QUESTÃO DE PULSO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 2012. Crônica Nº 840 Vôlei brasileiro feminino em êxtase. (Fonte: SMN). ...

QUESTÃO DE PULSO


QUESTÃO DE PULSO
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 2012.
Crônica Nº 840

Vôlei brasileiro feminino em êxtase. (Fonte: SMN).
Verdadeiro espetáculo foi dirigido pela TV Record com a final do Vôlei Brasil e Estados Unidos. Uma cobertura da mesma qualidade da Seleção Feminina, em vibração e imagens. Que desabafo extraordinário o das meninas do Vôlei! Depois de inúmeros dias longe de casa, sofrendo pressão fora e dentro das quadras, bem que não poderia ser de outro jeito. Uma emoção que saltou em muito o protocolo britânico comedido. E se o amarelo é cor natural da alegria, passou a ser também a da euforia vitoriosa quando encheu os olhos da plateia em expectativa. Se nós não vivenciamos pessoalmente um momento único de campeão olímpico, fomos contagiados pelas nossas atletas. As brincadeiras após a vitória procuravam espantar os fantasmas últimos que puxavam para baixo. Disseram muito nos comentários sobre técnico não ganhar medalha. Não é nada fácil burilar um grupo de atletas, primordialmente, do sexo oposto, até conduzi-lo ao pódio. É preciso muitos nervos, como nervos até demais, tem e teve Zé Roberto com marreta à mão quebrando lajeiros até o cume. Além da calma necessária, uma rara educação mostrada na tela e a conquista inédita, faz o técnico brasileiro ganhar uma simpatia impar.
O murro estonteante que recebemos no futebol foi muito duro e desmoralizador não resta dúvidas. Felizmente, para nos levantar da estrondosa queda, as meninas da quadra, puxaram pelos nossos braços. Bem que o Esquiva também poderia ter trazido o ouro para o Brasil. Em nossa modesta opinião, foi prejudicado pelos árbitros, porém, teve sua parcela de culpa, pois dava a impressão de que lutava com mais medo de perder do que a vontade de ganhar. Como se diz aqui pelo nosso Nordeste era meter a mão logo no pé do ouvido do japonês e pronto. Não se tornou agressivo, foi muito mole, fique com a prata mesmo. Estamos falando da tarde do sábado quando dividimos o amargo das derrotas e o prazer da vitória nas Olimpíadas. Tantas modalidades apresentadas e tanta repetição de frase: “O brasileiro (a brasileira) está fora”. É justamente na hora das competições, quando surgem os defeitos da política voltada para o esporte brasileiro. Ficamos como verdadeiros Sacis, pulando ao lado de corredores de duas pernas.
No futebol, para onde partir? A desconfiança do povo no técnico vem há muito. Mas, se perdemos na primeira opção do Brasil, ganhamos na segunda. Perde-se no futebol, se ganha no vôlei. À tarde do sábado não estava para canelas, mas, com toda estabilidade, era somente uma QUESTÃO DE PULSO.

O SÁBIO DA CANOA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2012. Crônica Nº 839 Canoa. (Fonte: Luís Nassif. On line). É conhecida...

O SÁBIO DA CANOA


O SÁBIO DA CANOA
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2012.
Crônica Nº 839

Canoa. (Fonte: Luís Nassif. On line).
É conhecida a história do sábio da canoa e bem provável que o leitor a conheça com outros ingredientes. Faz parte de narrativas que se perdem de livros ou de criações orais contadas vez em quando. Certo dia surgiu um sujeito todo engomado e duro como cabo de vassoura, às margens do rio São Francisco. Um canoeiro aproximou-se e indagou se queria atravessar. A resposta foi positiva. Depois de acertarem o preço, o passageiro, vestindo terno branco e chapéu panamá, colocou seus apetrechos na embarcação e acomodou-se na travessa. O canoeiro começou a remar e a canoinha singrava as águas que era uma beleza! De repente o ilustre passageiro começou a perguntar ao pescador mal vestido e analfabeto, se ele sabia falar francês. O remador respondeu negativamente. O sábio então lhe disse: “O senhor perdeu 10% de sua vida”. Canoeiro calado, o sábio pernóstico indagou se ele dominava o idioma inglês. Nova resposta negativa, novo prognóstico: “O senhor já perdeu 20% da sua vida”. Naturalmente o pescador não estava gostando daquele diálogo e começou a detestar o passageiro. Quando o sábio indagou pela terceira vez, com a mesma explicação, formou-se uma tempestade que chegou rápido até o pequeno e frágil veículo. O canoeiro, então, perguntou por sua vez se o intelectual sabia nadar. Como a resposta foi negativa, o pescador disse para o engomado: “Pois o senhor acaba de perder a vida toda”, abandonou a canoa e saiu nadando.
Muita coisa já foi feita em benefício do nosso País. Nós brasileiros, continuamos, entretanto, insatisfeitos, com as péssimas administrações dos nossos prefeitos que não trazem o desenvolvimento para as cidades, desviando descaradamente a verba pública, amparados em famigerados contadores e defensores de bandidos. Os escândalos trazem luz aos desmantelos, vários colarinhos examinam as quatro paredes do xadrez, mas logo, logo estão na rua a zombar dos seus adversários políticos e vibrando com as farras de regozijos dos correligionários. Houve tempo em que se dizia que se o Brasil não acabasse com a saúva, a saúva acabaria com o Brasil. Podemos atualizar a frase trocando a saúva pela corrupção.
Os políticos tornaram-se especialistas em defesa dos seus interesses. Muitos nem incentivam mais os filhos ao trabalho, mas os colocam na mesma trilha de sucessão para o dinheiro fácil. Nada temos contra os políticos exemplares que graças a Deus ainda surgem. Todavia, parece mesmo que somente uma ordem divina pode exterminar esse tipo de saúva. E se o leitor amigo quer saber, eles nadam corretamente diante das tempestades, à semelhança do canoeiro. Nós, formadores de opinião e povo, ficamos à deriva, ao sabor do tempo brabo, sem saber nadar, infelizmente, como O SÁBIO DA CANOA.

