MACACO É BICHO DIVERTIDO Clerisvaldo B. Chagas, 19 de março de 2026, Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3382   É, desd...

 

MACACO É BICHO DIVERTIDO

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de março de 2026,

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3382

 



É, desde os tempos de criança que somos testemunhas das peripécias dos macacos na feiras dos sábados. É bem verdade que os bichos recebiam treinamento dos donos para aquelas acrobacias contadas, para a capacidade em reconhecer valores de notas de cruzeiros, executar o tanto de pulos em agradecimento ao valor da nota paga, fazer careta e safadeza quando provocado, mas o macaco já traz a sua própria inteligência natural que espanta os humanos. São bichos altamente esperto, sabidos e alvos constantes de piadas de macacos.  Em Santana do Ipanema, o cidadão José Maximiliano, apreciava poesias, repentes e coisas parecidas e gostava de recitar uma estrofe de repentista que falava de ações coletivas de símios.

Nem lembro da belíssima estrofe, nem do autor que ainda me parece ter sido do cantador lendário Joaquim Vitorino. Mas do teor, sim: Dizia o autor que quando um bando de macacos invade uma roça de milho, deixa um dos macacos de vigia. Enquanto o bando quebra as espigas e fazem os atilhos, o vigia deve ficar atento a qualquer movimento humano. Caso veja alguma coisa, avisa imediatamente ao bando. Mas se o bando for surpreendido por humanos, o vigia será punido com uma surra.  Isso quer dizer, então que esse animais em muitos aspectos são organizados com as próprias regras da coletividade. A mordida de um macaco pode ser tão perigosa quanto a mordida de um cachorro.  Não importa o tipo de macaco, todos são inteligentes e atentos.

Mas, os maltratos aos animais podem estressá-los e surgir tragédias. É assim com qualquer um bicho, cobra, cachorro, gato, cavalo, macaco ou outro qualquer. Tanto que, algumas décadas atrás ouvimos sobre um macaco que fazia acrobacias na feira, acorrentado ao pescoço que terminou matando o próprio dono à facada depois de ter recebido violentos castigos.  Mas, voltando à inteligência animal, já me impressionei bastante com cenas de macacos quebrando coquinhos com uma pedra sobre pedra maior, da mesma maneira que nós, humanos, procedemos no Sertão, quebrando coco Ouricuri, até o presente momento. Com inteligência ou com instinto, devemos respeitar os animais. Certo ou errado? 

POSE PARA FOTO (DIVULGAÇÃO).

  RIO IPANEMA Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3381   O maior rio de Alagoa...

 

RIO IPANEMA

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3381

 



O maior rio de Alagoas, tem cerca de 220 km de extensão, nasce na serra do Ororubá no município de Pesqueira, PE e tem a sua foz no povoado Barra do Ipanema, município de Belo Monte no rio São Francisco.  Em Alagoas o rio banha três cidades e vários povoados. Os municípios são Poço das Trincheiras, Santana do Ipanema e Batalha, pela ordem. O rio Ipanema, penetra em Alagoas, pelo povoado Tapera em Poço das Trincheiras, onde recebe de imediato o afluente Tapera, vindo também das bandas de Pernambuco. Daí em diante, além das três cidades acima, banha pela ordem os povoados: Tapera, Quandu, Fazenda Nova, Funil, Timbaúba, Dionel, Poço do Marco, Telha e Barra do Ipanema. Vale salientar que o rio Ipanema é temporário.

Em Santana, o rio Ipanema coleta as águas dos riachos Salobinho, Salgadinho e Camoxinga, sendo este o mais forte dos três. Entretanto, além deste três riachos que despejam na cidade, a jusante da urbe iremos encontrar a foz do riacho do Bode e do riacho Gravatá que também é forte. Entretanto, o afluente mais pujante do rio Ipanema, é o rio Dois Riachos no município de igual nome. Em Santana, as três pontes: da Barragem, Padre Bulhões e General Batista Tubino são os melhores mirantes para apreciação das cheias do rio. São duas pontes sobre o leito do rio Ipanema e uma sobre a foz do riacho Camoxinga. As águas do rio Ipanema já lavaram os lastros de duas delas, por causa de obstáculo no seu leito como oficina debaixo de ponte e verdadeira rua invadindo o seu leito.

Agora que a população sertaneja possui água encanada do rio São Francisco, foi adotada a “cultura do esquecimento” da Geografia, da História, da sociologia de todos os rios do Sertão em tempo de estiagem como o Ipanema, o Traipu, o Capiá, o Riacho Grande. Não se vê estudos sobre os rios sertanejos, não se vê debate, não se vê interesse mínimo. Os caudais somente são lembrados durante as grandes cheias, apenas como inimigos perigosos. É uma evolução devoradora de cultura, que se inicia pela inércia de professores. Vamos esperar que eles ressurjam com bastante água para vê se chama atenção dos fazedores de vídeos terrorista para os ausentes.

É a chamada corda bamba em ação plena.

RIO IPANEMA (FOTO B.CHAGAS).

 

  TAPUIO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3380   Dou um doce se você disse os...

 

TAPUIO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3380

 



Dou um doce se você disse os nomes de todos os povoados do Brasil. Desculpe, amigo e amiga, usar a expressão que minha pronunciava vez em quando: “Dou um doce se...”  Todavia, sabendo que nem você nem eu temos interesse profundo nisso, mesmo assim vamos sendo surpreendido com povoados que a gente não conhece e fica na curiosidade.  Hoje poderemos falar sobre um povoado chamado TAPUIO, poderíamos até citar outro de nome QUANDU. Ambos são povoados do município de Poço das Trincheiras, Médio Sertão Alagoano. O “Quandu” parece uma cidade, localizada às margens do rio Ipanema. O “Tapuio”, tem acesso por estrada vicinal da BR-316. “Guandu” ou andu é um tipo de feijão, porém Quandu é sinônimo de Porco-espinho, oiriço-caixeiro.

Pois bem, o povoado Tapuio é pequeno, simpático, limpo e ensolarado a cerca de 3 ou 4 quilômetros da BR-316. Tapuio ou tapuia era a expressão em que os Tupis denominavam aos estrangeiros, gente de outras tribos, gente do interior. Interessante é que já li em algum lugar um autor se referindo, a um tipo matuto, atrasado e sem futuro como tapuio. “naquele momento surgiu um tapuio...”. Mas não queremos aprofundar o termo, apenas fazer referência a ele, porque não é em todos os lugares que existe um povoado com o nome atípico de Tapuio, assim como a denominação Quandu, que o tempo se encarrega de fazer esquecer o significado e os próprios moradores muitas vezes ignoram o topônimo. Falar nisso lembrei-me que tenho um livro para fazer entrega no Tapuio.

Os povoados sertanejos são excelentes para pessoas de cidades grandes que pretendem descansar.  Bem-estar que se inicia com o canto do galo pelos arredores, o curral do leite, pertinho, a calma, o ar puro que invade as ruas, o carro de boi, o carneiro, uma pinga na bodega, passeio a cavalo, culinária simples e saborosa, canto de pássaros e incrível por de sol. As noites são frescas, agradáveis, excelente para dormir. Existem outros povoados de nomes estranhos, em Alagoas em que poderemos falar sobre eles em outro ocasião. O perigo é um só: apaixonar-se pelo lugar e não retornar mais à cidade de origem.

POVOADO TAPUIO (IMAGEM DIVULGAÇÃO)