebastião Costa Filho à falta de preparo físico da tropa militar, repercutiu no estado. Aquilo que poderia ter sido uma chamada privativa caiu na Internet. Será que os praças barrigudos acharam bom? Acharam ruim ou levaram na “goga”, como diria um delegado já falecido? Quem tem problema mesmo com a saúde ou baixa a cabeça, envergonhado ou toma como conselho uma advertência pública e coletiva. O assunto faz recordar os soldados barrigudos farda cáqui, homens que destacavam no interior antigamente. As ocorrências eram poucas; o soldado sem muito compromisso com o corpo danava-se a comer galinha e buchada de bode na ociosidade das fazendas. Descansava na rede armada do quartel improvisado e deixava crescer a pança na vida modorrenta do interior. De vez em quando aparecia um magrinho fardado, “parecendo uma esperança”, o que os rapazes diziam: “Coitado, não aguenta nem u’a mãozada”. Surgia também dentro da farda o soldado doente, amarelo que parecia sem vida. Perguntava-se como aquele indivíduo iria prender um bandido perigoso. Mas o praça buchudo era comum no último furo do cinturão.
          Lá nas brenhas não era somente o soldado que era gordo. Havia comandantes mal feitos danados que adoravam comer, beber e dormir. Exercício? Ah! Os bandidos corriam demais pelas capoeiras abertas. Afinal, autoridade era autoridade, não é mesmo? O comandante-geral da Polícia Militar de Alagoas aceitou a crítica feita nessa terça (16). Ele tem razão quando fala que no universo de milhares de soldados, tem alguns que não se cuidam. Aliás, na hora de ingressar na Força, só aparecem atletas. Depois, com o tempo e com vários tipos de problemas que se vão acumulando, certas pessoas perdem de fato o controle sobre a própria grade. Mas é bom saber que a Corporação tem suas horas de física, academia, psicólogos, acompanhamentos diversos à disposição de todos. Quando o barrigudo não liga mesmo para nada, acomodado com a situação, é como se fosse uma pessoa com um vício que não quer largar. De qualquer maneira um civil qualquer não vai para frente do Quartel chamar os soldados de barrigudos. Só mesmo um presidente do Tribunal de Justiça. É pena que numa época de vaidade masculina em todas as idades, ainda se encontre a indiferença para o alinhamento.
          Sem querer zombar de maneira alguma da situação apresentada na Web, existe aí uma ótima oportunidade para o barrigudinho abrir os olhos e procurar ajuda.  Aliás, mesmo para os doentes, se houvesse uma ameaça ao pagamento dos obesos, muitos deles iriam ficar esbeltos do dia para noite, usando os diferentes métodos a disposição. É uma vergonha danada para um marginal atlético ser preso pelos BARRIGUDOS DA POLÍCIA.








A LUA DE ZERUBANO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2011.           Quando os americanos anunciaram a chegada do homem a Lua, houve c...

A LUA DE ZERUBANO

A LUA DE ZERUBANO
Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2011.

          Quando os americanos anunciaram a chegada do homem a Lua, houve certa euforia no mundo inteiro, inclusive, com declarações dos astronautas. Esse assunto rendeu muito na mídia internacional. Os Estados Unidos disputavam com a, então, União Soviética, o domínio do espaço que na linguagem da nossa terra traduzia em cada um que quisesse ser melhor do que o outro. Nas escolas, nas ruas, nas praças, igrejas e restaurantes não se falava de outra coisa a não ser a incrível aventura do engenho americano que se cristalizava em sonho realizado. Entretanto, o nosso vizinho, em Santana do Ipanema, homem bastante rude e durão chamado José Urbano (conhecido como Zerubano) fincou o pé na parede dizendo que não acreditava de jeito nenhum que o homem havia pisado na Lua sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo. Difícil era a garotada encostar para convencer o incrédulo. Ora, se para os adultos já era difícil dialogar com o vizinho, imaginem para rapazes como nós! O tempo foi passando, a literatura espacial ganhou corpo, os Estados Unidos ganharam mais fama ainda e os soviéticos engoliram a bucha inchando o pescoço. A partir daí, ninguém mais ousou falar que também havia chegado à Lua. A chegada americana por àquelas bandas, deve ter sido em razão de um simples cochilo de São Jorge, um susto tomado pelo seu cavalo branco... O certo é que não se tratava de coisa corriqueira.
          Com o mesmo entusiasmo comemorativo ao feito, setores ligados ao assunto parecem ter conhecido a suspeita do nosso vizinho de Santana e começam fortemente a dar razão a Zerubano. Os artigos publicados na mídia, falam da grande farsa do século passado, analisando, argumentando tudo, afirmando que tudo foi montado para ludibriar o povo e baixar o astral dos adversários da corrida espacial. Nunca soubemos também da opinião de Seu Lunga, o homem de Juazeiro mais ignorante do Brasil, motivo de várias matérias. Se tivesse sido consultado igualmente a Zerubano, a resposta seria imprevisível, no mínimo chamaria o perguntador de “abestaiado”. De qualquer maneira estão os desmentidos, argumentos e provas que, segundo esses estudiosos, o homem nunca foi à lua. Em quem acreditar agora? Bem que o nosso falecido vizinho arranjou bons aliados para sua tese sertaneja: “Mentira desses fios da peste!”.
          Ontem foi dia de parada nacional dos professores, saco de pancadas dos políticos. Repetem-se pelas ruas desse país as famosas passeatas, protestos, faixas, cartazes e palavras de ordem. Militando no Magistério em mais de trinta anos, vamos retirando do baú os mesmos retratos de caras diferentes colecionados em décadas. É nossa tradição filosófica popular quem diz: “Quando Deus dá a farinha o diabo vem e rasga o saco”. E o pior é que o diabo nunca esteve tão ativo a espreitar o salário do professor com o tridente de furar sacos. O homem foi à Lua ou não foi? Um dia o professor irá ganhar dignamente ou não? Quem já foi otimista não está mais seguro assim; portanto a tendência de mais de trinta anos em desfiles de avenidas, vai pendendo gradativamente para a LUA DE ZERUBANO.
·         Visite também o site do autor: clerisvaldobchagas.blogspot.com

BERRAR EM PAZ Clerisvaldo B. Chagas, 16 de agosto de 2011             Depois de tanto atraso e miséria, o crescimento econômico do No...

BERRAR EM PAZ


BERRAR EM PAZ
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de agosto de 2011