VELHO SERTÃO DE GUERRA Clerisvaldo B. Chagas, 9 de agosto de 2012. Crônica Nº 838 Monumento ao Jegue em Santana do Ipanema - AL. ...

VELHO SERTÃO DE GUERRA


VELHO SERTÃO DE GUERRA
Clerisvaldo B. Chagas, 9 de agosto de 2012.
Crônica Nº 838

Monumento ao Jegue em Santana do Ipanema - AL.
Fatores positivos e negativos foram deixando abandonado o nosso Sertão. Faixa geográfica menos habitada em todos os estados nordestinos, o Sertão sofre muitas influências que contribuem para o seu despovoamento. Falando sobre o semiárido alagoano, em nossas andanças pelas estradas vicinais, vamos notando a volta da vegetação em forma de capoeira, em vários lugares. Ali é de se notar uma grande variedade de passarinhos, antes quase extintos, cantando aos bandos por cima das juremas. Proprietários de terras de mil tarefas, quinhentas, duzentas, perderam a mão de obra da família e dos arredores. Atraídos pelos encantos das cidades, a nova geração vai morar nos aglomerados, para trabalhar por salário e estudar com a facilidade ofertada pelo governo. Antes a família rural enchia-se de filhos para ajudar na lavoura, mas, mesmo quem ainda continua assim, vão vendo os filhos partindo para a cidade. Os velhos vão ficando sozinhos sem a força filial e não conseguem dá conta da fazenda. A produção se reduz a quase zero e as capoeiras tomam conta do que antes era roçado de milho, feijão, algodão... A vizinhança não ajuda porque está na mesma situação. Sem poder contar mais com os pobres que agora não querem mais trabalhar alugado por causa das tantas bolsas que recebem, está aí o campo com a palma dentro do mato e os passarinhos se reproduzindo.
Aqui no Médio Sertão de Santana do Ipanema, Alagoas, percorrendo vimos o óbvio. As serras do município como Poço, Gugi, Camonga e outras que abasteciam a cidade de frutas, já não fazem isso. Ficaram famosas na região pela variedade e qualidade dos seus produtos, mas não renovaram suas matrizes. A juventude deixou o clima serrano pelo trabalho citadino, pela escola e outras atrações irresistíveis aos moradores da roça. Faz pena passar os olhos sobre o desmatamento improdutivo também das serranias. Os alimentos vão chegando de municípios cada vez mais distantes, de outros estados, como refugos e preços exorbitantes. Desconhecemos qualquer preocupação para reverter o quadro em que vamos assistindo.
“É caminhar para frente”, como se diz por aqui, mas não enxergamos ainda alguma luz do outro lado. Agora, que alguma coisa tem que ser feita tem. Será que é caso para se deixar de lado alegando que o governo sabe o que faz? Da nossa parte, cabe apontar o que vem acontecendo em nossas plagas. Vamos apenas espalhando solidariedade ao nosso VELHO SERTÃO DE GUERRA.

O IMPOSSÍVEL Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2012. Crônica Nº 837 Julgamento. (Fonte: Uol). Quando o palhaço surgiu no ...

O IMPOSSÍVEL


O IMPOSSÍVEL
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2012.
Crônica Nº 837

Julgamento. (Fonte: Uol).
Quando o palhaço surgiu no picadeiro, a salva de palmas cobriu. E naqueles bons tempos da Era 60, ficamos aguardando as novas piadas que, antecipadamente, já íamos festejando. Nem adiantava a invasão do cheiro da pipoca lá de fora; nem mesmo a passagem do tabuleiro de doces sob os nossos narizes. Estávamos de olhos grudados no ótimo palhaço de todas as noites. Lá vem o sujeito, cara pintada, mandioca enrolada e sapatos bicos longos. Só as presepadas do danado já proporcionavam uma alegria imensa na plateia composta de adultos e adolescentes. Dando voltas pelo picadeiro, fazendo gestos de cinema mudo, o povo aplaudia mesmo porque o danado de fato era o rei do riso. Quando o galã da contra sena indagou porque ele não tomara banho, o palhaço respondeu que em casa tinha bem pouquinha água. O primeiro, então começou a lhe ensinar como tomar banho na escassez. “Você vai lavando os braços até onde é possível. Depois vai lavando as pernas até onde é possível. Lava a barriga, a cabeça, até onde é possível e pronto, está o banho tomado”. É aí que o circo quase vai abaixo quando o palhaço indaga com a cara mais sem-vergonha do mundo: “Seu menino, que dizer que ninguém lava o impossível?!”
Estamos vivendo um momento diferente, inédito no Brasil que é o julgamento conhecido como mensalão. Alguém proíbe a “farra do boi”, e tantas outras farras por aí, porém, o dinheiro do Brasil parece que só dá para pagar a político, tanto na parte legal quanto a ilegal e a banda fantasma das mordomias, que nem todo esforço do mundo consegue saber quanto ganha no total um deputado, por exemplo. Enquanto a pressão popular aguardar na inércia, jamais saberemos o que se passa de fato nos bastidores financeiros dos nossos representantes. A tal caixa-preta do poder, é muito mais fechada e à prova de choques do que a do avião francês que mergulhou no mar. O que aconteceu na verdade pelos bastidores dos que estão sendo julgados? Entre acusação e defesa vai escorrendo a desilusão do povo brasileiro que espera um dia contar com a verdadeira justiça para todos. Estamos revivendo à contra sena do circo do passado, quando vemos os ilustres das gravatas se lavando, se lavando até onde é possível. E no fim de tudo mesmo, nem temos a ilusão de que seja lavado também O IMPOSSÍVEL.

LAMPIÃO DIVERTE, CORISCO FILOSOFA Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2012. Crônica Nº 836 CORISCO. (Fonte: popular). Ao se ...

