O DESAFIO DA PRAÇA Clerisvaldo B. Chagas, 27 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3388   A foto deste t...

 

O DESAFIO DA PRAÇA

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3388

 



A foto deste trabalho representa uma praça chique na parte alta do Bairro São José, no limiar com a parte baixa. Pelo declive acentuado do terreno, a praça foi construída em três patamares, com escadaria ao fundo, ligando a parte alta à parte baixa do bairro e da praça, para quem não quer utilizar a estrada normal. Já faz um bom tempo que foi inaugurada e se encontra, praticamente intacta, sem nenhum ataque tipo vandalismo, isto porque possui vigia, dia e noite que faz a diferença no patrimônio público. Sua localização funciona como um mirante voltado para as barreiras inclinadas da margem direita do rio Ipanema, no topo da quais se encontra o Hospital Clodolfo Rodrigues de Melo (oculto na foto). Ao fundo, vê-se o verde da barreira como se fosse uma só peça com a ligação da serra Aguda, onde estar sendo construído o monumento à Senhora Santana.

Já o Posto de Saúde do Bairro São José, é localizado na parte baixa do terreno vizinho, colado com o patamar inferior da praça. Quero dizer, duas grandes obras vizinhas. Coisa feia que ainda tem por ali, são as ruínas de uma construção contígua ao posto e a praça que nem é demolida e nem nada se constrói, servindo apenas para abrigar malfazejos. Até já cresceu uma floresta dentro das ruínas. Recentemente todas as ruas da quadra e do Bairro receberam os benefício do asfalto, cuja presença valorizou o trecho. A quadra de areia da praça é bastante utilizada, principalmente durante á noite. Algazarra enorme dos peladeiros juvenis.

Voltando à vigilância, o último vigia que vimos em praça, foi nos anos 60, com um senhor no logradouro Manoel Rodrigues da Rocha, defronte à Matriz de Senhora Santana. O segundo o seu substituto, soldado reformado Gonçalo, bonachão e amigo. O terceiro foi este agora em 2026 que atua na Praça chique do Bairro São José.

FOTO B. CHAGAS.

 

 

 

  OS DEBATES Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3387   Numa época em que não ...

 

OS DEBATES

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3387

 



Numa época em que não havia ainda o desenvolvimento de hoje, uma das diversões do sertanejo era frequentar o Fórum local para ouvir os debates entre promotor e advogado. Quando o defensor era muito fraco, também servia de diversão, pois, não empolgava a plateia na causa, mas as suas fraquezas eram motivos de risos entre os presentes, até porque o próprio promotor às vezes, propositadamente, dirigia essas fraquezas de modo disfarçado à multidão. Entretanto, em Santana do Ipanema, o espetáculo máximo era entre o advogado Aderval Tenório e o promotor Fernando Sampaio. (Digo Sampaio sem certeza). Olhem que estamos falando sobre os anos 60 em solo alagoano e sertanejo. E era uma verdadeira frustração para a plateia quando eram outros os atores.

O dr. Aderval Tenório com voz cheia, poderosa e muita sabedoria na profissão, dificilmente perdia uma causa. Porém, o defensor público não era nenhum amador e era o único que reagia à altura às investidas demolidoras de Aderval. É certo que não possuía voz como a do advogado, mas a segurança no que estava dizendo sempre ganhava respeito e admiração de todos. Aderval era casado com dona Déa, que fora professora de desenho no Ginásio Santana. Doutor Fernando, tinha uma bela esposa chamada Marta. E nós só víamos dona Marta, no estreito/janela da porta da rua. Morava perto do cine-Glória, na avenida Coronel Lucena.

O Fórum de Santana do Ipanema, eu o alcancei primeiro, funcionando no Comércio no chamado “sobrado do meio da rua”, funcionou ainda numa casa tipo colonial defronte ao cine-Glória, no Prédio da antiga Empresa de Luz, hoje, Câmara de Vereadores, na Avenida Nossa Senhora de Fátima. Somente passou a funcionar de forma definitiva e com sede própria no Governo Marcos Davi, quando foi inaugurado à margem da BR-316, com o nome de Hélio Cabral. Acho que as multidões que costumavam preencher as salas de Fóruns, passaram a desviar os interesses para as formas mais modernas de ocupação de tempo.  Não conhecemos, entretanto, um livro sobre os Fóruns e os debates travados no Sertão do Século XX.

 

 

  OUTONO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3386   Vamos tentando navegar nes...

 

OUTONO

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3386

 



Vamos tentando navegar nesta estação misteriosa e sempre imprevisível que é o outono.  E se o dia 19 de março foi o dia de São José, o início da nova estação foi 20 de março. O dia de São José, é o último dia das experiências populares sobre um bom, médio ou ruim inverno no Sertão nordestino. Experiência baseada em sinais de pedras de sal, da barra do dia, da Estrela D’alva (planeta Vênus) de círculo na lua, de direção do vento e comportamento de alguns animais e plantas. Interessante, é que todos dizem que São Pedro é quem manda a chuva, mas o   agricultor apela pra São José. Todavia, nesse imaginário de poderes dos santos, o importante mesmo é a fé depositada nos altares do céu, porque todos os santos têm sim as suas virtudes e pelo visto, suas especialidades.

São 21 horas em que escrevo este trabalho, céu limpos lá fora e camisa colada às costas de tanto calor. É que o céu, profundamente azul do dia inteiro, entrou pela noite que permanece limpa. Imagine sair assim, pelo dia, para resolver um “pepino” sobre aposentaria! Mas, fazer o quê!? É colar a camisa de novo às costas, se fazer de corajoso, enfrentar o tempo enfezado e a burocracia de repartições. Ê, meu “fio”, é nesse emaranhado que você se mete e pergunta a sim mesmo: “Onde foi que eu errei?”  Eita! Para completar o tempo severo ainda surgem irritantes latidos pelas ruas das imediações e as muriçocas enfiando lanças das trombas nos seu pés desprotegidos. Mas fazer crônica é preciso. É preciso fazer crônica para acalmar a alma.

Saio um pouco, olho a rua deserta e vou mastigar um doce solidificado, beber água e escovar os dentes. Adivinhe! Ao passar a escova em um molar já restaurado, cai um pedaço do dente com o material restaurador. Será o Benedito! Rezar para não doer até a ida ao dentista. É “véi”. Manter a tranquilidade é preciso. Nem toda noite é feita de mel de abelha. E quando a tristeza quer chegar, lembremos das árvores do outono que ficam nuas. Mas, é apenas uma renovação necessária das suas folhas, assim como teremos de renovar a nós mesmo como os vegetais resistentes do outino.