CUMBUCA Clerisvaldo B. Chagas, 20 de janeiro de 2012   Andando na caatinga, caçando nas capoeiras, feriando no povoado Pedrão (pé) íamos a...

CUMBUCA

CUMBUCA
Clerisvaldo B. Chagas, 20 de janeiro de 2012

 Andando na caatinga, caçando nas capoeiras, feriando no povoado Pedrão (pé) íamos aprendendo e vivenciando usos e costumes que marcavam a vida. Descobríamos o singelo, o prático, a beleza lírica da ingenuidade louçã. No mundo rural aprendemos a descascar laranja, tangerina, com a unha, dispensando faca; a fazer flauta de talo de abobreira; a provar melão-de-são-caetano, emaranhado nas cercas; a colher bucha natural de lavar pratos no arame das estacas; a fazer farinha, distinguindo mandioca de macaxeira; a pinicar palma; a escovar os dentes com rapa de juá; a distinguir aió, bornal, coxim; montar cavalo em osso; assoviar e ser feliz. Para se capturar pequenos animais, é escolhida uma trilha movimentada pelos roedores. Um retângulo com certa profundidade é cavado no solo, cujo buraco é tampado com talas em forma de gangorra, cobertas de folhas. Arataca, Fosso perfeito para quedas de preás e mocós desconfiados. Por sua vez, a arapuca é uma pirâmide de talas, levantada e escorada em um lado por um gatilho sensível. Serve tanto para pequenos roedores quanto para aves e pássaros. O laço feito de fio de rabo de cavalo, é colocado diretamente na borda do ninho do pássaro, para capturá-lo vivo.
           E nesse meio interessante ainda existe a velha e conhecida cumbuca, forma de armadilha para capturar macacos. Consiste o objeto em uma cabaça previamente limpa por dentro, com um orifício de certo diâmetro, onde caiba a mão fechada de um símio. A isca consiste em uma banana. O macaco, curioso por natureza, encontra a cumbuca, examina tudo, inclusive o interior e tenta retirá-la. A mão fechada com a fruta não pode ser retirada, mas o macaco esquece de largar a isca. A cabaça presa por algum liame captura o animal, quando o caçador vem apanhar a sua presa. Os macacos mais experientes não cometem o erro da tentação. Daí o ditado sertanejo que diz: “Macaco velho não mete a mão em cumbuca”.
          Somos metidos a superiores e os macacos nos imitam. Porém, quase sempre estamos imitando os macacos. Passamos nossas vidas inteiras metendo mãos em cumbucas, muitas delas tão apertadas que dificilmente nos safamos. Elas estão armadas em todos os galhos da árvore da existência: no trabalho, na ambição, no sexo, no poder, no dinheiro e na vaidade que nos escravizam. Quando paramos para uma reflexão, por mais simples que seja, sentimos a maciez da isca, seu aroma escravista, seu diâmetro estrangulador. Sabemos a saída que liberta, robustece e glorifica, dificílimo é largar a banana como macacos novos deslumbrados com ilusão. Vamos juntos, leitor amigo, tentar desprezar a isca dourada, abrir a mão presa e deslizá-la para fora da CUMBUCA.




CASCO DO BOI Clerisvaldo B. Chagas, 19 de janeiro de 2012 Crônica nº 700                    Houve uma época na minha adolescência, em que o...

CASCO DO BOI

CASCO DO BOI
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de janeiro de 2012
Crônica nº 700
        
          Houve uma época na minha adolescência, em que o município de Santana entrou na moda de corrida de cavalo. Improvisavam-se os mais diferentes espaços públicos na cidade e no campo para as movimentações paralelas: disparadas de animais por um lado, desfiles de maços de cédulas por outro. Interessante às apresentações das mais diferentes raças e origens dos quadrúpedes. Cavalos gordos, magros, bonitos, feiosos, cheios, esqueléticos de variadas cores e tonalidades, desfilavam sem pejo dos seus donos, antes das corridas, como verdadeiros campeões. Essa moda parece-me, foi encerrada no plano do lugar Barroso, onde está situado hoje o cemitério São José. A multidão, sem proteção alguma, aguardava o embate ao longo da pista, quando um dos cavalos bateu e matou o cidadão chamado Jacinto Vilela. O santanense perdeu o gosto pelo esporte sem estrutura. Tempos depois foram as brigas de touros ocorridas nas fazendas que deslocavam a populaça para o novo e perigoso lazer dos nossos finais de semana. Mais dinheiro circulando na rudeza pesadas da força bruta.
          Quando ambas as modas acima foram embora, chegou o novel gosto pela vaquejada urbana, transformada em corrida de mourão, mas com nome “vaquejada” mesmo, como se os lances de habilidades campesinas, acontecessem à semelhança das mangas e fazendas das caatingas. Apesar do gosto rural e urbano do povo que habita essa cidade, Santana nunca conseguiu “amarrar” um calendário desse esporte no município. Os acontecimentos são esporádicos, espaçosos, em variados lugares. Ocorre ao contrário em municípios vizinhos que asseguram esses eventos regularmente, tendo com exemplos, Dois Riachos, Olho d’Água das Flores, Cacimbinhas e Major Isidoro. É bom saber que o miolo das festas, envolvem negócios como gado diversos, cavalos, artesanato, queijos, leite, manteiga, iogurte e máquinas agrícolas. Claro que a vaquejada é uma festa bruta, onde não pode faltar cerveja e cachaça e, quase sempre armas brancas escondidas sob couros e tecidos. Os prêmios estão ficando cada vez mais valorizados, onde vaqueiros conseguem a proeza de viver ganhando automóveis nos circuitos nordestinos.
          No auge da vaquejada em Santana, o conhecido médico filho da terra, Dr. Dalmário Gaia, investiu em terreno no Bairro Camoxinga, com essa finalidade. Passada a euforia, o excelente terreno foi loteado e deu origem a inúmeras ruas e avenidas com suas casas de luxo. Recentemente todo esse trecho foi pavimentado, dando aspecto mais nobre à região. A juventude talvez não saiba que as imediações da casa de comércio José Balbino, Centro Bíblico, Creche, Ginásio de Esporte, vieram de fato da vaquejada, do verdadeiro ritmo idolatrado do CASCO DO BOI.


