COMO MUDAM AS COISAS Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3407   Não sei como...

 

COMO MUDAM AS COISAS

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3407

 



Não sei como hoje pensa  o rapaz, o adulto, sobre a mudança rápida das coisas, uma vez em que eles já nasceram com essa rapidez feroz. Digo isso porque estou no momento com o dicionário extremamente grosso do Mestre Aurélio e sem saber o que faça com ele. Lembro-me que tinha um grande desejo em adquiri-lo, porém o preço  estava sempre inalcançável.  Todavia chegou em uma época em que pude comprá-lo em uma livraria em Maceió. Foi em uma noite em que saí da livraria tão alegre, tão eufórico, como se tivesse ganho na mega sena. Dei um abraço demorado e muito carinhoso, no trabalho do Mestre Aurélio, emocionadíssimo, dizendo comigo mesmo que não o trocaria por um carro zero. Ainda passei certo tempo usando ‘”O pai dos burros”, como as pessoas denominavam com ironia o dicionário.

A versão em disco, tinha muita xaropada para renovar e mais. Deixei de usar. Acontece que a Internet começava a dá definição de tudo, usando os mais diversos autores do ramo. A facilidade estava disposta muito mais rápida do que a tentativa de procurar palavras impressas gastando muito tempo e a paciência e tendo que forçar a vista nas letras miúdas. Passei a usar o volume (40  Edição) apenas como suporte para o meu Book. O dicionário ficou depois numa prateleira, esquecido. Nem os netos quiseram mais saber de Aurélio. Mesmo assim,  ainda não tive coragem de me desfazer daquela “universidade e nem de um dicionário de inglês, antigo e quase tão grosso como a Edição do Mestre. Que coisa!

Ninguém quer mais aprender, estudar, entender. Só perguntar na Internet, o que é isso, o que é aquilo e lavar as mãos. É assim que livros altamente valiosos para o dia a dia, dormem com sono profundo nas prateleiras, roncando. Roncando sabendo que nunca mais serão procurados. Não estou defendendo ninguém. Não estou protestando nada. Apenas alertando não sei para quem a velocidade e as mudanças extraordinárias das coisas. Pelo menos o ilustre alagoano abriu os olhos de milhões de brasileiros e marcou com ferro bruto   um legado que nem mesmo a Internet conseguirá extinguir.  Um ser humano que tem a paciência de Jó e a determinação para uma tarefa quase impossível, deve ter passado com muita sobra a missão divina que lhe foi confiada na Terra pelos céus. Um santo da letras.

 

 

 

 

 

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  MOÇA NAMORADEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3406   Acho que a prime...

 

MOÇA NAMORADEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3406

 



Acho que a primeira música que eu ouvi na vida, fora as do canto da Igreja, foi no povoado Pedrão de Olho d’Água das Flores. Eu deveria ter em torno de oito anos de idade, e ara ali que eu ia passar minhas férias . Naquele tempo as nossa férias escolares, duravam três meses  e mais um mês no meio do ano. Então, certa vez ouvi o carreiro Ulisses, assoviando e cantando assim: “Ô moça/ namoradeira/ lá na ribeira todo rapaz gosta dela...”  E repetia os versos. Já com a idade avançada nunca consegui esquecer essa música que pareci refrão. Tentei, tentei, tentei pelos meios mais modernos encontrar música, letra e autor e... Nada. O carreiro cantava com voz bonita, entoada e a música  parecia muito saudosa. E vinha outra ou a emenda da mesma: “Ô sanfoneiro/ moça mandou lhe chamar/ para tocar um baião no Ceará/ Tu diz a ela? Que de pé eu não vou lá/ Só vou de avião/ Se mandarem me buscar” e mais: Mas ela tinha doze palmos de canela/ Para dar um beijo nela/ era preciso atrepar”.

Em não encontrar música, letra, autor, deduzi que a cantiga inicial do carreiro, teria sido  versos de mestres de “Guerreiro” ou “Reisado” e, letra de mestre do folguedo “Guerreiro”, era improvisada. O registro de algumas estrofes de cantos passava de boca em boca e não eram registradas em livros. E por falar  em Guerreiro, em um dos meus  romances, PAPO-AMARELO no final do livro surge uma cena com esse folguedo alagoano do meu tempo. Quando o passado aflora, não tem jeito.

Falar no tema acima, nem sei se ainda existme  representações de Guerreiro em estátuas na praça do Centenário, em Maceió. Nas ruas de Santana do Ipanema e no Sertão inteiro, o Reisado e o Guerreiro, nunca faltavam na festas de Natal, mas nem sempre era em fim de ano. Vez em quando o Guerreiro era contratado para uma noite na zona rural ou urbana. E o mestre, inspirado pelas figuras compostas de dançarinas belas e mais alguns goles de “cana”,  rimava sem parar durante uma noite inteira, tanto pelo prazer de brincar, quanto de arrecadar alguma coisa para manter o seu folclore.

Feliz tempo, sem televisão, sem celular, sem o cinema. Somente levados pela vento das noites, o batido da figuras com os pés no chão batido e o eco dos melodiosos improvisos do Mestre.