quinta-feira, 28 de setembro de 2017

MUTUM NO MOQUÉM ENTENDEU?
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.748

AVE MUTUM-DE-ALAGOAS. Foto: (IMA).
Com a transformação da escrita, principalmente nesses tempos modernos, muita gente jovem engole calada ou mergulha na pesquisa de palavras quase em desuso. Uma delas voltou com tudo em Alagoas e no Brasil, nos últimos dias. A outra faz parte de algumas comunidades quilombolas, mas no geral está praticamente esquecida. São elas: mutum e moquém. Em nossa infância quando alguém falava em mutum quase sempre era para rimar. A mesma coisa acontecia com a outra palavra. Havia na época até uma piada de putaria que circulava entre os adolescentes. Um sujeito era fanho (outra palavra de pouco uso) e ouvira o cantador dizer: amanhã eu vou ao Mutum. E o fanho dizia para imitar: amanhã em vou no u... Dum. Entendeu, não é?
Pois bem, o mutum é uma ave que em nosso estado e no Brasil é chamada mutum-de-alagoas. Foi considerada extinta por aqui, pois não se via um mutum na Mata Atlântica de Alagoas há trinta anos. Com a volta de casal trazido do cativeiro, o Pauxi mútu se encontra em viveiro na Usina Utinga, até se adaptar e partir para a natureza. Assim o governador, sexta-feira passada (22) decretou o mutum como ave símbolo de Alagoas. Você deve saber que no caso da Flora, já tínhamos o símbolo do estado que é a craibeira, não é? Pois agora temos os dois o da Flora e da Fauna: Craibeira e Mutum. Bem que isso daria belo tema para um trabalho escolar. Outros dois casais criados em cativeiro também estarão chegando para povoar as nossas matas.
Sobre o moquém, se você ainda não descobriu, é uma antiga cozinha ou uma grelha alta na cozinha que usava lenha para esquentar (moquear) a carne para que ela tivesse maior durabilidade. Essa palavra sempre foi muita usada nas comunidades negras dos quilombolas e nos parece africana. Assim fica mais fácil entender o desafio do título desta crônica. Bem, agora que o título estar entendido como carne moqueada, não quer dizer que iremos capturar o casal de mutum que chegou ao nosso estado para metê-lo na grelha e se deliciar. E se você sabia de tudo, parabéns, está bem informado. E se não sabia, vamos fazer como dizia Camões, segundo o povo: “É morrendo e aprendendo”.



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MUTUM NO MOQUÉM ENTENDEU?

MUTUM NO MOQUÉM ENTENDEU?
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.748

AVE MUTUM-DE-ALAGOAS. Foto: (IMA).
Com a transformação da escrita, principalmente nesses tempos modernos, muita gente jovem engole calada ou mergulha na pesquisa de palavras quase em desuso. Uma delas voltou com tudo em Alagoas e no Brasil, nos últimos dias. A outra faz parte de algumas comunidades quilombolas, mas no geral está praticamente esquecida. São elas: mutum e moquém. Em nossa infância quando alguém falava em mutum quase sempre era para rimar. A mesma coisa acontecia com a outra palavra. Havia na época até uma piada de putaria que circulava entre os adolescentes. Um sujeito era fanho (outra palavra de pouco uso) e ouvira o cantador dizer: amanhã eu vou ao Mutum. E o fanho dizia para imitar: amanhã em vou no u... Dum. Entendeu, não é?
Pois bem, o mutum é uma ave que em nosso estado e no Brasil é chamada mutum-de-alagoas. Foi considerada extinta por aqui, pois não se via um mutum na Mata Atlântica de Alagoas há trinta anos. Com a volta de casal trazido do cativeiro, o Pauxi mútu se encontra em viveiro na Usina Utinga, até se adaptar e partir para a natureza. Assim o governador, sexta-feira passada (22) decretou o mutum como ave símbolo de Alagoas. Você deve saber que no caso da Flora, já tínhamos o símbolo do estado que é a craibeira, não é? Pois agora temos os dois o da Flora e da Fauna: Craibeira e Mutum. Bem que isso daria belo tema para um trabalho escolar. Outros dois casais criados em cativeiro também estarão chegando para povoar as nossas matas.
Sobre o moquém, se você ainda não descobriu, é uma antiga cozinha ou uma grelha alta na cozinha que usava lenha para esquentar (moquear) a carne para que ela tivesse maior durabilidade. Essa palavra sempre foi muita usada nas comunidades negras dos quilombolas e nos parece africana. Assim fica mais fácil entender o desafio do título desta crônica. Bem, agora que o título estar entendido como carne moqueada, não quer dizer que iremos capturar o casal de mutum que chegou ao nosso estado para metê-lo na grelha e se deliciar. E se você sabia de tudo, parabéns, está bem informado. E se não sabia, vamos fazer como dizia Camões, segundo o povo: “É morrendo e aprendendo”.



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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

