O MONTE Clerisvaldo B. Chagas, 25 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3436   Vemos na foto deste traba...

 

O MONTE

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3436

 



Vemos na foto deste trabalho, uma rua em área nobre do Bairro Monumento. O asfalto que domina toda a cidade de Santana do Ipanema, porém, ainda não chegou por aqui, onde estar situada a sede do INSS. Entretanto, dar para se perceber a limpeza da rua ainda com paralelepípedos. Veja que a paisagem urbana que parece bem “penteada”, como um cenário após a chuva. Ao fundo da foto, vemos o verdume do monte, começando a bela cor pelas árvores da rua, podadas e belas. O monte, ao fundo, tem Geografia, tem histórias, tem o social e a literatura que a ele se refere.  Ali tem crônicas, tem  conto real, tem turismo , têm fotos, têm filmagens e tem encanto. Estamos falando do serrote do Gonçalinho, depois, serrote do Cristo e depois serrote das Micro-ondas.

Vemos a face voltada para grande parte da cidade; a outra face é  voltada para a AL-220, que liga Santana do Ipanema a olho  d’Água das Flores. A face apresentada abaixo, é íngreme e sem  habitações, repleta de arbustos, cactáceas e viva na fauna com teiús, cobras, formigas, raposas e gatos-do-mato.  A face não  vista na foto tem as faldas habitáveis e com bairro formado recentemente com nome Santo Antônio. Como já foi dito em outras vezes, a face apresentada é o sota-vento. A outra face é o barlavento. Geralmente os serrotes do Sertão são prolixos, em forma de lagartas, se bem que encontramos outras formas de relevo. Os melhores ângulos para se fotografar o Gonçalinho é de onde esta foto foi batida e das proximidades, especificamente, do hipermercado Nobre.

O lugar é excelente para um convescote, porém, a ideia não é muito boa para esse tempo de chuvas e frieza. De qualquer maneira a foto abaixo serve para dá rosto ao monte e para apreciar a beleza do verde sertanejo. Foi aproveitando a ida ao INSS que senti a foto e não pude evitá-la. Continuam em cima da crista, as compridas antenas de comunicações que deram nome ao serrote pela terceira vez: serra da Micro-ondas e que vai mudando de geração em geração conforme o que for chegando no seu topo como novidade.  Pela face que dá para a AL-120, pode ser usado o automóvel até o topo, muito embora vez em quando o calçamento de pedras precise de concertos.

Registrado o que vi.

(FOTO  DE B. CHAGAS).

 

  ALTO DOS NEGROS Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.435   Benditos são os ...

 

ALTO DOS NEGROS

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.435



 

Benditos são os lugares denominados pelo povo. Eles são autênticos, feios ou bonitos mais refletem as verdadeiras origens.  Os gestores políticos, as câmaras municipais, vão varrendo os nomes  de tradição e inventam nomes de pessoas cujas famílias possam lhes dar votos. Alguns casos podem não ser assim, mas no geral os sãos. E foi pelo povo que surgiu o termo naquela colina do antigo Bairro Floresta, de ALTO DOS NEGROS. A princípio, eram três ou quatro casinhas de taipa, à beira da estrada  em chão de barro vermelho. Não era uma aldeia quilombola, mas os poucos habitantes daquelas casinhas talvez tenham vindo do núcleo quilombola de Tapera do Jorge, na margem do Ipanema, povoado de Poço das Trincheiras. Era algumas mulheres e o preto Zacarias, carregador de malas, em Santana do Ipanema.

Não havia oficialmente a profissão de carregador de malas, mas era uma atividade bem exercida por algumas pessoas de Santana. No século passado, como havia muitos caixeiros-viajantes. Permanecia a atividade. Consistia em o  carregador de malas, levar as malas dos caixeiros dos hotéis onde estes se hospedavam até à loja e depois das vendas, levarem as malas de coro fornido de volta ao hotel. E Zacarias, calado e muito esperto farejava de longe a chegada de caixeiro-viajante. Dizia que era o carregador número 1, bem interessado numa boa gorjeta conforme a generosidade de cada viajante. Pois, aquele pedaço de chão com algumas mulheres e poucos homens, no comando de Zacarias, foi resgatado por nós no livro em parceria NEGROS EM SANTANA  e que, por sinal, virou TCC em curso de Geo-História.

O lugar nunca deixou de ser chamado ALTO DOS NEGROS, embora já tenha evoluído no seu formato. Fica um pouco abaixo do Hospital Regional Dr. Clodolfo Rodrigues, no alto da colina. E assim como o lugar Alto dos Negros, muitos outros lugares de Santana do Ipanema, foram resgatados por nós e que hoje, inúmeros deles, só se conhece a sua existência por causa da única fonte: os nossos resgates. Tirando a distância ao Centro da cidade e algumas malandragens que pululam nas periferias, o lugar é bom para se viver  e possui paisagens privilegiadas  em todas as direções. Ali tem hospital, tem faculdades e tem futuro. Sempre que passo por ali, procuro as casinhas que deram nome ao lugar.

ALTO DOS NEGROS (FOTO: B. CHAGAS).

  EL NIÑO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2026 Escrito Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3434   Começou oficialmente o inv...

 

EL NIÑO

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2026

Escrito Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3434

 



Começou oficialmente o inverno em nosso hemisfério, dia 21 (domingo).  E o inverno do povo alagoano que tem início em maio, vem naquele ritmo de caminhada constante  e não ligeira. Nenhuma mudança ainda notada  na metodologia do tempo. Sol e chuvas finas, mansas e curtas se intercalando e a friezinha que aperta no mês de Julho. O ritmo do tempo é semelhante ao do ano passado. intercalado e rico para plantas e animais. O mundo sertanejo está verde que só asa de papagaio, embora o preço do milho ainda esteja na casa do absurdo. Mas que dá gosto, dá, ao se vê os montes de milho verde, cheirando  no chão da feiras ou por cima dos gradeados das bancas de madeira. E vem milho de lugares comuns, chegam ,bolosmilho da irrigação.

As guloseimas típicas do meio do ano, já assanham o apetite dos feirantes nas feiras camponesas e nas feires livres semanais. Não temos centrais de abastecimento, os caminhões lotados de mercadorias vão chegando pelas cabeças das feiras onde os costumeiros feirantes negociam para revender. A economia do milho no Nordeste é uma coisa fantástica  onde milhões e milhões de reais percorrem rapidamente  campos, cidades, capitais. E se El Niño vai fazer estragos nos sertões, pelo menos até agora deve ter passado ao largo. E o tempo intercalado vai permitindo se andar pelas farturas das roças e pela esperança, mesmo remota, de que o Brasil faça alguma coisa, porque o tempo bom tem que ser bom em tudo. São João com canjicas, pamonha, bolos, bebidas e gols.

Entretanto, ficamos na dúvida da nossa produção de milho e de feijão. Nem sabemos ainda sobre a nossa maior obra hídrica porque o pouco que se divulga é de forma esporádico e não sabemos como está de fato funcionando o Canal do Sertão. Tanto é, que quando se dizia por aqui que os amontoados de milho que chegavam eram da irrigação, mas da irrigação que se entendia ser do estado de Sergipe, irrigação de Canindé. E quando se fala agora que o milho vem da irrigação, deixa-se a dúvida no meio. Irrigação de onde? De Pernambuco (Petrolina), do Canindé ou de Alagoas, do Canal do Sertão? Deixe isso para lá...

O que importa é milho assado e forró até uma horas...