SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
USO DA PUA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de abril de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.861 Você sabe a diferença...
USO DA
PUA
Clerisvaldo
B. Chagas, 10 de abril de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.861
Você sabe a diferença entre boiadeiro,
vaqueiro, vaquejador, tangedor e vacorno? Já falamos sobre isso em um dos
nossos trabalhos, mas surgiram dúvidas entre marceneiro, carpinteiro e
carapina, também chamado carpina. Esta última palavra fomos ouvi-la pela
primeira vez na zona rural. Aí embolou o meio de campo como dizem os
aficionados ao futebol, porque alguém pode dizer que todos são a mesma coisa. Existe,
porém, uma distinção interessante. Todos
três mexem com a madeira, mas de formas diferentes, vamos a elas:
Marceneiro: profissional que
trabalha com madeira confeccionando móvel e fazendo consertos. Hoje em dia
também recebe a denominação de moveleiro.
Carpinteiro: Profissional da madeira
cujo trabalho está relativo à madeira usada em construção: vigas, escoras,
caixas para concreto, e madeirame do teto, etc...
Carapina: Também chamado carpina,
mas dizem que o nome correto é carapina que, aliás, é de origem indígena. O
carapina trabalha principalmente no campo (zona rural) mexendo com madeira na
construção de casa de taipa, por exemplo. Providencia a estrutura da casa como
portas, janelas, paredes e teto relativos à madeira. Agem, portanto, como se
fossem médicos, mas cada qual com sua especialidade. Quanto ao título da
matéria, quem conheceu a pua? Instrumentos hoje obsoleto, usado pelos
antigos profissionais da madeira e que servia para fazer furos manualmente.
Hoje, substituída pelas furadeiras elétricas, ainda resiste por aí à fora.
A pua ficou famosa durante a Segunda Guerra
mundial, quando os brasileiros a usaram no slogan contra os
nossos inimigos: “Senta à pua!”. O que equivale a dizer que deveríamos usar
todo o rigor sobre eles.
Não queremos dizer que os três profissionais da
madeira não saibam sobre os serviços dos outros similares, pois, “quem não tem
cão, caça com gato”, já diziam os antigos, todavia, “cada qual no seu
quadrado”, fala a gíria hoje em voga.
A Igreja afirma que São José era um
carpinteiro, portanto, pela divisória vista acima, o pai de Jesus dirigia seus
trabalhos de madeira com destino às construções.
Ô Português complicado! Ou o complicado somos
nós?
PUA (Foto).
VAGA-LUMES Clerisvaldo B. Chagas, 6 de abril de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.860 Santana do Ipanema, ci...
VAGA-LUMES
Clerisvaldo
B. Chagas, 6 de abril de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.860
Santana
do Ipanema, cidade sertaneja de Alagoas, passou quatro anos no escuro. É que o
motor alemão que abastecia a cidade, caiu na exaustão. Após uma luta incessante
dos santanenses, o governador resolveu trazer energia de Paulo Afonso e
abasteceu a urbe. Muitas coisas interessantes aconteceram naquele período onde
afloraram toda a tradição da Ribeira do Panema. Lembramo-nos muito bem de
certas noites em que o céu era povoado desses insetos simpáticos e misteriosos
que são os vaga-lumes e que em outras regiões são denominados pirilampos. Não é
que todas as noites havia vaga-lumes, mas eles sempre apareciam em maior ou em
número reduzido, mas povoavam a nossa mente interiorana.
Os
vaga-lumes tornaram-se imortais na literatura cangaceira, quando na madrugada
de 28 de julho de 1938, foram confundidos com lanternas por duas mulheres bandidas
na Grota dos Angicos, em Sergipe. O engano entre vaga-lumes e lanternas de
verdade, fez a diferença no ataque que vitimou Rei e Rainha do Cangaço naquela
fatídica madrugada. Mas acontece que o progresso como faróis de automóveis,
luzes de postes atrapalharam o pisca-pisca dos pirilampos que se comunicam
assim e atraem as fêmeas para o acasalamento. Por outro lado, o seu habitat foi
invadido por desmatamento e construções, impedindo a reprodução desses coleópteros
que estão no momento desaparecidos.
