LANÇAMENTO DE LIVRO Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2012. Numa noite iluminada, foi lançado ao público o livro paradidático, “Ipan...

LANÇAMENTO DE LIVRO

LANÇAMENTO DE LIVRO
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2012.

Numa noite iluminada, foi lançado ao público o livro paradidático, “Ipanema um rio macho”. Após hibernar por vinte e seis anos, chegou à vez das letras de um trabalho elaborado para o povo estudioso de Santana. Agora a cidade já pode se orgulhar do nome “Ipanema”, anexado ao da avó do Cristo, chamada carinhosamente por nós, de Senhora Sant’Ana. Em 1986, um grupo formado por quatro pessoas, resolveu conhecer de perto o rio Ipanema, afluente do São Francisco e que banha as cidades das Alagoas: Santana do Ipanema, Poço das Trincheiras e Batalha, além de vários povoados nesses e em outros municípios. O rio Ipanema, então, foi percorrido de Santana à foz e dois anos depois, das nascentes a Santana. Nasce esse rio na serra do Ororubá, município de Pesqueira, em Pernambuco e deságua no município de Belo Monte, em Alagoas, após escorrer por cerca de 220 quilômetros. As duas viagens feitas a pé por dentro do leito do Panema, são contadas no livro em forma de diário, fornecendo aos estudiosos, valiosas informações sobre o acidente geográfico mais importante do Sertão alagoano.
          Além dessas informações, o livro também fala da sua contribuição social para os municípios banhados por ele. O maior documentário sobre essa corrente está registrado no “Ipanema um rio macho”. Santana já pode dizer que tem identidade ao receber essa obra que engrandece o município com a sua juventude estudiosa. Os professores já podem se orgulhar do rio Ipanema, ministrando aulas sobre História, Sociologia, Geografia, Ecologia e medicina popular, através dos exemplos do rico e macho livro como o seu próprio título. Há 26 anos atrás, o que era para ser uma apoteose da imprensa local, transformou-se numa inveja sem fim e ela calou sobre o evento.
          O autor está muito feliz em entregar a sua terra mais uma grandiosa contribuição. A nata da sociedade santanense soube valorizar o trabalho apresentado. Sobre os omissos, quando Uirapuru canta, entristece caga-sebo. Breve, mais LANÇAMENTO DE LIVRO.

IPANEMA, UM RIO MACHO Clerisvaldo B. Chagas, 19 de março de 2012. Sexta-feira próxima, estaremos lançando ao público o livro “Ipanema, ...

IPANEMA UM RIO MACHO

IPANEMA, UM RIO MACHO
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de março de 2012.
Sexta-feira próxima, estaremos lançando ao público o livro “Ipanema, um rio macho”, evento que acontecerá na Câmara de Vereadores Tácio Chagas Duarte, às 20 horas e 30 minutos. O nosso primeiro livro foi o romance do ciclo do cangaço “Ribeira do Panema”, até hoje o mais conhecido de todos. Depois vieram outras obras como a didática “Geografia Geral de Santana do Ipanema”, o conto “Carnaval do Lobisomem” e depois um novo romance do mesmo ciclo do cangaço “Defunto Perfumado”. Em seguida lançamos o livro humorístico de cunha maçônico “O Coice do Bode”, que ainda hoje circula nacionalmente e faz parte do Clube do Livro. “Floro Novais, herói ou bandido”, veio depois, contando a história do famoso matador, na versão apresentada pela sua família, em estilo romanceado. Com a sétima obra, “A Igrejinha das Tocaias”, o autor resgata um episódio oral, acontecido no tempo de um dos netos do fundador de Santana. A obra é escrita em versos e é a única que fala sobre o assunto, até hoje. Em seguida o autor publica o CD, “Dez poemas engraçados”, ele mesmo recitando todos eles. Este ano foi publicado no Tênis Clube Santanense, o trabalho “Santana do Ipanema; conhecimentos gerais do município”. Portanto, na próxima sexta-feira, estaremos oferecendo ao povo santanense e brasileiro, o livro “Ipanema, um rio macho”, tratando-se da décima obra do autor.
          Após o livro “Ipanema, um rio macho”, publicaremos em parceria com o professor e pesquisador Marcello Fausto, o livro “Lampião em Alagoas” que por certo terá repercussão nacional. Ainda este ano, pretendo lançar um kit composto por dois romances e um livro de poesia: “Deuses de Mandacaru” e “Fazenda Lajeado”, ambos com a mesma imaginação anterior, pertencentes ao ciclo do cangaço. O livro de poesia “Colibris do Camoxinga; poesia selvagem”, completará o Kit, nunca visto, um autor lançando três livros de uma vez. Já estão maturados há bastante tempo. Passada essa fase pródiga em produção cultural, virá a lume, finalmente, “O boi a bota e a batina; história completa de Santana do Ipanema”, modificado em vários aspectos devido a novas pesquisas e sem depender do poder público.
          Contamos com a sua presença, caro leitor. Você que acompanha diariamente as nossas crônicas. Com certeza será entregue mais um valiosíssimo documento ao povo sertanejo e alagoano, a princípio, sobre tudo que se quer saber sobre o acidente geográfico mais importante do sertão alagoano. Precioso para pesquisadores e estudantes de todos os níveis, uma obra paradidática indispensável em nossas escolas. Um documento ímpar que abrange História, Geografia, Sociologia e Medicina Popular. Sexta na Câmara de Vereadores: IPANEMA, UM RIO MACHO.
























VERSOS SELVAGENS Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2012. (Para Neilda e João Oniel)   NOITE DE CULTURA: DIA 23 ÀS 20:30 NA CÂMARA DE...

VERSOS SELVAGENS

VERSOS SELVAGENS
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2012.

(Para Neilda e João Oniel)

 NOITE DE CULTURA: DIA 23 ÀS 20:30 NA CÂMARA DE VEREADORES, LANÇAMENTO DO LIVRO “Ipanema um rio macho” compareça, converse com o autor.

 Por cima dos tocos, na base de outeiros,
Os versos matutos trajando gibões,
Rompem o mato, a urtiga, os pés de pinhões,
Facheiros, favelas, belos marmeleiros;
Guindastes de troncos, folhas de pereiros,
Pedaços de serras, clarões de luar,
Cheiro de imburana, mormaço do ar,
Riachos de areia, colinas sedosas,
Coroas-de-frade, perfumes de rosas,
Marchando garbosos pra beira do mar.

