A PRAÇA DE RONINHO Clerisvaldo B. Chagas, 22 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3419   Não. Eu não que...

 

A PRAÇA DE RONINHO

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3419



 

Não. Eu não quero dizer que a praça pertence ao famoso escultor do ferro. Mas, que a praça chique do Bairro São José estar situada como vizinha à oficina do santanense artesão. Recentemente pintada e sob vigilância, vai mantendo a sua originalidade dividida em três andares que obedecem ao ladeiroso local.  Pois fui  ontem fazer uma visita de cortesia ao artista e fui encontrá-lo em meio à sua especialidade, isto é, figuras e mais figuras de cangaceiros e coisas semelhantes. Entretanto, a boa conservação da praça me chamou atenção,  no topo da ladeira, cujo sítio divide as partes alta e baixa do nosso bairro. Isso deu à praça, condições naturais de mirante. Um mirante voltado para  as barreiras da margem direita do rio Ipanema, para o parcial casario do Bairro Paulo Ferreira e para o pedestal de Santa Ana, na serra Aguda.

 Propus ao festejado artesão a possibilidade  de um São José na entrada do bairro de igual nome. Vi o artista Roninho “morder na corda” por não ser a verdadeira especialidade dele. Mesmo assim deixou uma esperança longínqua, admitindo sem admitir, “Na praça”, disse ele rapidamente. Aí joguei a “panela fervendo” e disse-lhe. “Não sei quanto tempo vai levar, mas quando for a inauguração eu quero estar presente”. E tirei o time  de campo. Meu amigo e minha amiga, ninguém é obrigado a gostar de cangaceiros, porém, não se pode negar o talento e a originalidade do seu estilo. E agora em que o artesão se encontra entre os melhores do Brasil, reformou a sua oficina, dividida entre  parte de trabalho e parte de exposição/venda. As peças, devidamente organizadas realmente oferece um novo visual ao comprador exigente.

Notei, então, que o grande mestre Roninho, tem oficina e   moradia em lugar privilegiado do Bairro São José: Avenida principal com o novo nome, Professora Helena Braga das Chagas, vizinho da praça bonita e mirante parcial  para a margem direita do rio. Ora! Sendo assim o artista do ferro e da solda, ao se notar tristonho, basta dá um passo para a calçada e o cenário do alto logo lhe devolverá qualquer inspiração perdida, para os seus bonecos. Dei alguns passos para baixo e fui apreciar as obras-de-arte do artista plástico e cantor Dênis Aguiar. Obras de inspirações divinas. Desço mais alguns passos e retorno à minha casa para reflexão da manhã.

A PRAÇA DE RONINHO (FOTO DE B. CHAGAS).

 

 

 

 

 

 

  SERÁ? Clerisvaldo B. Chagas, 21 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3418            Antes as fazenda po...

 

SERÁ?

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3418



 

         Antes as fazenda possuíam os terreiros cheios de galináceos: galinhas, frangas, galos, pintos, capões, perus, pavões, patos e guinés. Recebiam ração de milho , logo ao amanhecer, lá para as dez horas e tinha mais ao entardecer. Essas aves passavam o dia soltas completamente, passeando pelo terreiro e seus arredores, no limpo, no matagal, ciscando, pegando bichinhos, beliscando folha de mato.  Nas horas da refeições, o resto de comida iam para as “galinhas”. Assim, os proprietários nunca passavam fome. Raramente se via alguma dessas aves que não estivesse gorda. Os ninhos eram feitos onde as próprias galinhas quisessem. Essa produção de aves e ovos, garantiam as proteínas do dia a dia.  Uma vez ou outra o proprietário matava um bode, um carneiro, um porco para desenfastiar.

A última vez que contemplei essa maravilha foi no sítio Cava Ouro, em Senador Rui Palmeira onde fizemos lançamento de livro. O céu anunciando chuva e a criação na expectativa do corre-corre. Muito feio um terreiro pelado, no sítio. A facilidade da vida moderna, acabou com essa tradição. Ao invés de pegar ovo fresco no terreiro, a dona de casa passou a comprar ovos de granja nos mercados da cidade. Outros tipos de criação também foram sumindo de vista dos passantes e a concentração passou a ser quase exclusiva do boi. Será que a comida pura da roça, era mais sadia do que a que compramos nos mercados, cheias de aditivos?  As indústrias de óleo acabaram até com a criação daquele porquinho  do qual se extraía a banha para cozinhar.

Você já ouviu a expressão: “Comer feijão-de-corda com galinha de capoeira” ?  A medida que a expressão vai perdendo a força, chega a expressão mais nova: “comer uma galinha velha”. E essa galinha velha, não é a antiga galinha de capoeira, mas sim, a galinha velha, branca, de granja. Ninguém fala na galinha caipira que é aquela vermelha e de ovos rosados. Essa, por enquanto vai tapiando o consumidor com a qualidade dos ovos, sem a propaganda da sua carne. Muito romantismo na antiga paisagem sertaneja, nos detalhes, já não corresponde.

Com essa frieza discreta desse fim de maio, impossível não lembrar desse tempo de Resistência.

ANTIGOS TERREIROS RURAIS (AUTOR NÃO ENCONTRADO).

 

  O CAMPO Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3417   Nem sei dizer, nem fui pes...

 

O CAMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3417

 



Nem sei dizer, nem fui pesquisar quem construiu o campo de pouso de Santana do Ipanema. Uma pista larga, boa,  em barro vermelho a dois quilômetros da cidade.  O campo de poso teve tanta influência que passou a ser referido como um sítio rural comum. Foi formado, acho, para receber aviões tipo teco-teco. Quando eu ainda era criança, estive lá depois de um avião sobrevoar a cidade. Era meninada que percorria a pé os dois quilômetros para ver um avião de perto para contar de certo. Mas os adultos também corriam para o campo em busca da novidade. Geralmente os passageiros eram pessoas do governo tentando resolver alguma coisa na região. Ora, se quando eu era criança, o campo já existia, quem o teria construído?

Nem trem nem avião para Santana do Ipanema. Ultimamente dizem que o governador prometeu construir um aeroporto na cidade.  Com o nome desse último sítio. Ah! Houve muita mangação nas redes sociais. Como uma cidade está com uma rodoviária parcialmente destruída e inutilizada, esquecida por parte do estado e se anuncia um aeroporto. O santanense levou a frase como piada de mau gosto. A reação foi enorme. E mesmo que o governo quisesse fazer alguma coisa em relação ao transporte aéreo todo o povo acha que seria somente passar uma camada de asfalto no campo de pouso existente e bradar que foi inaugurado um aeroporto.

Nos últimos anos o campo de pouso passou a ser um lugar usado para competições de motores na Festa da Juventude. São os seis vizinhos, a AL-120, os sítios: Icó, Várzea da Ema e João Gomes, além da proximidade do riacho que tem a denominação desse último sítio. Sim, da fato, a sua localização para os fins desejados, é estratégica. Pero de Santana, de Olho d’Água das Flores e de Carneiros e com muitas outras vizinhanças. Entretanto, o que  estamos precisando mesmo é um VLT Sertão-capital, diariamente. Mas, enquanto isso esperemos o final da piada dita no Sertão.

CAMPO DE AVIAÇÃO EM SANTANA (DIVULGAÇÃO)