SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
MACHU PICCHU E O SÍTIO TOCAIAS Clerisvaldo B. Chagas, 8 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Serão Alagoano Crônica: 3427 Não ...
MACHU
PICCHU E O SÍTIO TOCAIAS
Clerisvaldo
B. Chagas, 8 de junho de 2026
Escritor
Símbolo do Serão Alagoano
Crônica:
3427
Não
vamos nos glorificar porque a arte não é nossa. Existente desde a Pré-História,
em várias partes do mundo, nasceu da necessidade de proteção. A matéria abundante era a pedra que,
empilhada, artisticamente, não usava argamassa, mas sim a técnica da “pedra
seca. Ora! Tratamos (nem todos) aqui no Sertão, as cercas de pedras como
relíquias. E que são de fato relíquias e parte ainda viva da História. Elas
foram construídas por escravos cujos cabeças eram chamados de “mestres”. Outras
pessoa como os vaqueiros também faziam a cerca de pedra, porém os destaques eram para os escravos. Isso vem
nos sertões, aproximadamente desde os séculos XVIII e XIX e mesmo o século XX.
A técnica no Brasil, veio da Europa. Contemplamos nos terraços de Machu Picchu,
a perfeição dos muros de pedras semelhantes as nossa cercas santanenses, do
sítio Tocaias, do Bairro Barragem e das imediações do sítio Poço Grande, em
longa estrada marginal ao rio Ipanema, no sítio Laje dos Frades.
Nos
sertões, para a proteção de lavoura e gado, não existia ainda o arame farpado.
A abundância de pedras soltas, era a primeira opção altamente segura e de baixo
custo. Caso um pedaço de cerca sofresse algum problemas e caísse, o restante
das pedras ficariam ao pé da cerca e o
conserto seria feito com facilidade. Acontece que o tempo passou, surgiu o
arame farpado com estacas de madeira e, os mestres já não mais existiam. Daí encontrarmos cercas de pedras em franca
decadência, isto é, desde pequenas partes caídas até partes grandes.
Os
terraços de Machu Picchu, nos parece em perfeito estado de conservação, talvez
pelo governo em função da fonte de renda do turismo internacional. As pedra são
tão bem encaixadas que não podem ser refúgio de animais como lagartixas,
insetos e cobras. O que acontece ao contrario como as cercas que entram em estado de abandono. No caso das cercas de
pedras do nosso Sertão, como não existe
interesse das autoridades, também não existe interesse de turista, até porque
este é direcionado para o alvo. E se existe alvo mas não existe o
direcionamento...
CERCA
DE PEDRA.
OS MORTOS DO POÇO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2026 Escrito Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.421 Eu sei, sim, que...
OS
MORTOS DO POÇO
Clerisvaldo
B. Chagas, 5 de junho de 2026
Escrito
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3.421
Eu
sei, sim, que ninguém fala mais sobre essa outrora maior fonte de lazer de
Santana do Ipanema. Sei também da morte
definitiva do poço, em 1969,com a construção da ponte que quase lhe passa por
cima. Mas, acontece que estou cruzando a Ponte General Batista Tubino
(governador que a construiu). Apesar das passarelas estreitas, arrisco uma
olhada no leito do rio que neste início de junho está com pouquíssima água e
alguns poços pelo trecho urbano. Lá embaixo, mato, lixo e areia. Nada de marco histórico, nenhuma placa,
nenhuma estátua ao banhista, nada, absolutamente nada que indique sua
existência após o golpe fatal da ponte em seus estertores. Caminhando e
lembrando que o lugar também afogava indivíduos.
Quando
me entendi de gente, soube que o poço já havia engolido mais de vinte
banhistas. O primeiro teria sido um tal de “Jabobeu “e que algumas pessoas
diziam “Zé Belebebeu” Estes nomes serviam para que os banhista mais velhos
fizessem medo aos mais novos alegando que de vez em quando o finado Jabobeu
puxava na perna de um banhista matando-o afogado. Porém, o último afogado que
tive notícia por ali (ainda b do rem que neste dia eu não estava no poço) foi
um cidadão que morava na margem direita conhecido como “Tinteiro”. Todo mundo falava sobre “Tinteiro”, mas eu
não o conhecia. Ali na frente, o serrote do Gonçalinho está d. prova das coisas que aconteceram. E do lado de
cima do rio, vejo a . proliferação de
plantas aquática que devido a poluição cobriram o antigo poço do Juá, onde
atuavam os antigos canoeiros.
Eu
sei, eu sei sim que toda essa lembrança é quase somente minha. Onde estão os
outros da minha idade? Isso causa melancolia, mas não dói. O que dói mesmo é o
desinteresse dos que deviam preservar os
lugares históricos e deixam desaparecer todos os seus vestígios. E como dito
acima, nada. Nem um toco, nem um poste, nem um obelisco, nem uma estátua, nem sequer
uma placa de lata dizendo da importância do Poço dos Homens na história
santanense do século XX.
RIO
IPANEMA (CRÉDITO: (JEANE CHAGAS).
CORPUS CHRISTI Clerisvaldo B. Chagas, 4 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3425 A expressão em la...
CORPUS
CHRISTI
Clerisvaldo B. Chagas, 4 de junho de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3425
A expressão em latim que significa Corpo de
Cristo, é uma solenidade da Igreja Católica que celebra publicamente o
sacramento do corpo e sangue de Jesus, o Cristo. A data concentra um profundo
significado espiritual e tradições para os fiéis. A celebração lembra o momento em que Jesus, na Última Ceia
(uma quinta-feira) partilhou o pão e o
vinho com seus discípulos em sua memória, instruindo-os a fazerem o mesmo. Para
os católicos, a hóstia e o vinho tornam-se o corpo e o sangue reais do Cristo e
não apenas símbolos. A data foi a instituída pelo Papa urbano IV em 1264 para
celebrar a presença real e substancial
de Jesus O Cristo na hóstia e no vinho consagrados. O objetivo é
relembrar a Última Ceia, como já foi dito.
Quanto
aos chamados dias santos da Igreja , inclusive com a denominação de Dia Santo
de Guarda, foram nos tempos mais recentes apenas chamados de feriados. Os
verdadeiros sentidos dos dias santos foram se restringindo aos frequentadores
da Igreja e a população, em geral, foi perdendo os verdadeiros sentido da
tradição cristã. Chega-se ao ponto do trabalhador se alegrar dizendo que
“amanhã é feriado, vou viajar”. Quem é o
responsável pela desvalorização do DIA SANTO? O modernismo? A proliferação de
outras religiões? O marasmo da Igreja Católica? E como nesses tempos
apressados, corridos e metalizados trazem muitas novidades num mesmo dia, fica
difícil remar no mesmo sentido de antes. Nunca foi tão verdadeira a expressão:
“Maria vai com as outras”.
O
dia de CORPUS CHRISTI acontece 60 dias após a Páscoa. A mesma devoção, o mesmo
respeito em todas as Cinco Grandes Regiões Brasileiras. Se existir o contraste alguma diferença, fica por conta
de detalhes regionalistas. E quis o calendário que a solenidade, acontece bem
próximo aos festejos de Santo Antônio, dizem que o santo de maior prestígio na
Céu. O CORPUS CRHISTI, nas procissões, não deixa de ser um ato tristonho, mesmo
carregado de muito louvor, com o contraste, dias após, da alegria explosiva do
santo casamenteiro. Mas, como o Homem hoje está triste, amanhã está alegre,
vamos anexar tudo a este mês tão aguardado na Região Nordeste brasileira.
PROCISSÃO.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.