FOTO HISTÓRICA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3398   Vemos na foto abai...

 

FOTO HISTÓRICA

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3398

 



Vemos na foto abaixo, uma cena de chia do rio Ipanema em 1960, considerada por mim como a segunda maior de Santana do Ipanema. Dizem os antigos que a maior cheia do rio Ipanema  foi a de 1941 e ficou sendo conhecida e imortalizada com a Cheia de 41. Outro cidadão com quase 90 anos, falava que os pais diziam de uma cheia igual e na mesma época da cheia de 41, no século XIX. A cheia de 41, a maior do século XX, passou tranquilamente pelo seu leito que não estava obstruído. A cheia recente de Santana do Ipanema que deixou muitos desabrigados, foi a tolerância de seguidas administrações que deixaram que construíssem oficina debaixo da ponte do rio e várias ruas dentro do leito, além de construções no leito do riacho Camoxinga. Não tendo por onde passar a água, invadiu suas margens. Foi a primeira cheia que se tem notícia de invasão.

A foto abaixo representa a segunda maior cheia do século XX, em 1960. Fui testemunha. A foto mostra as águas chegando no final da Avenida Barão do rio Branco, no Largo do Juá onde atuavam os canoeiros. A casa invadida pelas águas, era a residência e bodega do cidadão conhecido como Lulinha, baixinho que trabalhava no Ginásio Santana domo zelador. As águas começam a subir o calçamento na Avenida. Acima se vê o armazém construído na metade do século XIX, para o negócio de couros e peles, do senhor Firmino Falcão Filho que chegou a ser prefeito/interventor de Santana. Nesta cheia, o Ipanema não passou por cima da Ponte Padre Bulhões, mas chegou a lavar a parte inferior do vão. Ainda na foto, vemos ao fundo, o serrote do Gonçalinho.

Semelhante à maior cheia, a de 41, esta, a segunda e de 1960, também repetiu o desfile de objetos grandes e pequenos  descendo sobre as águas, como animais mortos: bois, porcos, e cavalos para se falar em apenas os maiores. Desceu muitas árvores de porte arrancadas pela cepa. Mas também chamavam muito atenção os vasos enormes de guardar cereais feitos de zinco. Como as máquinas da época registravam suas foto em preto e branco, está aí o colorido das coisas apenas na imaginação dos que apreciam fotos antigas

Ufa!

FOTO DO LIVRO: “SANTANA, REINO DO COURO E DA SOLA” (DOMÍNIO PÚBLICO).

  OS BARREIROS Clerisvaldo B. Chagas, 9 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3397 Os barreiros são a forma ma...

 

OS BARREIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3397



Os barreiros são a forma mais primitiva de armazenar água no Sertão nordestino. Consiste em um buraco largo, profundo e, geralmente arredondado. O barreiro pode também possuir outra forma, retangular, quadrado... Porém, o modelo padrão é o arredondado. Eram escavados com ferramentas simples e removido o barro, com carroças de mão, jumentos ou carro de boi. Ultimamente tudo é realizado a trator. Os barreiros representam a primeira opção de armazenagem d’água nas propriedades rurais, para o consumo doméstico. O seu tamanho e a profundidade, variam conforme vários fatores, mas em geral ficam em torno de 20 metros de diâmetro. É aproveitado um declive do terreno sujeito às enxurradas a que os agricultores chamam “bacia”.

De vez em quando é preciso fazer uma limpeza no barreiro para que, principalmente, não fique assoreado, perdendo espaço na sua armazenagem. Quase sempre isso se faz nas proximidades do  inverno, notadamente, quando o barreiro está seco. As águas das chuvas ali acumuladas, abastecem a casa do proprietário, nas tarefas domésticas e na própria bebida dos humanos e da criação. A limpeza, atualmente é feita através de trator particular que cobra por hora trabalhada. É também realizado pelas máquinas de prefeituras  naquela troca de favores que o leitor conhece bem. Dificilmente sabemos de alguma cooperativa agrícola que faça esse serviço para seus cooperados. Falta de união para o fim da dependência política.

O barreiro doméstico que vem desde os primórdios, talvez tenha inspirado a construção de reservatórios muito maiores que só os grandes proprietários podem ou ações do governo. São os Açudes ou barragens, represas, o mesmo objetivos com denominações diferentes. A limpeza dos barreiros do Sertão, representam não  tão somente o ato físico de armazenar água, mas também um misticismo inexplicável com fé, esperança e uma extrema alegria abafada que não pula,  não aparece, mas que existe numa cumplicidade invisível com os céus. É a terra respirando e recebendo por antecipação as bênçãos das chuvas  que querem beijar a terra de volta.

Sertão e seus mistérios.

BARREIRO (

  O CAFÉ NO BRASIL Clerisvaldo B. Chagas, 8 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3396   Sua introdução no...

 

O CAFÉ NO BRASIL

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3396

 



Sua introdução no Brasil, data, aproximadamente de 1727. Oriundo da Guiana Francesa, suas primeiras sementes foram distribuídas entre lavradores do Belém do Pará, onde a rubiácea não se adaptou ao clima e ao solo.

Em 1770, vindas do Pará, foram plantadas algumas mudas próximo ao Rio de Janeiro.

Entretanto, o café só iria realmente se expandir nas terras fluminenses em meados do século XIX. Seu aparecimento de forma mais acentuada, se deu no Estado do Rio de Janeiro, para posteriormente atingir São Paulo, onde, tendo se firmado em Campinas, irradiou-se para oeste e atingiu a área da Mogiana em 1866.

Em 1911, essa cultura chegou ao norte do Paraná, onde sua influência teve início em 1940. Logo esse estado atingiu  a quantia (Sic) de 1 bilhão e 300 milhões de pés de café, sendo atualmente um dos principais produtores brasileiros.

A história do café no Brasil, tem como principal característica a instabilidade da sua produção,  decorrente ora dos problemas de ordem climático, ora da política de preços mínimos, e ou ainda das oscilações e restrições do mercado exterior.

O  café, neste seu desenrolar histórico pela economia brasileira, conheceu dois períodos de superprodutividade: em 1929-1940, com a plantação a curto prazo de 900 milhões de pés, e em 1950 com a plantação de 1 bilhão e 300 milhões de pés, a maior parte no Paraná.

No primeiro caso ocorreu a queima de 108 milhões de sacas. O segundo solucionado excesso foi solucionado com a retirada de 65 milhões de sacas do mercado, pagas com confisco sobre as taxas de câmbio. Essa medida foi facilitada a partir de 1962 com Acordo Internacional do Café.

... Além do  Brasil, outros grandes produtores mundiais do produto são: a  Colômbia  e a  Costa do Marfim, na África.

Extraído do livro: LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral. Saraiva, São Paulo, 1962. Pag.147.

CAFÉ  (GETTY).