CARRO DO OVO´- MOTO DO LEITE Clerisvaldo B. Chagas, 22 de julho de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.273 (3271) ...

 

CARRO DO OVO´- MOTO DO LEITE

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de julho de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.273 (3271)

 



Refletir, pensar, meditar no cotidiano. Ser simples como as flores do campo. Levando-se em consideração o trabalho, é sempre motivo de elogio no Sertão à mulher batalhadora e ao homem trabalhador. E assim vejo e ouço o carro do ovo passar todos os dias úteis em nossa rua oferecendo seu produto. Chovendo, fazendo sol, o seu condutor e vendedor está quase sempre às mesmas horas no batente do dia a dia. Sim, não sabemos de procedimentos outros, pois o não conhecemos, mas o fato de todos os dias está na labuta e dando viagens longas à Pernambuco para se abastecer e continuar renhidamente o mister, só pode ser motivo de admiração, de louvor ao homem trabalhador. Mas, outro exemplo poderemos apresentar com a moto do leite.

Aquele homem magrinho já de idade avançada, todos os dias, às oito horas, buzinando à sua porta, trazendo leite bom e fresco à sua refeição, sem nenhum esforço da sua parte em procurar leite por aí. Louvo sim, ao homem trabalhador que acorda nesse inverno às quatro da madrugada e, com chuva gelada às costas, frio de matar, lama no curral, se desdobra para a hora de sempre, complementar seu café.  É ou não é digno de elogios e louvor? Acabo de ler trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo que termina na coincidência dos exemplos práticos acima. Produtos caros ou baratos, eles estão à sua porta todos os dias. Será que agradecemos a Deus a oferta de alimentos cotidianamente ou apenas olhamos o outro lado e achamos “chato” ambos os anúncios dos produtos?

Bem diz o filme: “Assim Caminha a Humanidade”. E a compreensão da vida, das coisas, dos momentos, da rotina, dos extraordinários, parecem fora da realidade de quem não busca. E uma luz suave, firme e perene não se afasta nunca daquele que entre tantas e tantas trilhas outras escolhe a do Mestre. Mas façamos por merecer a trilha, seus êxtases, seus amargos, sua água e seu pão, suas vitórias, seus gemidos, porque tudo tem selo de qualidade e valia. E você, que ainda é pedra bruta, não compreenderá, porém, busque o polimento e a pedra polida lhe dará a resposta. E se assim caminha a humanidade, quero caminhar com ela, mas quero seguros passos, caridade no sangue, amor no coração e a luz das montanhas para iluminar os passos seguros.

Meu Senhor e meu Deus, meu Senhor e meu Deus, meu Senhor e meu Deus...

REPRESENTAÇÃO DO CARRO DO OVO (IMAGEM: DIVULGAÇÃO).

  NOVO LANÇAMENTO Clerisvaldo B. Chagas, 18 de julho de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.272   O “Bairro Lajeir...

 

NOVO LANÇAMENTO

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de julho de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.272



 

O “Bairro Lajeiro Grande”, em Santana do Ipanema, é um dos mais altos e maiores da cidade. Foi originário de um milagre do padre Cícero Romão Batista. Tendo alcançado o milagre, o devoto chamado Hilário, construiu em agradecimentos ao vigário do Juazeiro, uma igrejinha no topo de um lajeiro enorme, em suas terras. O desdobrar dessa história formou o hoje Bairro Lajeiro Grande e a igrejinha passou por algumas reformas. Uma imagem do padre Cícero chegou defronte à igrejinha, vinda do antigo serrote Pelado (Alto da Fé), colocada na gestão do prefeito Isnaldo Bulhões e, até hoje ali permanece. Será esse o cenário de lançamento do livro “PADRE CÍCERO – 100 MILAGRES NORDESTINOS, no dia 20 de novembro.