REALIDADE DA POPULAÇÃO

REALIDADE DA POPULAÇÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.747

ARAPIRACA. Foto (Divulgação).
O meu amigo leitor sabe quais são as nove maiores cidades de cada estado nordestino, tirando as capitais? Caso tenha esquecido, iremos lembrá-lo nessa nova ordem brasileira. Nas últimas décadas as pessoas têm procurado mais as grandes cidades do interior para viver. Esses aglomerados urbanos se modernizam oferecendo quase tudo que se encontra nas capitais, a maioria em regiões litorâneas. Para facilitar sua compreensão, vamos apresentar a maior cidade em cada estado nordestino pela ordem. O número de habitantes de cada uma delas está em número redondo, assim distribuído: a maior de todas as cidades do Nordeste, tirantes as capitais é: Jaboatão dos Guararapes, 695.000 habitantes (Pernambuco). E nos outros estados são as maiores: Feira de Santana, 627.000 habitantes (Bahia); Campina Grande, 407.000 habitantes (Paraíba); Caucaia, 358.000 habitantes (Ceará); Mossoró, 295.000 habitantes (Rio Grande do Norte); Imperatriz, 254.000 habitantes (Maranhão); Arapiraca, 237.000 habitantes (Alagoas); Nossa Senhora do Socorro, 181.000 habitantes (Sergipe); Parnaíba, 150.000 (Piauí).
Visto, então, as cidades acima, podemos dizer que elas são as em cada um dos nove estados nordestinos. Jaboatão dos Guararapes – vencedor entre todos os estados – faz parte da região metropolitana do Recife. É conhecida como Berço da Pátria, por ter sido palco da Batalha dos Guararapes, travada em dois confrontos em 1648 e 1649. Com esse acontecimento, pernambucanos e portugueses expulsaram os invasores holandeses. Por essa luta, em 1989, o município passou a chamar-se Jaboatão dos Guararapes, mas também por outros motivos.
Como se vê, a casa dos 600,000 habitantes é reduzida entre os núcleos interioranos, não passando de apenas duas cidades. Na faixa dos 500.000 habitantes não existe nenhuma. A mais comum é a faixa dos 200.000 habitantes, mas não tão comum assim. Para nós, moradores do Nordeste, uma cidade do interior com mais de 200.000 habitantes, já representa um monumento gerador de empregos, renda e serviços essenciais à população. São elas as preferidas nesse fluxo migratório de início de Século XXI.





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terça-feira, 26 de setembro de 2017

O SURURU DE ALAGOAS

O SURURU DE ALAGOAS
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.746
SURURU. Foto: (diariodopoder).
O famoso sururu de Maceió tem denominação vinda do tupi. É um molusco bivalve, isto é, que possui duas conchas duras e por isso chamado também de sururu-de-capote. Retirado das conchas apresenta-se amarelado e comestível. Seu nome científico é Mytela charruana conhecido em outros lugares como mexilhão. Esse molusco também pode ser encontrado em partes de estados nordestinos como Bahia, Sergipe, Pernambuco, Maranhão e em áreas específicas. Mas é em território alagoano onde alcança grande notoriedade, sendo até considerado Patrimônio Imaterial de Alagoas pelo Conselho Estadual de Cultura. No prato possui proteínas de alta qualidade, tem baixo teor de gordura e apresenta-se como de fácil digestão.
Apesar de o sururu ser apontado como coisa de pobre, ele está presente em todas às mesas do estado, inclusive nos restaurantes mais grã-finos. É capturado nas lagoas e mais de trezentas famílias vivem da sua cadeia produtiva na sequência: capturar, lavar, peneirar, “despinicar” e vender. Como curiosidade, a palavra regional despinicar, ficou fora do dicionário, mas significa limpar, retirar os excessos com os dedos. Quando as águas temperadas das lagoas ficam muito doces, o molusco desaparece. Foi o que aconteceu agora com os rios despejando nas lagunas neste inverno prolongado. Temporariamente ficamos sem as vendedoras típicas de sururu gritando o produto pelas ruas da cidade.
Vários pratos são feitos com o molusco como o inigualável “caldinho de sururu” e a “moqueca de sururu”, além do pirão de “sururu-de-capote” e sanduiches. Mas devido à poluição de esgotos domésticos e industriais e o manejo sem higiene, doenças graves ameaçam também seus consumidores. Falta a presença constante do estado em toda a sua cadeia produtiva num trabalho contínuo e ininterrupto em favor da saúde do alagoano. As pessoas que vivem diretamente do sururu, geralmente moram no entorno das lagunas e, na falta do molusco, tentam a pesca comum, o que nem sempre dá bons resultados.
Vamos aguardar à volta do bicho.





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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

ALAGOAS, MAIS NOTÍCIA ALVISSAREIRA

ALAGOAS, MAIS NOTÍCIA ALVISSAREIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de setembro de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.745

 

foto: (search).

Mais uma auspiciosa notícia para os marchantes e consumidores alagoanos. A vivência de muitos abatedouros de bovinos cem por cento medievais, parece se aproximar do fim.  As reclamações sobre reses doentes e até cancerosas, o método brutal do machado, a higiene zero e a ampla poluição do meio ambiente, atraíram as fiscalizações de certo tempo para cá. Vários abatedouros foram interditados pondo em polvorosa os marchantes que partiram para encomendar o abate em pontos distantes ou para a clandestinidade. Finalmente um aceno providencial do governo do estado, parece tentar resolver a situação. O governo anunciou semana passada que  vai gastar trinta milhões para revitalizar e construir abatedouros regionais nos municípios de Viçosa, Murici, Matriz de Camaragibe, União dos Palmares, Santana do Ipanema, Delmiro Gouveia e Igreja Nova.

Haverá um agendamento das obras, mas não ficou claro se será pela ordem mostrada acima. Segundo as mesmas fontes, cada abatedouro frigorífico terá capacidade de abate diário de até 150 animais com estrutura física adequada e equipamentos modernos, visando atender a demanda de sua respectiva região. O Programa de Regionalização de Abatedouro terá um modelo de gestão de concessão pública, além de aquisição de caminhões para o transporte das carnes, câmaras frigoríficas, freezer, balanças e outros.

O falado projeto terá início com a cidade de Viçosa, Zona da Mata Alagoana, onde o matadouro será concedido à iniciativa privada. Ainda sobre Viçosa, existe a garantia que até o fim deste mês será lançado o edital. A divulgação do Projeto de Regionalização de Abatedouro foi feita pela Imprensa semana passada. O jeito agora é aguardar na fila essa solução providencial.

Em Santana do Ipanema, não sabemos se o Matadouro será no mesmo lugar do antigo, o que seria uma lástima. A poluição ambiental atinge diretamente o rio Ipanema. E se for no sítio João Gomes, este é banhado pelo  riacho  do mesmo nome afluente importante do Panema. Mas como estão falando em modernismo pode ser que todos os cuidados sejam exercidos contra a poluição futura.

O rio Ipanema continua pedido SOCORRO.


