slider img
slider img
slider img

  O COMÉRCIO SANTANENSE E O TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3368  ...

 

O COMÉRCIO SANTANENSE E O TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3368



 

Quando o senhor Abílio Pereira, comerciante com Armarinhos no “sobrado do meio da rua” teve o sobrado demolido pelo, então, prefeito, Ulisses Silva, procurou, como outros comerciantes, encontrar novo lugar para negócios. Estabeleceu-se no largo Prof. Enéas, ainda no Centro Comercial e, pelo que eu observava, mudou de ramo e passou a negociar com ferragens. Modernizou sua casa comercial e nela implantou um terceiro andar que na certa servia de depósito. Foi o primeiro prédio do Comércio de Santana com segundo andar e primeiro. Fato histórico, portanto. E, como o prefeito e seus seguidores previam, de fato novos e modernos horizontes surgiram na paisagem do Centro, afastando definitivamente o seu aspecto de vila.

Vale salientar que pareceu que o Sertão inteiro acompanhava a transformação que aconteceu na “Rainha do Sertão” e “Capital Sertaneja”. Muitos diziam que havia duas Santana: a do passado e a do presente. Muito embora as opiniões se dividissem, ninguém ousou desafiar o prefeito e, os contra as demolições do “prédio do meio da rua”, inclusive, minha opinião de adolescente, também era em favor dos edifícios que eram uma espécie de Shoping de Santana do Ipanema. Entretanto, o tempo deu razão ao prefeito, muito embora a forma com foi feita tivesse sido truculenta e rápida sem consulta pública e para não dá tempo ao povo pensar. Isso também havia acontecido na década de 40 quando derrubaram o antigo cemitério de Santana à marretadas e pauladas, durante uma noite.

Histórias de empáfias e macabras se encobriram nas curvas do tempo e na força, na marra, no cacete, o Comércio de Santana do Ipanema foi considerado por inúmeros caixeiros-viajantes, como o mais bonito do interior de Alagoas. Imaginem agora com as transformações naturais e profundas que sempre estão acontecendo! Agora, como novo becos, viadutos, pontes e alargamentos de ruas estão completamente desatualizados, cada dia que passa o trânsito vira terra de ninguém. E como o número de motoqueiros só perde para Arapiraca, imagine o caos em que estamos vivendo. Ninguém sabe dizer até quando vai continuar essa falta de estrutura urbana para a segunda modernização. Enquanto isso viramos uma Índia no tráfego doido da cidade.

PARCIAL DO COMÉRCIO DE SANTANA (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

 

 

 

  O PAU-BRASIL DA RUA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3337   Um dos pr...

 

O PAU-BRASIL DA RUA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3337

 



Um dos primeiros ataques estrangeiros às nossas riquezas foi em nossa Floresta Tropical, devastando as matas em busca do Pau-brasil. Levado à Europa para servir de corante e ser usado como madeira de lei, esse tipo belo de árvore quase foi extinto em nossa Costa. Mas a história da exploração estrangeira do Pau-brasil, apesar de tudo, ainda deixou algumas brechas para contemplarmos a espécie neste século XXI. E sem se aprofundar na sua história do tempo dos machados, ainda podemos ver aqui no Sertão, pelo menos em Santana do Ipanema, algumas dessa árvores históricas como arborização urbana. É certo que existe a raridade nas ruas, que é uma aqui, outra acolá, bem longe, mas existem. E por que venho novamente falar sobre o tema?

É meu amigo, minha amiga, pela beleza da sua roupagem nessa época do ano. E sempre que isso acontece, não resisto a essa beleza e fico de boca aberta a contemplar aquele verde belíssimo repleto de cachos de flores amarelas e rendadas. A minha rua, então, vai ficando ornada com o rei Pau-brasil em toda sua pujança. É, na rua, somente uma árvore, mas que realmente encanta. Outra que foi plantada não conseguiu se desenvolver, acho que por causa de subsolo rochoso. Mas quando você vê o pau-brasil em toda sua plenitude, sabendo que aquele é o nome da nossa pátria, dá um orgulho danado! Quando a espécie é natural, na Mata Atlântica, é troncuda e muita alta, entre 10 e doze metros, comum, mas pode atingir os 30 metros.

Foi chamada pelos índios de “Ibirapitanga” (madeira vermelha). Pau-brasil vem da cor vermelha de brasa. É a árvore símbolo do Brasil desde 1961. Em extinção, é protegida por Lei e praticamente hoje só é usada para arco de violino de excelente resultado. O seu nome científico é (Paubrasília echinata). Por isso e por outras coisas mais, temos o dever de proteção, tanto a esse vegetal histórico e de estimação quanto aos outros que não alcançaram essa grandeza. Não tem como apreciar a belíssima árvore durante as floradas, sem não irmos direto para as páginas da história, do escambo entre portugueses e indígenas.

Pau-brasil, viva o ibirapitanga!

VIVA A BRASA! VIVA O BRASIL!

 

PAU-BRASIL (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

  TUDO NO SEU TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2026 Escritor SÍmbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3367   É verdade. ...

 

TUDO NO SEU TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2026

Escritor SÍmbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3367



 

É verdade. O nosso estado é pródigo em histórias regionais de esperas, em décadas e quase em século. Entre essas famosas esperas por benefícios ou por soluções radicais, estão a Ponte de Penedo, o asfalto do povoado Carié a cidade de Inajá (Pernambuco), o asfalto Olivença – Batalha, direto, e entre muitas outras paciências de Jó, os trechos asfálticos santanenses, Centro – Bairro Bebedouro/Maniçoba e o trecho de terra da antiga rodagem Santana – Olho d’Água das Flores (Rua São Paulo – travessia do rio Ipanema (pelas antigas Olarias) até a AL-120. Estas últimas, mais de 70 anos de espera, desesperanças e descréditos nos políticos. É pena já terem partidos os antigos proprietários daquelas olarias que me viram brincar: José Cirilo, Eduardo Rita, Senhor Cristino (Piduca).

É bem verdade que após esses dois últimos trechos citados ganharem o benefício asfáltico, ainda não tive oportunidade de visitá-los, mas pelo menos um deles, vi de longe. Maniçoba/Bebedouro foi marcado como lugar já habitado antes mesmo da fundação da cidade, em 1787. Pertence ao hoje Bairro Maniçoba/Bebedouro, o mais antigo documento sobre Santana do Ipanema. Dali saiu o primeiro registro de venda de terras, no município. Já as olarias faladas acima, ficavam na margem direita do rio Ipanema, na passagem chamada antes de “Minuíno”. Foram essas olarias, mais conhecidas que impulsionaram as construções da cidade, fornecendo, tijolos, as três e uma fornecendo também telhas. E da que fabricava telhas (de Eduardo Rita) levávamos barro para fabrico de máscaras de Carnaval.

A propósito, para melhorar essa possível fonte de pesquisa, os proprietários das três olarias famosas de Santana tinham também outras atividades. José Cirilo possuía caminhão e conduzia mascates para as feiras das cidades circunvizinhas; Eduardo Rita, também era proprietário de caminhão; Seu Piduca possuía mercearia poderosa no centro de Santana. E voltando ao tema inicial, cheguei numa idade em que devo ser pesquisado e não procurar pesquisas. Mas, como foi preciso esperar quase um século pelas mudanças citadas acima eu não poderia negar o que vi e aprendi. Para os jovens, nada de mais, apenas um trecho de asfalto. Para os antigos, fim de mundo com asfalto (impensável) chegando por todas as bibocas. De fato, tudo tem seu tempo.