            Depois de tanto atraso e miséria, o crescimento econômico do Nordeste tem atraído importantes indústrias para a região. Um exemplo muito bom é a montadora de veículos, como a instalada em Camaçari, na Bahia. Quando uma grande indústria instala-se em uma região, a tendência é nunca ficar isolada naquele território. Outros investimentos são atraídos pela primeira iniciativa, começando um círculo virtuoso que vai mudando a olhos vistos, o padrão de vida regional. Impulsionada a economia, amplia-se o nível de emprego, melhorando as condições de muitos trabalhadores.
          Olhando de perto o mapa nordestino, temos uma área de 1,5 milhões de quilômetros quadrados. Isso equivale a mais ou menos a França, Alemanha, Grã-Bretanha e Itália reunidas. A população deve ficar em torno de 50 milhões de habitantes. Há pouco mais de dez anos, fabricávamos apenas produtos tradicionais em pequena escala. Está certo que o Nordeste sofreu muito, mas já é possível vislumbrar um progresso crescente, muitas vezes até acelerado como se fosse uma mentira bem contada. Esse progresso não vem homogêneo nos estados, mas o preenchimento da onda que não para, termina acontecendo em toda extensão nordestina, até por que os ramos da economia vão se completando em todos os territórios. Bahia, Pernambuco, Ceará e Paraíba, conquistam benefícios industriais para a periferia de suas cidades polos. Já houve até um estancamento da sangria migratória para o Sudeste, graças a esses novos motivos. São os fixadores dos jovens a própria terra através das oportunidades para quem estuda e quer trabalhar.
          Já produzimos autopeças, componentes químicos, softwares, roupas de grifes e calçados esportivos. Se formos olhar também para outros estados como Sergipe, Alagoas e Piauí veremos distritos industriais em pontos estratégicos. Muitas indústrias não olham somente para o Sul/ Sudeste, mais perto do MERCOSUL de fato, apostam também nas distâncias menores do Nordeste para a África, Estados Unidos e Europa na vez de exportar para esses destinos. Estamos despontando como segundo maior polo brasileiro na fabricação de têxteis e confecções e ainda o segundo produtor de calçados. Não vendemos apenas buchadas de carneiros e chocalhos, como antigamente. Chegou a hora da lapada com chapéu de couro em cara de onça. Agora sim, dos coqueirais aos mandacarus, das jangadas aos cavalos pés-duros, das marés perigosas aos serrotes do Sertão, correu a liberdade, finalmente chega à ordem triunfante: O nosso bode pai de chiqueiro já pode BERRAR EM PAZ.

OS CHOCALHOS DE AGRESTINA Clerisvaldo B. Chagas, 15 d agosto de 2011          Somos sertanejos apaixonados pelas coisas do Nordeste. ...

OS CHOCALHOS DE AGRESTINA


OS CHOCALHOS DE AGRESTINA
Clerisvaldo B. Chagas, 15 d agosto de 2011

         Somos sertanejos apaixonados pelas coisas do Nordeste. Gostamos de andar nas feiras semanais do interior, vendo, examinando, perguntando sobre tudo. É a vara de ferrão, a canga bem feita, o caçuá de cipó, o abano de palha, bonecos e animais de barro, folhetos de cordel e muitos outros objetos que caracterizam a nossa região, o nosso mundo particular nordestino com tantas e tantas histórias contadas. Entre esses objetos interessantes feito com arte, rudes ou bem polidos, vamos encontrando as bancas de arreios confeccionados pelos mais exímios artesãos. Está ali pertinho à banca de chocalhos, instrumento milenar usado na criação extensiva nordestina, muitas vezes associados à valentia de rixas de família entre brigas de coronéis de terras e cangaceiros. Lampião mesmo inicia sua vida atribulada amassando chocalho em desafio ao futuro inimigo José Saturnino.
        Antigamente no Nordeste inteiro ─ e atualmente ainda em algumas regiões ─ não havia cercas entre extensas fazendas de diferentes donos, heranças das sesmarias. O gado bovino, muar, equino e o chamado gado miúdo, criavam-se pela caatinga vasta, localizados pelos diferentes sons de chocalhos que levavam ao pescoço, cingidos por uma correia de sola. O mais interessante de tudo é que os sons desses instrumentos são diferentes, mesmo sendo fabricados com o mesmo material e do mesmo jeito. É por isso que cada proprietário identificava longe o seu animal, mesmo que vários chocalhos tocassem ao mesmo tempo. Geralmente o chocalho era colocado no líder do rebanho ou nas fêmeas amojadas (estas por causa de possíveis problemas nas parições, inclusive por ataques de predadores, como onças e carcarás).
         Agrestina, cidade pernambucana, localizada na Grande Caruaru, é a capital brasileira do chocalho. Cerca de 400 habitantes que vivem na área rural da vila Santa Tereza, trabalham nesse ofício cuja tradição vai passando as sucessivas gerações. Em toda a extensão da vila, ouve-se o som das batidas nos fabricos dos chocalhos, instrumentos de metal com badalo, semelhantes à campainha. Essas famílias tiram o sustento desse tipo de trabalho, exportando para todo o país, o que impulsiona a economia local. Agrestina também é região de brejo, tem suas cachoeiras, além de mexer com vaquejadas, repentes e aboios que atraem turistas que se deslocam para Caruaru, centro bem maior. Em um dos combates dos cangaceiros na caatinga, eles se aproximam do inimigo portando chocalhos, o que faz confundir os adversários com os animais da fazenda. Esse instrumento tão simples e tão útil, também serviu muito aos tropeiros ou almocreves com suas tropas de burros levando e trazendo mercadorias por todos os sertões dos nossos avós. Benditos os CHOCALHOS DE AGRESTINA.



















CADÊ AS TOUCAS? Clerisvaldo B. Chagas, 12 de agosto de 2011 .          Estão lembrados da nossa denúncia e apelo sobre os mototaxistas...

CADÊ AS TOUCAS?


CADÊ AS TOUCAS?
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de agosto de 2011.

         Estão lembrados da nossa denúncia e apelo sobre os mototaxistas? Aqui nessa terra da Mãe de Deus, as boas ideias são esquecidas facilmente ou são aplicadas com maquiação para esquecerem os donos das ideias. É como disse um cabra de fora radicado na ribeira: “É um ciúme da besta-fera!” Mas, deixando isso de lado, pois muitas coisas dessa cidade ainda estão para ser escancaradas, falávamos sobre a imundície da maioria dos capacetes dos mototaxistas. Vamos à palavra correta, fedor mesmo, com muito suor e agentes transmissores de doenças que proliferam em seu interior. Certa feita, quase colocamos os bofes para fora ao tentar só em pegar num peste daquele para levar à cabeça. Uma dermatose infeliz que deu trabalho curar! São várias as doenças que o passageiro pode contrair ao usar um capacete coletivo. Nós denunciamos essa situação, porém, tivemos o bom senso de alertar a Associação e os órgãos da Saúde responsáveis, usando ainda este mesmo espaço. A sugestão foi o uso de touca descartável para sanar de vez esse problemão da saúde pública. A associação dos moto taxistas, ou não consulta a Internet ou faz ouvidos moucos. A Área de saúde calada estava e calada continuou, seguindo seu exemplo a representante do povo, distinta Câmara de Vereadores. Os passageiros das motos continuam pegando piolho, lêndea, caspa e coceiras.
        Pois bem, o estado do Mato Grosso do Sul, acaba de publicar lei obrigando os mototaxistas a oferecer toucas descartáveis aos seus passageiros. A lei foi publicada no último dia dez e prevê multa de R$ 158,90, em caso de descumprimento. Na certa o estado do Mato Grosso do Sul leu a nossa crônica que Santana faz questão de não enxergar. O projeto é da autoria da deputada estadual Dione Hashioka do PSDB, mulher preocupada com a higiene e preservação da saúde de sua gente. Ali em Campo Grande, atuam cerca de 450 mototaxistas e em Dourados, cerca de duzentos profissionais. Ainda tem ganho sobre tudo isso, segundo a diretora do sindicato Idelúcia Boaventura, que acha que a exigência legal trará mais clientes para o segmento.
        Enquanto essa cidade da cabeça dura, Santana do Ipanema, parece ignorar a regra de melhor padrão de vida, vamos orientar também em outra coisa do mesmo assunto. Apresentar-se limpo aos clientes é fundamental para qualquer tipo de pessoa, cujo ramo é lidar diretamente com gente e não com bichos. Alguns profissionais baniram o costume do asseio e, ao odor e aspectos, somam-se ao já comentado interior dos capacetes. Estendam-se as observações a outros profissionais como vários dos transportes de linhas para cidades da vizinhança. Não sabemos o que a água e o sabão fizeram com certos motoristas profissionais que ficaram completamente marginalizados por esses condutores. Homens amem a si mesmo e respeitem a clientela! Meu Deus, como Santana é difícil! CADÊ AS TOUCAS?









