SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
A FEIRA DO RATO Clerisvaldo B. Chagas, 12 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3413 O tipo de fe...
A
FEIRA DO RATO
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de maio de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3413
O tipo de feira à parte ou feira nicho,
formou-se dentro de uma necessidade dentro de uma grande necessidade, isto é, uma feira dentro da feira. Não
conseguindo banca de madeira, lona para cobertura, pagar o chão e mais outras
coisas, a pobreza da pobreza, quis também ganhar algum dinheiro vendendo e
comprando e com trocas em dinheiro. Assim teve início esta feirinha de objetos
usados e de pequeno valor, nos arredores das grandes feiras. Uma forma de alcance para quem somente pode
alcançar pouco. A princípio, dois ou três comerciantes, depois, feira de pobre
mais ampliada. Acontece que os desonestos enxergaram nesse tipo de espaço, uma
oportunidade para vendas dos seus objetos roubados.
No
início, “feira da troca”, “feira do troca-troca” ,”feira do rolo” (que faz todo
negócio) e depois, “feira do rato”. Nesse caso, a feira da feira já estar
contaminada pelas vendas produtos de roubo. E o que era motivo de esperança,
ainda que fosse pequena, passou a ser motivo de visitas constantes da polícia. Mas
fora os produtos de roubo, para que procura uma oportunidade, para quem procura
um objeto humilde: um rádio para os que não têm dinheiro e nem voz. uma enxada, uma câmara de ar, uma bicicleta,
um candeeiro, uma garrafa térmica... E assim por diante, deve ser bom. Vez em quando chega um desavisado para vender
passarinho, mas é derrotado pelas batidas das autoridades. Nunca indagamos a
nenhum dos feirantes se valia a pena a soma do dia, mas, a repetição na
presença na feira, já responde a possível pergunta.
E
assim vamos enxergando na feira do rato, na feira do rolo, na feira do
troca-troca, na feira do passarinho, não à feira dos ladrões, mas a feira da pobreza,
da necessidade, da sobrevivência. Quando esses tipos de feiras forem enxergadas
pela sociedade e pelos que zelam pelo cumprimentos das leis, de uma maneira
humana, certamente trará um grande alívio para os que menos possuem.
OUTRO AMANHECER Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3412 O dia recusou a am...
OUTRO
AMANHECER
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3412
O
dia recusou a amanhecer na hora costumeira
de cinco e quinze. Resolveu dormir mais um pouquinho e foi aparecer apenas as
cinco e meia. Quinze minutos a mais, porém , deve ter havido alguma diferença
na Natureza e que muitas vezes a gente nem percebe. O dia, após as chuvas da noite, tinha afastado meio mundo de
nuvens, mas ainda úmido e apenas dando um toque na frieza, avisando que logo
estaria apertando o cerco. Não havia
nenhum pássaro na rua, contudo, o canto robusto da rolinha branca vinha de dentro
das folhagens do Pau-brasil ou da Acácia
que ornava a via. Não era o canto saudoso do verão, era no mesmo tom, mas com a
robustez da alegria. Pomba da paz do Divino Espírito Santo.
Estamos
caminhando para o mês de junho, quando de fato se inicia o inverno no dia vinte
e um. Entretanto, estamos em plena estações das águas, que para nós é de outono/inverno.
E as chuvas, até agora, como no ano passado, mansas e intercaladas com o sol,
excelente para a lavoura. E, logo-logo, estaremos em mais uma edição de fartura
junina, com milho assado, pamonha, canjica, ao som de bombas e foguetórios que
animam o mês de São João, São Pedro e Santo Antônio. E depois de passar um dia
e pedaço da noite vendendo livro de MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, volto,
novamente ao book, procurando inspiração.
Sou
interrompido pelo carro do ovo, na rua, com a voz rouquenha da propaganda. E,
novamente, mais tarde, pela buzina de caminhão da moto do leiteiro. Assim o dia
vai se complementando fugindo do silêncio profundo do amanhecer. É muita gente
querendo informações sobre MARIA BONITA, mas, entre uma coisa e outra, vou
tentando vestir a crônica sob chamadas
de mensagens dos correios modernos. Vou atendendo gente da Paraíba, Goiás, Rio
Grande do Norte e Bahia. Ah, meu amigo,
minha amiga,, vamos aliviar os neurônios, num breve passeio até o portão da rua
e olhar o céu.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.