SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
ELE CHEGOU Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano ...
ELE CHEGOU
Clerisvaldo
B. Chagas, 3 de agosto de 2026
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3452
Como
foi o final de julho e o início de agosto no Sertão. Ora, na madrugada do
último para o primeiro dia,
aproximadamente às quatro horas, encanou um frio de matar sapo que subiu
pela calha do rio Ipanema, vindo nem sei de onde. Aquele tipo de frio em que
você veste dois casacos, dois lençóis e não dispensa meias. Jesus! Mesmo assim,
os pardais já se remexiam inquietos nos ninhos, com a aproximação da aurora.
Nada de chuva, nada de sereno, céu nublado em gazes brancas. Naturalmente,
guiado apenas pela tradição, agosto já traria a sentença pronta dos seus
primeiros quinze dias. Mas, o dia amanheceu com branco marfim no céu imenso
como se a sentença antiga fosse a mesma. Porém, o Rei dos Astros foi aos poucos
furano o bloqueio e ainda no meio da
manhã deixou o céu azul profundo.
O
tempo, então, virou primavera, Será que agosto virá com aquelas pragas de lagartas e frieza que matava a
lavoura? Agosto continuará o ritmo de chuvas finas e escassas como os meses
anteriores? Será que vai seguir a
cartilha do cara preta do El Niño? Ou
vai mudar o rumo das coisas e trazer chuvas intensas e encorpadas nesse Sertão
de meu Deus... O certo é que o mês do Dia dos Pais é sempre cheio de
surpresas incríveis no Brasil. Esperamos
que essas surpresas sejam agradáveis para redimir a fama de cruel, acumulada.
Enquanto isso, vamos nos articulando para relançar o livro SANTANA: REINO DO COURO
E DA SOLA na comunidade da sua história, a região de antigos curtumes no Bairro Maniçoba/Bebedouro.
Segundo
o escritor, editor e jornalista, José Malta, o citado livro já estar sendo
distribuído nas escolas onde serão
trabalhados pelos alunos, sobre esses importantes episódios desconhecidos pela
juventude sobre a história de Santana dom Ipanema. Na segunda fase dessas ações, ainda segundo o
editor Malta, o autor do livro acima deverá se apresentar nas escolas quando os
alunos poderão conhecê-lo e fazer indagações na própria fonte. Assim, escritor e editor se unem em prol da causa cultural,
especificamente da juventude, pela história da terra.
MÊS
DO MEU PAI (FOTO: (ACERVO DE FAMÍLIA)
OS CORONÉIS Clerisvaldo B. Chagas, 29 de julho de 2026 Escritor símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3452 Os chamados Coronéis ...
OS
CORONÉIS
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de julho de
2026
Escritor símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3452
Os
chamados Coronéis do Sertão e que na zona canavieira eram denominados Senhores
de Engenho, Já traziam em si, o instinto
bruto da escravidão, do mando, antes mesmo das patentes compradas ao governo
central. Foi a Guarda Nacional, criada pelo padre Diogo Feijó, quem distribuiu
aos civis as patentes militares aos
homens ricos, políticos, intelectuais e assim por diante. Desse modo
além de muitos fazendeiros ricos terem essas patentes compradas, também, vários
deles eram chamados coronéis pelo próprio povo pela sua riqueza e não pela
patente comprada. Nem todos coronéis e majores do Sertão eram bandidos e
matadores de gente, embora, as imagens
sobre o coronel sempre estejam ligadas a todas as perversidades conhecidas.
Em
Santana do Ipanema, havia ainda no tempo de vila, o coronel Manoel Rodrigues da
Rocha, enriquecido com couros e peles no São Francisco sergipano e sendo antigo
sapateiro em Águas Belas, estabeleceu-se em nossa cidade. O coronel era avô do
futuro escritor/contista, Breno Acioly. Era industrial, comerciante e
fazendeiro e muito investia na vila. Tornou-se ponto de referência da época, a
grande liderança da região, porém, um coronel pacato, social e amigos de todos.
Tornou-se amigo de Delmiro Gouveia e com ele tinha planos de trazer a luz
elétrica de Paulo Afonso para Santana Ipanema. O domínio da sua liderança terminou
com a sua morte em 1920, quando faltava
bem pouco para Santana ser elevada à cidade.
O coronel Manoel Rodrigues da Rocha, Importou
muito material da França para uso nas suas construções como corrimão de
escadaria, estátua de deusa grega para
fachadas de prédio, vidraças coloridas e objetos para o lar como piano, espelho
e mais. Hospedava pessoas ilustres e abria as portas do seu casarão para o
folclore de épocas com uma vida ativa na sociedade em que vivia. O primeiro
juiz de Santana do Ipanema, era seu genro. No futuro, foi homenageado com seu
nome na praça central da cidade e que permanece até os nossos dias. Três
grandes casarões construídos por ele, ainda hoje fazem parte do Trio Arquitetônico
do Comércio, patrimônio impagável de Santana do Ipanema.
E AGORA? Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3450 Hoje, domingo 26, mais u...
E
AGORA?
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3450
Hoje,
domingo 26, mais um dia estiado em final de julho. Encerramento da festa da
padroeira de Santana do Ipanema, uma atração enorme para todo o Sertão alagoano
que vem congregar na fé. E assim, com o sol brilhando entre algumas brancas
nuvens, o santanense procura os passeios as fazendas, às chácaras, as visitas
domingueiras, enquanto aguarda o final
do dia para a procissão que segue por ruas e avenidas até o início da noite. É pena não ouvirmos mais o repicar
dos sinos da torre nas mãos habilidosas do sineiro “Major”, quilombola e educado zelador da Matriz de
senhora Santana (memória). Mas, mesmo sem o dobrar dos sinos, vamos encerrando
mais um episódio religioso tradicional e robusto do semiárido de Alagoas.
E
como é praxe nessa época do ano, o rio Ipanema mostra pouca água, apenas acumulada em poços, aqui e ali. A
cumpridez do seu leito, nessa frieza de julho, parece de um mundo distante onde
não transitam humanos. Uma solidão de fim de mundo. Os vegetais é de baixadas, montes e planuras, vão
desbotando o verde robusto das chuvas acentuadas e ficando pálido com
intervalos prolongados das lágrimas divinas. Nas fazendas, sítios e povoados as
cabeças são sempre giratórias para o céu, ora branco, ora azul. As interrogações
são as mesmas sobre prolongamento ou não do inverno e sobre o ânimo fraco das
águas que têm chegado. Porém, o melhor mesmo
é pegar a roupa nova e marchar satisfeito rumo à procissão.
Alguns
festeiros já antecipam o evento de São Cristóvão, como se outubro fosse ali na
esquina. Mexem no cocuruto antes mesmo dos agradecimentos de Santa Ana e São
Joaquim. Mas, é como dissemos outras vezes, no sertão santanense é festa o ano
todo. E neste momento em que escrevo estas palavras, estou ouvindo católicos do
lugar cânticos da procissão distante e às vezes, somente o barulho, o eco de
sons e sentimos assim por onde anda o cortejo de fé. Após a beleza do
encerramento, ficará nos corações dos católicos do lugar, uma sensação do dever
cumprido, mas também uma sensação de um vazio longo para o novo festejo do ano
que vem.
Final
de festa, final de mês.
Viva
o mês de julho!!!
MATRIZ
DE SENHORA SANTANA (foto; DIVULGAÇÃO).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.