SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
HOMENS SÁBIOS Clerisvaldo B. Chagas, 2 de junho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 2897 A Geografia como a c...
HOMENS SÁBIOS
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de junho de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica; 2897
A
Geografia como a conhecemos hoje, teve como base a sabedoria de homens que
viveram na antiguidade. Árabes, egípcios, romanos, gregos, chineses..., mas os
gregos foram os que mais se destacaram. Vejamos recordando nomes que você
talvez tenha visto no seu colégio: Heródoto, Hipócrates, Erastóstenes,
Hiparco e Ptolomeu
Heródoto
– 484
a.C., muito contribuiu para a Geografia e para a História. Pelas suas
observações em viagens, foram produzidos e corrigidos mapas. Para ele o mundo
era dividido em quatro partes: Europa, Ásia, Líbia e Delta do Nilo.
Hipócrates
–
460 a.C., “O Pai da Medicina”, considerado, também contribuiu para conhecimentos
geográficos. Estudou a influência do ambiente sobre os homens. Essa teoria
perdurou até a Geografia do século XIX como determinismo geográfico.
Erastóstenes
– 275
a.C., Além de muitos outros estudos, produziu o primeiro mapa com coordenadas
geográficas. Entre outras coisas, calculou a circunferência da terra. Criou o
termo “Geografia”.
(faz
lembrar o meu saudoso professor de Matemática ginasiano, Genival Copinho,
ensinando o Crivo de Erastóstenes).
Hiparco – 146
a.C., O maior astrônomo da Antiguidade. Inventor do astrolábio, instrumento que
localizava as embarcações através das posições dos astros, inclusive, dava para
marcar latitudes e longitudes. O astrolábio foi usado durante muitos séculos
depois.
Ptolomeu – 100
a.C., escreveu uma obra chamada Geografia, composta por oito volumes.
Ali estavam conhecimentos geográficos de maior antiguidade, inclusive,
latitudes e longitudes de lugares importantes da época.
A
Geo foi sendo aperfeiçoada com o tempo, inclusive com os seus princípios como
Ciência, por estudiosos franceses do século XIX.
No
Brasil tivemos grandes mestres que se destacaram como: Milton Santos, Josué de
Castro, Aziz Ab’ Saber (meu predileto), Carlos Minc, Manoel Maurício de Albuquerque
e Agnello Bittencourt.
Amar
a Geografia é possuir uma ótima noção do mundo em que vivemos. E sem sair de
casa.
UMA
PAISAGEM DO MUNDO: SERRA DA CAIÇARA, ENTRE POÇO DAS TRINCHEIRAS E MARAVILHA
(FOTO: LIVRO INÉDITO REPENSANDO A GEOGRAFIA DE ALAGOAS/B. CHAGAS).
OS SE DO SERTÃO Clerisvaldo B. Chagas, 1 de junho de 2023 Escritor símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.896 Se o galo cantar ...
OS SE DO SERTÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 1 de junho de 2023
Escritor símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.896
Se
o galo cantar fora de hora, é moça fugindo de casa. Se a sombra do sol estiver
abaixo da barriga do cavalo, é meio-dia. Se o jumento ornejar, é hora redonda.
Se a acauã cantar, vem tempo seco. Se o Vem-Vem cantar perto de casa, vai
chegar à pessoa do seu pensamento. Se a ema gemer e a seriema cantar, coisa
ruim vai acontecer. Se a coruja rasga-mortalha passar rasgando, vai morrer
pessoa conhecida. Se a rãzinha rapa-rapa cantar rapando, vai chover em 24
horas. Se o João-de-barro fizer a porta da casa contrária ao vento, vai chegar
muita chuva. Se a garrincha fizer ninho na sua biqueira, é sinal de casa
abençoada. Se a neblina estiver nas
baixadas, o tempo será seco. Se o boi estiver cavando o chão, a chuva está
próxima. Se formigas se arrancham nas baixadas, vem tempo seco.