O TREM     Clerisvaldo B. Chagas, 18 de janeiro de 2012           Lá pelo final dos anos cinquenta, aproximadamente, vários jovens desta...

O TREM

O TREM   
Clerisvaldo B. Chagas, 18 de janeiro de 2012

          Lá pelo final dos anos cinquenta, aproximadamente, vários jovens destacavam-se na sociedade santanense, alguns carregando seus respectivos apelidos. Como eu tinha apenas dez ou doze anos, mantinha uma distância enorme dessa plêiade que não exibia alguém menor de dezessete. Caso de apelido, todos conhecem. Uns são indiferentes, outros partem para matar. Lembro que dois jovens estudantes do Ginásio Santana, entraram em conflito na Praça da Bandeira, quando o apelidado não gostou e foi buscar um punhal para atacar o jovem Hugo de José Maximiliano. Quase acontece uma desgraça. O apelido, porém, nunca saiu das costas desse cidadão que é hoje empresário e bastante conhecido em Santana. Entre outros, também existe um comerciante que entrou na brincadeira que se exaspera e pode cometer loucura se você chamá-lo pelo vulgo. Porém, o palhaço de um circo que esteve na cidade, muito talentoso, parodiou um “frevo”, com os apelidos dos rapazes. Os frevos estavam em voga, na época e não paravam de tocar nos serviços de alto falantes, como uma praga. Alguém deu para o palhaço o apelido dos rapazes (alguns frequentadores dos cabarés da cidade, onde faziam farra com as prostitutas, inclusive formando o famoso trenzinho).
          Durante uma das noites, o circo estava lotado, quando chegou à vez do palhaço cantor. Esse jogou a bomba que para muitos é proibitiva até hoje. Numa perfeição incrível com a letra original do frevo, cantou e o circo quase veio abaixo:


“Zé Pinto
Cadê Agilson,
Chama logo o maquinista
Vamos à estação;
Josa é a máquina
Genival é o condutor
Henaldo é o foguista
Guarda-freio é Zé Yoyô;
Com a luz apagada
A turma agarrada
Passa a brincar de trem;
Zé Torreiro entra afobado
Trazendo João Badalo
Agarrado no seu pão;
Vamos, vamos, minha gente
Que o Porronca já chegou
Bolinha está acolá
Djalma a gaguejar
Que o trem já vai parar”.

 É pena não recordar o nome do frevo. Esse assunto já foi abordado por outro escritor, inclusive participante da música. Estou lembrando o assunto, mas sei que ainda hoje tem personagem aí que pode correr atrás do saudosista como vaca braba do sertão. Fui. Cansei de esperar O TREM.












ERA UM LUXO DA PESTE!                Clerisvaldo B. Chagas, 17 de janeiro de 2012   Para muita gente o navio Costa Concordia nem existe,...

ERA UM LUXO DA PESTE!

ERA UM LUXO DA PESTE!
              Clerisvaldo B. Chagas, 17 de janeiro de 2012

 Para muita gente o navio Costa Concordia nem existe, pelo seu alto luxo e toda engenharia proibitiva desafiadores dos simples mortais. O seu tombo em águas italianas vai lembrando grandes tragédias de outras famosas embarcações nos mares do Norte ou mesmo em rios que sustentavam o alto luxo e o orgulho ao mesmo tempo, desafiadores qual torre de babel, a zombar de um Deus inexistente. A vaidade humana, ao bater o olho diante de tão sofisticada máquina de navegar, rende-se ao capricho, duvidando sim senhor que ali não seja um céu verdadeiro e particular onde mora o sentimento felicidade. Se falarmos na capacidade de abrigar pessoas, o Concordia tinha capacidade para 3.780 passageiros juntamente com uma tripulação de mais de mil membros. Além disso, havia quatro piscinas, quadras de tênis, futebol, basquete, vôlei e academia de ginástica. Cinco restaurantes e treze bares matavam a fome e podiam sustentar o vício de quem quer que fosse durante a temporada no cruzeiro. Quanto aos camarotes, havia apenas mil e quinhentos deles, centenas com varanda para o deleite dos privilegiados mortais.
         Custa também a acreditar que uma “belezura” dessa tenha sido entregue a um irresponsável como foi amplamente divulgado após as primeiras impressões. Diante do que vai sendo mostrado, esse comandante parece carregar todos os pecados de um amador, de um bêbado, um débil mental, um receptor de loucura repentina, ou um planejador de mortes coletivas. As ações insanas do comandante são mais fantásticas do que a própria estrutura do navio. Falam em seis pessoas mortas e 69 desaparecidas até agora, numa noite de grande prazer que virou pesadelo profundo bruscamente. O rei dos mares, diante do orgulho de tantos que trabalharam para fazê-lo existir, vai ao fundo do mar com um simples bico de pedra que lhe rasga as entranhas. De fato a bruxa está solta para os lados elitistas da Europa.
          Agora vem o segundo ato com a ameaça ecológica pelos arredores. O óleo pesado do navio ameaça a ilha de Giglio, com seus moradores entre 500 e 5.000 pessoas em temperadas. Além disso, falam que ali existe um santuário de baleias que não precisa de petróleo nenhum para mover seus animais. Retirar os destroços do navio do imprensado onde ele se meteu, está gerando preocupação e nervosismo em todas as partes interessadas.
        Conversando com um visitante a minha casa, este fazia comparação entre o mundo quase irreal do navio e uma pessoa riquíssima à custa do alheio, cujo mundo desaba de repente. Até o visitante pareceu absorto, quando deixou escapar baixinho, a frase derradeira: ERA UM LUXO DA PESTE!

BYE BYE INGLATERRA Clerisvaldo B. Chagas, 16 de janeiro de 2012           Revolução Industrial começou na Inglaterra, com vários fatores co...

