SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
BICAS Clerisvaldo B. Chagas, 5 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3455 Em tempo de inverno, ainda ...
BICAS
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de agosto de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3455
Em
tempo de inverno, ainda hoje, onde tiver casas cobertas com telhas, fala-se e
se precisa de bicas. Mas, o que é bica na linguagem sertaneja se não estamos
falando do verbo Bicar? Bem, bica é uma
calha artificial , geralmente confeccionada em zinco, para direcionar as águas
da chuva no telhado, para algum lugar previsto.
A bica, também é chamada de biqueira. E
para se fazer bicas bem-feitas era preciso um bom artesão. Na segunda metade do
século XX, em Santana do Ipanema, havia artesãos para tudo. E na Rua mais antiga de Santana, a Antônio
Tavares, entre diversos artesãos, havia dois fabricante de bicas, um apelidado
Zé Gancho, outro Manezinho Quiliu. E
quem fazia bica poderia também fazer vaso vertical de guardar feijão.
Havia
também um excelente artesão, no, hoje, Bairro Santa Quitéria, cujo trabalho era
muito elogiado pelo seus clientes. E, na Rua Santa Sofia, também havia um
artesão de bicas. Na Rua Antônio Tavares ainda havia uma exímia artesão que era
avó do futuro escritor Oscar Silva, porém, sua especialidade era confeccionar
candeeiro de flandre, de lata, e por isso mesmo chamada pelo povo de Josefina
Flandreleira. Visto isso batemos mais uma vez sobre a primeira travessa da Rua
Antônio Tavares, mais chamada de “Beco”. O Beco liga a Rua Nova à Rua Antônio Tavares uma ladeira
de mais ou menos 200 metros de extensão. Santana está completamente asfaltada,
porém, o Beco ainda é calçado com pedras brutas dos tempos de vila. O mato
prolifera nas juntas do início ao fim da travessa.
As
casas ocupadas de antes, parecem abandonadas, faltando pouco para virarem
ruínas. Tudo a apenas 100 metros do Centro Comercial. Nossa sugestão é que a prefeitura asfalte o beco e,
em acordo, transforme e decadência em salões que seriam ocupados pelos diversos
artesãos da terra. Artesãos dos couros, do pano, da madeira, de ferro... facilitando
a vida desses profissionais, criando o Beco ou Travessa dos Artesãos e
fomentando o turismo regional. Ou isso ou daqui a pouco, ruínas e beco
assombrado cheio de fantasmas, marginais e perigos real.
SELEIRO
(GETTY).
VELAME Clerisvaldo B. Chagas, 4 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3454 Durante décadas, andamos n...
VELAME
Clerisvaldo B. Chagas, 4 de agosto de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3454
Durante
décadas, andamos na caatinga, caçando, passeando, visitando, pesquisando,
descobrindo. Mas havia uma coisa que
sempre nos chamava atenção, principalmente quando caíam as primeiras chuvas: O
perfume educado e gostoso que tomava conta de toda a vegetação. Foi preciso
décadas para entender que havia um carro chefe daquela gostosura toda. Posso
até não está certo, mas cheguei à conclusão de que o grosso da imensa
perfumaria do mato era proveniente de uma arbusto de folhas sedosas, pequenas e
de aspectos desbotados; o velame que
sempre está presente ladeando trilhas acompanhando riachos, rodeando lajeiros. Mesmo
assim é um tipo de mato discreto e só chama atenção para quem o conhece.
O velame é popularmente conhecido por
suas propriedades medicinais, sendo utilizado na dor de estômago, mal estar
gástrico, vômitos, diarréia com
sangue e para baixar a febre. Além das propriedades farmacológicas, seu óleo
essencial apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti, antibacteriana e cicatrizante. O seu inebriante perfume é muito usado pelas abelhas da caatinga atraídas por eles e produzem um
mel gostoso, aromático e delicado. No verão, o velame fica um pouco emurchecido
e de aspecto feio. No inverno, enche muito, fica encorpado, viçoso e mais
atraente. Uma antiga diretora de escola me dizia que o seus pai, mandava todos
os dias que ela arranjasse os “olhos” dessa planta para fazer chá para afinar o
sangue.
Em referência ao poderoso arbusto, existem lugares que
levam o seu nome. Inúmeras vezes passei beirando a “Fazenda Velame”, de senhor
de muitas terras, em Poço das Trincheiras. Ali estava honageado o vegetal que
bem sabe como perfumar o Sertão. Mas, aquela planta nativa de folhas
desbotadas, aveludadas e pilosas, não proliferam somente nas ricas propriedades
rurais. Surge nas terras do ricos, nas terras dos remediados, nas terras do
pobres. Estar à disposição de todos para servir, assim como o homem de boa
vontade. Assim, o arbusto VELAME, feio no verão, bonito no inverno, é médico e
amigo no Sertão.
VELAME (AUTOR NÃO IDENTIFICADO).
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BOM-NOME Clerisvaldo B. Chagas, 31 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3453 ...
BOM-NOME
Clerisvaldo
B. Chagas, 31 de julho de 2026
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3453
Bom-nome é uma arvoreta do sertão e agreste que mede
entre quatro e seis metros de altura (Monteverdia rigida). Árvore
depequeno porte e que ocupa parte seca da caatinga. Conforme a região, também é
chamada chapeú de couro e Pau-de-colher. Seu tronco é irregular formado por
muito galhos, a de bota flor e é muito ,apreciada nos sertão do
Nordeste. É muita utilizada pelo sertanejo por ser dura e densa, em peças que
exigem resistência. Faz parte das particularidas de carro de boi e se apresenta
como medicianal para diversasos incômodos dos humanos. O bom-nome possui flores
pequenas, esverdeadas ou branca, sem muito perfume. Tem seus significados para
o homem do campo, quando começa a florada. Amplamente popular no semiárido.
´´E muito usada pelos raizeiros, em garrafadas. Dizem que
estimulam o sistema Nervoso Central, é antioxidante, antidiarréica,
anti-inflamatória, antiulcerogênica e aintiespasmódica. Suas cascas ttem
servido para furúnculos e pancadas. O Bom-nome, pode até não ser uma arvoreta
formosa, mas sua utilidade nos meios sertanejos, é de grande valor conhecido
por raizeiros, artesãos e agricultores que sempre estão em busca das suas
serventias. Primeiro foram os indígenas que descobriram suas virtudes,
repassadas para o homem branco. O Bom-nome sempre está na linha de frente com
tantas outras árvores famosas do Sertão que preenchem a literatura, como o
Juzeiro, o Angico, A Aroeira, o Imbuzeiro, a Quixabeira... Estar presente em
todos os estados nordestinos.
BOM NOME (DIULGAÇÃO).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.