SOLIDÃO Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3460   Sem   nunca encontrar algu...

SOLIDÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3460



 

Sem  nunca encontrar alguém disposto à caminhadas, saí margeando a antiga barragem  de Santana do Ipanema.  Eu tinha uma curiosidade sobre as cercas de pedras que cercavam terras nas imediações da barragem. E fui  subindo por aquela estrada de terra  marginal ao rio Ipanema. Estrada boa que parecia rumar para a serra do Poço ou para a cidade de Poço das Trincheiras. Um deserto só. Nem um pé de pessoa aparecia no trajeto. O sol batia na terra piçarrada e de vermelho claro. Quanto mais eu caminhava para o norte, mais solitária a estrada ia ficando. Nem sequer um passarinho cantava ou aparecia nas imediações. Fui encontrando uma cerca de pedra que se prolongava pela margem direita da estrada.  Quando resolvi voltar, já sentindo medo daquele silêncio e solidão onde nunca pisara antes, avistei uma residência.

Era uma casa de alpendre com galinha no terreiro, na margem esquerda da estrada e na margem esquerda do rio. Não encontrei coragem para me aproximar da residência e nem prosseguir a caminhada. Para mim estava vivendo um momento mágico que eu não queria quebrar com informações alguma. Calculei que aquela estrada deveria ter sido trilha dos primeiros habitantes da região serrana de dois ou três séculos atrás. Retornei com certa apreensão pensando em possíveis perigos naqueles esquisitos. A vegetação à direita da ida, ressecada, pelada e que se mostrava por trás da cerca de pedra. A da margem do rio, verde, devido a umidade do leito próximo. A cerca de pedra estava perfeita como ficara no original. havia partes caídas e fui fazendo comparações com cercas de pedras de outros sítios como a das Tocaias, que estavam se desmanchando.

Era uma caminhada muito mais solitária do que a velha estrada.  da esquecimento, porém, havia visto parte da história do Sertão naquele museu  a céu aberto das cercas de pedras feitas por mestres escravos. Naturalmente se pensa que os donos daquelas terras teriam sido pessoas abastadas, pioneiras na habitação do lugar. Mesmo assim, não resisti a um suspiro de alívio ao retornar a BR-316. As surpresas do mundo estão por todas as partes, tanto as boas quanto as péssimas. É bom ter com quem dividir as emoções. 

CAMINHANTE (DEAMSTIME).

 

 

 


  SERTÃO – TAMBOEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 226 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3460   Estamos nos a...

 

SERTÃO – TAMBOEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 226

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3460

 



Estamos nos aproximando do dia 15 de agosto. Tradicionalmente, limites das chuvas de outono/inverno no Sertão.   “Estamos nos últimos tamboeiros”. A palavra é feminina “tamboeira”, mas sempre foi pronunciada no masculino. São as mandiocas e macaxeiras raquíticas e emurchecidas, que não servem mais para a colheita. No caso acima, expressão alusivas também às últimas chuvas da estação. Aquelas que vão minguando dia a dia até suspenderem totalmente. Claro que é uma linguagem específica de pessoas mais antigas que trazem como surpresa a novidade da ressurreição. A palavra é apenas uma daquelas que estão fora de moda, mas ainda latente.

Este dia 12 de agosto, parece mesmo viver os últimos tamboeiros do inverno. O dia amanheceu nublado, um pouco frio e escuro, mas logo o Sol submergiu entre nuvens e o dia que se mostrava carrancudo, passou de severo a primaveril. Aquele dia que  você olha para o céu e tem vontade de caminhar pelas ruas, pela periferia, pelos campos. Tudo isso, entre a não fama boa do mês de agosto, pelos históricos e a esperança que seja apenas um mês comum e amigo de todos. Os homens podam as árvores das avenidas, enquanto os pardais se animam na fiação das ruas. E mesmo em plena luz diurna, galos cantam pelos quintais da beira do rio. Com a diminuição gradativa das chuvas, a frieza mais rigorosa, procura outros rumos e nós encostamos os casacos.

A Noite não chega de repente como em outras regiões brasileiras.  Mesmo sendo na estação das águas, a tardinha vai chegando lentamente como como quem vai vestir o pijama para dormir. E a noite chega de céu limpo ou com a gaze esbranquiçada com o veto rigoroso a qualquer tipo de estrela. E quando o sertanejo passa a vista pelo céu de fim de inverno, sabe que a madrugada ainda não está de brincadeira porque segue o ditado conhecido “o rabinho é duro”. É assim nesse cenário em que visitarei no próximo domingo, a zona rural margeada pela AL-120. Por coincidência, mais uma espiada no ponto turístico do sítio Barriguda na Pedra do Sapo, não muito distante do Ponto Extremo Sul do município de Santana do Ipanema.

ANOITECER (LEVI SECÚLIO).

 

 

  JURITI Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3459   Não, não é o falecido sap...

 

JURITI

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3459



 

Não, não é o falecido sapateiro de Santana do Ipanema chamado Juriti. Também não é o cabra de Lampião de apelido Juriti. É a ave Leptotila varreauxi) semelhante à rolinha que vive nas matas, bordas de matas, capoeiras e vegetação mais abertas. Mede em torno de 29 centímetros, foi bastante caçada pelo sabor, que segundo caçadores, é bem mais gostosa do que a própria rolinha. Dizem que o seu canto tem o onomatopaico de pupu... Daí, em determinadas regiões brasileiras serem chamadas de Juriti Pupu. De vez em quando, meu pai saía com seus primos para uma caçada de Juriti, porém, não me lembro de ter visto uma  de verdade, nem em minhas andanças pela caatinga, nem morta nem viva nos bornais alheios. Falam que a ave passa muito tempo no chão, catando  sementes. ,

Era um tempo de lazer ou necessidade. Entretanto a lei rigorosa da atualidade, desestimula qualquer tentativa de voltar ao passado da espingarda.  Os que apreciavam as caçadas afirmavam que a melhor de todas é o tatu, opinião, unânime em todas as regiões brasileiras. Mas, em se tratando de aves selvagens, a juriti sempre era apontada como a melhor. Porém, o medo medonho das autoridades, não é o suficiente  para se evitar a caçada clandestina, escondida a sete chaves. As próprias feira livres do Nordeste tentam burlar a vigilância e que de vez em quando motivam manchetes de fragrantes policiais. Nesse caso, a família das pombas, ficam mais quietas e o destaque vem para as denominadas aves canoras que custam fortunas: o canário, o coleira, o galo, o sabiá, o curió...  E assim por  diante.  

Todavia, se o tema é juriti, temos a foto em livro do sapateiro Juriti, que foi bastante conhecido em Santana do Ipanema, pouco antes do seu falecimento. Ficou imortalizado no livro documentário SANTANA:  REINO DO COURO E DA SOLA. Quanto ao cangaceiro Juriti, o belo e cruel do bando de Lampião, foi capturado após o cangaço e jogado ao fogo. E por falar nisso, logo, logo, estaremos lançando pela segunda vez, o livro acima e, desta feita no bairro centro dos acontecimentos Maniçoba/Bebedouro. Parte dos livros será gratuita, parte será vendida. Parcela importantíssima da história de Santana do Ipanema que nunca foi contada em livros.

Entre em contato com autor, pelo ZAP e o terá em suas mãos.

É o meu Sertão velho de guerra!!!

JURITI.