 Lá se vão às estrofes, rolando enxurradas,
Bebendo em barreiros, andando em cercados,
Beijando as encostas, deitando nos prados,
Correndo os serrotes, varrendo as estradas;
Tangendo as abelhas, dormindo em latadas,
Soprando a jurema para balançar
Os galhos mais finos que ficam a chorar,
No orvalho sadio, nas tardes dengosas
Nos seios da noite, ó morenas formosas
Quem me dera ir com elas, pra beira do mar.

 Os versos arribam nas cores da aurora,
Na furna esquisita onde mora a pintada,
Desenham montanhas, cortejam a chuvada,
Rompendo a caatinga, escrevem na tora;
Soluçam nas grimpas, tangem a sericora,
Limpando terreiros nesse colear;
Abraça os velames, resvalam no par
De aves que dormem na palha do ninho,
Cortejam as corolas vermelhas e vinho
Que mandam perfume pra beira do mar.

Eu monto nos versos que vão disparados
Nas asas dos ventos que invertem papéis,
Ligeiros, correndo, fazendo viés,
Suspiros de amor, beijos sossegados;
Pelos horizontes, tão longe, azulados,
Queixumes profundos, poetas em fráguas,
Por sobre o destino, repleto de máguas,
Despejam tudinho na beira do Mar.

·         Do livro inédito: “Colibris do Camoxinga; Poesia Selvagem”.



                                                       FIM




























ABELHAS Clerisvaldo B. Chagas, 15 de março de 2012.   Dia 23, noite de cultura: Lançamento do livro “Ipanema um rio macho”, às 20:30 na C...

ABELHAS

ABELHAS
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de março de 2012.

 Dia 23, noite de cultura: Lançamento do livro “Ipanema um rio macho”, às 20:30 na Câmara de Vereadores compareça.

          Não sei se elas são de fato assassinas. Simpáticos insetos listrados dos himenópteros, apóideos, nos fornecem o delicioso e nutritivo mel. Vários tipos de abelhas, porém, possui ferrão e não enjeitam uma briga de verdade, principalmente se o adversário for um bípede como nós. O meu vizinho, cujo apelido é “Dem”, é um dos apicultores do município, produzindo mel de boa qualidade e fornecendo para a merenda escolar. Ali perto do sítio Jaqueira, às margens do rio Ipanema, Dem se mistura com elas, as abelhas, e vai dando às ordens aos poderosos insetos em revoadas pelos arredores. Logo no final da tarde de ontem, todavia, abelhas no papel de batedoras entraram pela porta da minha cozinha. Retiraram-me da hora de elaborar a crônica de hoje. Mas elas não queriam atrapalhar a crônica e sim fazer parte dessas magras linhas. Fiz ver às batedoras que elas estavam erradas, eu não era criador de abelhas e sim o meu vizinho. Elas não acreditaram. Mandei chamar o Dem. Ele veio, mas estava sem roupa apropriada para enfrentar ferrão. Avisou que àquelas vieram à frente, mas logo o grosso chegaria. Não deu outra. A tropa inteira chegou, invadiu a cozinha e nos pôs para fora de casa. Não aceitaram o Dem como tutor.
          Recorremos ao corpo de bombeiros. O camarada lá avisou que as abelhas estavam estressadas nessa hora, deixasse anoitecer. Tivemos que jantar em outro lugar esperando a boa vontade das bichinhas. Lá para às 20 horas, retornamos a casa e fomos olhar como estava à situação. O zumbido de motor em casa de farinha continuava. Ficamos na calçada de castigo aguardando os bombeiros. Os bombeiros passam avisando que iriam prestar socorro em um acidente. Aí sim, resolvemos enfrentar os milhares de insetos que teimavam por ali. Tivemos a surpresa, porém, de vermos que 80% das danadas haviam ido embora. Criamos coragem e resolvemos enfrentar os 20% por cento restantes na base do “spray”. Fomos vencedores. O Dem mesmo não apareceu mais e nós escapamos ilesos. Quando os soldados do fogo retornaram, o caso estava resolvido. Tenho a impressão de que uma delas ouviu quando chamamos o corpo de bombeiros e passou para os milhares de companheiras. A chefa talvez tenha dito: “Com o Dem a gente pode, mas com a força do governo, não, vamos embora cambada!”. E foram alegrar a noite de outra residência na cidade.
          A piada do português tem sentido: “safadas! Por que não vêm de uma em uma!”. Meu amigo, negócio com esses insetos sociais, só se for para ganhar dinheiro, como o vizinho Dem. Quem for valente fique. Quem não for, faça “bunda de ema”. Mas elas conseguiram, saíram na Internet como protagonistas. Meu compadre gosta de Abelhas? Ah, abelhas, negro velho, ABELHAS.


AÇÚCAR Clerisvaldo B. Chagas, 14 de março de 2012            Quando os descobridores da América chegaram por aqui, encontraram os indíge...

AÇÚCAR

AÇÚCAR
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de março de 2012

           Quando os descobridores da América chegaram por aqui, encontraram os indígenas fumando. Tendo escravizado, maltratado e eliminado os nativos aos milhares, portugueses, espanhóis e outros povos levaram para a Europa o vício do tabaco. Os indígenas iniciaram aí uma vingança silenciosa que perdura até hoje, quando aconteceu a expansão do fumo pelo mundo. É impossível alguém dizer com certeza quantas pessoas já morreram vítimas de cigarros, charutos, cachimbos e similares. Agora que a medicina fala contra o vício de fumar, são os fabricantes de cigarros que insistem em matar gente através do infame vício importado das Américas. Eles não pensam na saúde de ninguém. Suas cabeças estão voltadas apenas para o lucro exorbitante produzido pela porcaria que produz o câncer e a morte prematura. Para tentar anular a reação mundial contra o vício, o fabricante acuado, inventa fórmulas para driblar a sociedade, colocando armadilhas para os jovens e os incautos. O peste do fumo é tão ruim que é preciso meter açúcar. Pois bem, o fabricante agora inclui mentol e cravo para que o rolinho da morte se torne mais atraente. Uma isca para conduzir o jovem ao vício definitivo dos venenos.
          Não sabemos por que os governos do mundo não acabam logo com essa praga! Se as fábricas de cigarros e cadeia produtiva produzem empregos, poderiam levar esses empregos para o fabrico de alguma coisa útil. Os governos dariam prazo para o fechamento de fábricas e à venda do comércio do fumo. Eles, produtores e fabricantes, teriam tempo suficiente para a mudança de atividade. Esse vício infame que mata mais de 200 mil pessoas por ano no país, deveria ser eliminado através da proibição da atividade matadora. “Fume meu bem, que tem açúcar”. Enquanto isso essa classe eliminadora da juventude, vai rolando e driblando a capacidade do ser humano em se defender. E os governos, reféns da influência pesada do poder econômico, fecham timidamente uma porta, uma janela, mas a força satânica fura as paredes, fabricando novas passagens para o ataque a adolescentes.
          “Fumar não é um hábito, é doença. Estaremos negligenciando nossas crianças, se permitirmos os aditivos, estaremos facilitando a entrada delas no vício. Estamos falando de saúde e não de negócios”, completou o representante da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Márcio Gonçalves de Souza.
          Os governantes com medidas paliativas contra o mal do cigarro, também são culpados por tudo que acontece em relação às doenças e mortes de fumantes. Cadê coragem para proibir de vez essa praga no Brasil? Não Mané, eles colocam açúcar, entende? AÇÚCAR.








