LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (VI) Clerisvaldo B. Chagas, 7 de julho de 2012. Crônica Nº 814 Tenente José Joaquim Grande É sempre...

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (VI)


LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (VI)
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de julho de 2012.
Crônica Nº 814

Tenente José Joaquim Grande
É sempre difícil falar nossas opiniões sobre o pensamento dos grandes sobre qualquer assunto. Oscar Niemeyer, por exemplo, foi autor de prédios famosos, alguns feios, outros sem ventilação. Mas quem ousa criticar o mestre, como vi em certa revista? Mas também já vi críticas sobre teses absurdas de um grande do cangaço, no próprio espaço virtual dedicado ao tema. Bem, quem escreve é formador de opiniões, cabe aos leitores, como nós aceitar ou não. Com as melhores das intenções, com seu trabalho exaustivo, sério e de fôlego, Arquimedes deixa ao leitor alguns ganchos que não comprometem sua obra. O assunto é vasto e nem sempre o autor dispõe de outras fontes para confronto. Pag. 129: Água Branca, Alagoas, não pertence à região do Pajeú. Págs. 150, 151 e 152: Excelente sobre Frederico Bezerra Maciel. Pag. 228: O peitica também é uma ave do interior (Empidonomus varius) parecido com o Bem-te-vi. Seu canto é considerado de mau augúrio. Págs. 252, 253: Faltando entre os quatro mais importantes combates, o primeiro de Poço Branco, quando Virgolino se firmou para o cangaço. Houve um segundo combate de Poço Branco, logo após o assalto a Água Branca (ver depois detalhes: “Lampião em Alagoas”). Pag. 277: Ótimo, dignidade do tenente alagoano José Joaquim Grande, ao resguardar Volta Seca, mas, Pag. 351, sobre o mesmo tenente, o contrário? O tenente era homem de toda a confiança do comando. Pag. 430: Se os seguidores de Bezerra naquela noite de 27 de julho de 1938, não fossem destemidos, não teriam passado a noite enfrentando o frio terrível e o escuro para enfrentarem o bandido Lampião. Sobre as imundícies praticadas por Panta e outros, é outra coisa: abomináveis. Pag. 445: Nunca vi uma fotografia de Lídia para afirmar que ela era mesmo a mais bonita, pois, pelas fotos vistas, somente “bonita” era o apelido de Maria de Lampião. Aliás, beleza é questão particular de cada um. Pag. 453: O grande e excelente Costa incorporou tanto o tema cangaço, dá inúmeros títulos a Lampião e chega ao absurdo de chamá-lo Herói Nacional, (talvez um Caxias, um Tiradentes, um Plácido de Castro...) essa, com toda vênia, não engulo nem com manteiga. Pag. 455: Foram chefes de Virgolino: Matilde, os Porcino e só depois Sinhô, quando veio o apelido Lampião. Pag. 463: Tentando diminuir o mérito de José Rufino em cercar um paralítico. Quem já viu cobra cascavel paralítica sem veneno? Pag. 484: Lampião, Justiça de Deus: Um absurdo maior do que o paralítico. Essa opinião nem com manteiga e iogurte.
Não sou vaqueiro do cangaço, não sou associado ao movimento, não sou escritor e pesquisador do cangaço, propriamente dito, sou apenas um leitor exigente e como leitor, não me pode ser negado o direito de opinar, certo ou errado. Sobre a parte relativa à Maria Bonita, preferi apenas ler as palavras do Dr. Pedro de Morais, nas citações de Archimedes, bem como os veementes protestos de defesa.
Sobre ridículos, pequenos, médios e grandes escritores do cangaço: Muitos querem colocar Lampião no céu; poucos enfiá-lo no inferno; e pouquíssimos enquadrá-lo no purgatório.
Encerro aqui os meus trabalhos de uma série de seis crônicas sobre a obra de Marques, agradecendo a paciência dos leitores e a confiança do autor. Desejo todo o sucesso do mundo ao pesquisador, delegado, advogado e novo escritor desse tema complexo e de borracha que se chama cangaço. Almejamos, meu amigo Archimedes Marques, outros livros seus na praça, tão bons e gostosos de leitura quanto “Lampião contra o Mata Sete”. Parabéns.

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (V) Clerisvaldo B. Chagas, 6 de julho de 2012. Crônica Nº 813 Lampião, em barro. Respondendo ainda ...

