SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
NÓS, IMBU E IMBUZADA Clerisvaldo B. Chagas, 22/23 setembro Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.587 O IMBU, fruto do imbuz...
NÓS, IMBU E IMBUZADA
Clerisvaldo
B. Chagas, 22/23 setembro
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.587
O imbuzeiro
(Spondias tuberas) é um nome de origem Tupy e nativo do bioma caatinga. Quando alguém chupa muito imbu, pode se
queixar que os frutos “desbotaram” os seus dentes. Já a imbuzada é feita
cozinhando os imbus, passando-os na peneira e levando-os ao fogo com leite e
açúcar. Iguaria inigualável sertaneja. Na Bahia existe até cooperativa dos
catadores de imbu que se espalham pela caatinga, coletam os frutos caídos ou
subindo pelo seu tronco e galhos e os conduzem à cooperativa onde serão
transformados em picolé, geleia, doce e mais transformação. Isso faz gerar
renda para os agricultores, emprego na cooperativa e temporário no campo. Não
temos essa iniciativa em Alagoas. Quando existe interesse, tudo é
possível.
Lembra-me
que quando levamos nossos alunos da então, Escola Estadual Helena Braga das
Chagas à Reserva Tocaia, no sítio Tocaias, subimos uma colina dentro da Reserva
onde havia uma clareira com um pé de imbu. Pense na corrida dos estudantes em
busca dos frutos do imbuzeiro. É fácil de subir no tronco dessa arvoreta
copada. Primeiro o interessado perscruta de baixo e o imbu escolhido irá ser
coletado em uma das três formas seguinte: na pedra, na vara ou na escalada ao
tronco. Sua sombra não é bem fechada, contudo aceita bem uma rede a se balançar
à sua sombra. Muito melhor ainda se a vegetação estiver bem verdinha quando o
cheiro intenso de mato toma conta.
Ô vida
de gado!
CASARÃO DO BANCO Clerisvaldo B. Chagas, 20/21 de setembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 2.588 Aproveita...
CASARÃO
DO BANCO
Clerisvaldo
B. Chagas, 20/21 de setembro de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica; 2.588
Aproveitando
a ocasião em que escrevemos a Unidade 3 do livro pertencente à Prefeitura
local, “Santana do Ipanema, Terra da Gente”, ficou circulando na cabeça os
edifícios nossos, patrimônios materiais, inclusive o casarão do banco. Foi um
dos vários edifícios da cidade, construído para o mundo comercial como tantos
outros que ficaram famosos. Muitas dessas construções foram construídas no
tempo de Santana vila, isto é, antes de 1920. Nesse caso específico entra em
foco o prédio do Centro Comercial, vizinho à direita da tão conhecida “Casa o
Ferrageiro”. Suas paredes são tão largas que parecem feitas para ocasião de
guerra. Descobrimos por acaso quem teria construído tão pomposo casarão: o
comerciante Tertuliano Nepomuceno, mas não temos nenhuma outra informação, isto
é, o período exato em que foi construído.
Não
tendo como identificá-lo de outra maneira, nós o chamamos de Casarão do Banco,
porque ali funcionaram várias repartições públicas, inclusive dois bancos. Quem
não se lembra do PRODUBAN, Banco da Produção do Estado de Alagoas, dos tempos
do governo Divaldo Suruagy? Funcionou naquele prédio e era motivo das gozações
do funcionário do Banco do Brasil João Farias que falava: “Banco é do Brasil,
esse é tamborete”. Pois bem, também no casarão, depois, funcionou o Banco do
Brasil, a Exatoria Estadual, a Biblioteca Pública, e inúmeras outras atividades
que honraram a pujança do edifício. Fotografias do Comércio do início dos anos
trinta já registravam a presença do edifício em questão. Vai acompanhando a
evolução da Praça Cel. Manoel Rodrigues da Rocha.
Apesar
da pujança do Casarão do Banco, não chama atenção de ninguém, a não ser do curioso
ou do pesquisador atento. Os transeuntes passam na calçada todos os dias, para
cima e para baixo e nem percebem a sua presença com décadas e décadas de
história para contar. E como o hóspede mais ilustre foi o Banco do Brasil, vale
salientar que este construiu sua sede própria no Bairro do Monumento onde
permanece até a presente data. Lembro ainda do caminhão do senhor Arnóbio
Chagas, despejando pastilhas para revestir sua fachada singular.
Santana
histórica!
Santana
revivendo!
CASARÃO
DO BANCO (FOTO: LIVRO 230, DOMÍNIO PÚBLICO).