BYE, BYE, INGLATERRA

BYE BYE INGLATERRA
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de janeiro de 2012

          Revolução Industrial começou na Inglaterra, com vários fatores contribuindo para esse pioneirismo inglês. O acúmulo de capitais foi um deles, consequência das grandes expedições marítimas financiadas pela burguesia que fez expandir o comércio. No campo, os donos do capital passaram a investir melhorando a produção, mas provocando o êxito do trabalhador para a cidade, para os trabalhos duros das fábricas. Outros fatores como a posição geográfica, o crescimento da população, foram decisivos nesse processo. Porém, importante mesmo foram as jazidas de carvão que impulsionaram as máquinas baseadas no carvão mineral. Os outros países da Europa só contavam com o carvão de madeira, comum. O capitalismo se consolidou definitivamente com a Revolução Industrial, que foi substituindo o comércio como principal setor de acumulação de riquezas. Não restam dúvidas de que esse progresso industrial foi realizado com grande exploração sobre a nova classe operária, em diversos sentidos. Com a consolidação da indústria na Inglaterra, esse setor produtivo vai aos poucos se espalhando por outros países vizinhos e chega ao Japão e Estados Unidos.
          Com seu capital, indústria e marinha poderosa, a Inglaterra passa a fazer o papel que os Estados Unidos fizeram após a Segunda Guerra, com seu ar de burguesia dominando e influindo no mundo inteiro. Inúmeros episódios Inglaterra/Brasil não nos trazem boas lembranças. Sua liderança foi substituída pela nação americana, a Inglaterra estruturou-se, conseguiu um excelente padrão de vida para a sua população, mas há certo tempo parecia estagnada.
          Independente da crise europeia, a dinâmica brasileira pegou ritmo, expandindo essa consolidação não somente no mercado interno, mas fazendo ver ao mundo que alguma coisa diferente estava acontecendo, fora da rotina capitalista que bocejava na Europa Ocidental, Central e Meridional. Essas sucessivas cravadas posições do Brasil trouxeram agora a 6ª posição econômica mundial para nós, quando a nossa marinha do PIB, atropelou a velha marinha da Inglaterra. Tomamos dos ingleses, ex-donos do mundo, a 6ª posição. Em breve seremos a 5ª potência mundial, ultrapassando também a França, mas dizem que perderemos depois a posição para a Índia. Que seja! Mas não vamos sofrer por antecipação. É bom saber que são poucos os que estão hoje  a nossa frente como os Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França. Para não ficar muito triste, nem também muito eufórico, basta o Brasil levantar a bandeirinha verde e amarela e agitar com aquele sorriso maroto: BYE, BYE, INGLATERRA.


MANO E O IPANEMA Clerisvaldo B. Chagas, 13 de janeiro de 2012 Mesmo não englobando o total de indivíduos, todos sabem da grande paixão b...

MANO E O IPANEMA

MANO E O IPANEMA
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de janeiro de 2012

Mesmo não englobando o total de indivíduos, todos sabem da grande paixão brasileira pelo futebol. Mas como uma paixão exacerbada por uma dona, o tempo pode se encarregar aos poucos de um tempero gelado que tange essa quentura. Os exemplos surgem em caçuás por todos os lugares nas mais diversas situações. É como se dissessem que nada é eterno, não passando de retórica a célebre frase “eu te amo para sempre”. Depois, quando não é a indiferença, o enjoo, pode ser até o ódio que substitui a velha paixão que não nos deixava dormir de ansiedade. E se o esfriamento das relações faz parte do cotidiano entre homem e mulher, naturalmente outras coisas menos importante repetem o efeito do desgaste no juízo vivo. Nosso gosto pelos vícios ou pelos esportes parece que segue essa mesma linha, principalmente quando as decepções são os mesmos filmes desgastantes que incomodam. A Seleção Brasileira de Futebol, não está isenta desse desgaste. Batida, surrada, decepcionante, tem afastado inúmeros torcedores dos estádios e das poltronas nas horas dos malogros. O técnico Mano pode até ser competente, mas representa muito mais um enorme Iceberg de que uma pulsação humana. No momento, sem futuro Mano, sem futuro a Seleção, sem fogo, sem brilho, sem estrela. Nosso antigo entusiasmo por ela, ainda hoje corre.
            Isso faz pensar seriamente no futebol da terra. O Ipanema, sempre polêmico há muito tempo em suas sucessivas diretorias, novamente se encanta e deixa o torcedor santanense vendo desfiles de nomes em Alagoas que vão honrando e movimentando o lazer de outras cidades interioranas como Palmeira dos Índios, Olho d’Água das Flores, Penedo, Igaci e agora o Pilar. Menos o seu. Há dezenas de anos que é assim. Uma propriedade particular muito disputada internamente, mas dotada de um agrotóxico que asperge invisivelmente sobre seus admiradores, sobre sua cidade, sobre sua tradição que leva a se pensar em outro representante moderno com novas estruturas. Nossos domingos permanecem vazios, nosso futebol continua sendo as peladas das areias do rio seco que banha essa urbe.
          Quando falamos no técnico Mano e na mediocridade da Seleção, vamos casando a frieza do homem com a trajetória local do Ipanema. Nem lá e nem aqui. Estamos mais para Túlio Maravilha no CSE de que o Mano para técnico do Ipanema e Ricardo Teixeira na diretoria. Sem nenhuma brincadeira, sem nenhuma piada de mau gosto, você sabe como erguer o time canarinho do sertão? Estar dando trabalho até refletir sobre o assunto desse pacote de enrolar prego: MANO E O IPANEMA.

BALA VAI E BALA VEM Clerisvaldo B. Chagas, 12 de janeiro de 2012           Cada pessoa tem um ponto de vista, maneira própria de sentir ...