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (V)


LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (V)
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de julho de 2012.
Crônica Nº 813

Lampião, em barro.
Respondendo ainda ao Capítulo 8 do livro “Lampião contra o Mata Sete”. Zé Lucena criou fama perseguindo bandidos, desde 1918, em Alagoas. Com a revolução de 30 continuou fiel ao governador e acabou preso acusado de desviar dinheiro da Caixa Beneficente da Guarda Civil. Muito sereno, provou sua inocência, foi solto e passou a ser homem de confiança do governador. Assumiu o comando do 2º Batalhão de Polícia com sede em Santana do Ipanema, criado para ser o centro de operações contra cangaceiros. Foi ele quem escolheu seus homens a dedo. Recebeu carta branca contra cangaceiros, ladrões de cavalos, arruaceiros e malfazejos em geral que atormentavam a sociedade. Em Santana incorporou-se ao social fazendo dupla com o padre Bulhões, os dois homens mais prestigiados de todo o interior. Brincava carnaval com os comerciantes locais e participava ativamente de todos os movimentos em prol do progresso de Santana. Foi prefeito dessa cidade, deputado e prefeito de Maceió. Tem razão o juiz Pedro de Morais quando diz em citação de Archimedes na página 186: “(...) Lucena foi um militar probo, valente, e seus feitos de glória honraram a briosa Força Pública das Alagoas, pela retidão de seu caráter, no mister de valoroso guerreiro, cumpridor de seus afazeres. (...). O resto da citação é loucura. Zé Lucena foi um dos mais valentes comandantes do Nordeste à caça de cangaceiros. Deu o prazo de 15 dias para a entrega da cabeça de Virgolino pelas volantes alagoanas e, o prazo foi cumprido.  Quem fala que Lucena era covarde porque matou inúmeros bandidos em cova aberta ou não, ainda não apresentou um nome sequer de algum comandante de polícia ou volante candidato a santo. Estamos aguardando. Esperem mais detalhes do seu caráter logo, logo em “Lampião em Alagoas”.
Lucena hoje é nome da avenida principal da cidade de Santana do Ipanema e do 7º Batalhão de Polícia sediado nessa cidade de cinquenta mil habitantes, “Capital do Sertão” de Alagoas. Zé Lucena sempre reconheceu as estratégias militares de Lampião, pois brigara com ele desde o tempo em que Virgolino era capanga dos Porcino (Antônio, Manuel e Pedro). Por outro lado, Lampião tinha um cuidado especial com Lucena, pois já provara da sua coragem e ferocidade nos combates. Desafiar Lucena não era tarefa para qualquer um, tanto que após a instalação do Batalhão em Santana, Virgolino nunca mais ali passou por perto. Querer tirar os méritos do morto Lucena, é querer fazer o que o juiz Pedro de Morais quer fazer com Lampião.
(Amanhã encerraremos nossos comentários (série de 6 crônicas) a respeito do livro “Lampião contra o mata Sete”, do bem-vindo escritor, delegado e advogado Archimedes Marques).

Coronel José Lucena Albuquerque Maranhão LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (IV)   Clerisvaldo B. Chagas, 4 de julho de 2012.   Crônica Nº...

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (IV)

