SEGUNDA EDIÇÃO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3462   Acabo de receber ...

 

SEGUNDA EDIÇÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3462



 

Acabo de receber da Editora, “Instituto SWA”, de Santana do  Ipanema, a segunda edição do livro documentário, SANTANA:  O REINO DO COURO E DA SOLA.  O citado livro cita parte importante da história do Sertão  alagoano, focando os município de Delmiro Gouveia e Santana, especificando as ações coureira do antigo lugar (hoje bairro) Maniçoba/Bebedouro. Essa atividade coureira proporcionou a indústria calçadeira de Santana do Ipanema e alimentou por décadas,  redes urbana e rural de artífices do couro com variedades impressionantes. Esse livro de atos jamais registrados antes, é fartamente ilustrado e detalhista que se encontra  já nos anais da história de Alagoas, à disposição. O livro tem 63 páginas e, para adquiri-lo a preço de custo (ZAP) basta entrar em contato com o autor.

O Instituto SWA, programou com oito escolas do município, trabalhos de leitura, pesquisa, discussões e  entrevistas entre os respectivos alunos e o  autor  do livro esmiunçado. O cronograma aponta para os primeiros 18 dias do mês de setembro. E se Deus quiser, enfrentaremos essa maratona de cultura variando entre as  zonas urbana e rural. Estamos honrados com a participação da escolas: Carrossel, Cleodon Teodósio, José Francisco de Andrade, São Cristóvão (por duas vezes), Professora Sônia Pereira da Silva,  Durvalina Cardoso Pontes e Senhora Santana. Após a primeira fase, virá a Culminância com mais de duzentos alunos juntos. Apresentações finais sobre olhares do Autor. É um intercâmbio que precisa muita  organização e incentivo, não restam dúvidas. Mas a competência docente se encarrega da sua eficiência.

Além dessas ações que serão desenvolvidas nas 8 escolas, o livro também será lançado no Bairro Maniçoba/Bebedouro, como homenagem à família Félix que também movimentava curtumes e a todos que pertenciam a essa atividade econômica e progressista. Provavelmente no mês de outubro, após a maratona cultural nas escolas. Os acontecimentos sob o comando do Editor, Escritor e Jornalista José Malta Neto,  tende a ganhar corpo devido a sua  capacidade de mobilização, dinâmica e convencimento. Isso trará  dividendos impagáveis para a nossa sociedade sertaneja, cujas histórias verdadeiras serão repassadas através do séculos. E não perder a história é não perder a conexão entre gerações.

 

BURROS CARQUEIROS AO ANOITECER. CAPA.

 

 

 

 

 

 

 

 

SOLIDÃO Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3460   Sem   nunca encontrar algu...

SOLIDÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3460



 

Sem  nunca encontrar alguém disposto à caminhadas, saí margeando a antiga barragem  de Santana do Ipanema.  Eu tinha uma curiosidade sobre as cercas de pedras que cercavam terras nas imediações da barragem. E fui  subindo por aquela estrada de terra  marginal ao rio Ipanema. Estrada boa que parecia rumar para a serra do Poço ou para a cidade de Poço das Trincheiras. Um deserto só. Nem um pé de pessoa aparecia no trajeto. O sol batia na terra piçarrada e de vermelho claro. Quanto mais eu caminhava para o norte, mais solitária a estrada ia ficando. Nem sequer um passarinho cantava ou aparecia nas imediações. Fui encontrando uma cerca de pedra que se prolongava pela margem direita da estrada.  Quando resolvi voltar, já sentindo medo daquele silêncio e solidão onde nunca pisara antes, avistei uma residência.

Era uma casa de alpendre com galinha no terreiro, na margem esquerda da estrada e na margem esquerda do rio. Não encontrei coragem para me aproximar da residência e nem prosseguir a caminhada. Para mim estava vivendo um momento mágico que eu não queria quebrar com informações alguma. Calculei que aquela estrada deveria ter sido trilha dos primeiros habitantes da região serrana de dois ou três séculos atrás. Retornei com certa apreensão pensando em possíveis perigos naqueles esquisitos. A vegetação à direita da ida, ressecada, pelada e que se mostrava por trás da cerca de pedra. A da margem do rio, verde, devido a umidade do leito próximo. A cerca de pedra estava perfeita como ficara no original. havia partes caídas e fui fazendo comparações com cercas de pedras de outros sítios como a das Tocaias, que estavam se desmanchando.

Era uma caminhada muito mais solitária do que a velha estrada.  da esquecimento, porém, havia visto parte da história do Sertão naquele museu  a céu aberto das cercas de pedras feitas por mestres escravos. Naturalmente se pensa que os donos daquelas terras teriam sido pessoas abastadas, pioneiras na habitação do lugar. Mesmo assim, não resisti a um suspiro de alívio ao retornar a BR-316. As surpresas do mundo estão por todas as partes, tanto as boas quanto as péssimas. É bom ter com quem dividir as emoções. 

CAMINHANTE (DEAMSTIME).

 

 

 


  SERTÃO – TAMBOEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 226 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3460   Estamos nos a...

 

SERTÃO – TAMBOEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 226

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3460

 



Estamos nos aproximando do dia 15 de agosto. Tradicionalmente, limites das chuvas de outono/inverno no Sertão.   “Estamos nos últimos tamboeiros”. A palavra é feminina “tamboeira”, mas sempre foi pronunciada no masculino. São as mandiocas e macaxeiras raquíticas e emurchecidas, que não servem mais para a colheita. No caso acima, expressão alusivas também às últimas chuvas da estação. Aquelas que vão minguando dia a dia até suspenderem totalmente. Claro que é uma linguagem específica de pessoas mais antigas que trazem como surpresa a novidade da ressurreição. A palavra é apenas uma daquelas que estão fora de moda, mas ainda latente.

Este dia 12 de agosto, parece mesmo viver os últimos tamboeiros do inverno. O dia amanheceu nublado, um pouco frio e escuro, mas logo o Sol submergiu entre nuvens e o dia que se mostrava carrancudo, passou de severo a primaveril. Aquele dia que  você olha para o céu e tem vontade de caminhar pelas ruas, pela periferia, pelos campos. Tudo isso, entre a não fama boa do mês de agosto, pelos históricos e a esperança que seja apenas um mês comum e amigo de todos. Os homens podam as árvores das avenidas, enquanto os pardais se animam na fiação das ruas. E mesmo em plena luz diurna, galos cantam pelos quintais da beira do rio. Com a diminuição gradativa das chuvas, a frieza mais rigorosa, procura outros rumos e nós encostamos os casacos.

A Noite não chega de repente como em outras regiões brasileiras.  Mesmo sendo na estação das águas, a tardinha vai chegando lentamente como como quem vai vestir o pijama para dormir. E a noite chega de céu limpo ou com a gaze esbranquiçada com o veto rigoroso a qualquer tipo de estrela. E quando o sertanejo passa a vista pelo céu de fim de inverno, sabe que a madrugada ainda não está de brincadeira porque segue o ditado conhecido “o rabinho é duro”. É assim nesse cenário em que visitarei no próximo domingo, a zona rural margeada pela AL-120. Por coincidência, mais uma espiada no ponto turístico do sítio Barriguda na Pedra do Sapo, não muito distante do Ponto Extremo Sul do município de Santana do Ipanema.

ANOITECER (LEVI SECÚLIO).