GINÁSIO VELHO DE GUERRA Clerisvaldo B. Chagas, 15 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3401   Hernande ...

 

GINÁSIO VELHO DE GUERRA

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3401

 



Hernande Brandão (matemática, História, Geografia): “A ordem dos fatores não altera o produto” e “Assim, sucessivamente”. José Conrado de Lima (História): “Segundo Rocha Pombo...”. Doutor Jório Wanderley (Ciências): “Quantos corações nós temos?”. Genival Copinho (matemática): “O Crivo de Eratóstenes”. Alberto Nepomuceno Agra (Geografia): “Todos só perguntam pelos direitos, ninguém pelos deveres”. Padre Luíz Cirilo Silva (Latim): “Puela, puela, puela...  Dona Déa (Desenho):  “Estou com tanta pena do senhor...”  Eunice Aquino (Francês): “”Fazendo um biquinho: oui, uí” Dionísio ( Matemática, Português): “Errar é humano, permanecer no erro é diabólico”. Essas eram as frases habituais dos meus professores do Ginásio Santana.

Ora, por coincidência, tivemos que resolver alguns problemas no Centro e passamos pelo velho casarão, escola da minha adolescência e pela escola da minha infância, Grupo Escolar Padre Francisco Correia. Maravilha! O grupo, reformado e bonito com a mesma missão de 1938, quando da inauguração; o Ginásio Santana, bem conservado, imponente e limpo como sempre foi. E neste instante de buscas, caiu um pé d’água educado e constante que mexeu com o trânsito intenso e apressado. Mesmo assim, conseguimos resolver o que havia sido proposto. Além disso, encontramos ainda vários tipos de serviços em prédios novos ou  reformados consolidando o comércio mais bonito de Alagoas.

Raramente havia no Ginásio Santana, professor profissional. Eram, praticamente todos, pessoas da sociedade de diferentes áreas e boas instruções, convidados para cooperar como mestres e mediante alguma gratificação. Sempre havia bancários do Banco do Brasil. Construído o prédio por um, então, prefeito, não pode ser concretizado o sonho da prefeitura por falta de equipamento e mão-de-obra para ser hospital. Ficou o prédio ocioso até que foi ocupado por um batalhão de polícia recém-fundado em Maceió, para combater o banditismo no Sertão. Terminada a sua missão, os policiais retornaram a capital e o prédio ficou ocioso novamente. Foi aproveitado depois como escola da Rede Cenecista que funcionava da primeira à quarta série com o nome de GINÁSIO SANTANA.

CHUVA EM TRECHO URBANO DA BR-316.

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  OS SAGUINS Clerisvaldo B. Chagas, 14 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3400   Acredite se quiser. Ap...

 

OS SAGUINS

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3400

 



Acredite se quiser. Aproveitando o domingo fui até à casa  da minha fonte de informações, a 300 metros da minha casa e bem perto do rio Ipanema, no Bairro São José e, chamei à porta. Quando o homem surgiu, com seus 85 anos, indaguei se estava dormindo. “Não senhor, estava vendo o movimento do bando de saguins, no quintal”. Não quis acreditar no que  ouvia e indaguei de novo. E ele confirmou: “Sempre chega por aqui, um bando de saguins que devoram o que há nas fruteiras: goiabas, mangas... Pegaram mangas à vontade na chácara do vizinho , do outro lado da rua. “O que, camarada!” Era verdade. Até um deles recebeu choque na fiação da rua e caiu morto defronte a casa do Informante. O bando vem da Reserva Tocaia, a mais de 6 km dali.

Estamos já habituados com aves como rolinhas, bem-te-vis, anum preto e até galo-de-campina, em nossas ruas, porém, a presença de saguins, também chamado soins, foi a primeira vez que ouvi e teria visto com os próprios olhos se tivesse pedido para vê-los, ao meu amigo. O  Anel Viário que ligará a Al-120 à BR-316, passa beirando a Reserva Tocaia e, o barulho das máquinas devem  ter contribuído para aquela peregrinação do bando junto com a falta de comida no  habitat. Ao saírem  da Reserva e entrarem na zona urbana, os primatas devem ter vindo através dos quintais e passagens rápidas pelo asfalto das ruas movimentadas, cruzaram o rio Ipanema e surgiram nas primeiras ruas à margem esquerda  do rio. Notícia boa por um lado, notícia ruim por outro.

O Saqui, (Callithrix) também chamado no Sertão Alagoano de Saquim e Soim, é bicho do cerrado e da Mata Atlântica. E por falar nisso, o meu romance DEFUNTO PERFUMADO, tem um personagem chamado Soim, personagem fictício tirado de um personagem real e representa um bêbado inveterado de cabelos ralos, olhos e corpo pequenos apelidado pelo povo de Soim. Será que o dono da Reserva Tocaia, sabe que os soins estão fazendo seus passeios pela zona urbana? Os soins são muito apreciados pelos humanos e possuem fácil convivência com eles. Os  saquis são os menores primatas do Planeta. Felizmente ainda escaparam da  extinção, estes da Reserva Tocaia que também se acham acuados.

Ô bicho homem!

SAQUI EM BANDOS.

 

  MANÉ FOGUETEIRO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3399   O alfaiate e sere...

 

MANÉ FOGUETEIRO

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3399



 

O alfaiate e seresteiro, conhecido como Juca Alfaiate, quando se pedia ela pensava muito e terminava cantando a página musical “Mané Fogueteiro”. Era  música e letra  do cantor Augusto Calheiros, que nascera no século XIX e morrera no século XX. Entre inúmeras músicas de sucesso estava “Mané Fogueteiro”, música que emociona qualquer pessoa que tenha o mínimo de sensibilidade. “Mané Fogueteiro” é música de 1934. E, devido ao modo único do cantor Augusto Calheiros, em Santana do Ipanema, poucos ousavam cantar as suas músicas. Conhecemos  que apenas o caçador, de voz rouca e cantor nas horas vagas, Mário Nambu, era capaz de cantar com perfeição qualquer música de Augusto Calheiros: “Ave-Maria”, “Vingança de Caboclo”, “Pilar”, “Senhor da Floresta”, “Mané Fogueteiro” e outras mais.

Ficávamos de boca aberta quando os mais velhos falavam de Augusto Calheiros, sua vida amorosa com seus percalços, suas apresentações em circo na cidade de Garanhuns, seu ex-amor na plateia...  Mas ninguém nos contava que o cantor tinha apenas um pulmão, para aquela voz grossa, cheia, cadenciada e capaz  de levar às lágrimas quem o escutava. Tornei-me seu fã e gostava de ouvir as músicas citadas acima com grande melancolia. Augusto Calheiros  é citado no meu romance inédito AREIA GROSSA. E como em Santana do Ipanema, havia um fogueteiro chamado “Zuza”, não tinha como não o associar à música “Mané Fogueteiro”, do famoso cantor.

Quando Augusto Calheiros faleceu, eu tinha dez anos, mas suas músicas ainda tocavam em todos os recantos do País. O  cantor era alagoano de Murici, fez muito sucesso no Rio de Janeiro e no Brasil, foi sepultado em Garanhuns, Pernambuco. Acho que  todos os fogueteiros do País se sentiram homenageados por Calheiros; mas era uma homenagem doída porque a música fala do  amor de Rosinha, disputado por um fogueteiro e um boticário. No final  surge o fogueteiro morto com um tiro no peito. Após a tragédia o compositor encerra a história com chave de ouro, como fazem os grandes escritores.

IMAGEM DE AUGUSTO CALHEIROS.