ADORADORES DE BOIS                  Clerisvaldo B. Chagas, 30 de agosto de 2011.            Nem sabemos , nem queremos saber qual é o l...

ADORADORES DE BOIS


ADORADORES DE BOIS
                 Clerisvaldo B. Chagas, 30 de agosto de 2011.

           Nem sabemos, nem queremos saber qual é o lucro da cidade de Barretos, na Festa do Peão. Coisa pouca não deve ser. Que é um festão, não temos dúvidas. Com suas várias modalidades de provas e uma projeção internacional cada vez maior, Barretos oferece um tipo de divertimento baseado na tradição brasileira do boi. O ruminante ocupa todas as regiões, inclusive a Norte, com seu prestígio, mitos, festas e lendas. Quando se falava na “Farra do Boi”, os contras partiam para acabar de uma vez por todas com aquela forma de lazer.  Não queremos, nem hoje nem nunca, defender os sofrimentos aos animais, principalmente os indefesos. A “Farra do Boi”, que vinha passando de geração a geração, como a vaquejada nordestina e os rodeios Sul/Centro-Oeste, não deixaram de carregar maus-tratos aos bichos como bois e cavalos, principalmente, mas a saída em nosso modo de entender, não é partir para o radicalismo: acabar de uma vez com a Festa do Peão. O caminho não nos parece o mais correto, mesmo respeitando os princípios de ONGs interessadas. O que estar faltando é mudança de regras na estrutura. Sentar à mesa todos os interessados, discutir erros e acertos e definir o que deve ser mudado, em relação ao bem estar dos animais. Uma vez definidas novas regras, cabe ainda uma fiscalização rigorosa no que ficar acordado e continuar a tradição, até com muito mais segurança e conforto para bichos e gente.
          Um touro ficou paraplégico, um bezerro morreu! Algo estar errado, não tenham dúvidas. Mas daí a extirpar a brincadeira, é uma radicalização sem tamanho. Quanto à atração da festa para ladrões, beberrão e prostitutas, isso acontece em todos os lugares. Ou você conhece, leitor amigo, festa sem ladrão! Bebida também não pode faltar, juntamente com outros fatores negativos. Mas assim não haveria Carnaval, grande fonte de prazer e de tudo que não presta. Então, vamos acabar o Carnaval, ópio do povo? Vamos ficar somente com festa de santo?
          A vaquejada também, para proteger os animais tem que ser mudada, pois logo começará as pressões dos que procuram proteger os bichos brutos. E por que não mudar logo alguns itens que garantam a segurança das reses? Tem até um ditado que diz: “brasileiro só se previne depois de roubado”. É essa mania de andar sempre depois do previsto. A19ª nona edição da festa de Barretos, pode ter até saído arranhada com os dois incidentes ou acidentes tão bem explorados pelos jornais, mas que é um sucesso crescente, não se põe em xeque. É a tradição regional ganhando espaço. Acima as nossas tradições, modificadas, porém, a benefício de todos. No modo terrível ao pé da letra fraseada não, mas até que nós, brasileiros do interior somos mesmo ADORADORES DE BOIS.











UNS CROQUES NOS ESTADOS UNIDOS Clerisvaldo B. Chagas, 29 de agosto de 2011            Croque no Nordeste: “cascudo”; pancada curta e ...

UM CROQUE NOS ESTADOS UNIDOS


UNS CROQUES NOS ESTADOS UNIDOS
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de agosto de 2011

           Croque no Nordeste: “cascudo”; pancada curta e vigorosa na cabeça, com os nós dos dedos da mão fechada. Embora a expressão em voga “vou dar-lhe uns croques” (no menino); também foi usada para amenizar a maldade humana. No lugar do coronel dizer: “Vou dar uma surra, vou dar uma pisa em fulano”, suavizava a frase, mas a intenção era a mesma, dá uma surra grande, de preferência com chibata de couro cru, de bater em cavalo. Uma surra, uma pisa de juntar bicho. Pisa de esfolar as carnes a ponto de apodrecer as feridas. Melhor dizer com sadismo: “Vou dar uns croques em Beltrano”.
A poderosa nação do norte, enriquecida com a primeira industrialização, as vendas da Segunda Guerra e as reservas minerais não levadas por colonizadores como na América do Sul, dominou o mundo sozinha quando do abandono da União Soviética à concorrência ideológica. Acostumada a mandar as cartas, sozinha, assim passou dezenas de anos, absoluta como xerife do mundo e uma vontade danada de pular para a cadeira cravejada de dono. Mas na terra, com duração maior ou menor, todo império tem sua limitação. Assim foi a China, com a Itália, com a União Soviética e com a Inglaterra que era tal “Rainha dos Mares”, fazendo também seus absurdos, acobertada pela riqueza da industrialização, exploração dos povos e poderosa marinha. O poder ficou com os Estados Unidos que, gastando trilhões e trilhões sem parar com suas guerras particulares pelo mundo todo, agora se encontram em situação econômica difícil. Essa nação faz até lembrar um cidadão de Alagoas que era vigilante e ganhou uma “bolada” na loteria. Deixou imediatamente o emprego e começou a gastar. Advertido para a gastança sem freio, o pobre rico nem ligava para os conselhos bem intencionados. Quando se viu sem um centavo e um monte de dívidas às costas. O vigilante ficou de fazer a buscar o mesmo tipo de emprego do tempo das vacas ossudas.
          Com a economia combalida, recolhendo os cacos das guerras feitas no Iraque, no Afeganistão e companhia, devendo demais e vendo a crise solapando as nações, Os Estados Unidos vão tentando o equilíbrio da famigerada corda bamba. Para agravar as dívidas e o desemprego, a Natureza também parece entrar no páreo dos castigos terrenos com seus furacões. “Quero enfatizar que os impactos dessa tempestade, serão sentido por algum tempo. E o esforço de recuperação durará semanas ou mais”, disse o presidente.
         A grande nação poderá até se recompor, mas não percamos o foco da história tendo Itália e Inglaterra, como exemplos. É a vez da China, Índia e Brasil. Apesar do chique americano, a Terra do Tio Sam não tem deixado de levar uns machucões, uns ganchos na face, frutos das suas próprias ações que se voltam e dão UNS CROQUES NOS ESTADOS UNIDOS. 










