SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
SANTANA – ÁGUAS BELAS Clerisvaldo B. Chagas, 11 de julho de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.266 Santana do...
SANTANA
– ÁGUAS BELAS
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de julho de
2025
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3.266
Santana
do Ipanema, possui três saídas-entradas oficiais, ao modo de falar. Uma rumo a
Maceió (Leste); uma rumo ao alto Sertão (Oeste): e outra rumo Arapiraca. (Sul).
As duas primeiras pela BR-316 e a terceira pela AL120. Ora, e uma saída-entrada
pela parte Norte, tem? Tem sim, muita antiga estrada de terra que passa pelos
sítios rurais: Barroso, Poço Salgado Sem Terras, Poço Salgado, Camoxinga Limpa,
Camoxinga 2, Troca Tapa, Camoxinga dos Teodósio, Pinhãozeiro e Malembá. Vai em
direção a Pernambuco, tendo Águas Belas, como sua primeira cidade e daí ao
Recife, se continuar subindo. Essa estrada foi aberta em 1938, pelo prefeito de
Santana, então, Pedro Gaia. É uma estrada “por dentro”, (atalho) como diz o
povo, para distinguir de uma rodovia oficial em longo rodeio por Maravilha,
Ouro Branco ou pelo trecho Entroncamento Carié. Por dentro economiza-se dezenas
e dezenas de quilômetros.
Ora,
os feirantes de Água Belas vêm para feira de Santana e vice-versa. Existe uma
irmandade secular entre as duas cidades, mas por que não uma ligação asfáltica
por dentro, para facilitar a vida de milhares de pessoas? Simplesmente por
falta de acertos políticos entre dois prefeitos e dois governadores, só. Uma
porta ligeira para Garanhuns, Caruaru e Recife. Bem que houve um falatório na
gestão santanense do então, prefeito Mário Silva, mas nada de concreto
aconteceu. Poderia até ser uma boa alternativa para os povoados da região
serrana São Félix e Óleo, num puxar de braço do asfalto a partir da passagem
pelo sítio Pinhãozeiro. Mas... Mas... Mas... Você mesmo tire as conclusões.
A
cobertura asfáltica passaria nos pontos famosos que poderiam ser levados ao
turismo. No município santanense, um acesso íngreme às serras do Poço e do
Almeida, as nascentes do riacho Camoxinga, à furna da onça e às terras férteis
da região serrana. Em território pernambucano, margearia as terras sagradas dos
índios Fulni-ô ou Carnijós. A maioria das pessoas que viaja para Garanhuns,
Caruaru, Recife, tem como trecho a serra das Pias, pela cidade de Palmeira dos
Índios. Veja que absurdo. Falta, e como falta, a parte do quadrante Norte da
nossa cidade para complementar a Rosa-dos-ventos. A priori, entrada e saída
seriam pelo Bairro Lajeiro Grande que tem asfalto no prolongamento até o sítio
Barroso.
“Ê...
meu fio...” canta na seca o Acauã.
PREFEITURA
DE SANTANA REFORMADA EM 1938 E DEPOIS DE
1980 (FOTO: DOMÍNIO PÚBLICO/LIVRO 230)
ALVÍSSARAS Clerisvaldo B. Chagas, 10 de julho de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.265 Finalmente! Após sécu...
ALVÍSSARAS
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de julho de
2025
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3.265
Finalmente!
Após séculos de sonhos e décadas de espera, começa a acontecer. A ponte
imaginária sobre o rio São Francisco, entre Penedo (Alagoas) e Neópolis
(Sergipe), no baixo São Francisco, começa a se materializar. Segundo
divulgação, pilastras de cabeça da ponte, já estão erguidas e os trabalhos
continuam sendo feito através de duas empresas. Sua extensão será de pouco mais
de um 1 km, com uma largura de 21 metros. Em parte, isso se deve a influência
do senador Renan Calheiros e a de seu filho Rennan Filho, hoje no Ministério
dos Transportes. Vai terminando assim um longo período de angústia e descaso
vivido pelo povo do Baixo São Francisco. Uma vitória das mais maiúsculas que
existem, muito embora tardia.