LAMPIÃO DIVERTE, CORISCO FILOSOFA


LAMPIÃO DIVERTE, CORISCO FILOSOFA
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2012.
Crônica Nº 836

CORISCO. (Fonte: popular).
Ao se entrar no mundo do finado cangaço, a princípio parece estrada simples a ser percorrida. À medida que o pesquisador aprofunda-se no seu mister e deseja de fato dedicar sua vida a isso, vai descobrindo que existe uma teia que lhe barra a saída. Geralmente quem se aprofunda na literatura lampionesca de corpo e alma, não consegue mais escrever sobre outros assuntos, pois fica impregnado de cangaceiros dias, meses, anos seguidos.  Nas rodas de amigos não fala sobre outros assuntos, dentro do vício que pegou e não consegue largar, como se os mortos não o deixassem sair das suas causas. Escrever sobre cangaço não é e nem nunca foi tarefa das mais leves. É preciso, além de outros atributos, muita paciência, como outro assunto qualquer interessante, pois os enganos se sucedem a cada passo. Um dos maiores perigos de quem escreve sobre o tema, armadilha aberta, é acreditar na primeira informação, assim como de primeira informação era Corisco, o mais famoso cangaceiro do grupo de Virgolino. O engano (lapso) ou a proposital mentira estão em todos os lugares das pesquisas.
Examinando documentos da época cangaceira, entre 1938 e 1940, descobrimos inúmeros desses lapsos, como se a Imprensa da época tivesse azoada com tantas desencontradas informações. Quer dizer, o pesquisador nem pode dizer que escreveu “aquele engano” extraído de documento, pois o documento estava informando errado.  Nomes trocados de cangaceiros; anúncio de mortes de cabras que continuavam vivos; números de membros do cangaço e volantes abatidos; quantidade exagerada de cabras em ataques; Feitos bárbaros atribuídos a cangaceiros que não cometeram os feitos... Enfim, o pesquisador sério tem trabalho noite e dia em suas buscas comparativas para poder publicar o que chega mais perto da verdade. Recentemente tive em um lugar onde um homem passou a ter suas ações contra os bandidos, decantadas em livros. Um pesquisador do lugar afirmou que tudo que ele falava era mentira, mas a família influente queria que a vantagem do cidadão continuasse nos livros de antigos e novos pesquisadores. Pelo visto, a história do cangaço, como qualquer outra história, é vista por ângulos, como olho de mosca. Não existe limpeza cem por cento nem nos escritos mais severos sobre o tema.
Nessa última investida que fiz sobre o passado irrequieto do Sertão, balancei a cabeça ao ver ali, também documentado, um testemunho curto do cangaceiro Pancada, muito falado em Alagoas, assim como Moita Brava. Dizia ele, na prisão, que ao saber da morte de Virgolino, em Sergipe, Corisco ─ que estava no lado alagoano na hora da chacina ─ teria dito: “Acabou-se o divertimento do mundo”. Você sabia leitor, que “Virgolino divertia o mundo?” Eita passado misterioso compadre! Enquanto LAMPIÃO DIVERTE, CORISCO FILOSOFA.


OS OSSOS DE LONDRES Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2012. Crônica Nº 835 Nem Marta salvou à Patria. (Fonte: smn).  O entus...

OS OSSOS DE LONDRES


OS OSSOS DE LONDRES
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2012.
Crônica Nº 835
Nem Marta salvou à Patria. (Fonte: smn). 
O entusiasmo dos brasileiros pelas Olimpíadas, nem tem razão de ser. A verdade é que não temos a tradição de jogos amadores contra os países que trabalham para isso, desde antes mesmo da II Grande Guerra. O Brasil nunca levou a sério o esporte amador e nem a Educação, como quer bons resultados milagrosos? Ficamos apenas em cima da exacerbada paixão pelo futebol profissional e que até hoje continua como antes. Caso o futebol masculino traga a medalha de ouro e todas as outras modalidades nada tragam, consideramos uma grande vitória dessa nação brasileira. Acontecendo o contrário, todas com o ouro menos o futebol, perdemos tudo. É assim que funciona por aqui essa monocultura cafeeira. O entusiasmo tem início com a chegada da delegação brasileira ao destino, depois a tristeza, seguida de mais quatro anos de desprezo ou de apatia do governo e das empresas particulares pelo esporte amador, que parece não existir. Como combater no Front com as inúmeras modalidades sem pai e mãe? Está aí, mesmo o futebol feminino que vai ficando vovó, sem renovação. Até a Marta já cansou e não tem substituta, enquanto o futebol feminino cresce no mundo com outros países.
Os frutos de um trabalho árduo aparecem em longo prazo. Nunca sai um diagnóstico oficial e confiável do que está acontecendo no amadorismo brasileiro. Quando se aproximam as olimpíadas, se junta o que tem se empurra a tropa misturada para a guerra e espera-se um misericordioso “seja o que Deus quiser”, ainda na ilusão tremenda de que o Pai é brasileiro.  Caso continue assim, ninguém aguarde melhora nenhuma nem mesmo em terras cabralinas. Eles virão banhar-se em nossas belas praias, degustar nossos petiscos, apreciar as nossas cores e levar os discos de ouro como sempre os levaram. Estamos vendo pela televisão a tristeza dos nossos atletas, sem patrocínios, que vão se encobrindo como podem com vergonha das derrotas diante de milhares de pessoas. Se quisermos parar com esse drama que bate forte no peito do Brasil, temos que mudar essa política no esporte amador para começar a colher os seus frutos na próxima década, de 20.  Sem saber como agir no momento, parece que só existe uma solução que é juntar os cacos das derrotas, colocá-los no saco do desânimo e voltar ao Brasil, enxugando as lágrimas.
O desenrolar das Olimpíadas vai deixando eufóricas nações como Estados Unidos, China e França que plantaram cedo e apenas colhem com dignidade os frutos merecidos. Fazer o quê, se somente trouxermos na bagagem OS OSSOS DE LONDRES!.



LAMPIÃO E O CHIQUEIRO VÉIO Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2012. Crônica Nº 834 (Para Archimedes Marques e José Mendes Pereira...