CACIMBINHAS Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2011           Empenhado em nossa organização de livro sobre Virgulino Ferreira da...

CACIMBINHAS


CACIMBINHAS
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2011

          Empenhado em nossa organização de livro sobre Virgulino Ferreira da Silva, temos referências várias sobre a nossa tão querida cidade Cacimbinhas.  Município alagoano localizado no meio do caminho Santana do Ipanema ─ Palmeira dos Índios, Cacimbinhas foi ponto de descanso e referência de quem transitava do alto Sertão à Maceió e vice-versa. Tempos das estradas de terra, buracos e solavancos, poeira e lama que enganchavam as viagens sertanejas à capital. Originária no sítio Choan, o atual município recebia caçadores de Pernambuco ─ com o qual faz fronteira ─ que acampavam no sítio, nas proximidades de uma cacimba onde havia um limoeiro. Com mais pessoas parando por ali para descanso, outras cacimbas foram cavadas gerando, assim, a denominação do município. Quem nasce em Cacimbinhas é cacimbense. E quem é cacimbense tem orgulho de sua fundação que aconteceu em 19 de setembro de 1958. Atualmente o município faz parte da Microrregião de Palmeira dos Índios e da Mesorregião do Agreste Alagoano. Possuindo uma área de 272, 978 km2, com a distância de 177 km da capital, Cacimbinhas tem como sua padroeira, Nossa Senhora da Penha, celebrada em 8 de setembro. Com mais de dez mil habitantes, o município conta com atrações, além da festa da padroeira, como Festa de Santos Reis, Baile do Sábado da Aleluia. Forró Fest, emancipação política e ainda o Baile Macabro realizado em novembro. Para quem quer fazer visita turística, a recomendação é a serra do Cruzeiro com a capela de São Francisco e o castelo medieval da fazenda Alfredo Maya.
          No início da década de vinte, Cacimbinhas recebia um bando de cangaceiros chefiados por Pedro, um dos famigerados irmãos Porcino, cujo bando abrigou o mais célebre, Lampião. Isso gerou dor de cabeça para o governo que convocou o comissário de Palmeira dos Índios e enviou tropas para Cacimbinhas. Além da década de vinte, Lampião usou Cacimbinhas outras vezes nos anos trinta, pela sua proximidade fronteiriça com Pernambuco. Ali foi sempre a porta de saída de Virgulino que geralmente entrava em Alagoas por Água Branca ou Mata Grande, via Piranhas, saída Cacimbinhas em busca de Bom Conselho (PE), e imediações.
          Dizem os historiadores que os primeiros habitantes chegaram por volta de 1830. Após os primeiros habitantes, chegou a Cacimbinhas José Gonzaga que se associou a Clarindo Amorim par a construção da linha do telégrafo, ligando Palmeira dos Índios a Santana do Ipanema. Gonzaga, além desse feito histórico sobre comunicações, criou a primeira feira, com bastante movimento.
          Dos tempos da estrada de terra, o que mais me chamava à atenção era a linha do telégrafo margeando a estrada, em cujo tempo de inverno, víamos passarinhos encolhidos sobre o fio. Ainda hoje quando passo entre Cacimbinhas e Palmeira dos Índios, nunca deixei de procurar com a vista os postes históricos e o fio que parece que foram retirados. Por que não estão em um museu municipal em uma das três cidades do trajeto? Aproxima-se o tempo de festa. Cacimbinhas entrou também em dois romances meus ainda inéditos: “Deuses de Mandacaru” e “Fazenda Lajeado”, com os personagens fictícios Né de Zeca e João de Brito, respectivamente. Ah! Mas isso são outras histórias. Bênçãos a CACIMBINHAS.
·         Visite também o blog do autor: clerisvaldobchagas.blogspot.com