E O CÉU... Clerisvaldo B. Chagas, 16 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3447   Aconteceu novamente. O...

 

E O CÉU...

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3447

 


Aconteceu novamente. O mês chegou ao meio. E se o mês meiou (miou, como diz o sertanejo) é sinal que o mês findou, continua o ditado popular. Estamos falando da rapidez que a segunda metade do mês chega ao fim, após os primeiros quinze dias. As chuvas fracas que caíram em maio, deixaram a vegetação sertaneja verde-
escuro. Acontece que este mês é sempre o mais esperado em pluviosidade e frieza, mas há vários dias que não chove e os vegetais que circundam a nossa cidade, já começaram a perder fôlego, empalidecendo devagar. Vai sentido a falta de chuvas, antes abundantes  nessa ocasião. Mas fazer o quê? O retrato das colinas circundantes é o mesmo do quadro rural. Quem pode com esse menino travesso e essa menina sapeca, El Niño e El Niña?

Com chuva ou sem chuva, vai ter início a grande festa da padroeira local,  Senhora Santana. Festa da padroeira que é vista em toda  sua pujança durante procissão quando toma a extensa parte da BR-316, denominada pelo povo de “Aterro”.  É naquela passagem de cerca de dois quilômetros que foi de fato aterrada para a altear a rodagem que estava sendo construída que a procissão se estira. Pois, do Largo do Maracanã, Bairro da Camoxinga, a pessoa descobre a verdadeira extensão do cortejo porque o Largo é mais alto e oferece uma vista impressionante do Aterro. Mas, de fato, nessas ocasiões, os céus costumam dar uma trégua nas chuvas do mês. Essa tradição da trégua das chuvas ou é milagre ou parece milagre.

Porém, não sei se foi para comemorar a vitória da Argentina sobre a Inglaterra, que o céu esqueceu tudo que eu disse acima  e mandou uma chuva fina com frieza brusca já no cair da noite. A escuridão foi se estendendo e o  tamborilar da chuva no telhado também foi se elastecendo. Larguei as cartas de Zoomancia, criada por mim, fui dar uma lida no tarô cigano e calcular o valor sem ambição de uma  consulta popular. E sempre com o acompanhado do tamborilar já mencionado, senti a hora avançar e o cursor do book sair constantemente do lugar, atrasando o envio da crônica.  Como vai ser o resto da noite, não sei, pode continuar na mesma pisada ou dá um suspiro grande para estiar.

E na segunda quinzena, quem ousa provocar o tempo?

CÉU DE SANTANA, DIA 15 DE JULHO.

 

  A SURPRESA DE SÃO SEBASTIÃO Clerisvaldo B. Chagas,15   de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3446   O pe...

 

A SURPRESA DE SÃO SEBASTIÃO

Clerisvaldo B. Chagas,15  de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3446



 

O pesquisador é curioso e resiliente. Há cerca de 20 anos,   estive na serra da Remetedeira. Serra e sítio rural dos arredores de Santana do Ipanema. Eu já havia visto muitas coisas em sítios e fazendas que me surpreendiam e me deixavam maravilhados. Entretanto, nada foi igual ao choque que tomei no sítio e serra da Remetedeira. Isso porque você não  estar preparado para receber o choque. Mas, o choque  de coisa boa, fantástica para você que nunca esperava encontrar. Fui descendo da lombada da serra pelo lado esquerdo, vendo caminhos, currais e uma vegetação densa no terreno inclinado. De alguns pontos da serra se avistava as planuras de sítios como Olho d’Água do Amaro e seu entorno.

Um pouco mais adiante fui dar em um terreno íngreme, Cercado de floresta com uma casa simples e galinhas no terreiro. Porém, quando olhei para a parte de cima, quase que caía duro e emocionado. Havia uma belíssima igreja, aberta e vários degraus muito largos  que chegavam até ela. Uma relíquia escondida que eu jamais pensaria existir. Depois de muito tempo parado e de boca aberta, subi os degraus devagar e fui para o seu salão devidamente arrumado e com suas bancadas. Não perguntei qual era o seu santo, não indaguei quem a construiu, não interroguei sobre a sua história. Esqueci de tudo isso, só contemplava abismado e silencioso que parecia está no céu. Nunca tinha levado choque semelhante. Depois pensei em escrever sobre a zona rural, com  a foto daquela igreja na capa do livro.

Somente agora, e tão somente agora, vejo nas redes sociais, a igreja numa foto postada pelo senhor Jorge Santana, com o nome do santo que eu  não perguntara; São Sebastião.  importante para o meu ego de pesquisador, peço ao senhor Jorge, a gentileza de enviar a foto e aí está ela. Hoje me parece mais estreita e a foto não diz como a descobri naquele dia, Agradeço ao senhor Jorge Santana e a minha própria resiliência, pois também já havia descoberto várias outras coisas assim, muitos anos depois, quando os assuntos pareciam mortos. Sei que não terminei o livro sobre a zona rural que ficou pela metade, contudo, rever a igreja que eu descobrira em lugar íngreme e cercado de floresta, já massageia o ego recompensado do esforço feito.

IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO (CRÉDITO: JORGE SANTANA).

  O LÚDICO Clerisvaldo B. Chagas,   14 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3445   Para quem gosta de ler...

 

O LÚDICO

Clerisvaldo B. Chagas,  14 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3445

 



Para quem gosta de ler, talvez tenha se deleitado com um dos romances brasileiros que mais me impressionaram: CURRAL NOVO,  do saudoso filho de Palmeira do Índios, escritor Adalberon Cavalcante Lins.  O romance Curral Novo é seguido em continuação da trama por dois outros romances: SIDRÔNIO E CAMINHOS INCERTOS. Em um deles, o autor descreve as brincadeiras dos meninos da fazenda, levando os mais velhos para as lembranças da meninice na zona rural. Lembro-me que também tenho cenas de brincadeiras lúdicas e femininas do meu tempo no romance DEUSES DE MANDACARU. Porém, virei criança novamente diante do portão da rua, na minha casa.

É que pela primeira vez em cerca de trintas anos, vi novamente a brincadeira de quando era criança. Passaram duas meninas puxando carrinhos de brinquedos, pelo cordão. Tive que falar com elas e dizer que era assim que eu fazia na idade delas. Puxava os carrinhos feitos de madeira ou de lata que artesãos vendiam na feira. Depois foram surgindo carrinhos elaborados pelas indústrias e que eram novidades para nós. Contudo, as brincadeiras de puxar carrinhos com barbantes, era coisa dos meninos, e no caso da minha calçada aconteceu com meninas e carrinhos de fábricas.

Assim como eu não sabia como eram as brincadeiras de crianças na zona rural e aprendi no romance CURRAL NOVO, outros leitores que também não sabiam como brincávamos nos anos 60, ficaram sabendo em DEUSES DE MANDACARU na diversão “boca de forno”, fizesse o que eu fiz... Fiz. Seu rei mandou dizer....  Porém, me  lembro ainda que no livro dos irmãos escritores Darci e Floro de Araújo Melo, existe página a respeito das brincadeiras de meninos e meninas do tempo deles, pedaço de Santana Vila, pedaço de  Santana cidade. Muito importante para os pesquisadores na sequência até o celular, brincadeira de hoje de adultos e crianças.

Abençoadas sejam as criaturinhas que me fizeram menino de novo.