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    O VERDE DE HERODES Clerisvaldo B. Chagas, 13 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3362   Foi me...

 

 

O VERDE DE HERODES

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3362

 



Foi mesmo forte a chuvarada da sexta que passou. O grosso, porém, da trovoada, aliás, a primeira chuvada do ano, foi mais encorpada no centro da cidade, como foi apreciada em vídeo que circulou pela Internet. Sendo Santana do Ipanema uma cidade ladeirosa, as águas desceram imediatamente para o leito seco do rio Ipanema. Como a terra estava precisando muito de chuva, foi gratificante novamente olhar a vegetação, antes crestada e contemplar o esverdeado do último “pé-d’água”.  Impressionante é a capacidade de reação da caatinga, esse bioma abençoado que Deus deixou no Nordeste do Brasil para forjar homens e mulheres em corpos e espíritos. Ah! Nós somos mistos de mandacaru e juazeiros, é só analisar.

Foi com essa imensa alegria que estirei a vista para o outro lado do rio Ipanema, para a sequência da barreira ascendente do Bairro Paulo Ferreira, cujo topo leva até o hospital regional e continua fazendo a base da serra da Remetedeira. Estava ali os fundos da construção, lá no alto a que apelidei “Palácio de Herodes”. Bati uma foto de celular, distante e em hora não recomendável, mas o que vi era inadiável, o verdume, ainda pálido, após as águas do céu. E eu tinha que prestar esta homenagem a natureza porque quando chove no Sertão, tudo fica parecido com o paraíso citado pelos cristão. Os matizes do verde, a ferroada da mutuca, o mel das abelhas, o canto variadíssimos dos pássaros, O romantismo do sereno, das orvalhadas, o canto do galo e a magia do amanhecer.

Estar lembrado do caso do maribondo, em que encontrei um deles fazendo ninho no meu banheiro e eu havia lembrado do que diziam os profetas da chuva? E eu perguntava como é que poderia chover com pouco tempo após aquele ninho dentro de uma residência. Verão sem sinal nenhum de chuva. Ora, está aí o resultado da experiência dos homens do campo: Uma trovoada muito forte chegada de repente com o anúncio da vespa braba. Ah! Vou aprender para ser profeta também.

 

 

        OS BICHOS BRUTOS Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3361   ...

 

 

 

 

OS BICHOS BRUTOS

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3361

 

Quadro da Internet exibindo história


 com animais, principalmente asnos, me faz lembrar de algumas passagens da década de 1960 ou em torno disso. No Sertão se costumava chamar de “marroque”, o pão que fica duro de um dia para outro ou mais dias. Mas o que se fazer com um pão duro, fora da validade. Não sei dizer como as pessoas em geral procediam, mas Seu Izaías Vieira Rego, que era dono de padaria, sabia bem como lidar com esse destino. O panificador, que também era fazendeiro, delegado civil e usava no seu estabelecimento, duas atividades, armarinho e padaria, surgiu com dois jumentos enormes. Jumentos altos, bem-feitos que imediatamente chamava atenção de quem passava pelo Largo da Feira ou na sua calçada onde estavam amarrados os jegues da raça “pega’.

Em um tempo em que os animais de cargas ainda predominavam nos Sertões, a dupla “Pega” deveria valer uma pequena fortuna. E via-se claramente que os jumentos vieram de longe e eram selecionados.  Pois, seu Izaías Rego, dava destino às sobras dos pães da sua padaria, os chamados marroques, para as refeições dos dois jumentos que eram servidos em balaios de cipós. Muito interessante os ruídos das mastigações nos pães duros e que só mordidas de jumentos mesmo, poderiam desencantar os “marroques” de, sabe-se lá de quantos dias!  E nós, adolescentes, que não éramos jumentos pega, preferíamos o pão doce da tardinha, saído na hora.

A maioria dos jumentos do Sertão era da raça pega, mas não selecionados como os dois adquiridos pelo Senhor Izaias. Havia também o jumento da raça “Canindé” (menor, peludo, muito escuro ou marrom. Uma força extravagante!  A proporção entre as duas raças, ficava em torno de 10 X 1. A casa dos meus pais, mesmo, era abastecida com água do Panema, em uma das fases, por um jumento Canindé do senhor vulgo, Quixaba. Mais de cem desses animais abasteciam Santana com água do rio.  Quanto ao tratamento desses animais, dependia apenas do coração de cada proprietário. Ainda   não havia Lei do maltrato aos bichos. O monumento ao jegue foi merecido e ainda hoje é um dos pontos mais visitados e fotografados pelos turistas.

JUMENTO PEGA (DIVULGAÇÃO).

  A MORTE DOS GIGANTES SEM DIREITO A FLORES Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro, de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crôn...

 

A MORTE DOS GIGANTES

SEM DIREITO A FLORES

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de fevereiro, de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3360

 



Quem viveu quase toda a segunda metade do século XX, deve ter gozado da formação e realizações dos três clubes gigantes de Santana do Ipanema, os centros das diversões e congregadores da Cultura regional sertaneja. Tempo do rádio, não televisão, não celular, não computador. Sim, o reisado, sim, o pastoril, sim, os grandes bailes, sim, as novenas, sim, os banhos no rio Ipanema, sim o grande São João, sim, os grandes Carnavais. E neste século XXI, nada contra a evolução geral da humanidade. Nada de saudosismo sem fundamento, mas um olhar prático e sensível nos anais da história e as estações obrigatórias dos defeitos. Os três gigantes, Tênis Club Santanense, Sede dos Artistas e Associação Atlética Banco do Brasil – AABB, representam também outros gigantes: DNER, DNOCS, Instituto Colégio Sagrada Família, Posto de Puericultura, Ipanema Atlético Club e Ipiranga do futebol.

O orgulho dos trabalhadores (Sede dos Artistas), os orgulhos da Elite (Tênis Club e AABB) foram se degastando ao mesmo tempo em que as novidades de divertimentos em casa, foram surgindo. Seus fundadores e abnegados defensores, foram morrendo e mais nova geração não conseguiu mais editar os antigos feitos dos gigantes A geração novíssima, já de nada sabia sobre a vida dos três clubes. Os sócios se afastaram e não havia mais motivação para continuar com despesas de clube e da diversão em casa. Primeiro faleceu a Sede dos Artistas. Os dois clubes restantes resistiram até este primeiro quarto do século XXI; então caiu a AABB, logo depois era anunciado o óbito do Tênis Club Santanense, sem alarde, sem grito, sem zoada, sem choro, sem vela, SEM FLORES.

As memórias são apenas para os antigos. Mas, o que fazer agora com os dois velhos caarões que ainda estão de pé?   Serão demolidos? Serão transformados em museus, secretarias, escolas, hospitais... Como às vezes a história é cruel com os sobreviventes. Convido a Estação Rodoviária para fazer parte desse sepultamento coletivo. E, como foi dito acima: sem choro, sem vela e SEM DIREITO A FLORES.

TÊNIS CLUB EM 2013. (FOTO: Livro 230/B. Chagas).