 

 

 

 

 

 

 





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domingo, 24 de setembro de 2017

CARNEIROS NO MEU SERTÃO

CARNEIROS NO MEU SERTÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 25 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.744

CARNEIROS. Foto: (AlagoasNanet).
O tempo passa, a gente vai guardando os passos e esticando as lembranças. Vários povoados, vilas e distritos se emanciparam da minha terra Santana do Ipanema, então, com o maior território municipal do estado. Entre eles se encontra o atual município de Carneiros desmembrado em 11 de julho de 1962. Em 1923, contam os carneirenses, havia por ali um sítio criador de carneiros, pertencente ao senhor João Francisco. E por um dos seus carneiros ter descoberto uma cacimba, ficou o lugar denominado Cacimba do Carneiro. O tempo reduziu o título e acrescentou um “S”, refletindo mais tarde, na Emancipação como Carneiros. Outras pessoas foram atraídas pela fertilidade das suas terras, proporcionando seu crescimento social, chegando a primeira missa e primeira feira do povoado em 25 de dezembro de 1945.
De Carneiros ainda lembro meu pai mascateando em sua feira aos domingos; do comerciante bem humorado Zé da Loja; do meu colega de república estudantil em Maceió, Aristeu dos Anjos, prefeito por duas gestões e, do repentista Zezinho da Divisão que morava na divisa Carneiros/Santana. Carneiros é uma cidade pequena, plana, limpa, cheia de sol e agradável. Surpresa boa entre Santana do Ipanema, Senador Rui Palmeira, São José da Tapera e Olho d’Água das Flores. Seus festejos não são muitos, mas se mostram intensos na festa da padroeira Nossa Senhora da Conceição e na data emancipatória.
Mas em Carneiros não pode faltar uma festa que se tornou tradicional. Este ano, a comemoração aos trabalhadores completou 29 vezes em evidência. A Festa dos Trabalhadores aconteceu no dia 29 de abril. Apesar da grande distância à capital, atrai pessoas de todos os quadrantes do estado. Carneiros fica bastante animada em vê tanta gente de fora na cidade que não chega aos dez mil habitantes. Geralmente acontece missa em ação de graças e muitas brincadeiras como corrida de saco, corrida do ovo, ciclismo, corrida de jegue, quebra-pote e pau-de-sebo. Durante a festa, ainda tem homenagem aos trabalhadores e apresentações de cantores e músicos, tanto da terra quanto de fora. E se fosse vivo, o repentista Zezinho da Divisão, meio santanense, meio carneirense, com o hábito do tema preferido: “Só vai arrochando tudo” diria mais ou menos assim sobre Carneiros:

Se chegar um valentão
Desse tipo arruaceiro
Não passe no meu terreiro
Se não ganha uma lição
Vou chamar o campeão
O meu carneiro marrudo
Ele dá marrada em tudo
Tora a banana e o cacho
Acabou-se o homem macho
Só vai arrochando tudo.










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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O TEATRO DE VOVÔ PENEDO

O TEATRO DE VOVÔ PENEDO
Clerisvaldo B. Chagas, 22 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.743

TEATRO 7 DE SETEMBRO. Foto: (Word Press).
Falar sobre cultura do núcleo de Penedo é dizer sempre a mesma coisa, mas de vez em quando espoca foguetório que corta os céus do estado e do Brasil. Afinal a cidade ribeirinha foi a primeira fundada em Alagoas, colecionando história e cultura forte que até hoje reflete e guia esse seguimento na Terra dos Marechais. E a cidade que tem centenas de anos comandou a colonização do vale do São Francisco e das cidades sertanejas. Agora Penedo lança a notícia que soa mundialmente no patrimônio físico da humanidade. Trata-se da reinauguração do seu teatro que estava sendo restaurado. O “Teatro 7 de Setembro” que teve sua pedra fundamental implementada em 08/09/1878, foi inaugurado seis anos depois em 07/09/1884 com o magnífico sobrado, ostentação e a peça “O Violino do Diabo”.
Nem sempre uma obra tombada tem os devidos cuidados governamentais por mil motivos conhecidos. Todavia, o tema negativo não conduz o presente momento para o palco reluzente (italiano) no formato de ferradura do teatro em questão. Foi o Teatro 7 de Setembro o primeiro a ser construído nas Alagoas da Província. Foco de grandes companhias europeias de teatro e centro de arte e cultura de toda a região. Descrito inúmeras vezes, o monumento possui estilo Arquitetônico Neoclássico, planta italiana e fachada encimada por quatro estátuas de louça representando deusas da Música, Poesia, Pintura e Dança. O seu interior disponibiliza ao público 353 lugares; é composto de auditório, camarotes, frisas, galerias e o salão de público.
E se nós, sertanejos, tivemos Traipu como pai, viemos do avô Penedo que mais uma vez demonstra sua força para salvar o tesouro histórico que lhe pertence. Invadido pelos holandeses, soube lutar pela expulsão somando mais essa fase de luta detalhada ao seu acervo cultural que orgulha o povo alagoano. Visitar a Penedo turística exige tempo e paciência para levar o mínimo de informações de seu casario, ruas, culinária, Geografia, Cultura Viva e História, muitas histórias que os séculos acumularam para o visitante exigente.
VIVA O “NOVO” TEATRO 7 DE SETEMBRO!”.
         















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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ALIVIANDO OS TRANCOS

