SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
FESTA, FESTA EM JARASERTÃO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.912 Podem...
FESTA,
FESTA EM JARASERTÃO
Clerisvaldo
B. Chagas, 23 de junho de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.912
Podemos
afirmar sem nenhum erro que o acontecimento do último dia 20 em Jaramataia,
porta do Sertão pela AL-120, é uma vitória antecipada de um dos maiores feitos
rodoviários de Alagoas em todos os tempos. Independente de política e de nomes
(estamos fora disso). Duplicar uma rodovia que vai da capital aos confins do
Sertão, é de fato, uma epopeia em todas as áreas, mas estamos em defesa da
Geografia da terra. Litoral, Agreste, Sertão e Alto Sertão, contemplados ao
mesmo tempo com o conforto de uma viagem espetacular, só nos faz lembrar os
feitos de Arnon de Melo (Maceió – Palmeira) ou Delmiro Gouveia (Delmiro-Palmeira-Garanhuns-Quebangulo)). E se hoje já é um sonho realizado trafegar do
Alto Sertão à capital, por via-asfáltica, em duas espinhas dorsais, imaginem
com uma delas duplicada!
Bom
sentido faz a euforia da população de Jaramataia, nessa inauguração do trecho
Arapiraca – Jaramataia e que continuará cortando a Bacia Leiteira, passando no
Entroncamento de Olho d’Água das Flores e rumando para Olho d’água do Casado
até Delmiro Gouveia. É certo que a duplicação não passa por Santana do Ipanema
que está na Espinha dorsal da BR-316, mas todos Sertão e Alto Sertão serão
beneficiados direta ou indiretamente. Por outro lado, o benefício desse ramal
passa em Arapiraca que, vindo de Maceió já passou em São Miguel dos Campos.
Muito mais segurança para os viajantes comuns, escoamento da produção e
turismo, uma poderosa alavanca de infraestrutura para escancarar as porteiras
do progresso.
Entretanto,
já ouvimos a ideia de governantes para a duplicação Maceió – Palmeira dos
Índios com possibilidade de esticar até Santana do Ipanema, e por que não? A
Palmeira – Maceió é muito estreita, asfaltada em 1953 e tem necessidade grande
dessa duplicação. E caso chegue até Santana do Ipanema é como se fosse a
primeira vez que esse trajeto recebeu asfalto. Nossos representantes deputados
federais e senadores não podem cochilar agora diante da boa vontade do novo
governo. Fazemos questão de frisar que caso isso aconteça, um trabalho de alta
qualidade é necessário nessas futuras obras e NÃO CARVÃO PREGADO COM CUSPE.
PARCIAL
DO AÇUDE DE JARAMATAIA, UM DOS MAIORES DO ESTADO (WIKIMAPIO).
O BODE Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.910 Atualmente está mais di...
O BODE
Clerisvaldo
B. Chagas, 22 de junho de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.910
Atualmente
está mais difícil encontrar criatório de bode no médio Sertão de Alagoas. Bode
assado, bode guisado, nada de bode... São as opiniões do nosso povo nordestino.
E se no Médio Sertão, ele se tornou raridade, no Alto Sertão continua em
evidência. O bode (Capra hircus) está em moda na culinária nordestina. Sua
carne é enxuta, quase exótica, altamente nutritiva e sadia para todos os
viventes. Em entrevista feita por nós a um pequeno criador sobre o
desaparecimento do animal do Médio Sertão, ele nos falou: “O bode tem carne
pouca e dá muito trabalho. Veja que o bicho até trabalhar em circo, trabalha”.
É diferente do carneiro que tem muita carne e é fácil de manejo”.
