SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
CULTURA HOMENAGEIA ESCRITOR Clerisvaldo B. Chagas, 4 de agosto de 2002 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.746 Terça-...
CULTURA
HOMENAGEIA ESCRITOR
Clerisvaldo
B. Chagas, 4 de agosto de 2002
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.746
Terça-feira
passada (2) numa visita de cortesia ao Departamento de Cultura de Santana do
Ipanema, fomos surpreendidos com uma homenagem em alto estilo, do Diretor de
Cultura, Robson França, a bibliotecária Telma e o músico Luiz, no gabinete do
Diretor. Sem de nada suspeitar, recebemos palavras elogiosas de estímulo e carinho
da parte do senhor Robson França. Em seguida, a senhorita Telma, bibliotecária
da Biblioteca Breno Acioly, nos recepcionou com um belíssimo recital,
acompanhado ao violão pelo músico Luiz que cantava um estribilho de Gonzaga nos
intercalados do recital. Entre os poemas que ornaram a tarde daquele dia
chuvoso, estava um martelo agalopado da nossa autoria, recitado com tanta
ênfase e alma que não resistimos ao marejar dos olhos, numa réplica sensitiva
tal as cacimbas do rio Ipanema. O escritor estava acompanhado da sua esposa
Profa. Irene Ferreira das Chagas, na Casa da Cultura.
A
Casa da Cultura estar situada à Avenida Coronel Lucena, próximo à Prefeitura, e
abriga o Departamento de Cultura e a Biblioteca Pública Breno Accioly.
Centralizado na cidade, o Departamento facilita o acesso aos santanenses de qualquer
parte da urbe ou de municípios vizinhos em missão de visitas, pesquisas, curiosidades
ou turismo. E por coincidência, a Biblioteca foi fundada pelo homem homenageado
com o título da Avenida. Na ocasião da nossa visita, a Casa da Cultura achava-se
bem movimentada a até banda de música havia, resultado do dinamismo dos seus
administradores. Sem dúvida nenhuma o lugar se tornou ponto de encontro
entre intelectuais e os que têm sede de conhecimento.
E
por falar em conhecimento, é o ato de compreender por meio da razão e/ou da
experiência. Enquanto isso, um dos
conceitos de Cultura, representa o
conjunto das tradições, crenças e costumes de determinado grupo social. Ela é
repassada através da comunicação ou imitações às gerações seguintes.
É
preciso estímulos a quem produz para que mais produções e criatividades
aconteçam em benefício da tradição, da história de um grupo, de um país, do
Planeta Terra. A cultura específica de um povo, é apenas uma parcela que faz
parte da Cultura Geral do mundo. Pensemos nisso.
Casa
de Cultura de Santana do Ipanema.
Toda
honra e toda glória ao Grande Arquiteto do Universo.
SALA
DE RECEPÇÃO NA CASA DA CULTURA (FOTO: B. CHAGAS/ARQUIVO)
O BERRO DO BOI Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.745 Meu amigo quer fa...
O
BERRO DO BOI
Clerisvaldo
B. Chagas, 3 de agosto de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.745
Meu
amigo quer fazer um churrasco, mas não sabe a melhor carne a ser usada.
Independente do preço muita gente não sabe também qual é o melhor pedaço do
boi. Essa polêmica presenciei nos anos 60 entre boiadeiros e fazendeiros. Cheguei
à conclusão que todo o questionamento é questão de gosto. Um dizia: “A
melhor carne do boi é a chã de fora”. Era rebatido: “De fato é gostosa, mas é
dura, prefiro a chã de dentro”. Um terceiro: “A melhor carne é o filé”. Novo
rebate: “Não gosto, só fede a mijo”. Resolvemos dá uma forcinha, mas continua
sendo uma questão de gosto. As carnes geralmente são chamadas de primeira e de
segunda conforme a parte do boi de onde é retirada. A traseira é considerada de
primeira e ali estão as chamadas carnes nobres; a dianteira são as de segunda,
mais ou menos assim distribuídas:
Na
traseira da rês estão, de cima para baixo na anca do boi: Picanha, lagarto, chã
de fora, chã de dentro, patinho. Mais abaixo Alcatra, maminha da alcatra,
fraldinha, ponta de agulha e músculo
Dianteira:
Acém, pescoço, peito, paleta (perna).