ALIVIANDO OS TRANCOS
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.742

MACHU PICCHU. Foto: (mundocrux).
Como os noticiários atuais estão insuportáveis, iremos aliviar a alma  num introito ao mundo mágico entre o tempo, a fantasia e a crença. Vamos cavalgar o vento e chegar às altíssimas montanhas do Peru na lenda contada pela escritora Antonieta Dias (referência abaixo). Sendo bela e serena a narrativa, adaptamos o texto da autora.
 “Os incas diziam que o Sol era o pai dos seres humanos. E ele, o Sol, certa feita convocou o filho Manco Copac e a filha Mama Acllo para lhes dá uma tarefa: reunir as tribos e ensinar a elas a vida civilizada. O casal, então, partiu da Ilha do Sol, no lago Titicaca para cumprir a missão determinada. Manco levava um bastão de ouro e Mama um fuso de prata. Ambos cruzaram o lago em barca de ouro. O Sol havia pedido que a fixação das tribos se desse onde o bastão penetrasse fácil à terra. Isso aconteceu no vale de Cuzco, que significa “umbigo do mundo”. O bastão entrou com facilidade na terra e  desapareceu. Manco instruiu os homens no trabalho de agricultura. Mama às mulheres a fiação da tecelagem.
Os caciques quíchuas se diziam descendentes de Manco Copac e Mama Acllo. Denomiram-se incas. Existiram treze incas, a partir daí tornaram-se imperadores”.
Adaptado de: Moraes, Antonieta Dias de (org.). Contos e lendas do Peru. São Paulo: Martins Fontes, 1989. P. 23-24.
Deixando a lenda, portanto, caindo na realidade do cotidiano, os incas foram bambas na arquitetura. Desenvolveram várias construções gigantes à base de pedras como templos, casas e palácios . Chama atenção a cidade de Machu Picchu – descoberta em 1911 – que revela toda a eficiente estrutura daquela sociedade. Também a agricultura era bastante desenvolvida. Plantavam em degraus formando terraços nas inclinações das montanhas. Tinham como base o feijão, milho e batata. O milho era considerado alimento sagrado e a ele era dada toda atenção. Mas os incas também construíram canais para irrigar suas terras cultiváveis, até desviando cursos de rios para as  aldeias. Mas não somente isto, eram hábeis artesãos com o ouro, a prata, tecidos e joias. Domesticam também a lhama, alpaca e vicunha. Usaram a lhama como meio de transporte além de se utilizarem da lã, carne e leite desse animal.
Que povo formidável!






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ESTAÇÃO DA LUZ

          ESTAÇÃO DA LUZ
Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.741
ESTAÇÃO DA LUZ. (DIVULGAÇÃO)

Nelson Gonçalves canta o tango de Herivelton Martins e Davi Nasser:

       “Estação da Luz, depois da meia-noite
Uma tragédia em cada rosto refletida,
Dois estranhos que se afastam, a chuva cai
No silêncio da cidade adormecida”.


O tango bate bem dentro da alma da gente. Que saudade danada, que nostalgia imensa da Estação da Luz na São Paulo que eu não conheci.
É o nome de uma estação de trem da cidade de São Paulo. Ocupa um espaço de 7.500 metros quadrados no antigo Bairro Jardim da Luz. Foi projetada pelo Barão de Mauá para suceder a primeira estação datada de 1867. Sua edificação ocorreu entre os anos 1895 e 1901 com matéria-prima vinda da Inglaterra e com supervisão do engenheiro James Ford. Sua incumbência era abrigar a nova Companhia São Paulo Raiway, natural da Bretanha.  A linha que atravessava a Estação da Luz fazia o trajeto Jundiaí (interior) ao Porto de Santos (litoral) num serviço de importação de tudo que São Paulo precisava e de exportação do nosso principal produto, à época, o café.
O seu relógio era uma grande referência na magnífica construção servindo para ajustar os relógios dos transeuntes. Nada mais deslumbrante do que a Estação da Luz. Em 1946, foi vítima de um incêndio que quase a destruiu, mas foi restaurada, inclusive, nesse período teve início à decadência das ferrovias no Brasil. Hoje faz parte da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô de São Paulo. Sua importância arquitetônica levou ao tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico – Condephaat – em 1982. Passou por várias restaurações e foi anexada ao Museu da Língua Portuguesa, fundado em 2006.
E a nossa imensa curiosidade que pouco se explica é a origem do nome Estação da Luz. O nome vem de Nossa Senhora da Luz, um dos títulos da Virgem Maria, venerada pelos fundadores do bairro.
“Antigamente um ponto de referência do dia a dia da cidade, um ponto histórico de grande importância, hoje a Estação da Luz tem a oportunidade de resgatar seu lugar como ícone urbano, junto à Pinacoteca do Estado e ao próprio Museu da Língua Portuguesa”.

Foi imortalizada na música pela voz de Nelson Gonçalves. Pesquise a letra completa e a interpretação do cantor. É DE ARREPIAR!

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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

ASAS NO ALFABETO

ASAS NO ALFABETO
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.740

Foto: (Escola Interativa).
Você sabia que o nosso alfabeto veio de muito longe? Estamos devendo isso aos fenícios e aos gregos. Vamos a uma ideia sobe os primeiros? Os fenícios eram um povo que vivia entre montanhas do atual Líbano e o mar. Como suas terras férteis eram poucas, optaram pelo comércio navegante através do mar Mediterrâneo e conseguiram a grandeza em ambas as coisas. Para melhor se comunicar com outros povos, desenvolveram um alfabeto com 22 letras consoantes.  A este, os gregos acrescentaram as vogais. Assim o alfabeto fenício foi à base para o grego no qual se baseia o nosso. Os fenícios possuíam cidades e colônias. Destacaram-se também como artesãos em tecido, joias, perfumes, artefatos de pedra, marfim, metal e cerâmica.
Temos os fenícios ainda como inventores do vidro transparente. Possuíam cidades separadas, mas não formavam um estado. Cada cidade tinha o seu governo como Ugarit, Biblos, Beritos, Sídon e Tiro (esta muito famosa na história maçônica). Houve muita prosperidade com elas entre 1400 e 700 anos a. C. Entre suas colônias estavam Chipre, Sicília, Cádiz e Cartago (famosa pelas guerras defensivas contra os romanos). Aproveitando as poucas terras férteis, plantavam cedros (madeira de lei) e negociavam suas toras, bem como cereais, algodão e oliveiras das quais extraíam o azeite. Pelo Mediterrâneo, vendiam seus produtos, trocavam, além de comprar e vender mercadorias de outros povos; como exemplo, compravam papiro aos egípcios e vendiam aos gregos.
A palavra FENÍCIO vem de PÚRPURA, uma cor vermelho-escura, espécie de tinta extraída das glândulas de um molusco chamado múrex. A tinta era usada para tingir tecidos que tinham grande aceitação no mercado. Inclusive, no império romano a púrpura demonstrava destaque, pois era usada por elevadas autoridades.