BALA VAI E BALA VEM

BALA VAI E BALA VEM
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de janeiro de 2012

          Cada pessoa tem um ponto de vista, maneira própria de sentir as coisas que a cercam. Pode até ser apenas impressão, mas nos parece que àquela fase aguda em que havia sempre um perigoso em cada bairro, o dono do pedaço, o terror dos trabalhadores, ou acabou ou diminuiu drasticamente em Santana do Ipanema. Ninguém podia circular na Floresta a partir das 20 horas, na região acima da Escola Lions. Os bandidos chamavam os transeuntes de otários. No Lajeiro Grande, bairro da região alta de Santana, todos os dias surgiam mais uma cobrinha, algumas com atuações no próprio bairro e na área rural, apavorando a população pacata e indefesa. Lideranças do mal surgiam como concorrentes na Lagoa do Junco, na Rua da Praia, no Artur Morais e mesmo na Rua Santa Quitéria conhecida por seu contingente de pessoas do trabalho. Essa impressão de quietude geral que chega até nós (não a dos assaltos e assassinatos) parece ser fruto de uma “limpeza” feita na cidade, não se sabe ao certo por quem. Polícia? Grupo de extermínio? Charlie Bronson isolado? Ação educativa das comunidades?
          Pelo menos essa aparente quietude vai permitindo ao santanense um fôlego maior em busca de qualidade de vida. Entretanto, a concorrência do mal também parece ter resistido mais forte no chamado Bairro Artur Morais. Trata-se, na verdade, de um aglomerado que dá suporte ao fundo do comércio da Rua Tertuliano Nepomuceno, cortado pelo riacho Camoxinga, no trecho, apenas um grande esgoto a céu aberto. Antes, lugar chamado “Matança”, onde se abatia os bovinos, agora um pequeno emaranhado de ruas estreitas, calçadas, que não escondem a pobreza do baixio. Bem muito antes, o Largo do Maracanã era a “menina dos olhos” da delegacia de polícia. Um sucesso de ocorrências que saía a frente entre todos os outros locais da “Rainha do Sertão”. Nos novos tempos, o Bairro Artur Morais entrou e gostou da mídia que estampa com frequência suas figuras grotescas do tráfico e do crime da pistola. Gente vai ficando famosa no mundo da bandidagem, adquirindo prestígio, graças aos novos meios de comunicação. Recentemente saiu uma nomeação engraçada dos personagens do Artur.
          Os moradores honestos que enfrentam a luta diariamente vão vivendo num imprensado perigoso. Não muito longe dali, está situada a delegacia na parte mais alta do Aterro. Conforme informações, o prédio vai caindo aos pedaços e os presos furam as paredes com cabos de vassouras. De qualquer maneira interessava a nós a boa notícia na melhoria das arruaças dos bairros. Aguardamos com esperança que o Artur Morais também seja pacificado. Por enquanto, para quem aprecia o sistema de quentura, pode descer pela Rua do Barulho, Ponte do Urubu, passagem molhada, para fazer poemas esquisitos ou simplesmente degustar: BALA VAI E BALA VEM.

IPANEMA, UM RIO MACHO Clerisvaldo B. Chagas, 11 de janeiro de 2012     Por uma questão de bem informar aos nossos leitores: mesmo não ...

IPANEMA, UM RIO MACHO

IPANEMA, UM RIO MACHO
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de janeiro de 2012

    Por uma questão de bem informar aos nossos leitores: mesmo não tendo sido lançado oficialmente, deve estar circulando na praça cerca de duas centenas do livro “Ipanema um rio macho”. Esse paradidático da nossa autoria é um documento sobre o rio Ipanema, jamais publicado e interessa de perto a cidades como Santana do Ipanema, Poço das Trincheiras, Batalha, Olivença e Belo Monte, principalmente. A primeira parte fala sobre a Geografia do rio em Pernambuco e Alagoas, quando o Ipanema é completamente dividido em trechos descritivos, das nascentes à foz, com destaque para a Natureza. A segunda parte fala da parte social, de tudo que o rio representou para a formação dessas cidades. A terceira parte é um interessante e inédito diário de viagem de Santana do Ipanema à Barra do Ipanema, município de Belo Monte, feita a pé através do leito seco do rio. Depois, outra viagem desde a serra do Ororubá, em Pesqueira, Pernambuco, até Santana do Ipanema, nas mesmas condições.  Os personagens dessas incursões foram além do autor, o comerciante Benedito Pacífico, Wellington Costa, radialista, e o, então, estudante João Soares (Quem-Quem). Encerramos o livro com uma peça teatral: “Sebo nas canelas, Lampião vem aí”. Excelente para universitários, professores, estudantes em geral, sociólogos, geógrafos, e todos os interessados pelo mais importante acidente do Sertão alagoano.
          A capa do “Ipanema um rio macho”, ficou a cargo do artista plástico Roberval Ribeiro. Uma situação inédita levou o livro a essa circulação antecipada por parte da editora. Recuperando-se, porém, de uma situação cirúrgica, prometemos para breve um lançamento oficial à altura para dialogarmos de perto com o nosso eleitor exigente e caro. Alguns dias mais e o “Ipanema” estará em convite e cartazes nos pontos de Santana, nas cidades citadas e nos portais importantes do estado, quando mais algumas centenas de exemplares passarão às mãos de estudantes e outros interessados que comparecerem ao lançamento. Relíquia passará a ser, sem dúvida alguma o documentário máximo sobre o rio Ipanema. Mesmo que você já tenha adquirido um exemplar, fazemos questão da sua importantíssima presença no dia do lançamento que será amplamente anunciado. Aguarde convite ou novo convite. Gostaríamos também de lançá-lo na sua repartição, particularmente se você se propuser.
          Se não viu, logo verá IPANEMA, UM RIO MACHO.


Obs. O livro em parceria com o professor Marcelo Fausto, “Lampião em Alagoas”, já está sendo lapidado e conta com cerca de 220 páginas. Alagoas e o Nordeste vão ficar de queixo caído!


O TERNO E A GRAVATA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2012 Viveu em Santana do Ipanema, Alagoas, o cidadão José Ricardo. Morava em...

