SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
CORPUS CHRISTI Clerisvaldo B. Chagas, 4 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3425 A expressão em la...
CORPUS
CHRISTI
Clerisvaldo B. Chagas, 4 de junho de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3425
A expressão em latim que significa Corpo de
Cristo, é uma solenidade da Igreja Católica que celebra publicamente o
sacramento do corpo e sangue de Jesus, o Cristo. A data concentra um profundo
significado espiritual e tradições para os fiéis. A celebração lembra o momento em que Jesus, na Última Ceia
(uma quinta-feira) partilhou o pão e o
vinho com seus discípulos em sua memória, instruindo-os a fazerem o mesmo. Para
os católicos, a hóstia e o vinho tornam-se o corpo e o sangue reais do Cristo e
não apenas símbolos. A data foi a instituída pelo Papa urbano IV em 1264 para
celebrar a presença real e substancial
de Jesus O Cristo na hóstia e no vinho consagrados. O objetivo é
relembrar a Última Ceia, como já foi dito.
Quanto
aos chamados dias santos da Igreja , inclusive com a denominação de Dia Santo
de Guarda, foram nos tempos mais recentes apenas chamados de feriados. Os
verdadeiros sentidos dos dias santos foram se restringindo aos frequentadores
da Igreja e a população, em geral, foi perdendo os verdadeiros sentido da
tradição cristã. Chega-se ao ponto do trabalhador se alegrar dizendo que
“amanhã é feriado, vou viajar”. Quem é o
responsável pela desvalorização do DIA SANTO? O modernismo? A proliferação de
outras religiões? O marasmo da Igreja Católica? E como nesses tempos
apressados, corridos e metalizados trazem muitas novidades num mesmo dia, fica
difícil remar no mesmo sentido de antes. Nunca foi tão verdadeira a expressão:
“Maria vai com as outras”.
O
dia de CORPUS CHRISTI acontece 60 dias após a Páscoa. A mesma devoção, o mesmo
respeito em todas as Cinco Grandes Regiões Brasileiras. Se existir o contraste alguma diferença, fica por conta
de detalhes regionalistas. E quis o calendário que a solenidade, acontece bem
próximo aos festejos de Santo Antônio, dizem que o santo de maior prestígio na
Céu. O CORPUS CRHISTI, nas procissões, não deixa de ser um ato tristonho, mesmo
carregado de muito louvor, com o contraste, dias após, da alegria explosiva do
santo casamenteiro. Mas, como o Homem hoje está triste, amanhã está alegre,
vamos anexar tudo a este mês tão aguardado na Região Nordeste brasileira.
PROCISSÃO.
NÃO É BRINCADEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 3 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3424 Ontem, 2 de Sant...
NÃO É
BRINCADEIRA
Clerisvaldo
B. Chagas, 3 de junho de 2026
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica;
3424
Ontem,
2 de Santo Antônio, São João e São Pedro, cabra véi, o tempo apertou. Um dia nublado de céu branco, uma noite
relativamente fria e um amanhecer na
base dos 20 graus centígrados. E chega tudo, até agora, dentro das
previsões dos profetas das chuvas.
Inverno antecipado, isto é, estações das chuvas, antecipadas dentro da própria
estação do outono que novamente caracteriza o mês de junho. A fogueira de São
João com aquela garoa por cima das
chamas de aroeira, o frio ainda preguiçoso juntando forças para despejar no mês
de Julho, na primeira quinzena de
agosto. Vamos aguardar os próximos passos da Natureza. A vegetação está
belíssima, a temperatura variável e muita esperança no ar.
Levantando
muito cedo para o café e a caminhada, me
deparo com essa neblina na minha rua, uma obra-de-arte natural que Deus enviou para apreciação de quem levanta cedo.
Não se pode resistir a essa pintura divina e logo o celular de boa resolução
registra a obra da natura.
