DEVAGAR COM   O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO Clerisvaldo B. Chagas, 9 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: ...

 

DEVAGAR COM  O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3428

 




Continuamos aguardando da gráfica, o romance AREIA  GROSSA, para lançamento entre junho e julho, na associação do rio Ipanema. É que estamos neste momento vendo algumas poucas ilustrações do romance, como Igrejinha de São Pedro, a escola do Bacurau, O Fomento Agrícola, o prédio da Perfuratriz, o botador d’água em cacimba do rio e o croqui do epicentro do romance, do artista plástico e cantor Dênis Marques. O livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, está, praticamente, esgotado na sua primeira edição. Disponibilizamos apenas quatro exemplares. Encerrada esta etapa, as novidades do autor serão os próximos livros para  o segundo semestre: ZÉ COXÓ, O POETA DO FANTÁSTICO (repentes), BARRA DO PANEMA, UM POVOADO ALAGOANO (documentário) e AS TRÊS FILHAS DO CORONEL (romance do ciclo do cangaço).

Tem razão a sabedoria sertaneja que diz: “Devagar com o andor que o santo é de barro”. Mas,  é o Divino Espírito Santo fomentando a produção e o Mestre dos mestres semeando as palavras. E por falar nisso, o leitor fiel deve estar atento em todas as capas de trás Pois bem, dos nossos livros que sempre informa sobre as obras publicadas, as inéditas e as em preparo. Pois bem, em muitas delas vem o anúncio sobre poesia com o título de “Colibris do Camoxinga” e que não  vai existir, sendo substituído pelos repentes do poeta do fantástico, Zé  Coxó. O porquê dos bastidores vai ficar apenas com o autor, pois a poesia contundente, demolidora de protestos já não tinha mais sentidos para o alvo que já se foi.

Quanto ao livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, não houve aquele lançamento formal. A voracidade do leitor exigente foi tanta que nem sobrou livro para lançamento oficial. Já se encontra de mão em mão nas rodas intelectuais de todo o Nordeste. AREIA GROSSA, não. Esse terá todas as formalidades de lançamento no epicentro da sua trama. É de interesse particular do santanense, pelo menos na primeira edição. São oitenta e dois personagem reais apontados como coadjuvantes da trama. Os seus descendente deverão receber gratuitamente cada exemplar, que foram patrocinados pelos escritores, amigos e contemporâneos; João Chagas Neto e Luís Antônio, o Capiá. Será uma noite de resgate, gratidão, reconhecimento, muitas saudades e emoções. Em breve, todos serão convidados.

  MACHU PICCHU E O SÍTIO TOCAIAS Clerisvaldo B. Chagas, 8 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Serão Alagoano Crônica: 3427   Não ...

 

MACHU PICCHU E O SÍTIO TOCAIAS

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Serão Alagoano

Crônica: 3427

 



Não vamos nos glorificar porque a arte não é nossa. Existente desde a Pré-História, em várias partes do mundo, nasceu da necessidade de proteção.  A matéria abundante era a pedra que, empilhada, artisticamente, não usava argamassa, mas sim a técnica da “pedra seca. Ora! Tratamos (nem todos) aqui no Sertão, as cercas de pedras como relíquias. E que são de fato relíquias e parte ainda viva da História. Elas foram construídas por escravos cujos cabeças eram chamados de “mestres”. Outras pessoa como os vaqueiros também faziam a cerca de pedra, porém  os destaques eram para os escravos. Isso vem nos sertões, aproximadamente desde os séculos XVIII e XIX e mesmo o século XX. A técnica no Brasil, veio da Europa. Contemplamos nos terraços de Machu Picchu, a perfeição dos muros de pedras semelhantes as nossa cercas santanenses, do sítio Tocaias, do Bairro Barragem e das imediações do sítio Poço Grande, em longa estrada marginal ao rio Ipanema, no sítio Laje dos  Frades.

Nos sertões, para a proteção de lavoura e gado, não existia ainda o arame farpado. A abundância de pedras soltas, era a primeira opção altamente segura e de baixo custo. Caso um pedaço de cerca sofresse algum problemas e caísse, o restante das pedras ficariam  ao pé da cerca e o conserto seria feito com facilidade. Acontece que o tempo passou, surgiu o arame farpado com estacas de madeira e, os mestres já não mais existiam.  Daí encontrarmos cercas de pedras em franca decadência, isto é, desde pequenas partes caídas até partes grandes.

Os terraços de Machu Picchu, nos parece em perfeito estado de conservação, talvez pelo governo em função da fonte de renda do turismo internacional. As pedra são tão bem encaixadas que não podem ser refúgio de animais como lagartixas, insetos e cobras. O que acontece ao contrario como as cercas que entram  em estado de abandono. No caso das cercas de pedras do nosso Sertão, como não  existe interesse das autoridades, também não existe interesse de turista, até porque este é direcionado para o alvo. E se existe alvo mas não existe o direcionamento...

CERCA DE PEDRA.

 

 

 

 

  OS MORTOS DO POÇO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2026 Escrito Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.421   Eu sei, sim, que...

 

OS MORTOS DO POÇO

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2026

Escrito Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.421

 



Eu sei, sim, que ninguém fala mais sobre essa outrora maior fonte de lazer de Santana do Ipanema.  Sei também da morte definitiva do poço, em 1969,com a construção da ponte que quase lhe passa por cima. Mas, acontece que estou cruzando a Ponte General Batista Tubino (governador que a construiu). Apesar das passarelas estreitas, arrisco uma olhada no leito do rio que neste início de junho está com pouquíssima água e alguns poços pelo trecho urbano. Lá embaixo, mato, lixo e areia.  Nada de marco histórico, nenhuma placa, nenhuma estátua ao banhista, nada, absolutamente nada que indique sua existência após o golpe fatal da ponte em seus estertores. Caminhando e lembrando que o lugar também afogava indivíduos.

Quando me entendi de gente, soube que o poço já havia engolido mais de vinte banhistas. O primeiro teria sido um tal de “Jabobeu “e que algumas pessoas diziam “Zé Belebebeu”  Estes nomes  serviam para que os banhista mais velhos fizessem medo aos mais novos alegando que de vez em quando o finado Jabobeu puxava na perna de um banhista matando-o afogado. Porém, o último afogado que tive notícia por ali (ainda b do rem que neste dia eu não estava no poço) foi um cidadão que morava na margem direita conhecido como “Tinteiro”.  Todo mundo falava sobre “Tinteiro”, mas eu não o conhecia. Ali na frente, o serrote do Gonçalinho está d.  prova das coisas que aconteceram. E do lado de cima do  rio, vejo a . proliferação de plantas aquática que devido a poluição cobriram o antigo poço do Juá, onde atuavam os antigos canoeiros.

Eu sei, eu sei sim que toda essa lembrança é quase somente minha. Onde estão os outros da minha idade? Isso causa melancolia, mas não dói. O que dói mesmo é o desinteresse  dos que deviam preservar os lugares históricos e deixam desaparecer todos os seus vestígios. E como dito acima, nada.  Nem um toco, nem um poste,  nem um obelisco, nem uma estátua, nem sequer uma placa de lata dizendo da importância do Poço dos Homens na história santanense do século XX.

RIO IPANEMA (CRÉDITO: (JEANE CHAGAS).