NENHUM ANALISTA SABE Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2011 Toda a região onde se localiza a Síria é chamada pelos geógrafos, O...

NENHUM ANALISTA SABE


NENHUM ANALISTA SABE
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2011



Toda a região onde se localiza a Síria é chamada pelos geógrafos, Oriente Médio, Oriente Próximo ou Ásia Seca. Na realidade, aquele mundo faz parte do grande deserto do Saara com seus vários nomes regionais. Não é somente entender as milenárias histórias da região ou a espinha dorsal de todas, para entender a complexidade do assunto. Muitas nações fracassam nos apaziguamentos entre os homens do deserto, justamente porque não levam em conta as particularidades das populações com todas suas características diferentes das ocidentais. Geografia, História, Sociologia e Religiosidade, são coisas básicas para um razoável entendimento de uma área tipo “barril de pólvora”. A inteligência da península já foi regiamente apresentada nos bancos escolares, mas a estrutura peculiar do Oriente parece ser o âmago de perguntas e respostas. A onda pela democracia já explodiu, mas não é somente a busca por ela que permeia hoje as convulsões sociais. Existem muitos interesses em jogo, tanto dentro como fora das áreas de conflitos.
        Foi muito boa à presença do Brasil juntamente com Índia e África do Sul no diálogo encenado com o ditador sírio Bashar Assad, que promete acabar com a repressão nos próximos sete dias. Nessa brincadeira danada no país, já morreram em torno de duas mil pessoas na agitação revoltosa que vem acontecendo desde o mês de março. A presença do Brasil foi boa, juntamente com África do Sul e Índia, pelo menos para um ato de novos interlocutores no lugar dos tão babados Estados Unidos. O desgaste sucessivo do país americano de cima, chega a irritar de tantas e inúteis diligências. A Síria é ponto nevrálgico na geopolítica das nações, principalmente as desenvolvidas da Europa. Com o continente europeu sofrendo as agruras da crise financeira e Estados Unidos também, o vácuo é invadido, então, pelas três nações que fazem parte dos BRICS. No caso particular do Brasil, é mais uma oportunidade de firmar-se no cenário global em procura de influência e respeito cada vez maiores.
        Como os problemas da região são complexos, vamos entender depois o que é a “democracia pluripartidária” que o ditador Assad pretende implantar. O subsecretário-geral para Oriente Médio, embaixador Paulo Cordeiro, do Itamaraty, foi o representante brasileiro do encontro e mantém algumas dúvidas sobre o assunto. Cordeiro é muito claro quando fala que não se deve esperar muito de Assad. O homem herdou o trono do pai, quer ficar a vida toda no poder e ainda reclama da oposição. Isso faz lembrar a quem na sua terra, caro leitor? Ninguém quer largar o osso, mesmo que um mar de sangue forme-se em derredor. A cegueira aos anseios populares e o mar de sangue quase sempre fazem sucumbir o próprio cego afogado no borbulhar do vermelhão. O futuro da Síria também está em jogo, mas certinho, certinho mesmo como será o resultado, NENHUM ANALISTA SABE.






LONDRES SOB CHAMAS Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2011   Cercado de multicores astros que adornam as divinais galáxias, surge o p...

LONDRES SOB CHAMAS


LONDRES SOB CHAMAS
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2011

 Cercado de multicores astros que adornam as divinais galáxias, surge o ponto azul da Via-Láctea que indica a Terra. Apresenta-se um belo planeta no capricho do Criador com um punhado de criaturas que se vivem a digladiarem. Foi permitido privilégio inicial a um dos compartimentos, de comando sobre outras regiões desse mapa-múndi. E a riqueza europeia, construída sob o negro chicote do Velho Continente, foi vergando a coluna da América do Sul e Central, fazendo escorrer o sangue de pretos, ameríndios e moralmente brancos. Mas, apesar de séculos de história, esse território repisados de lutas, parece ainda não ter encontrado a supremacia que tanto buscou. O tempo foi maleável, mas nada garantiu. Nem mesmo a riqueza levada das entranhas tropicais, de formas mais abjetas, sugada sofregamente a seiva inicial. Como se não bastasse o tumulto pela democracia no perímetro árabe, ali vizinho, todos se voltam para o antigo centro do mundo, a capital da Inglaterra. Vão saindo às provas de que os gêneros de duas pernas do capitalismo de luxo também possuem os mesmo defeitos das ex-colônias de além-mar. Chá e Café revoltam-se com a mesmo intensidade, independente de cuia cabaça e cuia queijo do reino.
        Um homem morto por policiais originou conflitos de rua no bairro londrino de Tottenham. Dessa vez foi diferente da morte do brasileiro inocente, cuja Justiça da Inglaterra abaixou-se perante o seu nacionalismo. Ao ceifar a vida de um homem pacato, a polícia teve que enfrentar uma série de tumulto, confrontos com jovens que pediam justiça praticando inúmeros atos de vandalismo. Tanto a mídia internacional quanto a mídia inglesa classificava os tumultos como os “maiores distúrbios dos últimos anos na capital britânica”. A revolta londrina parece ser um acúmulo de inúmeros problemas sociais que de vez em quando explodem nas mais presentes capitais da Europa. Quem viu as imagens na mídia internacional, ficou chocado com a força da violência. Quebra de vidraças, incêndios, saques e confrontos bem que pareciam cenas da Segunda Guerra Mundial tal as chamas que subiam na capital do rio Tâmisa.
        O vandalismo londrino espalhou-se por outras cidades inglesas como Birmingham e Cameron. Em Liverpool a polícia enfrentou os manifestantes que queimaram vários automóveis. Foram colocados nas ruas, cerca de 16 mil policiais como protetores contra a onda de revolta. Patética foi a ação do prefeito de Londres que, ao sair com uma vassoura pelas ruas da cidade, recebia vaias e mais vaias que cortavam qualquer um dos seus pronunciamentos. É de se notar que alguns dos bairros atingidos inicialmente por essa onda violenta, são de minorias étnicas, com alto índice de criminalidade e desemprego, mas outros bairros de classe média também foram atingidos. E se em nossa expressão sertaneja dizíamos que o pau estar comendo, em algum lugar da América do Sul, voltamos nosso linguajar para a capital do mundo. Quem diria! Impossível, mas é verdade. A harpa do imperador Nero foi levada para os céus da Inglaterra a festejar com o depravado: LONDRES SOB CHAMAS.





ADEUS FEIRA DO PASSARINHO Clerisvaldo B. Chagas, 9 de agosto de 2011         O cotidiano comum também vai fazendo história em Alagoas...