Repentinamente o semiárido se cobre com finíssimo véu de noiva, fazendo
poesia e tocando fundo na sensibilidade dos diferenciados. Bem que rebanho de
pássaros de pernas compridas havia anunciado o amanhecer numa revoada de
alegria por cima dos telhados. Uma algazarra de felicidades que busca o rio Ipanema com pouca água, açudes e
barreiros da região. Ave a um novo dia que redobra esperança em viver. E quando
o Sol vier, quando dispersar o sonho,
será motivo do espaço infinito para uma segunda avaliação.
E
foi o que aconteceu quando o Sol resolveu utilizar a sua alquimia divina. Não
demorou muito e a névoa abriu alas, trazendo o
anil escondido para toda a plenitude da cor. Não era pastoril de azul e
encarnado, mas era encenação de azul e
branco. Assim, diante da expectativa do novo dia, restava entregar-se ao
cafezinho e mudar aos pensamentos para as tarefas cotidianas que nem sempre são
cotidianas, assim. E para ter a certeza de que não estava sozinho no mundo, aguardei
o som do carro do ovo, da buzina forte da moto do leiteiro. E vamos cuidar na
lida que a vida já estar ganha. Mesmo assim, ainda tenho que tolerar o miado
lúgubre de gato no telhado.
Sei
não!...
OS PEDAÇOS DA TRAVESSA Clerisvaldo B. Chagas, 1 de junho de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3423 Após cente...
OS PEDAÇOS DA TRAVESSA
Clerisvaldo B.
Chagas, 1 de junho de 2026.
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3423
Após centenas e centenas de anos, tive que
passar mais uma vez pela primeira travessa das Ruas Nova/Antônio Tavares.
Travessa encravada bem no coração do
Centro da cidade. Dali, é só caminhar cerca de cem metro e se chegará ao
Comércio de Santana do Ipanema. Apesar de ser
a primeira travessa em ordem de afastamento
do Cento Comercial, ladeirosa e ainda hoje forrada de pedras brutas, foi muito
valorizada no passado, devido a sua localização privilegiada. Sim, que as suas
residências são humildes e de quintais curtos, como apartamentos para famílias
pequenas. Iniciando na Rua Nova e descendo até a rua Antônio Tavares, Havia e
ainda há, uma bueira que soltava seu bafo fedorento para toda a travessa, Daí
apelidarmos o local como o Beco do Fedor.
Na esquina da Rua Nova, morava o guarda de
peste, Wilson Modesto e que chegou a ser presidente do Ipanema Atlético Club e torcedor Fanático do Flamengo. Na esquina, de
baixo, na Antônio Tavares, Havia a residência do senhor Zé Lopes onde
funcionava uma fabriqueta de Aguardente. Casa, no futuro, transformada em uma
das primeiras gráficas da “Rainha do Sertão”. E, no meio da travessa, uma casa
alugada que foi a minha primeira
residência após o casamento. Aqueles que foram proprietários daquelas
residências na década de 60, já partiram. E a travessa, ainda a chamávamos de
beco, nunca recebeu benefícios públicos através de todas as gestões
municipais. Quem a conheceu antes e
passa por ali agora, contempla esse trecho abandonado e um beco imundo, o mato
tomando conta e as casas esperando apenas um soco para se amontoarem em ruínas.
Esse fenômeno tornou-se costumeiro no Brasil.
Mansões e mansões valiosas antigamente, desgastaram-se de forma bruta após a
morte de titular. Os descendentes, nem vendem nem restauram e ficam
quarteirões, becos, ruas e travessas como moradias de fantasmas que até faz
medo transitar por esses lugares à noite. Estamos, então, vivendo uma época de
destruição de memórias, tanto material quanto imaterial. Acho que já chegamos a
um tempo só de presente, sem passado. Um passado em que o próprio tempo
evolutivo engoliu. Ah! Nem adianta saudosismo nem melancolia profunda que
chocam e maltratam. Penso que é só se
engajar no exército do presente e marchar. Marchar com eles,... Os
desmemoriados.
AMPULHETA.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.