Coronel José Lucena Albuquerque Maranhão

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (IV) 
Clerisvaldo B. Chagas, 4 de julho de 2012. 
Crônica Nº 812
Muitas coisas foram ditas sobre José Lucena de Albuquerque Maranhão em nosso livro “O boi, a bota e a batina: história completa de Santana do Ipanema” que ficou para o ano para novas inclusões e por ter cinco outros livros na fila, antes dele. Lucena também está amplamente no livro “Lampião em Alagoas” que, pelos preparativos de lançamento, não vai dar para o dia vinte e oito deste mês, como prevíamos, ficando talvez para agosto. Uma crônica só é pouco para nossas observações sobre o Capítulo 8 do livro “Lampião contra o Mata Sete”, mas tentaremos pelo menos com reduzidas palavras afirmar posições. Desde 1918 que o sargento Lucena lutava na Zona da Mata Alagoana e no Alto Sertão, época em que a Família Ferreira veio morar em Alagoas. Lutou contra bandos de cangaceiros, inclusive o dos Porcino que foram chefe de Lampião. Aliás, Lampião não foi somente chefiado por Sinhô. Ele teve três chefes, pela ordem: Matilde, os Porcino e depois Sinhô Pereira. No caso da morte de José, está claro em “Lampião em Alagoas”. Lucena estava em busca do criminoso Luís Fragoso, cercou sua casa, sem resistência, morrendo aí, por infelicidade, José Ferreira, durante a invasão, pelo instinto de cão do soldado Caiçara, o assassino. Lucena esbravejou contra Caiçara, mas como comandante da pequena força, assumiu o ato do soldado. Quanto à morte do oficial de que fala o Capítulo 8, de “Lampião contra o Mata Sete”, também está escrito de forma inédita detalhadamente, em “Lampião em Alagoas”. O oficial tentara assassiná-lo na noite de escuro, anterior. Chamado para esclarecimento o tenente Porfírio desafiou o comandante e não quis atender o seu pedido por duas vezes, o que Lucena para não ficar desmoralizado mandou que dois soldados que foram chamar o oficial o trouxessem vivo ou morto. Porfírio preferiu ir morto. (Aguarde “Lampião em Alagoas”).
Em relação à morte do coronel José Rodrigues de Lima, Lucena havia sido emboscado no município de Água Branca quando morreu o capitão Eutíquio Rafhael de Medeiros. Essa emboscada foi atribuída a Zé Rodrigues. Naquele tempo − o companheiro Archimedes sabe que era assim − ou um ou outro. Lucena até demorou com a vingança. (Detalhes no mesmo livro acima).
Em 1936, com a criação do 2º Batalhão de Polícia de Alagoas e sua instalação em Santana do Ipanema, Lucena torna-se o seu primeiro comandante. O batalhão passa a ser a sede de todas as forças volantes distribuídas estrategicamente no semiárido. São frases do conhecido comandante João Bezerra “Como dei cabo de Lampião” (...) “S.S. sempre possuía dados importantes. Trabalhador valoroso, não se descuidava de um só instante de pesquisar por todos os meios ao seu alcance dos paradeiros dos grupos assassinos”.
(...) esse valente militar dava ordens à distância e nunca perdia o contato com os seus comandados, auxiliando-os constantemente por todos os meios, ora com avisos, informações escritas, por portadores e telegramas quando possível, ora fiscalizando as marchas através das caatingas, animando, estimulando e orientando os comandados que surpreendia em toda parte com a sua agradável presença de chefe destemeroso.
Ainda Bezerra (1983, p. 177): O coronel Lucena nunca vacilou para dar ordens enérgicas sempre que o interesse da campanha o exigisse. A confiança que tinha em si mesmo, a sua fé e a sua coragem aliadas à expectativa feliz de êxito nas diligências, se irradiavam sobre os seus comandados, estimulando-os a imitá-lo na esperança da vitória.

Foi Theodoreto quem sugeriu a criação do 2º Batalhão de Polícia com sede em Santana do Ipanema. O comando seria entregue ao major José Lucena de Albuquerque Maranhão, oficial reconhecidamente destemido e experimentado nas lutas cangaceiras. Sobre ele fala o santanense sargento Oscar Silva, seu comandado, depois escritor de conceito, em “Fruta de Palma”:
(...) sob o comando de um homem de cultura limitada, mas de inteligência rara e férreo espírito de disciplina: o major José Lucena de Albuquerque Maranhão (...).
(...) senso de intransigente cumpridor da Lei e da Ordem. Era um amigo incondicional dos comandados, ao mesmo tempo, um intransigente adversário de qualquer deles, conforme a adaptação ou não dos subordinados à sua maneira de comando.
(Continuação e conclusão amanhã, sobre Lucena e Capítulo 8 de “Lampião contra o Mata Sete”).

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (III) Clerisvaldo B. Chagas, 4 de julho de 2012. Crônica Nº 811 Estátua ao cangaço Acho que o pr...

