SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
SÃO PEDRO Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.916 O mês de junho encerra...
SÃO PEDRO
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.916
O
mês de junho encerra suas atividades festivas com os santos do período: Santo
Antônio, São João e São Pedro, numa sequência de muita alegria e muita festa
que deixa o Nordeste imensamente feliz durante os 30 dias. E, em Santana do
Ipanema, nos últimos dias de junho, fica mais aberta às visitas dos devotos, a
chamada igrejinha de São Pedro no bairro e na rua do mesmo nome do santo. Deu
trabalho para ser construída a igrejinha de São Pedro que sofreu algumas
interrupções curtas e longas até que foi impulsionada pelo comerciante
Tertuliano Nepomuceno (segundo o saudoso historiador oral “Seu Carrito”), foi
iniciada no tempo de vila até ser inaugurada no ano de 1937. Desde então a Capelinha do santo chaveiro do
céu, vem sendo um seguro refúgio dos seus antigos e novos devotos que nesse
templo depositam a fé.
Recentemente,
a igrejinha de São Pedro passou por ampla reforma se tornando um dos mais belos
templos de Santana do Ipanema e que continua sendo carinhosamente denominada
pelo povo de igrejinha de São Pedro. Durante os festejos de Santo Antônio, a
distribuição do tão conhecido “Pão de Santo Antônio”, acontece na igrejinha do
seu amigo, no Bairro São Pedro. E todos acreditam piamente na tradição do
pãozinho que estando em sua casa, jamais faltará o alimento para a família. A
igrejinha de São Pedro, é vizinha do prédio de uma das primeiras escolas
noturnas para adultos, de Santana do Ipanema (Batista Accioly) e apontada como
“O Bacurau”, por funcionar naquele turno. Hoje foi transformada em Biblioteca
pública Adercina Limeira, professora dos primeiros quadros do, então, Grupo
Escolar Padre Francisco Correia e que morava no acesso ao Bairro acima.
Pela
igrejinha de São Pedro passaram vários zeladores, mas o mais tradicional foi o
morador das imediações chamado pelo povo de “Seu Gaia” ou “sargento Gaia”. Um
homem manso e de fala arrastada que brigou com Virgulino Ferreira, o Lampião,
nos primórdios da carreira de bandido, no atual município de Ouro Branco.
Apesar
do banho de asfalto por suas ruas principais, a modificação de algumas poucas
residências, o Bairro São Pedro não mudou o seu antigo aspecto e continua sendo
área residencial, não boa para comércio e ótimo para descanso devido a sua
tranquilidade, mais afastado do Centro e de poucos veículos no trânsito diário.
Assim,
São Pedro fecha com sua chave de ouro, o mês de junho.
Salve
a rocha da Igreja!
IGREJINHA
DE SÃO PEDRO, REFORMA E REFORMADA NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2013. (FOTOS: B.
CHAGAS/LIVRO 230.
OLHO D’ÁGUA DO AMARO Clerisvaldo B. Chagas, 29 de junho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.915 Um dos anti...
OLHO D’ÁGUA
DO AMARO
Clerisvaldo
B. Chagas, 29 de junho de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.915
Um
dos antigos fundadores de Santana, que havia ganho sesmaria na Ribeira do
Panema, ficou com uma extensão de terras que ia desde a serra do Caracol, até o
Riacho Grande. A serra do Caracol fica logo após o atual povoado São Félix
(antiga Quixabeira Amargosa) e, Riacho Grande é hoje o município de Senador Rui
Palmeira. Tempos depois, saiu dividindo essas terras adquiridas, entre filhos e
filhas, à medida que iam casando. isso resultou em imensas áreas de terras como
o lugar rural Olho d’Água do Amaro. Ali, em tempo de seca, foi descoberta uma
fonte d’água e um negro escravo fugido, perto da fonte na caatinga bruta. Como
a fonte d’água descoberta nuca secou e conseguiu chegar até os nossos dias,
estivemos no lugar pesquisando vestígios históricos para o livro “Negros em
Santana”. E como o negro encontrado tinha o nome de Amaro, assim ficou a
denominação do lugar: Olho d’Água do Amaro.
