JULHÃO Clerisvaldo B. Chagas, 2 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3439   Quem quiser não acredite em...

 

JULHÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3439

 



Quem quiser não acredite em surpresas. Mas, ao contrário do que o final de junho pregava, julho não amanheceu com aquele frio intenso de matar sapo.  O frio acentuado ficou na madrugada entre ambos os meses. Julho entrou sereno, iluminado, céu profundamente azul em toda a sua extensão. Um anúncio importantíssimo para o nosso destino agrícola e pastoril. Uma    significativa joia para roupas nos varais e antídoto para mofos.  E julho abre com um sorrisão o mês da padroeira Senhora Santana, outrora, a maior festa religioso de Alagoas e, a intrusa Festa da Juventude tudo no contexto dos trinta  e um dias tão esperados do ano. E para ornamentar a segunda quinzena de julho ainda o lançamento do livro AREIA GROSSA.

Como já dissemos, festa em cima de festa, as juninas e as de julho que logo começarão. Para os que apreciam histórias de cangaceiros, é mais um mês de aniversário da morte de Lampião e Maria Bonita, precisamente em 28 de julho. Riachinhos escorrendo, Vegetação verde fechado, Ipanema com água nos poços e foguetes que sobraram de junho.  Vamos planejando uma rápida viagem ao São Francisco, porém, continua em nossa mentes chuvas e frio de situações anteriores, cuja tempo atual, então, gera a desconfiança. É meu amigo, minha amiga, a busca inolvidável por novíssima publicação em livro hibernado por vários anos seguidos. Vamos obedecendo a ordem de publicações, anunciando mais um documentário de altíssimo valor para a região banhada pelo rio Ipanema, sobretudo, para Belo Monte, o núcleo do documentário.

Mas, o que leva um escritor a escrever um documentário, fora a importância em registro do futuro documentário? Você já pensou nesse caso? Ora, a temática pode até não ter tanta importância, todavia, a parte emocional conta muito para a decisão de escrita. Imagine que um lugar em que você visitou,  nada tem de histórico, mas conquistou o seu coração por alguma coisa particular que somente você sentiu. Mexeu com  você, penetrou fundo na alma e no  pensamento, tocou no coração. É aí quando o escritor se alvoroça por dentro e se não levar o caso para o papel, adoece. É um pedido forte e educado da Natureza  que somente ele capturou. Tem coisas que só a mulher enxerga, tem coisas que só o poeta vê, tem coisas que só o escritor percebe.

 

  AREIA GROSA Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3438 Finalmente chegou as noss...

 

AREIA GROSA

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3438



Finalmente chegou as nossas mãos os livros ainda quentinhos da gráfica e, logo procuramos elaborar o seu tão esperado lançamento. Trata-se do romance urbano  - diferentes de todos os outros do ciclo do cangaço – AREIA GROSSA. A denominação do romance, é originária das areias grossas do rio Ipanema, seco. Uma trama de ficção, mas com oitenta e dois personagens reais que viveram  às margens do rio Ipanema em torno dos anos 60. São personagens terceirizados, não são protagonistas fictícios que dão vida e movimentam a trama. O lançamento do livro, dar-se-á na Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima, epicentro da história que, além dos 82 personagens reais do século passado, registra episódios históricos, edifícios e lugares. Um romance social  histórico e geográfico, sem dúvida alguma. Grande fonte de pesquisa.

O outro livro,  MARIA BONTA, A DEUSA DAS CAATINGAS, esgotou-se em apenas quinze dias. Mandamos imprimir mais um pouco. E agora só nos restam dez exemplares. Estão disponíveis pelo mesmo preço de lançamento, isto é, 80,00. Quer adquirir, entre em contato rápido para não perder a oportunidade. É um clássico como “Lampião em Alagoas” e não existe similar no mercado livreiro. Após acertos, divulgaremos dia e hora de lançamento do AREIA GROSSA. Todos poderão comparecer, porém, não haverá livro à venda, serão distribuídos aos remanescentes dos personagens reais, gratuitamente.

A propósito, o ápice do romance AREIA GROSA são as imediações da sede da Associação Nossa Senhora de Fátima, construída hoje sobre o terreno do antigo edifício da Perfuratriz, do romance. Esta associação foi invadida pela cheia do rio Ipanema e rua inteira virou escombros, como a chamada Rua da Praia. Financiado pelos escritores, João Neto Chagas, e Luís Antônio, o Capiá, O romance AREIA GROSSA, resgata a história do lugar com esses três escritores mais idosos de Santana do Ipanema que muito perambularam por aquele epicentro. Vamos proporcionar uma  noite de saudade, alegria e dignidade ao povo da beira do rio.

  PUERICULTURA Clerisvaldo B. Chagas,29 de junho de 2026 Escritor Símbolo do sertão Alagoano Crônica: 3437     Talvez o nome inc...

 

PUERICULTURA

Clerisvaldo B. Chagas,29 de junho de 2026

Escritor Símbolo do sertão Alagoano

Crônica: 3437

 


 

Talvez o nome incomum seja mesmo para não se saber o que o se representa. Entretanto, havia em Santana do Ipanema,   lugar muito agradável, prédio comprido que ia de uma rua a outra. O referido prédio é ainda localizado no Bairro Monumento, na Rua Dr. Otávio Cabral, quase vizinho a Caixa econômica. Tinha na fachada com letras antigas de argamassa, escrito: “Posto de Puericultura”. Como o edifício estava localizado em parte de um antigo cemitério, era comum se dizer que o lugar era mal-assombrado. Uns viam coisas outros nada viam. Irmãs holandesas trabalhavam  no citado prédio contribuindo com a saúde da cidade. Tempos depois o prédio ficou fechado e nunca o vi reabrir. Mas me chamou muita atenção quando eu tirava foto e fazia a história iconográfica de Santana do Ipanema, em 2012.

A antiga beleza  da fachada continuava perfeita. Um pequeno jardim na frente e o prédio fechado me fez respirar fundo . E a Puericultura que é o acompanhamento médico periódico e   preventivo da criança e do adolescente, foi para o espaço. Pelo que ouvi,  ali também se ajudava às pessoas pobres com roupas  e calçados.  Ambiente calmo, bom movimento e várias pessoas conhecidas trabalhando naquela nobre missão. E rondando por ali na tarefa a que eu tinha proposto, fui  ao AABB, à Escola Padre Francisco Correia, ao Tênis Club Santanense, à Igreja Sagrada Família, à Emater, a Caixa Econômica, ao Banco do Brasil... Porém, nenhum sentimento doeu mais do que contemplar aquele edifício de tanta relevância, descartado como esmoler desconhecido.

          Fiz minha foto, coloquei legenda histórica e desci do bairro com toda a tristeza do mundo. Quanta falta de sensibilidade aos lugares que foram tão sagrados! A propósito, o prédio foi construído para ser Posto de Puericultura em terreno cedido entre os anos 1947-1948, durante a gestão municipal de Firmino Falcão Filho, Na foto, do outro lado da rua, um pé de algum tipo de flor, parece fazer uma homenagem  póstuma ao edifício desativado.

POSTO DE PUERICULTURA EM 2012. (FOTO: B. CHAGAS) LIVRO 230.