PARAIBANO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de março de 2012.   NOITE DE CULTURA: DIA 23, ÀS 20h:30min – LANÇAMENTO DO LIVRO “IPANEMA UM RIO MACH...

PARAIBANO

PARAIBANO
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de março de 2012.

 NOITE DE CULTURA: DIA 23, ÀS 20h:30min – LANÇAMENTO DO LIVRO “IPANEMA UM RIO MACHO”, NA Câmara Municipal - Vá conversar com o autor.

 O homem foi mordido pela cobra cascavel
              ─ Leve-o para Antonio Paraibano.
               A menina está com uma ferida estranha na pele.
               ─ Leve-a para Antonio Paraibano.
               O neném está com olhado.
               ─ Leve-o para Antonio Paraibano.
             A frequência do nome do rezador, curador ou curandeiro, aos poucos foi enfraquecendo. O senhor Antonio Paraibano, cabelos branquinhos, já não sabe mais das coisas nos seus mais de 98 anos de existência. Aposentado do DNER, não conhece mais as pessoas e vive sob os cuidados de uma filha, bem pertinho da repartição onde por tanto tempo trabalhou. Se tivesse ficado registrada cada uma das suas curas, o todo não caberia em um livro comum. Deus passou para vários escolhidos da terra o dom e o poder de curar de algumas doenças. O curador não cura de todos os males. Cada rezador tem suas áreas específicas de atuações. Existe um ferida provocada pela aranha que os médicos não entendiam e nem curavam. Antonio Paraibano descobria a causa e curava com reza, na hora. A mordida da serpente mais venenosa perdia o efeito caso o animal ou pessoa fosse socorrida a tempo pelo Paraibano. Os fazendeiros contratavam o mestre para expulsar as cobras das fazendas e ele ainda perguntava por onde queria que elas saíssem.  Quanto ciúme os curadores causaram à medicina!
          Certa feita vi uma pessoa encaroçada dos pés à cabeça e os pais desesperados sem saber o que fizessem. Muitos médicos apanharam da doença. A doutora Vera que atuou muito tempo em Santana e hoje se acha em Maceió, chamada para o caso, descobriu que era uma alergia causada por mosquitos de bananeiras. Descobertas as bananeiras em alguns quintais das imediações, foram eliminadas e, a doença teve fim. Essa foi uma vitória médica. Outra pessoa com verrugas da cabeça aos pés gastava o dinheiro dos pais com médicos de vários municípios e remédios de farmácia e o mal somente aumentando. No último grau do aperreio familiar, Deus enviou um morador da fazenda do famoso advogado Aderval Tenório (já falecido). O humilde cidadão, ao passar para a feira, viu a pessoa repleta de verrugas e se ofereceu para curá-la. Morava esse cidadão no local Riacho do Bode, periferia de Santana do Ipanema. Dentro de uma semana, as verrugas começaram a cair até a pele da vítima ficar completamente sã. O rezador rezava a uma distância de dois a três quilômetros de distância e só voltou a aparecer quando o cliente estava completamente são. Eu vi.
          Os famosos rezadores vão desaparecendo: dona Mocinha morreu. Dona Lica morreu. Dona Maria, da Floresta, morreu. Seu Roberto ainda reza e ultimamente muito me serviu. E voltando para o mesmo polo, infelizmente ninguém pode contar mais com o nonagenário, quase centenário dos cabelinhos grisalhos, mestre Antonio PARAIBANO.








 




                           ACORRENTADOS              Clerisvaldo B. Chagas, 12 de março de 2012   Lançamento do livro “Ipanema um rio mach...

ACORRENTADOS

                           ACORRENTADOS

             Clerisvaldo B. Chagas, 12 de março de 2012

 Lançamento do livro “Ipanema um rio macho”, dia 23 na câmara Municipal   COMPAREÇA.

Estamos acorrentados
Às coisas de Santana
Nas avenidas
Nos finais de semana
Nas broas
Nas buchadas
Nas pingas boas
Acorrentados
Às morenas do Ipanema
Na vaquejada
E loas
No galope do preá
Nas missas da Matriz
Nas pedras do Lajeiro Grande
Estamos sim
Acorrentados
No serrote do Cruzeiro
Nas trilhas do rio
Nos riachos secos
Do Sol em poderio
Nas tardes longas
Brilhando na serra Aguda
Estamos acorrentados
Aos espinhos roliços
Dos mandacarus
E ao céu azul
E à Natureza crestada
Que espelha nos metais
Dessas correntes fortes
Que prendem os verdadeiros filhos
No âmago da terra ressequida
Machucada
Dilacerada
Porém
Amiga...
E mãe.

* do livro inédito "Colibris do Camoxinga" ; poesia selvagem.








PERÍODO SECO Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2012 Dia 23 tem lançamento de livro              Quando as águas fortes iam embora, res...

