VISITE A BARRA Clerisvaldo B. Chagas, 22 de julho de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.078   Trecho de reporta...

 

VISITE A BARRA

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de julho de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.078

 



Trecho de reportagem do Jornal Tribuna de Alagoas:

Especialistas dizem que é preciso voltar ao passado para entender. A antiga famosa Prainha, na Barra Nova, bastante conhecida pelos maceioenses, foi sempre um local de muitos bares, atividades náuticas e gastronomia regional. Mas muita coisa mudou desde 2009, quando moradores e comerciantes decidiram intervir, numa região que já vinha apresentando instabilidade desde as obras de construção do condomínio Laguna. Naquele ano uma grande enchente elevou o nível da lagoa e alagou boa parte do povoado. A população, então, resolveu abrir um “canal” para que a água escoasse para o mar. Mas, o que eles não sabiam é que esta atitude provocaria danos maiores no futuro e aceleraria o fim de uma das belezas naturais do Litoral Sul”.

Por Claudio Bulgarelli / Sucursal Região Norte19/07/2024 08h59

 

Não temos nenhuma dúvida de que o povoado Barra Nova entre Maceió e Marechal Deodoro é um dos lugares mais belos de Alagoas e do Brasil. Vale à pena fazer uma visita naquela região para gozar à beleza, à culinária e lazer, principalmente na tão afamada “Prainha” da Barra Nova. Sim, é certo que houve alguma invasão do mar em algumas partes, uma modificação na paisagem, porém, o próprio governo cuidou de conter esse avanço com técnica nova e criativas de pessoas entendidas. Falam que as técnicas usadas estão dando ótimos resultados e, inclusive elogiadas e servindo de modelo para o mundo. Talvez a desvalorização de imóveis que falavam devido ao mar, tenha ido embora retornando os valores dos imóveis desse paraíso do planeta Terra.

Para quem quer estudar à Natureza na região da Prainha, poderá e encontrar a felicidade para seus conhecimentos, teoria e fotos impressionantes. Vamos encontrar por ali canais, mangues, vegetação de praia, istmo e muito mais. Não é que somente o núcleo da Barra Nova seja bonito, mas toda região entre Maceió e Marechal com as guloseimas do trajeto que levantam o bom humor. As tradicionais igrejinhas antigas dos povoados, entre coqueirais, ´são atrações para quem gosta do bucólico, do religioso, da arquitetura. E se for mesmo para estudar a região agende dias e dias perambulando por aquele litoral tão cheio humildade e encantos. E por que não conhecer de perto àquela região?

 

FOTO: JORNAL TRIBUNA DE ALAGOAS

 

  FESTA DE SENHORA SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 17 de julho de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.077   Mal ter...

 

FESTA DE SENHORA SANTANA

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de julho de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.077

 



Mal terminou a Festa da Juventude, entra a Festa da Padroeira Senhora Santana, em Santana do Ipanema. O novenário propriamente dito tem início no dia dezessete, porém, a abertura acontece sempre no dia dezesseis com a tão esperada Procissão dos Carreiros.  São centenas de carros de boi que saem do Parque de Exposição Isaías Rego, a cerca de 2 km da cidade, em direção ao centro de Santana do Ipanema. Eles veem pelo asfalto ou pelo acostamento da AL–130, sempre escoltados por viaturas da Polícia Rodoviária. O carro de boi da frente conduz a as imagens de Senhora Santana, a padroeira, e seu esposo São Joaquim. Geralmente as imagens são conduzidas pelo padre da Paróquia nesse carro da frente, usando chapéu de couro, símbolo do homem rural nordestino e sertanejo.

A tão aguardada Procissão dos Carreiros já chegou perto dos 2.000 carros de boi no trajeto Parque-Centro, porém essa participação vem encolhendo ano a ano. Ou é falta de disposição de carreiros ou falta de carros na região. Sempre aparecem os curiosos para a contagem dos carros de boi e, teremos que aguardar a procissão para vê se sai algum resultado. Ao chegar ao centro da cidade, a procissão segue até o Largo Padre Bulhões, onde na praça multiuso, às margens do riacho Camoxinga, recebem as bênçãos da Igreja. Nem é preciso dizer que veem carreiros do Sertão inteiro para participar do evento religioso. Muitos acampam no Parque, um dia antes, num encontro saudoso e afetivo. A priori, Isaías Rego, nome do Parque, foi comerciante com armarinho, padaria e, fazendeiro em Santana do Ipanema.

