SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
CONHEÇA O LAJEIRO GRANDE Clerisvaldo B. Chagas, 25 de abril de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.871 O B...
CONHEÇA
O LAJEIRO GRANDE
Clerisvaldo
B. Chagas, 25 de abril de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.871
O
Bairro Lajeiro Grande, está situado ao norte de Santana do Ipanema. Sua
topografia varia entre o plano e as ladeiras. É um dos bairros mais altos da
cidade. Ali estão localizados o Estádio Arnon de Mello, O cemitério Santa
Sofia, a escola municipal Santa Sofia, a chamada CONHAB Nova e a igreja do
padre Cícero sobre o grande lajeiro que deu origem ao nome do bairro. Seu comércio
e prestação de serviços são expansões do Largo do Maracanã e que subiram a
comprida e central avenida Santa Sofia.
É um bairro com boa porção de terras semeadas de matacões, inclusive em
muitos quintais e em terrenos abertos. Tudo leva a pensar que o Lajeiro Grande
tenha o melhor microclima da cidade. Está completamento asfaltado ou calçado
com paralelepípedos.
Entre
os seus matacões foi descoberta uma mina de ametista que teve início de
exploração, mas, dizem que houve falta de recursos para aprofundamento da coisa
e terminou tudo com o buracão vertical abandonado. Estávamos em busca da Pedra
do Barco (citada no primeiro documento que se tem sobre Santana do Ipanema,
quando nos deparamos com o buraco enorme, sem nenhum aviso, sem nenhuma
proteção. Não sabemos informar como está hoje a situação da mina. Na época deu
muito o que falar. Quanto ao marco da Pedra do Barco, quando aí estivemos,
particulares estavam destruindo a grande pedra para transformá-la em pias. Santa ignorância coletiva e política! Já
dizia o saudoso professor e compadre Marques “A sociedade deveria ser dirigida
por filósofos e defendida por guerreiros”.
A
propósito, esse primeiro documento sobre Santana do Ipanema, cita o início de
terras vendida, na Pedra do Barco, indo até o riacho Mocambo, (imediações do
atual povoado Pedra d’Água dos Alexandre) passando pelo sítio Lagoa do Mijo.
Estando-se no lajeiro da igrejinha do padre Cícero, avista-se longe parte do
Centro de Santana. Quem deseja cortar caminho para Águas Belas (PE) – estada de
barro – passa pelo Bairro Lajeiro Grande e roda no asfalto até o cemitério São
José, situado à margem da estrada no sítio Barroso. Como o bairro fica fora do
eixo Comércio – saída e entrada da cidade, o turista somente sobe até o Lajeiro
Grande se tiver negócio ou for dirigido.
IMAGEM
DO PADRE CÍCERO NO TOPO DO LAJEIRO (FOTO: B. CHAGAS)
VAMOS RODEAR Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.870 Não havia pontes em S...
VAMOS RODEAR
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.870
Não
havia pontes em Santana. Quando o rio Ipanema botava cheia, o grande número de
mascates que negociavam nas feiras de Olho d’Água das Flores, Carneiros e Pão
de Açúcar, principalmente, não sabia como driblar o rio. Mas quando surgiram os
canoeiros que atuavam na parte mais larga do Panema, o poço do Juá, os mascates
passaram a utilizar as canoas que transportavam gente e todas as mercadorias.
Quando construíram a primeira ponte sobre o rio Ipanema, no local Barragem a 2
km do Centro, os caminhões de feirantes contornavam trechos do rio pela “Ponte
da Barragem”, pelo lugar Volta (volta do rio) desciam e subiam a ladeira até a
fazenda do senhor Marinho Rodrigues e que depois ficou conhecida como “a
fazenda de Dr. Clodolfo”, herdeiro de Marinho (próxima ao hoje hospital dos
SUS).
Entre
os proprietários de caminhões, estavam o senhor Plínio e o senhor José Cirilo.