O TERNO E A GRAVATA

O TERNO E A GRAVATA
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2012

Viveu em Santana do Ipanema, Alagoas, o cidadão José Ricardo. Morava em uma casa confortável, seis prédios à esquerda da residência de meus pais, à Rua Antonio Tavares. Apesar do acesso ao quintal ser muito alto e repleto de degraus, era divina a paisagem que se deslumbrava em direção ao rio Ipanema, tendo como pano de fundo os serrotes do Gonçalinho, Cruzeiro e a serra Aguda. Ricardo era um homem de bem, como ainda hoje é a sua respeitável família. Foi comerciante com excelente sorveteria no cruzamento da Rua Nova com a Avenida Coronel Lucena. Apesar de ser honesto e respeitado, o comerciante era introspectivo e duro, vivendo mergulhado no seu mundo austero e particular. De vez em quando este garoto passava pela esquina da sorveteria para se deliciar com os picolés do senhor José Ricardo. Levado pelas circunstâncias da época, eis que um dia o senhor José foi nomeado delegado civil daquela belíssima cidade sertaneja. A princípio, tudo normal, como acontecia com as indicações para o espinhoso cargo.
          Não tenho certeza se era tempo de inverno, mas o poço dos Homens, o mais famoso do rio Ipanema, no trecho, estava altamente convidativo para os banhos prolongados e prazerosos por trás das casas comerciais. Algumas mulheres moradoras das imediações desciam como lavadeiras para a parte mais larga do poço. Assim, tudo indica que chegou uma queixa à delegacia sobre excesso de alguns banhistas. José Ricardo tomou logo atitude radical, enviando alguns soldados ao poço dos Homens, que falaram à semelhança do decreto do rei. Estava terminantemente proibido o banho de calção no rio Ipanema, primordialmente no Poço, pelas ordens inexoráveis do delegado civil José Ricardo. Abismados com aquela novidade na terra de Senhora Santa Ana, os jovens reagiram de forma humorística e também inusitada como a ordem do homem. Todos voltaram a casa, vestiram terno e gravata e, coletivamente, desceram para mergulhos a rigor nas águas barrentas do poço dos Homens.
          Eu não estava no meio, mas lembro muito bem que o riso e os comentários espirituosos preencheram as ruas de Santana. Não se comentava outra coisa.
          Os anos se passaram e eu fui observando as nuanças da vida. Acho que o leitor também. Não raras vezes estamos em nosso pleno direito, gozando a parte boa da existência, quando subitamente surgem no presente os antigos soldados de José Ricardo! Para não sermos surpreendidos apenas de calção, tenhamos sempre ao alcance os paladinos dos banhistas: O TERNO E A GRAVATA.




SERTÃO SEM PAI E MÃE Clerisvaldo B. Chagas, 9 de janeiro de 2012           A violência vai crescendo assustadoramente no Sertão alagoano....

SERTÃO SEM PAI E MÃE

SERTÃO SEM PAI E MÃE
Clerisvaldo B. Chagas, 9 de janeiro de 2012

          A violência vai crescendo assustadoramente no Sertão alagoano. Os assaltos e crimes de mortes progridem muito mais do que a lavoura, do que o criatório, superando atividades outras tradicionais e honestas do lugar. A impunidade governa como Neymar reina absoluto pelos campos de futebol deste Brasil. O assalto seguido de morte na entrada de Olivença, no último sábado, foi mais uma tremenda bofetada na sociedade alagoana e que ainda de quebra levou a vida do professor da UFAL. Naquele fatídico fim de semana, na tão movimentada AL-130, poderia ter sido vítima da estupidez, qualquer outro pai de família das centenas dos que retornam das praias de água doce do rio São Francisco. Piranhas, Pão de Açúcar, Olho d’Água das Flores, Carneiros, Senador Rui Palmeira, Santana do Ipanema, Olivença, fazem circular pessoas para o lazer do rio, das fazendas, das chácaras, das diversas churrascarias que fazem parte do circuito.
          É preciso fazer alguma coisa profunda com urgência, pois já iniciamos a fase de início de domínio dos marginais como nas favelas cariocas. Em breve ninguém mais poderá circular pelas estradas troncos e vicinais que interligam as cidades sertanejas. Há muito, os clientes que se deslocam para as compras habituais em Caruaru ou Toritama, deixam o sertão alagoano em comboio e rodam escoltados pela segurança. É de se perguntar em que planeta anda o governo pernambucano que ainda não acabou com essa prática mafiosa que pendura as autoridades na “enfieira”. Pois a prática do comboio no Sertão de Alagoas parece muito mais evidente de que a extinção da safadeza. Do jeito que vai, o sertanejo terá de se deslocar até para o trabalho, à moda dos carroções do Velho Oeste americano. O pior é que vai caindo o descrédito das polícias civil, militar, rodoviária e das autoridades judiciárias.
          Até mesmo entre pessoas de tradição religiosa, circula o pensamento da pena de Talião. Parte da sociedade já não acredita mais em nada e diz pela boca miúda que só vai fazendo uma limpeza geral como no governo Costa Rego diante da “carta branca” ao, então, major José Lucena de Albuquerque Maranhão. Uma coisa é certa: da maneira como se encontra a insegurança, não pode continuar. As orações sinceras e profundas estão cada vez mais valorizadas, pois se os invisíveis não nos protegerem diariamente, entraremos no risco da justiça coletiva com as próprias mãos. Aparentemente, parece não haver solução segura, daí a tese da barbárie.
          Esperneia o semiárido, vocifera a sociedade, berra feio o SERTÃO SEM PAI E MÃE.

ORMUZ, ISCA DE FOGO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de janeiro de 2012           Da antiguidade, como antigos são os seus problemas, as passage...

ORMUZ, ISCA DE FOGO

ORMUZ, ISCA DE FOGO
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de janeiro de 2012