A história dos fenícios é um compartimento da História Antiga muito agradável. Um povo que dominou a navegação e o comércio pela necessidade. Seguiram o ditado popular: “Quem não tem cão, caça com gato”. Lembra agora das origens do nosso ALFABETO? Alegria.

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domingo, 17 de setembro de 2017

MONTE SINAI, SAGRADO E INÓSPITO

MONTE SINAI, SAGRADO E INÓSPITO

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de setembro de 2017

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.739

 

MONTE SINAI. Foto: (Bispo Eliel Luna).

De certa forma há uma lembrança particular, espiritual e doída sobre o Monte Sinai, relembrada pela reportagem da Record do último dia 10. Com mais algumas informações abaixo o objetivo maior deste trabalho é muito mais geográfico de que religioso. Talvez não exista monte com maior destaque literário na Terra do que o Monte Sinai, no Egito, também chamado de Monte Horeb. E diante de tanta fama imaginamos uma serra igual a um paraíso como foram em nosso município as serras do Poço e do Gugi. Nada disso, porém, é verdade. O Sinai é um pico de granito com uma altitude de 2.285 metros que segundo a tradição judaica Moisés teria recebido do Senhor as Tábuas da Lei. A primeira vista são vários montes como se tivesse sido no passado apenas um que houvesse sofrido longo processo de erosão e ficasse repartido em montes menores. A desilusão, todavia, é com sua estrutura física completamente rochosa e inteiramente fragmentada com pedras de todos os tamanhos e formas. Pode-se dizer: um grande amontoado de rochas peladas, sem beleza nenhuma. Quando aparece alguma espécie vegetal é de forma solitária, em pés pequenos, imprensado em frestas. As pedras são ligeiramente róseas e, a subida até o cimo leva horas até para quem tem boa forma física. Um monte sagrado, feio, horrível e inóspito.

Estar o Monte situado no Egito, no sul da Península do Sinai. Para quem não sabe, península é uma grande porção de terra que avança pelo mar. O local é sagrado para o cristianismo, Judaísmo e Islamismo. Muito abaixo do pico existe uma plataforma onde Aarão e os 70 sábios aguardaram Moisés na recepção as Tábuas da Lei. Existe uma caverna onde Deus falou com Elias, após a caminhada de 40 dias pelo deserto. Ali perto, um monte onde viveu São Gregório e, logo abaixo desse monte, a planície de ar-Raaha onde os israelitas aguardaram Moisés e depois foi erguido o primeiro tabernáculo.

Enfim, a região está repleta de histórias as mais diversas, principalmente porque a religiosidade é disputada pelas três religiões. Muitas certezas, quase certezas e bastantes controvérsias irradiadas em solo egípcio.

Interessou-se pelo assunto? Pesquise mais. É um tema sem fim.

 

 

 




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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A PEDRA DO PADRE CÍCERO

A PEDRA DO PADRE CÍCERO
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1738

PEDRA DO PADRE CÍCERO. Foto: (Ailton Cruz).
Em todos os recantos nordestinos estão às marcas indeléveis do Padre Cícero Romão Batista. Em Alagoas entre manifestações ao sacerdote – falecido em 20 de julho de 1934 – estão as procissões, associações, novenários e romarias. São milhares e milhares de devotos que ainda procuram o Juazeiro do Norte em busca de curas para os seus males, baseados na fé ao amiguinho Padre Cícero. Templos, praças e devoções ganharam espaço nesta nação nordestino dos litorais aos sertões honrando à memória daquele que tanto fez pelo seu povo. Nem queremos aqui entrar em discussões e acusações estéreis como ainda hoje acontece com o próprio Jesus, o Cristo.
Entre todos os movimentos em prol do padre do Juazeiro, um deles chama atenção e encontra-se localizado no município sertanejo de Dois Riachos. Tudo teve início quando o agricultor José Antônio Lima alcançou uma graça de promessa feita ao padre Cícero, em 1956. Agradecido, aproveitou um Boulder (bloco rochoso) que havia às margens da BR-316, para erguer um oratório em homenagem àquele que concedera a sua graça. Segundo a viúva do sertanejo, Maria, o seu esposo nunca revelou qual foi a graça alcançada. Com o passar do tempo e o aumento crescente de visitas ao local, o oratório foi reformado e a escada de madeira que leva ao topo, foi substituída por uma rampa de concreto. E os padres, por não conseguirem celebrar missas no cimo da escadaria, fizeram surgir uma igreja perto da rocha.
Anualmente acontece a celebração de morte do padre Cícero, todo dia 20 de julho. Já são milhares de romeiros que chegam à festa do dia 20. Eles vêm a pé, a cavalo, em automóvel, vans e ônibus que preenchem os terrenos vizinhos como se estivessem na própria Juazeiro. Além de gente de todas as regiões alagoanas, são inúmeros os devotos de Sergipe e Pernambuco. Do centro de Dois Riachos à Pedra do Padre Cícero, não deve dar mais de 2 km.
Dois Riachos, em Alagoas, é uma cidade pequena e ficou conhecida nacionalmente por ser a terra da jogadora Marta. Possui a maior feira de gado do Nordeste; é banhada pelo riacho Dois Riachos – afluente do rio Ipanema – tem famosa vaquejada anual e mostra o gigantesco açude no povoado Pai Mané. Seu acesso é fácil estando em qualquer lugar em solo alagoano..


