SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
PESCAR PESCANDO Clerisvaldo B. Chagas, 4 de abril de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.858 Quando o “Velho C...
PESCAR
PESCANDO
Clerisvaldo
B. Chagas, 4 de abril de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.858
Quando
o “Velho Chico”, aumenta suas águas no baixo São Francisco, as águas invadem as
margens e inundam as várzeas que se transformam em lagoas. Quando essas várzeas
estão secas, servem para o criatório e para o plantio. São as lagoas formadas
pelo rio, berçários e criatórios de peixe que povoam o caudal. Na Geografia do
saudoso prof. Ivan Fernandes, ele faz citações a essas lagoas. Já no meu livro
“Repensando a Geografia de Alagoas”, ainda inédito, eu falo o nome de
praticamente todas as lagoas do Baixo São Francisco desde Pão de Açúcar a
Penedo, acompanhado de foto de lagoa em São Brás. Essas lagoas vêm sendo
prejudicadas por inúmeros fatores após as hidrelétricas, fazendo com a pesca
seja quase extinta na região.
A
boa notícia é que pesquisadores estão tentando resolver o problema a partir de
uma lagoa do município de São Brás. Diz a reportagem que os estudos foram
aprovados pela CODEVASF e poderá resolver o caso complexo de povoamento de
peixes no São Francisco revigorando a tão antiga atividade pesqueira. Foi pena
a reportagem não citar o nome da lagoa do plano piloto, apesar da extensa
matéria apresentada. O escritor santanense, Oscar Silva, já falava sobre o
entusiasmo da sua avó “Zifina”, morando em Santana e lembrando de Pão de
Açúcar, sua terra, sobre as xiras gordas das lagoas marginais do São Francisco.
Xiras essas chamadas de “bambás”, aqui no rio Ipanema. Peixe bom e de fácil
remoção de espinhas.
Quem
sabe o drama dos pescadores e do povo ribeirinho do São Francisco, há de torcer
muito para que o projeto com apoio da CODEVASF, seja repleto de êxito. Uma
exportação de sucesso para todas as bacias hidrográficas do Brasil. O tema é
excelente para se voltar ao turismo interno alagoano, visitar e se encantar com
São Braz e Pão de Açúcar; lugares esses que sempre se deseja passar semanas na
visita de um dia. São Braz não fica longe de Arapiraca e Pão de Açúcar é bem
ali em relação a Santana do Ipanema. Apesar das comunicações de lagoas com o
rio, o que seria chamado de laguna, segue, entretanto, a denominação popular.
Afinal de contas, tanto faz chamar laguna ou lagoa, o importante é que tenha
saborosos peixes para deixar o bucho tinindo de satisfação.
PÃO
DE AÇÚCAR
FORÇA DE VONTADE Clerisvaldo B. Chagas, 3 de abril de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.857 O farinheiro Val...
FORÇA
DE VONTADE
Clerisvaldo
B. Chagas, 3 de abril de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.857
O
farinheiro Valdemar Camilo, quase vizinho à nossa casa, nunca me chamou pelo
nome na minha vida de adolescente e rapaz. Sempre me chamava de Pedro Melo.
Quando parava um pouco diante de mim, exclamava: “Mais parece com Pedro Melo!”
E assim jamais deixou de me cumprimentar por esse nome. Procurei, então saber
quem era esse tal Pedro Melo. Havia sido um comerciante que negociava na Rua
Barão do Rio Branco, no trecho chamado “os armazéns”, em Santana do Ipanema.
Tudo indica, então, que era um comerciante de cereais e bastante conhecido na
região. Mas esse comerciante não residia mais em Santana e assim não pude
conhecê-lo. Sobre suas atividades profissionais, dissera a meu pai que também
era comerciante, acho que em uma visita a terrinha.
“Cresci
muito em Santana, mas cheguei a um ponto que não tive mais como crescer por
causa do limite da ‘praça’. E como se falava muito bem do Recife, fui para lá.
