ICÓ E ROMANCE Clerisvaldo B. Chagas, 3 de outubro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3497      Quando da crôn...

 

ICÓ E ROMANCE

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de outubro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3497



 

   Quando da crônica, o Mistério do Campo, lembrei-me imediatamente do sítio rural ICÓ, vizinho ao campo de aviação. Sua planura de barro vermelho me deixou impressionado e criei paixão pelo Lugar. Já faz tempo que estive ali, talvez duas décadas. Encontrei uma casa  com terreiro enorme, plano, limpo e avermelhado, amor á primeira vista. A senhora da fazenda, muito simpática dizia que fazia queijos. Um senhorita filha de dona Maria, se encarregou de algumas informações sobre o sítio. Ali perto, nos limites do terreiro, ouvi e vi pela primeira vez, um cântico de duas casacas de couro, em grande ninho feito de espetos, justamente como canta Luís Gonzaga, tanto no dueto quanto na feitura do ninho.

Que momentos maravilhosos no Sertão!

Pois, se quer saber, vinte anos depois ou perto disso, estava elaborando o romance AREIA GROSSA, precisava de uma saída de compra  de fazenda como segunda opção para o protagonista. Ora, veio à mente, sem querer e sem o menor esforço. Fiz, então, protagonista dizer que se não desse certo o terreno que estava em vista, já havia outro que fora lhe oferecido no sítio Icó. Não cheguei a descrever o sítio Icó, na boca do personagem, porque, ele não chegou nem a ir olhar as terras oferecidas, mas bem que serviu a armazenagem por anos e anos seguidos do sítio Icó até levá-lo para um romance nordestino. A propósito, Icó é um nome indígena que representa um tipo de mato venenoso e que mata os peixes semelhante ao timbó.

O Icó (Neocalyptrocalyx longifolium) arbusto com a vivência de 4 metros de altura é chamado Icozeiro e o seu fruto, Icó ou Incó. É realmente maravilhoso para quem estuda Geografia. Fazer uma visita pelos sítios rurais do Sertão, onde vai encontrado vários tipos de relevo que encanta o estudioso: serrote, colina, planura, serra, baixada, grota e colina, lugares completamente diferentes em paisagens, mas escolhido e habitado pelos seres humanos que amam o seu lugar.  Esses conhecimentos profundos e parte da vivência na caatinga, formaram a as bases para os romances  do autor que ainda continua romanceando o Sertão.

  O MISTÉRIO DO CAMPO Clerisvaldo B. Chagas, 2 de novembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3496   Tentando re...

 

O MISTÉRIO DO CAMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de novembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3496

 



Tentando resolver o mistério do ano exato em que foi construído o Campo de Pouso de Santana do Ipanema, reviramos “céus e terra” numa pesquisa feroz. Descobrimos muitas coisas a respeito de DNOCS, Aviação brasileira e a alagoana e muito mais, porém, não conseguimos encontrar o ano exato da construção do campo, chamado popularmente de Campo de aviação. Só nos resta agora duas fontes ainda a pesquisar. A própria central do DNOCS em Alagoas  que fica atualmente em Palmeira do Índios e os arquivos da prefeitura local, referente as gestões entre 1940 e 1945. O meu informante de memória privilegiada com seus 85 anos, confundiu datas antigas e deu como a construção do campo, entre 1960 e 1962.

Ora se em 1945, crônicas e conversas da época já mencionavam o campo, não poderia ter sido na década de 60.

Lembra o informante, porém que havia  antes, um Campo de Pouso natural que era na região rural do sítio Barroso, a cerca de três quilômetros do Centro da cidade, em direção Norte. Já alcancei aquele trecho plano que só uma mesa, mas como pista de corrida de cavalo. Alguns anos atrás, o trecho plano do sítio Barroso, deu abrigo a construção de um cemitério, há pouco ampliado e que recebeu o  nome de Cemitério São José. Muitos preferem chamá-lo de Cemitério do Barroso. Eu desconhecia essa função ali de campo de aviação. E tanto o campo de pouso natural, quanto o construído, depois, teria a função de receber aviões tipo Teco-Teco. A inciativa de construir esses campos foi do governo central.

Lembro-me ainda, eu e outros adolescentes correndo da cidade em direção ao Campo de Pouso – Campo de Aviação –  para vermos  de perto um avião vermelho, tipo teco-teco, que sobrevoara  Santana e tudo indicava que teria ido para o campo. Sim, chegamos a tempo. O bicho estava parado no meio da pista e não havia ninguém por perto. Ficamos ali diante do aparelho aéreo, olhando-o de todos os ângulos, mas sem tocar no transporte com algum receio. Matamos a nossa  curiosidade, retornamos a pé os três quilômetros percorridos antes. Isso foi no ano de 1960. Agora vamos, por esses dias tentar o  arquivos oficiais da prefeitura, entre 1940 e 1945.

CAMPO DE AVIAÇÃO DE  SANTANA DO IPANEMA.