Os mascates trafegavam para as feiras dos citados municípios acima, sentados
sobre as mercadorias e com as pernas para fora nas partes laterais dos
caminhões. Nas proximidades do destino, o motorista encostava no acostamento
improvisado da rodagem, subia para a carroceria e iniciava a cobrança da
passagem. Às vezes, ao retornarem à tardinha, das feiras, o valente riacho João
Gomes não dava passagem. Sem ponte ainda, era duro o transporte de mercadorias
de uma à outra margem (tipo baldeação forçada) e que depois iria ainda para o rodeio
pela fazenda do Dr.Clodolfo até a passagem da ponte da barragem construída em
1951.
As
viagens dos mascates, longe da monotonia, conversas animadas e piadas naquelas
cargas de homens, mas que havia também raras mulheres que viajavam na boleia ou
mesmo na carroceria quando não tinha vaga. As vezes surgiam cenas inusitadas
pela rodagem e as piadas saíam de mascates gaiatos, assim como Geraldo, vulgo
Rinchel. O transporte saía logo cedo e podia encontrar de tudo pelo trecho.
Assim, um homem praticando zoofilia com uma jumenta foi visto num recanto de
cerca e logo apontado por um dos passageiros: “Estar aplicando injeção na
bichinha!”. E o caminhão muito veloz cobrindo o mundo de poeira.
A
ponte sobre o rio Ipanema, em 1969, minorou vigorosamente aquelas epopeias.
PONTE
DA BARRAGEM -1951.
ACONTECEU LAMPIÃO Clerisvaldo B. Chagas, 21 de abril e 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 2.869 A história de S...
ACONTECEU LAMPIÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de abril e 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica; 2.869
A
história de Santana do Ipanema, fala em “tiro de guerra” na cidade desde os
anos vinte. Esta unidade do Exército Brasileiro foi muito importante com a sua
simples presença que ajudou a manter ao largo, o bando de Lampião, em 1926.No
início dos anos 60 o tiro de guerra ainda permanecia na cidade, inclusive, com
seus exercícios pelas ruas como a Antônio Tavares. Lembramos ainda que a sede da
unidade ficava no andar térreo do “sobrado do meio da rua”. Na época em que
Lampião passou pela zona rural de Santana, governava à cidade Benedito Melo e
que naquele momento estava com crise de asma, quando recebeu notícias da
aproximação dos bandidos. O comandante de polícia, recém chegado da zona da
mata, estava com um medo triste de enfrentar Lampião.
Os
civis resolutos da cidade, resolveram fazer um movimento em busca de armas e
voluntário para enfrentar uma possível invasão. Inúmeros rifles foram
descobertos e foi formada uma frente com os soldados do tiro de guerra, da
polícia e com os civis, o que deu uma média de 40 e poucos homens. Foi feita
uma trincheira com sacos de areia na entrada oeste da cidade, na Rua da Poeira.
Ali os homens passaram uma noite aguardando a chegada de Virgulino Ferreira,
diante de um frio intenso do inverno do meio do ano. Vale salientar que o padre
Bulhões também caçou armas pela urbe. Finalmente amanheceu o dia com a surpresa
do Sol nesse meio de inverno e os homens foram liberados para comerem massas
numa padaria próxima. Nada de Lampião.
Mas
se o bando, composto por mais de 100 homens, não penetrou na cidade,
praticou vários assaltos na zona rural, antes da invasão à vila de Olho d’Água
das Flores. Vale salientar que essas passagens cangaceiras por nossa região,
foram registradas pelos escritores Valdemar de Souza Lima, Oscar Silva e alguns
acontecimentos pelos escritores irmão, Floro e Darci d Araújo Melo. Governava o
nosso estado o jornalista Costa Rego. Costa Rego foi aquele governador que
diante de tantos telegramas de prefeitos do Sertão denunciando a presença do
cangaceiro por aqui, respondeu ironicamente: “Quantos Lampiões existem?”.
Contudo, quando chegou a Olho d’Água das Flores (Lampião já havia se retirado)
pode contemplar a bagaceira deixada pelo bandido.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.