SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
CHOCHA BUNDA Clerisvaldo B Chagas, 20 de maio de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.704 Choveu bem nesta sext...
CHOCHA
BUNDA
Clerisvaldo
B Chagas, 20 de maio de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.704
Choveu
bem nesta sexta no Sertão de Alagoas. Em Santana do Ipanema, céu de cambraia e
chuva mansa quase o dia todo. Na rua, as pessoas comentavam: “Muito feijão-de-corda
por aí”. E de fato, muito feijão-de-corda apareceu nas feiras e em lugares
diversos da cidade como o Maracanã e a ponte General Batista Tubino. De onde
veio tanto feijão desse tipo, também chamado feijão-verde? Seria da irrigação
Sergipe/Petrolina? Não, não senhor, veio da nossa área mesmo porque o povo
plantou na hora certa e teve sua colheita garantida. Imagina agora com mais
benefícios das chuvas de maio para toda a Agricultura!
O
feijão-de-corda que algumas pessoas acham que é um feijão fraco, é altamente
medicinal e riquíssimo em nutrientes. Portanto não faz sentido ser chamado pelo
próprio sertanejo de “chocha-bunda”. Olhe seus benefícios vitaminas K, C, A, é
rico em proteínas, fibras solúveis, minerais como cálcio, ferro e fósforo.
Nenhum colesterol e gordura e baixas calorias. Benefícios à saúde: bom para o
diabetes; bom para a saúde cardiovascular; benefício para os ossos; para a
circulação sanguínea; ótimo para gravidez e pressão.
Além
de tudo, é saboroso puro, tropeiro, com arroz, com carne, café, seja lá com o
que for, sem tirar o pico do interesse do feijão-de-corda com galinha de capoeira
ou galinha velha. Encontramos nos restaurantes típicos, na zona rural e em
todos os lares de nossas cidades interioranas.
Em
nossa cidade mesmo, tem um restaurante no lugar Maracanã com o nome de “Restaurante
Feijão Verde”, sendo muitas as opções de acompanhamento. Não estamos receitando
nenhum alimento para os nossos leitores e leitoras, mas simplesmente decantando
as maravilhas de um alimento que deixa o sertanejo feliz, de barriga cheia. Então
por que se dizer que o nosso querido feijão de-corda é chocha-bunda?! Pode ser
aumentar a bunda de tantos nutrientes, mas nunca chochar a bunda. Falar nisso,
nem sabemos o preço do produto na sua cidade, estado ou região, mas aqui em
Santana do Ipanema é considerado caro por estar sendo oferecido a 8,00 o litro.
Vamos
ao feijão-de-corda, gente!
ROÇA
DE FEIJÃO-DE-CORDA (INTERNET).
REVENDO SÍTIO E RUA Clerisvaldo B. Chagas, 19 de maio de 2022. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.703 Após à visit...
REVENDO SÍTIO E RUA
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de maio de 2022.
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.703
Após
à visita ao sítio Tocaias, ficamos a contemplar a mais antiga rua do Bairro
Paulo Ferreira (Floresta). Muitas casas já de fachadas modernizadas, apesar da
humildade dos seus moradores. Ganhou creche e ginásio de esportes e continua
pavimentada com paralelepípedos. É a mais antiga rua do bairro e a principal da
parte baixa. Tem o nome de Joel Marques que foi um dos prefeitos de Santana do
Ipanema. A rua Joel Marques tem início logo após a ponte sobre a foz do riacho
Salgadinho, riacho esse que divide o bairro Floresta com o Bairro Domingos
Acácio. É uma rua muito comprida e reta até chegar ao final onde existe uma
bifurcação. A da esquerda segue pela parte mais baixa do relevo, vai formando a
estrada antiga das Tocaias e vai sair no riacho João Gomes, via Igrejinha das
Tocaias. A da direita sobe até as faldas da serra Aguda e continua até o riacho
João Gomes, mais acima, onde está sendo construída a maior barragem do
município
A
parte do lado esquerdo da rua de quem vai para o João Gomes, tem ao fundo do
casario, o riacho salgadinho, afluente do rio Ipanema. Seu trajeto é curto e
tem as nascentes dentro da Reserva Tocaia. Mesmo assim, dava um trabalho danado
antes da construção da ponte pelo prefeito Adeildo Nepomuceno Marques e
ampliada pelo prefeito Isnaldo Bulhões. Tanto a rua citada quanto o bairro
inteiro, tiveram suas ocupações principalmente pelos que chegavam da zona rural
e encontravam terras mais baratas, a exemplo de antes no Bairro Camoxinga.