PERÍODO SECO

PERÍODO SECO
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2012

Dia 23 tem lançamento de livro

             Quando as águas fortes iam embora, restavam os poços, as cacimbas, a areia, as ilhas, as moitas, as pedras... O rio era um paizão! Entretanto, nós nos voltávamos mais para os poços. No meu caso, o poço dos Homens. Ali tomavam banho adultos misturados com adolescentes. Muitos adultos nadavam nus sob os olhares desconfiados dos meninos. As pedras do “estreitinho” ficavam repletas. Outros preferiam o “largo” para as apostas de tirar terra no fundo do poço, trocar “sapatadas”, fazer exibimento.
           Sempre que uma pessoa ia tomar banho deixava suas roupas em algum local das pedras.  Alguém pegava as roupas, às escondidas, dava nós chamados “nós de ceará” e urinava em cima; pois os nós bem apertados precisavam do auxílio dos dentes para desatá-los. Daí o maldoso urinar em cima dos nós e divertir-se vendo o dono da roupa meter a boca naquela porcaria.
           Outros batiam nas costas nuas do banhista com uma plantinha chamada “tamiarana”, o que provocava uma coceira infeliz.
           Aos domingos, o poço, como todos os outros lugares do Ipanema, ficava lotado.
           No poço surgiam tipos esquisitos como “Gorila”, feio como o próprio e desengonçado como um chimpanzé. Em terra dava saltos mortais seguidos. Na água enfileirava sapatadas sem mostrar a cabeça na superfície, um verdadeiro espetáculo. Gorila era irmão da Nicinha, menina-moça que nadava como uma piaba; ambos moravam ali pertinho do poço.
          Sempre apareciam lavadeiras no largo, fazendo ouvidos de mercador para as piadas mais grosseiras dos homens. Lavadeiras pareciam não enxergar os nus.
          No inverno eu ficava espiando as andorinhas que voavam sobre o poço, roçando o peito macio nas águas turvas. Elas vinham aos bandos. Rodeavam, sentavam na torre da Matriz de Senhora Santa Ana e passeavam pelos arredores. Eu ficava escutando melancolicamente o cantor da minha rua, Cícero de Mariquinha, quando aparecia por ali cantando com sua voz maviosa “A Pérola e o Rubi”.

(...) No rio Ipanema se joga panela
Galinha doente, rato apodrecido,
Papel higiênico, chapelão roído,
Fezes de esgoto, madeira, tramela,
Calçola de velha, cadeira de tela,
Jogo absorvente de mulher usar,
Cachimbo de coco de negro pitar,
Que alagam com tudo, que cobrem os terrenos,
Pedaços de tangas, camisa-de-vênus
Que o Panema carrega pra beira do mar (...)

* Trechos do livro “Ipanema um rio macho”. (A).




SEI NÃO SENHOR Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2012   DIA 23 TEM LANÇAMENTO DE LIVRO   Muito embora não tenha vivido a época, mas vi...

SEI NÃO SENHOR

SEI NÃO SENHOR
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2012

 DIA 23 TEM LANÇAMENTO DE LIVRO

 Muito embora não tenha vivido a época, mas vi registrado em vários lugares, sobre uma limpeza em Alagoas. O jornalista Pedro da Costa Rego, ou simplesmente Costa Rego, assumira o governo alagoano para a gestão, junho de 1924 a junho de 1928. Nessa época, mandavam os coronéis, geralmente com o título vindo da Guarda Nacional ou apenas como apelido dado pelo povo por causa da boa situação financeira reconhecida. Na maioria, os coronéis sertanejos eram senhores proprietários de terras, fazendeiros que gostavam do criatório e adoravam matar gente. Suas fazendas abrigavam, às vezes, até mais de vinte homens armados sempre às ordens para qualquer empreitada sinistra do latifundiário. O coronel tinha prestígio de sobra com os sucessivos governos. No dizer do povo, mandava em tudo na sua região. Casava, batizava, prendia, soltava, dava conselhos, pisas, mandava torturar e matar de acordo com as circunstâncias. Sua cabroeira, capangada, ou jagunçada, garantia o seu sucesso. O coronel, às vezes, media forças com outro, acoitava criminosos e demais tipos de bandidos na fazenda.
          Quando Costa Rego assumiu o poder, iniciou uma limpeza feroz contra a bandidagem no estado. O, então, sargento José Lucena de Albuquerque Maranhão, recebeu ordens para atuar na zona de Viçosa e depois no Alto e Médio Sertão com carta branca. Era para depurar o estado contra valentões, ladrões, cangaceiros e até prender coronéis protetores de bandidos. A limpeza prosseguiu em seu governo com tanto rigor que ninguém sabe quantos foram mortos pela polícia da época. Um escritor afirma em livro que Lucena eliminara mais de mil pessoas, muitos à beira da própria sepultura, cavadas por eles mesmos. Costa Rego afirmava na sua coragem e truculência que queria o homem de bem livre de ações marginais para viver sem medo na sociedade. O aperto descomunal em Alagoas foi tão consistente que os atos do governador foram parar no Senado e ali o jornalista compareceu para se defender. O próprio Lampião, diante de tantas prisões e “sumiços” em seus coiteiros, mandou recado desafiador: “Diga a ele que eu salto riacho quanto mais rego”.
          Atualmente, com tantas leis sobre Direitos Humanos, os bandidos vão se saindo maravilhosamente bem. Quando são presos a Justiça solta, quando não soltam, eles são encarcerados em cadeias de isopor. Multiplica-se geometricamente a bandidagem sem predadores que sofrem os apertos dos “defensores da vida”. O bravo Lucena, que chegou a coronel e comandou o 2ª Batalhão de Polícia em Santana do Ipanema, contra o cangaceirismo, parece fazer falta à sociedade moderna onde o marginal comanda. A brandura das leis incentivam os maloqueiros para o crime, pois, para eles, o trabalho é coisa de otário. É assim que o sangue escorre todos os dias pelas páginas inteiras dos jornais; inteiras, digo, tirando as putarias que a eles fazem concorrência. Sei não. Onde tudo vai parar, SEI NÃO SENHOR.

LIVRO ABERTO                      Clerisvaldo B. Chagas, 7 de março de 201 AGUARDE O DIA 23 Contam os mais velhos que um cidadão que trab...