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (III)


LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (III)
Clerisvaldo B. Chagas, 4 de julho de 2012.
Crônica Nº 811

Estátua ao cangaço
Acho que o primeiro livro sobre o cangaço que eu li foi do autor Nertan Macedo: “O capitão Virgulino Ferreira da Silva – Lampião”, da Editora Leitura, 1962, no início da minha adolescência. Linguagem vigorosa, porém, muito poética e que impressiona os jovens no alvorecer das grandes leituras. Daí para cá, ou antes, disso, inúmeros pesquisadores esmiunçaram a existência de Virgolino e, ultimamente escrevendo até a vida de vários de seus muitos mais de duzentos seguidores. Em Alagoas ainda resta um ex-cangaceiro vivo, motivo de uma conversa que tive com um dos seus genros para escrever os feitos do sogro. Não aposto que pode acontecer, pois não me empenho para isso. Quando o livro de Archimedes fala sobre o autor de “Lampião na Bahia”, Oleone Coelho Fontes (1998), como coiteiro de Pedro de Morais, pela sua apresentação tendenciosa no livro “Lampião, o Mata Sete”, é sem dúvida motivo de tristeza. Dizem que é um ótimo livro, o escrito por Oleone, mas sair da condição de festejado para coiteiro de Morais, pelo amor de Deus!
Quanto às páginas referentes e contra o coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão, não batem com o que sabemos. Informações amplas sobre o assunto, inclusive a morte de José Ferreira, logo estarão disponível brevemente em “Lampião em Alagoas”. Mesmo assim, na próxima crônica narraremos a nossa opinião sobre Lucena, baseada na tradição oral em Alagoas e nas linhas de outros escritores do cangaço.
Diante de tantas e tantas obras publicadas sobre Virgolino, vimos afirmações sobre ele, muitas, exageradas: Era parteiro, poeta, artesão, almocreve, agricultor, vaqueiro, pecuarista, dançarino, devoto, entres outras qualidades. Expressando minha humilde opinião sobre o que tenho lido do montante de títulos a seu respeito, no Sertão nordestino, o fazendeiro, vaqueiro, pequeno proprietário nasce naquele meio fazendo quase tudo. Lampião apenas fazia o que todos faziam, sem os exageros dos que dizem que ele era o melhor isso, o melhor aquilo, numa adoração sem fim.  Quantas besteiras! Compositor razoável, poeta sofrível, almocreve comum, bom dançarino como muitos outros sertanejos, vaqueiro, artesão, pequeno agropecuarista com o pai, dentro da normalidade. Agora, quando se fala da sua capacidade militar, aí sim. O homem nasceu mesmo para guerrear. Era na verdade muito superior em estratégia a todos os comandantes de volantes que enfrentaram a luta. Não confundir com valentia, pois valentes e covardes nunca faltaram nas tropas do governo e nem nos bandos cangaceiros.  Lampião nunca foi coronel dos coronéis e nem todos temiam suas investidas. Lampião nunca passou de falso capitão, mas foi o gênio militar das caatingas nordestinas em torno de vinte anos. Não há contestação. Ele nunca foi herói por ter participado de guerras do Brasil com outros países, herói nacional. Entretanto, o mestre Aurélio diz: “Herói: homem extraordinário por seus feitos guerreiros; pessoa que por qualquer motivo é o centro de atrações”. É o mestre quem diz em seu “Novo Dicionário AURÉLIO” e não eu. Está aí: o monstro, estuprador, assassino, torturador, ladrão, assaltante, bandido, herói do conceito acima pelo seu extraordinário quengo militar e convergência das atenções. VE E VE A D O , doutor Pedro de Morais, com certeza o “Diabo dos Sertões” nunca foi e nem teve vontade. A coisa tá feia doutor.
(continua amanhã).

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (II) Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de 2012 Crônica Nº 810 O ilustre delegado (profissão motivo de ...

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE ( II )


LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE (II)
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de 2012
Crônica Nº 810