No
meio da rês: de cima para baixo: filé mignon, filé de costela, contrafilé, capa
de filé e aba de filé.
Assim
fomos a um churrasco delicioso e na medida, como dizem por aqui. Mas o
comandante da festa diz: “Não perguntam nem que tipo de carne está no prato?”. E
nós: “Quando terminar a brincadeira, perguntaremos”. Parece até um sacrilégio
falarmos sobre churrasco no Brasil nesses dias em que muita gente estar
passando fome, comprando osso e vendo carne de boi somente na propaganda.
Mas
no Brasil, o boi estar representado em todas as Grandes Regiões, até mesmo na
Amazônica onde o gado é introduzido na marra. Quem não gosta do boi neste País,
gosta da vaca. Quem lembra do filme “Vidas Secas”, baseado no livro de
Graciliano Ramos?! Aparece um folguedo de Guerreiro onde o boi é cantado
dramaticamente. E enquanto vamos exportando carne bovina para o resto do mundo,
o preço do boi gordo dispara nesta nação e dá um coice dos diabos na refeição
diária de boa parcela da população.
E
com esse desembesto nos preços, churrasco agora só se for do Bumba-Meu-Boi que
berra nos festivais de Maceió.
BERRO
DO BOI (FOTO: DANILO)
CAFÉ PEQUENO Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.744 Nesse momento de mu...
CAFÉ
PEQUENO
Clerisvaldo
B. Chagas, 2 de agosto de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.744
Nesse
momento de muita frieza no Sertão e tempo serenando, nada melhor de que um
cafezinho com o delicioso bolo de macaxeira. Mas a mente vai buscar os anos 60
em Santana do Ipanema, quando o destaque desta bebida arábica, estava no Café,
estabelecimento comercial do saudoso Maneca, que ficava bem perto do Museu e
vizinho à nossa loja de tecidos. Não vem à lembrança o nome exato na fachada,
mas parece ter havido apenas o nome “Café” e o povo complementava como “Café de
Maneca”, o mais gostoso da cidade. Ali era servido pequenos lanches tal pão com
manteiga, café com queijo, bolo, pão doce; refrigerantes, e, para os viciados,
Cigarro Continental e cervejas. Quanto à geladeira, um desses raros utilitários
de Santana, mostrava qualidade insuperável: gelava que era uma beleza!
O
café de Maneca era classificado no modo de pedir: “Maneca, um café pequeno”, vinha,
então um café numa xícara de chá que também era chamado simplesmente de
pequeno: “Dê-me um pequeno”, O proprietário já sabia. “Maneca, um café grande”,
vinha uma xícara normal, cheia. Mas ainda havia o pedido: “Maneca, meio café”.
Saía o café com apenas a metade de uma xícara normal. E perguntado sobre como
conseguia fazer café tão saboroso que nem em casa se fazia, o homem respondia
na hora: “É simples, misturo o café de segunda com o café de primeira”. E para
quem conheceu a marca “Café Afa”, cujo complemento dizia, “o café que abafa”,
vinha da torrefação Antunes de Maceió, embalado em pacote de café de primeira e
café de segunda. Ambos excelentes!
Entre
a nossa loja e o Café de Maneca, havia vez em quando, rodas de boiadeiros
botando a conversa em dia. Em nossa terra boiadeiro é o homem que compra e
revende boiadas. Em umas dessas rodadas, falavam dos prejuízos que tiveram e
como transportavam dinheiro driblando possíveis ladrões. Ali estavam Arnóbio
Chagas, Pompeu, Lucas, Enéas e outros mais. Foi quando o Lucas falou: “Eu tive
um prejuízo tão grande que passei mais de quinze dias só tomando cafezinho”.
Naturalmente, entre esses cafés estavam os de Maneca.
Hoje,
meditando nesse inverno que nos encolhe em casa, vou lembrando dos anos 60,
levando à vida entre café grande, café pequeno e meio café.
CAFÉ
PRETO (FOTO: iSTOCK)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.