terça-feira, 8 de outubro de 2024

 

LAMPIÃO E VINTE CINCO

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de outubro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.123

 



La para os idos dos anos sessenta, surgiu um soldado de polícia em Santana do Ipanema. Alto, forte, de casquete, era muito cabuloso e arrogante. Sua antipatia logo correu fama pela cidade. Ao chegar ao baixo meretrício durante algumas horas da noite exclamava para as donas de Bordéus, repletas de clientes: “Cinco Minutos para fechar, cinco minutos”, dizia batendo às mãos. E por causa disso, o soldado ganhou o apelido de “Cinco Minutos”. E “Cinco minutos”, saiu metendo medo na população santanense. Não era que vivesse brigando, era impondo com arrogância que causava constrangimento em qualquer cidadão. Certa feita, porém, notou no Comércio um volume de arma soba a camisa de um cidadão e pareceu se alegrar. “Vou lá agora, tomar sua arma”. Foi aí que alguém o advertiu: “Aquele ali é Floro, o Vingador do Sertão, vai lá? O valentão Cinco-Minutos deu um cavalo de pau e deve ter pensado: “A peste é quem vai!”.

XXX

Em Olho d’Água das Flores, o maluco vulgo “Vinte e Cinco”, perambulava pelo Comércio fechado, naquele feriado nacional Lampião chegara na surdina pelas imediações. Na sua espreita pelos arredores, notou que um cidadão iria passar por ali e parecia ter vindo da cidade. Lampião saiu das moitas, apresentou-se ao homem e indagou educadamente: “Bom dia, meu amigo. Vem da rua? ”.  “Venho sim senhor”. “Tem muitos soldados lá?”  “Não senhor, na rua só tem Vinte e Cinco”. Lampião agradeceu, dispensou o homem, voltou-se para seu Estado Maior e disse: “Hoje dá certo não, atacar Ôi d’Água das Fulô. Nós só samo 15 e lá tem vinte e cinco” E assim a vila de Olho d’Água foi salva sem saber, pelo doido Vinte e Cinco. Uns cabras olhodaguenses me contavam isso sob uma árvore na Rua Central daquela cidade, e gargalhavam de cair de costas.

No caso de cima, reflita com a sabedoria do povo nordestino: “Remédio para um doido, é doido e meio “. E no caso de baixo, ninguém é imprestável no mundo. Pois, um doido sem saber salvara uma vila inteira da sanha endiabrada de Lampião.

 

Em Santana do Ipanema, o ébrio incorrigível “Coleta”, tinha um medo horrível do delegado civil Izaías Rego. Com o seu chapéu de palha quebrado lateralmente, exclamava ao se deparar com a autoridade: “Aves Maria, Seu Izaías! “.  A frase de Coleta tornou-se moda geral em ditado popular.

Nem Cinco Minutos, nem Lampião: Ave Maria, Seu Izaías!

 

 

 


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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

 

PONTE CÕNEGO BULHÕES

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de outubro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.122.

 



A velha ponte de Santana do Ipanema que liga o Comércio ao Bairro Camoxinga, foi construída na gestão do prefeito interventor Firmino Falcão Filho, colocado no cargo pelo, então, governador Silvestre Péricles. Antes, as inúmeras pontes ali encontradas eram de madeira e duravam apenas até a chegada das águas do riacho Camoxinga. Como ponte de concreto ajardinada foi considerda obra-prima da época e custou aos cofres públicos, 200 mil réis. Não sabemos quem deu o título “Ponte Padre Bulhões” e tornou-se conhecida popularmente como “Ponte do Padre”. A ponte foi construída exatamente sobre a foz do riacho, cujo padre morava à sua margem em local alto e seguro.  Infelizmente a casa histórica foi abandonada e demolida e hoje só a conhecemos através de fotografia de B. Chagas, no livro 230.

A parte do meio era mais estreita com passagens de pedestres pelas laterais em baixo relevo. Foi alargada essa parte na gestão municipal Isnaldo Bulhões. A passagens de pedestres, se tornaram apenas uma com alto relevo. Mesmo assim, a ponte continuou sendo um gargalo enorme para o trânsito santanense cada vez mais intenso. Na gestão Genival Tenório teve início a destruição devagar do paisagismo geral da localidade.  Foram destruídos os jardins para dá lugar à ambição por casas comerciais. Santana aguarda que um dia o local receba modificações profundas com muita engenharia que mudaria totalmente o cenário. Até quando a “Ponte do Padre”, resistirá?

O, então, prefeito “Marca Três Efes”, Firmino Falcão Filho, ainda doou o terreno onde foi construído o prédio federal dos Correios e homenageou o prefeito de 1926, com nome de Rua Benedito Melo (Rua Nova). O padre Bulhões tornou-se cônego e não sabemos quando, a ponte passou a ser chamada de “Ponte Cônego Bulhões”. Mas, para o povo continua a denominação popular “Ponte do Padre.

Após a ponte de concreto do prefeito “Nozinho (ô)” o Bairro da Camoxinga, discriminado pela elite,  teve um expansão nunca vista e hoje representa o segundo maior comércio de Santana do Ipanema. E os automóveis que antes passavam pelo riacho sobre o equilíbrio de canoas, passaram a deslizar suavemente pela ponte de concreto de Seu Nozinho.

AUTOMÓVEL EM TRAVESSIA. (FOTO: DOMÍNIO PÚBLICO, LIVRO 230/ACERVO DO AUTOR).


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