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    A MORTE DO CANGACEIRO PORTUGUÊS Clerisvaldo B. Chagas 16 de fevereiro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3663...

 

 

A MORTE DO CANGACEIRO PORTUGUÊS

Clerisvaldo B. Chagas 16 de fevereiro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3663

 



11.02.1939. Santana do Ipanema (AL). O cangaceiro Português (Francelino José Nunes) se entregou em Santana do Ipanema e só foi morto muito tempo depois. Andava com as volantes indicando o coito dos parceiros dele. Tinha vida mansa, segundo o sargento Leôncio Siqueira: “Cansei de vê-lo passeando pela cidade. Nunca vi um cangaceiro que matou homem de bem, ser tratado daquele jeito”.

 

Português andava nas volantes. Nesse dia chegavam de uma diligência em Mata Grande. Foram guardar as armas no quartel. Alguém chegou para Pedro Aquino que estava jogando sinuca no bar do senhor Vandir (ex-pracinha e seresteiro) e contou. Pedro deixou o jogo e esperou que guardassem as armas. Nesse tempo ele era cabo. Ficou rebeirando por ali. Foi aí que ele entrou no quartel e pediu emprestado o revólver do sargento Barbosa, um HO que pegava sei tiros. O sargento não quis emprestar o revólver dizendo que o coronel não queria o Português morto, que ele era de serventia. Mas, não se sabe como, Pedro pegou o revólver do sargento, foi por trás e matou o peste do cangaceiro. Ficou preso, depois foi para Maceió, lá ficou no Exército e depois entrou na polícia de novo e virou major.

 

O rosário que Português Usava enterrou-se em seu peito com a violência de um dos tiros. Diz Silvio Bulhões, o filho de Corisco e Dadá. O fato aconteceu à noite. Pedro Aquino era um dos filhos do velho Tomás Aquino, assassinado e esquartejado por Português. (Ver página relativa).

O Secretário de Segurança ficou bravo com o coronel Lucena, chefe do 2 0 Batalhão de Polícia. O tenente Porfírio (já nos referimos a ele) ofereceu-se para liquidar o Secretário. A proposta não foi aceita pelo coronel Lucena. Bem que Pedro Aquino e seus irmãos, após a morte do pai, andaram na volante do, então, sargento Porfírio em busca de Português e mais dois asseclas. Os dois morreram por outras mãos e Português entregou-se. Português teria que ser morto antes de se entregar, dizia Lucena, pois o estado terias obrigação de proteger o preso, mas a volante nunca se encontrou com ele.

Extraído do livro: CHAGAS, Clerisvaldo B. & FAUSTO, Marcello. Lampião em Alagoas. Grafmarque, 2012, Maceió. Págs. 434-435-436.

    O VERDE DE HERODES Clerisvaldo B. Chagas, 13 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3362   Foi me...

 

 

O VERDE DE HERODES

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3362

 



Foi mesmo forte a chuvarada da sexta que passou. O grosso, porém, da trovoada, aliás, a primeira chuvada do ano, foi mais encorpada no centro da cidade, como foi apreciada em vídeo que circulou pela Internet. Sendo Santana do Ipanema uma cidade ladeirosa, as águas desceram imediatamente para o leito seco do rio Ipanema. Como a terra estava precisando muito de chuva, foi gratificante novamente olhar a vegetação, antes crestada e contemplar o esverdeado do último “pé-d’água”.  Impressionante é a capacidade de reação da caatinga, esse bioma abençoado que Deus deixou no Nordeste do Brasil para forjar homens e mulheres em corpos e espíritos. Ah! Nós somos mistos de mandacaru e juazeiros, é só analisar.

Foi com essa imensa alegria que estirei a vista para o outro lado do rio Ipanema, para a sequência da barreira ascendente do Bairro Paulo Ferreira, cujo topo leva até o hospital regional e continua fazendo a base da serra da Remetedeira. Estava ali os fundos da construção, lá no alto a que apelidei “Palácio de Herodes”. Bati uma foto de celular, distante e em hora não recomendável, mas o que vi era inadiável, o verdume, ainda pálido, após as águas do céu. E eu tinha que prestar esta homenagem a natureza porque quando chove no Sertão, tudo fica parecido com o paraíso citado pelos cristão. Os matizes do verde, a ferroada da mutuca, o mel das abelhas, o canto variadíssimos dos pássaros, O romantismo do sereno, das orvalhadas, o canto do galo e a magia do amanhecer.

Estar lembrado do caso do maribondo, em que encontrei um deles fazendo ninho no meu banheiro e eu havia lembrado do que diziam os profetas da chuva? E eu perguntava como é que poderia chover com pouco tempo após aquele ninho dentro de uma residência. Verão sem sinal nenhum de chuva. Ora, está aí o resultado da experiência dos homens do campo: Uma trovoada muito forte chegada de repente com o anúncio da vespa braba. Ah! Vou aprender para ser profeta também.

 

 

        OS BICHOS BRUTOS Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3361   ...

 

 

 

 

OS BICHOS BRUTOS

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3361

 

Quadro da Internet exibindo história


 com animais, principalmente asnos, me faz lembrar de algumas passagens da década de 1960 ou em torno disso. No Sertão se costumava chamar de “marroque”, o pão que fica duro de um dia para outro ou mais dias. Mas o que se fazer com um pão duro, fora da validade. Não sei dizer como as pessoas em geral procediam, mas Seu Izaías Vieira Rego, que era dono de padaria, sabia bem como lidar com esse destino. O panificador, que também era fazendeiro, delegado civil e usava no seu estabelecimento, duas atividades, armarinho e padaria, surgiu com dois jumentos enormes. Jumentos altos, bem-feitos que imediatamente chamava atenção de quem passava pelo Largo da Feira ou na sua calçada onde estavam amarrados os jegues da raça “pega’.

Em um tempo em que os animais de cargas ainda predominavam nos Sertões, a dupla “Pega” deveria valer uma pequena fortuna. E via-se claramente que os jumentos vieram de longe e eram selecionados.  Pois, seu Izaías Rego, dava destino às sobras dos pães da sua padaria, os chamados marroques, para as refeições dos dois jumentos que eram servidos em balaios de cipós. Muito interessante os ruídos das mastigações nos pães duros e que só mordidas de jumentos mesmo, poderiam desencantar os “marroques” de, sabe-se lá de quantos dias!  E nós, adolescentes, que não éramos jumentos pega, preferíamos o pão doce da tardinha, saído na hora.

A maioria dos jumentos do Sertão era da raça pega, mas não selecionados como os dois adquiridos pelo Senhor Izaias. Havia também o jumento da raça “Canindé” (menor, peludo, muito escuro ou marrom. Uma força extravagante!  A proporção entre as duas raças, ficava em torno de 10 X 1. A casa dos meus pais, mesmo, era abastecida com água do Panema, em uma das fases, por um jumento Canindé do senhor vulgo, Quixaba. Mais de cem desses animais abasteciam Santana com água do rio.  Quanto ao tratamento desses animais, dependia apenas do coração de cada proprietário. Ainda   não havia Lei do maltrato aos bichos. O monumento ao jegue foi merecido e ainda hoje é um dos pontos mais visitados e fotografados pelos turistas.

JUMENTO PEGA (DIVULGAÇÃO).