LAMPIÃO E O CHIQUEIRO VÉIO
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2012.
Crônica Nº 834
(Para Archimedes Marques e José Mendes Pereira)

Bornal à cangaceira.
Muito ainda se especula sobre a fortuna do bandido Virgolino Ferreira da Silva. É de fato impressionante o puxa-puxa dos que se dedicam à causa lampionesca, na tentativa adivinhatória documentada do paradeiro monetário virgoliniônico. O grande mistério e desencanto para os pesquisadores, é que uma pessoa muita maldosa cortou a língua do dinheiro. Com o bichinho mudo, ficou mais difícil saber qual era o real poder de fogo dos embornais microbianos do chefão. Quanto tinha de fato no papo-de-ema que Lampião conduzia na cintura? E nos bornais? E nos bolsos? Qual o valor em joias e dinheiro que havia nas mãos dos seus coiteiros-bancários de confiança? Caso fosse de fato descoberto cem por cento esse enigma, outra interrogação ocuparia com muito mais força o lugar da primeira. Uma pergunta, sem dúvida, desdobrada em miríades. Teria sido mesmo Bezerra, o sortudo ganhador do papo-de-ema, dos bornais e bolsos do comandante cangaceiro? E o tanto de joias que daria uma bacia de rosto, correu para onde? As inúmeras fazendas compradas por Ferreira escolheram quais herdeiros? Quem se denomina “pesquisador de cangaço” e outros títulos, corram para investigar e nos dizer com a certeza dos cartórios, pois o leitor exigente quer saber.
Em 1938 ─ quando as cabeças dos cabras trucidados em Angicos viajaram a Maceió ─ houve questionamento. Após a exposição em Palmeira dos Índios, cidadãos do núcleo, nas praças, barbearias, bares e portas de igrejas, indagavam uns aos outros, onde estaria a verba deixada por Virgolino. No bate e rebate das discussões, segundo o escritor Valdemar de Souza Lima, saltou um velhote da cadeira de barbeiro e falou. Disse que após a carreira de Mossoró, destroçado, via Pernambuco, Virgolino foi bater no povoado ribeirinho Entremontes, do São Francisco. Ali em Alagoas, com a pressa da passagem, arrumou uma canoa para atravessar o rio, ele e seu reduzido grupo. Numa bodega miserável apresentou-se, deixando sem fala momentaneamente a dona da espelunca. Pelo mutismo da mulher, ele mesmo escolheu a mercadoria e indagou a conta, feita por ela, que importou em cerca de trezentos mil réis. Lampião passou-lhe uma nota de quinhentos, a dona alegou que não tinha troco e mandou o bandido levar tudo como oferta da casa. O homem, estando tremendamente mal-humorado, rosnou que “não queria favor, não!”. A dona da bodega, com um medo triste, perguntou como ficaria, pois troco não tinha. Foi aí que Lampião, num gesto brusco da peste, empurrou a nota para cima da mulher e falou com orgulho, soberba e grosseria do mundo todo: “Pois fique com toda essa porcaria pra você, que eu tenho mais dinheiro de que bosta de cabra em chiqueiro véio!”.
Os entendidos calculem, então, com auxílio de um matemático, a quantidade de rolinhos pretos, como quixabas, em chiqueiro velho de caprinos, por metro quadrado. Talvez aí tenha início à solução do mistério de quanto era em contos de réis, a fortuna de Ferreira. Ê... Cabra macho sabido, medite aí sobre LAMPIÃO E O CHIQUEIRO VÉIO.

NO PAU DA VENTA Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2012. Crônica Nº 833 Fonte: Blog AIAS Continua o inverno atrasado em Ala...


NO PAU DA VENTA
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2012.
Crônica Nº 833

Fonte: Blog AIAS
Continua o inverno atrasado em Alagoas. No Sertão, uma chuva fina contínua vai protegendo a não vontade de deixar a casa cedo. Chove pelo dia, chove pela noite, trazendo uma frieza típica da época, cuja hora do auge é lá para as quatro da madrugada. Pelo menos, graças ao bom Deus, não se houve falar em tragédias por causa da chuva, pois, como pedia um padre de Santana do Ipanema, “que venha um bom inverno e a chuva chegue mansa”. Se ainda vai dar para salvar alguma coisa, somente o homem do campo é quem pode dizer. Em tempos normais as nossas chuvas não passavam do dia 15 de agosto, quando caíam "as últimas tamboeiras”, como dizia o poeta sertanejo Rafael Paraibano da Costa e, o frio desse mês era muito maior do que o mais chuvoso julho, mês da padroeira Senhora Santana. Os agricultores falavam sempre do medo da frieza de agosto para a lavoura que poderia destruir as plantações que restavam de feijão e milho, além da praga de lagartas. Mas o tempo endoidou e não temos certeza mais de nada. Tem se registrado o prolongamento das chuvas até o dia 7 de setembro, um mês seco por tradição e até alcançado o mês de outubro, o mais enxuto do ano.
O Sertão continua, mesmo assim, sendo o lugar desprezado pelas autoridades, que pensam que fornecer semente de boa qualidade é tudo que o sertanejo deseja. Já batemos outras vezes nessa tecla velha, muito mais de que orador romano advertindo sobre Cartago. Aqui se faz uma política de mandar carneiros, bodes e sementes para o interior, como a gente faz com roupas velhas quando não prestam para nós. Enquanto isso, o litoral ganha novas indústrias todos os meses, com incentivo do governo estadual. Além disso, o incentivo ao turismo permite inúmeras construções de hotéis e, europeus não param de chegar à orla, gastando os euros e dólares que podem gastar. Muitos italianos até já fazem moradas por ali, atraindo novos compatriotas para o nosso litoral. E vão ganhando indústrias e hotéis pelo incentivo, Maceió, Marechal Deodoro, Maragogi e Murici. Nada escapa para o Sertão, a não ser os níqueis jogados dos bornais da caridade entre bodes e ovelhas. Está aí para ser iniciado a qualquer momento o estaleiro EISA que dará emprego a mais de dez mil pessoas e atrairá inúmeras outras indústrias para o mesmo litoral. A política mesquinha de um governo usineiro da Zona da Mata é uma coisa! Nada adianta o poeta-repentista Sebastião da Silva ter dito:

“Carneiro do meu sertão
Quando sua orelha esquenta
Dá tacada em baraúna
Que a casca fica cinzenta
Sentindo o gosto de sangue
Descendo no pau da venta”

Do pau da venta dos carneiros sertanejos não escorrem sangue. Os bichos já estão pacificados. Nem baraúna tem mais para o exercício da raiva. E assim vamos ficando abandonados à própria sorte, como os mendigos que sobram nas ruas. Afinal, para que Sertão com progresso? É bastante passar pano molhado e pronto, se houver algum sangue perdido NO PAU DA VENTA.



