SERÁ? Clerisvaldo B. Chagas, 21 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3418            Antes as fazenda po...

 

SERÁ?

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3418



 

         Antes as fazenda possuíam os terreiros cheios de galináceos: galinhas, frangas, galos, pintos, capões, perus, pavões, patos e guinés. Recebiam ração de milho , logo ao amanhecer, lá para as dez horas e tinha mais ao entardecer. Essas aves passavam o dia soltas completamente, passeando pelo terreiro e seus arredores, no limpo, no matagal, ciscando, pegando bichinhos, beliscando folha de mato.  Nas horas da refeições, o resto de comida iam para as “galinhas”. Assim, os proprietários nunca passavam fome. Raramente se via alguma dessas aves que não estivesse gorda. Os ninhos eram feitos onde as próprias galinhas quisessem. Essa produção de aves e ovos, garantiam as proteínas do dia a dia.  Uma vez ou outra o proprietário matava um bode, um carneiro, um porco para desenfastiar.

A última vez que contemplei essa maravilha foi no sítio Cava Ouro, em Senador Rui Palmeira onde fizemos lançamento de livro. O céu anunciando chuva e a criação na expectativa do corre-corre. Muito feio um terreiro pelado, no sítio. A facilidade da vida moderna, acabou com essa tradição. Ao invés de pegar ovo fresco no terreiro, a dona de casa passou a comprar ovos de granja nos mercados da cidade. Outros tipos de criação também foram sumindo de vista dos passantes e a concentração passou a ser quase exclusiva do boi. Será que a comida pura da roça, era mais sadia do que a que compramos nos mercados, cheias de aditivos?  As indústrias de óleo acabaram até com a criação daquele porquinho  do qual se extraía a banha para cozinhar.

Você já ouviu a expressão: “Comer feijão-de-corda com galinha de capoeira” ?  A medida que a expressão vai perdendo a força, chega a expressão mais nova: “comer uma galinha velha”. E essa galinha velha, não é a antiga galinha de capoeira, mas sim, a galinha velha, branca, de granja. Ninguém fala na galinha caipira que é aquela vermelha e de ovos rosados. Essa, por enquanto vai tapiando o consumidor com a qualidade dos ovos, sem a propaganda da sua carne. Muito romantismo na antiga paisagem sertaneja, nos detalhes, já não corresponde.

Com essa frieza discreta desse fim de maio, impossível não lembrar desse tempo de Resistência.

ANTIGOS TERREIROS RURAIS (AUTOR NÃO ENCONTRADO).

 

  O CAMPO Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3417   Nem sei dizer, nem fui pes...

 

O CAMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3417

 



Nem sei dizer, nem fui pesquisar quem construiu o campo de pouso de Santana do Ipanema. Uma pista larga, boa,  em barro vermelho a dois quilômetros da cidade.  O campo de poso teve tanta influência que passou a ser referido como um sítio rural comum. Foi formado, acho, para receber aviões tipo teco-teco. Quando eu ainda era criança, estive lá depois de um avião sobrevoar a cidade. Era meninada que percorria a pé os dois quilômetros para ver um avião de perto para contar de certo. Mas os adultos também corriam para o campo em busca da novidade. Geralmente os passageiros eram pessoas do governo tentando resolver alguma coisa na região. Ora, se quando eu era criança, o campo já existia, quem o teria construído?

Nem trem nem avião para Santana do Ipanema. Ultimamente dizem que o governador prometeu construir um aeroporto na cidade.  Com o nome desse último sítio. Ah! Houve muita mangação nas redes sociais. Como uma cidade está com uma rodoviária parcialmente destruída e inutilizada, esquecida por parte do estado e se anuncia um aeroporto. O santanense levou a frase como piada de mau gosto. A reação foi enorme. E mesmo que o governo quisesse fazer alguma coisa em relação ao transporte aéreo todo o povo acha que seria somente passar uma camada de asfalto no campo de pouso existente e bradar que foi inaugurado um aeroporto.

Nos últimos anos o campo de pouso passou a ser um lugar usado para competições de motores na Festa da Juventude. São os seis vizinhos, a AL-120, os sítios: Icó, Várzea da Ema e João Gomes, além da proximidade do riacho que tem a denominação desse último sítio. Sim, da fato, a sua localização para os fins desejados, é estratégica. Pero de Santana, de Olho d’Água das Flores e de Carneiros e com muitas outras vizinhanças. Entretanto, o que  estamos precisando mesmo é um VLT Sertão-capital, diariamente. Mas, enquanto isso esperemos o final da piada dita no Sertão.

CAMPO DE AVIAÇÃO EM SANTANA (DIVULGAÇÃO)

  OS CANGACEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3416   Lembro-me perfeitam...

 

OS CANGACEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3416




 

Lembro-me perfeitamente de quando trabalhava de editor no Jornal do Sertão, encarte do Jornal de Alagoas, ali na Rua Nova, em Santana do Ipanema. O futuro escritor Marcello de Almeida e o artista plástico Roberval Ribeiro, inventaram história em quadrinhos (gibis), cujos personagens tinham o nossos rostos e as histórias eram de cangaceiros. Esses gibis fizeram sucesso e até foram lançados em país vizinho. A dupla se desfez, pois eram jovens em busca de melhores oportunidades de trabalho. Pois, décadas  e décadas após, eis que chega com toda força a IA. E o escritor Marcello Fausto, como diversão, começa a colorir fotos antigas e dá roupa nova as fotos de companheiros. Assim me fez  morrer de rir com suas presepadas em transformar minha foto de lançamento de livro e a do escritor Capiá, em cangaceiros.

Estar certo, o amigo quis apenas se divertir, contudo, pode sair de uma brincadeira, uma nova forma de ganhar dinheiro, sobretudo pela qualidade do trabalho apresentado. A IA estar fazendo desaparecer profissões, aperfeiçoando outras e estimulando novas. A evolução em todas as áreas do conhecimento humano, vai no levando para coisas boas e incríveis, mas também vai demolindo as tradições mesmo onde a resistência permanece viva. E isso me leva a refletir sobre o senhor Tô, o retelhador mais afamado em Santana do Ipanema no século passado. O homem que usava um chapéu típico e único, semelhante à polícia montada do Canadá. Não existe mais retelhador em Santana, muito embora ainda existam inúmeras casas com o teto de telhas de barro.

Com a aproximação mais pesada do inverno, é preciso verificar as casas que usam telha. Cadê seu Tô? Ah! A IA uma ora dessas não serve para nada. Não vai subir ao telhado e reparar as telhas. Ou vai? Bem, voltando às presepadas do parceiro escritor, Marcello Fausto, Pouco mais tem fanático do cangaço procurando pesquisar sobre os cangaceiros ainda desconhecidos. Não sei o que pensa o escritor Luís Antônio, o Capiá, mas, da minha parte é  risos e mais risos compartilhados com os amigos. Quer virar cangaceiro, cabra? É só  falar com Marcello.

(ESCRITORES CLERISVALDO B. CHAGAS E CAPIÁ, NA IA DAS PRESEPADAS  DE FAUSTO).