O ABANDONO Clerisvaldo B. Chagas, 16 de Outubro de 2016 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3489     Em novo giro pelo ...

 

O ABANDONO

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de Outubro de 2016

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3489

 


  Em novo giro pelo Bairro São José, vimos que ainda está ali. Um compartimento de piso baixo e escuro, feito da pior forma possível para ser uma escola no tempo do governador João Batista Tubino. Serviu para muitas coisas na Cohab Velha, tudo efêmero e lúgubre. Continua lá no seu recanto, por trás do Posto de Saúde, igual a uma criança traumatizada e encolhida com um  medo triste de quem se aproxima. Sucessiva administrações públicas municipais, fizeram vista grossa a sua  existência. E quem veio acompanhando o desenvolvimento do bairro, fica várias vezes mais traumatizados do que o próprio prédio rejeitado. Encostado a ele, ainda por trás do Posto de Saúde, um enorme prédio se encontra em ruínas, abrigo ideal da marginalidade, assim com foi o Posto de saúde que passou vários anos na mesma situação até que foi concluído.

Das janelas do fundo do Posto – encostada nas ruínas – dá para se vê  inúmeros pés de mamona por dentro das paredes internas caídas. que parece uma floresta tropical. E se o primeiro  é do governo estadual, o segundo é de cunho particular, dizem. E foi em uma visita a minha fonte de histórias  santanenses  que me disseram que o  antigo grupo iria passar por reforma e ali seria um órgão público da prefeitura. Os que planejaram a antiga Conhab, fizeram-na nos fundos como se fosse o depósito de lixo. Na certa, somente para aproveitar alguns metros quadrado que  sobrou no mapa. A Educação encolheu-se e ficou igual ao “patinho feio” da Literatura. E o pior, invisível, até porque o invisível pode ficar esquecido por tempo indeterminado.

A informação recebida estar disparada em vários meses. Tudo continua “como antes no Quartel de Abrantes”. Ê, meu “fio”, rapadura é doce, mas não é mole, não.

    MACONHA E PRIMAVERA Clerisvaldo B. Chagas, 15 de outubro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3488   Nada te...

 

 

MACONHA E PRIMAVERA

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de outubro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3488



 

Nada temos contra os vícios de seu ninguém, até porque o vício é a fraqueza pessoal do indivíduo que pode ou não o extinguir Mas, para não passar em branco, vamos deixar registrado que em certo tempo passado, um locutor profissional de Santana do Ipanema, querendo promover um espetáculo com  um famoso cantor (naquele momento estava no auge), se dirigiu até o Piauí, se não me engano, em procura do cantor Netinho. Encontrou-o acamado. Disse o motivo da sua ida até ali e o cantor respondeu que havia usado uma maconha de má qualidade e estava naquela situação. Ouvi isso da própria boca do locutor amigo que contava rindo. O locutor faleceu tempos depois em um acidente automobilístico. Não sei se foi realizado o espetáculo do cantor, mas sei que anos e anos depois, a notícia da morte do cantor tomou conta do Brasil.

Todavia, na verdade eu estava mesmo era contemplando a Natureza e vendo a craibeira da Escola Durvalina Pontes, que estava bem florida para os festejos de fim de ano, deixar cair as suas flores amarelas e ficar quase completamente pelada, nesta sequência de sol que envolve o sertão. Estamos sentindo a falta de pelo menos um dia de boa chuvada. É tudo virando esqueleto. A vegetação, principalmente a de menor porte, já está amarelada ou completamente esturricada. O início das trovões que eram tradicionais, são previstos para novembro-janeiro, como uma espécie de salvação de plantas e animais.

Enquanto isso, os festejos a São Cristóvão continuam animados e cumprindo sua agenda na tradição do mês que antes era o mais  seco do ano. Talvez o eco de tantos aboios da cavalgada que abriu a festa, os louvores que ecoaram pelo Bairro Camoxinga e pela cidade, tenha chegado aos santos responsáveis pelas chuvas e tenhamos uma honrosa saída já a partir do próximo mês. Sertanejo  gosta de festa de santo. Ou com inverno ou sem inverno, a fé parece andar na frente, em primeiro lugar. É São Antônio, São João, São Pedro, Senhora Santa Ana, São Cristóvão e já, já, o Nascimento de Jesus. E assim de festa em festa, o homem vai driblando os percalços que não largam a humanidade. Continuemos na luta vivendo a vida.

CRAIBEIRA

 

 

  A   FESTA E A CAVALARIA Clerisvaldo B. Chagas, 13 de outubro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3487   E para ...

 


A  FESTA E A CAVALARIA

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de outubro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3487

 

E para a felicidade da comunidade católica de Santana do Ipanema Alagoas, está acontecendo  a mais nova edição da tão aguardada “Festa de São Cristóvão. Até parece que existe um armazenamento de esperanças, acumulado durante um ano inteiro. É certo que existe a mais tradicional “Festa de Senhora Santa Ana”. Afinal são duas festas católicas na mesma cidade, uma no Centro e outra no bairro, onde poderia parecer tudo igual.  Acontece que existe alguma coisa não palpável que faz a diferença, embora não se possa explicar com precisão. São diferentes, sim, mas só se percebe no invisível, no psicológico e que não é com certeza, um clima de disputa. Mas, traduzir uma coisa de clima se torna difícil para um frequentador anual assíduo.

Desde há algumas edições que os festejos utilizaram vaqueiros montados para abrir a festa com cavalgada pelas ruas de Santana e aboios relativos a São Cristóvão.  E, embora não que era uma abertura muito bonita, mas depois vinha a reclamação do povo da sujeira que os cavalos deixavam nas ruas. Mesmo assim, com o tempo, outros cavaleiros, não vaqueiros e até mesmo mulheres da zona rural  montadas tal os homens (antigamente mulher montava de um lado só do cavalo) e embora também não cantem seus aboios como os homens, estão ali com eles animando  a cavalgada. Aboio, foguetes e cascos de cavalos no asfalto, carro de som bradando no meio, a cavalgada desperta toda a cidade e a vibração se torna geral. Quem não tem cavalo para a cavalgada ou quem não tem carro para a procissão, festeja a seu modo, mas festeja.

E quando  chega à noite com as missas e a parte profana que engloba várias ruas cheias de barracas, vendendo as mais variadas mercadorias e um intenso movimento de pessoas por todos os lugares como formigas assanhadas, surgem por todas as partes estampas de São Cristóvão nas barracas, no automóveis, nos arreios dos animais,  nas carroças e no Estandarte da Festa. É festa sim, como a de Senhora Santa Ana, mas adquiriu sua identidade própria, um clima diferente que se sente e não se explica.