ADEUS FEIRA DO PASSARINHO


ADEUS FEIRA DO PASSARINHO
Clerisvaldo B. Chagas, 9 de agosto de 2011

        O cotidiano comum também vai fazendo história em Alagoas.  Conhecemos a tradicional Feira do Passarinho, em Maceió, desde os nossos amargos tempos de repúblicas estudantis na capital. Ali estavam conosco os futuros médicos Erivaldo Braga das Chagas (nosso irmão mais velho), Dalmário Nepomuceno Gaia, mais o futuro prefeito de Carneiros, Aristeu e, o depois, empresário das confecções em Maceió, Juarez Delfino, entre outros. A Feira do Passarinho, nessa época, já era famosa, servindo aos mais desgarrados cidadãos de bem e aos mais perigosos ladrões e desordeiros que por ali se aninhavam. A Feira estendia-se na largura, de uma rua a outra, ocupando toda a longa calçada, invadindo barracos fixos e os trilhos da ferrovia. A fama daquela feira sempre foi enorme, atraindo para o ambiente imundo e não seguro até mesmo turistas sedentos de coisas inusitadas. Acompanhávamos quase diariamente as ações de alguns investigadores que se destacavam pela Imprensa, graças às ações praticadas diariamente na Feira do Passarinho, entre eles, o Cassimiro. Dali também eram estampadas as fotos e reportagens que exaltavam os feitos de bandidos assíduos do aglomerado. Quem quisesse comprar de tudo, como bicicletas, relógios, rádios de pilhas e outras coisas mais complexas, o lugar certo era as imediações do Mercado Municipal.
        Se a Feira do Passarinho já era famosa, nos últimos tempos passou a ser alvo de reportagens curiosas da mídia brasileira, por conta da passagem do trem pelo meio das bugigangas. Os ambulantes colocavam o material de venda sobre os trilhos imprensados entre barracos. No apito do trem, puxam os comerciantes suas mercadorias com tanta naturalidade como se nem houvesse perigo nenhum.
        O que nunca deu para entender foi a dificuldade de governos sucessivos em acabar de vez com a eterna imundície da Levada e toda a área da Feira do Passarinho. Sobre a remoção dos comerciantes locais, não tem cabimento o velho choro do jargão a “feira sustenta inúmeros pais de família”. Este problema social já devia ter sido resolvido há décadas. A resistência deveria ter sido enfrentada antes, quando uma estrutura digna tivesse sido construída para abrigar a todos. Esse medo das autoridades em enfrentar um problemão social e físico, fez com que se chegasse a tantas revoltas resistentes para modernizar o trecho. Aliás, nem se sabe ainda, se o local vai ser humanizado. O que urge é a presença do VLT para minorar questões que se arrastam sobre o transporte urbano. E se agora a Prefeitura corre contra o tempo para abrigar os comerciantes que ficaram sem espaço, dela mesma foi a culpa relativa às sucessivas gestões. Vamos desfilar no trem de luxo em terreno imundo, em paisagem degradante? Aguardemos os próximos cinco meses, previstos para o término das obras. Quanto ao novo local de comércio, somente o tempo dirá sobre a manutenção do nome de batismo da feira. Mesmo assim, já vamos acenando tal lencinho branco da janela do Veículo Leve sobre Trilhos: ADEUS FEIRA DO PASSARINHO!


IGNEZ MERECE Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2011   Com grande decência chega aos 86 anos de idade e 60 de carreira, a cantora, apre...

IGNEZ MERECE

IGNEZ MERECE
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2011

 Com grande decência chega aos 86 anos de idade e 60 de carreira, a cantora, apresentadora e folclorista Ignez Madalena Aranha de Lima, ou melhor, Inezita Barroso. Dona de uma poderosa voz e um amor exacerbado pela música de raiz do Sudeste e Centro-Oeste, Inezita sempre abraçou essa causa sem se envergonhar jamais do termo: “caipira”. Sua luta fazendo o que gosta, apresentando e divulgando as duplas da música sertaneja, sempre homenageando os velhos troncos que gravaram seus clássicos regionais para o Brasil inteiro, é uma dama da melhor expressão da palavra. É ela quem leva esse interessante lazer aos nossos lares, trazendo a pureza e a simplicidade do campo, para esse meio sonoro tão poluído de hoje em dia. Quem não conhece o limpo programa “Viola, Minha Viola”, gravado no auditório do teatro Franco Zampari, apresentado na TV toda quarta-feira? Gostaríamos também de participar daquele encontro às tardes da Avenida Tiradentes, em São Paulo. Numa época em que as coisas mudam extraordinariamente, Inezita nunca baixou a cabeça em levar adiante as raízes sertanejas. Isso vai lembrando grandes folcloristas alagoanos com Téo Brandão, Pedro Teixeira e outros abnegados cidadãos apaixonados pelas nossas tradições. Segundo página da “Folha”, vamos ouvindo o programa musical mais antigo da TV brasileira. Para comemorar a data, a Cultura exibe hoje às 9h, com reprise no próximo sábado, às 20h, uma versão especial do programa. Como nos bons tempos da era do rádio, Inezita aparece acompanhada de 27 músicos de orquestra, cantando alguns clássicos de sua carreira, como "Flor do Cafezal", "Meu Limão, Meu Limoeiro" e "Lampião de Gás". (FOLHA.com).
        Todos sabem como é difícil levar qualquer programa ao ar, principalmente relativo às nossas tradições, pois é logo chamado maliciosamente de coisa velha, coisa do tempo antigo, coisa que não se usa mais. É preciso muita determinação, persistência e ouvidos tapados para a continuação do objetivo. Se fosse, no caso de homem, diríamos que é preciso ser muito macho para levar o programa adiante e vencer todas as barreiras colocadas artificialmente no caminho a ser trilhado. No caso de Inezita, afirmamos que é preciso ser muito mulher, para enfrentar as ladeiras que levam ao sucesso. Aos 86 anos, completamente lúcida, apresentando seu programa sempre com alegria e simplicidade, Inezita Barroso soube conquistar os corações dos brasileiros que amam os nossos sertões.
        Inezita vai, garbosamente, gravando para sempre o seu nome no Brasil, na música de raiz e hoje, nós já a consideramos um ícone, um mito, a exemplo do insigne Ariano Suassuna. É assim que ela absorve toda homenagem preparada com esse fim, mesmo porque ainda cabe muito mais. Vamos continuar descansando a alma com as apresentações de Inezita as quartas e pelos menos sentindo o odor das suas caipirinhas (sem vodca) aos sábados. Parabéns mesmo Inezita Barroso, IGNEZ MERECE.

PÃO SUMIDO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de agosto de 2011            O menino pediu cinco pães doidos. Com interrogação à testa, a moça fico...

PÃO SUMIDO

PÃO SUMIDO
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de agosto de 2011

