CONTANDO A HISTÓRIA Clerisvaldo B. Chagas, 11 de setembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3474   Descobri, ...

 

CONTANDO A HISTÓRIA

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de setembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3474



 

Descobri, tornei-me seu admirador e, várias vezes passei ou visitei o lugar. Estou falando daquela igrejinha no mirante do Farol, em nossa capital. Descobri que aquela simpática e humilde igrejinha, antes de 1888, era um quartinho de armas que fortalecia a vigilância sobre o Porto de Jaraguá. O Bairro do Farol , antigamente era conhecido como o Morro do Jacutinga. E aquele local específico passou a ser denominado de “Morro do Paiol” ou “Morro da Pólvora” por causa do armazém de armas. A partir de 1888, o depósito de armas, foi transformado em Igreja.  Ganhou torre de sineira e outras modificações externas e internas de adaptação religiosa. Na capela simples, foi entronizado o santo São Gonçalo do Amarante.

Lembrei-me, então, daquele futuro escritor santanense que foi embora na década de 30 para não morrer de fome, Oscar Silva. Venceu na Literatura e como funcionário público no Sul do País. Mais tarde publicava no seu livro de crônicas da terra, FRUTA DE PALMA, texto e foto da casinha trepada onde fora criado por sua avó, flandreleira Josefina, “Finha”. E ao descreve sua casinha, Oscar dizia que ela poderia ter sido um antigo depósito de pólvora, pois fora encontrada vazia e abandonada. Duas grandiosas relíquias da história de Alagoas. Sobre a igrejinha do Alto do Jacutinga, quase sempre se encontra fechada, mas tem o seu dia de missa. E quanto   E antiga casa do escritor Oscar, foi anexada e demolida. Hoje   o terreno se encontra por dentro de um muro de quintal.

A propósito, a Jacutinga  (Aburria jacutinga) é uma ave grande e em extinção, da zona da Mata. O mirante de Maceió onde se localiza a  igrejinha, é chamado de “Mirante de São Gonçalo”.  E a casa antiga do escritor Oscar Silva, situava-se Na Rua Antônio Tavares, defronte a casa dos meus pais. As informações podem servir para outros pesquisadores que queiram abraçar o tema. Pelo menos, os caminhos de novas pesquisas estão sendo apontados. E desde que me entendi de gente só ouvi falar no nome Jacutinga, duas vezes: quando era criança, em Maceió, na referência de um primo adulto  mencionando o  lugar do farol, como no Alto do Jacutinga. E há alguns anos um cantor de cunho humorístico cantando que no Alto do Jacutinga, uma cerveja era 1 real.

IGREJINHA DE SÃO GOÇALO DO AMARANTE, MACEIÓ.

 

 

  CABRA FUBA   Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.473   Para quem não sa...

 

CABRA FUBA

  Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.473

 


Para quem não sabe sobre o nosso Sertão a pergunta é óbvia: que diabo é isso? Bem, a frase do título, no Sertão alagoano, é secundária de “sujeito fraco, sem ação, tipo imprestável, cabra fuba, homem que não vale nada”. Entretanto, no primeiro plano temos a tradição de chamar de fuba, sem acento, a farinha de milho pronta para se fazer o cuscuz. Enquanto fubá – com acento – é a farinha de milho moída ou  fininha para se comer na hora, pura ou com açúcar. E se o dicionário da Língua Portuguesa, só registra a palavra com acento, problema dele. A nossa linguagem popular desmente a oficialização. É a imensidão do Brasil e seus legítimos regionalismos. E vem o  fubá... E vem a fuba, o mais importante é matar a fome do povo.

E como ilustração sobre o termo fubá – comi muito dos vendedores de rua, quando criança -  temos no livro documentário NEGROS EM SANTANA, uma imagem literária de um quilombola do povoado Tapera do Jorge, de Poço das Trincheiras,  vendendo fubá pelas ruas de Santana. Panelão de alumínio, vertical e lustroso, carregava na cabeça daquele negro comprido o fubá, uma delícia ímpar. Era uma cena do século XIX, navegando ainda no final do século XX. E assim víamos que o fubá, deixava para trás o seu parceiro tradicional de caminhadas juntas, o xerém – milho quebradinho  em moinhos de pedras e, comido com leite. Aos poucos, o que era tradição de séculos, principalmente na zona rural, passou a ser como tantos outros, produtos da indústria.

Portanto, é lógico que os tempos mudam as coisas como o camaleão. Mesmo assim, foi não foi, ressurge uma expressão antiga como “cabra de aió”, “cabra fuba”, “tapuio”, “cabra safado”, “fio de uma égua” e muitas outras. No caso dessas acima, todas têm o mesmo significado: “elemento ruim, homem sem ação, sem caráter, sem confiança. É pena um sujeito que não presta ser chamado de cabra fuba, um alimento tão gostoso e nutritivo. Com lógica ou sem,  a indústria vai colocando etiquetas novas em nossos produtos comestíveis, mas não consegue consertar de vez o CABRA  FUBA.

FUBÁ NA ROÇA (DIVULGAÇÃO).

  CLEODON TEODÓSIO – ESCOLA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2026 Escritor   Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3472   Ch...

 

CLEODON TEODÓSIO – ESCOLA

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de setembro de 2026

Escritor  Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3472

 



Chegou o dia de deixarmos a cidade e seguirmos para a zona rural trabalhar com alunos sobre o livro documentário, SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. Fomos para a região serrana do município, onde existem vários sítios interligados, mas chamamos a região da Camoxinga dos Teodósio. O trabalho com o alunado foi na Escola Cleodon Teodósio, amplamente reformada e aspecto de escola de primeiro mundo.  A região Serrana, em Geografia, faz parte  do Maciço de Santana do Ipanema e suas montanhas fazem parte dos últimos contrafortes do Planalto da Borborema. Estávamos em um lugar cuja estrada marcava a divisão de municípios entre Santana do Ipanema e Poço das Trincheiras.   Aos fundos da escola, o famoso riacho Camoxinga, a frente, a estrada divisória e as faldas da serra dos Bois, do segundo município.

Ótima recepção a este Autor e ao editor José Malta Neto, responsável por esse trabalho exercido em todos os anos com variados escritores. Entre perguntas, respostas e questionamentos,  passamos uma tarde literária, rica, preciosa  e bela entre alunos, professores, editor e autor do livro SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. Muito exaltado foi o antigo Bairro Maniçoba/Bebedouro, epicentro do documentário acima. Como a paisagem da região serrana é bastante agradável, recheada de verde, dos jardins de árvores frondosas, como a craibeira e de gado pastando pelo vale, a    inspiração chegava com força através das janelas e dos demais espaços que nos traziam a Natureza.

Quando regressamos era quase 17 horas, momentos em que o  Astro-Rei, assim como nós, procurava encerrar a sua missão de final de inverno. Ficaram lá, lá atrás, no sopé  verdejante da serra dos  Bois, a novidade  santanense adormecida antes, vivificante agora com semeadura de homens de boa-vontade. E no regresso ao lar, já pensávamos na próxima escola da quinta-feira no antigo Bairro da Floresta. Sim, levar o conhecimento adiante é a nossa grande missão na terra.

Semear, semear, semear...

COM A DIRETORA NA ESCOLA CARROSSEL.