MOÇA NAMORADEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3406   Acho que a prime...

 

MOÇA NAMORADEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3406

 



Acho que a primeira música que eu ouvi na vida, fora as do canto da Igreja, foi no povoado Pedrão de Olho d’Água das Flores. Eu deveria ter em torno de oito anos de idade, e ara ali que eu ia passar minhas férias . Naquele tempo as nossa férias escolares, duravam três meses  e mais um mês no meio do ano. Então, certa vez ouvi o carreiro Ulisses, assoviando e cantando assim: “Ô moça/ namoradeira/ lá na ribeira todo rapaz gosta dela...”  E repetia os versos. Já com a idade avançada nunca consegui esquecer essa música que pareci refrão. Tentei, tentei, tentei pelos meios mais modernos encontrar música, letra e autor e... Nada. O carreiro cantava com voz bonita, entoada e a música  parecia muito saudosa. E vinha outra ou a emenda da mesma: “Ô sanfoneiro/ moça mandou lhe chamar/ para tocar um baião no Ceará/ Tu diz a ela? Que de pé eu não vou lá/ Só vou de avião/ Se mandarem me buscar” e mais: Mas ela tinha doze palmos de canela/ Para dar um beijo nela/ era preciso atrepar”.

Em não encontrar música, letra, autor, deduzi que a cantiga inicial do carreiro, teria sido  versos de mestres de “Guerreiro” ou “Reisado” e, letra de mestre do folguedo “Guerreiro”, era improvisada. O registro de algumas estrofes de cantos passava de boca em boca e não eram registradas em livros. E por falar  em Guerreiro, em um dos meus  romances, PAPO-AMARELO no final do livro surge uma cena com esse folguedo alagoano do meu tempo. Quando o passado aflora, não tem jeito.

Falar no tema acima, nem sei se ainda existme  representações de Guerreiro em estátuas na praça do Centenário, em Maceió. Nas ruas de Santana do Ipanema e no Sertão inteiro, o Reisado e o Guerreiro, nunca faltavam na festas de Natal, mas nem sempre era em fim de ano. Vez em quando o Guerreiro era contratado para uma noite na zona rural ou urbana. E o mestre, inspirado pelas figuras compostas de dançarinas belas e mais alguns goles de “cana”,  rimava sem parar durante uma noite inteira, tanto pelo prazer de brincar, quanto de arrecadar alguma coisa para manter o seu folclore.

Feliz tempo, sem televisão, sem celular, sem o cinema. Somente levados pela vento das noites, o batido da figuras com os pés no chão batido e o eco dos melodiosos improvisos do Mestre.

 

  ZUMBI Clerisvaldo B. Chagas, 23 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano fugitiva fugitiva e organ Crônica: 3405   O...

 

ZUMBI

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano fugitiva fugitiva e organ

Crônica: 3405



 

O Dia de Tiradentes, um simbolismo forte de libertação da nação brasileira, também, reverbera nos canaviais nordestinos e nos leva no imaginário à serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas. Um mundo à parte na cadeia de montanhas que corta a região Norte do nosso estado. E pelo grito de liberdade africana e pela resistência negra aos costumes escravagistas da época, pensava eu deixar as teorias do livros  e subir o monte.  Conhecer o chão real  da Troia negra alagoana. Mas, nem como professor de Geo-História, nem de pesquisador, nem de turista e nem de curioso, consegui chegar em terras da Mata e nem galgar a serra da liberdade. Sempre havia alguma coisa que impedia a minha visita aquele sítio arqueológico. Qual a  explicação?

Entretanto, nunca se apagou em mim a inspiração fugitivas  organizacional de resistência dos seres humanos à crueldade muito além dos chicotes. E fui  acompanhando notícias de reformas no sítio, de melhoria ao acesso e  sensação de um clamor milenar invisível que ainda ecoa pelos rios, pelas  montanhas, pelas matas, pelo vento da região de quem ainda possui um pouco de sensibilidade à libertação humana.  E vejo também o meu herói Zumbi  no romance do saudoso romancista Adalberon Cavalcante Lins – O TIGRE DOS PALMARES.  Passou a época do entusiasmo em conhecer de perto a serra da Barriga. Não almejo mais escalar serra alguma, sem asfalto ou com asfalto, mas sinto na própria carne o desejo ardoroso de Zumbi também em quebrar para sempre suas amarras.

  ALTO DA EMA Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3404   Quando o pesquisador ...

 

ALTO DA EMA

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3404

 



Quando o pesquisador encontra certa ambiguidade, na pesquisa, muitas vezes não tem como desvendar o mistério surgido, quando fontes seguras já não existem e se tem que entrar no campo das deduções. Um desses caso é semelhante no Sertão e no Agreste do nosso estado. E tudo tem início com a denominação mais fácil que o povo encontra. Entre Palmeira dos Índios e Maribondo, encontramos o povoado Cabeça Danta. E o que significa Cabeça Danta. Seria inicialmente Cabeça de uma pessoa de sobrenome Danta? Seria  o lugar chamado antes Cabeça da Anta? Seria cabeça, relativa  a um começo de ladeira, de chã? Teria sido achado ali uma cabeça humana de alguém que tivesse sobrenome Danta?

No município de Santana do Ipanema estão as denominações de sítios: Baixa do Tamanduá,  Várzea da Ema. Muita lógica nas deduções. Mas o sítio Alto Dema ou Alto da Ema ou Alto d’Ema,  ou ainda Alto do Dema dá nó em cabeça de pesquisador.  Qual a realidade por trás do nome. Primeiro, Alto Dema, ou Alto do Dema ou Alto d’Ema, dá a impressão do que são termos que dizem a mesma coisa: Um terreno alto que teria um morador chamado ou apelidado de Dema. Então vamos para a quarta denominação: Alto da Ema. Bem, assim tudo muda. Nesse caso a termo é muito claro: Um lugar onde, antigamente se encontravam emas. Ali perto existe outro sítio com o nome Várzea da Ema. Várzea é lugar baixo, fértil e sujeito à inundações. Ora, se tão perto tem a Várzea da Ema, e o Alto da Ema, se deduz que naquela região eram frequentadas pelos animais selvagens ema, tanto nas baixadas quanto nos altos. Qual seria o certo?

A EMA, ave pernalta é a maior do Brasil. Suas pernas longas permitem fugir rapidamente de predadores e, quando acuada também resolve atacar. Animal  cada vez mais raro nos seus habitats,

as emas eram bastante encontradas no interior do Nordeste. Embora tenha uma carcaça com bastante carne, não era apreciada, principalmente pela população masculina que dizia que “que carne de ema faz crescer a bunda”. No meu romance do ciclo do cangaço, FAZENDA LAJEADO, tem uma cena hilariante com uma ema, visando quebrar  a seriedade da narrativa. A  (Rhea Americana) também se encontra presente no livro: O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA.

EMA (PIXABAY).