BARRAGEM Clerisvaldo B. Chagas, 2 de junho de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.567   Barragem é palavra comum par...

 

BARRAGEM
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de junho de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.567

 

Barragem é palavra comum para a maioria das pessoas, entretanto, para aqueles que nasceram e cresceram perto de uma delas, o significado e a amor são profundos.  Estar na barragem em Santana do Ipanema durante as cheias do rio, é assistir mais uma vez a ópera das águas que atrai a metade da população para o espetáculo. Cada cheia, uma corrida para apreciação como se fosse a primeira vez. Barragem com rio seco, é assoreada. Jardim formado pela Natureza nas areias grossas, na parte de cima. Na parte de baixo, pedregulho ligado às sete passagens das águas as quais os santanenses a identificam com as “sete bocas” da barragem. Mesmo com o rio seco, o lugar reflete nostalgia sem fim para os que a conhecem de perto.

Muitos ali fazem convescotes. Outros sentam solitário nas suas bocas a meditar e beber. Lugar bom de pesquisar sobre a fauna e a flora, de acampar, de caminhar e de entender o que se procura da vida. Quando a barragem foi construída no início da década de 50, também formou uma casinha do outro lado do rio que originou o bairro do mesmo nome e que progrediu bastante e hoje está irreconhecível. O bairro dos cassacos (construtores de estradas) faz parte da BR-316, nela está enraizado e conta a epopeia da construção da rodagem antiga e da barragem que seria a grande fornecedora d’água para Santana. A barragem seca ou cheia sempre foi um ponto atrativo da cidade. A sua ponte continua sem nenhum retoque desde a construção. Coisa bem feita no tempo que os homens tinham vergonha.

Mas, para a exigência moderna, a ponte ficou estreita e as passarelas laterais amedrontam os pedestres, pois, além de estreitíssimas, têm baixa altura. Muitos transeuntes preferem esperar o trânsito momentâneo de automóveis, caminhões e carretas, para atravessarem correndo antes do próximo bicho de motor. Não é fácil porque a ponte é comprida igual a uma semana de fome.

Contudo, a velha barragem continua romântica e nostálgica como um idílio. Naturalmente algumas pessoas não conseguem enxergar doçura num monte de concreto. Mas, bem dizem os que entendem, “os poetas enxergam diferente”.

Fazer o quê?

(BOCAS DA BARRAGEM - DIVULGAÇÃO)

 

  SEU JULHO Clerisvaldo B. Chagas, 1 0 de julho de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.565 Chegou o Seu Julho, mês ...

 

SEU JULHO

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de julho de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.565


Chegou o Seu Julho, mês mais frio e chuvoso do nosso outono/inverno. E quando dissemos nosso, falamos do sertão de Alagoas. Julho é o mês de festa da Padroeira de Santana do Ipanema, a maior festa religiosa do interior do estado. Tradicionalmente é aberta com procissão de mais de 1.500 carros de boi que conduzem a santa de uma cidade circunvizinha até à sua paróquia, onde, geralmente é celebrada a missa no Largo Cônego Bulhões, ao ar livre. Mas também, para os amantes do tema, é o mês comemorativo do fim do cangaço nordestino, correspondente ao dia 28. E voltando à festa da Padroeira, sempre existe uma trégua da chuva no dia de abertura, quando multidão se desloca do campo para procissão rodando em carros de boi.

Já se foi aquela festa à moda antiga, um frio intenso, todos de japona (casaco de frio de moda importada), desafiando a “cruviana”, para lá e para cá por entre barracas e peças do parque de diversão. Músicas no alto falante enviadas como mensagem para namorados, namoradas e paqueras. Fileiras de bancas de jogos de dados, provocando a matutada. Carro de fogo no arame da praça, desenrolar de imagem da padroeira no poste, Passeio nos barcos, no curre, na onda, no carrossel de patinhas, na roda gigante. Balão colorido cortando os ares e banda de música abrilhantando tudo. Forró no mercado, bancas de jantares, leilão de produtos diversos, repentistas nos bares, bebidas para os apreciadores no entorno das brincadeiras.

Nave lotada, cada noite um pregador, apresentações religiosas, pessoas descalças pagando promessas, presença do bispo na última noite do novenário e procissão final interminável! Era essa a Festa da Padroeira da nossa cidade que, igualmente a outras do mundo inteiro, foi variando com o tempo, cai aqui, melhora ali, mas a devoção e a fé continuam inabaláveis na avó do Cristo que chegou por aqui na Ribeira do Panema em 1787. Mês de julho é tão esperado quanto o seu irmão junho. Além do que já foi dito, é a consolidação da safra anual do campo.  O que passa de julho é rebarba e muitas produções da zona rural já foram perdidas por causa da frieza do mês de agosto em outras ocasiões.

O mês 7 é um número místico, o maior de todos. Recebeu o nome de julho, em homenagem a Júlio César. Deus no comando.

TRABALHO CONSTANTE NAS RUA (B. CHAGAS).

  ADEUS JUNHO Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.565   Chegamos ao final do m...

 

ADEUS JUNHO

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.565

 

Chegamos ao final do mês tão querido de junho. Mês de um significado especial para os sertões nordestinos. Podemos afirmar que foram dois meses seguidos de clima bastante agradável para a zona rural detentora da nossa alimentação. Tanto maio, o mês de Maria foi um presente para o campo, quanto junho que soube temperar bem a parte de inverno que lhe cabia. Mesmo com os poucos festejos presenciais, eles não morrem por aí porque o inverno prossegue e a produção do campo se consolida. Tá certo que as comemorações foram acanhadas, porém, não poderia ter sido de outra maneira. Milhares perderam seus entes queridos pela COVID, deixando o respeito aos que partiram em primeiro lugar. Mas que a Natureza foi generosa com o campo, foi. Bem, pelo menos aqui no sertão das Alagoas.

Na parte social houve muitas realizações boas por parte do governo estadual, mas também inúmeras coisas lamentáveis, cuja Pandemia não é desculpa consistente. Assassinatos diversos em várias regiões do estado, assaltos sem conta na zona rural Sertaneja e também Agrestina, intensificação de estupros, principalmente tendo padrastos como protagonistas. Muitas dessas coisas péssimas têm a droga como causas, porém a própria índole do indivíduo se sobrepõe a droga que atingiu a zona rural com intensidade em todos os rincões. Infelizmente não existe mais aquele famigerado sossego do campo como se falava antigamente. A praga da droga antecedeu a praga da COVID 19. Vagar sozinho pelos campos é novo sinal de heroísmo.

Porém, nada tira o mérito tradicional de mês de junho, nada. Se você não comeu pamonha, canjica ou milho assado, pode aguardar o mês de julho que ainda vem por aí bastante produção da roça para as feiras da Agricultura Familiar e mesmo o despejo do milho em pontos conhecidos da sua cidade. Difícil está a avaliação do preço desses produtos, cremos, porém, que com a chegada de novas safras, o desejo de todos os consumidores será saciado.

Ontem, apesar da proibição, muitos fogos cruzaram os ares de Santana do Ipanema, principalmente na periferia. Foguetes, busca-pés e bombas de pouco impacto, comemoraram os últimos dias de junho, com São Pedro. Sentido Adeus Junho.

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SÃO PEDRO (DIVULGAÇÃO GLOBO).