URUBU-REI Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3466   Urubu-rei pode ser ape...

 

URUBU-REI

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3466

 



Urubu-rei pode ser apelido de agiota, de coronel malvado, de prefeito ambicioso ou de qualquer outro dono do desmando. Mas, como coisa real estamos falando do (Sarcoramphus papa) conhecido pela população sertaneja como “comedor de carniça”. Difere dos urubus comuns pela cabeça lisa e vermelha amarela ou alaranjada assim como o pescoço. Ainda tem detalhes de cores pelo corpo e pode atingir a dois metros de envergadura. Sua literatura é vasta e não caberia numa crônica  apenas. Em alguns lugares se encontra  em extinção por causa da degradação do habitat. Não costuma fazer ninhos, aproveita lugares que considera seguros como oco de pau ou cavidades. É chamado urubu-rei devido a ser o primeiro a se servir de animais mortos, aguardado pelo urubus comuns.

O seu bico é volteado como as aves de rapina, forte  e capaz de rasgar  o couro mais resistente de animal como o boi, dando início ao seu banquete, depois seguido pelo urubus pretos. O seu nome tem origem indígena com inúmeras observações. As vária teorias sobre sua denominação estão escritas conforme os vários países onde a ave aparece. No Sertão velho de meu Deus, ninguém quer ficar observando ataques à caniças, todavia, tem bons observadores dos hábitos deste limpadores da natureza e testemunhos vivos enriquecem a literatura sobre o comportamento do urubu-rei. Na verdade, em nosso Sertão alagoano se avista vez em quando um urubu-rei para dezenas de urubus pretos, isto quer dizer que não é fácil se avistar um urubu-rei.

Desde criança ao observarmos o voo dos pássaros, nunca encontramos um deles mais bonito do que o voo de  um urubu. O bicho é feio, mas  de voo elegante, principalmente quando estar planando nas corrente de ar. Sempre houve no Sertão, o prenúncio de chuvas, quando os urubus se reuniam em bando no espaço e o bando ficava circulando por várias vezes seguidas. Nós sertanejos, então, chamávamos a esse fenômeno de “festa dos urubus”. Poderíamos apostar na chuva que logo chegaria. Depois eles se dispersavam, chegava a chuva e alguns deles pousavam em algum lugar descoberto e passavam bom tempo deixando-se molhar como se estivessem se deleitando com á água pluvial nas suas penas ou comemorando o êxito do aviso.

O urubu faz o serviço sujo e livra os habitantes de doenças.

URUBU-REI ( DIVULGAÇÃO).

 

 

  A BARRA Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3465   1560. “Após a metade do ...

 

A BARRA

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3465

 



1560. “Após a metade do século XVI, a partir de 1560, os exploradores iniciaram a subida pelo rio São Francisco em busca de novas descobertas”. Atingindo a foz do rio temporário, Ipanema, subiram através do seu leito seco até as nascentes, localizadas  na erra do Ororubá, em Pesqueira, Pernambuco Numa extensão aproximada de 36 léguas e pouco (220 km).

Os desbravadores, exploradores ou sertanistas de Olinda, chegaram primeiro à região,  partindo para o interior através dos rio intermitentes que despejavam no São Francisco. No caso de Alagoas, serviram de estradas para as primeiras fazendas de criação, no sentido foz/nascente, rios e riachos como o próprio Ipanema – o mais importante – e outros como Traipu, Riacho Grande e Capiá.

“Foi exatamente  no ponto de encontro entre os do is rios (Ipanema e São Francisco) que se estabeleceu um núcleo habitacional, onde missionários, colonizadores (sesmeiros, rendeiros, meeiros, compradores de terras) e comerciantes dos centros maiores faziam seus negócios. O local ficou sendo conhecido como Barra do Ipanema, ainda hoje existente”. (Frisos nossos).

O texto acima Fbarra do panema. az parte do livro documentário ainda inédito com o nome de BARRA DO IPANEMA, um povoado alagoano. Livro clássico e histórico que vai surpreender  o mundo cultural de Alagoas.

Aguardemos.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO PRAZERES EM MORRO DO SÃO FRANCISCO, BARRA DO IPANEMA. (IPHAN).

 

  FAVELA MORRO/SERTÃO Clerisvaldo B. Chagas, 20 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3464     Favela ou ...

 

FAVELA MORRO/SERTÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3464  

 



Favela ou faveleira (Cnidoscolus quercifolius) é um arbusto ou pequena árvores da caatinga. Tem espinhos  nos galhos, possui folhas recortadas com pelos urticantes. É resistente a seca e protege o solo contra erosão. O nome favela vem das suas vargens de capsulas oleaginosas semelhante as vargens de fava. (feijão selvagem).  Suas folhas e ramos secos podem alimentar rebanhos de caprinos, ovinos e bovinos, nas secas. As semente podem ser aproveitadas em óleo comestível e farinha rica em nutrientes. A favela ainda é usada pela casca e o seu látex como remédios caseiros tal  cicatrizantes, anti-inflamatórios e no tratamento de feridas.  Convive e prolifera com inúmeras cactáceas como a coro-de-frade, o alastrado, o mandacaru, o facheiro... Jamais falta na literatura vaqueira.

Assim como a urtiga, a faveleira costuma surpreender dolorosamente, os braços desprotegidos dos que andam pelas trilhas ou veredas da caatinga distraídos. Representa um dos motivos de defesa da roupa de couro do vaqueiro. A sua referência está sempre no aboio cotidiano do homem rural. A faveleira com suas folhas rendadas e verdes é bonita no inverno e triste e invisível no verão quando fica quase totalmente pelada,  folhas emurchecidas e o todo cinzento. Quando da chamada Guerra de Canudos,havia muitas faveleiras pelos campos de batalhas. Após a guerra pessoas reconheceram em um morro do Rio de Janeiro, esse tipo de vegetação. Daí o temo ter se alastrado pelo Brasil como moradias  pobres, lugares de  morro e de gente humilde.

Que pena duas coisas: o estigma dos lugares de gente humilde com tanto trabalho, circulação de dinheiro e muito mais sendo chamados de favela como desprezo, como lugares condenados eternamente à zombarias e marginalidade e, do Sertão sair nome de vegetal tão nobre para preencher dicionários populares de não boa coisa. Mas, por outro lado,  a favela nas grandes capitais, como os mocambos, as palafitas, os mangues, formam força de resistência de luta renhida pela sobrevivência, por um lugar ao sol, igualmente a própria favela sertaneja que dá exemplos dignificantes.

Viva a faveleira!

FAVELEIRA (DIVULGAÇÃO).