CHAVE, CHÁVEZ E O XAVECO Clerisvaldo B. Chagas, 1º de agosto de 2012. Crônica nº 832 Pesando o MERCOSUL. (Fonte: Wilson Dias/Agên...

CHAVE, CHÁVEZ E O XAVECO


CHAVE, CHÁVEZ E O XAVECO
Clerisvaldo B. Chagas, 1º de agosto de 2012.
Crônica nº 832

Pesando o MERCOSUL. (Fonte: Wilson Dias/Agência Brasil).
Chegou o mês de agosto, para muitos o “mês do desgosto”, das grandes tragédias mundiais, do tempo avesso à pesca, de correr cachorros doidos nas ruas ou péssimo de negócios. Entretanto, é sabido que a moeda ainda possui duas faces e o levante do negativo só é possível quando o olhar converge para uma só direção. Quando por um lado um ditador se suicida, por outro a nação fica livre dos grilhões. Se o mês de agosto fosse à face cruel, ao final dos seus dias, vivas estariam apenas as almas, de uma catástrofe geral. Deus vai equilibrando o tempo como num todo, mas o homem teima em dividi-lo através das leis dos calendários. E se apenas o mal dominasse as quatro semanas, o que adiantaria, então, as nossas preces? O dia dos pais vem aí com uma confraternização de peso para as famílias que conservam a tradição. E se compararmos o azar para o número treze, estaremos sendo contestados por famoso futebolista brasileiro. Entre superstições, religiosidade e ciência, caminha a humanidade por suaves planícies e enrugadas montanhas, mas as desculpas quase sempre são as mesmas.
Talvez para não jogarem a polêmica entrada da Venezuela para o mês de agosto, calçaram-na para o dia 31 de julho, quem sabe! Ninguém pode dizer que agora o MERCOSUL vai virar maravilha, mas ninguém pode ignorar os benefícios da fortificação interna. Quem compra a fazenda compra com o que tem dentro. A Venezuela veio e com ela o senhor Chávez e suas ideologias bestas século XIX, mas este cidadão não é eterno e um país vale muito mais de que qualquer um dos seus dirigentes. Há quem analise o candidato de oposição naquele país e o defina como pior do que o Chávez nos seus retrógrados pensamentos. Pode ter havido atropelos para a entrada da Venezuela no bloco, todavia, qual é a força do Paraguai para apontar o erro com o dedo sujo? Claro, como na política do pequeno interior ou da poderosa metrópole, as manobras dos caciques são carregadas de xavecos, que no dizer popular ganhou dicionário como coisa baixa, sem valor, trama ilegal e coisa assim.  É muito melhor que a nação setentrional fique com Brasil, Argentina, Uruguai e mesmo Paraguai do que com os Estados Unidos, o monstro insaciável das economias.
“O Paraguai reiterou que continuará na luta pela defesa de seus direitos em todas as instâncias e fóruns pertinentes, após ser suspenso do bloco regional pela destituição sumária do ex-presidente Fernando Lugo, via julgamento político legislativo em 22 de junho”. O ingresso da Venezuela no bloco MERCOSUL, sem dúvida alguma é enorme CHAVE, mesmo com CHÁVEZ e o bem aplicado XAVECO dos seus membros.

LAMPIÃO, MOSSORÓ E O VASO DE GUERRA Clerisvaldo B. Chagas, 30 de julho de 2012. Crônica Nº 831 Vapor de guerra Minas Gerais. (Fo...

LAMPIÃO, MOSSORÓ E O VASO DE GUERRA


LAMPIÃO, MOSSORÓ E O VASO DE GUERRA
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de julho de 2012.
Crônica Nº 831

Vapor de guerra Minas Gerais. (Fonte: Wikipédia).
Apesar de ser mestre em estratégia armada nas caatingas, Virgolino Ferreira da Silva também cometia suas “barbeiragens”. Foi derrotado em combate inúmeras vezes, tanto ganhava quanto perdia. Quando mandou buscar dinheiro em Pão de Açúcar, Alagoas recebeu o recado daquela gente de sangue no olho, que “se quisesse tirar raça de valente mandasse sua mãe para lá”. Engoliu a resposta com casca e tudo e se foi vingar no miserável e indefeso povoado Meirus, no mesmo município. Quando mandou portador a Mata Grande, Alagoas, querendo o “joão-da-cruz” do comércio, ouviu do mesmo portador: “Dinheiro tinha à vontade, ele mesmo fosse buscar que o povo estava com muita saudade dele e queria abraçá-lo”. E nesse abraço o valentão não passou da primeira rua da cidade. Para assaltar a baronesa de Matinha de Água Branca, fez como qualquer ladrão faz, pulando o muro da casa madrugada para levar o alheio. Descoberta a trama, um grupo de comerciários e o delegado o puseram em fuga. O povo cantou:

“Lampião quando correu
Da cidade de Matinha
Foi no chouto americano
No galope almofadinha”