           O menino pediu cinco pães doidos. Com interrogação à testa, a moça ficou sem entender. O garoto foi claro: “Pai disse que o pão agora só tem casca, nada de miolo”. Bem assim outro menino esquecera o nome do pão francês (esse tipo em que se coloca produto proibido para ficar bem cocrante). Com a insistência do balconista, o danadinho se saiu por aqui assim: “É daquele que mela a mesa”. Sempre que passávamos em uma cidade sertaneja para trabalho de pesquisas, perguntávamos na padaria: “Tem pão cinza?”. Claro que a pergunta era sempre interior, pois ninguém vai comprar briga por causa de um pão. Apresentava-se uma bisnaga feita não sabemos como, mas que era cor cinza, era; e comível por ser a única do lugar. Pois bem, agora o pão nosso de cada dia foi diminuindo de tamanho.  E está sendo chamado nas casas das famílias de “pão de Santo Antônio”. É uma gargalhada só, com o engodo de algumas padarias. O pão de Santo Antonio é um pão muito pequeno, tradicional da Igreja Católica, distribuído aos seus fiéis no dia do referido santo. Ele é bento pelo sacerdote e, segundo tradição, deve ser colocado no depósito da farinha para que jamais falte comida naquela residência. Claro que tudo depende da fé. Pois parece que as padarias aderiram de uma vez por todas a tradição católica. Alguns pães, como o tipo crioulo, por exemplo, não resistem pelo menos a duas mordidas. Assim um novo título já surge no comércio: “Pão sumido”. “Pão sumido?” “Sim, seu Zé, pão sumido. Mais uma semana e ele desaparece”.
          Enquanto isso, o restinho da caatinga vai para o pátio das padarias. O tal do Meio ambiente nada faz porque não existe, é incompetente ou conivente com a destruição do nosso bioma. Certa padaria tentou resolver a situação comprando móveis velhos e plásticos rígidos, por isso a poluição do português, duas vezes ao dia, não tem vizinhança que aguente. “Quero um real de pão de plástico”. “O quê?” Recuo imediato: “Um real de pão”. Mês passado, ao reclamar da diminuição da quantidade de pães e do menor tamanho pelo mesmo preço, um cliente de uma padaria, recebeu do dono que estava no caixa, um recado na presença da fila: “Eu não chamei o senhor para comprar aqui”. Envergonhado, o senhor, já de certa idade, baixou a cabeça e mudou de padaria.
          Assim a população vai tocando a vida sem defesa alguma, em relação ao pão de Santo Antonio ou mesmo ao pão que o diabo amassou. Pão grande faz mal a saúde e sendo tamanho normal, pior ainda. Com falta de opção, portanto, só resta mesmo ao consumidor comer esse tão sacrificado PÃO SUMIDO.

CÉU E INFERNO SE MISTURAM Clerisvaldo B. Chagas, 4 de agosto de 2011         Vamos examinando a nova onda de refugiados no mundo e ficam...

CÉU E INFERNO SE MISTURAM

CÉU E INFERNO SE MISTURAM
Clerisvaldo B. Chagas, 4 de agosto de 2011

        Vamos examinando a nova onda de refugiados no mundo e ficamos penalizados com essa realidade. Muita gente deixando seus lares, suas origens, famílias e pátrias, espoliadas de tudo, sem direito mínimo, escapando com vida numa angústia sem fim. Arrancadas das suas origens, orgulho em xeque, dignidade por terra e esperanças nenhuma na visão lúgubre de um túnel sem luz. Arrastam-se as multidões com olhos fixos no horizonte desconhecido, no céu azul inalcançável, no solo que lhes viu nascer. E como se fossem rebanhos de nada, vão entrando em espaço ignorado, almas tênues, corações feridos, cenhos moribundos.
        Não estamos em guerra mundial, mas os nossos semelhantes refugiados no planeta havia chegado a 43,7 milhões em 2010. 80% dessas criaturas vão para países em desenvolvimento e 64% dos que se abrigam no Brasil são africanos. Outras informações baseadas na Agência da ONU para Refugiados dizem que o nosso país abriga refugiados de 77 nacionalidades, números que impressionam sobre a gravidade do tema mundial. As questões que expulsam os indivíduos dos seus países são as mais diversas como conflitos armados simples ou guerras civis, questões climáticas e catástrofes naturais. Algumas nações não querem estrangeiros, outras estabelecem cotas e outras ainda discriminam cor da pele, religiosidade, poder aquisitivo. No Brasil, segundo dados de julho deste ano, a maior representatividade de refugiados é a angolana que totaliza 1,6 mil pessoas. Os colombianos são 630 pessoas e cerca de 450, são oriundas da República Democrática do Congo. Mas o Brasil também recebeu pessoas do próprio continente numa proporção de 22,88%, mais 470 asiáticos e quase 100 de países europeus. Temos ainda, 250 refugiados liberianos e outros 200 iraquianos.
       Impressiona também a afirmação divulgada com a visita ao Brasil do chefe da Acnur, Antonio Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal e ex-presidente do Conselho Europeu: 43,7 milhões de pessoas, em dados globais, estavam fora de seus países ─ o maior número de refugiados dos últimos 15 anos. E o pior, segundo ainda Guterres, é que “há tendência de cada vez mais pessoas afetadas”. "Vivemos em seis meses uma crise por mês. Na Costa do Marfim foram 160 mil refugiados. Na Líbia, um milhão de pessoas cruzou as fronteiras. Depois teve Síria, Iêmen e a fronteira do Sudão e Sul do Sudão e agora a emergência dramática na África. Uma crise por mês em média e nenhuma das crises antigas se resolveu, as crises antigas não morreram", disse Guterres.
        E na complexidade humana onde explodem sentimentos, não cabe mais a Geografia do amor, da concórdia, da tolerância. O lobo do homem vai sendo cavalgado por ele mesmo, na incerteza da planície desvairada. É aqui no relevo deslubrante onde CÉU E INFERNO SE MISTURAM.  



600 CRÔNICAS Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2011   Não restam dúvidas de que estamos contentes com a marca alcançada de 600 crôni...

600 CRÔNICAS

600 CRÔNICAS
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2011

 Não restam dúvidas de que estamos contentes com a marca alcançada de 600 crônicas publicadas na Web. Identifico-me melhor no romance, peça literária ampla, complexa e a mais completa da Literatura. Na verdade gosto de ser chamado romancista. Dois romances publicados, dois no gatilho há bastante tempo e mais um em formação, todos são históricos e pertencem a série cangaço. Outros livros também estão no gatilho perfazendo um total de cinco, com mais três em formação e mais ainda a coletânea de crônicas da Internet que podem ser enfeixadas em livro.  Passada certa fase de indiferença, estamos dispostos a publicar todos eles. Nem a crônica nem outro gênero literário me atraem como o romance rural. O meu namoro com esse tipo de texto curto sobre o cotidiano, vem dos tempos do vozeirão de Edilson Costa na “Rádio Correio do Sertão”, quando publicamos 200 crônicas num programa chamado “A Crônica do Meio-Dia”, diariamente apresentado por Edilson, um mestre nesse tipo de leitura. Infelizmente todas foram destruídas por mim.
         Para preencher o vazio entre publicações de livros, iniciei novas crônicas no blog que mantenho até hoje: (clerisvaldobchagas.blogspot.com) com as crônicas diárias, menos os sábados e os domingos. O trabalho inicial foi “Comendo boi, comendo onça”, falando sobre corrupção eleitoral. Convidado depois pelo professor Valter, o site SantanaOxente passou a hospedar o meu blog, aumentando assim a audiência. Após convite do empresário Malta Neto, passei a apresentar as crônicas também em seu site Maltanet. Recentemente, também a convite do empreendimento de Sérgio Campos e Lucas (seu filho), estamos no site alagoasnanet. A capacidade criativa dessas pessoas citadas e seus familiares fez surgir uma rede informativa em nossa urbe, prestadora de relevantes serviços nessa nova área de comunicações da “Rainha do Sertão”. Sinto-me orgulhoso de fazer parte com meus trabalhos das páginas publicadas por essas pessoas: pratas de casa, ouros da terra.
        Para escrever crônicas tive que adaptar meu estilo de romancista para o texto curto. Não foi fácil. Mantive a linguagem erudita, porém simples, com o adendo sertanejo, pois é importante clareza no que se escreve, sem cair na vulgaridade. O restante ficou pelos truques mágicos, coloridos de quem escreve, das mexidas constantes em palavras, frases de efeito e tantas outras figura de estilo. Gostaria de receber convites também de outros sites da cidade, da região e do país para reprodução das crônicas. É marcar encontro por e-mail e conversar, somente isso. As 600 crônicas na Web, completadas hoje, percorreram o mundo, com leitores nos acessando com frequência em países como Estados Unidos (maior parte), Holanda, Rússia, Canadá, Alemanha, Ucrânia, Reino Unido, Croácia e Itália. Prova que deu certo, graças à força dos sites citados acima aos quais “agradeço de coração” como dizia o saudoso primo, vereador e advogado, Tácio Chagas Duarte. Estaremos hoje no programa “Liberdade de Expressão” da Rádio Milênio, às 11 horas, quando seremos entrevistados por outro valor da terra na área de comunicações radiofônicas, Flávio Henrique. Participe. Comemoremos juntos, essas 600 CRÔNICAS.

