EL NIÑO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2026 Escrito Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3434   Começou oficialmente o inv...

 

EL NIÑO

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2026

Escrito Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3434

 



Começou oficialmente o inverno em nosso hemisfério, dia 21 (domingo).  E o inverno do povo alagoano que tem início em maio, vem naquele ritmo de caminhada constante  e não ligeira. Nenhuma mudança ainda notada  na metodologia do tempo. Sol e chuvas finas, mansas e curtas se intercalando e a friezinha que aperta no mês de Julho. O ritmo do tempo é semelhante ao do ano passado. intercalado e rico para plantas e animais. O mundo sertanejo está verde que só asa de papagaio, embora o preço do milho ainda esteja na casa do absurdo. Mas que dá gosto, dá, ao se vê os montes de milho verde, cheirando  no chão da feiras ou por cima dos gradeados das bancas de madeira. E vem milho de lugares comuns, chegam ,bolosmilho da irrigação.

As guloseimas típicas do meio do ano, já assanham o apetite dos feirantes nas feiras camponesas e nas feires livres semanais. Não temos centrais de abastecimento, os caminhões lotados de mercadorias vão chegando pelas cabeças das feiras onde os costumeiros feirantes negociam para revender. A economia do milho no Nordeste é uma coisa fantástica  onde milhões e milhões de reais percorrem rapidamente  campos, cidades, capitais. E se El Niño vai fazer estragos nos sertões, pelo menos até agora deve ter passado ao largo. E o tempo intercalado vai permitindo se andar pelas farturas das roças e pela esperança, mesmo remota, de que o Brasil faça alguma coisa, porque o tempo bom tem que ser bom em tudo. São João com canjicas, pamonha, bolos, bebidas e gols.

Entretanto, ficamos na dúvida da nossa produção de milho e de feijão. Nem sabemos ainda sobre a nossa maior obra hídrica porque o pouco que se divulga é de forma esporádico e não sabemos como está de fato funcionando o Canal do Sertão. Tanto é, que quando se dizia por aqui que os amontoados de milho que chegavam eram da irrigação, mas da irrigação que se entendia ser do estado de Sergipe, irrigação de Canindé. E quando se fala agora que o milho vem da irrigação, deixa-se a dúvida no meio. Irrigação de onde? De Pernambuco (Petrolina), do Canindé ou de Alagoas, do Canal do Sertão? Deixe isso para lá...

O que importa é milho assado e forró até uma horas...

  AS DUAS PORTAS Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3433   Ambas as coisa me...

 

AS DUAS PORTAS

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3433

 



Ambas as coisa me chamavam atenção e eu não cansava de apreciar quando passava pelas duas farmácias. O busto do negro forte envergando uma barra de ferro, propagando do Fhimatosan ou do Biotônico Fontoura – nisso não tenho certeza – no centro   da farmácia do Seu Carola (^) no  antigo prédio do “meio da rua”. Outra, era a figura da porta larga e da porta estreita acima do balcão da primeira prateleira, exposta para os clientes, na Farmácia “Vera Cruz”, do senhor Alberto Nepomuceno Agra. Estava escrito: “Entrai pela porta estreita, pois a porta larga é a porta da perdição”. E como acabo de ler trecho aleatório do “Evangelho segundo o Espiritismo”, não pude deixar de lembrar esse período de adolescência. Confirmo no Evangelho o que estava escrito na farmácia Vera Cruz:

Larga é a porta de perdição, porque são numerosas as paixões más e porque o maior número envereda pelo caminho do mal. É estreita a da salvação, porque  é obrigado o homem que a queira a transpor, para vencer suas más tendências, coisa a que pouco se resignam. É o complemento da máxima: “ Muitos são chamados os chamados e poucos os escolhidos.

Tal o estado da humanidade terrena, a, porque, sendo a Terra mundo de expiação, nela predomina o mal. Quando se achar transformada, a estrada do bem será mais frequentada. Aquelas palavras, devem, pois, entender-se em sentido relativo e não em sentido absoluto. Se houvesse que ser este o estado normal da humanidade, teria Deus condenado à perdição a imensa maioria das criaturas, suposição inadmissível, desde que se reconheça que Deus é todo justiça e bondade.

Mas, de que delito esta humanidade se houvera feito culpada para merecer tão triste sorte, no presente e no futuro, se toda ela se achasse degredada na Terra e se a alma não tivesse tido outras existências? Por que tantos entraves postos diante  dos seus passos? Por que essa porta tão estreita que só a muito poucos é dada transpor, se a sorte da alma é determinada para sempre, logo após a morte? Assim é que, com a unicidade da existência o homem está sempre em contradição consigo mesmo e com a justiça de Deus. Com a anterioridade da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se alarga, faz-se lua sobre os pontos mais obscuros da fé; o presente e o futuro tornam-se solidários com o passado e só então se pode  compreender toda a profundeza, toda a verdade e toda a sabedoria das máximas do Cristo.

Págs. 290-291.

  O SEGREDO DO MUSEU Clerisvaldo B. Chagas, 17 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3432   O mês miou mai...


 

O SEGREDO DO MUSEU

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3432


 

O mês miou mais do que o gato em busca de comida. E se não miou, dentro da própria expressão, mas meou, chegou ao meio, chegou e passou do dia quinze. Mas o povo simples e analfabeto do sertão, não liga muito para o palavreado certo ou errado. Quer apenas, que você entenda. E se diz que “o mês miou”,  não interessa  se é miado de gato ou de onça, É a afirmação de que o mês em curso logo, logo estará chegando ao fim. E vamos nos acostumando com a tradição que o frio de junho vai apertando no “miar” do mês até entregar a máquina da frieza que  é o mês de julho. E é assim entre  a umidade, o sol escondido e a esperança, que surge, muito particularmente, o mistério do museu. Sim o mistério do museu.

Mas será mesmo que existe mistério em Museu? Para isso, nada melhor de que uma conversa profunda e formal sobre os anais da história. E foi assim que surgiu a surpresa, a narrativa, a dúvida e o preparo para uma pesquisa intensa em um dos museus do sertão alagoano. Geralmente, museus no interior são baseados em prédios antigos e grandes em que a própria estrutura entra como uma das suas peças principais, porque carregam muitas e muitas histórias, de construção, de moradores ilustres, de objetos encontrados fora da catalogação e que se abrem para os olhos experimentados de pesquisadores. Assim surgiu a necessidade de uma varredura, localizada em certo museu do Sertão que aguarda olhos de  antropólogos para finalizar o mistério.

Mas, entre os interrogações do museu que ainda iremos investigar estivemos ontem (quinta) concedendo entrevista ao senhor Paulo Poeta da “TV Assembleia”. Vídeo conferência dos estúdios para a Casa da Cultura, em Santana do Ipanema. Uma entrevista, alegre, esclarecedora, em que o entrevistador deixava o entrevistado completamente à vontade. Aliás, um tática infalível do entrevistador  arrancar muito mais do que ele precisa. No caso também foi abordado o romance AREIA GROSSA que estará chegando por aqui na próxima semana, quando será agendada o dia do seu lançamento na  Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima e que fica às margens do rio Ipanema.

E vamos cuidar, amiga e amigo que o São João já estar aguardando na esquina.

MUSEU, AO FUNDO (FOTO: B. CHAGAS).