  

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

SURREALISMO E FUTURO

SURREALISMO E FUTURO
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.737

IMAGEM BBC
A inteligência humana encontra-se em todas as partes do mundo e em  todas as áreas do conhecimento. Voltando-se para a engenharia podemos apontar os engenheiros das obras de Paulo Afonso, da estrada São Paulo a Santos, da ponte Rio – Niteroi e, em Alagoas, do Canal do Sertão. Mas muitas outras realizações deixam no topo da área a engenharia brasileira. Voltamos às aulas do velho mestre Alberto Nepomuceno Agra falando das “reentrâncias e saliências” dos fiordes da Noruega: Fiorde é uma grande entrada de mar entre montanhas rochosas.  Seu franjeado têm origem na erosão das montanhas devido ao gelo. Agora a Noruega iniciou um trabalho nos fiordes, chamado pelo mundo de absurdo, futurista, surreal.
É que a Península Stad, por ser aberta, sofre muitas tempestades, pondo em risco seus barcos que por ali atravessam. Para não enfrentar o mar aberto, a ideia é navegar pelos fiordes fazendo túneis entre eles. Mas esses túneis  não são qualquer tipo imaginado antes. O primeiro túnel será construído debaixo de uma montanha e terá uma extensão de 1.7 quilômetros de comprimento e 36 metros de largura. “De acordo com os planos da Administração Pública de Vias da Noruega, os túneis submarinos ficarão a cerca de 30 metros de profundidade e serão formados por dois cilindros paralelos de concreto, uma para cada direção da rodovia. Cada um destes cilindros terá duas pistas: uma para o trânsito comum e outra para véiculos de emergência e reparo. Em locais onde os túneis não forem viáveis  serão construídas pontes com pilares flutuantes – alguns deles suspensos com cabos de aço (...)”.
IMAGEM BBC
Esse é um projeto único no mundo, sonho, loucura e desafio da capacidade de engenharia. Bilhões serão gastos na audaciosa empreitada que divide opiniões de seus próprios moradores. A Noruega é rica, mas ninguém tem certeza se o repto valerá à pena. Obras fantásticas são vistas em todo o planeta que, encaradas pela primeira vez, parecem até de um mundo inexistente. Mas o pacote que a Noruega quer entregar ao Globo, parece coisa de anjos e demônios em parceria.
Ô mundo doido!


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terça-feira, 12 de setembro de 2017

UM CABRA DE LAMPIÃO

UM CABRA DE LAMPIÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.735

ILUSTRAÇÃO: (MESTRE VITALINO).
Vaga-Lume era um cangaceiro moderado e muito querido no bando. Há mais de cinco anos estava sob a chefia de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião. Recebera o apelido por enxergar bem à noite e guiar os companheiros pelas trevas. Mas certo dia houve mal-entendido por causa de um ataque de força volante e um invejoso disse para o chefe que o culpado havia sido Vaga-Lume. Lampião estava furioso e considerava a suposta falha do denunciado extremamente grave. Depois de muito pensar, resolveu eliminar Vaga-Lume como castigo, muito embora o cabra afirmasse que não tivera culpa nenhuma no caso. Lampião, entretanto, não levou suas palavras em consideração e convocou a todos para assistir a morte do cangaceiro.
Depois de mandar recolher as suas armas, Lampião fez uma meia-lua com os seus homens, deixando a futura vítima a vinte metros na frente. Ordenou: “Vaga-Lume, se prepare para morrer daqui a cinco minutos”. O condenado nada disse e começou a cantar várias modinhas que aprendera no bando, todas exaltando Lampião. A reação nunca vista antes, pegou todo mundo de surpresa. Aquilo bateu diferente no peito do chefe. Passados quatro minutos, Lampião aproximou-se e disse: “Agora faça suas recomendações que eu vou mandar atirar em você”. Vaga-Lume, serenamente, começou a fazer as recomendações a Nosso Senhor e à Mãe de Deus, em voz alta, pelo alma do chefe. Compassadamente e de forma clara, cercou Lampião de todas as proteções possíveis. Para si mesmo, não fez recomendação nenhuma. Lampião ficou atônito e há quem tenha visto uma lágrima descer do seu olho defeituoso. Depois, o chefe respirando fundo, virou-se para os companheiros e indagou ensarilhando o mosquetão: “COMO POSSO MATAR UM HOMEM DESTE?”.
Sei que os fanáticos adoradores de cangaceiros irão dizer que nunca existiu cabra com o nome de Vaga-Lume. Que a cena jamais existiu. E eu com isso! Foi assim que gostosamente sonhei. E desde então, tenho também recomendado à Santa Mãe de Deus e ao Mestre por aqueles que tentaram e tentam me deter pela inveja, indiferença proposital, astúcias e montes de pedras no caminho.
Tenho acompanhado sem muita atenção os resultados.





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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O PESTE DO GUINÉ

O PESTE DO GUINÉ
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.735
 
GUINÉS. Foto: (Sítiocolírio).
Quando o meu amigo agricultor se referiu a um político local e o apelidou de guiné, chamou-me atenção. Apesar de conhecer algumas façanhas dessa ave, não conhecia a semelhança do apelido levado ao sujeito.
Como criávamos muitos guinés sempre tivemos a melhor impressão possível da ave. No sertão alagoano ela também é chamada capote e tô-fraco, mas em outras regiões recebem denominações como galinha-d’angola, cocá, galinha-do-mato, faraona, sakué, pintada, picota, fraca e cakuê. Essa ave, extremamente arisca, é originária da África e introduzida no Brasil pela colonização portuguesa. Cria-se guiné no terreiro, em bando e, por mais grãos de milho que se dê, a fêmea está sempre a cantar, o canto que se entende por: tô-fraco. Existem ainda outros nomes correspondentes ao animal. Algumas religiões africanas gostam do guiné para oferenda a certos orixás.
Essas aves possuem nove subespécies e gostam de esconder os ovos no mato. A fêmea põe em um lugar e vai cantar em outro para despistar os predadores. O ovo de guiné é pequeno, tem casca dura, gema muito amarela e uma delícia de paladar. Se estiverem divididos em grupos, cada grupo tem seu líder. Na canela ninguém consegue pegar o bicho; só na espingarda ou à noite na dormida. Quando se descobre uma ninhada de ovos, está quase sempre acima de 40, pois as aves gostam da postura no mesmo ninho. São tão nervosas que o líder do bando fica vigiando na hora da comida e só come por último se tiver tudo bem. O cavalheirismo faz inveja a muitos marmanjos, não!
A sua carne é saborosa e exótica. Nas feiras do interior sempre se encontra ovos de guiné à venda, mesmo em quantidade mínima, assim como a própria ave. Os apreciadores fazem encomenda e nada melhor para se oferecer como almoço a um visitante da capital. Ainda existe àquela dureza no conselho que a carne é carregada. E se você acha que não foi carregada e sim comprada, tenha cuidado com as coisas que não deseja revelar.
Voltando a empolgação do amigo, ainda não descobri porque ele chamou o político de guiné. Mas conforme as informações postadas, você mesmo descobrirá. Só sei dizer que o companheiro estava irado e disse: “Fulano! Aquilo é um guiné da peste!”. Como Polícia Federal descobre tudo...