BRINCANDO COM DEUS Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2011   Jesus exemplificava o pensamento fixo na riqueza sem atenção ao Criador. Fo...

BRINCANDO COM DEUS

BRINCANDO COM DEUS
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2011

 Jesus exemplificava o pensamento fixo na riqueza sem atenção ao Criador. Foi a parábola do homem que pensava colher uma grande safra e imaginava aumentar os celeiros  e abarrotá-los. Passaria o resto da vida somente descansando com o que amealharia. Insensato, disse Jesus. Antes da meia noite a morte veio e levou o homem. Esses insensatos estão espalhados pelo mundo inteiro. Eles não pensam em Deus, mas somente em enriquecer cada vez mais. Quando não é a riqueza é o poder ou os dois juntos. Eu e você, leitor, conhecemos muito bem um bocado desses cabras que não se saciam com os acúmulos ilícitos dos seus bens e as sujas contas bancárias. Arrotam o poder e deixam crescer a barriga para mostrar uma prosperidade à custa do leite das crianças, da merenda escolar, dos salários dos miseráveis. Quando resolvem passar perto de uma igreja é para comprar o vigário com benesses e puxar o saco dos santos, como se eles fossem da mesma laia e acatassem seus desatinos. Esquecem completamente da existência dos olhos de Deus e não param a máquina malévola de formar reais. Na ganância temerária geram cúmplices dos seus asquerosos planos, mulher e filhos que fazem ouvidos moucos a ética do bem viver. Todos, marido, mulher, filhos e filhas formam um bando de ladrões do nosso suor. Tornam-se perseguidores dos que não comungam com suas ideias e até um ou cinquenta reais são tomados dos mais pobres. E para dizer de um modo torto, de um modo não cristão, como um funcionário perseguido falou indignado: “De vez em quando a peste leva um”.
          Pulando dos que você conhece para a Venezuela ─ país irmão que ainda não deu sorte com seus dirigentes ─ somos obrigados a conviver com um carbono da besteira. Continua o fura-penico de lá, irritando os tímpanos do equilíbrio. Romantizando o tempo dos gibis, torna-se beija-pés do matador de gente de Cuba e, arrogante massacra povo e imprensa do seu país. Cinicamente vai à mídia para dizer que só deixará o poder em 2031. Não que desejemos a morte de seu ninguém, pois a vida é dom de Deus e só Ele sabe quando deverá ser colhida. Mas mesmo com um câncer a roer-lhe às entranhas, o insensato “fura”, não pretende deixar o trono, tal um cão faminto que não quer largar o osso. Enquanto o mundo árabe estoura, consciente da liberdade do homem, e abala o BBC (Bem Bom Clube) dos déspotas regionais, o cabra, já sem cabelo, ainda ignora os desígnios do seu Criador.
        E o pior é que nesse mundo calejado, não faltam zumbis mundiais e matutos bestas que falam em ideologia com demonstrações de intelectos fúteis. Tem muita roupa para ser lavada e algodão a ser colhido. Mas também existe tanta covardia no povo que as pragas se prolongam até como castigo pela omissão popular. Com seus uísques legítimos à mesa ou com suas radioterapias no couro, eles, os que você conhece e os outros, continuam rindo de nós e BRINCANDO COM DEUS.












S.O.S. CANAPI Clerisvaldo B. Chagas, 1º de agosto de 2011           Mais uma vez o Sertão alagoano teve um excelente inverno. Bastante t...

S.O.S. CANAPI

S.O.S. CANAPI
Clerisvaldo B. Chagas, 1º de agosto de 2011

          Mais uma vez o Sertão alagoano teve um excelente inverno. Bastante tempero nas chuvas que chegaram lembrando os tempos dos nossos pais: boa distribuição de chuvas e um frio que ressuscita a velha frase sertaneja: “Tá caindo gelo”. Isso faz lembrar a moda dos antigos bons invernos de Santana do Ipanema e região com o clímax na festa da padroeira. Surgiu a moda da “japona”, um bonito casaco, baseado nas japonas da Marinha que, tanto era elegante quanto matava a frieza pertinente desde os meados de maio aos meados de agosto. Os homens desfilavam entre o meio mundo de brinquedos que abrilhantavam o novenário da santa, muito bem protegidos, sim senhor. Era mais ou menos no tempo da camisa “Volta ao Mundo” que tanto sucesso masculino causou no Brasil e, particularmente, por aqui. Ah! E haja música no parque com Waldick Soriano, Silvinho, Ângela Maria e tantos outros cantores, interrompida pela moça que anunciava: (“Para o rapaz da japona azul” ou “Para a moça da flor no cabelo”, assina, você já sabe).
         Pois bem, esse ano, além do bom inverno, houve muita “folia” em Santana do Ipanema, meu amigo. Desde a “Festa da Juventude”, emendando com a de Senhora Santa Ana, com tantos eventos e bandas musicais famosas nas ruas que foi preciso ser bom maratonista para ser testemunha de tudo. O dinheiro que foi gasto não sabemos dizer, não senhor. Mais foi tanta nota de real correndo pela diversificação do comércio que muita gente ficou rica. O movimento pelas praças, avenidas, ruas centrais e periféricas, tinha carro igualmente a Avenida Fernandes Lima, em Maceió. Julho passa para agosto com um dia inteiro de chuva em Santana, dando adeus a grande época marcante dessa terra. Água, pasto, gado gordo, visita da presidenta a Alagoas; incentivo à cultura da mandioca e outras, liberação de verba para esticar o Canal do Sertão e, finalmente a possibilidade de espetar a bola de sopro da dívida alagoana. Você quer mais, ou está bom?
        Mesmo assim, nem tudo é alegria no semiárido. Com tantos festejos do céu e da terra, as reinvindicações do povo canapiense vão se aproximando da velhice. O Alto Sertão, rouco de gritar por décadas a fio, parte para novas ações que não sejam somente da velha garganta. Enquanto outras cidades daquela área ganharam asfalto estadual (que de certo modo desviou o movimento para o polo Santana) Canapi ficou de fora. Cortada pela BR-316, em matéria de estrada o trecho é somente buraco e lama. Sua economia fica comprometida em tudo enquanto contempla o progresso chegando a municípios circunvizinhos. O trecho entroncamento Carié ─ Inajá, é uma vergonha alagoana e nacional. Tem razão os nossos conterrâneos sertanejos em cobrar com várias ações continuadas. Estamos solidários à luta daquele simpático e bravo município para integrar a última cidade sertaneja aos benefícios do asfalto. E se a garganta não dá mais, reivindiquemos agora com foguetes. S.O.S. CANAPI.




LAMPIÃO, A FESTA DOS MORTOS Clerisvaldo B. Chagas, 29 de julho de 2011 Série cangaço Nº 05 – Final            Consolidada a hecatombe de An...

