SENHORA SANTANA – ESCOLA Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3480   Nest...

 

SENHORA SANTANA – ESCOLA

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3480



 

Nesta manhã ainda invernosa e de chuvada pouca, fomos para a sexta estação de entrevistas com os alunos da Escola Senhora Santana, localizada no Bairro Maniçoba,  zona leste de cidade. Trata-se da escola modelo do município, na saída para Maceió, vizinha a UNEAL. O ambiente escolhido pela Escola foi   a biblioteca, espaço aconchegante e inspirador. Encontramos uma bibliotecária autora de livro de crônicas e uma professora de História excelente na análise dos fatos. Com recepção ótima, iniciamos o nosso trabalho com os alunos selecionados e muitos deles, moradores do próprio bairro epicentro da história do livro documentário SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. O antigo Bairro da Maniçoba, antes baixo e  às margens do rio Ipanema, se expandiu pelo parte alta com elo de mobilidade entre ambas. Repartições importantes tomaram conta dessa parte alta que estar parecendo uma cidade.

E foi naqueles bairros progressistas, São Vicente, Lagoa do Junco e Maniçoba, entre o antigo e o novo, onde fomos passar o  bastão da história para a juventude do celular. Todas as perguntas  formuladas foram pertinentes ao temos exposto da importância do ciclo do couro e da sola para o desenvolvimento de Santana do Ipanema. Aqui, acolá surgiam perguntas elaboradas de outras maneiras, mas já respondidas, porém, merecendo reforço do entrevistado. Houve também indagações que mereceram respostas mais profundas e a troca de experiências foram ficando mais interessantes, estimulando mais necessidades de pesquisas. Um cafezinho aqui, outro acolá, ajudava  a cabeça nos discernimentos dos escritos.

Encerrada com êxito mais uma vez a nossa missão, deixamos a Escola Santana com aquelas mesmas sensações de escolas anteriores, do dever cumprido. Uma esperança grande em que aquela juventude em formação possa continuar levando conhecimentos para as outras gerações que virão após. E para alongar o nosso próprio conhecimentos, o condutor do nosso trem, José Malta Neto resolveu retornar por estradas diferentes da principal, para apreciarmos o progresso do lugar. E foi assim que encerramos nossa incursão. Nesse retorno um surpresa me aguardava: a visita do ator da globo Chico de Assis. Que maravilha!

NA ESCOLA SENHOR SANTANA.

 

  SÔNIA – ESCOLA Clerisvaldo B. Chagas, 18 de setembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3480   Retornando à zo...

 

SÔNIA – ESCOLA

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de setembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3480

 



Retornando à zona rural com imensa alegria por percorrer os campos, Desta feita íamos  com destino Sul do município de Santana, precisamente para o sítio Serrote do Amparo, localizado na grande região das Queimadas do Rio. Al-130, ponte sobre o riacho João Gomes, estrada vicinal de terra até o local objetivo,  proximidades do rio Ipanema, à base de uma légua à jusante da sede. Eu já havia há muitos anos passado por ali e lembrava perfeitamente do barro vermelho da localidade, de uma casa e uma modesta escolinha ao lado. O que eu teria ido fazer? Pedir voto quando fui candidato a prefeito. Guardei duas decepções naquela região que de vez em quando, lembro sorrindo. Mais uma vez estávamos seguindo o do jornalista, escritor e editor José Malta Neto. Viagem  sempre no VLT de Malta. (risos).

E como sempre, vários adolescentes em roda, diretora, coordenador, professora e , perguntas para todos os lados por parte da juventude estudiosa. Todos nós debruçados sobre o livro em evidência, motivo de análises, SANTANA:REINO DO COURO E DA SOLA.  A escola antiga havia sido amplamente  reformada e mostrava um padrão moderno de como deve ser realmente o espaço físico para a nossa juventude sequiosa de saber. Foi um momento divino estre o escritor presente e os possíveis escritores do futuro. Uma troca sutil de aprendizado porque quem estar ensinando, estar aprendendo. Mas as perguntas e repostas abriram novos horizontes do olhar particular, do olhar coletivo com variações novas de indagações da história.

Aproveitamos o trajeto da estrada vicinal de terra para apreciarmos parte da caatinga  e sua beleza, mesmo  já crestada pela inclemência do sol. Podemos perceber que ainda há inúmeras árvores nativas a tudo resistindo, tanto isoladas quanto em forma de bosque. Comentamos sobre a região das Queimadas do rio e sua denominação e questionamos o batismo do SERROTE DO AMPARO, aonde fomos para a entrevista com a juventude escolar. Assim, unindo a paisagem urbana ao cenário rural, fomos contabilizando as vantagens em morar no sítio, tão pertinho da AL-130, especialmente no SERROTE DO AMPAR

AUTOR INDO PARA ENTREVISTA

 

  VERMELHO-SANGUE Clerisvaldo B. Chagas, 17 de setembro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3478 Quando faltavam cl...

 

VERMELHO-SANGUE

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de setembro de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3478



Quando faltavam clientes na Farmácia, o seu proprietário Cariolando Amaral (Carôla)  gostava de se dirigir para a sombra da tarde, onde o Hotel Central, a projetava na calçada larga. Ali, aproveitando a sombra e a brisa da tardinha, passava a jogar gamão com seus amigos da vizinhança. Tabuleiro nas pernas  e diante da porta de acesso ao hotel de primeiro andar e o barzinho de Tonho Honorato -  matador de charadas e apologista dos bons repentes – o comerciante ficava cercado de “perus”. E como criança que transitava por ali, eu nada entendia de jogo de gamão, Notava  no lazer uns copos de couro nos quais os jogadores colocavam os bozós (dados), agitava-os e os despejavam  no tabuleiro de madeira. Conforme o resultado, iam separando sementes grandes e vermelhas cor de sangue pelos recantos da  tábua.

Ora, só depois fiquei sabendo que aqueles grãos tão vermelhos, belíssimos, eram sementes de mulungu.  Pedaços de tronco ou de galhos dessa belíssima árvore, surgiam no Poço do Homens, rio Ipanema, deixados por algum banhista. Nós usávamos essas toras de mulungu como Câmaras de ar, porque a madeira pouco densa boiava e ajudava na brincadeira do nado. A  árvore mulungu é alta, gosta de proximidades de correntes d’água e, na época certa, solta suas sementes, deixando o solo forrado daquele vermelho duro.  Sempre  que avistava um pé de mulungu nas minhas andanças pelos caminhos sertanejos, parava para apreciá-lo como se tivesse diante de uma árvores divina.  A admiração e a simpatia profunda por suas sementes ainda hoje perduram.

Vamos encontrar nas farmácias, o mulungu em forma de   remédio como calmante, propriedade das suas cascas. Algumas cidades do Brasil, plantam a árvore mulungu na arborização de ruas. Pelo seu porte, acho que ficaria bem melhor para os parques e as praças. No período da sua florada, as flores vermelhas dizem por si, porque  foram escolhidas para a zona urbana. Assim, quando se fala em mulungu, eu me transporto para as toras do Poço dos Homens, no rio Ipanema, no lazer dos banhistas e nas sementes vermelho-sangue do gamão de Seu Carola (Ô).

MULUNGU.