Na sua marcha a Mossoró, primeiro cometeu o grande erro de atacar uma cidade daquele porte, indo na conversa e interesse de outro bandido. Depois, inúmeros outros erros bufas, notadamente na ida e, na retirada foi um desastre. Mas, dizem que todo homem feliz é generoso e certo dia o tal capitão estava de bolso cheio, portanto de bom humor. Segundo Valdemar de Souza Lima, deparou-se com o representante da firma Alves de Brito & Cia., no seu automóvel, simpatizou com o mesmo e puxou conversa. O caixeiro-viajante Manoel Campos, como homem bom de convencimento, explicava, a pedido, como era a vida de vendedor. Enquanto entusiasmava Lampião, sem saber como terminaria a conversa, conseguiu a admiração do chefe de bando falando do “Minas Gerais” ─ o vaso de Guerra capitânia da nossa esquadra. Descreveu todo seu tamanho, a blindagem o poder de fogo, a quantidade de canhões e que bastaria uma só descarga do bicho para destruir o palácio do Presidente da República. Lampião ouvia aquilo tudo babando de inveja e de euforia porque o caixeiro sabia pintar a cena colorida. E assim que o ladino e labioso palestrante fez pausa para respirar, Lampião, tomado de súbita alegria e saudosismo, exclamou, pondo a mão no ombro de Manoel Campos: “rapaz, mal empregado eu não ter podido pegar um vapor de guerra assim, porque Mossoró nas minhas unhas não tinha dado um cardo”.
Já pensou, amigo, numa peitica para ninguém botar defeito entre LAMPIÃO, MOSSORÓ E O VASO DE GUERRA!





LONDRES 2012 Clerisvaldo B. Chagas, 30 de julho de 2012. Crônica Nº 830 Abertura dos jogos olímpicos. (Fonte: smn). Enquanto m...

LONDRES 2012


LONDRES 2012
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de julho de 2012.
Crônica Nº 830

Abertura dos jogos olímpicos. (Fonte: smn).
Enquanto muitos indivíduos vão levando seus países às guerras, surgem grandiosos exemplos de amizade entre as nações. Os sentimentos egoístas, mesquinhos e animalescos de cérebros doentios, parecem não enxergarem os belos matizes que ornamentam a paz. É como se as próprias forças do mal penetrassem no couro desses atrasados que agem como bestas sub-humanas nesse mundo ainda infelizmente tão primitivo. Apesar das inúmeras advertências do quase número total de religiões do mundo, muitos animais de duas pernas continuam se apoderando descaradamente de tudo que podem, esquecidos ou duvidando de que ninguém leva nada para o além. Quando não é a ambição do possuir, à custa de muito sofrimento alheio, é o rato que rói por dentro pelas rédeas de espinhos do poder. O que faz um homem entrar num cinema e matar os espectadores para ele desconhecidos? Por que o dirigente da Síria teima em matar seus compatriotas? Assim outros estão agindo no planeta. Com guerra ou sem guerra não querem largar o poder que possui a doçura da ilusão de mandar em outras criaturas e o uso da verba pública que não sacia nunca a voracidade da avareza.
Felizmente surgem na marcação do calendário eventos importantíssimos para a humanidade como as Olimpíadas que oferecem o fantástico poder da amizade entre os povos. Londres teve a capacidade de levar para o seu território nada menos de que 204 nações. Todos os países estão ali representados, cada um com sua numerosa ou minúscula delegação, mas sentindo o prazer que não existe preço do abraço fraternal que o planeta Terra oferece aos seus habitantes. Calculamos que todos os países juntos comemorando o encontro seja o máximo a que a humanidade pode alcançar. E se esse titânico encontro fosse em comemoração à última guerra, ao último miserável, à última discriminação de cor do Globo, seria aplaudido até pelos que fazem os mundos superiores. Mas, dentro do que se pode fazer, está aí à festa bonita em meio a uma crise financeira que se arrasta pelos continentes ante a choradeira de quase todos. E como dissemos no início, o exemplo de fraternidade entre os homens não comovem os constantes troar de canhões em território Sírio e em outros lugares.
Aproveitemos, então, a parte boa e torçamos pelos nossos atletas que conduzem a bandeira da esperança. Pelos menos são essas lágrimas diferentes; surgidas das derrotas, passam como o vento; se brotam das vitórias, são dádivas para o Ego. Aplausos a LONDRES 2012.

SENHORA SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2012. Crônica Nº 829 Senhora Santana Foi encerrada a maior festa religio...

SENHORA SANTANA


SENHORA SANTANA
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2012.
Crônica Nº 829

Senhora Santana
Foi encerrada a maior festa religiosa do Sertão alagoano, na cidade de Santana do Ipanema. Daqui de Maceió imagino a grandiosidade do encerramento desse tradicional novenário católico que atrai multidões. Tudo tem início no dia 17 de julho na fase mais exuberante do inverno regional. É um festejo realizado geralmente sob chuva e frio intenso que caracterizam a época. Infelizmente a data não pode ser mudada porque ela faz parte do calendário mundial dessa homenagem.  Todos os lugares, cuja padroeira é Ana, comemoram no dia em todas as partes do globo. Como os santanenses pegaram o tempo de chuva e frio, nada podem fazer por esse lado, mas compensam esquentando com a fé e a presença os movimentos da Igreja. Pessoas dedicadas ornamentam a Matriz que, também bastante iluminada externamente, até à torre, torna-se duas vezes o cartão postal da cidade. O relevo acidentado de Santana permite belíssimos cenários vistos dos arredores mais altos e distantes, tanto pelo dia, quanto pela noite quando as luzes da torre formam bonito chamariz.
As promessas pagas à Padroeira ocorrem em qualquer um dos dias do novenário. Chegam pessoas até de estados mais distantes, como do Centro-Oeste, por exemplo, para agradecimento de uma graça alcançada. Mas, são vistos vários fiéis, principalmente mulheres andando sem calçados, na imensa procissão que ocorre no dia de encerramento. É muito emocionante a participação no meio do povaréu piedoso dos sertões. O principal cântico de louvor à avó de Jesus, chamada carinhosamente de Senhora Santana, possui letra e melodia de muito bom gosto, que vai penetrando na alma de cada ser que acompanha com fé essa extraordinária louvação. O cortejo é feito percorrendo ruas, avenidas e bairros da cidade, diferente do início quando a imagem vem dos sítios mais distantes para a sua Matriz. Muitas e muitas vezes Senhora Santana parece intervir no tempo, fornecendo confortador estio durante o percurso da procissão. Feriado na cidade, uma tarde divina sob os céus de Santana do Ipanema, para tirar o enfado do trabalho costumeiro.
A Festa de Senhora Santana é marco importantíssimo do povo católico da minha terra. Uma injeção forte de ânimo para a continuação do labor diário. A tristeza da festa cheia de tantas atrações, só aparece quando alguém por algum motivo não pode de maneira nenhuma está presente ao evento. Parabéns a “Rainha do Sertão”, parabéns à SENHORA SANTANA.




