AREIAS BRANCAS Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3,209     Como havia di...

 

AREIAS BRANCAS

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3,209

 

 



Como havia dito anteriormente, fomos ontem à tarde para o povoado Areias Brancas, município de Santana do Ipanema, que estar parecendo uma cidade. Fomos, eu e minha esposa Irene Ferreira das Chagas, prestigiar o projeto do cineasta Samuel com grupo de alunos selecionados para aprender e fazer cinema. Sua esposa e sua mãe – ex-aluna nossa – estavam conosco nessa empreitada na qual a minha presença foi para incentivar a cultura nas suas várias modalidades, inclusive, no ramo cinematográfico. A princípio, o evento como primeira aula de uma série programada, iria ser sob um frondoso e belo cajueiro tradicional na praça do povoado. Bem que tentamos, porém, o vento da tardinha estava bravo, além dos ruídos constantes do trânsito motorizado.

Despedimo-nos dos ventos e fomos para o interior da escola onde nos acomodamos e o novo Cacá Diegues, Samuel, expôs suas ideias ao grupo seleto de jovens. Prestamos a nossa homenagem ao povoado, quando a Diretora da Escola leu para o grupo como foi a fundação do povoado registrado por nós no livro O BOI, A BOTA e a BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA – havia um exemplar na biblioteca da escola. Falamos e ouvimos a juventude, inclusive, uma das jovens do grupo, narrou as mesmas informações de duas pessoas dos tempos de fundação, coincidindo com a nossa narrativa. O projeto do Samuel, além de ensinar todos os truques para um bom profissional por trás das câmeras, incentiva às narrativas diversas que poderão ser alvos de futuras filmagens.

O povoado Areias Brancas, é o maior de todos os povoados santanenses. Estar situado entre Santana do Ipanema e a cidade de Dois Riachos. Aliás, o povoado é da mesma idade de Dois Riachos que antigamente se chamava Garcia. Tem como riqueza mineral sua areia branca, excelente para construções pela qualidade e a liga que possui. O seu grande desenvolvimento deve-se a localização geográfica, de terras planas, eixo rodoviário Sertão – Capital e cortado pelo BR-316. Tem como padroeiro o mártir São Sebastião e festas anuais, belíssimas. Retornamos a Santana já dentro da noite desses últimos dias de primavera, satisfeitíssimos com o êxito do nosso trabalho, aliás, do trabalho do jovem Samuel, futuro cineasta da Rede Globo de Televisão.

JOVEM E VETERANO PELA CULTURA DA TERRA. (FOTO: EQUIPE SAMUEL).

 

 

  APOTEOSE Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.208   O lançamento dos romanc...

 


APOTEOSE

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.208

 

O lançamento dos romances Fazenda Lajeado, Deuses de Mandacaru, Papo-Amarelo e Ouro das Abelhas, sábado passado na Câmara de Vereadores, foi uma verdadeira apoteose. O mestre de cerimônias, escritor José Malta, além de outras coisas, fez comentários literários sobre cada uma das quatro obras, com mestria e competência. O escritor Marcello Fausto discorreu sobre a figura do autor, baseado na vivência com Clerisvaldo, muitos anos e no conhecimento profundo do seu modo de ser. E o cerimonial, recheado de apresentações em forma de homenagens, recebia páginas e páginas musicais na maviosa voz do lendário cantor Dênis Marques que se tornou tradição nos lançamentos de livros do romancista, historiador e poeta Clerisvaldo B. Chagas.

Fãs declaradas do escritor, fizeram questão de apresentações como poesia do próprio autor, poesias próprias e leitura de trecho de um dos romances. B. Chagas, prestou homenagem a esposa, presente à mesa e a todas as mulheres na pessoa da sua amada professora Irene Ferreira das Chagas. Falaram e emocionaram o vereador Robson França e a vereadora Josefa Eliana, ”Fofa” – que se emocionou e sensibilizou a plateia. O romancista agradeceu a todos e narrou a sua intimidade com o atual edifício da Câmara Municipal de Vereadores Tácio Chagas, desde quando o prédio pertencia a Empresa de Luz com força Motriz que abastecia a cidade das 18 às 24 horas.

Tudo era acompanhado com filmagens e fotos dos titulares dos projetos culturais Samuel e Risomar.  Houve sessões de fotos e sessão de autógrafos, vibrantes, carinhosos e imorredouros. Santana do Ipanema, viveu essa apoteose cultural com a presença de sete escritores, dos quais, dois de cidades circunvizinhas de Dois Riachos e Olho d’Água das Flores. A Diretora de Cultura, Gilcélia Gomes, se achava presente e à mesa prestigiando o evento e a cultura santanense. Hoje, se Deus quiser, estaremos no povoado Areias Brancas, fazendo parte do projeto do cineasta Samuel.  E vamos contemplando um novo tempo cultural no Sertão, onde jovens misturam-se aos veteranos no mister divino de fazer cultura. Vamos ver de perto se os cajus de Areias Brancas são doces de verdade como diz o sertanejo.

 

 

  PERFURATRIZ Clerisvaldo B. Chagas, 13 de março de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.207   Prédio elegante, s...

 

PERFURATRIZ

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de março de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.207




 

Prédio elegante, semelhante a um pequeno sobrado, era atração entre o final da Rua São Paulo e o rio Ipanema. Era o edifício que guardava o complexo de máquinas que perfuravam o solo e enviavam água para o edifício do Fomento Agrícola, situado na Rua de São Pedro, onde havia o primeiro tanque de bombeiros de Alagoas. O elegante prédio era rodeado de janelas, tinha calçada alta e quase sempre se encontrava fechado. Defronte, a estrada de rodagem que levava até Olho d’Água das Flores, também fazia parte da Rua São Paulo. Ali, todas as tardes, rapazes jogavam bola numa animação grande, principalmente os sapateiros da fábrica de calçados do senhor Elias, em final de expediente.

Ambos os prédios faziam parte da revolução agrícola que estava sendo implantada em Alagoas, juntamente com o sítio experimental, Sementeira. Foi época em que havia um curral de gado na rua vizinha onde se originou a Rua de Zé Quirino, ainda hoje assim chamada, porém, com o nome oficial de Rua Prof. Enéas. Todos esses temas com foco na pobreza social da região, estão no mais novo romance AREIA GROSSA, que possivelmente será lançado no segundo semestre. Resgatamos mais de 60 personagens que viveram por ali, edifícios como: Perfuratriz, Fomento Agrícola, Escola Bacurau, Igrejinha de São Pedro, Fábrica de calçados, de colchões, de malas. Sorveteria Maringá, Hotel de Maria Valério, Canoeiros do Ipanema, Olarias e o movimento da luta santanense pela energia elétrica de Paulo Afonso. Têm algumas ilustrações desses prédios.

O romance mistura personagens reais com fictícios, assim como várias situações excelentes que dão sabor ao romance. AREIA GROSSA, diferente dos outros seis romances do autor, não é do ciclo do cangaço. É um romance social, específico das margens do rio Ipanema, profundamente humano, mas com todos os ingredientes de um bom romance/novela: amor, sexo, paixão, ternura, violência, lutas sociais.

OBS. Devido a agenda lotada pelo lançamento de livros no sábado,15, entrevistas, filmagens, aulas no serrote das Micro-ondas, voltaremos somente após a segunda-feira.

EDIFÍCIO PUJANTE DO FOMENTO AGRÍCOLA, ESTREMECENDO PARA MORRER. (Foto B. Chagas).