SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
SUA TERRA Clerisvaldo B. Chagas 11 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.749 Muito tempo parado, apr...
SUA
TERRA
Clerisvaldo
B. Chagas 11 de agosto de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.749
Muito
tempo parado, aproveitamos o raro dia de Sol deste inverno e fomos visitar
alguns pontos de Santana do Ipanema. Iniciamos pela rua mais antiga de Santana,
a Antônio Tavares, onde a encontramos completamente asfaltada. Talvez devido a
arborização pareceu que a mesma havia se estreitado. Antes, totalmente
residencial a “Rua dos Artífices”, inicia pequenos negócios de comércio que
deslumbra para o mesmo efeito avançado da Rua Pedro Brandão.
Fomos
ao monumento ao asno, à 60 GERE para regularizarmos à
nossa Aposentadoria, uma visita ao Centro Médico
Hebron, uma passada pelo Complexo da Saúde, vizinho ao Colégio São Cristóvão,
onde constatamos o grande fluxo de pessoas que descem da famosa Rua das
Pedrinhas em busca dos serviços médicos do SUS.
Pena
o Complexo Educacional e de Saúde ficarem encravados em terrenos insalubres,
onde fluxos d’água escorrem permanentemente nessas ruas, vindos da parte mais
alta da região. Isso corrói o calçamento que recebe lixo do pequeno comércio de
lanches e não combina de maneira nenhuma com a Saúde.
Ouvimos
muita reclamação do povo sobre a falta de um semáforo na cabeça de ponte da
Camoxinga, na BR-316 – cruzamento perigosissimo – e a cobrança de motoristas
para melhoramentos na entrada da rua para esses complexos. Os carros têm que
entrar travessados correndo perigo com o trânsito da BR. Santana virou Maceió
em termos de trânsito e falta de estacionamento. “Não podemos nem mais
atravessar à rua a pé”, nos falava uma senhora a quem demos carona.
Encerramos
a nossa incursão pela cidade, ainda dando graças pelo Sol que banhou o dia 10
de agosto, numa passada pelas imediações da Praça da Paróquia de São Cristóvão,
onde os serviços de lanche no logradouro atraem bastante pessoas. As crianças
deixavam às escolas particulares das imediações e funcionavam vacinas na
Secretaria de Saúde, antigo Hospital e Maternidade Arsênio Moreira, bem no filé
do Bairro Camoxinga. Não deixamos de registrar a Igreja Matriz de São
Cristóvão, bem pintada, ornada e de porta principal aberta aos seus fiéis, como
deve ser.
IGREJA
DE SÃO CRISTÓVÃO, DIA 10/08 (FOTO: B. CHAGAS)
BEXIGA LIXA Clerisvaldo B. Chagas, 9 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do sertão Alagoano Crônica: 2.748 Já abordamos esse ass...
BEXIGA
LIXA
Clerisvaldo
B. Chagas, 9 de agosto de 2022
Escritor
Símbolo do sertão Alagoano
Crônica: 2.748
Já
abordamos esse assunto há muito, mas com o surgimento da Varíola do Macaco,
vamos voltear. No final dos anos 50 para os anos 60 a varíola surgiu aqui no
sertão de Alagoas. O povo mais humilde chamava a doença de bexiga, o que já
estava acostumado a xingar as coisas com esse e o nome peste. As pessoas
ficavam completamente pintadas, com ênfase para os indivíduos negros. Quase
sempre a bexiga era caso certo de morte, então, os doentes eram levados para o
rio Ipanema, a cerca de 3 km da cidade rio acima, onde havia uma loca e ali era
depositada a pessoa que ficava à mercê da Natureza. A comida levada pelos
familiares era empurrada para dentro da “loca dos bexiguentos” com uma vara,
segundo os mais velhos.
