O TUBARÃO DO POXIM Clerisvaldo B. Chagas, 28 de agosto   de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3469   O meu amigo...

 

O TUBARÃO DO POXIM

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de agosto  de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3469

 



O meu amigo escritor,  João Francisco Neto, me manda  o   vídeo de um tubarão pescado no Poxim, Alagoas. Atravessado em carroça puxada a burro, sangue coagulado por todos os lugares, um pescador simples e de bermudas, rodeando o troféu. E ainda de quebra, vários companheiros em roda e um deles abrindo o peixe com uma pequena faca, expulsando para a areia da praia o almoço do   terror dos mares. Um flagrante forte, convincente e absoluto que atesta a indômita coragem de um pescador de água salgada. Como não se impressionar com a cena que traz várias coisas juntas e  convergentes para o nosso estado! Isso nos faz lembrar cena semelhante acontecida  na represa Isnaldo Bulhões quando foi exibido um pirarucu com o mesmo tamanho.

Inevitavelmente fazemos as comparação entre a imensidão dos oceanos com muitos “monstros” a fazer medo e, os de  abastecedores dos mares com peixes grandes ou pequenos, mas também matadores de fome ao invés de gente. Paramos os nossos pensamentos nas piabas que pegávamos com farinha em litros de fundos furados. Sobrevivências iguais em ambientes diferentes.  E muitas vezes contemplamos um tarrafeiro pegando carito, o  peixito mais vil do rio Ipanema, para matar a fome familiar com farinha de  mandioca. E os anzóis se enfileiravam ao longo do rio em busca do mandim, da piaba, da traíra. Como foi dito acima, formas de sobrevivência que desperta a coragem pela vida e fabrica heróis pela necessidade.

O jangadeiro, o pescador dos mares ou mesmo o vaqueiro do Sertão são titãs que desafiam os perigos constantes do meio em que vivem, porém trazem no peito um profundo respeito pela Natureza da qual tiram o sustento. E lá na fotografia ou vídeo enviados pelo  escritor João Francisco Neto, não existe nenhum indivíduo de terno, gravata, colete e sapatos lustrosos, mas sim, homens de bonés, bermudas e sandálias que não são mocinhos das novelas ridículas e romanescas, mas gigantes de carne e osso lutando vitoriosamente pelo pão de cada dia.

 

 

 

  QUANDO SETEMBRO VIER Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3468   Os montes c...

 

QUANDO SETEMBRO VIER

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3468

 



Os montes circundantes de Santana do Ipanema, iniciaram o processo de degradação por falta de chuvas suficientes. Estão com suas folhagens migrando do verde bonitão para o verde desbotado, para o amarelo feio no caminho para o cinza  característico de árvore pelada.  Vêm provando o que tanto já dissemos sobre as chuvas do inverno do ano passado e deste: chuvas finas e esporádicas que terminam em escassez total. E assim, vai chegando o mês da primavera onde a esperança de todos se renova. E isso nos faz lembrar a fase de rapaz, quando o bancário do Banco do Brasil, sujeito alto, muito inteligente e filho de outras plagas, convidava alguns amigos para irmos até a Associação Atlética Banco do Brasil – AABB – hoje, clube fechado.

E o homem foi falando sobre as maravilhas do computador que era novidade chegando e substituindo a máquina de escrever. Depois colocou algumas páginas musicais de qualidade e bom-gosto, assim como “Tema de Lara”, “Moendo Café” e “Quando vier a primavera”... Ulisses casou-se com uma colega minha, aluna no Ginásio Santana  puxae, algum tempo depois, sumiu de Santana. Nunca mais soube notícias do casal. O AABB pareceu ficar mais pobre com a ausência do intelectual. E, na minha vida, vez em quando eu escrevo quase a mesma coisa quando se aproxima a primavera. E a primavera não é somente a esperança das coisas que tanto desejamos realizar, mas também nos faz recordar um longo final de inverno frio, cinzento e  carrancudo  e momentos felizes de outras primaveras.

Estamos chegando devagar ao mês das flores, ao mês da realidade dos sonhos enovas lembranças invadem  o baú de guardar recordações. É aí que canções tocadas com a alma na AABB, puxa  também pelo saudoso prefixo do cine-Glória, um dos pontos da velha elite da minha terra. Todavia, pode-se mesmo dissertar com firmeza que passado é passado e que muitas outras primaveras virão. E que bom que elas virão, mas não podemos dizer duvidar do cantador quando dizia “Tudo passa, na vida tudo passa, mas nem tudo que passa a gente esquece”. E o resto, só pontear da viola amaciando a vida.

PRIMAVERA (ARTHUR SARNOFF).

 

 

 

  FAVA NO NEGRO Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano. Crônica: 3467   Não podemos esque...

 

FAVA NO NEGRO

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano.

Crônica: 3467

 



Não podemos esquecer a fava que havia em nosso Sertão alagoano. Em relação ao feijão comum, surgia em pequena quantidade. Diziam que a fava chegava à feira de Santana do Ipanema, vinda da serra do Poço, relevo que divide os municípios de Santana e poço das Trincheiras. A fava tem o grão maior do que o feijão três ou quatro vezes. Grão achatado e um pouco de amargor característico. Não somente a fava era cultivada na serra do Poço (505 metros de altitude) mas tipos de frutas que gostam de clima de  serra. As pessoas mais pobre do Sertão, como quilombolas e trabalhadores braçais do campo, eram alimentados com charque, bacalhau e fava, pelo patrões que procuravam amenizar a despesa dos trabalhadores, com as comidas mais baratas.

Estamos falando de um tempo em que havia qualidade nos produtos acima com preços bons, diferentes das falsificações de hoje e com preço proibitivos. Tudo indica que foi pelo amargor da fava que surgiu o ditado escravagista: “Negro quando não quer fava, fava no negro”.  Com a continuação do tempo, as favas foram ficando menos amargas, chegando  ao ponto de fava sem amargor nenhum. Entretanto comer fava é sempre algo delicioso com charque, com galinha de capoeira, com linguiça, com rim de porco e de boi. Seu antigo amargor é devido a um ácido que possui, semelhante à mandioca. Dos vários tipos de fava que existem, a nossa  era completamente branca. Mas já vimos fava diferente de branca. Quanto as sua origens e classificação, preferimos deixar a cargo do interesse individual.

Sim, ainda encontramos fava nas feiras do Sertão alagoano, dependendo dos meses do ano. Mas, como estará esse alimento em outras partes do Brasil? Pois, aqui no semiárido, foi desaparecendo marcas famosas de feijões delícias e diferenciados como o “vargem roxa”, o “rosinha” , e o “rim de porco”. Tudo por causa do feijão “carioquinha” que tomou conta do Brasil. Do mesmo jeito que aconteceu com os vários tipos de banana com a chegada da “pacovan”.   Mas, voltando ao tema inicial, você já comeu fava? Tem outro jargão que se costuma dizer, prevendo uma vitória: “são favas contadas”.

FAVA.