          Da antiguidade, como antigos são os seus problemas, as passagens que permeiam o Golfo Pérsico, sempre preocuparam o homem. A velha mania humana de se apoderar e não de compartilhar, é válida também para essa faixa de terras que esconde petróleo e aguça a ambição estratégica do pensamento dominador. Entre tantas outras coisas, o Estreito de Ormuz, representa a única passagem da grande produção de petróleo para o mar aberto. Não é preciso dizer da importância do “ouro negro”, mesmo em 2012, quando as buscas por outras fontes energéticas não cessam no mundo inteiro. O petróleo ainda domina a Terra e, pelo jeito, enquanto não secar todas as fontes continuará como tal. Mas não é só o petróleo que tem importância na região de Ormuz. Por ali entra e sai de tudo, entre a Arábia Saudita e o Irã. Rota de mercadorias do mundo que sempre aguçou o sentimento militarista dos que pensam pela força.
           Um dos problemas é que o polêmico Irã é um dos vigilantes da rota. Sempre que existe qualquer desentendimento com esse país, ele ameaça fechar o estreito, capturar navios, até mesmo atacar embarcações, gerando prejuízos sem conta para outros países e iniciando conflito na área que poderá alastrar-se tomando proporções imprevisíveis. Seu desentendimento com os Estados Unidos, engorda a ideia de fechamento do Estreito de Ormuz. As bravatas do Irã parecem às mesmas do Iraque antes da guerra. E por mais preparados que se achem seus dirigentes, um confronto direto com os Estados Unidos e seus aliados, traria somente o caos ao Irã. São as bravatas do antigo Japão, da atual Coreia do Norte, e de mais meia dúzia de idiotas que não têm a noção menor dos que estão fora da caverna ou do buraco. Com crise ou sem crise, os grandes do planeta aproveitariam a ocasião para arrasar de uma vez a ameaça constante e inconsequente do besta sem juízo.  
      Enquanto o aloprado vai irritando o mundo com sua conversa mastigada, aproxima-se o dia da explosão da paciência. Muitas profecias já foram lançadas contra o Irã. Nunca se ouviu tantas tolices da boca de um doido que ao invés de marchar sozinho para o asilo, procura levar o seu povo ao extremo de possíveis ações malucas. O tempo vai desenhando uma situação que poderá ter como consequência uma ampla hecatombe regional ou mundial.
         Nem o dono do anzol conseguirá escapar de ORMUZ, ISCA DE FOGO.

ESPINHO DE JUAZEIRO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de janeiro de 2012            O juazeiro , simpática arvoreta do Sertão nordestino, garbosam...

ESPINHO DE JUAZEIRO

ESPINHO DE JUAZEIRO
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de janeiro de 2012

           O juazeiro, simpática arvoreta do Sertão nordestino, garbosamente assinala sua presença de esperança na Literatura geral na “Terra do Sol”. Primeiramente amada por criadores, vaqueiros, camponeses, que trabalham diretamente com a natureza, depois pelos inúmeros artistas das letras que procuram exaltar o juazeiro como um extrato de virtudes das caatingas. Na verdade nos momentos mais difíceis da inclemência ─ ponto de encontro entre homem, boi e estiagem ─ esteve sempre o juazeiro a oferecer o seu eterno aconchego verde. Além da sua cor escura, como outras árvores sertanejas, o juazeiro também representa mistérios no seu balanço, frutos, folhas e revestimentos cobiçados. Costuma gemer ao atritar os galhos mais fortes, fazendo medo. Alimenta o gado miúdo com seus frutos redondos, amarelos, adocicados. Os caprinos se erguem em duas patas, provando a delícia do macio juá. O brilho dos dentes humanos agradece a rapa do juazeiro, assim como dezenas de pequenos males necessitam das suas infusões.
          Nunca ouvi ninguém falar em seus espinhos. Eles costumam mostrar presença em fileiras de pedaços de galhos secos, que geralmente variam entre trinta e cinquenta centímetros. O espinho é robusto, torneado da base para a extremidade e, camuflado com a terra, parece aguardar, qual manhosa jararaca de folhagem, uma vítima descalça ou de calçado fofo. Sua dor é intensa, grossa e duradoura. Os pequenos galhos secos espinhentos são sempre encontrados no limpo, sob a copa onde o gado costuma descansar. Na verdade, chamamos atenção para os espinhos dos galhos secos que não pertencem mais ao corpo vivo da arvoreta.
          Em nossas peregrinações pelo mundo, nos mais recônditos lugares, na densidade urbana, nos vazios rurais, sempre avistamos e descansamos às sombras dos juazeiros. Eles foram semeados pelo criador e são encontrados nos homens de boa vontade cheios de verdes das folhas protetoras. Mas é bom está atento, também em todas as latitudes, aos perigos ardilosos dos espinhos. Na minha terra se diz: “Saber onde estar pisando”. Diante da violência desenfreada que toma conta do planeta, os furadores roliços multiplicam-se como nunca! Na vizinhança, no trabalho, na vida, secos e separados dos troncos, os ciumentos não querem a nossa chegada à sombra.
         Triste realidade quando um ser humano opta pela condição de emboscar o mundo na condição de ESPINHO DE JUAZEIRO.

TESTEMUNHANDO O SINAI Clerisvaldo B.Chagas, 4 de janeiro de 2012 Crônica nº 689 Quando saí de recesso, avisei aos amigos que iria ao Mo...

TESTEMUNHANDO O SINAI


TESTEMUNHANDO O SINAI
Clerisvaldo B.Chagas, 4 de janeiro de 2012
Crônica nº 689

Quando saí de recesso, avisei aos amigos que iria ao Monte Sinai. Para chegar ao monte sagrado, sabia, porém, da existência de uma longa travessia a percorrer. Ninguém chega ao Sinai sem a travessia. Para mim, um longo trecho de terras a ser percorrido, deserto, inóspito, onde a amenidade cede lugar às agruras e põe à prova a coragem de quem segue.
Ao iniciara travessia, perdi meus contatos divinos que sempre comigo dialogam, principalmente os que me sustentam a vida: O Sagrado Coração de Jesus, o Imaculado Coração de Maria e o padre Cícero do Juazeiro. Achei-me em um longo trecho negro. De maneira nenhuma tinha forma de túnel. Enquanto eu sofria meus incômodos, apelava para as três figuras acima. Ninguém, todavia, ousava romper aquele véu escuro, como se fosse proibido qualquer contato comigo. Apesar das dores e sofrimentos sem sinal algum de socorro, eu sabia que não estava só. Antes de penetrar na travessia havia feito dois pedidos a Jesus, um dos quais se relacionava a nenhuma quebra de nem um só osso do seu corpo no Calvário. Um dos pedidos me foi concedido em uma das fases finais da travessia, ainda no escuro. O outro alcancei com grande êxito já em pleno salão nobre do Monte Sinai, após as ultimas etapas da travessia, logo após a antessala.Sobre o pedido a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o apelo também havia sido antecipado, de modo que encontrei em sensibilidade com ambos em plena sala das realizações do Sinai. Antes, porém, nas últimas fases da caminhada, quase na antessala da montanha, a negritude desapareceu. Uma situação de angústia tomou conta de mim, ocasião em que apelei forte para o meu santo padre Cícero do Juazeiro, que tem conversado comigo sempre e me tem conseguido graças diversas, assim com fez a meu avô paterno e a meu pai. Sua imagem veterana apareceu como sempre me aparece. Aguardei um pouco e ele não falou comigo. Pareceu-me não haver obtido ordens, ainda, uma vez que estávamos na fase final da travessia.  Como eu me encontrava exausto, então, decidi tomar a iniciativa. Fiz o meu apelo angustiado a sua imagem que demorou bastante para desaparecer. Meu anjo de guarda de carne e osso acabava de me estender um prato de comida, quando senti de imediato os efeitos da intervenção de Cícero, meu amiguinho.
Soltei o prato e corri três vezes para onde deveria correr sentido o alívio imediato da dor e da angústia que me prendiam. Minutos depois, chorando de emoção, prometi a ele mais u’a missa em ação de graças. Cícero pediu-me apenas alguns foguetes, prometidos para estourá-los defronte a sua igrejinha do Lajeiro Grande, em Santana do Ipanema, Alagoas. Depois fui atendido no salão nobre do Monte Sinai, onde a minha situação foi definitivamente resolvida. Agradecido e muito mais maduro, desci o monte em plena véspera de Natal, cujo dia exato da natalidade, realizei uma cerimônia religiosa, íntima, fruto de uma aliança permanente com o Mestre na sua data natalícia.
Estou de volta aos meus escritos.
Não se preocupe se você nada entendeu acima. Linguagem figurada complexa nunca foi fácil mesmo de ser entendida.  Eu queria apenas referir-me à travessia, TESTEMUNHANDO O SINAI. 