Depois
chegou à vacina que também era aplicada nas escolas. Do produto não temos
lembrança, mas o procedimento da vacina era aplicado com uma pena de escrever,
no braço, o que deixava uma marca para sempre, pois eram feitos arranhões na
pele que deixavam a cicatriz. Diziam que a doença pegava pelo vento, daí,
contato com o doente apenas quando a pele do infectado estivesse completamente
murcha daquelas manchas róseas que pintavam todo o corpo da vítima. O sertanejo
costumava xingar as pessoas e coisas com os nomes: peste, doença do rato
e bexiga lixa. Portanto parece ter sido um castigo divino contra esses
impropérios bárbaros. Aliás, o nome “peste”, é o mais citado do Brasil pelos
alagoanos em momentos de ira.
Como
dizem que a moda sempre estar voltando, a doença parece também possuir os seus
ciclos. A Varíola do Macaco é a cópia da varíola dos anos 60, pelo menos
externamente. Quanto à vacina ainda não foi divulgada e se foi não teve a
ênfase merecida. Só não acreditamos que iremos voltar a usar no braço a aposentada
pena de fazer caligrafia.
Continua
no leito do rio Ipanema, no chamado poço Grande ou poço do Boi, a loca dos
bexiguentos e que outros dizem tratar-se de uma pirâmide alienígena. A loca
fica na parte inferior da pirâmide vigiada por urtigas e marimbondos em tempo
de estio. Ilhada pelas águas barrentas do Panema, em tempo de cheias.
PEDRA
DOS BEXIGUENTOS EM 2006 (FOTO: B. CHAGAS/LIVRO 230).
ALAGOAS C lerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.747 “O vento, a chuva, as águ...
ALAGOAS
Clerisvaldo
B. Chagas, 8 de agosto de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.747
“O
vento, a chuva, as águas correntes e as ondas do mar promovem a desagregação
das rochas pelo atrito ou pelos embates dessas forças em movimento. Além de
contribuir para uma lenta destruição do relevo, como um abrandamento nas formas
eriçadas, tais agentes mecânicos realizam transporte dos detritos para
depositá-los adiante, em distâncias variáveis.
Chama-se
Corrosão ou erosão eólica, aquelas realizadas pelos ventos. Abrasão ou erosão marinha é produzida
pelo mar. A erosão pluvial, é a das chuvas, fluvial a dos rios e
glacial a dos gelos em movimento”. Inúmeras dessas ações naturais desenham
os bastidores do litoral alagoano. Seja
no litoral norte ou no litoral sul do estado, a beleza está presente e
classifica nossas praias entre as mais magníficas do mundo.
Os
variados tipos de formações do litoral alagoano entram numa disputa típica dos
humanos em que se pergunta: “qual a praia mais bonita de Alagoas?” Você sabe
responder? Quem responde àquela indagação por certo tem a sua preferência
baseada nas erosões, na sedimentação ou outros fenômenos que moldam a paisagem
justamente como o usuário deseja. Praias com falésias, praias com arrecifes,
praias com lagoas, com formações de dunas, com atóis, com restingas, com ilhas
grandes ou pequenas... Onde está a formação almejada, encontra-se a praia mais
bonita do estado. São justamente essas variadíssimas formações que se
apresentam em nossa costa (menos a erosão glacial) que transportam Alagoas para
o topo da beleza litorânea quase surrealista.
Uma
praia rebaixada e arenosa sem nenhum outro acidente físico à vista, apenas
areia e água, pode também ter seus encantos pelas águas límpidas, pelo fraco
movimento das ondas, assim como as praias de Paripueira. Mas, visitar apenas
uma praia de Alagoas é até um privilégio frustrante se pensarmos que falta
conhecer 250 Km de outras praias do estado. Os diversos desenhos naturais do
litoral alagoano são tão incríveis que muitos consideram um ESPANTO de tanta
beleza. Estamos mostrando um roteiro a um amigo que almeja se aventurar por
esse litoral no início da primavera. Boa viagem companheiro, pelo “Paraíso das
Águas”.
Alagoas,
estrela radiosa.
PRAIA ALAGOANA (FOTO: ASSESSORITO VIAGENS)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.