LIVRO ABERTO
                     Clerisvaldo B. Chagas, 7 de março de 201

AGUARDE O DIA 23

Contam os mais velhos que um cidadão que trabalhava na roça, não conseguia progredir. Certo dia resolveu fazer como milhares de outras pessoas e partiu para o Juazeiro em busca de conselho. Foi direto ao padre Cícero Romão onde contou a sua vida. O padre respondeu que fosse estudar os astros. Incrédulo, o roceiro indagou como poderia um analfabeto estudar os astros. O famoso taumaturgo teria apenas repetido a frase mandando-o estudar os astros. De volta a casa, o homem começou a meditar sobre o assunto do Juazeiro até que chegou a ele a inspiração de observar a Natureza. A posição e os sinais das estrelas, lua, barra do dia, amanhecer, mais o comportamento dos animais e da flora e assim por diante, embasaram seus estudos. Alguém anotava as suas observações que progrediam até o ponto de fornecerem segurança para suas interpretações. Na época não havia rádio, televisão e bastantes jornais e revistas circulando. A fonte de leitura mais popular eram os folhetos, escritos em versos, capas xilogravadas, sobre temos variados que eram vendidos nas feiras pendurados em cordões; daí os mais modernos chamarem “literatura de cordel”.
           Com esse veículo espetacular, o roceiro iniciou suas previsões sobre invernos, secas, trovoadas, tipos e épocas de plantio. Os autores dos folhetos, também chamados “cordelistas”, declamavam nas feiras os conteúdos sob acompanhamento musical ou não. Depois iam oferecendo o produto de mão em mão para recolherem o dinheiro na caminhada seguinte do passeio pela roda. Foi assim que o homem cresceu com seus conselhos e previsões, conseguindo conforto financeiro publicando outras obras como almanaques anuais que faziam um sucesso extraordinário.
          Seguindo tradição dessa fonte ou de outras parecidas, ainda hoje farmácias tradicionais como a “Vera Cruz” em Santana do Ipanema, Alagoas, distribui almanaques em final de ano, para a clientela.
         Esperávamos trovoadas desde novembro, na região santanense, e só agora (ontem) chegou a nossa terra um pé-d’água razoável. Estamos precisando de um profeta popular para nos dizer se vai haver inverno e se bom inverno. O homem que sabe ler a flor do mandacaru, as cheias do Ipanema, o ninho do joão-de-barro, o círculo da Lua, a posição da Papa-Ceia... Está fazendo falta ao sertanejo que depende diretamente do tempo. Para quem quer aprender a ler, a natura é LIVRO ABERTO.







LARANJA AZEDA Clerisvaldo B. Chagas, 6 de março de 2012 Aguarde o dia 23                     Tive satisfação de visitar parte das obr...

LARANJA AZEDA

LARANJA AZEDA
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de março de 2012
Aguarde o dia 23
         
          Tive satisfação de visitar parte das obras que estão sendo trabalhadas em Maceió. As avenidas que estão sendo construídas para desafogar o trânsito na capital chamam a atenção pela pujança e beleza que se vão delineando. Falam os operários que as obras estão em fase de conclusão e que serão abertas ao tráfego ainda este mês. São elas as Avenidas Márcio Canuto e Pierre Chalita. A Avenida Jornalista Márcio Canuto interligará o bairro do Farol, através da Avenida Rotary ao Barro Duro. Dá gosto contemplar a obra que tem três quilômetros de extensão e mais de dez metros de largura com passeios, jardins laterais e uma ciclovia com três metros de largura. Já as obras da Avenida Pierre Chalita, também não ficam atrás. A Avenida será a ligação entre o Conjunto José Tenório, na Serraria, às imediações da loja Hiper Comercial com outra ligação pelo Sítio Jorge, aliviando assim o trânsito pela Via Expressa. Em breve o maceioense estará aplaudindo as inaugurações importantes e dignas de louvor que transformará em beleza aqueles trechos. Não somente o tráfego ganhará com isso, mas a possibilidade de novas habitações em lugares que atualmente ainda são extensos matagais, principalmente na segunda avenida.
          De fato dá gosto e muita satisfação ao povo obras relevantes em construções pela cidade. Avenidas, corredores, pontes, viadutos, ruas, praças, aterros vão marcando claramente a administração de qualquer gestor bem intencionado. Nada mais bonito do que as máquinas trabalhando incessantemente em cima do imposto pago pelo contribuinte que sonha com as melhorias para o lugar onde reside. Essa prática do trabalho com máquinas foi banida há muito, em inúmeros municípios que trocaram o barulho dos tratores por mãos ágeis e bolsos fundos. Centenas de municípios formaram suas vilas e cidades para o trânsito do carro de boi. Chegou o progresso trazendo milhões de veículos motorizados que invadem ruas, congestionam o trânsito e fazem raiva à população impotente sob a égide de governantes preguiçosos que não movem uma pá de terra em benefício de nada. São os laranjas azedas e sortudos que chegam ao poder ninguém sabe como e ali permanecem no balanço eterno onde armam a rede da letargia. Ah, mundo velho sem porteiras!
          Voltando a Maceió, também será construído, segundo os políticos, o viaduto diante da Polícia Rodoviária Federal, no Tabuleiro dos Martins, lugar de trânsito perigoso e violento. Seja quem for o dirigente, José, Maria ou João, faz gosto aplaudir um gestor voltado ao trabalho firme e profícuo em qualquer parte do país e do mundo. Mas o gesto popular de estalo de banana, ainda é muito pouco para o espírito doente do LARANJA AZEDA.
















FARC JÁ ERA Clerisvaldo B. Chagas, 5 de março de 2012   AGUARDE O DIA 23           Falamos outro dia sobre o romantismo e ações perdida...

