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  O PAU-BRASIL DA RUA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3337   Um dos pr...

 

O PAU-BRASIL DA RUA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3337

 



Um dos primeiros ataques estrangeiros às nossas riquezas foi em nossa Floresta Tropical, devastando as matas em busca do Pau-brasil. Levado à Europa para servir de corante e ser usado como madeira de lei, esse tipo belo de árvore quase foi extinto em nossa Costa. Mas a história da exploração estrangeira do Pau-brasil, apesar de tudo, ainda deixou algumas brechas para contemplarmos a espécie neste século XXI. E sem se aprofundar na sua história do tempo dos machados, ainda podemos ver aqui no Sertão, pelo menos em Santana do Ipanema, algumas dessa árvores históricas como arborização urbana. É certo que existe a raridade nas ruas, que é uma aqui, outra acolá, bem longe, mas existem. E por que venho novamente falar sobre o tema?

É meu amigo, minha amiga, pela beleza da sua roupagem nessa época do ano. E sempre que isso acontece, não resisto a essa beleza e fico de boca aberta a contemplar aquele verde belíssimo repleto de cachos de flores amarelas e rendadas. A minha rua, então, vai ficando ornada com o rei Pau-brasil em toda sua pujança. É, na rua, somente uma árvore, mas que realmente encanta. Outra que foi plantada não conseguiu se desenvolver, acho que por causa de subsolo rochoso. Mas quando você vê o pau-brasil em toda sua plenitude, sabendo que aquele é o nome da nossa pátria, dá um orgulho danado! Quando a espécie é natural, na Mata Atlântica, é troncuda e muita alta, entre 10 e doze metros, comum, mas pode atingir os 30 metros.

Foi chamada pelos índios de “Ibirapitanga” (madeira vermelha). Pau-brasil vem da cor vermelha de brasa. É a árvore símbolo do Brasil desde 1961. Em extinção, é protegida por Lei e praticamente hoje só é usada para arco de violino de excelente resultado. O seu nome científico é (Paubrasília echinata). Por isso e por outras coisas mais, temos o dever de proteção, tanto a esse vegetal histórico e de estimação quanto aos outros que não alcançaram essa grandeza. Não tem como apreciar a belíssima árvore durante as floradas, sem não irmos direto para as páginas da história, do escambo entre portugueses e indígenas.

Pau-brasil, viva o ibirapitanga!

VIVA A BRASA! VIVA O BRASIL!

 

PAU-BRASIL (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

  TUDO NO SEU TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2026 Escritor SÍmbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3367   É verdade. ...

 

TUDO NO SEU TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2026

Escritor SÍmbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3367



 

É verdade. O nosso estado é pródigo em histórias regionais de esperas, em décadas e quase em século. Entre essas famosas esperas por benefícios ou por soluções radicais, estão a Ponte de Penedo, o asfalto do povoado Carié a cidade de Inajá (Pernambuco), o asfalto Olivença – Batalha, direto, e entre muitas outras paciências de Jó, os trechos asfálticos santanenses, Centro – Bairro Bebedouro/Maniçoba e o trecho de terra da antiga rodagem Santana – Olho d’Água das Flores (Rua São Paulo – travessia do rio Ipanema (pelas antigas Olarias) até a AL-120. Estas últimas, mais de 70 anos de espera, desesperanças e descréditos nos políticos. É pena já terem partidos os antigos proprietários daquelas olarias que me viram brincar: José Cirilo, Eduardo Rita, Senhor Cristino (Piduca).

É bem verdade que após esses dois últimos trechos citados ganharem o benefício asfáltico, ainda não tive oportunidade de visitá-los, mas pelo menos um deles, vi de longe. Maniçoba/Bebedouro foi marcado como lugar já habitado antes mesmo da fundação da cidade, em 1787. Pertence ao hoje Bairro Maniçoba/Bebedouro, o mais antigo documento sobre Santana do Ipanema. Dali saiu o primeiro registro de venda de terras, no município. Já as olarias faladas acima, ficavam na margem direita do rio Ipanema, na passagem chamada antes de “Minuíno”. Foram essas olarias, mais conhecidas que impulsionaram as construções da cidade, fornecendo, tijolos, as três e uma fornecendo também telhas. E da que fabricava telhas (de Eduardo Rita) levávamos barro para fabrico de máscaras de Carnaval.

A propósito, para melhorar essa possível fonte de pesquisa, os proprietários das três olarias famosas de Santana tinham também outras atividades. José Cirilo possuía caminhão e conduzia mascates para as feiras das cidades circunvizinhas; Eduardo Rita, também era proprietário de caminhão; Seu Piduca possuía mercearia poderosa no centro de Santana. E voltando ao tema inicial, cheguei numa idade em que devo ser pesquisado e não procurar pesquisas. Mas, como foi preciso esperar quase um século pelas mudanças citadas acima eu não poderia negar o que vi e aprendi. Para os jovens, nada de mais, apenas um trecho de asfalto. Para os antigos, fim de mundo com asfalto (impensável) chegando por todas as bibocas. De fato, tudo tem seu tempo.

 

  O RUDE HISTORIADOR Clerisvaldo B. Chagas, 20 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3366   E com as r...

 

O RUDE HISTORIADOR

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de fevereiro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3366

 



E com as ruas completamente desertas, sem se vê nem sequer um animal, um passarinho, um gato, um cachorro... Nada, absolutamente nada, nesta manhã de Quarta-Feira de Cinzas, tomo a resolução de sair de casa e caminhar algumas quadras. Vou levar certo donativo a quem precisa e sabe dividir com quem precisa muito mais. Aproveito e procuro localizar a casa modificada do senhor Manoel Daniel, 85 anos e cadeirante. Um senhor aposentado do DNER, que viveu parte da história sertaneja e passou a ser fonte de pesquisa segura, por todo seu aprendizado desde 1941. É por isso que aprendi muito mais detalhes da maior cheia do rio Ipanema, do século passado, a “cheia de 41”, como ficou imortalizada e passou a fazer parte do livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA.

Seu Daniel, parece tão cheio no mundo de valiosas informações que parece querer botar tudo para fora de uma vez. Fala de tragédia, fala de política, de plantas, de animais, de patrões bons e ruins, de remédios caseiros e tanta coisas que não tem livro grosso que caiba tantas informações assim, do nosso passado sertanejo. Você ainda lembra daqueles primeiros tipos de gravadores que apareceram na praça? Pois somente com um gravador daqueles para se fazer uma filtragem longa dos conhecimentos aprendidos e vividos pelo rude historiador do semiárido. Então, eu percebo que somente quem ama de fato seu torrão, sem amargura, sem ódio, sem ressentimento, pode narrar com tanto entusiasmo a paisagem crua do que viu como passageiro da vida. 

Ao retornar, apenas uma senhorita subindo devagar a solidão da rua, a rapidez de um mototaxista se encobrindo na esquina e um pintor solitário pintando o muro de uma residência, SÓ. E para disfarçar a solidão do mundo, passo pelo pintor sem cumprimento, mas apenas lhe jogo um trava-língua: “O pintor que pintou trinta, de tinta tem trinta latas”, repita! E passo sem parar. O homem parece assustado, nada responde e eu faço como a senhorita, continuo a jornada, devagar, ladeira acima. Mais uma Quarta-Feira de Cinzas sem frequentar a missa do importante dia. Afinal, que somos nós em nosso invólucro senão cinzas! Será que o orgulho vale à pena?!

O RUDE HISTORIADOR MANOEL DANIEL (FOTO: B. CHAGAS)