LAMPIÃO, A FESTA DOS MORTOS

LAMPIÃO, A FESTA DOS MORTOS
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de julho de 2011
Série cangaço Nº 05 – Final

           Consolidada a hecatombe de Angicos, as onze cabeças dos bandidos foram salgadas e colocadas em um saco, pendurado num caibro, para serem retiradas nos ombros do local até a margem do rio São Francisco. O soldado eliminado no combate, o ferido e os despojos, também foram transportados com dificuldades. Os soldados estavam sem comer a três dias, a não ser rapadura com farinha, segundo o comandante. (Os corpos seriam sepultados ali, sem condições, dias depois). Em canoa subiu o cortejo macabro até a cidade de Piranhas que ouviu o tiroteio da madrugada. Piranhas assustou-se logo cedo por que um tiro deixou todos em alerta. Fora um acidente, quando um cidadão disparou uma arma contra a esposa. Logo as volantes entraram triunfantes em Piranhas, comandante ensanguentado à frente, à moda cangaceira. Os soldados traziam pelas ruas as cabeças degoladas penduradas pelos cabelos. Todos se dirigiram à casa do tenente João Bezerra, impregnando o ambiente da residência de suor e sangue. Dona Cyra, esposa de Bezerra, estava apavorada por causa da filhinha de berço, logo transportada para outra residência. Os soldados pulavam, dançavam, jogavam perfumes apreendidos, uns nos outros e cantavam “Mulher Rendeira”, numa alegria se fim. A cidade inteira comemorava e atirava para cima, invadindo a casa do tenente para contemplar as cabeças que depois foram colocadas em latas de querosene, com álcool, e expostas organizadas como troféus nos degraus da Prefeitura (foto que ainda hoje corre mundo). Depois as cabeças foram transportadas para Santana do Ipanema, em caminhões levando a tropa, sendo apresentada antes em outros lugares do trajeto. (Obs. inúmeros detalhes foram omitidos no todo, ficando para os livros anunciados).
             Em Santana, a festa de posse do interventor Pedro Gaia, emendou com a chegada das cabeças. Houve feriado nas escolas, o comércio fechou, banda musical apareceu e um desfile dos soldados e comandantes enaltecia o feito pelas ruas da cidade. Entrevistas, discursos e bebidas assoberbaram em Santana do Ipanema. Os presos do cangaço de antes de Angicos, espiavam a folia pelas grades do quartel, como a ex-cangaceira Aristeia, mulher de Catingueira II. Santana do Ipanema, sede das operações contra o cangaço em Alagoas, com seu 2º Batalhão de Polícia, comandado pelo major José Lucena de Albuquerque Maranhão, recebeu de Maceió, um enviado para aplicar injeções de formol nas cabeças dos cabras abatidos em Angicos. As onze cabeças foram expostas do mesmo jeito de Piranhas, nos degraus da igrejinha/monumento de Nossa Senhora da Assunção, sobre uma toalha branca. Havia uma multidão enorme com gente até de outros estados brasileiros, inclusive fotógrafos e repórteres de revistas famosas do Brasil.
             As cabeças depois seguiram para Palmeira dos Índios, expostas como em Santana, Limoeiro de Anadia, Mosquito e São Miguel. (Temos detalhes). A cabeça de Lampião e Maria Bonita seguiram à frente para a capital e, as outras chegaram depois, de trem. Houve apresentação das cabeças e delírio coletivo em Maceió. O governo premiou a tropa em cinquenta contos no geral. Os soldados ganharam um conto de reis, cada, e os comandantes foram promovidos. Bezerra foi internado para retirar bala alojada na coxa esquerda, em cirurgia. Viajou ao Rio de Janeiro chamado por Getúlio Vargas, mas depois caiu no esquecimento. Notícias e fotos percorreram o Brasil e o mundo no dia em que Santana do Ipanema e Alagoas mostravam Lucena, Bezerra, Aniceto, Francisco Melo e povo no último evento de Virgulino: LAMPIÃO, A FESTA DOS MORTOS.

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LAMPIÃO, A HECATOMBE DE ANGICOS Clerisvaldo B. Chagas, 28 de julho de 2011 Série cangaço Nº 04   Vergonhosamente protegido pelo govern...

LAMPIÃO, A HECATOMBE DE ANGICOS

LAMPIÃO, A HECATOMBE DE ANGICOS
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de julho de 2011
Série cangaço Nº 04

 Vergonhosamente protegido pelo governador de Sergipe, acossado incessantemente pelas volantes de Zé Rufino (Bahia) e dos nazarenos (volante dos meninos), chefiada por Manoel Neto (Pernambuco) que invadiam o solo sergipano, ficou difícil para Lampião. Foi o assecla buscar refrigério na fronteira Sergipe/Alagoas, onde contava com muitos protetores desde coronéis a coiteiros simples, gente do povo. Nesse refrigério, recebia balas e armas de pessoas importantes e jogava carteado com a polícia na casa do velho Bié das Emendadas. A carta do promotor de Água Branca, Alagoas, denunciando essa situação, fez Getúlio apertar os governadores e estes a seus comandantes de polícia. Segundo autor abalizado, o tenente Bezerra, tramou com o coiteiro Pedro de Cândido um envenenamento a Lampião. Nos meados de julho, vindo pela última vez de Pernambuco, Virgulino, em Sergipe, cenário do grande rio, convocou seus subgrupos para um encontro no coito de Angicos (uma grota cercada de morros com um riacho que despeja no São Francisco). Por outro lado, sem sabe dessa traição ─, pois, ambos eram amigos de Virgulino ─ o vaqueiro e também coiteiro Joca do Capim, incomodado com as traições de sua mulher com o cangaceiro Querosene, resolveu trair o bando, ao sargento Aniceto, que não sabia da trama de Bezerra e Pedro de Cândido. Após muitas minúcias (que o leitor irar ver nos livros “Lampião um raio de perigoso” e “Lampião em Alagoas”) Bezerra resolve (após enviar comida envenenada por Pedro de Cândido e seu irmão Durval), invadir a Grota de Angicos. Só teve essa coragem, entremeada de indecisões, por causa do aspirante Francisco de Melo e, seu ordenança o feroz Mané Veio (Antonio Jacó) que nada sabiam sobre o veneno.
          Numa noite chuvosa de inverno, escuro e “frio de matar sapo”, as volantes alagoanas, guiadas por Pedro de Cândido e seu irmão Durval, cercaram a grota dos Angicos na madrugada de 28 de julho de 1938. Na hora em que Lampião e mais alguns poucos cabras (provavelmente três) beberam o café, Lampião caiu sentado na rede, revirando os olhos e morreu rapidamente. Os outros três rodaram e tombaram, uns para frente, outros para trás (conforme depoimento de Paturi, o cangaceiro escondido que viu tudo).  Quando foi anunciada a morte de Lampião, aos gritos, teve início a fuzilaria. Ao encerrar o primeiro horror do salve-se quem poder, teve início a fase do inferno: Saque generalizado, mortes dos moribundos, chistes e taras com o cadáver de Maria Bonita (degolada viva) e o horrendo cortar de cabeças, dedos e braços na ânsia pela riqueza. Os mais beneficiados ficaram com o grosso, dinheiro e joias dos mais ricos: Bezerra com a fortuna de Lampião, Mané Veio com a de Luiz Pedro.
         Os onze mortos foram: Lampião, Maria Bonita, Quinta-Feira, Cajarana, Enedina, Luiz Pedro (Esperança II), Mergulhão II, Elétrico e os outros três que ainda hoje são mudados pelos entendidos: Moeda, Alecrim e Colchete II. (Dizem agora que Alecrim escapou, foi descoberto e concedeu entrevista). Ah, cangaço!
         Os inúmeros detalhes de muitas páginas não cabem somente numa crônica, neste dia de aniversário de 73 anos da morte de LAMPIÃO, A HECATOMBE DE ANGICOS.
Continua. 