FARC JÁ ERA
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de março de 2012

 AGUARDE O DIA 23

          Falamos outro dia sobre o romantismo e ações perdidas das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Trabalhando com uma linha de pensamento arcaica, caindo aos pedaços, atuam os chamados guerrilheiros, com a mesma característica fora de moda, de Chávez, Fidel e outros líderes bestas de nariz dentro da boca, que querem viver ainda os movimentos do século XIX e início do século XX. O tempo vai passando, passando, e as atuações nefandas e antipáticas, não fazem bem nenhum a um mundo geral que não quer ver sacos fazendo papel de malas. A América Latina já possui problemas demais que são combatidos todos os dias, muitos com esforço hercúleo, tentando furar o bloqueio do subdesenvolvimento. Se a boca do fuzil agrada a um ou a outro dirigente latino que não sabe ainda o que faz no poder, não consegue ser simpático a ninguém do chamado mundo civilizado, esse movimento. Eles mesmo vão vendo que essa luta besta e inglória, não passa dos livros de vovô. Os que estão na selva, estão apenas perdendo a juventude, angustiando seus familiares e a si próprios.
          Agora, vendo que essas ações estão caindo aos pedaços como os carros cubanos, começam a surgir diversos sinais da exaustão. “O líder máximo das Farc, Rodrigues Londoño Echeverri, afirmou neste domingo que ‘vale a pena lutar’ pela paz em seu país e ressaltou seu compromisso com o fim da prática de sequestro. Para que outros militares e policiais não continuem morrendo, sendo feridos ou transformados em prisioneiros, acreditamos que vale a pena tentar quebrar esse círculo maldito e lutar pela reconciliação e a paz”, indicou o chefe rebelde.
          Uma declaração aqui outra acolá, o futuro sem futuro, vai enxergando que bala na selva não leva a nada. A falta de apoio de países vizinhos simpáticos ao movimento, mas apertados por outros e pela opinião mundial, faz com que o isolamento da guerrilha vá perdendo força como um rio que seca com o tempo. Pelas declarações do novo líder do mato, está difícil agora até uma reconciliação. Existe tempo para tudo e, pelo que vimos, o tempo do “pegar ou largar” já passou. Vamos aguardar um pouco para entender com vai terminar uma revolução vencida. FARC JÁ ERA.




  












O AMARGO DO AÇÚCAR Clerisvaldo B. Chagas, 2 de março de 2012 Aguarde o dia 23           O tempo continua sua marcha inexorável para fren...

O AMARGO DO AÇÚCAR

O AMARGO DO AÇÚCAR
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de março de 2012

Aguarde o dia 23

          O tempo continua sua marcha inexorável para frente, Alagoas insiste em notícias para trás. É cada coisa que aparece na mídia que o alagoano baixa a cabeça envergonhado. Quando sai alguma coisa boa na imprensa parece até um favor que alguém quer fazer para agradar, para amenizar um pouco as situações vexatórias que não nos abandonam. Recentemente foi divulgado como chacota para o Brasil inteiro que um preso acusado de crimes graves, usando tornozeleira, iria assumir uma delegacia como delegado. O ridículo da Justiça estadual foi alvo de gozação dentro e fora do território, com piadas as mais grosseiras possíveis. Essa, entretanto, não foi notícia isolada, pois continuamos a fabricar o absurdo do cotidiano em todas as esferas sociais. Agora é a vez da incoerência em forma diferente. Um grande monumento orgulho de Alagoas e da nossa medicina, o Hospital dos Usineiros, conhecido também como o Hospital do Açúcar, vive uma situação de pobreza e miséria que faz baixar a crista até do galo da madrugada.
          O que se estampa nos jornais sobre a situação dos corredores daquela unidade hospitalar é muito mais para se pensar em Justiça. Quatro meses sem pagar aos seus funcionários, lixo proliferando pondo em riscos a vida de todos e a falta de informações, perguntam insistentemente o que foi que aconteceu com o Gigante do Açúcar. Como é que um império orgulhoso e titã chega a esse ponto? Para completar o quadro da Saúde, as denúncias constantes do povo sobre o Hospital Regional Dr. Clodolfo Rodrigues, em Santana do Ipanema, exigem uma investigação profunda de cunho federal. Não é possível ficar a responsabilidade apenas para autoridades que não têm compromisso nenhum com o povo e com a verdade, que uma hora denuncia, na hora seguinte aplaude conforme a conveniência política. O erro, se existir, deverá ser investigado e os possíveis agentes, punidos com os rigores da lei. Enquanto isso a plebe vai denunciando na Imprensa local uma situação que não aflora porque é barrada com os descompromissos daqueles que deveriam fiscalizar os órgãos públicos manobrados pelos freios de boca. Uma VERGONHA!
          Voltando a situação de Maceió, ficamos besta! Em Santana o puxa-saquismo espontâneo ou forçado não vem de agora. Na capital, parece haver um véu de ferro diante da verdade. O povo quer saber das coisas, principalmente sobre o dinheiro público empregado em cada obra governamental. Lamentamos profundamente o que está acontecendo em Santana do Ipanema com o Hospital motivo de escândalos e, em Maceió, a quebradeira que adia o pão dos funcionários, retirando o doce do emprego e fabricando O AMARGO DO AÇÚCAR.

FALE FIADO Clerisvaldo B. Chagas, 1º de março de 2012.   AGUARDE DIA 23   Vou pagar o objeto comprado, quando o comerciante se anima e ...

FALE FIADO

FALE FIADO
Clerisvaldo B. Chagas, 1º de março de 2012.

 AGUARDE DIA 23

 Vou pagar o objeto comprado, quando o comerciante se anima e puxa conversa. Conversar às vezes atrasa, às vezes adianta e nem sempre traz proveito. Mas de uma maneira geral, ensina e descobre. Mesmo um papo ligeiro com um cabra embriagado pode render para o pensamento alguma coisa boa, uma inspiração para um poema, uma piada para o humor adiante, uma reflexão profunda e mesmo até um palpite para o jogo do bicho. Quer dizer, então, que falar em “jogar conversa fora”, pode ser de muito proveito se a conversa vem de fora para dentro. Diz o comerciante, “entrando por uma perna de pato saindo por uma de pinto” que o homem deve estar preparado para todas as ocasiões. Quer dizer que você não sofrerá impactos significativos numa brusca situação difícil como um assalto, um acidente, um insulto ou uma notícia de que arrebatou sozinho o prêmio da loteria. Será mesmo que isso funciona? E se funciona, marca certo em qualquer ocasião ou somente em algumas? Isso faz lembrar o professor universitário que deu aula a um jumento. Embora as pessoas contem as coisas já embaralhadas e o original perca-se de boca em boca, disseram mais ou menos assim, em compra terceirizada:
          Em Fortaleza os alunos não gostavam de determinado professor advogado daquela escola. O mestre vinha de outro estado para ministrar suas aulas à noite na universidade. Certa feita, os pupilos resolveram protestar contra a presença do professor, mas de forma diferente. Colocaram um jumento dentro da sala de aula, saíram e ficaram à espreita. O professor adentrou a sala e, vendo somente o jegue naquele ambiente refinado, pôs os óculos e iniciou um longo discurso em direção ao asno que apenas balançava as orelhas e batia as pestanas. A palestra continuou animada pelo tempo exato da aula até o toque estridente da campainha. Os alunos admirados com a reação do palestrante terminaram invadindo a sala, aplaudindo o professor e tornando-se dali em diante, uma plateia infalível em todas as presenças do mestre. O homem tornou-se ícone. Aconteceu ou não, nem sei. Foi em Fortaleza ou em outro lugar, também não tenho certeza, mas o comerciante, a princípio parece ter razão na afirmativa: “O homem deve estar preparado para todas as ocasiões”.
          Nem somente na Grécia vivem os filósofos. Em Santana do Ipanema, Alagoas, ele está ali despachando na caixa. Experimente-o, FALE FIADO.