O ilustre delegado (profissão motivo de orgulho de Archimedes) nem precisava de citações para defender a sua tese, todavia, ele preferiu reforçar defesa e ataque incorporando uma tropa de elite, colocando-a, ora na linha de frente ora na retaguarda dos combates contra o Mata Sete. Estão ali os mais destacados escritores do cangaço apostos à frieza do comando. Além disso, é grande a contribuição do pano de fundo com as diversas passagens apresentadas por Marques, carimbadas pelos pesquisadores de peso do cangaço.
Dois sábios alemães deram o caráter científico autônomo da Geografia no século XIX. Alexandre de Humboldt (naturalista) e Karl Ritter (historiador e filósofo). O primeiro viajou em pesquisa pela Europa, América do Norte, Ásia Setentrional e publicou o livro “Cosmos”. O segundo, pouco viajou. Dedicado ao Magistério e baseado em leituras entregou ao público o livro “Ciência Comparada da Terra”. Isso quer dizer que o pesquisador tanto pode fazer pesquisas de campo, quanto usar as fontes diversas e honestas sem sair de casa. Aliás, fora outros atributos, para pesquisas in loco é preciso ganhar bem, ou dispor de boa fonte financeira e coragem para enfrentar cobras, mosquitos, sol abrasador, água ruim, péssimas estradas e não ter ojeriza à pobreza.
O juiz escritor, Morais, pode ter feito como o historiador Karl Ritter, pesquisando nos melhores livros sobre o cangaço ao alcance do seu poder aquisitivo. O seu estilo é bom, escreve bem, mas infelizmente sua inteligência o guiou para uma inovação literária que transforma água limpa, potável, cristalina, em marrons, turvas, negras lamas de barreiro.
Não sei, não quero a crítica literária, não tenho vocação para o mister. Mas, como leitor atento às citações de Archimedes, fiz algumas comparações particulares, isto é, fora do foco do seu livro para melhor entendimento sobre o cangaço. Nada que compromete o desenrolar dos fatos e que os abordaremos na sequência.
Detesto o “puxa-saquismo” para os lados de Lampião ou da Polícia, quando usado por “monstros sagrados” ou iniciantes sobre o tema cangaço com Lampião como personagem central. Isso não encontrei nos textos escritos por Archimedes Marques. O autor fala com toda clareza em vários trechos sobre a monstruosidade do bandido, porém, da mesma maneira não nega as suas qualidades. Sua atração pelo assunto, não o conduz à paixão explícita por Lampião como mais de um “grande” tentam passar ao leitor menos exigente. Talvez seja esse equilíbrio levado pelo novo escritor que vai conquistando o seu fã clube. Para melhor situar a obra do homem de Sergipe, passamos a informação: (MARQUES, Arquimedes. Lampião contra o Mata Sete. 1 ed. Aracaju, Info Graphics, 2012).
(continua amanhã).



LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE ( I ) Clerisvaldo B. Chagas, 2 de julho de 2012. Crônica Nº 809  ARCHIMEDES MARQUES ...

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE ( I )


LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE ( I )
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de julho de 2012.
Crônica Nº 809 

ARCHIMEDES MARQUES
Alagoas, no geral, sempre foi um estado quase arredio para assunto de cangaço e para cantador repentista. Talvez, pelo gosto mais reservado para esses temas, não tenha havido repercussão por aqui do livro embargado pela Justiça “Lampião, o Mata Sete”, do juiz Pedro de Morais. Grandes repentistas e famosos livros sobre Lampião também não causam impacto nenhum no “Paraíso das Águas”, assim como já antevejo o nosso “Lampião em Alagoas”, cujo esforço está concentrado para o lançamento ainda este mês.
Embargado pela Justiça, através da família Ferreira, “Lampião, o Mata Sete”, conseguiu escapar com alguns exemplares, lidos por abnegados pesquisadores do tema cangaço. Alguns ficaram horrorizados com as baboseiras e delírios do autor (um verdadeiro Zé Limeira cantador do absurdo). Confesso que não li o citado livro que, mesmo clandestino, não circulou por essas bandas. Reagindo aos sonhos eróticos do juiz, surgiu na praça um veemente protesto comandado pelo livro antagônico “Lampião contra o Mata Sete”, do delegado de polícia, estreante na Literatura e como novo escritor do cangaço, colunista, “blogueiro” e pesquisador Archimedes Marques, no estado sergipano.
Quando o escritor atinge certa idade, reduz quase a zero a sua leitura livresca em troca das escritas frenéticas como a querer reconquistar o tempo. Pela minha parte, abri exceção para o início da frase acima, ao receber o calhamaço de 552 páginas do homem da lei Archimedes Marques. Há muito, não passando de uma leitura de 50 páginas, mergulhei no “Lampião contra o Mata Sete”, como nos velhos tempos da adolescência, lendo-o em dois dias. Sobre qualquer tipo de assunto, desde a crônica ao romance, tenho atração pelo fraseado simples, acessível, porém, mágico, burilado e criativo que faz a diferença entre o ótimo escrito da pessoa comum e o jogo atrativo de palavras e frases literárias. É assim que Archimedes consegue levar o leitor até o fim do livro como se fosse a sua linguagem a de um veterano escritor de qualquer coisa. Portanto, esse seu estilo, é um dos atrativos das páginas contra o “Mata Sete”.
Lendo o livro de Marques, não preciso mais espiar a safadeza de “Lampião, o Mata Sete”, pois as constantes citações sobre ele − apresentadas e contestadas por Archimedes − provocam náuseas desde os escritores sérios às raparigas mais fuleiras dos becos do Nordeste. O livro “Lampião contra o Mata Sete”, de Archimedes Marques, é um terremoto máximo nas pretensões do juiz aposentado Pedro de Morais.  
(continua amanhã).




