FAVA NO NEGRO Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano. Crônica: 3467   Não podemos esque...

 

FAVA NO NEGRO

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano.

Crônica: 3467

 



Não podemos esquecer a fava que havia em nosso Sertão alagoano. Em relação ao feijão comum, surgia em pequena quantidade. Diziam que a fava chegava à feira de Santana do Ipanema, vinda da serra do Poço, relevo que divide os municípios de Santana e poço das Trincheiras. A fava tem o grão maior do que o feijão três ou quatro vezes. Grão achatado e um pouco de amargor característico. Não somente a fava era cultivada na serra do Poço (505 metros de altitude) mas tipos de frutas que gostam de clima de  serra. As pessoas mais pobre do Sertão, como quilombolas e trabalhadores braçais do campo, eram alimentados com charque, bacalhau e fava, pelo patrões que procuravam amenizar a despesa dos trabalhadores, com as comidas mais baratas.

Estamos falando de um tempo em que havia qualidade nos produtos acima com preços bons, diferentes das falsificações de hoje e com preço proibitivos. Tudo indica que foi pelo amargor da fava que surgiu o ditado escravagista: “Negro quando não quer fava, fava no negro”.  Com a continuação do tempo, as favas foram ficando menos amargas, chegando  ao ponto de fava sem amargor nenhum. Entretanto comer fava é sempre algo delicioso com charque, com galinha de capoeira, com linguiça, com rim de porco e de boi. Seu antigo amargor é devido a um ácido que possui, semelhante à mandioca. Dos vários tipos de fava que existem, a nossa  era completamente branca. Mas já vimos fava diferente de branca. Quanto as sua origens e classificação, preferimos deixar a cargo do interesse individual.

Sim, ainda encontramos fava nas feiras do Sertão alagoano, dependendo dos meses do ano. Mas, como estará esse alimento em outras partes do Brasil? Pois, aqui no semiárido, foi desaparecendo marcas famosas de feijões delícias e diferenciados como o “vargem roxa”, o “rosinha” , e o “rim de porco”. Tudo por causa do feijão “carioquinha” que tomou conta do Brasil. Do mesmo jeito que aconteceu com os vários tipos de banana com a chegada da “pacovan”.   Mas, voltando ao tema inicial, você já comeu fava? Tem outro jargão que se costuma dizer, prevendo uma vitória: “são favas contadas”.

FAVA.

  URUBU-REI Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3466   Urubu-rei pode ser ape...

 

URUBU-REI

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3466

 



Urubu-rei pode ser apelido de agiota, de coronel malvado, de prefeito ambicioso ou de qualquer outro dono do desmando. Mas, como coisa real estamos falando do (Sarcoramphus papa) conhecido pela população sertaneja como “comedor de carniça”. Difere dos urubus comuns pela cabeça lisa e vermelha amarela ou alaranjada assim como o pescoço. Ainda tem detalhes de cores pelo corpo e pode atingir a dois metros de envergadura. Sua literatura é vasta e não caberia numa crônica  apenas. Em alguns lugares se encontra  em extinção por causa da degradação do habitat. Não costuma fazer ninhos, aproveita lugares que considera seguros como oco de pau ou cavidades. É chamado urubu-rei devido a ser o primeiro a se servir de animais mortos, aguardado pelo urubus comuns.

O seu bico é volteado como as aves de rapina, forte  e capaz de rasgar  o couro mais resistente de animal como o boi, dando início ao seu banquete, depois seguido pelo urubus pretos. O seu nome tem origem indígena com inúmeras observações. As vária teorias sobre sua denominação estão escritas conforme os vários países onde a ave aparece. No Sertão velho de meu Deus, ninguém quer ficar observando ataques à caniças, todavia, tem bons observadores dos hábitos deste limpadores da natureza e testemunhos vivos enriquecem a literatura sobre o comportamento do urubu-rei. Na verdade, em nosso Sertão alagoano se avista vez em quando um urubu-rei para dezenas de urubus pretos, isto quer dizer que não é fácil se avistar um urubu-rei.

Desde criança ao observarmos o voo dos pássaros, nunca encontramos um deles mais bonito do que o voo de  um urubu. O bicho é feio, mas  de voo elegante, principalmente quando estar planando nas corrente de ar. Sempre houve no Sertão, o prenúncio de chuvas, quando os urubus se reuniam em bando no espaço e o bando ficava circulando por várias vezes seguidas. Nós sertanejos, então, chamávamos a esse fenômeno de “festa dos urubus”. Poderíamos apostar na chuva que logo chegaria. Depois eles se dispersavam, chegava a chuva e alguns deles pousavam em algum lugar descoberto e passavam bom tempo deixando-se molhar como se estivessem se deleitando com á água pluvial nas suas penas ou comemorando o êxito do aviso.

O urubu faz o serviço sujo e livra os habitantes de doenças.

URUBU-REI ( DIVULGAÇÃO).

 

 

  A BARRA Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3465   1560. “Após a metade do ...

 

A BARRA

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3465

 



1560. “Após a metade do século XVI, a partir de 1560, os exploradores iniciaram a subida pelo rio São Francisco em busca de novas descobertas”. Atingindo a foz do rio temporário, Ipanema, subiram através do seu leito seco até as nascentes, localizadas  na erra do Ororubá, em Pesqueira, Pernambuco Numa extensão aproximada de 36 léguas e pouco (220 km).

Os desbravadores, exploradores ou sertanistas de Olinda, chegaram primeiro à região,  partindo para o interior através dos rio intermitentes que despejavam no São Francisco. No caso de Alagoas, serviram de estradas para as primeiras fazendas de criação, no sentido foz/nascente, rios e riachos como o próprio Ipanema – o mais importante – e outros como Traipu, Riacho Grande e Capiá.

“Foi exatamente  no ponto de encontro entre os do is rios (Ipanema e São Francisco) que se estabeleceu um núcleo habitacional, onde missionários, colonizadores (sesmeiros, rendeiros, meeiros, compradores de terras) e comerciantes dos centros maiores faziam seus negócios. O local ficou sendo conhecido como Barra do Ipanema, ainda hoje existente”. (Frisos nossos).

O texto acima Fbarra do panema. az parte do livro documentário ainda inédito com o nome de BARRA DO IPANEMA, um povoado alagoano. Livro clássico e histórico que vai surpreender  o mundo cultural de Alagoas.

Aguardemos.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO PRAZERES EM MORRO DO SÃO FRANCISCO, BARRA DO IPANEMA. (IPHAN).