CASA DA CCULTURA E NÓS Clerisvaldo B. Chagas, 13 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3413              ...

 

CASA DA CCULTURA E NÓS

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3413

 



           Mais uma vez fomos conceder uma entrevista no local certo que é a Casa da Cultura, em Santana do Ipanema.  O tema principal era a história de Santana do  Ipanema  e suas periferias sertanejas. Entretanto, o pressentimento de algo mais veio alargar os horizontes das conversas, quando  a história invisível  e verídica, entrou em cena. Episódios de detalhes que somente espiritualidade  pode revelar. E o elo entre dois  mundo estava justamente na entrevista que se transformou em troca de conhecimentos,  reflexões  e novo direcionamento. O que foi abordado particularmente na Casa da Cultura, bem que poderia ser transformado em novo livro de histórias surpreendentes da própria história. Aquilo que ninguém contou. Pela primeira vez nos deparamos com o inexplicável explicável.

  Duas horas e meia de palestra profunda  transformou a entrevista em sala de estudos, porém nos faltou um mestre seguro tal Chico Xavier. Entretanto, deixando o inédito de lado, estamos perto de  elaborarmos um grupo de leitura  - e que foi tentado por outra pessoa e não deu certo -   para discutirmos  literatura em todas as suas formas e seus exemplos evidentes. No finalzinho da tarde fria, pelo menos acusamos grande satisfação  de quem participou e não participou, mas se encontrava no estabelecimento. E como Cultura é muito abrangente, ainda cabe coisas para acolhimento na Casa da Cultura, cujas paredes são verdadeiro museu de fotografias de nossa cidade.  

          E após esse encontro bem encontrado, a noite passou ainda trazendo importantes reflexões. E mais um amanhecer nos esperava e que veio nesse 13 de maio, com céu parcialmente nublado e  um bom sereno porque a chuva verdadeira ainda não quis surgir na sua plenitude. Assim vamos olhar a rua, molhada, deserta de gente e bichos, aguardando o sol que ainda chega preguiçoso, aguardando com resignação a  ausência total de nuvens cinzas. Ah! Deixem-nos, após essa crônica,  “dá garra” da caneca de café quentinho para ativer bem os neurônios. Não podemos direcionar o tempo, mas podemos fazer parte dele.

                 

 

          

 

 

  A FEIRA DO RATO Clerisvaldo B. Chagas, 12 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3413     O   tipo de fe...

 

A FEIRA DO RATO

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3413

 



 

O  tipo de feira à parte ou feira nicho, formou-se dentro de uma necessidade dentro de uma grande necessidade,  isto é, uma feira dentro da feira. Não conseguindo banca de madeira, lona para cobertura, pagar o chão e mais outras coisas, a pobreza da pobreza, quis também ganhar algum dinheiro vendendo e comprando e com trocas em dinheiro. Assim teve início esta feirinha de objetos usados e de pequeno valor, nos arredores das grandes feiras.  Uma forma de alcance para quem somente pode alcançar pouco. A princípio, dois ou três comerciantes, depois, feira de pobre mais ampliada. Acontece que os desonestos enxergaram nesse tipo de espaço, uma oportunidade para vendas dos seus objetos roubados.

No início, “feira da troca”, “feira do troca-troca” ,”feira do rolo” (que faz todo negócio) e depois, “feira do rato”. Nesse caso, a feira da feira já estar contaminada pelas vendas produtos de roubo. E o que era motivo de esperança, ainda que fosse pequena, passou a ser motivo de visitas constantes da polícia. Mas fora os produtos de roubo, para que procura uma oportunidade, para quem procura um objeto humilde: um rádio para os que não têm dinheiro e nem voz.  uma enxada, uma câmara de ar, uma bicicleta, um candeeiro, uma garrafa térmica... E assim por diante, deve ser bom.  Vez em quando chega um desavisado para vender passarinho, mas é derrotado pelas batidas das autoridades. Nunca indagamos a nenhum dos feirantes se valia a pena a soma do dia, mas, a repetição na presença na feira, já responde a possível pergunta.

E assim vamos enxergando na feira do rato, na feira do rolo, na feira do troca-troca, na feira do passarinho, não  à feira dos ladrões, mas a feira da pobreza, da necessidade, da sobrevivência. Quando esses tipos de feiras forem enxergadas pela sociedade e pelos que zelam pelo cumprimentos das leis, de uma maneira humana, certamente trará um grande alívio para os que menos possuem.

 

  OUTRO AMANHECER Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3412   O dia recusou a am...

 

OUTRO AMANHECER

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3412

 



O dia recusou a amanhecer  na hora costumeira de cinco e quinze. Resolveu dormir mais um pouquinho e foi aparecer apenas as cinco e meia. Quinze minutos a mais, porém , deve ter havido alguma diferença na Natureza e que muitas vezes a gente nem percebe. O dia, após as chuvas  da noite, tinha afastado meio mundo de nuvens, mas ainda úmido e apenas dando um toque na frieza, avisando que logo estaria apertando o cerco.  Não havia nenhum pássaro na rua, contudo, o canto robusto da rolinha branca vinha de dentro das folhagens  do Pau-brasil ou da Acácia que ornava a via. Não era o canto saudoso do verão, era no mesmo tom, mas com a robustez da alegria. Pomba da paz do Divino Espírito Santo.

Estamos caminhando para o mês de junho, quando de fato se inicia o inverno no dia vinte e um. Entretanto, estamos em plena estações das águas, que para nós é de outono/inverno. E as chuvas, até agora, como no ano passado, mansas e intercaladas com o sol, excelente para a lavoura. E, logo-logo, estaremos em mais uma edição de fartura junina, com milho assado, pamonha, canjica, ao som de bombas e foguetórios que animam o mês de São João, São Pedro e Santo Antônio. E depois de passar um dia e pedaço da noite vendendo livro de MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, volto, novamente ao book, procurando inspiração.

Sou interrompido pelo carro do ovo, na rua, com a voz rouquenha da propaganda. E, novamente, mais tarde, pela buzina de caminhão da moto do leiteiro. Assim o dia vai se complementando fugindo do silêncio profundo do amanhecer. É muita gente querendo informações sobre MARIA BONITA, mas, entre uma coisa e outra, vou tentando vestir a crônica  sob chamadas de mensagens dos correios modernos. Vou atendendo gente da Paraíba, Goiás, Rio Grande do Norte e Bahia. Ah, meu  amigo, minha amiga,, vamos aliviar os neurônios, num breve passeio até o portão da rua e olhar o céu.