De fato, fui expandindo o meu negócio, mas também Recife ficou pequena para
mim. Resolvi partir para São Paulo. Aí sim, encontrei um mundo ilimitado para
as minhas atividades e até hoje ali permaneço sem nunca alcançar o teto”. Esse
depoimento a meu pai, sempre me impressionou. Foi assim que resolvi mais uma
vez falar sobre o caso e o homem querido por todos, progressista com visão de
futuro e força de vontade. Um exemplo santanense a ser seguido, mas que sua
trajetória ficou no anonimato; e homens dessa envergadura não podem permanecer
na obscuridade.
O
antigo corredor de armazéns de cereais e que foi apelidado por nós no Jornal do
Sertão, de “Corredor do Aperto”, pelos constantes engarrafamento do trânsito,
hoje é comércio variadíssimo. Não tem mais cereais. É trecho da Avenida Barão
do Rio Branco, mas ainda não deixou de ser o Corredor do Aperto. Bem assim a
força de vontade humana é coisa muito importante não só para persistir e
desenvolver no comércio, mas em todas as ações da existência. Uma das piores
coisas que atinge a pessoa é o desânimo. A força de vontade vem corrigir essa
lacuna. Entretanto é bom o reconhecimento também dos méritos alheios que sem
querer fabrica empregos e exemplos coruscantes que devem ser seguidos.
Viva
a força de vontade! Viva quem tem visão de futuro!
DE VOLTA AO CEPINHA Clerisvaldo B. Chagas, 31 de março de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.855 o sucesso do “Ca...
DE
VOLTA AO CEPINHA
Clerisvaldo
B. Chagas, 31 de março de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.855
o sucesso do “Café Filosófico”, promovido pelo Departamento de Cultura, em sua casa, veio um honroso convite para uma palestra na Escola Estadual Prof. Aloísio Ernande Brandão, o famosíssimo “Cepinha”. No café, foi lançado o livro documentário, “Canoeiros do Ipanema” e que também será relançado para professores e alunos do Cepinha, no encontro agendado para o dia 20 de abril, ocasião em que estaremos falando sobre Santana do Ipanema. Estamos ainda na primeira fase do entendimento e não temos certeza se será uma palestra ou uma ampla entrevista pela plateia, modo da minha atual preferência. De qualquer maneira é um prazer enorme retornar àquela casa onde encerrei a minha carreira de Magistério.
Antes
de tudo, o Cepinha era apenas uma oficina da Escola Estadual Deraldo Campos...
Uma carpintaria onde os alunos aprendiam arte e tinham a assistência do
profissional Abelardo, marceneiro que ali trabalhava pelo estado. Até hoje
existe a lembrança forte da saudosa professora “Dodôra” que ministrava essas
aulas de Educação Artística prática e fumava bastante. A carpintaria foi
perdendo força como tal e passou a ser a base de fundação da Escola Estadual
Prof. Aloísio Ernande Brandão e que permaneceu com o mesmo apelido de antes e
muito mais conhecida assim. A homenagem ao professor pela sua morte precoce,
foi justíssima, mas achamos que deveria haver pelo menos uma sala com o nome da
professora Dodôra que também partiu precocemente pelas ações do cigarro.
E
para concluir, voltamos a lamentar a localização das três grandes escolas
estaduais dentro duma área plana mas, insalubre, dominada pelas grandes
enchentes do riacho Camoxinga, afluente do Ipanema. Ao lado das escolas, está o
enorme terreno federal, desocupado, abandonado, não saneado aonde as águas de
minação descem noite e dia vindo das partes altas (Rua das Pedrinhas) e
imediações da COHAB NOVA. E os três colégios: Laura Chagas, Mileno Ferreira e
Ernande Brandão estão no antigo entulho formado a milhares ou milhões de anos
pelo bravo riacho Camoxinga. E desde há muitos anos quando as chuvas derrubou
parte da murada que cerca as três escolas, que o abandono do terreno, com a
parte caída ampliada não é coisa bonita de se vê.
Amor
às coisas públicas?
Quem
ama cuida!
CENTRO
DE SANTANA (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.