  FICANDO DE CASTIGO Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2012. Crônica Nº 808 Fonte: www.globo.com Vai embora o mês de junh...

FICANDO DE CASTIGO

 FICANDO DE CASTIGO
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2012.
Crônica Nº 808

Fonte: www.globo.com
Vai embora o mês de junho, com importantíssima vitória para a Venezuela. Bem diz o povo “que morre uns a bem de outros”. Protelando sempre a entrada do país setentrional no MERCOSUL, o Paraguai usava seu direito de voto, puxando às rédeas da decisão até não se sabe quando. Beneficiado pelo afastamento oficial do Paraguai, pelos demais países do bloco, o senhor Chávez tem muitas comemorações ainda pela frente, em face da inclusão do seu país como membro total do MERCOSUL. É de se ver como já disse o senador Pedro Simon, que o Chávez passa, mas a Venezuela fica. Independente do polêmico “fura penico”, Uruguai, Argentina e Brasil (fundadores do bloco do sul), só têm a ganhar com a inclusão do país vizinho do norte, fortalecendo as amarras latinas e robustecendo a Economia regional. Quando o próprio Paraguai terminar o seu lero-lero, irá notar como a América do Sul ficou mais encorpada. A Venezuela é um grande importador dos nossos produtos e não vemos nada de negativo com essa nova parceria, a não ser possíveis chateações com o camarada da boina vermelha.
Dessa vez se saiu bem a presidente da Argentina Cristina Kirchner e toda diplomacia das outras nações, inclusive as dos países ainda associados ao bloco como Chile, Bolívia, Equador e Peru. Esperamos, aliás, que  futuramente esses quatro países façam parte plenamente do MERCOSUL, assim com a Guiana e a Colômbia. Também foi bem feita a costura do Brasil para que o povo paraguaio não sofresse sanções por parte dos seus vizinhos. Um puxão forte de orelhas deve fazer muito mais efeito de que sacrificar mais ainda a população do país mais pobre da região. Apesar da reunião acontecida não ter sido mostrada amplamente pela Imprensa, não se sabe de nenhuma discórdia e nem incidente que levasse a assembleia a um fracasso. Certamente estaremos vivendo uma fase diferente sem a presença política paraguaia por longos meses que ficam mais longos ainda pela crise mundial. Já no fim da reunião, Cristina Kirchner passou a presidência do bloco para a presidenta brasileira, no revezamento democrático do conjunto.
Na sexta, o Senado do Paraguai afastou Fernando Lugo da presidência. O placar pela condenação e pelo impeachment do socialista foi de 39 senadores contra 4, com 2 abstenções. Federico Franco assumiu a presidência pouco mais de uma hora e meia depois do impeachment de Lugo”. Na escolinha de aprendiz ainda, o Paraguai, no entendimento dos parceiros, errou a lição na cartilha Lugo-Franco. Vai perder um belo de um recreio, baixando a cabeça e FICANDO DE CASTIGO.

FOGUETES Clerisvaldo B. Chagas, 29 de junho de 2012. Crônica Nº 807   A mulher me fez parar bem defronte ao museu e perguntou-me...

FOGUETES


FOGUETES
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de junho de 2012.
Crônica Nº 807
 