O
cenário no Baixo São Francisco é belo em todos os municípios e romântico com
balsas e canoas, mas a construção de pontes é uma exigência do crescente
progresso do mundo. Vale salientar que Penedo foi o primeiro núcleo
habitacional de Alagoas, teve sua região invadida por holandeses e os expulsou
da região com muita luta. Penedo é uma cidade histórica, limpa, atraente, cheia
de casarões antigos e excelente fonte de pesquisas. Para nós santanenses, Penedo
e suas regiões são como se fossem um outro mundo. O sertanejo fica abismado com
inúmeras coisas que ele nunca tinha visto antes. É um mundo seco vendo um mundo
molhado. Agora, lhe digo, cabra velho, é longe, é muito chão entre Santana do
Ipanema e Penedo, seu avô.
Em
Santana, ao ser feita uma ponte do Comércio para a margem direita de rio
Ipanema, em 1969, o que era região desabitada, transformou-se rapidamente em
cinco bairros e agora o nascedouro de mais dois. Porém, ainda no trecho urbano do rio, ainda
faltam duas pontes sobre o mesmo rio Ipanema: uma pela rua São Paulo, às
antigas olarias, velha estrada de rodagem saída para as cidades circunvizinhas
do Sul. Outra, pela Avenida Castelo Branco, Bairro Camoxinga, ao Bairro Paulo
Ferreira, imediações do Hospital Regional Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo. A
espera talvez possa se igualar a mesma de Penedo. Para meus bisnetos ou
tataranetos?
INÍCIO
DE CABEÇA DE PONTE EM PENEDO (FOTO: AQUI ACONTECE).
PORRÃO – PURRÃO Clerisvaldo B. Chagas 9 de julho de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.263 Mas menino! Não é ...
PORRÃO
– PURRÃO
Clerisvaldo B. Chagas 9 de julho de 2025
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3.263
Mas
menino! Não é que encontrei no dicionário a palavra Porrão! É que estava vendo
algumas panelas de barro e fui transportado para o meu tempo de criança e
adolescente quando via os adultos comprando na feira, panelas de barro, potes,
jarras e porrões. Brinquedos de barro, pratos, panelas, cuscuzeiras, potes,
jarras e porrões, eram vendidos, mas será que um jovem ou uma jovem sabe o que
significa “porrão” (porrão, sem safadeza) que se pronunciava “purrão”? Pois bem,
o pote de barro era bojudo e baixinho para carregar e armazenar água. Esse todo
mundo conhece. A jarra, era semelhante ao pote, porém, muito maior três ou
quatro vezes. E “porrão”, com a pronúncia “pu”, era a mesma jarra, porém, maior
e mais bojuda. Cabia mais água que para passar à semana fazia grande diferença.
Tudo era abastecido com água do Ipanema ou do Panema.
Vejo
o adulto comprando o porrão na feira, batendo com os nós dos dedos na parte
bojuda, experimentando o objeto. Vejo o botador d’água despejando sua ancoreta
no porrão com a boca de filtro improvisado, de pano. Ouço a rãzinha rapa-rapa
cantar por trás do porrão e a matuta dizer: “Escute, vai chover”. Vejo o senhor
Filemon, fazendo feijoadas em pratos de barro, contratado pela sociedade. E por
fim, vejo a feira das panelas após o “Beco do Mercado” e sua mudança para outro
ponto, muito mais acima, na feira. Revejo a visita que fiz com meus alunos às
fabricantes de panelas, no povoado Alto do Tamanduá, em Poço das Trincheiras
Querem
pesquisar o tema, este é o começo.
Não
precisa registrar a EMOÇÃO.
Porrão
(foto: Pinterest).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.