LAMPIÃO A FERRO E FOGO Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2011 Série cangaço Nº 03 Lampião não brincava em serviço. Bebia pouco e pensa...

LAMPIÃO A FERRO E FOGO

LAMPIÃO A FERRO E FOGO
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2011
Série cangaço Nº 03

Lampião não brincava em serviço. Bebia pouco e pensava muito. Através do tempo e da inteligência montou sua estrutura e estratégia militar. Iniciou o seu próprio bando em 1922, com apenas cerca de catorze homens, remanescentes do bando de Sinhô Pereira. Quando passou em Alagoas e daí foi ao Juazeiro atender o chamado para combater a Coluna Prestes, em 1926, contava com um bando em torno de 106 homens. Tinha até um corneteiro chamado Mormaço, provando mais uma vez o seu gênio militar. No princípio, gostava de exibir grandeza atuando com o bando inteiro. Ao ser destroçado na campanha da retirada de Mossoró, em 1927, reduziu o bando na sua reorganização para a média de sessenta cabras, divididos em subgrupos próximos de seis homens, comandados pelos de confiança. Os seus homens de confiança eram chamados de “os grandes do cangaço”, “o estado maior do bando”, “os maiorais” ou “compadres de Lampião”. Ao chamar um cangaceiro de compadre, Virgulino assegurava o certificado da confiança e o cabra passava a ser um dos grandes da quadrilha. Para se tornar um dos grandes, o cangaceiro ia crescendo nas ações, até chegar a chefe de subgrupo. Virgulino, espontaneamente ou através de pressão ou sequestro, obrigavam rapazes a fazer parte do bando, substituindo as suas baixas. Foram os maiorais de Lampião, cangaceiros como: Sabino (famoso na Paraíba), Corisco (famoso em Alagoas), Antonio Ferreira (Esperança), Ezequiel (Ponto Fino), Mariano, Virgínio (Moderno), Luiz Pedro (Esperança II), Mergulhão I, Arvoredo, Cirilo de Engrácia, Antonio de Engrácia, Moreno, Zé Sereno, Zé Baiano, Ângelo Roque (Labareda), Fortaleza, Moita Braba, Gato I e até mesmo Português.
         Lampião, em entrevista no Juazeiro do Norte, em 1926, dizia girar em torno de duzentos combates enfrentados por ele. Durante o seu nefando reinado, entre 1922 e 1938, são incalculáveis os medonhos tiroteios acontecidos. Os destaques da carreira, entretanto, ficam em quatro, segundo unanimidade de opinião: um em Alagoas (combate do Serrote Preto), dois em Pernambuco (combates do Poço Branco e o da Serra Grande) e um em Sergipe (combate da Maranduba). O primeiro combate, o de Poço Branco, aconteceu em Pernambuco perto da atual cidade de Inajá, logo após dois combates em Alagoas: o do Cipó do Gato e do Chicão, em 1921. Lampião deixou pistas propositais para uma emboscada feita a Lucena Maranhão. Aí em Poço Branco (início de carreira) foi tão perfeito na estratégia que ficou sendo considerado estrategista militar nato. Poço Branco foi o combate que o projetou, daí a sua importância. No combate de Serra Grande, em Pernambuco, em 1926, derrotou várias volantes reunidas, dos maiores nomes perseguidores do cangaço. Esse foi o combate da consolidação militar; o maior de todos, sessenta e poucos cabras contra cerca de 300 atacantes. Serrote Preto em Alagoas (1925) e Maranduba em Sergipe (1932) repetiram os sucessos anteriores.
          De aperto em aperto, de combate a combate, o velho Sertão nordestino resistia à cartucheira e ao desvario de LAMPIÃO A FERRO E FOGO.

* Continua.






LAMPIÃO, ACHADO E MORTO Clerisvaldo B. Chagas, 26 de julho de 2011 Série cangaço Nº 02   Não existe uma divisão concreta na vida e ações d...

LAMPIÃO, ACHADO E MORTO

LAMPIÃO, ACHADO E MORTO
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de julho de 2011
Série cangaço Nº 02

 Não existe uma divisão concreta na vida e ações de Virgulino Ferreira da Silva. Entretanto, estudando sua trajetória, podemos localizá-lo de acordo com o ponto de vista do interessado. Baseado nisso, vamos, então, enquadrá-lo, grosso modo, em três períodos e os períodos em fases, apenas para situar o leigo, didaticamente, antes de penetrar no miolo das ações.
          Período primeiro:
         A – Fase de adolescência (região de morada, em Pernambuco);
         B – Fase de confusões e lutas com vizinhos e nazarenos (Pernambuco);
          C – Fase de trabalho em Alagoas.
          Período segundo:
         A – Fase entre trabalho e arruaças (Alagoas);
         B – Fase entre o trabalho e cabra do bando dos Porcino. Cangaceiro manso;
         C – Fase como cangaceiro profissional no bando de Sinhô Pereira.
          Período terceiro. (Chefe de bando):
         A – Fase em Pernambuco (com ações fronteiriças em Paraíba/Alagoas);
         B – Fase curta da Epopeia Mossoró. (Paraíba, Rio Grande e Ceará);
         C – Fase na Bahia;
         D – Fase Bahia/Sergipe;
         E – Fase Alagoas/Sergipe.
         Os seus antigos chefes, os Porcino e Sinhô Pereira, não tiveram a disposição nômade nem a energia necessária para acompanharem Lampião. Não possuíam espírito cigano, dando preferência as lutas em torno das regiões onde moravam (os Porcino no oeste de Alagoas, Água Branca/Mata Grande; Sinhô na região do Pajeú, Pernambuco). Virgulino já saiu do bando de Sinhô com o apelido que o engrandeceu, quando atirava com muita rapidez no escuro e o clarão do seu rifle foi comparado a um lampião. Virgulino deixou as vizinhanças do arruado Nazaré, pressionado pelos nazarenos que se tornaram seus maiores perseguidores e tinham nas veias o mesmo sangue. Gradativamente, com o gosto pelas andanças, foi atuando cada vez mais longe, chegando a percorrer e assombrar partes de sete estados nordestinos. Quase todos os estados não tinham estrutura de combate ao banditismo naquela forma, situação em que Ferreira ocupou esse imenso mundo de caatinga e por longo tempo se deu bem.
        A partir da organização do sistema de forças volantes, suas logísticas e aperfeiçoamento, Virgulino que reinava absoluto, começou a apertar-se, chegando o seu bando de mais de cem homens, a ser destroçado na volta de Mossoró e ficar reduzido a oito cangaceiros quando conseguiu escapar com vida e fugir para a Bahia. Após certo período de mansidão, voltou às atividades criminosas naquele estado. Com a reorganização das volantes, teve início o seu declínio. Foi ele quem introduziu o cangaço organizado na Bahia, Sergipe e Alagoas. Seus grandes perseguidores mais famosos foram os nazarenos (verdadeiros heróis) com os irmãos Flor e Manoel Neto; e Zé Rufino na Bahia. Virgulino desencarnou com mais 10 companheiros em Angicos, Sergipe, em 28 de julho de 1938. Lá na frente, Samateu, irmão de Sila, Mergulhão, Marinheiro e Novo Tempo, disse a um repórter: “Quando o governo quis achar Lampião, achou”. Falou certo: LAMPIÃO, ACHADO E MORTO. * Continua.