A RAINHA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3458   Naquela sexta-feira mui...

 

A RAINHA

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3458

 



Naquela sexta-feira muito escura, as caieiras das olarias queimavam tijolos  na margem direita do Ipanema. A artesã Júlia Rainha desceu pela trilha da margem até à Pedra do Sapo levando as panelas de barro para à queima, eu sua própria caieira. A noite sem lua não tinha romantismo, mas o fogo muito ativo dos fornos noturnos, chamuscava uma melancolia inexplicável nas trevas do rio. Os perigos vagantes do escuro esbarravam na proteção do irmão Gustavo que fazia questão da sua presença nas queimadas da artífice.  Ipanema, silencioso e  aceso, fazia a diferença na Economia ribeirinha e no saudosismo que pairava nas caieiras. As línguas de   fogo da margem quieta forjavam a  tão bela Rainha que ainda aguardava o seu rei.

O texto acima se refere à protagonista do romance recém-lançado, AREIA GROSA. Uma página corriqueira do Panema santanense do século XX. É o alvorecer de um idílio que precisa do tempero da noite, das brumas da madrugada e das multicores vivificantes de novos arrebóis.   crítico laborioso e apaixonado me fez voltar a abrir as páginas do romance do Ipanema, com novo olhar. O olhar de uma paixão profunda e fictícia que impregnou o meu mundo real e se recusa a se esvair. E quando o amor é moldado na quimera e no real, forma uma liga de natureza invisível de reações misteriosas. Ler AREIA GROSSA é nascer de novo, é viver a adolescência duas vezes, é perder o fôlego num mergulho grande se for santanense.

Mas o certo é que estamos no Dia dos Pais. Recebemos convite para estamos em um sítio rural no próximo dia 16, um domingo  de pesquisas e palestras com descendente direto do fundador da nossa cidade, em 1787. É pulando do AREIA GROSA e caindo no areia fina em esmiunçar a história. Porém, mesmo sem história já é muito reconfortante deixar o confinamento urbano e rever cheio de júbilo a zona rural, pela força agradável do sítio São Bartolomeu. Ali tem muitos segredos guardados e não compartilhados com as páginas  históricas. Vamos tentar oxigenar essas botijas e trazer a candeeiro se o tempo da colheita estiver correto.

AREIA GROSSA NAS MÃOS DO POVO (MALTA).

 

 

                                                        A MORTE DA SERENATA Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026 Escritor Símbolo ...

                                                       A MORTE DA SERENATA

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 



A serenata é o ato de cantar melodias à noite, ao ar livre e sob janelas com objetivos românticos. A seresta é uma forma de música em grupo de amigos, cantada em qualquer lugar e a qualquer hora. Já tivemos antes, em Santana do Ipanema, o “Bar Seresta” localizado na segunda parte de chamada Rua Nova. O proprietário, músico filho do Bairro São Pedro, não teve muito êxito com a boemia da cidade. Era tempo que se ouvir serenatas, era a coisa mais importante do mundo. As pessoas, dormindo, acordavam altas horas com um violão bem afinado, voz  melodiosa e músicas extremamente românticas. Muito melhor do que um sonho. Geralmente era conduzida por um pequeno número de pessoas que evitavam qualquer outro barulho.

É certo que aqueles que faziam serenatas, eram grupos de rapazes ou adultos que amavam músicas e gostavam de beber. Todavia, na hora do ato eram muito cuidadosos com o silêncio. Não descartamos, porém, que uma vez ou outra pode ter havido algum bate boca entre os membros de algum grupo. Mas, por isso ou por aquilo, chegou um novo delegado de polícia na cidade e resolveu proibir a tradição. Ninguém soube informar se foi alguma  denúncia ou a própria arrogância policial. O certo é que correu de boca em boca a decisão da autoridade. Assim, esses encantos melodiosos .  escuras ou enluaradas de Santana do Ipanema.  Dos inúmeros

Não queremos citar nomes dos inúmeros cantores da cidade que  marcaram épocas pelas noitadas sadias de Santana. As melodias eram baseadas na páginas musicais dos grandes cantores nacionais como Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Núbia Lafayete, Agnaldo Rayol, Moacir Franco e outras feras da música  e brasileira. Quando o delegado de fora assassinou em Santana do Ipanema, a tradição da serenata, fez calar a alma santanense diante da arrogância dos frustrados e desalmados contraproducentes da Cultura. Restaram apenas os seresteiros,  raros, inseguros e desconfiados, montados nos acordes.

