SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
ERA ELE, JESUS Clerisvaldo B. Chagas, 23 de agosto de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano “Crônica”: – Conto: 2.575 Conduzia um...
ERA ELE, JESUS
Clerisvaldo B. Chagas,
23 de agosto de 2021
Escritor Símbolo do
Sertão Alagoano
“Crônica”: – Conto: 2.575
O
cavalo chegou sem que eu percebesse, tão concentrado estava tentando decifrar o
momento. Roçando o focinho nas minhas costas, o animal avisava o seu retorno.
Estava sem o cordeirinho. Um guarda surgiu cambaleante. Parecia sonolento. Indaguei quem era o homem
da cruz. Ele apenas respondeu com ênfase: “Um homem injustamente condenado.
Ele, verdadeiramente, é o filho de Deus”.
Montei
e ouvi um balido. O cordeirinho estava se coçando na haste principal da cruz.
Coloquei-o na sela e me afastei devagar. Mais adiante, o cordeiro escapou da
sela e correu saltitante de volta ao Calvário. Demonstrava que ficara
totalmente sadio e não mais queria ser conduzido. Respeitei sua vontade. Voltei
a cavalgar. Mais adiante parei a cavalgadura e olhei para trás contemplando
longamente a silhueta do homem crucificado. Espontaneamente, um rio de lágrimas
inundou por muito tempo a minha face, enquanto meu coração repetia o tempo todo
o que afirmara o guarda romano: “Ele, verdadeiramente, é o filho de Deus”.
Prossegui
a jornada de volta a casa quando percebi alguma coisa me seguindo. Era um manto
arroxeado esvoaçante a cerca de 100 metros de altura. Eu parava, ele parava. Eu
prosseguia, ele prosseguia como a me proteger de longe contra todos os perigos
que surgissem. Voltei a chorar e dessa vez com muita emoção e afirmando
inúmeras vezes para mim mesmo: “Ele é verdadeiramente o filho de Deus. O
cordeiro ficara deitado aos pés da cruz... Do outro cordeiro.
MANUTENÇÃO POR ALGUNS DIAS
MANUTENÇÃO POR ALGUNS DIAS
GAIOLAS Clerisvaldo B. Chagas, 14 de julho de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.574 Você concorda que uma gaiola...
GAIOLAS
Clerisvaldo
B. Chagas, 14 de julho de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.574
Você concorda que uma
gaiola de passarinho é pura arte? Conheci muitas, bem feitas, bem acabadas,
partes envernizadas, retangulares, redondas, quadradas, cheias de detalhes e
até com belíssimo primeiro andar. Como são criativos os nossos artesãos das
talas. O problema é que ninguém quer imaginar uma gaiola sem um pássaro dentro;
um pássaro de verdade porque ainda não consegue enxergar com a mente, uma
gaiola em casa como ornamento com um pássaro de plástico, de madeira... Ou de
outro material. Conheci pessoas com criatórios de aves canoras da área externa
de casa à cozinha. Quem pode negar que aqueles inúmeros cantos de uma vez só
não parece um paraíso? Apesar de bem cuidados e até com assistência
veterinária, lembramos que estão presos. O crime? Cantar bonito.
Talvez o maior criador
de passarinhos de Santana do Ipanema, tenha sido o saudoso Sebastião Amaral,
esposo que foi da simpática senhora Iolanda. Nunca me interessei (adolescente) em
saber o que era que movia o cidadão a criar tantos pássaros assim. Sei \penas,
do valor de cada ave, pois um criador de Arapiraca me falava do lucro que tinha
com o galo de campina, o papa-capim, o canário, o azulão e outros mais.
Falou-me que havia um criador, cujo pássaro já fora trocado por automóvel.
Todavia, não vamos entrar no mérito das paixões dos criadores, compradores e
vendedores. A nossa formalidade de hoje, foi apenas apresentar a gaiola como
fruto de arte do artesão e que deve ser apreciada como tal, independente de ave
de carne e osso.
Da mesma maneira uma
bainha de faca sob encomenda de um bom artesão é coisa chique. O problema é que
a polícia obriga ao indivíduo que for flagrado com bainha sem faca, a dá conta
da arma, mesmo que ela não exista. Assim, com estamos vendo agora a apreensão
de inúmeras gaiolas na feira. Somente as gaiolas vazias. O artesanato belo e
puro, previamente acusado de um futuro crime. Caso houvesse questão, seriam advogados
de um lado e de outro. Um embate sem fim
na opinião pública.
Coisas simples e
complicadas
Haja arte!
Haja pássaros... Na
Natureza.
ARTE NOS QUINTAIS ZERO
PRISÃO. (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.