OUTONO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3386   Vamos tentando navegar nes...

 

OUTONO

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3386

 



Vamos tentando navegar nesta estação misteriosa e sempre imprevisível que é o outono.  E se o dia 19 de março foi o dia de São José, o início da nova estação foi 20 de março. O dia de São José, é o último dia das experiências populares sobre um bom, médio ou ruim inverno no Sertão nordestino. Experiência baseada em sinais de pedras de sal, da barra do dia, da Estrela D’alva (planeta Vênus) de círculo na lua, de direção do vento e comportamento de alguns animais e plantas. Interessante, é que todos dizem que São Pedro é quem manda a chuva, mas o   agricultor apela pra São José. Todavia, nesse imaginário de poderes dos santos, o importante mesmo é a fé depositada nos altares do céu, porque todos os santos têm sim as suas virtudes e pelo visto, suas especialidades.

São 21 horas em que escrevo este trabalho, céu limpos lá fora e camisa colada às costas de tanto calor. É que o céu, profundamente azul do dia inteiro, entrou pela noite que permanece limpa. Imagine sair assim, pelo dia, para resolver um “pepino” sobre aposentaria! Mas, fazer o quê!? É colar a camisa de novo às costas, se fazer de corajoso, enfrentar o tempo enfezado e a burocracia de repartições. Ê, meu “fio”, é nesse emaranhado que você se mete e pergunta a sim mesmo: “Onde foi que eu errei?”  Eita! Para completar o tempo severo ainda surgem irritantes latidos pelas ruas das imediações e as muriçocas enfiando lanças das trombas nos seu pés desprotegidos. Mas fazer crônica é preciso. É preciso fazer crônica para acalmar a alma.

Saio um pouco, olho a rua deserta e vou mastigar um doce solidificado, beber água e escovar os dentes. Adivinhe! Ao passar a escova em um molar já restaurado, cai um pedaço do dente com o material restaurador. Será o Benedito! Rezar para não doer até a ida ao dentista. É “véi”. Manter a tranquilidade é preciso. Nem toda noite é feita de mel de abelha. E quando a tristeza quer chegar, lembremos das árvores do outono que ficam nuas. Mas, é apenas uma renovação necessária das suas folhas, assim como teremos de renovar a nós mesmo como os vegetais resistentes do outino.

 

 

 

 

  ONÇA NA CAATINGA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3385   É bom se alegrar...

 

ONÇA NA CAATINGA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3385

 




É bom se alegrar em saber da volta de animal extinto à região de origem. Quando éramos crianças e adolescentes, caçávamos nacaatinga rala e na caatinga densa, mas não tínhamos medo de onça. De cobras, até que sim, pois a caatinga também é reino   de Cascavéis, jararacas, e outras espécies perigosas. Não tínhamos medo de onça porque elas só existiram mais ou menos até os tempos de nossos avós. O caso da onça já extinta era o mesmo do tamanduá, do veado catingueiro ou galheiro e o meio sim, meio não, sobre o lobo guará. Os outros bichos maiores, apesar da caça e do desmatamento desenfreado, resistiram em todos os lugares como o qato-do-mato (Jaguatirica), raposa, gambá, cobra, teiú e outros. Ainda chegamos a comer carne de veado da feira de São José da Tapera, com seus últimos refúgios do veado e da onça parda (no Sertão não havia onça pintada).

Pois, saiu em determinados sites que uma onça-parda (Puma monocolor), foi vista na caatinga alagoana, atualmente, flagrada por uma câmara noturna (foto abaixo). Ora, há quase três década ninguém ouvia falar mais em onça viva. Somente vogava as histórias dos mais antigos como novos avós. Porém, sobre o felino flagrado, o site em que lemos a notícia, não diz em que município isso aconteceu, diz apenas que foi no bioma caatinga. Além disso, fala também de outros flagrantes como o veado catingueiro e o gato-do mato. Ora, uma boa ação tem que ser completa, limpa e honesta. Notícia boa, mas aleijada é irritante.

A onça parda, também chamada no Sertão de onça-de-bode ou Suçuarana, vive de comer pequenos animais, mas na falta de caça, se aventura em atacar o criatório das fazendas como os caprinos – daí ser chamada onça-de-bode – ovelhas e galináceos. Dificilmente a Suçuarana ataca o ser humano e sempre foge com medo da sua presença. O Sertão tem inúmeras narrativas sobre vaqueiros dando pisa em onça com chapéu de couro. A realidade mesmo da notícia boa, é que o ressurgimento desses animais acima na caatinga, poderá repovoar a região, praticamente, dados como extintos, no Bioma.

 

 

                                                DECADÊNCIA HISTÓRICA   Clerisvaldo B. Chagas, 23 de março de 2026 Escritor Símbolo do ...

 

 

                                           


DECADÊNCIA HISTÓRICA  

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3384

 


A foto abaixo mostra uma rua no comércio de Santana do Ipanema, chamada José Américo. Rua de armazéns e outras casas comerciais de tradição. Ao mesmo tempo a foto mostra a decadência do algodão no Nordeste.  Em primeiro plano, o estado lastimável do prédio de esquina com seus vizinhos, parte da mesma empresa; uma das duas algodoeira que havia na cidade. Elas compravam o algodão vindo do campo e, com seu maquinário poderoso, separava o capulho do caroço. O algodão era prensado, enfardado e exportado para o Sul do Brasil, em caminhões. O caroço era vendido nas próprias algodoeiras, como ração para o gado leiteiro. Era o dinheiro quente de final de ano dos agricultores.   Acompanhei de perto a fase do algodão e, como professor de Geografia, levei alunos a visitar a indústria do prédio da foto.  

A foto é sem dúvida uma nostalgia, uma época se desmanchando viva na horrível aparência das edificações. Uma saudade oca que incomoda. Acompanhei o ciclo do algodão desde criança, iniciando no povoado Pedrão, na vila de Olho d’Águas das Flores:  cultivos, colheitas, transportes, os ensacamentos, as balanças, as vendas. Carros de boi lotados levando algodão para a algodoeira da vila. Era o Sertão da bolandeira (vapor, descaroçador) que fazia de Alagoas o estado mais rico do Nordeste. O Sertão alagoano com inúmera bolandeiras espalhadas que motivavam a atração do Rei do Cangaço pela riqueza produzida. Em Santana do Ipanema, as algodoeiras do senhor Domício Silva, (foto) no Comércio Central e a do industrial João Agostinho, no Bairro Camoxinga, movimentavam o Sertão Inteiro.

Com a chagada do inseto “Bicudo”, os algodoais nordestinos foram dizimados e com ele toda a cadeia do produto. Acabava assim uma das grandes riquezas do semiárido. Uns dizem que a praga fora natural, outros que teria sido introduzida por aquele pais que todos conhecem para acabar com a nossa competividade com ele. E se houve investigação, verdade, nunca soubemos. O certo mesmo foi inúmeras figuras pelo nordeste inteiro semelhantes à da tristeza múltipla da foto desta crônica

(FOTO CEDIDA PELO ESCRITOR  JOÃO NETO CHAGAS, O PRIMO VÉI).

 

                              

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

onça na caatinga