IBIAPINA Clerisvaldo B. Chagas, 29 de fevereiro de 2012            Os verdadeiros valores de duas pernas às vezes caem no esquecimento, ...

IBIAPINA

IBIAPINA
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de fevereiro de 2012

           Os verdadeiros valores de duas pernas às vezes caem no esquecimento, uns para sempre, outros hibernando. Só há pouco tempo, nós do Nordeste ouvimos falar em frei Galvão. Em um canal de TV, uma pessoa palestrava sobre a vida do santo, fazendo-me lembrar do cordel lançado por Manoel Monteiro, sobre a vida do padre Ibiapina. Esse personagem também é lembrado com insistência no livro da escritora alagoana Luitgarde Oliveira, sobre o cangaço. Segundo o autor cordelista, nasceu José Antonio Pereira Ibiapina, em uma fazenda de Sobral chamada Morro do Jaibara, em 05 de agosto de 1806. O pai havia se metido na política e foi fuzilado, um irmão foi para o degredo em Fernando de Noronha e, a mãe de Ibiapina morreu. Os seus planos de se tornar sacerdote foram adiados para que ele pudesse tomar conta dos irmãos. Ibiapina mudou-se para Pernambuco, ingressou em um Curso Jurídico e, em 1828, saiu formado em Direito. Aos 26 anos, o jovem estava para casar quando a moça fugiu com um primo. José Antonio foi ainda Delegado e juiz em Quixeramobim. Após pelejar no campo jurídico, Ibiapina abandonou tudo e dedicou-se à Igreja aos 47 anos de idade.
          Naqueles tempos de secas e doenças como o sarampo, tifo, malária, padre Ibiapina começou a percorrer os estados do Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, socorrendo os pobres como podia. Como as pessoas eram sepultadas nos lugares ermos, o padre chegou a construir dezoito cemitérios. Construiu estradas, igrejas, capelas, reforma em Matriz. Abriu poços, construiu escolas, casas de caridades e abrigos para órfãos. Açudes não foram esquecidos pelo padre que procurava matar a sede do povo. Inúmeros lugares foram beneficiados pela sua força como São Pedro, Santa Luzia, Brejo Santo, Sobral, Areia, Missão Velha, Gravatá do Jaburu, Crato, Barbalha, Açu, Baixa Verde, Santa Fé, Bezerros, Mossoró, Souza, Cajazeiras, Milagres, Porteiras, Goianinha, Serra da Mãozinha, Bananeiras, Jaicós, Mata Virgem, Santa Cruz, Araripina, Flores, Salgueiro e outros lugares mais.
          Ainda segundo, o autor, o padre Ibiapina encerrou seus feitos no planeta Terra em 19 de fevereiro de 1883, com 77 anos de idade. Expirou em solo paraibano em casa que ele próprio fundou, na freguesia de Arara. Sua “viagem” aconteceu às 15 horas, após o padre dizer: “Estou vendo Maria, ela me chama, já vou”. E assim partiu IBIAPINA.

















O HOMEM GELADO Clerisvaldo B. Chagas, 28 de fevereiro de 2012           Quando o assunto é futebol, o torcedor brasileiro tem acompanhado ...

O HOMEM GELADO

O HOMEM GELADO
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de fevereiro de 2012

          Quando o assunto é futebol, o torcedor brasileiro tem acompanhado a Seleção com olhares de jacaré, quando muito como os de hipopótamos. A euforia típica da nossa pátria foi desaparecendo com as decepções que se acumulam, deixando a pergunta rolando no espaço qual folha de algodão seda. O algodão seda é uma planta típica do sertão nordestino, pequena, esverdeada e feia que nasce em lugares mais degradados pelo homem. Além de bastante frágil, apresenta uns rolos parecidos com jenipapo ou legítimos papos de peru. Daquele complexo no meio do cercado, desprende-se o tal algodão seda, quase transparente que é levado pelo vento brando; ora sobe, ora desce e voa para todos os lados conforme os caprichos da aragem. Pois assim vai se sentindo o torcedor da amarelinha, muitas vezes, além da decepção, revoltado com a peste da frieza do treinador. Sentimos que do jeito que vai a coisa, vamos ficando cada vez mais distante da liderança mundial da redonda. A incerteza corrói há muito a segurança do fanático, do comum, do esporádico. Escolheram um homem para comandar a equipe brasileira que parece sem emoção, sem sangue e sem assunto.
          Bolando aqui, bolando ali, a seleção brasileira parece contaminada com o ritmo sem ritmo do treinador. Vamos apreciando aquela coisa irritante, peladeira, sem vida que provoca dor até em dente de alho. Não duvidamos da capacidade dos jogadores convocados, mas é um harém para um pobre coitado que não sabe nem começar. Assim a tristeza bate no peito de cada um e, amigos e familiares, na poltrona, entreolham-se com um sorriso amarelo após o jogo e deixam escapar sonoros palavrões com o desempenho do amontoado de Mano Menezes. Duvidamos todos que o Brasil possa chegar a lugar algum, com isso que está aí. Se treinador ganha jogo ou não ganha, mas deixa passar para a torcida uma sensação de poder mágico que influencia o ânimo de quem ouve uma entrevista. Esse empurra-empurra com a barriga que o técnico vem fazendo não deixa esperança nenhuma no bisaco. O senhor Mano não tem carisma algum e poderá até chegar a ser o campeão do mundo, mas até agora parece apenas um galego que tenta levar o povo com palavras.
          O jogo de hoje, seja qual for o resultado, não irá provar nada. Se o Brasil ganhar, “ganhou de uma seleção fraca que até a minha avó ganharia”. Se o Brasil perder, “perdeu por que o frio intenso da Europa dominou os jogadores, já era esperado”. E se empatar, sem dúvida alguma ainda será o pior resultado, pois alimentará com colher gigante a incerteza que vem predominando. Quem quiser apostar a hora é essa. Ganhando, perdendo ou empatando a desconfiança ainda reinará no deserto, na praia, na montanha ou sob belíssimas nevascas para congelar ainda mais o técnico Mano Menezes, o HOMEM GELADO.