A mulher me fez parar bem defronte ao museu e perguntou-me por que estava havendo tanto foguete na cidade. Aspecto humilde, mas demonstrando bastante vontade de conversar, quase não me deixava responder nada. “Será pelo São Pedro?” − tornava a perguntar. Eu falei calmamente que não sabia o motivo do tal foguetório. “Mas o senhor não é professor? Não é escritor? Insistia a mulher. Sim, madama, voltei a responder, porém, não sou professor para investigar o porquê dos fogos. E escritor é para escrever, não para perscrutar estouros. “Pois figue sabendo professor, que isso não é coisa de santo, não. É bem safadeza de político. Não tá no tempo? Eita povo triste, meu Deus! Eu mesmo não dou meu voto esse ano a fio da peste nenhum. Pode soltar o tanto de foguete que quiser! O senhor não é candidato não?” Não senhora. E me desculpe que estou partindo. A mulher deixava explícito que estava precisando urgentemente falar mal de alguém. Seus olhos dançavam nervosos e pareciam querer espiar os meus blindados pensamentos. Senti a pregada no ar. “Estou precisando comprar um botijão de gás e pagar as minhas contas de água e luz... Mas o senhor tem certeza mesmo de que não é candidato?
Ouvimos juntos outros espocar ali por perto. Realmente a tradição de soltar fogos em época junina, continuava, se bem que em menor quantidade. Aliás, tudo que se referia aos festejos do mês de junho havia encolhido principalmente a prática de acender fogueiras, as bombas mais robustas, a venda de comidas típicas e os forrós arretados em cada rua do interior. Somente o velho foguete, inventado no tempo em que Adão era menino, continuava em voga. Santo Antônio, São João e São Pedro precisavam dos estouros e da luminosidade daquelas varas finas com pólvora para se sentirem mais honrados ainda pelos sertanejos devotos do Nordeste. “Mas não era tempo de confissão!”, teimava a mulher. Expliquei: Não senhora, o padre está danado com esse negócio de confissão. A senhora vai se confessar? Os partidos estão fazendo as convenções e não as confissões. Todos eles usam o foguete. Mas, como à senhora não gosta de foguetes e nem vai votar em “fio da peste nenhum”, é melhor eu nem dizer quem está pagando água, luz, gás e telefone. A mulher, sentindo que ainda restava uma esperança, ficou “mordendo na corda”: “Não professor, é que todo político quer subir e a gente precisa mesmo dá uma ajudazinha a eles, não é? Eles botam um foguete no r... e a gente toca fogo, né não! Eles sobem que só a beleza!”. Na hora lembrei-me de Seu Lunga.
Bem, estou indo, eu disse. “Vai para onde?” Vou ajudar as pessoas que precisam pagar as suas contas; aproveito e vou à ponte do Urubu comprar foguetes. “Comprar foguetes? Comprar foguetes para que, se o senhor não é candidato e nem vai à confissão?”.  Perdi a paciência e respondi: É certo que não vou à convenção, os foguetes são para a senhora que eu os dou de presente. A madama vai usar cada um no mesmo lugar onde o político coloca, sabe! Na hora de tocar fogo pode me chamar que eu venho.
Não sei dizer se a irritante tagarela esperou à compra dos FOGUETES.

PRETO E CABELUDO Clerisvaldo B. Chagas, 28 de junho de 2012. Crônica Nº 806 Quando o circo chegava ao interior proporcionava um...

PRETO E CABELUDO


PRETO E CABELUDO
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de junho de 2012.
Crônica Nº 806

