SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
ERA ASSIM, DEPOIS... Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano ...
ERA ASSIM, DEPOIS...
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3440
Após
jumentos, burros, cavalos e carro de boi, foi surgindo em Alagoas o caminhão e o trem. O trem no litoral e no vale do Mundaú, o
caminhão, ainda raridade, cortando todas as regiões do estado. E as estradas de
antigos almocreves e carro de boi, foram aos poucos, alargadas para a era dos motores.
As antigas estradas alargadas eram chamadas de “rodagens”. Trabalhadas, mas
ainda conhecidas como “estradas de
terra” ou “estradas de barro”. E para cuidar desses problemas, atuavam em
várias cidades do Brasil, repartições federais do Departamento Nacional de
Estradas e Rodagens – DNER. Hoje DNIT. No Sertão alagoano o DNER, escreveu
páginas de pioneirismo, desbravamento e de um heroísmo cru e teimoso que
permitiu o desenvolvimento rodoviário e
seus agregados. Chegou em Santana em 1951.
Quase
todos os dias os chamados “cassacos”, isto é, os homens que trabalhavam nas
estradas, estavam em turmas atuando em trechos, entre Palmeira dos Índios e
Delmiro Gouveia. O DNER, em Santana do Ipanema, deu trabalhos a inúmeras
pessoas. Quanto ao salário, uma hora estava bem por cima, outra hora era motivo
de reclamação. Ainda cheguei a conhecer, pelo
menos, dois funcionários que viraram agiotas, naturalmente quando o
salário estava em alta. A sede do DNER, era chamada de “residência”, talvez
pela presença do engenheiro que comandava a repartição e que tinha vários direitos
e ali morava. Conheci vários intelectuais que trabalharam no DNER, inclusive, o
economista Sílvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá.
Muitos
episódios relevantes aconteceram na repartição, porém tudo foi perdido por
falta de registros. Apesar de tanta gente capacitada, ninguém publicou uma
linha sequer da gloriosa história do DNER em Santana do Ipanema. Ali se
abrigava repentistas, músicos, engenheiros, professores, agricultores,
rezadores... Mas nada de livro. As histórias eram contadas de boca em boca, até
que o tempo varreu todos os vestígios gloriosos daqueles heróis. O golpe
definitivo foi quando aconteceu sua extinção e, depois, renascido com outra
sigla, mas a história já tinha acabado. Assim é que eu mesmo me pergunto se a
história de Santana do Ipanema, não está incompleta com a ausência do DNER em
suas páginas. É duro ver o ouro escapando por entre os dedos.
ANTIGO
DNER EM 2012.
JULHÃO Clerisvaldo B. Chagas, 2 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3439 Quem quiser não acredite em...
JULHÃO
Clerisvaldo B.
Chagas, 2 de julho de 2026
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3439
Quem
quiser não acredite em surpresas. Mas, ao contrário do que o final de junho
pregava, julho não amanheceu com aquele frio intenso de matar sapo. O frio acentuado ficou na madrugada entre
ambos os meses. Julho entrou sereno, iluminado, céu profundamente azul em toda
a sua extensão. Um anúncio importantíssimo para o nosso destino agrícola e
pastoril. Uma significativa joia para
roupas nos varais e antídoto para mofos.
E julho abre com um sorrisão o mês da padroeira Senhora Santana,
outrora, a maior festa religioso de Alagoas e, a intrusa Festa da Juventude
tudo no contexto dos trinta e um dias
tão esperados do ano. E para ornamentar a segunda quinzena de julho ainda o
lançamento do livro AREIA GROSSA.
Como
já dissemos, festa em cima de festa, as juninas e as de julho que logo
começarão. Para os que apreciam histórias de cangaceiros, é mais um mês de
aniversário da morte de Lampião e Maria Bonita, precisamente em 28 de julho.
Riachinhos escorrendo, Vegetação verde fechado, Ipanema com água nos poços e
foguetes que sobraram de junho. Vamos
planejando uma rápida viagem ao São Francisco, porém, continua em nossa mentes
chuvas e frio de situações anteriores, cuja tempo atual, então, gera a
desconfiança. É meu amigo, minha amiga, a busca inolvidável por novíssima
publicação em livro hibernado por vários anos seguidos. Vamos obedecendo a
ordem de publicações, anunciando mais um documentário de altíssimo valor para a
região banhada pelo rio Ipanema, sobretudo, para Belo Monte, o núcleo do
documentário.
Mas,
o que leva um escritor a escrever um documentário, fora a importância em
registro do futuro documentário? Você já pensou nesse caso? Ora, a temática
pode até não ter tanta importância, todavia, a parte emocional conta muito para
a decisão de escrita. Imagine que um lugar em que você visitou, nada tem de histórico, mas conquistou o seu
coração por alguma coisa particular que somente você sentiu. Mexeu com você, penetrou fundo na alma e no pensamento, tocou no coração. É aí quando o
escritor se alvoroça por dentro e se não levar o caso para o papel, adoece. É
um pedido forte e educado da Natureza
que somente ele capturou. Tem coisas que só a mulher enxerga, tem coisas
que só o poeta vê, tem coisas que só o escritor percebe.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.