Atualmente
quem segue pela Rua Joel Marques e entra pela antiga estrada das Tocaias, caso
vá somente até à Igrejinha ou até a Reserva que fica defronte, ainda pode
seguir devagar de automóvel. Quem quer seguir, porém, até o riacho João Gomes,
só a pé ou a cavalo. Tem que subir pela estrada mais moderna que passa no sopé
da serra Aguda. Caso venha a ser construída a imagem planejada pelo saudoso
prefeito Isnaldo Bulhões na serra Aguda, também a região baixa da Floresta,
poderá ser incorporada aos avanços que chegarão através do turismo religioso
incorporando a Igrejinha das Tocaias e a Reserva Tocaia, pontos de alto
prestígio para os santanenses.
Minha
visita e pesquisas na área com o escritor João Neto Félix Mendes, fizeram
atrasar às crônicas costumeiras. Vênia!
ENTARDECER
NA ESTRADA DAS TOCAIAS (FOTO: B. CHAGAS).
OS ARTISTAS DA PEDRA Clerisvaldo B. Chagas, 16 de maio de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.702 Ficamos admirand...
OS ARTISTAS DA PEDRA
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de maio de 2022
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.702
Ficamos
admirando mais uma vez a cerca de pedra da figura, copiar colar. Uma arte
praticada por vários escravos negros, denominados mestres. Essa arte tão
admirável foi passando para alguns descendentes quilombolas chegando até os
nossos dias e repassando também para outros tipos humanos de mestres,
atualmente sumidos do mercado. Veio a cerca de pedra do tempo em que não havia
cercas de arame farpado e, depois, mesmo com o arame de farpas, a abundância de
pedra no local, a mão-de-obra disponível, a segurança e a economia, permitiram
que surgissem esse tipo de cercado em variadíssimos recantos nordestinos. Sua
altura está entre o peito e o pescoço de um adulto em pé. As pedras são
incrivelmente encaixadas e o nivelamento da superfície da cerca é admirável.
As
pedras são tão bem encaixadas que só as famosas pirâmides do Egito. Verdadeira
obra-de-arte. Até animais maiores do que lagartixas não encontram como fazer
morada onde não existe espaço para isso. Aí vem à lembrança de cerca de pedra
existente em Santana do Ipanema, no lugar Barragem, no sítio Laje dos Frade (município de Poço das Trincheiras) e mesmo na
Fazenda Coqueiros, Reserva Tocaia e nos limites da Igrejinha das Tocaias, ainda
em Santana do Ipanema. Não tem cimento, areia, barro ou outro material, apenas
pedras e mais pedras encaixadas maravilhosamente umas nas outras. A longevidade
dessas obras, como já vimos, é coisa para muitos séculos. Mais informações
sobre elas permitirão a um guia embalar o turista no Sertão do Nordeste.
Ficamos
encantados com a visita a Laje dos Frade, onde uma cerca de pedra limita um lajeiro
enorme, cuja centro côncavo, acumula tanta água tal um barreiro. Lugar muito
agradável, água límpida, recanto para lazer, descanso e até dormidas às sombras
de árvores que se debruçam na cerca de pedra de fora para dentro. Uma
felicidade permanente para a família de agricultores, logo por trás de casa.
Atualmente
o homem procura compensar as cercas de madeira proveniente das devastações, com
estacas de cimento. Outros usam menos estacas e arame liso em cerca
eletrificada.
Sertão
estudado surpreende.
CERCA
DE PEDRA DELIMITANDO A IGREJINHA DAS TOCAIAS (FOTO: ARQUIVO/ B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.