A MORADA DOS DEUSES Clerisvaldo B. Chagas, 25 de julho de 2012. Crônica Nº 828 Monte Roraima em tempo limpo. (Fonte Wikipédia). ...

A MORADA DOS DEUSES


A MORADA DOS DEUSES
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de julho de 2012.
Crônica Nº 828
Monte Roraima em tempo limpo. (Fonte Wikipédia).

Muito bonita a reportagem na televisão sobre o Monte Roraima, localizado na tríplice fronteira Brasil, Venezuela e Guiana. Localizado na serra de Pacaraima, o monte representa uma formação rochosa de 2.739,30 metros de altitude. Imagens de expedição feita naquele lugar mostram a pujança incrível de um início calculado em mais de 2 bilhões de anos. Os continentes ainda nem havia se separado e lá estava o Monte Roraima, topo diferente, com cerca de 90 km de planura. Possuindo o fenômeno das “Águas Emendadas”, funciona como caixa d’água, fornecendo o líquido precioso para os três países, à semelhança da Serra da Canastra, em relação ao rio São Francisco e outros da região. Notamos o profundo respeito e cuidados dos povos que habitam suas proximidades no trio de nações citadas. Quando os indígenas falam de religiosidade e cuidados com o monte falam também de Ecologia. Os benefícios são mostrados e também possíveis catástrofes se houver uma interferência desastrada naquele santuário. Os guias indígenas se sentem pequenos e como se tivessem em outro planeta, com a sensação constante que o Monte Roraima está vivo e atento.
Flora e Fauna do monte representam riqueza. Além das sábias instruções dos índios da região, uma lenda sobre o lugar se destaca. Contam que a região era plana e tinha muita fartura, até que um dia surgiu uma bananeira, planta estranha para todos. Os pajés foram avisados por recado divino que ninguém poderia tocar naquela árvore. Tempos depois a bananeira foi cortada e veio à revolta dos deuses. Raios e trovões espantaram as caças, deixando todos apavorados e, do centro da terra surgiu o Monte Roraima que ficou naquelas alturas. Essa lenda vem dos índios que habitaram a região, chamados Macuxi. Dizem que até hoje o monte chora com a violação do passado.  Na Venezuela, os índios chamam “mãe das águas” à região com o conjunto de cachoeiras. A crença local é que ali moram os deuses que cuidam da Natura. Mesmo as pessoas de outros lugares que chegam ao monte ficam com a mesma impressão de mistérios profundos que envolvem toda a área.
No Brasil, foi criado o Parque Nacional do Monte Roraima, pelo presidente Sarney, em 1989. No estado de Roraima, o parque é administrado pel Institituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Na Venezuela é Parque Canaíma. Para quem gosta de aventura pesada e misticismo está aberta a visitas A MORADA DOS DEUSES.
  







A GARGALHADA DE LAMPIÃO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de julho de 2012. Crônica Nº 827  Capa de livro apontado no rodapé. O que é...

A GARGALHADA DE LAMPIÃO


A GARGALHADA DE LAMPIÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de julho de 2012.
Crônica Nº 827


Capa de livro apontado no rodapé.
O que é que faz um indivíduo procurar o perigo quando estiver ameaçado por ele?  Foi o que aconteceu com o cidadão João Barroso no sertão alagoano, na segunda metade da década de 20. A passagem de Lampião por vários municípios, em 1926, provocou uma reação entre civis e um sargento, tendo se formado um grupo para perseguir o bandido. Com a inutilidade da ação, o grupo foi desfeito e tudo voltou à antiga rotina. Mas, certo dia João Barroso foi alertado pelo parente Adriano, que Virgolino estava babando para pegar alguns daqueles alistados para persegui-lo, inclusive, o próprio Barroso. Alertava Adriano que o bom mesmo era que João Barroso fosse embora do sertão que a coisa não estava boa para o seu lado. A qualquer momento, dizia Adriano, a fera poderia aparecer, surpreendê-lo e lhe tirar o couro das costas. O sertanejo marcado ficou muito pensativo, até porque Adriano era seguro coiteiro de Lampião e lhe contara vários detalhes do que sabia. Barroso não demorou a encontrar a solução. Fugir não fugiria. Pediu para que Adriano desse um jeito de jogá-lo dentro do bando para ele ficar como coiteiro também, naturalmente trocando o seu nome. “Não pode com eles, junte-se a eles”, deve ter pensado o homem advertido.
          Foi uma loucura para Adriano aceitar a ideia, mas assim foi feito. De repente João Barroso estava fazendo muito bem o papel de coiteiro de Lampião. A eficiência era tanta que passou a comprar víveres para o bando e até foi sondando pelo bandido para entrar nos negócios de armas. Pulou fora com toda diplomacia, alegando que não tinha cacife para tal negócio. Imaginava Barroso que arranjar armas para Lampião era ajudar o cangaceiro a matar gente. O maioral não falou mais no assunto. Certa feita, ao chegar à noite ao acampamento do bandido com víveres encomendados, Barroso deparou-se com uma cena em que uma mulher dava parte de um cabra que molestara a filha da mulher. Lampião tomou as providências, ocasião em que o cabra dizia não pertencer ao bando dele e sim ao de Corisco. Lampião, enraivecido com a resposta, disse muitas coisas pesadas ao comandado, depois ordenou que o cangaceiro Cobra Verde, fuzilasse o cangaceiro de Corisco.
          Barroso ficou chocado com o que viu, porém continuou na estratégia pela sua sobrevivência, driblando a espionagem das volantes. Adriano foi morto pela polícia. Certo dia aconteceu uma boa ocasião, para João Barroso dizer a verdade ao chefe do bando. Esperto como era, pegou o chefão de bom humor. Virgolino abriu a bocarra com a esperteza dos dois parentes e João Barroso viu o que pouca gente via: o encaixe no momento certo da intensa GARGALHADA DE LAMPIÃO.
·         Crônica baseada nas paginas 75-88, de “O cangaceiro Lampião e o IV mandamento” de Valdemar de Souza Lima.

