SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
MACONHA PASSADO E PRESENTE Clerisvaldo B. Chagas, 25 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.757 Os p...
MACONHA
PASSADO E PRESENTE
Clerisvaldo
B. Chagas, 25 de agosto de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.757
Os
principais órgãos noticiosos do estado, colocaram a “página de trás” dos
jornais impressos nas manchetes da primeira. Em um site alagoano, por exemplo,
a que eu chamo “site da miséria”, não publica uma só notícia boa. Estupros,
assaltos, roubos, afogamento, acidente de trânsito e crimes de morte, são a
rotina desse site. Uma apreensão de maconha no Sertão é motivo de manchete,
foto extraordinária e matéria de dois dedos. Nem sabemos mais se maconha tem
tanto sucesso assim como chamariz nas redes sociais. As drogas pesadas passaram
à frente da maconha e esta, pelo visto, passou a ser “fichinha” e se banalizou.
Durante
os anos 60, maconha causava reboliço nos quadrantes das Alagoas. Grandes
reportagens da época motivavam enorme interesse nos leitores que procuravam
imediatamente os nomes dos envolvidos no tráfico e nos plantios sertanejos
apreendidos. A POLINTER agia com grande estardalhaço da imprensa e todo o
produto apreendido nas “badaladas” diligências era exposto na porta da
delegacia, ensacado, seco pronto para uso ou verde aos montes. Nessas ocasiões
o público se dirigia até o Aterro, onde ficava a delegacia, para conhecer o que
era maconha, suas diversas etapas e os grandes plantadores presos. Geralmente a
maconha vinha de plantações de focos tradicionais conhecidos: povoado São
Félix, povoado Pedra d’Água dos Alexandres, grotas da serra da Caiçara, em
Maravilha ou da região de Mata Grande.
As
pessoas tinham medo do fumador de maconha, considerado marginal e perigoso. Os
cigarros eram consumidos em lugares mais distante dos casarios: serrote do
Cruzeiro e Campo de Aviação, tinham a preferência desse pessoal, segundo
conversas de cochichos nas ruas. O alto traficante e o plantador da erva,
também eram temidos, porque eram bem de vida, viviam na sociedade onde gozavam
de bastante prestígio, até à descoberta oficial da polícia e os escândalos causados
pelos reboliços das prisões.
Portanto,
hoje com tanto pedido de legalização da maconha, essas manchetes sensacionalistas,
parecem andar contra o vento. E um site que não procura notícias proveitosas
para a sociedade, onde só prolifera o horror e suas fontes negativas, estar
servindo a que tipo de força espiritual?
MACONHA
VERDE (CRÉDITO: DEPOSIT FHOTO)
DIVIDINDO AS ERAS Clerisvaldo B. Chagas, 23 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.756 Como estão dizend...
DIVIDINDO
AS ERAS
Clerisvaldo
B. Chagas, 23 de agosto de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.756
Como
estão dizendo que estamos nos fins dos tempos, que tal recordar a marcha da
Terra, desde sua formação até os nossos dias? Podemos dividir essa marcha em
Eras e as Eras em períodos, representados todos em milhões de anos. São 5 Eras
e vários períodos abaixo divididos. Lembrando que isto é apenas um resumo, mas
não precisa decorar, apenas consultar quando preciso.
Era
Primitiva ou Arqueozoica – períodos: Arqueano Algonquiano.
Era
Primária ou Paleozoica – períodos: Cambriano, Siluriano,
Devoniano, Permiano e Carbonífero.
Era
Secundária ou Mesozoica – períodos: Triássico, Jurássico
e Cretáceo.
Era
Terciária ou Cenozoica – períodos: Paleoceno, Eoceno, Mioceno
e Pioceno.
Era
Quaternária
Durante
a Era primitiva ou arqueozoica, formou-se na Terra o envoltório gasoso,
as águas se acumularam nas depressões, formando oceanos e mares, a crosta
terrestre solidificou-se. Durante seus períodos, levantaram-se importantes
cadeias de montanhas que hoje estão reduzidos a velhos planaltos erodidos,
assim como os planaltos Brasileiro e Guiano. Essa foi a Era mais longa da
terra.
