MISSÃO CUMPRIDA Clerisvaldo B. Chagas, 20 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3448   Foi na sexta-feir...

 

MISSÃO CUMPRIDA

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3448

 



Foi na sexta-feira 17,  início da festa da padroeira  Senhora Santana. A boquinha da noite –  como se diz no Sertão –  festa da santa em andamento quando o trânsito virou um caos, um trânsito completamente enlouquecido que nada ficava devendo ao da capital da Índia. Após os percalços antes e em cima da hora, conseguimos chegar à Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima, na extremidade da Rua São Paulo, margem direita do rio Ipanema. O clima de festa estava por toda a cidade, inclusive, na periferia onde havia muitas comemorações, cujos bares e bodegas nunca venderam tanta bebida. Estiveram conosco nessa empreitada, presentes na Associação, os escritores Marcello Fausto o editor e escritor, jornalista José Malta Neto, o vereador Robson França e sua esposa,  a minha primeira-dama, professora Irene Ferreiras das Chagas, o professor Walter Filho  e vários membros da Associação, tendo no comando o presidente Cajueiro.

Todos os citados acima, usaram a palavra com muitos elogios pelo resgate em livro/romance, daquela comunidade e suas imediações. Finalmente estava sendo lançado um livro que contava   história dos antecedentes daquela periferia dos idos de 1960, dentro da maior fidelidade possível. Romance feito, corrigido e sagrado, teve o impulso final dos escritores contemporâneos João Neto das Chagas e Luís Antônio, o Capiá, que serviram de Banco Central para a completa realização gráfica da obra. Esse foi um final de lançamento de livro em que saí feliz e aliviado pela tremenda incumbência da alma em resgatar parte da infância com AREIA GROSA.

Interessante é que entre algumas ilustrações  do romance, consta um prédio que parecia um sobrado e que o povo o chamava “perfuratriz”. A única foto que se conhece daquele prédio histórico. Pois, a perfuratriz foi demolida  no final do século passado e em seu lugar funciona hoje um prédio de primeiro andar, justamente onde foi lançado o livro AREIA GROSSA. A história dentro da história. Arrepiante!  Não me lembro quem me disse que meus escritos são uma catequese. No início não entendi. Mas, se catequizar é coisa boa, continuemos a catequizar.

 

  E O CÉU... Clerisvaldo B. Chagas, 16 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3447   Aconteceu novamente. O...

 

E O CÉU...

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3447

 


Aconteceu novamente. O mês chegou ao meio. E se o mês meiou (miou, como diz o sertanejo) é sinal que o mês findou, continua o ditado popular. Estamos falando da rapidez que a segunda metade do mês chega ao fim, após os primeiros quinze dias. As chuvas fracas que caíram em maio, deixaram a vegetação sertaneja verde-
escuro. Acontece que este mês é sempre o mais esperado em pluviosidade e frieza, mas há vários dias que não chove e os vegetais que circundam a nossa cidade, já começaram a perder fôlego, empalidecendo devagar. Vai sentido a falta de chuvas, antes abundantes  nessa ocasião. Mas fazer o quê? O retrato das colinas circundantes é o mesmo do quadro rural. Quem pode com esse menino travesso e essa menina sapeca, El Niño e El Niña?

Com chuva ou sem chuva, vai ter início a grande festa da padroeira local,  Senhora Santana. Festa da padroeira que é vista em toda  sua pujança durante procissão quando toma a extensa parte da BR-316, denominada pelo povo de “Aterro”.  É naquela passagem de cerca de dois quilômetros que foi de fato aterrada para a altear a rodagem que estava sendo construída que a procissão se estira. Pois, do Largo do Maracanã, Bairro da Camoxinga, a pessoa descobre a verdadeira extensão do cortejo porque o Largo é mais alto e oferece uma vista impressionante do Aterro. Mas, de fato, nessas ocasiões, os céus costumam dar uma trégua nas chuvas do mês. Essa tradição da trégua das chuvas ou é milagre ou parece milagre.

Porém, não sei se foi para comemorar a vitória da Argentina sobre a Inglaterra, que o céu esqueceu tudo que eu disse acima  e mandou uma chuva fina com frieza brusca já no cair da noite. A escuridão foi se estendendo e o  tamborilar da chuva no telhado também foi se elastecendo. Larguei as cartas de Zoomancia, criada por mim, fui dar uma lida no tarô cigano e calcular o valor sem ambição de uma  consulta popular. E sempre com o acompanhado do tamborilar já mencionado, senti a hora avançar e o cursor do book sair constantemente do lugar, atrasando o envio da crônica.  Como vai ser o resto da noite, não sei, pode continuar na mesma pisada ou dá um suspiro grande para estiar.

E na segunda quinzena, quem ousa provocar o tempo?

CÉU DE SANTANA, DIA 15 DE JULHO.

 

  A SURPRESA DE SÃO SEBASTIÃO Clerisvaldo B. Chagas,15   de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3446   O pe...

 

A SURPRESA DE SÃO SEBASTIÃO

Clerisvaldo B. Chagas,15  de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3446



 

O pesquisador é curioso e resiliente. Há cerca de 20 anos,   estive na serra da Remetedeira. Serra e sítio rural dos arredores de Santana do Ipanema. Eu já havia visto muitas coisas em sítios e fazendas que me surpreendiam e me deixavam maravilhados. Entretanto, nada foi igual ao choque que tomei no sítio e serra da Remetedeira. Isso porque você não  estar preparado para receber o choque. Mas, o choque  de coisa boa, fantástica para você que nunca esperava encontrar. Fui descendo da lombada da serra pelo lado esquerdo, vendo caminhos, currais e uma vegetação densa no terreno inclinado. De alguns pontos da serra se avistava as planuras de sítios como Olho d’Água do Amaro e seu entorno.

Um pouco mais adiante fui dar em um terreno íngreme, Cercado de floresta com uma casa simples e galinhas no terreiro. Porém, quando olhei para a parte de cima, quase que caía duro e emocionado. Havia uma belíssima igreja, aberta e vários degraus muito largos  que chegavam até ela. Uma relíquia escondida que eu jamais pensaria existir. Depois de muito tempo parado e de boca aberta, subi os degraus devagar e fui para o seu salão devidamente arrumado e com suas bancadas. Não perguntei qual era o seu santo, não indaguei quem a construiu, não interroguei sobre a sua história. Esqueci de tudo isso, só contemplava abismado e silencioso que parecia está no céu. Nunca tinha levado choque semelhante. Depois pensei em escrever sobre a zona rural, com  a foto daquela igreja na capa do livro.

Somente agora, e tão somente agora, vejo nas redes sociais, a igreja numa foto postada pelo senhor Jorge Santana, com o nome do santo que eu  não perguntara; São Sebastião.  importante para o meu ego de pesquisador, peço ao senhor Jorge, a gentileza de enviar a foto e aí está ela. Hoje me parece mais estreita e a foto não diz como a descobri naquele dia, Agradeço ao senhor Jorge Santana e a minha própria resiliência, pois também já havia descoberto várias outras coisas assim, muitos anos depois, quando os assuntos pareciam mortos. Sei que não terminei o livro sobre a zona rural que ficou pela metade, contudo, rever a igreja que eu descobrira em lugar íngreme e cercado de floresta, já massageia o ego recompensado do esforço feito.

IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO (CRÉDITO: JORGE SANTANA).