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domingo, 10 de setembro de 2017

A BALEIA SUBIU O POSTE
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.734

Surpreendeu o povo alagoano, o número exagerado de baleias que surgiu em suas praias, nos últimos dias. O que estaria acontecendo com a baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) em nosso mar? Estaria sendo vítima de pescadores? De desorientação? De bancos de areia? Afinal um mamífero que atinge a média de 12 a 16 metros não pode passar despercebido nas praias  mais bonitas do Brasil. E ao mesmo tempo em que os biólogos tentam explicar o fenômeno, o pensamento corre para a iluminação pública no Brasil antigamente.
No século XVIII não havia iluminação no país. Na Europa se usava o óleo de oliva e que era muito caro. Só no século XIX foi iniciada em alguns lugares a iluminação pública no Brasil. Mas pelo alto preço do óleo de oliva, o Brasil começou a usar o óleo de coco e de mamona. Óleo de mamona, esse mesmo usado no eixo do carro de boi para que ele fique cantador. Foi, então, que a baleia subiu nos postes através do seu precioso óleo, para as célebres lâmpadas de óleo de baleia. Rio de Janeiro iniciou sua iluminação em 1794 e usava óleo vegetal e animal. São Paulo em 1830 iluminava-se com óleos. E foi ele quem primeiro usou o gás no período 1854 até 1936. E mesmo com o surgimento da luz elétrica, algumas cidades usavam tanto a eletricidade quanto o gás.
Em Santana do Ipanema, interior de Alagoas, usava-se nos postes a iluminação com óleo, provavelmente, com os dois tipos, tanto de mamona quanto de baleia. E só em 1922 – com a elevação de Vila à Cidade – Santana do Ipanema passou a utilizar a eletricidade por força Motriz e a baleia desceu dos postes.

Volta-se ao surgimento dos grandes mamíferos nas areias do litoral alagoano. Os estudiosos  afirmam que as baleias não estão encontrando  alimentos por uma série de fenômenos e ações dos homens. Morrem em alto mar e são trazidas às praias pelas correntes marinhas. E se muitos fenômenos físicos são provocados pelo homem, indiretamente é o próprio homem o culpado das mortes das baleias. Nesse caso os gigantescos mamíferos dos mares são apenas a continuação dos atos irresponsáveis dos “pernas de calça” de várias partes do mundo.

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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Ói, Ói O TREM

ÓI, ÓI O TREM!
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.733
VLT. Foto (Divulgação).

“Café com pão
Café com pão
Café com pão

Bolacha não...”

Era assim que a meninada marcava o ritmo do trem de ferro, antiga Mara Fumaça. Enquanto o tufo de fumo subia contorcido pelo vento, a máquina apitava roucamente próxima às estações; ponto de encontro entre os que ficavam e os que partiam dividindo as lágrimas com os vendedores de laranja e tapioca nas plataformas. Quase todos escritores filhos de cidades onde havia linha férrea, não deixaram de descrever cenas acontecidas no trem. Nas Alagoas foi romance necessário que fez desenvolver os vales dos rios Mundaú e Paraíba do Meio, repletos de canaviais. Eram eles condutores de cargas para os antigos trapiches armazenadores de mercadorias para esportações pelos navios do Porto de Jaraguá.  Da Zona da Mata de Viçosa, novo ramal tomou direção do Agreste e foi bater em Palmeira dos Índios para descer até Porto Real de Colégio, no Baixo São Francisco.
Perdendo a luta para os transportes rodoviários, as antigas ferrovias morreram pelo abandono. E agora nos tempos modernos ressuscita-se o trem nas capitais como transporte urbano sob a denominação de VLT – Veículos Leves Sobre Trilhos – um misto de trem e bonde, bonito que só uma boneca e confortável que só braços de mãe. O preço de cada viagem é simbólico e transporta diariamente milhares de trabalhadores em parte da zona metropolitana de Maceió. Finalmente chega outra excelente notícia para a capital e os municípios de Satuba e Rio Largo. A reinauguração da antinga linha ferrovária, totalmente modernizada, do Centro de Maceió ao Porto de Jaraguá, coisa que parecia um sonho.
Valeu, portanto, o transtorno causado com as obras dos trilhos até o histórico bairro. Com seria bom viajar num bichão desse do Sertão à capital! Mas esse sonho nunca aconteceu antes e pelo jeito parece que nunca acontecerá. O Sertão agora está movido à Vans, também chamadas de Bestas, por aqui. Até os ônibus passaram a sofrer à nova onda de transporte menor. O exemplo é o fechamento de importante empresa de ônibus da cidade de Palmeira dos Índios a qual serviu durantes décadas. Com a ressureição do trem com alma de VLT pelo menos se resgata parte do romantismo de outrora, na capital. No restante, vamos embarcando na música de Raul Seixas: Ói, Ói o Trem...
Ô vida “Marvada”!



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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