As
luzes artificiais e companhia retiraram do ar esses maravilhosos insetos que
povoaram a mente de crianças e adultos no nosso mundo sertanejo. Vez em quando
vemos e ouvimos repentistas violeiros falarem sobre a lanterna natural desses
insetos que enfeitavam a abóboda do mundo sertanejo. São personagens do bioma
caatinga assim como as não menos famosas tanajuras que surgiam após as
trovoadas e enchiam de júbilos todas as faixas etárias do semiárido. E como a
parte traseira era volumosa e comestível, daí a expressão rasteira: “bunda de
tanajura”. Pois os vaga-lumes e outros personagens do Sertão, transformaram-se
apenas em saudade no mundo literário e na boca dos nossos avós. Parece
impossível conviverem em harmonia o moderno e o passado.
Mas
lembrar, pode?
VAGA-LUME
(FOTO: PINTEREST).
O BACORINHO DE ZÉ PANTA Clerisvaldo B. Chagas, 5 de abril de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.859 Você já viu a...
O
BACORINHO DE ZÉ PANTA
Clerisvaldo
B. Chagas, 5 de abril de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.859
Você
já viu alguém criar porco em apartamento? Um gatinho, um cachorro mimoso...
Ainda vai, mas um porco para arrebentar com tudo é coisa que parece mentira.
Pois o caso aconteceu há muito em Maceió. O funcionário público do antigo
Departamento Nacional de Estrada de Rodagem – DNER – moreno de mais de dois
metros de altura, gaiato e tocador de violão, Zé Panta, sentiu-se grato pela
passagem de um engenheiro residente na unidade de Santana do Ipanema. O querido
engenheiro quando deixou Santana foi residir em Maceió. Planejando levar um
presente para o homem cheio de bondades, Zé Panta comprou um bacorinho (porco
ainda novo), boto-o debaixo do braço e partiu para a capital. A trajetória do
tocador de violão foi repleta de histórias engraçadas até mesmo em ações
somente para adultos.
Vamos
interromper a história do bacorinho para dizer que certa feita Zé Panta foi
enganado por um vendedor de mel falsificado na esquina da Feira do Passarinho,
em Maceió. Quando descobriu que o produto era apenas água com açúcar, resolveu
voltar ao local uma semana depois. O vendedor de mel estava no mesmo lugar
fazendo sua propaganda. Ao notar a aproximação daquele homem gigante, tentou
correr, mas não daria tempo carregar com ele a banquinha de madeira com vários
litros do hodromel. Sendo assim, resolveu solucionar o problema com
brincadeira. Gaiato contra gaiato. Zé
Panta fez cara de mau e indagou: “Qual foi a abelha que fabricou esse mel?”. E
o vendilhão esperto: “Tá falando com ela!”. E bateu no peito. Como os
semelhantes se entendem, o final resultou em gargalhadas.
Pois
bem, voltando ao caso do porco, Panta chegou ao apartamento do engenheiro, cujo
encontro foi uma festa. Apresentado o porquinho, o doutor agradeceu, mas alegou
que não podia aceitar o presente porque não tinha onde colocar o bichinho.
Estressado, o animal grunhia alto chamando a atenção de todos por ali. Um
barulho dos seiscentos diabos! Diante do ajuntamento da vizinhança e a recusa
do ex-chefe, Zé Panta se despediu. Quando o engenheiro tentou fechar a porta,
Panta agiu com rapidez e jogou o bacorinho dentro do apartamento dizendo e
correndo: “Presente para vossa senhoria!”. O pega-pega e a quebradeira que
houve dentro do apartamento arrumadinho, fica por conta do leitor internauta.
Arre!

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.