FOGO NO GELO Clerisvaldo B. Chagas, 27 de fevereiro de 2012           Quem contava as maravilhas da Antártida, era o meu professor que d...

FOGO NO GELO

FOGO NO GELO
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de fevereiro de 2012

          Quem contava as maravilhas da Antártida, era o meu professor que depois se tornou famoso, Douglas Apratto Tenório, no Colégio Guido de Fontgalland, em Maceió.  Apontador na mão escorregando pelo mapa do “Continente Gelado”, Apratto, discorria em complemento ao meu velho “mestre-enciclopédia” Alberto Nepomuceno Agra, do casarão Ginásio Santana. Certo de que falava para uma turma pequena, mas interessada, Douglas mantinha uma linha séria e agradável para os amantes da natureza. Víamos o branco do gelo nas palavras do professor e sentíamos a ambição do mundo pelos recursos do subsolo daquele continente. O professor casava suas aulas de Histórias com as da Geografia; na verdade, exibia ambas as matérias apaixonantes, uma vez que o casal há muito já existia. Falava no acordo entre os países exploradores da Antártida, da dificuldade de funcionamento dos motores na baixa temperatura, da fauna marítima, da participação do Brasil nos estudos científicos na base que assegurava sua fatia de pesquisas.
          Agora vamos observando com tristeza, cerca de cinco anos de estudos em diversas áreas do conhecimento, sendo transformados em cinzas. Essa quentura sinistra no gelo do Sul da Terra parece tramar contra os avanços bem sucedidos do Brasil, parecendo coisa proposital. Vai lembrando a destruição da base de Alcântara que impôs sérias consequências às nossas pesquisas do espaço; o misterioso surgimento do “bicudo” no Nordeste destruindo seus algodoais concorrentes dos campos americanos. E o pior é que o incêndio que será investigado pela Marinha Brasileira, levou a vida de duas pessoas da Estação Comandante Ferraz. A retirada às pressas do pessoal da base para o país chileno, foi uma grande frustração e nos pareceu com uma humilhante derrota e vergonhoso carão de adulto para criança. Só quem vive montado na paciência da pesquisa, décadas seguidas, sabe o que é a dor de perder cinco anos de laboratório e anotações. Nesse caso, a única vitória foi o resgate das vidas dos que sofreram com o sinistro do deserto de gelo. Por outro lado, pode ser que a tragédia desperte a vontade de muitos mais cientistas brasileiros por atuações nos segredos do “Continente Branco”.
          Ficam registrados os nossos lamentos e a torcida pelo recomeço de nossas ações em torno do Polo Sul. Fazer o quê. Estão lembrados do Instituto Butantã? As chamas parecem inimigas do País em todos os setores de estudos. Será o Benedito?! Base de Alcântara, Instituto Butantã, estação da Antártida: fogo no ar, fogo na terra, FOGO NO GELO.

SERTÃO VELHO DE GUERRA Clerisvaldo B. Chagas, 21 de fevereiro de 2012           Tenho dentro dessa trincheira de letras, muito lutado pel...

SERTÃO VELHO DE GUERRA
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de fevereiro de 2012

          Tenho dentro dessa trincheira de letras, muito lutado pelo Sertão alagoano. Os escritores santanenses saíram cedo da terrinha. Logo que publiquei meu primeiro trabalho, romance “Ribeira do Panema”, não parei mais de berrar feito bode na caatinga em busca de socorro para o nosso semiárido. Sozinho e Deus nessa trincheira, durante várias décadas, lutando, notadamente, contra o ciúme doentio de quem muitas coisas podem barrar e podem elevar. Felizmente chegou a Internet, sistemas que abriu às portas para grandes oportunidades dos que antes tinham os seus trabalhos cerceados. Hoje ninguém mais pode colocar pedra no seu caminho, pois o desvio pela web é imediato. E aqueles que sempre nos queriam ver com mãos atadas, contemplam fungando no próprio “cangote” o vôo sereno do urubu ou a rapidez voraz do gavião. Agora novos talentos são revelados escrevendo aqui, acolá, jogando as peias da timidez no lixo da estrada. Uns têm fôlego curto, outros conseguem prosseguir com certa regularidade, procurando ir mais longe aos seus escritos. Para eles e para nós, a Internet veio como dádiva e os antigos senhores do cabresto não tiveram mais como encabrestar ninguém. Às vezes vem uma vontade medonha de mostrar a prova dos nove. Matar a cobra e mostrar o pau e a serpente. Citar nomes dos poderosos, seus feitos e suas covardias que ainda hoje fazem doer. Entretanto, “para frente é que se anda”, diz o nosso caboclo alagoano.
          Eu não queria entrar na vereda perdida que não leva a lugar nenhum.  Mas, como disse em trabalho pretérito, iniciamos um artigo com um rumo previamente traçado, quando alguma coisa que não sabemos explicar vai desviando as rédeas do nosso objetivo. Estava no quadro-negro, verde ou branco, a peça em cartaz sobre a palma forrageira, desenvolvida para resistir à cochonilha, uma vez que a nossa palma forrageira possui história internacional e sertaneja de alto e incalculável valor. Entretanto, muitas vezes o burro empanca na encruzilhada e não tem pancada na cabeça que sirva. O cavaleiro, aborrecido, parte em novo rumo sem querer. Ninguém, ninguém mesmo quer ser saco de pancadas nem depósito inútil de guardar mágoas. Porém, bem que diz o cantador repentista: Tudo passa na vida, tudo passa/ mas nem tudo que passa a gente esquece.
          Esse traçado de hoje nem precisava ter saído. Como dizia os poetas sobre inspiração, vamos aguardar a pacificidade de Minerva que a deusa nessa sexta-feira não se encontra nos aposentos do Olimpo. Pelo menos vamos deixar baixar a poeira nessa estrada desse SERTÃO VELHO DE GUERRA.