Por questões que nem vale à pena citar, resolvemos fazer o lançamento do livro no Lajeiro Grande e não mais na Pedra do Padre Cícero, em Dois Riachos. O livro será distribuído gratuitamente entre os devotos e romeiros que testemunharam seus milagres para o citado livro e que estão devidamente numerados, titulados e textualizados individualmente. Os romeiros e devotos registrados ou seus familiares, receberão um livro cada e serão convidados através de uma rádio da cidade e de boca a boca. Faremos todos os esforços para haver missa, homenagem, música típica e fogos. No primeiro momento não haverá distribuição de livros para devotos e romeiros outros que não sejam os dos testemunhos do livro. Entretanto todos poderão participar do evento.

Estamos tentando fazer uma programação de lançamento, simples, mas muito significativa. O livro que será lançado tem depoimentos de romeiros de Santana do Ipanema, Poço das Trincheiras, Ouro Branco, Cajazeiras e João Pessoa, Paraíba. Aliás, pessoas de Cajazeiras estarão presentes no dia do evento.   O livro já se encontra no prelo, istó é, na gráfica para impressão. E ainda este mês, os livros estarão prontos. Entre a solenidade simples que está sendo preparada, vai haver entre as homenagens, a entrega de título a um devoto ou devota com o reconhecimento dos seus esforços em prol do padre Cícero: MINISTRA (OU MINISTRO) DOS ROMEIROS.

Assim começamos o aviso a todos. prepare-se, então para comparecer no dia 20 de novembro ao Lajeiro Grande, para juntos homenagearmos o meu compadre e amiguinho padre Cícero.

LAJEIRO GRANDE

 

  ZÉ CHAGAS – UM HOMEM CRIATIVO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de julho de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.270   Já...

 

ZÉ CHAGAS – UM HOMEM CRIATIVO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de julho de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.270

 



Já falei sobre esse assunto.

Para não cansar o leitor contarei apenas três passagens engraçadas do saudoso primo Zé Chagas, muito trabalhador e muito espirituoso santanense.

Primeira: Certa feita estávamos na loja de tecidos do meu pai, quando chegou uma cartomante bastante conhecida na cidade, chamada Maria Galega; indagou aos presentes se queriam saber o futuro. E olhando para o “primo véi”, disse, “vou deitar as cartas para você”. Ajeitou o baralho e disse de primeira: “Estou vendo ouro na sua vida”, o primo gaiato respondeu de pronto: “Só se for ourina, Maria”

Segunda: No sertão temos o pássaro anu-branco e anu-preto.  Aliás, não sendo fácil atirar de espingarda ou peteca (baladeira, estilingue, assim conhecida em outras regiões) e matar um anu que pula muito quando estar sendo alvo, foi criado o ditado sertanejo: “Quem tem pólvora pouca não atirar em anum”. Pois bem, Zé Chagas, ao passar pelo comércio em hora de não expediente, encontravam-se sentados no batente da loja, dois homens pretos bastante conhecidos: Filemon e Zé Preto.

Zé Chagas, do tirocínio aguçado, assim que os avistou, falou para seu acompanhante, apontando para os dois: “Pia! (espia) onde tem um casal de anum preto!

Terceira: Zé Chagas tinha uma casa de jogo à rua Tertuliano Nepomuceno, chamada “Bafo da Onça”. Defronte, do outro lado da rua, havia uma funerária. O dono da funerária, então, pediu a Zé Chagas que ficasse tomando conta do estabelecimento enquanto ele iria resolver um problema e logo retornaria. Zé Chagas aceitou a incumbência, mas pediu os preços dos caixões de defuntos, poderia chegar alguém querendo comprar. Ora, logo, logo, chegaram dois homens, pai e filho. Havia morrido uma senhora, mãe de um e esposa do outro. O viúvo olhou o mostruário, escolheu um caixão e indagou quanto custava aquele. Zé Chagas deu o preço. O cidadão perguntou se ele não daria um abatimento. Mas a gaiatice de Zé Chagas, não perdoava nem a morte! Disse para o homem: “Se o senhor levar dois caixões, eu faço menos”. Não levou uma sova de pai e filho por exclusiva sorte.

E assim, havia mais dois na cidade semelhantes no raciocínio rápido e piadas instantâneas; Expedito Sobreira e Costinha.