EXPECTIVA Clerisvaldo B. Chagas, 13   de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3444 Antes do início do século...

 

EXPECTIVA

Clerisvaldo B. Chagas, 13  de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3444




Antes do início do século XXI, o charmoso edifício em forma de sobrado, bem perto do rio Ipanema foi demolido. Era ali onde havia o maquinário da chamada “perfuratriz”, que enviava água para o prédio do “Fomento Agrícola”, quatrocentos ou quinhentos metros acima, na Rua de São Pedro, onde se beneficiava o algodão em motor a diesel, lembra o escritor João Neto Chagas, este detalhe. Chamado simplesmente de Perfuratriz, o prédio era  quadrado, cercado de janelas, calçada alta e inclinada. Recebia a sombra da   tarde onde  vários homens da localidade, costumavam descansar e dormitar, aproveitando a sombra. O telhado formoso tinha a cumeeira em forma de sobrado. Daí aquelas particularidades  que chamavam atenção. 

A sede do sistema, década de 20, prédio do Fomento Agrícola, encontra-se ainda nos últimos estertores. Ali estava o primeiro tanque de Corpo de Bombeiros de Alagoas. Mas, voltemos à Perfuratriz. Em seu lugar foi erguida a  Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima, prédio com primeiro andar e que congrega os habitantes das proximidades do rio, na Rua São Paulo (trecho da antiga rodagem para Olho d’Água das  Flores) e suas imediações. Do prédio da Perfuratriz, em Santana do Ipanema só existe uma foto tirada da torre de igreja. Onde ela está ao fundo da foto, longínqua e só quem a conheceu distingue. A última grande cheia do rio Ipanema, destruiu rua e muitas casas, chegando pela primeira vez na história, até aquele local. Ninguém morreu, mas os prejuízos faram enormes.

É dentro dessas lembranças em que lançaremos no próximo dia 17, às 19 horas, o romance AREIA GROSSA, cuja parte real estar registrada no livro, misturada à parte ficção. Prédios  são lembrados,  famosos lugares e 82 personagens reais apontados na mistura real e fictícia da trama. E como já foi dito antes, o romance AREIA GROSSA (título referente a  um tipo de areia do leito do rio Ipanema) é uma formidável fonte de pesquisa para estudantes e pesquisadores da história santanense. O romance escrito por Clerisvaldo B. Chagas e financiado pelos escritores contemporâneos do epicentro da trama, João Neto Chagas e Luís Antônio, o Capiá, espera corresponder a todas as expectativas. Não haverá venda de livro. Os exemplares serão distribuídos gratuitamente entre os descendentes dos personagens reais.

 

 


  ERA ASSIM, DEPOIS... Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano                                  ...

 

ERA ASSIM, DEPOIS...

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

                                                          Crônica: 3440

 



Após jumentos, burros, cavalos e carro de boi, foi surgindo em  Alagoas o caminhão e o trem.  O trem no litoral e no vale do Mundaú, o caminhão, ainda raridade, cortando todas as regiões do estado. E as estradas de antigos almocreves e carro de boi, foram  aos poucos, alargadas para a era dos motores. As antigas estradas alargadas eram chamadas de “rodagens”. Trabalhadas, mas ainda conhecidas como  “estradas de terra” ou “estradas de barro”. E para cuidar desses problemas, atuavam em várias cidades do Brasil, repartições federais do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens – DNER. Hoje DNIT. No Sertão alagoano o DNER, escreveu páginas de pioneirismo, desbravamento e de um heroísmo cru e teimoso que permitiu o desenvolvimento rodoviário  e seus agregados. Chegou em Santana em 1951.

Quase todos os dias os chamados “cassacos”, isto é, os homens que trabalhavam nas estradas, estavam em turmas atuando em trechos, entre Palmeira dos Índios e Delmiro Gouveia. O DNER, em Santana do Ipanema, deu trabalhos a inúmeras pessoas. Quanto ao salário, uma hora estava bem por cima, outra hora era motivo de reclamação. Ainda cheguei a conhecer, pelo  menos, dois funcionários que viraram agiotas, naturalmente quando o salário estava em alta. A sede do DNER, era chamada de “residência”, talvez pela presença do engenheiro que comandava a repartição e que tinha vários direitos e ali morava. Conheci vários intelectuais que trabalharam no DNER, inclusive, o economista Sílvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá.

Muitos episódios relevantes aconteceram na repartição, porém tudo foi perdido por falta de registros. Apesar de tanta gente capacitada, ninguém publicou uma linha sequer da gloriosa história do DNER em Santana do Ipanema. Ali se abrigava repentistas, músicos, engenheiros, professores, agricultores, rezadores... Mas nada de livro. As histórias eram contadas de boca em boca, até que o tempo varreu todos os vestígios gloriosos daqueles heróis. O golpe definitivo foi quando aconteceu sua extinção e, depois, renascido com outra sigla, mas a história já tinha acabado. Assim é que eu mesmo me pergunto se a história de Santana do Ipanema, não está incompleta com a ausência do DNER em suas páginas. É duro ver o ouro escapando por entre os dedos.

ANTIGO DNER EM 2012.