domingo, 5 de junho de 2022

 

 RIACHINHOS

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de junho de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica:2.711

 



Nessas ocasiões de cheias também os riachinhos são valorizados. Aquele riacho minúsculo que passa na fazenda, tão seco que quase não define o leito em tempos de estiagem, ressurge vivo e atuante com produção de água, pasto na várzea, impedindo passantes, engordando o gado.  É a fazenda que tem uma "vazante (várzea, baixada, baixio, ipueira) avaliada em tempo seco por compradores de terra. Estar aí a Defesa Civil monitorando rios, riachos e riachinhos que podem causar tragédia em lugares habitados. Os riachos conhecidos e anônimos de Santana do Ipanema surgem nessa época como protagonistas do tempo chuvoso, notadamente aqueles que passam perto de habitações rurais e citadinas.

Ah! Como tinha razão o nosso querido mestre da Geografia Alberto Agra: “Para nós mais vale um riachinho em nossas terras do que o rio Amazonas nas terras alheias”. Assim o riacho do Bode, tão pequeno, tão acanhado, forma o grande açude da cidade. O pequeno riacho Salobinho forma barragem particular em sua foz. O riacho Tigre alimenta o córrego Camoxinga E o débil riacho Salgadinho invade casarios da Floresta represado pelo rio Ipanema. Vão umedecendo os terrenos, a campineira onde pastam o carneiro, o bode... O novilho, o boi de carro.  O Nordeste pode não ser a terra onde corre leite e mel, mas com certeza onde nascem os riachinhos como lágrimas divinais.

E vendo a chuva mansa cair sem parar na minha rua, vem à memória a minha dificílima descida acompanhando o riacho Ipaneminha na serra do Ororubá, no município de Pesqueira, PE. Início de nascentes, tão pequeno, tão límpido, murmurando por entre árvores frondosas; e eu, deixando aquele fio d’água bebê passar tão fininho sob minhas pernas numa felicidade sem fim. Mão em concha bebendo aquele líquido maravilhoso formador primário do meu querido rio Ipanema, tão amado em nossa distante Alagoas. Um momento solene em que eu e o meu fiel companheiro João Soares (Quen-Quen) desejamos a presença de todos os santanenses naquele encantado da mata.

Riachinhos, riachinhos! Vocês têm a inocência dos humanos, crianças embaladas pelas mãos de DEUS.

Riacho (Foto: Bianca Chagas).

 

 


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quarta-feira, 1 de junho de 2022

 

SENHORAS E SENHORES!

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de junho de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.710



 

O Sertão alagoano sempre foi promissor para as recepções aos circos de todas as qualidades. O povo santanense, entretanto, tinha uma empatia gigante pelos circos de qualidade superior e os famosos eram três ou quatro que ficaram para sempre na memória dos frequentadores.  Mesmo ficando na memória, aqui, acolá ela dá um branco. Tinha um circo de nome “J. Mariano”, se não estamos enganados, que era a preferência da cidade. Tinha outro ou era esse mesmo cujo donos eram anões e fazia grande sucesso em Santana. Gostávamos muito quando o circo era de primeira e possuía duas partes: a do espetáculo e da dramaturgia. Nesta, era uma comoção geral e muito chororô.

Era o palhaço, a rumbeira, o mágico, o equilibrista, o globo da morte, cantores e atores espetaculares nas apresentações dramáticas. “A louca do Jardim” era uma peça sempre em evidência. Teve até gente da nossa sociedade que fugiu com a rumbeira.

Mas quero homenagear os meus ex-colegas ginasianos Omir Silva e Sebastião das Queimadas. Enquanto minha pessoa era apenas estudante, Omir e Sebastião já eram funcionários do Banco do Estado de Alagoas – PRODUBAN. Omir gostava muito de cantar, admirava a voz de Agnaldo Rayol e sempre cantava “Você fez Coisa”. Sebastião tocava trompete se não estamos enganados e Omir outro instrumento que não vem agora.

Mas era um orgulho para mim, vê dois colegas de classe sendo contratados para atuarem nos acompanhamentos musicais dos circos. Nunca fizeram feio e se tornaram um motivo a mais para frequentarmos as agradabilíssimas noites circenses. Estavam ali com o Mágico Faruk, com a rumbeira, com o palhaço e com a nossa torcida que refletia nas palmas das mãos em calorosos aplausos, os queridos colegas em noites coruscantes. Não eram profissionais mas se saíam muito bem nas oportunidades.

Omir, atualmente navega em águas maceioenses e Sebastião retornou por opção ao sítio rural santanense, Queimadas do Rio, suas origens.

Mais de cinquenta anos depois, como gostaria de ouvir novamente Omir Silva cantando “Você fez Coisa”!

Sim, lá no sítio de Sebastião com seu trompete.

CIRCO (CRÉDITO: A HISTÓRIA DOS CIRCOS).

 


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