SABUGO, BURRO E JUMENTO SABUGO, BURRO E JUMENTO Clerisvaldo B. Chagas, 15/16 de setembro de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano...
SABUGO, BURRO E JUMENTO
SABUGO,
BURRO E JUMENTO
Clerisvaldo
B. Chagas, 15/16 de setembro de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.587
No
povoado de Olho d’Água das Flores, Pedrão, quando menino, entrei no vapor de
meu tio, vapor esse queimado por Lampião, mas só tomei conhecimento dessa
façanha já na idade adulta. Prédio em preto repleto de sabugos, vivia fechado
como se a família não quisesse lembrar ao mundo a angústia daquele episódio.
Mas para que serve o sabugo do milho ao ser despido das sementes? Na minha
terra os botadores d’água quando perdiam as tampas originais de madeira das
ancoretas, usavam largamente pedaços de sabugos enrolados em tiras de pano
velho para os dois orifícios, o da água e o do pequenino do suspiro.
Recentemente parece-me que agricultores o pulverizam para complementar rações
para os animais da fazenda, se não estou enganado.
Mas,
entre os quadrúpedes do Sertão, burro é burro, jumento é jumento. Este
adaptou-se muito bem ao transporte da água com ancoretas e tampas de sabugo. O
burro não exercia essa função. Certa feita vimos um burro carregando ancoretas,
mas foi uma raridade. Estes são adaptados ao transporte de mercadorias nas
serras da região, únicos animais que aguentam o tranco. Outros abrem os peitos,
numa doença popularmente denominada de “escancha”. Quando vimos um animal
fazendo o papel de outro, é motivo de curiosidade, em nosso meio. Falando só no
masculino: cavalo, burro e jegue fazem papéis diferentes, embora possa
acontecer de um fazer o papel de outro.
Também
o mesmo animal, macho ou fêmea, possui funções desiguais. Como exemplo, no
Sertão burro não puxa carroça, mas a burra faz isso muito bem. Existem também
as superstições de alguns cavaleiros que jamais montam em animal de sela,
fêmea. Outros dão preferência à burra. Nas corridas de cavalos, não são poucos
os que não querem competir com as éguas, pois alegam que o cavalo não anda na
frente de besta.
Estes
são alguns segredos da simplicidade sertaneja onde gato só caça se não tiver o
cão. Você sabia que dizem que D. Pedro proclamou a independência do Brasil
montado num burro e não num cavalo?
Cavalo
é bonito, mas não dá a hora igual a jumento.
(FOTO: B. CHAGAS)
as,
15/16 de setembro de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.587
No
povoado de Olho d’Água das Flores, Pedrão, quando menino, entrei no vapor de
meu tio, vapor esse queimado por Lampião, mas só tomei conhecimento dessa façanha
já na idade adulta. Prédio em preto repleto de sabugos, vivia fechado como se a
família não quisesse lembrar ao mundo a angústia daquele episódio. Mas para que
serve o sabugo do milho ao ser despido das sementes? Na minha terra os
botadores d’água quando perdiam as tampas originais de madeira das ancoretas,
usavam largamente pedaços de sabugos enrolados em tiras de pano velho para os
dois orifícios, o da água e o do pequenino do suspiro. Recentemente parece-me
que agricultores o pulverizam para complementar rações para os animais da
fazenda, se não estou enganado.
Mas,
entre os quadrúpedes do Sertão, burro é burro, jumento é jumento. Este
adaptou-se muito bem ao transporte da água com ancoretas e tampas de sabugo. O
burro não exercia essa função. Certa feita vimos um burro carregando ancoretas,
mas foi uma raridade. Estes são adaptados ao transporte de mercadorias nas
serras da região, únicos animais que aguentam o tranco. Outros abrem os peitos,
numa doença popularmente denominada de “escancha”. Quando vimos um animal
fazendo o papel de outro, é motivo de curiosidade, em nosso meio. Falando só no
masculino: cavalo, burro e jegue fazem papéis diferentes, embora possa
acontecer de um fazer o papel de outro.
Também
o mesmo animal, macho ou fêmea, possui funções desiguais. Como exemplo, no
Sertão burro não puxa carroça, mas a burra faz isso muito bem. Existem também
as superstições de alguns cavaleiros que jamais montam em animal de sela,
fêmea. Outros dão preferência à burra. Nas corridas de cavalos, não são poucos
os que não querem competir com as éguas, pois alegam que o cavalo não anda na
frente de besta.
Estes
são alguns segredos da simplicidade sertaneja onde gato só caça se não tiver o
cão. Você sabia que dizem que D. Pedro proclamou a independência do Brasil
montado num burro e não num cavalo?