Na
Era Primária ou Paleozoica com seus cinco períodos, surgiram novas
cadeias de montanhas e a superfície da terra se cobriu de vegetação, permitindo
a purificação da atmosfera e vinda animal das águas para terra.
Na
Era Secundária ou Mesozoica, com os seus três períodos, a Terra sofreu
muitas erosões e sedimentação. Suas florestas alimentaram os gigantescos
sáurios ou lagartos.
Durante
a Era Terciária ou Cenozoica, com os seus quatro períodos, a crosta
terrestre voltou a sofrer pregueamentos que resultaram as atuais cadeias de
montanhas dos Alpes, Andes, Rochosas, Himalaia e outras, bem como o
aparecimento de gigantescos mamíferos.
A
Era Quaternária foi caracterizada por demoradas glaciações na superfície
da terra e o aparecimento do homem.
Isto
é o mínimo que você deve saber sobre o Planeta em que vive.
Abraço!
ANIMAIS DA ERA MESOZOICA (CRÉDITO: GETTY/IMAGES/STOC).
VENDE-SE O CARRO DE BOI Clerisvaldo B. Chagas, 22 de agosto de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.755 A visita ...
VENDE-SE
O CARRO DE BOI
Clerisvaldo
B. Chagas, 22 de agosto de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.755
A
visita não foi programada. Uma surpresa nas pesquisas sobre o padre Cícero, nos
fizeram chegar até a casa do senhor Manoel Daniel Filho, após visita a uma área
invadida pelo Ipanema na grande cheia deste ano. O lugar chamado “Volta” ou
“Volta do Ipanema” – expressão muita usada no passado – hoje está bem habitada,
às margens do rio, parte mais baixa no extremo oeste do Bairro São José.
Entretanto, esse ponto onde o rio faz uma curva, daí a denominação, continua
com os mesmos aspectos de antigamente. Ali as águas subiram muito e invadiram residências
no final de ruas que se cruzam em forma de “L”. Várias casas foram invadidas e outras
derrubadas pela cheia. Até hoje permanecem os chamados “basculhos” secos nas
pedras do Panema.
A
cheia não chegara à casa do Sr. Manoel e podemos conversar à vontade na sua
garagem em que está seu carro de boi de rodas de pneu, fruto de decreto do,
então, prefeito Ulisses Silva, proibindo carros de boi de rodas de aros de
ferro circularem no novo calçamento de paralelepípedos de Santana do Ipanema.
Vendidos os bois, o carro bem feito aguarda comprador enquanto serve de
depósito de madeira e panos do funcionário público aposentado. Seu Manoel fala
da perna quebrada no seu trabalho caseiro, suas dificuldades para locomoção,
mas não deixa em paz seus instintos de trabalhador: “enquanto descansa carrega
pedras”, diz o homem conformado com sua deficiência. Devoto de Santa Quitéria,
fala da vila pernambucana com grande propriedade.
Enquanto
isso, sua esposa conta a graça alcançada com o padre Cícero do Juazeiro. Senhor
Manoel Afirma sobre o carro: “Não tem uma folga em nada, é todo de craibeira e
ninguém faz um igual a esse pelo preço que está à venda”. Continuo dialogando
com aquele cidadão que eu, ainda criança e rapaz tanto o vi passando na minha Rua
Antônio Tavares, ora a pé, ora comprando cinzas em um jumento, para os curtumes
da Maniçoba. Agora na terceira idade. Nunca tive coragem de falar com ele, mas
nas voltas que o mundo dá chego de cara com aquele adulto de outrora. E com tantas conversas agradáveis – até
parecia que queríamos descontar o tempo de tantas eras em nosso mutismo. Ele
muito me agradeceu pela minha palestra e eu saí de alma vibrante de alegria,
pela oportunidade que a vida me dava e pelo muito que aprendi naquela rodada de
simplicidade, segredo da vida.
MANOEL
DANIEL E SEU CARRO DE BOI, RODA DE PNEU (FOTOS: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.