ADEUS AO BARRO

ADEUS AO BARRO
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.732
 
Foto: (Prefeitura de Pindoba).
"No nosso Governo, não vamos ter mais nenhum alagoano rodando em estrada de barro. Faltam três cidades serem ligadas por asfalto: Canapi, que já está em obras; Pindoba, que nós estamos aqui hoje; e até o final do ano vamos começar a terceira, com o acesso à cidade de Belo Monte. E Alagoas vai ser, talvez, o primeiro Estado do Nordeste a não ter mais nenhuma cidade ligada por asfalto", garantiu Renan Filho”.
A declaração acima foi feita na semana passada pelo governador do estado na cidade de Pindoba, zona da Mata Alagoana. O topônimo vem da palmeira pindoba comum na mata atlântica ou floresta tropical. Antes o município chamava-se Pindoba Grande. A cidade é a menor do estado não chegando aos três mil habitantes e limita-se com Viçosa, Cajueiro, Mar Vermelho, Maribondo e Atalaia. Apesar de ter acesso pela BR-316, não será por ali o recebimento do asfalto, mas sim por estrada que dá acesso a Viçosa. De acordo com o governador, as três das 102 cidades alagoanas com acesso de terra, serão integradas às restantes através do asfalto. A situação de Pindoba é a mesma de Belo Monte, no sertão do São Francisco e Canapi no alto sertão. Não temos motivo nenhum de desacreditar na palavra da autoridade. Pindoba fica a 89 km da capital, Belo Monte a quase 200 e Canapi a muito mais dos 200.
Os governos Divaldo Suruagy – com erros e acertos – ficaram conhecidos como os que mais asfaltaram no estado, mas sinta o tempo. Estamos no milênio tão decisivo para a humanidade e mesmo assim ainda temos cidades sofrendo com a era do cavalo e do carro de boi. Alagoas é um estado pequeno e possui apenas 102 municípios como já foi dito, mas se iremos ser o primeiro do Nordeste a ter todas as suas cidades interligadas por asfalto, imaginemos, então, os outros estados irmãos maiores nossos!

Asfaltar os acessos passa do dever dos gestores chegando à beira da caridade. E se fôssemos enumerar os benefícios uma só crônica não daria conta das citações por melhor qualidade de vida. Imaginemos apenas ambulâncias conduzindo pacientes com grande rapidez aos centros mais adiantados. A jogada do asfalto foi da fato uma grande notícia para Alagoas.

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

O PEBA RICO

O PEBA RICO
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.731

“Eu sou o pirata
Da perna de pau
Do olho de vidro
Da cara de mau”

Sempre foram assim mostrados piratas e corsários em aventuras de histórias em quadrinhos e livros infantis. Os piratas representavam bandos de marginais em embarcações dispostos a roubar e saquear tudo que encontravam pela frente. Navios transportando ouro de várias nações eram constantemente alvos de piratas. Mas os corsários praticavam os mesmo atos com a diferença de organização prévia e oficial, pois agiam em nome de um país e de uma bandeira. O que eles conseguiam nos assaltos e saques dividiam com o rei, ficando com a maior parte dos produtos.
Muitas embarcações de piratas, corsários e de governos sofriam ataques e naufragavam levando tesouros para o fundo mar. Não raras vezes os piratas enterravam as cargas roubadas em ilhas e mesmo nos continentes. Grande número de navios naufragou também por causa de bancos de areia e arrecifes sem sinalizações alguma.
O mar de Alagoas é rico em arrecifes de corais e de arenito. Quantos navios dos tempos antigos de piratas e corsários e embarcações oficiais naufragaram na região? É difícil saber. Mas pelo menos retorna a curiosidade de caçadores de tesouros ou historiadores com os achados de moedas e joias da praia do Peba – área protegida por lei no município de Piaçabuçu.
Quando esses fatos acontecem uma enxurrada de pesquisadores chegam ao local. É sabido, porém, que todo achado pertence ao governo. Independente, todavia, de moedas, joias, baús e outras botijas seculares, a praia do Peba é o nosso verdadeiro tesouro. Está localizada entre os municípios de Piaçabuçu e Feliz Deserto. Aliás, a denominação deste último território foi dada por um náufrago.
Arenosa, extensa, berçário de tartarugas marinhas e cabeça das praias mais belas do Brasil, o Peba é rico com ou sem pirata da perna de pau.



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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A BELA BELO MONTE

A BELA BELO MONTE
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.730

POVOADO BARRA DO IPANEMA.  Foto: (Clerisvaldo B. Chagas).
Quem procura um lugar pequeno, pitoresco e tranquilo para espantar o estresse, indicamos Belo Monte no Sertão do São Francisco, em Alagoas. A sua pequenez física, talvez, seja o encanto bucólico onde o tempo passa devagar. Como permanente sentinela do Velho Chico, era antes fazenda de gado. Nas viagens de D. Pedro II pelo Brasil, também passou o monarca pelas terras desse lugar ao subir de Penedo até a cachoeira de Paulo Afonso. Elevou a povoação à vila com o nome de Lagoa Funda, mas no próprio decreto – encantado com a beleza da paisagem – D. Pedro II mudou o topônimo para a poesia curta de Belo Monte.  Por situar-se num alto rochoso, praia não é o forte da cidade e sim o panorama amplo que se espraia pelo vale do rio São Francisco.
Não chegando aos dez mil habitantes, a cidade oferece uma culinária típica e a calma das suas ruas, passeios de canoas, barcos e lanchas, tendo a Igreja principal da cidade como edifício destaque com a formosa e antiga arquitetura. Em tempos de maior movimento destaca-se nos Carnavais, nas procissões de Bom Jesus dos Navegantes – que acontece nos dias 29 de dezembro a 01 de janeiro – e nas festas da padroeira, Nossa Senhora do Bom Conselho, em 2 de fevereiro. Belo Monte limita-se com Sergipe e os municípios de Pão de Açúcar, Jacaré dos Homens, Batalha e Traipu. À jusante da cidade encontra-se o povoado Barra do Ipanema com uma encantadora praia e o morro/ilha dos Prazeres com a igreja no topo de Nossa Senhora dos Prazeres, recentemente tombada pelo IPHAN a qual demos pequena parcela de contribuição. O lugar deu origem aos nossos livros: “Ipanema um Rio Macho” e “Barra do Ipanema; Um Povoado Alagoano”.
Vários lugares são oferecidos como passeios, inclusive a famigerada serra das Porteiras com 494 metros de altura. É nesse loca onde se encontra a foz do rio Ipanema depois de escorrer por 12 quilômetros no município, formar o mais belo trecho do seu curso com um canhão e corredeiras no povoado Telha, chamadas pelos santanenses de “Cachoeiras”.
Quem quiser chegar a Belo Monte por terra, infelizmente terá de enfrentar uma cabulosa estrada de barro a partir de Batalha, sua cidade recorrível vizinha. Belo Monte também faz parte da Bacia Leiteira do Médio Sertão de Alagoas.





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