SERENATA (ADOBE STOCK).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A MORTE DA SERENATA

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 

A serenata é o ato de cantar melodias à noite, ao ar livre e sob janelas com objetivos românticos. A seresta é uma forma de música em grupo de amigos, cantada em qualquer lugar e a qualquer hora. Já tivemos antes, em Santana do Ipanema, o “Bar Seresta” localizado na segunda parte de chamada Rua Nova. O proprietário, músico filho do Bairro São Pedro, não teve muito êxito com a boemia da cidade. Era tempo que se ouvir serenatas, era a coisa mais importante do mundo. As pessoas, dormindo, acordavam altas horas com um violão bem afinado, voz  melodiosa e músicas extremamente românticas. Muito melhor do que um sonho. Geralmente era conduzida por um pequeno número de pessoas que evitavam qualquer outro barulho.

É certo que aqueles que faziam serenatas, eram grupos de rapazes ou adultos que amavam músicas e gostavam de beber. Todavia, na hora do ato eram muito cuidadosos com o silêncio. Não descartamos, porém, que uma vez ou outra pode ter havido algum bate boca entre os membros de algum grupo. Mas, por isso ou por aquilo, chegou um novo delegado de polícia na cidade e resolveu proibir a tradição. Ninguém soube informar se foi alguma  denúncia ou a própria arrogância policial. O certo é que correu de boca em boca a decisão da autoridade. Assim, esses encantos melodiosos .  escuras ou enluaradas de Santana do Ipanema.  Dos inúmeros

Não queremos citar nomes dos inúmeros cantores da cidade que  marcaram épocas pelas noitadas sadias de Santana. As melodias eram baseadas na páginas musicais dos grandes cantores nacionais como Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Núbia Lafayete, Agnaldo Rayol, Moacir Franco e outras feras da música  e brasileira. Quando o delegado de fora assassinou em Santana do Ipanema, a tradição da serenata, fez calar a alma santanense diante da arrogância dos frustrados e desalmados contraproducentes da Cultura. Restaram apenas os seresteiros,  raros, inseguros e desconfiados, montados nos acordes.

SERENATA (ADOBE STOCK).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  O JUIZ E O MARMELEIRO Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica : 3456   O Dr. João...

 

O JUIZ E O MARMELEIRO

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 



O Dr. João Yoyô, comerciante com loja de tecidos, em  Santana do Ipanema, chegou a ser juiz já em idade avançada. Era homem de bem, foi um dos fundadores da Escola Cenecista Ginásio Santana, tinha a fala mansa, era muito alto e corrigia aos que se dirigiam a ele, sem o “Doutor” à frente. Foi também diretor do Ginásio e atuou como advogado. Era casado com a professora Leopoldina e gostava de   pedir cigarro, motivo de algumas brincadeiras. Família originária do antigo Capim (Olivença, depois), Certa feita, como advogado defendia um réu que matara sua vítima com uma pisa. O debate forense ainda era no chamado “sobrado do meio da rua”. Primeiro andar,  escadaria de madeira e pouco espaço para os espectadores.

 O marmeleiro da caatinga é um arbusto que dizem que pode atingir até 4 metros de altura. Só o conheci até, no máximo 3.  Seus galhos são muito usados como cipós para tanger animais, fazer vara de pesca e uma série de coisas simples no Sertão. Dizem que melhora as pastagens, bovinos e caprinos comem suas folhas e fornece bom material para as abelhas. (Croton sonderianus e Croton blanchtianus) proliferam com ótima desenvoltura no semiárido. Pois bem, na sua vez de falar, o doutor João Yoyô, lá para as tantas, dissera que o réu não matara a vítima de uma pisa. Dera  apenas algumas poucas cipoadas com cipó de catingueira, também planta nativa do Sertão. Estávamos de pé, imprensado pelo povo assistindo o embate.

Estava  ao meu lado, o contínuo do Banco do Brasil, João Farias que ao ouvir o advogado dizer que o réu usara para bater na vítima apenas um “simples cipozinho de catingueira”, falou para os vizinho com ironia: “Já viu catingueira com cipó, seu fio da peste! Todos nós rimos. Carreguei por muito tempo essa dúvida. O doutor João era homem de origem rural, mas, talvez movido pela emoção foi buscar um cipó na árvore que não produz cipó. Só depois cheguei a conclusão de  que o doutor trocou o nome catingueira por marmeleiro. Um lapso grande para quem entendia de caatinga, porém, não temos lembrança do veredito. Entretanto,  a distância da morte de um homem fora medida entre um cipó de marmeleiro e um robusto galho de catingueira.