SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
MORRO DO PELADO Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.578 O morro do Pelado f...
MORRO
DO PELADO
Clerisvaldo
B. Chagas, 26 de agosto de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.578
As altitudes urbanas
parecem feitas na medida para fins turísticos. Podem apresentar boas vantagens
sobre outras áreas planas ou mesmo uma dor de cabeça para quem não sabe o que
fazer com elas. Por quê serrote do Pelado? Teria morado ali alguém com esse
apelido? Porque a denominação é serrote do Pelado e não serrote Pelado. Pelado
ou cabeludo o morro urbano continua oferecendo sua contribuição ao curioso que
insiste em ver a cidade do alto por aquele ângulo. A ideia inicial era a
construção de um hotel vertical, muito mais abrangente ao cenário de Santana,
pelo menos parcial. Porém, apenas bar suspeito apareceu por ali.
O termo dado pelo
Prefeito Genival Tenório, de Alto da Fé, conseguiu pegar na cidade inteira até
hoje, porém, é um sacrilégio chamar o lugar por esse nome, por tudo que
desenrolou por ali através do tempo. Bem diferente do verdadeiro Monte Sagrado
de Santana do Ipanema, o serrote do Cruzeiro que hoje se encontra desprezado,
carregando solitário sua história rica em sentimentos religiosos. Enquanto o
serrote Pelado está situado ao norte, o Cruzeiro está radicado no Sul. Ainda dá
tempo você conhecer ambas as elevações, apreciar a Natureza e cravar a sua
nota.
Palmas, palmas à Rainha
do Sertão.
IGREJA DE SÃO JOÃO Clerisvaldo B. Chagas, 25 de agosto de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.577 Estamos dentro dos...
IGREJA
DE SÃO JOÃO
Clerisvaldo
B. Chagas, 25 de agosto de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.577
Tudo indica que após essa fase, a igreja de São
João pareceu ficar esquecida
No início do século
XXI, descobri a igreja abandonada já em ruínas, mas com portas cerradas e a
cruz de madeira do átrio somente com o braço vertical. Fotografei. Ofertei a
foto inédita ao professor Alberto Nepomuceno Agra que estava montando um museu
particular no primeiro andar da sua farmácia Vera Cruz. Daí para cá outras
pessoas também fotografaram as ruínas.
João Lourenço,
religioso e promotor de festas na localidade, veio a falecer na década de 40,
picado por uma jiboia conduzida por um soldado bêbado e surtado, na feira de
Santana. Jiboia essa retirada às escondidas do criatório de animais exóticos,
do quintal do coronel Lucena Maranhão pelo soldado Monteiro. Assombrando a
população da feira com a cobra sobre os ombros, o soldado entrou até na igreja
Matriz de Senhora Santana, por uma porta lateral e saindo na outra. No meio do
povo feirante estava João Lourenço. Ao passar pelo cidadão, o policial surtado
e bêbado, jogou o ofídio nas partes de Lourenço. A jiboia não tem veneno, mas
desenvolveu um mal que levou o homem à morte. (Oscar Silva-Fruta de Palma).
Ninguém havia se
interessado em recuperar a igreja de São João que fora profanada por um
político e advogado santanense, diziam os que à igreja se referiam.
Até mesmo as ruínas
poderiam ser aproveitadas para o turismo, mas...
FOTO (B. CHAGAS).
CALDO-DE-FEIJÃO Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.576 O arrulhar tris...
CALDO-DE-FEIJÃO
Clerisvaldo
B. Chagas, 24 de agosto de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
O arrulhar tristonho,
saudoso e agradável das pombas sertanejas, também acontece na cidade. O canto
que se houve às manhãs na minha rua, junta-se a outros ruídos do despertar
matutino do trecho. É nosso o canto da rolinha branca no médio sertão alagoano
e rara a presença de outras espécies como a rolinha fogo-pagou, caldo-de-feijão
e azul, privilégio do sertão mais distante. Pois, além da raridade da rolinha
caldo-de-feijão nessa área, sua presença nas ruas do Bairro São José, é uma
grata surpresa para a vista e para os ouvidos. As pombas arrulham pelos
arredores, surgem como casais na fiação da rua, defronte a minha casa,
mergulham para o calçamento a catar pedrinhas, cujos pardais, donos do
território, já se acostumaram à presença das rolinhas caldo-de-feijão e não
mais as agridem.
Eu fico de boca aberta
contemplando as rolinhas caldo-de-feijão diante da natureza. Dóceis, mas também
cismadas, não demoram muito cantando nos fios e nem catando pedrinhas. Mas a
presença dessa ave é o suficiente para limpar os olhos e ornar as acácias e
pau-brasil da rua. A belíssima cor do caldo de feijão da sua plumagem, faz um
bem danado ao observador. A paisagem citadina se Santana do Ipanema se
enriquece quando os bichos selvagens procuram a companhia dos humanos, atraídos
pela arborização.
As rolinhas urbanizadas
estão ajudando a louvar o nosso santo padroeiro São José, com seus cânticos. É
que está havendo a festa do pai de Jesus aqui no bairro, na avenida principal
Castelo Branco onde está armado um parque de diversões, mesmo nessa pandemia.
Não tem espingarda, não
tem peteca, não tem arapuca, apenas os registros sutis das câmeras curiosas e
sedentas do seu dono pela Natureza. E apesar de tantas escolas não temos
notícias de nenhum pesquisador do fenômeno nas ruas da cidade.
Obrigado a Mãe Natureza
em deixar mais perto de nós o som “a-uuu”, “a-uuu” e a cor original e bela da
rolinha-caldo-de-feijão.
O padroeiro agradece.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.