Na
planura com ondulações da caatinga, fomos atravessando o Campo de Aviação, várzeas,
fazendas, chácaras e pontos de encontros de vaqueiros e visitantes da cidade em
bar de beira de estrada, até chegarmos ao núcleo do sítio procurado. Ali já
havia uma igreja e um estabelecimento de ensino, o que caracterizava um grande
espaço nos arredores como o centro da vizinhança. Através de informações,
chegamos até a fonte tricentenária que havia ganho uma proteção redonda de
cimento. Uma mangueira que ainda estava na boca da estrutura mostrava que de
fato a fonte ou olho d’água continuava na ativa.
Fotografamos
a fonte, indagamos a moradores e retornamos da zona rural, pronto para
complementarmos o livro que serviria de TCC para o Curso de pós-graduação em
Geo-História. Ficou assim comprovada a existência da fonte originária do sítio
Olho d’Água do Amaro. Mas não encontramos retrato e nem sequer desenho a carvão
do nosso herói doméstico Amaro, gente do grande Zumbi dos Palmares, o famoso
líder da serra da Barriga.
Um amigo de computador e programas poderosos,
mostra-me num mapeamento de Santana, inúmeros olhos d’água inativos, mas não se
tem notícia de nenhuma dessas fontes com trabalho público de recuperação.
No
peneplano de Olho d’Água do Amaro, fomos encontrar ainda em todas as suas
regiões, fazendas típicas de criatórios bovino e ovino porteiras e casas
tradicionais dos tempos das ocupações de terras devolutas.
SERTÃO
DO OLHO D’ÁGUA DO AMARO (FOTO B. CHAGAS).
PASSEANDO E REFLETINDO Clerisvaldo B. Chagas, 28 de junho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.915 Espiei o ...
PASSEANDO E REFLETINDO
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de junho de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.915
Espiei
o tempo, medi o intervalo entre chuva e estio e parti a pé visando a região da
antiga Volta. Volta era o nome da área onde hoje existe a barragem assoreada de
Santana do Ipanema, à margem da BR-316, bem na saída da cidade para o Alto
Sertão. A ponte que faz a estrutura da barragem é bem feita e remonta a 1951,
porém é estreita e faz medo passar por ali juntamente com um veículo; e se for
dos grandes pior ainda. O pedestre tem cerca de quarenta centímetros de largura
num alto relevo para se encolher entre uma carreta e o abismo, cuja murada
apenas vai até a região do quadril. Representa também o lugar como ponto de
suicídio, tanto para o lado do assoreamento quanto para o lado somente de
rochas. A ponte ficou conhecida como Ponte da Barragem. O erro para pedestres é
repetido na ponte do Centro da cidade e que também é fonte de suicídios.
A
antiga Volta ou Volta do Rio ou Volta do Ipanema, propriamente dita, é que,
quando o rio Ipanema chega a nossa cidade, vindo do município de Poço das
Trincheiras, após a citada barragem, desce ainda 400 ou 500 metros pelo
escoadouro da barragem e, ele que vem em direção norte-sul, faz uma admirável
curva ao encontrar altas barreiras na margem direita e corre em direção leste
para o centro da cidade. Atualmente a palavra “Volta” perdeu-se na evolução da
urbe a ponto de um ilustre amigo me perguntar sobre ela. Pois era para lá que
eu estava indo saber se ainda existia uma granja feita na margem esquerda. Mas
há muito que a granja deixou de existir deixando apenas uma estrutura de
concreto entre o rio e a última rua paralela à Volta.
Bati
foto, apenas pelo valor estimativo temporário. Lembrou outra granja que foi
extinta, do outro lado da cidade e que produzia 30.000 mil ovos/dia. A falta de
incentivo vai assim destruindo pequenas e médias empresas que geravam empregos
renda, produção local de alimentos e intensa circulação de dinheiro no
comércio. Engoli seco e fui espiar a Volta. Tão bonita, tão famosa... Tão esquecida!
A curva perfeita do rio está viva ainda, repleta de areia grossa, pedregulhos
semeados e basculhos secos e enganchados pelas rochas e pelos troncos ainda
tenros de novas craibeiras que brotam das rachaduras. Antigo lugar de banhos de
passeios catequistas, de história santanense.
Melancolia,
lembranças... Saudades.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.