terça-feira, 27 de janeiro de 2015

VELHO CEPA




VELHO CEPA
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de janeiro de 2015
Crônica Nº 1.354

CEPA. Foto: (Clerisvaldo).
Quem diria! Deixando um colégio particular tão famoso de Maceió, mas em decadência, não suportei mais de um ano naquele lugar tão esquisito. Saí levando na bagagem apenas à frustração e a certeza de um ano perdido. As únicas coisas boas que transportava dali eram as aulas do professor Douglas Apratto e o bê-á-bá filosófico do padre Teófanes.
Resolvi arriscar o 2º Ano do Curso Médio em escola pública e parti para o Moreira e Silva, chamado na época de Cepinha. Um ginásio de esporte, uma velha piscina e o casarão à frente com o título da escola, eram tudo que havia naquele imenso espaço, praticamente vazio. Foi a melhor coisa que fiz. Peguei um ensino de qualidade, bons professores com frequência regular e em dose dupla por matéria: dois professores da língua portuguesa, dois de Biologia, Dois de Física, dois de Química e assim por diante.
Sertanejo enraizado olhava o terreno vazio, largo e comprido do CEAGB e mergulhava na melancolia da saudade.
CEPA. Foto: (Clerisvaldo).
E ali, à margem da Avenida Fernandes Lima, passava o tempo com uma lentidão enervante, aguardando o mês, o dia e a hora de rever os meus serrotes, minhas serras, meu Panema e o meu cheiro de caatinga.
Dois anos se passaram. Foi construída outra piscina, reformado o ginásio, novas construções foram surgindo naquele massapê... E eu fui deixando para trás aquele colega Marcos que era doido pelas músicas de Gonzaga, o Armando que tocava piano, os três inseparáveis riquinhos, a morena indiferente e caidíssima pelo professor de Biologia, dessa vez levando um mundo de coisas boas aprendidas no estado.
O Cepinha cresceu agigantou-se, tornou-se o maior complexo educacional da Terra dos Marechais e recebeu a denominação de CEPA (Centro Educacional Público de Alagoas). Atualmente ali funciona também a Secretaria de Educação.
CEPA. Foto: (Clerisvaldo).
E hoje, ao correr atrás de uma aposentadoria rosqueada, percorro o CEPA, sem mágoas, sem saudades, sem alegria e sem tristeza. Para mim, apenas um CEPA e nada mais.





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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

CAJUS DO SERTÃO E O POLÍTICO PESTE



CAJUS DO SERTÃO E O POLÍTICO PESTE
Clerisvaldo B. Chagas, 27 de janeiro de 2015
Crônica Nº 1.353

Foto: (marluce-erem.blogspot.com)
Coisa saborosa no sertão de Alagoas é o caju amarelo. E se ele for do povoado Areias Brancas, é feito de mel.
O cajueiro (Anacardium occidentale) pode ser anão, com até quatro metros de altura ou gigante que pode bem passar dos cinco metros e, em condições propícias, chegar aos vinte.
Chamado pelos índios de “acayu”, esse fruto é riquíssimo em vitamina “C” (mais de que a laranja), contém vitamina “A” e do complexo “B”, e ainda é rico em proteínas, lipídios e carboidratos; fonte de cálcio, fósforo, ferro, zinco, magnésio, fibras, gorduras insaturadas e niacina. As suas propriedades trazem enormes benefícios à saúde.
Até a casca do cajueiro se apresenta como medicinal. O tronco produz uma resina amarela, goma do cajueiro, que pode substituir a goma arábica e é usada na indústria do papel e farmacêutica.
As flores têm propriedades tônicas. A seiva produz tinta e a raiz tem propriedades purgativas.
Cajueiro, um verdadeiro achado.
Os índios brigavam pela coleta do caju. Os negros escravos doentes ficavam meses sob os cajueiros do litoral para à cura de problemas bucais.
Mesmo assim, com essa fonte nutricional riquíssima ainda se desperdiçam cajus no sertão que ficam aos montes apodrecendo no chão, enquanto parte do mundo passa fome.
No sertão, porém, o caju vermelho não é tão apreciado quanto o amarelo. Em dez cajueiros vermelhos ou mais, aparece um caju de sabor razoável. O bicho é azedo que arripuna!
Em outras regiões, como o agreste e o litoral o caju vermelho concorre facilmente com o caju amarelo.
O certo é que os areais de solo raso do sertão, não favorecem muito essa espécie Anacardium. O caminhante passa sob os cajueiros de frutos vermelhos e nem sequer estende a mão para apanhá-los, fazendo trejeito de repulsa na boca e no pescoço.

Um matuto do sítio Pau Ferro dizia que o mau político, o safado, o mentiroso, o corrupto, o ladrão da merenda das crianças, do bem estar da saúde pública, enfim, o político peste, é tão repulsivo quanto os cajus vermelhos do sertão. A única coisa perfeita que eles carregam é a castanha no lugar exato.







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