RECESSO Clerisvaldo B. Chagas, 2 de dezembro de 2011   Ao completarmos a crônica de nº 688, resolvemos parar um pouco, entrar num recess...

RECESSO

RECESSO
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de dezembro de 2011

 Ao completarmos a crônica de nº 688, resolvemos parar um pouco, entrar num recesso aí de aproximadamente quinze dias ou mais. Nesta data natalícia, dia de se comer bolo, vamos agradecendo as equipes dos portais “maltanet”, “santanaoxente” e “alagoasnanet” pela concessão de espaço aos nossos trabalhos. Se Deus quiser, ainda além do nosso blog e dos três sites acima, poderemos retornar com nossas crônicas em um portal de grande conceito de Maceió. É que já foi iniciado um entendimento neste sentido.
          Juntamente com o Instituto SWA, iríamos lançar o nosso próximo livro no dia vinte e cinco passado. Aliás, estamos com os exemplares já em nossa casa, bonitos como dinheiro novo e cheirosos igualmente às mulheres alheias. Como tudo acontece no dia e na hora em que o Grande Arquiteto determina, ao retornarmos do recesso, marcaremos nova data, para o lançamento. Será um documentário jamais entregue ao santanense. Vamos aguardar.
          Querem saber, vamos dar uma subida ao monte Sinai, altura abençoada, passando pela travessia obrigatória que o alto nos impõe.  Depois, ao cumprir o determinado, ao descer a montanha, a mente vem mais pura, sábia e dócil. Não queiram ir comigo. Cada um tem a sua travessia, cada qual seu monte Sinai. Agradeço a paciência do leitor assíduo e do eventual. O esforço foi grande para agradar a gregos e troianos: Literatura, História Geral, História local, poesias, contos, um leque variadíssimos de temas foi apresentado nessa trincheira de Santana do Ipanema, Alagoas. Agradeço aos que nos convidaram para vários eventos, mas o compromisso com o monte é mais antigo. Felicidades a todos e um grande Natal para leitores internautas e familiares.

  EU VI OS PEDAÇOS DE LAMPIÃO                Clerisvaldo B. Chaga, 1º de dezembro de 2011            “EU VI OS PEDAÇOS DE LAMPIÃO” 07.08.19...

EU VI OS PEDAÇOS DE LAMPIÃO

 EU VI OS PEDAÇOS DE LAMPIÃO
               Clerisvaldo B. Chaga, 1º de dezembro de 2011

         “EU VI OS PEDAÇOS DE LAMPIÃO”
07.08.1938. Santana/Piranhas (AL) “Três ou quatro dias após a remessa das cabeças para Maceió, chegava a Santana uma caravana da Faculdade de Direito do Recife, composta dos acadêmicos Alfredo Pessoa de Lima, Haroldo Melo, Décio de Souza Valença, Elísio Caribé, Plínio de Souza e Wandnkolk Wanderley, todos em excursão e desejando ir diretamente a Angicos.Coincidiu que estavam chegando notícias de que os abutres (urubus) viviam sobrevoando o local do combate, sinal de que os corpos não haviam sido bem sepultados.
O Tenente-Coronel Lucena resolveu então formar uma caravana com os acadêmicos e me disse que eu teria de acompanhá-los, menos como sargento do Batalhão, do que como correspondente do Jornal de Alagoas. Partimos, então para Angicos no dia 7 de agosto – (‘O Jornal nos Municípios’, Jornal de Alagoas de 188.38).
‘Com a chegada dos acadêmicos do Recife, tivemos de ir com eles a Angicos, local do combate, lá sepultar os corpos deixados à toa. Encontramo-los já meio ressecados, amarelecidos, a pele agarrada no osso como se a carne houvesse fugido. Já não tinham pelos e era difícil a identificação. À vista daqueles, em plena caatinga, o acadêmico Alfredo Pessoa fez um discurso capaz de comover até mocós e preás que andassem por ali. E só então tive uma pequena ideia da atrocidade da decapitação. Um corpo sem cabeça, onze corpos sem cabeça e o discurso do Pessoa: que coisa de arrepiar cabelos! (FRUTA DE PALMA, 168).’
Na realidade os corpos não haviam sido sepultados. Ficaram ali mesmo no leito do córrego, cheio de pedregulho. Amontoado os onze, a tropa havia simplesmente feito um montão de pedras por cima. Além de ser difícil cavar sepultura ali, a gana de Bezerra e de seus comandados pelos troféus dos cangaceiros lhes havia retirado todo o restinho de senso humano que possuíssem.
Ficamos ali quase um meio dia, a cavar uma vala comum no mesmo local, pois não havia condições de conduzir aqueles pedaços de gente para parte alguma fora do córrego.
O célebre coiteiro Pedro Cândido era integrante da Caravana e, além de nos descrever as principais fases do combate que ele engendrara, mostrou-nos o corpo de Lampião, da mesma forma identificado por três ou quatro pessoas que integravam a caravana e que também conheciam detalhes físicos do Rei do Cangaço.
Se não foi a única (e não foi), foi uma das poucas vezes em que observei emoções no rosto do Tenente-Coronel Lucena: ao ouvir o discurso do acadêmico, encarando os pedaços de Lampião.