LAM P IÃO NO ROMANCE Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2012. Crônica Nº 826 Romance do ciclo do cangaço. Lampião chegou d...

LAMPIÃO NO ROMANCE


LAMPIÃO NO ROMANCE
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2012.
Crônica Nº 826

Romance do ciclo do cangaço.
Lampião chegou de surpresa à fazenda de um amigo. Ali foi recebido como um governador dos mais amados pelo povo. Com um pequeno grupo de homens famintos e cansados, resolvera esperar pelos outros grupos que também convergiam para aquele ponto. O fazendeiro abateu um novilho; mandou buscar em Santana o melhor vinho que havia e distribuiu redes brancas à vontade. Os cangaceiros espalharam-se pelo alpendre da casa e pelas sombras das árvores do terreiro. Quando chegaram todos os grupos, já estava anoitecendo. O boi foi transformado em saboroso churrasco sobre um braseiro de angico e aroeira. Os cabras alegres, sob a força poderosa do vinho, improvisaram um conjunto, esquecendo o cansaço no encanto rústico do xaxado.
A lua espiou na boca do “grutilhão” e subiu majestosa, prateando a caatinga entorpecida. Mandacarus e facheiros recortavam-se à luz dos astros, como entes ciclópicos de vários braços. No alpendre baixo da casa, as sombras vindas da fogueira, contorciam-se à semelhança de fantasmas sem nomes, assustando os vivos. Era uma das mil faces do reino encantado do sertão. Parecia que os seres noturnos paravam para escutar as cantigas dos homens rudes e brutos.

Lampião quando chegou
Quilariando a candeia
O tenente correu tanto
Que ficou de carça cheia...

Foi nessa euforia toda, nesse desabafo sertanejo, que Virgolino tomou conhecimento da situação dos romeiros. Estava distante deles apenas meia légua. Comentou o caso com Maria Bonita, que lhe deu algumas sugestões. Olhou para a brincadeira dos seus homens e não desejou importuná-los.

O rife de Lampião
É feito só de metá
O sordado diz de longe
Que a peste é quem vai lá...

Logo pela manhã, o rei do cangaço chamou um dos seus homens:
─ Cobra Nova!
─ Às suas orde, capitão.
─ Quero que você me vá à fazenda do major Saturnino ─ disse à medida que limpava os óculos com um lenço vermelho ─ Tá me entendendo?
─ É pra já, capitão ─ respondeu o cabra, seco igual a bambu. (...)

·         (Páginas 103-104, do romance “Defunto Perfumado”, do autor. 1982. Edição esgotada).







O AVIÃO E O BANDIDO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de julho de 2012. Crônica Nº 825 Helicóptero Águia. (Fonte: Eduardo Peres). ...

O AVIÃO E O BANDIDO


O AVIÃO E O BANDIDO
Clerisvaldo B. Chagas, 23 de julho de 2012.
Crônica Nº 825

Helicóptero Águia. (Fonte: Eduardo Peres).
Ao sair em todos os jornais que Alagoas é o estado que mais mata gente no país, vai preocupando o cidadão comum. Mas são tantos os apelos da sociedade que nem sabemos se os mandões estão assim preocupados. A violência é o tema principal das primeiras páginas e, até certo ponto com razão, pois as pessoas comuns estão apavoradas, tanto na capital quanto no interior. O anunciado concurso para a polícia anima só um pouco, pois a diminuição da bandidagem não somente depende do número de policiais. As tecnologias avançam com uma rapidez impressionante e o setor de segurança parece ainda está nos anos 30. Quando surge alguma novidade, como aquela de identificar o suspeito no próprio local de patrulhamento, através de aparelhagem no carro da patrulha, nós já assistíamos filmes dos Estados Unidos, há décadas, com esse sistema. E assim, enquanto a sociedade alagoana denuncia a violência todos os dias, parece chegar um eco dizendo que a coisa não tem jeito. Isso nos faz lembrar certo cidadão que dizia que quando o tempo está brabo no Sertão, tem um pássaro que canta o seu lamento: “Ê, meu fio... Ê, meu fio...”.
tempos pregamos, entre outras coisas, um avião patrulha, pelo menos, em cada cidade polo de Alagoas. Não é mais bicho de sete cabeças, aeronaves nos quartéis. Finalmente alguns aviões sobrevoam áreas perigosas na capital e no estado, apoiando as operações em terra, mas não sabemos quando esse sistema será permanente e evolutivo. Dizem que os bandidos correm que só cavalo de prado quando rondam os aviões. Os apoios em várias operações estão sendo dado por instrutores de São Paulo. Comenta-se que o índice da violência tem diminuído com algumas medidas tomadas pelo governo, mas é preciso que a própria população sinta o que está de fato acontecendo. Uma fonte governamental apenas não quer dizer nada. E como diz o ditado do povo é preciso “o preto no branco”. O estado de Alagoas é pequeno, mas sem segurança efetiva em todas as suas regiões, torna-se grande, onde reina somente o que não presta. 
Quando um avião sobrevoa o interior, pergunta-se logo se é o político fulano se exibindo. Mas também já se pode ver no céu a aeronave da SAMU – Secretaria de Estado de Saúde de Alagoas, ótima notícia sem dúvida alguma. Ficamos aguardando os resultados desses treinamentos que estão acontecendo com aeronaves de outro estado. Mas a insistência por esse tipo de ação continua em relação a aeronaves próprias. Temos que fazer como São Paulo e Rio de Janeiro e ficar na expectativa entre O AVIÃO E O BANDIDO.