Quando o circo chegava ao interior proporcionava uma grande alegria à população carente de diversões. Circo grande, enorme, descomunal ou circo pequeno, acanhado, sumido, sempre concentravam a força maior no palhaço e alguns até em dois palhaços. Poderia o circo dispor de ótimas apresentações em todo o seu quadro, porém, se não tivesse um excelente mestre do riso, seria motivo de brevemente levantar acampamento. Lembro que certa feita um bom palhaço assegurava semanas seguidas de espetáculos, por trás da atual Delegacia de Polícia, em Santana do Ipanema, Alagoas. Entre outras, o sem vergonha contou que seu primo andava perto da cidade quando avistou um bicho. Tentou correr, mas se deparou com o bicho na frente. Era um bicho preto e cabeludo. Ele voltou e entrou por uma vereda. Olhou para trás e, lá vem o bicho. Correu, correu em direção à cidade e o bicho preto cabeludo atrás. Ao entrar na cidade procurou um abrigo e nada. Lá na frente havia uma baiana da saia grande, vendendo acarajé e, o jeito foi meter-se debaixo da saia da vendedora. Pronto, respirou aliviado o primo, porém, quando pensava que estava salvo, olhou para cima e assustou-se mais ainda pois lá estava o bicho preto e cabeludo. O velho circo quase veio abaixo de tantas gargalhadas dos marmanjos.
Esta semana encontrei-me com um pretenso candidato, no comércio de Santana. O homem aproveitou para me dá um abraço de urso, perguntar pela família, pela saúde, pela situação e tantas coisas mais que eu pensei que o novo cara de pau, havia se convertido. Depois da ladainha de praxe, o sujeito confessou a sua pretensão. Perguntou-me animado se podia contar com a minha família, se não toda, mas pelo menos com a metade ou menos da metade porque por um voto apenas se ganha e se perde uma eleição. Diante da famigerada saia justa, fui salvo pelo gongo, quando outra vítima surgiu e nos cumprimentou. No desvio da atenção, saí alegando uma conversa futura, mas o novo passarinho ficou na mesma rede em que eu estivera.
Com duas quadras adiante, respirei aliviado. Quando olhei para trás, lá vinha o indivíduo nos meus calcanhares, estirando o pescoço igualzinho a jabuti. Dobrei a esquina e lá na frente olhei para trás, lá vem o homem. Entrei numa galeria que saía noutra rua, o candidato atrás. Imediatamente pensei apenas em três alternativas. Parar, aguardar e enfrentá-lo sem saber o que dizer. Disparar pela principal avenida como quem estava doido, foi à segunda, e, a terceira alternativa não podia acontecer porque não vi baiana nenhuma vendendo nada. Mas confesso meu amigo, com todo o risco do mundo que pensei forte no primo do palhaço. Não consegui escapar das unhas e das novas baboseiras de (quase digo o nome dele), mas bem que me deu muito mais coragem para enfrentar o BICHO PRETO CABELUDO.
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NÃO HÁ POSSIBILIDADE Clerisvaldo B. Chagas, 27de junho de 2012. Crônica Nº 805 Novamente sou obrigado a recordar conversas de ad...

NÃO HÁ POSSIBILIDADE

NÃO HÁ POSSIBILIDADE
Clerisvaldo B. Chagas, 27de junho de 2012.
Crônica Nº 805

Novamente sou obrigado a recordar conversas de adolescentes ao observar o quadro político na minha cidade. O saudoso companheiro José Lima, morando com a tia Maria Sabão no Hotel Central, descia as escadas de madeira do 1ª andar para a Esquina do Pecado. Entre suas anedotas, rápidas e inteligentes, o negrão falava sobre um gay que morava em Palmeira dos Índios. Muito educado e de frases elegantes, segundo o negrão, o gay de Palmeira não perdia o prumo. E depois de contar algumas passagens da criatura, Zé Lima quis provar que o danado era fino até na hora do ato sexual. Depois de chegar ao lugar adequado com um fulano, fizeram as preliminares, quando o gay tomou a posição de praxe. Naquele momento da felicidade, o gay lembrou-se de espiar para trás por cima dos ombros, ficando horrorizado com o que viu; mas o belo patricinho não perdeu a elegância uma fração de segundo. Simplesmente ergueu às vestes inferiores e afirmou, categoricamente, deixando o local do “crime”: “Estimadíssimo quadrúpede, não há possibilidade! Não há possibilidade!”.
A disputa política das eleições em Santana do Ipanema é igual à de qualquer outro lugar do interior. Existem os que detêm grandes condições e aqueles que desejam, mas são rejeitados pelo povo. Mesmo assim, sempre se registra a insistência robusta de querer entrar no céu a pulso. “Nós não o queremos” diz o povo. Mas o personagem faz ouvidos de mercador e aparece de chofre com a maior autoridade do estado para avalizar a sua vontade tresloucada de atropelar e ser prefeito. O resultado é a grande decepção, coleções de piadas e risos sem fim da parte popular. É certo que a maioria da população é analfabeta e não sabe o que quer, porém, sabe muito bem o que não quer. O exemplo acima é de um candidato fictício ou não, mas existem outros vários exemplos de desespero político, provocando risadas espetaculares. Enquanto isso os paióis das azulzinhas, ameaçam estourar a partir dos primeiros dias do mês de julho.
Diante do céu da prefeitura, portas estreitas e fortes aspirantes. Para os que procuram aliviar as suas taras nas partes íntimas do erário público, ficam parecendo o jumento de duas pernas da história do negrão Zé Lima. Conformem-se nas palavras buriladas do gay de Palmeira dos Índios: “Estimadíssimo quadrúpede, não há possibilidade! NÃO HÁ POSSIBILIDADE”.