O Carro de boi, mostra ter sido o primeiro veículo pesado do Brasil, desde os tempos coloniais. Foi feito para transportar volumes maiores de mercadorias, onde antes só existia o jumento, o burro e o cavalo. Só foi substituído com o advento do caminhão, dos primeiros caminhões que rodaram em nosso território. Ainda hoje existem regiões no país que utilizam ainda esse tipo de transporte, principalmente em zonas rurais nos sertões nordestinos e na Região Centro-Oeste. Ver um carro de boi hoje em dia, é se encher de saudosismo e melancolia nos que viveram a plenitude desses carros artesanais e manufaturados.

Não há quem conte no mundo as infindáveis histórias do carro de boi.

PROCISSÃO DOS CARROS DE BOI EM SANTANA DO IPANEMA (CRÉDITO: ALAGOAS NANET).

  O PANEMA NA FESTA DA JUVENTUDE Clerisvaldo B. Chagas, 16 de julho de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.076   E...

 

O PANEMA NA FESTA DA JUVENTUDE

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de julho de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.076

 



Enquanto a festa em Santana acontecia, o rio Ipanema deslizou de Pernambuco e ficou praticamente lado a lado no seu leito normal. Um ditado santanense antigo, do município, diz que “quando o rio Ipanema bota cheia o inverno será bom”. Esse ano nem precisou a cheia do Ipanema acontecer porque o inverno já estava sendo chamado de excelente.  Nunca tínhamos visto um tempo invernoso assim, chuvas fininhas, tanto de dia quanto de noite, intercalada de sol e céu nublado. Portanto o rio Ipanema veio apenas confirmar a riqueza que estar acontecendo no Sertão. Por outro lado, graças a Deus não foi confirmado o outro provérbio de Santana, tão antigo quanto as origens da cidade “Panema quando bota cheia leva um”. Não temos notícias de nenhum afogado até o presente momento.

Na foto da crônica, através da grade de proteção da ponte General Batista Tubino, vê-se em primeiro plano o Poço dos Homens e em segundo plano a continuação da cheia repentina. Desta feita, o rio não encontrou casa construída no seu leito, nem oficina debaixo da ponte e nem rua ocupando a sua calha. Por isso passou tranquilo sem mexer com ninguém. Suas águas já baixaram bastante e daqui a uma semana, já estará fornecendo peixes para as famílias pescadoras costumeiras, àquelas que gostam de peixe com farinha e assim alimentam os buchos das crianças.  Os primeiros dias de cheias fazem a limpeza do lixo jogado ali pelos humanos e, os dias seguintes assentam o barro, a areia e outras impurezas que as águas transportam. É ocasião de pesca e de banho.

E mesmo com muitas festas e barulhos nas ruas de Santana, o rio Ipanema continua tranquilo, sereno e sinuoso como nos velhos tempos da nossa juventude. A Pedra do Sapo, lá no Minuíno, ainda hoje marca a intensidade das cheias em: pequena, média ou grande de acordo com as águas aos seus pés, à sua cintura, ao cobrir a sua cabeça. A ponte engoliu as negras canoas compradas em Pão de Açúcar, formulou o progresso da margem direita e incentivou suicídios aos fracos na sua baixa murada. Diante de ruídos de motores, foguetórios, sons de paredões e gritos alucinados, o rio Ipanema escorre invisível e sereno cumprindo seu destino de mais importante acidente geográfico do Sertão alagoano.

Orgulho sertanejo!!!

RIO IPANEMA VISTO PELAS GRADES DA PONTE, EM PLENA FESTA DA JUVENTUDE. (FOTO: B. CHAGAS). 2024.