Cavalo
é bonito, mas não dá a hora igual a jumento.
SABUGO, BURRO E JSABUGO, BURRO E JUMENTO
Clerisvaldo
B. Chagas, 15/16 de setembro de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.587
No
povoado de Olho d’Água das Flores, Pedrão, quando menino, entrei no vapor de
meu tio, vapor esse queimado por Lampião, mas só tomei conhecimento dessa
façanha já na idade adulta. Prédio em preto repleto de sabugos, vivia fechado
como se a família não quisesse lembrar ao mundo a angústia daquele episódio.
Mas para que serve o sabugo do milho ao ser despido das sementes? Na minha
terra os botadores d’água quando perdiam as tampas originais de madeira das
ancoretas, usavam largamente pedaços de sabugos enrolados em tiras de pano
velho para os dois orifícios, o da água e o do pequenino do suspiro.
Recentemente parece-me que agricultores o pulverizam para complementar rações
para os animais da fazenda, se não estou enganado.
Mas,
entre os quadrúpedes do Sertão, burro é burro, jumento é jumento. Este
adaptou-se muito bem ao transporte da água com ancoretas e tampas de sabugo. O
burro não exercia essa função. Certa feita vimos um burro carregando ancoretas,
mas foi uma raridade. Estes são adaptados ao transporte de mercadorias nas
serras da região, únicos animais que aguentam o tranco. Outros abrem os peitos,
numa doença popularmente denominada de “escancha”. Quando vimos um animal
fazendo o papel de outro, é motivo de curiosidade, em nosso meio. Falando só no
masculino: cavalo, burro e jegue fazem papéis diferentes, embora possa
acontecer de um fazer o papel de outro.
Também
o mesmo animal, macho ou fêmea, possui funções desiguais. Como exemplo, no
Sertão burro não puxa carroça, mas a burra faz isso muito bem. Existem também
as superstições de alguns cavaleiros que jamais montam em animal de sela,
fêmea. Outros dão preferência à burra. Nas corridas de cavalos, não são poucos
os que não querem competir com as éguas, pois alegam que o cavalo não anda na
frente de besta.
Estes
são alguns segredos da simplicidade sertaneja onde gato só caça se não tiver o
cão. Você sabia que dizem que D. Pedro proclamou a independência do Brasil
montado num burro e não num cavalo?
Cavalo
é bonito, mas não dá a hora igual a jumento.
(FOTO: B. CHAGAS)
as,
15/16 de setembro de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.587
No
povoado de Olho d’Água das Flores, Pedrão, quando menino, entrei no vapor de
meu tio, vapor esse queimado por Lampião, mas só tomei conhecimento dessa façanha
já na idade adulta. Prédio em preto repleto de sabugos, vivia fechado como se a
família não quisesse lembrar ao mundo a angústia daquele episódio. Mas para que
serve o sabugo do milho ao ser despido das sementes? Na minha terra os
botadores d’água quando perdiam as tampas originais de madeira das ancoretas,
usavam largamente pedaços de sabugos enrolados em tiras de pano velho para os
dois orifícios, o da água e o do pequenino do suspiro. Recentemente parece-me
que agricultores o pulverizam para complementar rações para os animais da
fazenda, se não estou enganado.
Mas,
entre os quadrúpedes do Sertão, burro é burro, jumento é jumento. Este
adaptou-se muito bem ao transporte da água com ancoretas e tampas de sabugo. O
burro não exercia essa função. Certa feita vimos um burro carregando ancoretas,
mas foi uma raridade. Estes são adaptados ao transporte de mercadorias nas
serras da região, únicos animais que aguentam o tranco. Outros abrem os peitos,
numa doença popularmente denominada de “escancha”. Quando vimos um animal
fazendo o papel de outro, é motivo de curiosidade, em nosso meio. Falando só no
masculino: cavalo, burro e jegue fazem papéis diferentes, embora possa
acontecer de um fazer o papel de outro.
Também
o mesmo animal, macho ou fêmea, possui funções desiguais. Como exemplo, no
Sertão burro não puxa carroça, mas a burra faz isso muito bem. Existem também
as superstições de alguns cavaleiros que jamais montam em animal de sela,
fêmea. Outros dão preferência à burra. Nas corridas de cavalos, não são poucos
os que não querem competir com as éguas, pois alegam que o cavalo não anda na
frente de besta.
Estes
são alguns segredos da simplicidade sertaneja onde gato só caça se não tiver o
cão. Você sabia que dizem que D. Pedro proclamou a independência do Brasil
montado num burro e não num cavalo?
Cavalo
é bonito, mas não dá a hora igual a jumento.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.