SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
O JUIZ E O CANGACEIRO Clerisvaldo B, Chagas, 6 de fevereiro de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3557 ...
O JUIZ
E O CANGACEIRO
Clerisvaldo B, Chagas, 6 de fevereiro de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3557
Corria
o ano de 1924. Em Santana do Ipanema, Alagoas, era nomeado o seu primeiro juiz,
Manoel Xavier Acióli. Não demorou muito e o homem entrou num teste de fogo. Um
agricultor do lugar, serra da Remetedeira, fora assassinado. O filho do morto,
sujeito tão pacato que até tinha o apelido de Josias Mole, vingou a morte do
pai. Josias foi preso e levado para a cadeia. O povo, em comoção, pressionou o
juiz pela soltura de Josias. “Não era possível que um homem pacato que vingara
a morte do pai fosse encarcerado”. E o juiz, Manoel Xavier, terminou se
rendendo ao clamor popular. Josias foi libertado. Ao se ver livre, o homem
pacato transformou-se e virou arruaceiro, desordeiro. E sua nova valentia
passou a ser testada nos meretrícios da cidade. A polícia não queria um intruso
na sua área, deu uma pisa em Josias Mole e o meteu na cadeia, novamente. Dessa
vez, o homem comeu fogo para sair.
Ao
sair da cadeia pela segunda vez, Josias Mole, resolveu procurar o bando de Lampião,
fez teste e foi aprovado no cangaço com o apelido de Gato Bravo. Em 1926 esteve
na visita de Lampião ao Juazeiro e foi registrado por cordelista. Quando
Lampião desceu do Juazeiro passou em Pernambuco e Alagoas. Invadiu a zona rural
de Santana do Ipanema, guiado por Gato Bravo, até a invasão da Vila de Olho
d’Água das Flores.
Gato
Bravo, porém, não teve vida longa no cangaço. Tudo indica que ainda na década
de 1920, em que ingressara no bando, também o abandonara. Foi viver tentando a
vida de barbeiro, nas imediações de Arapiraca, quando foi reconhecido. A
polícia foi chamada, houve tentativa de fuga espetacular, porém, o
ex-cangaceiro foi capturado. Foi recambiado
ao Recife, onde prestou entrevista. Josias Mole esclareceu vários ataques na
zona rural de Santana do Ipanema inclusive dizendo que graças a ele, Lampião
não invadira aquela cidade sertaneja. Seu pai tinha o apelidado de Antônio Mole
e todos queriam bater nele. O último foi um vizinho chamado Cassimiro que logo
levou dois golpes de faca na vingança do filho da sua vítima, Josias Mole.
JUIZ:
MANOE XAVIER ACIÓLI. (DO LIVRO, O BOI A BOTA E A .BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE
SANTANA DO IPANEMA)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.