PARABÉNS A VILELA Clerisvaldo B. Chagas, 30 de novembro de 2011 Apesar de sermos leigos no assunto, temos clareza suficiente sobre a imp...

PARABÉNS A VILELA

PARABÉNS A VILELA
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de novembro de 2011

Apesar de sermos leigos no assunto, temos clareza suficiente sobre a importância que teve a Emater em Alagoas. Técnicos inteligentes e preparados estavam sempre à disposição do homem do campo, ocasião em que a Agricultura procurava encontrar o seu caminho. Além da assistência à chamada zona rural, havia esperanças aos estudantes de Agronomia por uma carreira promissora. Na época das vacas gordas o pessoal da Emater apresentava seu vencimento como três vezes superior aos dos professores do mesmo nível. Era uma situação humilhante para o Magistério que sempre foi nesse país, o famoso saco de pancadas que todo mundo quer bater. Mesmo assim todos reconheciam o órgão estadual como grande prestador de serviço à fonte básica da nossa alimentação. Com a quebradeira que teve início em certo governo, levando reflexos para os demais, o homem da roça, sozinho, acuado por todos os lados, via navios navegando em plena caatinga abandonada.
         O governador Teotônio Vilela, pelo que entendemos estar resgatando esse órgão vital para o setor agropecuário com o nome de Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável. Um nome complicado e longo para ser chamado facilmente por uma sigla, daí ser apontada simplesmente como Nova Emater. De fato vai ser uma festa boa em Arapiraca, amanhã, quando o governador sancionar a lei de criação do Instituto. O Clube dos Fumicultores deverá ficar minúsculo, quando se aguardam mais de mil agricultores para o evento. Naturalmente não foi mostrada para o público a novo estrutura do órgão para uma avalição popular. Não ouvimos nem vimos nenhuma manifestação a favor ou contra de algum antigo funcionário dessa repartição. Cremos que na solenidade de amanhã, haverá todo esclarecimento possível aos convivas e a outros interessados.
          Já era tempo, aliás, há muito que passou do tempo, desse resgate tão importante para Alagoas. Temos orgulho da Embrapa e das coisas extraordinárias que ela tem feito, resultando na admiração e respeito do mundo. Mas a velha Alagoas destruída foi ficando para trás, numa situação rota de dá pena. Com essa decisão do governo Théo, pode ser que o campo volte a entrar nos eixos, difícil, porém é recuperar o tempo perdido na Agricultura. Depois da festa de Arapiraca esperamos tempos melhores para o camponês alagoano. Nesse caso, PARABÉNS A VILELA.
























COLÔMBIA E VENEZUELA             Clerisvaldo B. Chagas, 29 de novembro de 2011   Finalmente sai alguma coisa de útil da boca do dono da Ve...

COLÔMBIA E VENEZUELA

COLÔMBIA E VENEZUELA
            Clerisvaldo B. Chagas, 29 de novembro de 2011

 Finalmente sai alguma coisa de útil da boca do dono da Venezuela. A Colômbia é o maior aliado dos americanos na América do Sul, enquanto a Venezuela é justamente o contrário. As declarações polêmicas de Chaves contra os Estados Unidos podem ser olhadas como uma busca bizarra de notoriedade mundial. O anonimato incomoda muita gente, por isso algumas pessoas procuram aparecer diante da mídia de qualquer maneira. Não encontrando lugar na extensão da ceia larga, faz o papel de estafeta de notícia ruim. Depois de tanto tempo do caudilhismo na América Latina, vivemos na região, no geral, um clima de união e respeito. Quando as aventuras do nacionalismo exacerbado subiam à cabeça da liderança, lá vinham confusões, uma atrás das outras, entre as nações irmãs. Assim a América meridional não progredia, vivendo sempre no atraso do analfabetismo crônico e na pobreza extrema. Alguns órgãos criados nos últimos tempos entre essas nações foram estreitando os laços de amizades, despertando consciências, mostrando que o nosso inimigo comum era apenas o atraso e não o presidente vizinho.
          Para quem brigava como gato e onça, Colômbia e Venezuela, pelo menos por enquanto, vão gozando uma nova fase que é a do entendimento. E se comemoram juntas a prisão do chefe do tráfico da região, é melhor ainda. A droga saída da América do Sul acabou, no modo de dizer, com a juventude americana, assim com está acabando com a juventude brasileira. Segundo notícias, “o traficante colombiano Maximiliano Orozco, de 39 anos, conhecido como Valenciano, foi detido na noite de domingo na localidade venezuelana de Valencia, disseram Juan Manuel Santos e Hugo Chávez durante uma reunião em Caracas”. Não saiu, porém quem embolsou a recompensa pelo indivíduo, estipulada em US$ 5 milhões. Valenciano é acusado de embarcar várias toneladas de cocaína para os Estados Unidos. Serviam de ponte a Orozco, quadrilhas especializadas igualmente a mexicana Zetas. Com a prisão do homem na Venezuela, antes acusada de dá cobertura a esse tipo de gente, houve troca de figurinhas entre Santos e Chávez.
          “Jamais permitiremos a violação da nossa soberania por qualquer grupo ou pessoa, sejam traficantes, guerrilheiros ou paramilitares”, foi isso que disse de utilidade o presidente da Venezuela em entrevista coletiva ao lado de Santos em Caracas. Diante de tantas declarações esdrúxulas e fuleiras, essa última representa um equilíbrio que o senhor Chávez não costuma utilizá-lo. Desconfiados iguais a burros de pestanas brancas, aguardemos as relações futuras entre COLÔMBIA E VENEZUELA.