Ora,
muita gente fala em superstição. Mas se um fato é sempre repetido, como pode
ser superstição? Poderiam argumentar: “Quando a ciência comprova o fato não é
mais superstição. Beleza! Nesse caso pode se afirmar com mais segurança ainda o
acontecimento. Aí se diz: “O povo estava certo”. Mas quando a ciência não
estuda o caso e se estuda não sabe dar explicações... Continua o fato sendo
superstição, invenção do povo? E onde fica a experimentação popular, a
experiencia? Então um milagre acontecido e que a ciência não consegue explicar,
é superstição? Os mistérios da Natureza somente são mistérios para os que não
conseguem compreender nem estudar esses tais mistérios. Será que Deus só
proporcionou sabedoria aos homens da ciência e a mais nenhuma outra pessoa?
E
ainda tem os ditados populares que se perdem em quantidade. Muitos trazem uma
sentença antecipada. E vários deles tanto foram aproveitados no romance “Curral
Novo”, de Adalberon Cavalcanti Lins quanto nos meus: “Ribeira do Panema”,
“Defunto Perfumado”. “Deuses de Mandacaru”, “Fazenda Lajeado”
e “Papo-Amarelo”, todos do ciclo do cangaço. Vejamos alguns: Parente é
carne nos dentes; filhos criados, cuidados dobrados; quando Deus tira os dentes
enlarguece a goela; quem dá valor a “cachorro” fica com o rabo na mão; homem
que jura, mulher que não jura e cavalo pedrês, desconfiar dos três; Boa romaria
faz quem em casa jaz. Formiga quando quer se perder cria asa.
Ainda
é pouco para se meditar muito.
SERTÃO,
TERRA DA FILOSOFIA POPULAR (FOTO: B. CHAGAS).
COMO REGISTRAR? Clerisvaldo B. Chagas, 31 de maio de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.895 Não havia negócio...
COMO
REGISTRAR?
Clerisvaldo
B. Chagas, 31 de maio de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.895
Não
havia negócio de celular. As máquinas de fotografias eram raras e marcas “Kodak”.
E na década de 60 tínhamos somente na cidade os fotógrafos fixos profissionais,
“Seu Antônio”, que atuava no início da calçada alta da Ponte do Padre e “Seu
Zezinho”, que residia e trabalhava também em casa, na Rua Nova. Eram os “Fotos
Sport” e o “Foto Fiel”. Afora esses dois
profissionais que depois se mudaram para a Avenida Coronel Lucena, a mais
importante da urbe, só havia os lambe-lambes, que ficavam na porta da Matriz de
Senhora Santana. A rotina de todos era praticamente a mesma, embora os
lambe-lambes atuassem mais em dia de feira, aos sábados. A rotina era: fotos de casamento, batizado e
3/4 para documentos. Era uma raridade convite para uma inauguração, uma praça,
uma outra coisa de grande magnitude. Logo, material fotográfico era raro e
caro. E assim muitas cenas e coisas
importantes deixaram de ser registradas através da fotografia.
Quando
o padre Delorizano botou para correr os fotógrafos tipo lambe-lambe da porta da
Igreja, eles (eram mais ou menos meia dúzia), não se adaptaram na feira em
outro lugar: migraram, deixaram a profissão, desapareceram. Não havia mais
ninguém para fotografar no interior da Matriz, casamentos, batizados, 10 Comunhão...
O ato do padre, certo ou errado, representou a morte dessa etapa da fotografia
em Santana do Ipanema. Dos dois fotógrafos fixos, um foi embora e outro morreu.
E quantas e quantas coisas extraordinárias da evolução da terra deixaram de ser
fotografadas para as futuras gerações! Também nunca vimos nenhum artista
pintando a óleo cenas do cotidiano santanense. Escritor era coisa rara e se
havia morava fora.
Falar
nisso, recebi mensagem de pesquisador de uma cidade pernambucana perguntando se
eu tinha foto do padre Francisco Correia, um dos fundadores de Santana do
Ipanema e que foi homenageado na escola mais tradicional da cidade, antigo
Grupo Escolar Padre Francisco Correia. Nada de foto, nada de retrato a óleo o
que era mais evidente no tempo do padre. Portanto, vamo-nos contentando com
cerca de uma dúzia ou um pouco mais, de fotografia antigas da nossa terra e que
são raras e domínio público. E quando falo antigas, são da época de 1920 a
1950, mais ou menos em torno disso.
FOTÓGRAFO
LAMBE-LAMBE (FOTO: GUILHERME MARANHÃO)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.