Existe
muito preconceito contra o bode, até na Bíblia o bode é de esquerda e a ovelha
de direita. Muitas piadas são atribuídas aos atos sexuais do caprino, pois demora
a copular e fica muito tempo rodeando a cabra e “bodejando”. O macho possui
cavanhaque e quanto mais velho mais fede, devido sua urina na própria pelagem,
dizem. O bode maduro ou velho é chamado popularmente de “pai-de-chiqueiro”. E
todas as pessoas preferem comprar para consumo bodes e carneiros entre 13 a 15
quilos. Por outro lado, se o seu criatório
dá trabalho, mas é um animal resistente à seca e por isso tem a preferência
sobre outros gados no Alto Sertão onde a temperatura é muito alta. Quando
existe dificuldade de pasto, no período seco, o bode sai pela caatinga comendo
quase tudo que encontra, inclusive, casca de árvore. É por isso que se diz:
quanto mais seco o tempo, mas o bode é gordo.
A
cabra, fêmea do bode, antigamente produzia em torno de meio a um litro de
leite, diariamente. Hoje, devido a tantos melhoramentos genéticos já
impressiona com a quantidade. Dizem que é o melhor leite depois do leite
materno humano. Cabras têm abastecido hospitais com esse produto. E, finalmente
a famosa “buchada” que todos que apreciam o prato, dizem que é muito mais
saborosa do que a buchada de carneiro. Apesar de gente que torce a cara ao
falar em buchada, têm sujeitos no Sertão que andam uma légua (termo em voga = 6
km) a pé para comer essas entranhas de ovinos ou caprinos. E para finalizar,
uma quadra de famoso e saudoso cantor de forró:
“Eu faço uma buchada
De bucho de bode
Que o sujeito come tanto
Que mela o bigode...
O
COICE DO BODE, LIVRO DE HUMOR MAÇÔNICO 1993. (FOTO B. CHAGAS).
QUEM TEM RAZÃO? Clerisvaldo B. Chagas, 21 de junho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.910 Após um mês quas...
QUEM TEM RAZÃO?
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de junho de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.910
Após
um mês quase todo de maio com frieza e chuvas no Sertão de Alagoas, chegamos
finalmente ao início de inverno hoje (21). Poucas vezes o Sol apareceu para
aquecer as roupas do varal e nós e, quando surgiu foi com um sorriso tímido do
sem querer. Os profetas das chuvas, isto
é, os sertanejos experientes da zona rural, já declararam um ano de bom inverno
com chuvas moderadas. Aliás, maio está tendo mais frio do que chuva forte no
Sertão. Por outro lado, os meteorologistas anunciam o “El Niño” com seus
efeitos devastadores, dizendo que esse ano será o mais seco de todos. E quando
se fala em ano seco, sempre sobra para o Nordeste. Fica, desse modo, a
indagação quem estará certo a partir de hoje, com a chegada do inverno no Hemisfério
Sul, meteorologistas ou sertanejos?
É
certo que todos estão animados para o São João e São Pedro. Basta observar as
reportagens constantes na mídia sobre esse período festivo nas regiões de
Campina Grande e Caruaru. A alegria contagiante de tantos dias de festas,
representa essa mesma alegria de fartura no campo em todos os nove estados que
compõem a Grande Região Nordeste. É certo, porém, que a pujança estruturada
exibida em ambas as cidades, representa o auge dos festejos juninos que
representam todos os outros estados, porém, em maior grau ou menor, a animação
está em alta no Nordeste em todos os lugares, em cada recanto por pequeno que
seja. Isso porque o mês junino de festas já é uma epidemia boa enraizada em
cada pedaço nordestino. Comer pamonha, canjica e milho assado é um altíssimo
privilégio que ninguém pode arrebatar do nordestino.
Em
Santana do Ipanema mesmo, além dos festejos do mês de junho, julho vem aí com a
Festa da Juventude (a maior do estado) seguida, imediatamente pelos festejos à
Padroeira. Todas fazem parte da alegria, da fé e dos agradecimentos ao Divino,
direta ou indiretamente. A fartura dos dois meses estando garantida, deixemos o
El Niño para depois. Ninguém deve sofrer por antecipação. Mesmo assim, ainda
têm as esperanças dos profetas das chuvas que poderão apagar os efeitos
imaginários do fenômeno do Pacífico. Vamos aguardar. Aguardar sim, mas comendo
pamonha, canjica, milho assado e emborcando uma “branquinha de São João.
BOM
INVERNO PARA VOCÊ.
QUADRILHA
(EBC)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.