ZUMBI Clerisvaldo B. Chagas, 23 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano fugitiva fugitiva e organ Crônica: 3405   O...

 

ZUMBI

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano fugitiva fugitiva e organ

Crônica: 3405



 

O Dia de Tiradentes, um simbolismo forte de libertação da nação brasileira, também, reverbera nos canaviais nordestinos e nos leva no imaginário à serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas. Um mundo à parte na cadeia de montanhas que corta a região Norte do nosso estado. E pelo grito de liberdade africana e pela resistência negra aos costumes escravagistas da época, pensava eu deixar as teorias do livros  e subir o monte.  Conhecer o chão real  da Troia negra alagoana. Mas, nem como professor de Geo-História, nem de pesquisador, nem de turista e nem de curioso, consegui chegar em terras da Mata e nem galgar a serra da liberdade. Sempre havia alguma coisa que impedia a minha visita aquele sítio arqueológico. Qual a  explicação?

Entretanto, nunca se apagou em mim a inspiração fugitivas  organizacional de resistência dos seres humanos à crueldade muito além dos chicotes. E fui  acompanhando notícias de reformas no sítio, de melhoria ao acesso e  sensação de um clamor milenar invisível que ainda ecoa pelos rios, pelas  montanhas, pelas matas, pelo vento da região de quem ainda possui um pouco de sensibilidade à libertação humana.  E vejo também o meu herói Zumbi  no romance do saudoso romancista Adalberon Cavalcante Lins – O TIGRE DOS PALMARES.  Passou a época do entusiasmo em conhecer de perto a serra da Barriga. Não almejo mais escalar serra alguma, sem asfalto ou com asfalto, mas sinto na própria carne o desejo ardoroso de Zumbi também em quebrar para sempre suas amarras.

  ALTO DA EMA Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3404   Quando o pesquisador ...

 

ALTO DA EMA

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3404

 



Quando o pesquisador encontra certa ambiguidade, na pesquisa, muitas vezes não tem como desvendar o mistério surgido, quando fontes seguras já não existem e se tem que entrar no campo das deduções. Um desses caso é semelhante no Sertão e no Agreste do nosso estado. E tudo tem início com a denominação mais fácil que o povo encontra. Entre Palmeira dos Índios e Maribondo, encontramos o povoado Cabeça Danta. E o que significa Cabeça Danta. Seria inicialmente Cabeça de uma pessoa de sobrenome Danta? Seria  o lugar chamado antes Cabeça da Anta? Seria cabeça, relativa  a um começo de ladeira, de chã? Teria sido achado ali uma cabeça humana de alguém que tivesse sobrenome Danta?

No município de Santana do Ipanema estão as denominações de sítios: Baixa do Tamanduá,  Várzea da Ema. Muita lógica nas deduções. Mas o sítio Alto Dema ou Alto da Ema ou Alto d’Ema,  ou ainda Alto do Dema dá nó em cabeça de pesquisador.  Qual a realidade por trás do nome. Primeiro, Alto Dema, ou Alto do Dema ou Alto d’Ema, dá a impressão do que são termos que dizem a mesma coisa: Um terreno alto que teria um morador chamado ou apelidado de Dema. Então vamos para a quarta denominação: Alto da Ema. Bem, assim tudo muda. Nesse caso a termo é muito claro: Um lugar onde, antigamente se encontravam emas. Ali perto existe outro sítio com o nome Várzea da Ema. Várzea é lugar baixo, fértil e sujeito à inundações. Ora, se tão perto tem a Várzea da Ema, e o Alto da Ema, se deduz que naquela região eram frequentadas pelos animais selvagens ema, tanto nas baixadas quanto nos altos. Qual seria o certo?

A EMA, ave pernalta é a maior do Brasil. Suas pernas longas permitem fugir rapidamente de predadores e, quando acuada também resolve atacar. Animal  cada vez mais raro nos seus habitats,

as emas eram bastante encontradas no interior do Nordeste. Embora tenha uma carcaça com bastante carne, não era apreciada, principalmente pela população masculina que dizia que “que carne de ema faz crescer a bunda”. No meu romance do ciclo do cangaço, FAZENDA LAJEADO, tem uma cena hilariante com uma ema, visando quebrar  a seriedade da narrativa. A  (Rhea Americana) também se encontra presente no livro: O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA.

EMA (PIXABAY).

  MUNDO NOVO Clerisvaldo B. Chagas, 21 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3343   A   primeira mudança q...

 

MUNDO NOVO

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3343

 



A  primeira mudança que registrei no mundo do Sertão para o progresso e o modernismo foi a invasão de calçados vindos de Pernambuco. Isso quebrou os curtumes e faliu as fábricas de calçados de Santana do Ipanema. Depois foi a chegada devagar de confecções prontas, vendidas em bancas de feira no ramo de armarinhos. A sua crescente presença, eliminou os alfaiates e as costureiras de Santana do Ipanema. Houve a decadência em lojas de tecidos. E pela primeira vez na vida, vi uma montanha de calcinhas, na feira, vendida a 1 real, cada peça. Incrível para a época. Ao mesmo tempo numa viagem à Juazeiro do Norte, vi montanhas de confecções, cujas calças para homens, custava apenas 15, reais, que era praticamente de graça. No Sertão ainda se usava roupa sobre medida, escassez no vestiário e falta completa de sutiãs e calcinhas.

Mas, o início de fato dessa transformação, foi quando, como adolescente, notei que as fábricas estavam fabricando brinquedos baseadas naqueles que usávamos no cotidiano feitos pelos nossos artesãos: Caminhões de molas de lata, pinhão de goiabeira, Mané-gostoso, principalmente. Depois vieram as bicas (calhas) de plástico para escoar as águas das chuvas no telhado. Isso foi eliminando a profissão de flandreleiro, em outros lugares, chamados funileiros. E essa transformação silenciosa, notada por muito poucas pessoas, continua ainda  e agora com velocidade espantosa. Veja o exemplo do celular, atualizado a cada seis meses.

O progresso faz, então, lembrar do padre Bulhões e o matuto que entrou na igreja, vindo do sítio chamado Mundo Novo. Olhando a nave do Altar-mor, o padre viu quando o matuto entrou na Matriz de Senhora Santana, com chapéu e cigarro apagado na boca. Dirigiu-se ao altar que estava com uma vela   acesa e procurou acender o seu cigarro boró. O padre desceu até lá, procurando se conter para não aplicar mais um  esporro daqueles acostumados a  presentear. “Bom dia, de onde o senhor é?”, indagou. O matuto respondeu: “Sou do Mundo Novo”. E o padre, dominando a impaciência disse coçando a cabeça: “Só podia ser. Pois no Mundo Velho de meu Deus, não existe isso  não”

Durma com um barulho desses!

BBC NEWS. CIDADE DO CABO.