SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
ÁGUA BRANCA Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.918 Água Branca, municípi...
ÁGUA BRANCA
Clerisvaldo
B. Chagas, 3 de julho de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.918
Água
Branca, município situado na zona montanhosa do Alto Sertão Alagoano, faz parte
do maciço de Mata Grande. É muito simpática na sua localização atípica e tem
como grandes atrações físicas a sua igreja principal de interior banhado a
ouro, seu sítio geográfico e o frio intenso de inverno. Sua história é bastante
recheada de ações de Lampião. Virgulino Ferreira antes da fama, conviveu bastante
nessa região serrana. Água Branca é uma cidade de pouco mais de 20.000
habitantes, emancipada em 24 de abril de 1875, e tem como padroeira Nossa
Senhora do Rosário. Estar situada a 570 metros de altitude e encanta os seus
visitantes com vistas maravilhosas, inclusive, de terras da Bahia. Sua denominação
vem de uma fonte de água límpida que havia nos arredores.
A
sua vizinhança, como Mata Grande, Inhapi e Pariconha, fazem parte dessas
montanhas do Alto Sertão, chamadas de Maciço de Mata Grande, que se ergueu há
milhões de anos na mesma época do maciço de Santana do Ipanema. Em suas terras
nasceu o célebre cangaceiro Corisco, um lugar-tenente de Lampião e natural da
serra da Jurema. Seus festejos mais expressivos são a sua Emancipação política,
as festas juninas e a homenagem à padroeira nos dias 22 de novembro à 8 de
dezembro. Mas, a antiga arquitetura da
sede, chama atenção de estudiosos que se encantam com o diferencial de outras
cidades sertanejas. O lugar já foi chamado de Matinha de Água Branca, também
pela sua aparência com a vegetação da zona da Mata.
A
história particular do município, é bastante rica e surpreendente para aqueles
que pretendem levantar o véu do passado dessa região. Ultimamente turistas
chegam à cidade visando festivais de inverno, onde procuram curtir o tempo de
intensa frieza nessas aventuras surpreendentes.
Para os da capital que pretendem conhecer o município, poderão vencer
mais de 300 km, tanto pela dorsal BR-316, passando por Santana do Ipanema,
quanto pela dorsal que está sendo totalmente duplicada via Arapiraca e Batalha
até Delmiro Gouveia. E para turistas interessados, várias outras cidades
poderão ser encontradas pelos trechos de ambos os roteiros. E por último,
apresentamos a coleta de uma quadrinha da época cangaceira:
“Lampião quando correu
Da cidade de Matinha
Foi no trote americano
No galope almofadinha”
ASPECTO
PARCIAL DE ÁGUA BRANCA – AL. (FOTO: DIVULGAÇÃO/PREFEITURA)
SÃO PEDRO Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.916 O mês de junho encerra...
SÃO PEDRO
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.916
O
mês de junho encerra suas atividades festivas com os santos do período: Santo
Antônio, São João e São Pedro, numa sequência de muita alegria e muita festa
que deixa o Nordeste imensamente feliz durante os 30 dias. E, em Santana do
Ipanema, nos últimos dias de junho, fica mais aberta às visitas dos devotos, a
chamada igrejinha de São Pedro no bairro e na rua do mesmo nome do santo. Deu
trabalho para ser construída a igrejinha de São Pedro que sofreu algumas
interrupções curtas e longas até que foi impulsionada pelo comerciante
Tertuliano Nepomuceno (segundo o saudoso historiador oral “Seu Carrito”), foi
iniciada no tempo de vila até ser inaugurada no ano de 1937. Desde então a Capelinha do santo chaveiro do
céu, vem sendo um seguro refúgio dos seus antigos e novos devotos que nesse
templo depositam a fé.
Recentemente,
a igrejinha de São Pedro passou por ampla reforma se tornando um dos mais belos
templos de Santana do Ipanema e que continua sendo carinhosamente denominada
pelo povo de igrejinha de São Pedro. Durante os festejos de Santo Antônio, a
distribuição do tão conhecido “Pão de Santo Antônio”, acontece na igrejinha do
seu amigo, no Bairro São Pedro. E todos acreditam piamente na tradição do
pãozinho que estando em sua casa, jamais faltará o alimento para a família. A
igrejinha de São Pedro, é vizinha do prédio de uma das primeiras escolas
noturnas para adultos, de Santana do Ipanema (Batista Accioly) e apontada como
“O Bacurau”, por funcionar naquele turno. Hoje foi transformada em Biblioteca
pública Adercina Limeira, professora dos primeiros quadros do, então, Grupo
Escolar Padre Francisco Correia e que morava no acesso ao Bairro acima.
Pela
igrejinha de São Pedro passaram vários zeladores, mas o mais tradicional foi o
morador das imediações chamado pelo povo de “Seu Gaia” ou “sargento Gaia”. Um
homem manso e de fala arrastada que brigou com Virgulino Ferreira, o Lampião,
nos primórdios da carreira de bandido, no atual município de Ouro Branco.
Apesar
do banho de asfalto por suas ruas principais, a modificação de algumas poucas
residências, o Bairro São Pedro não mudou o seu antigo aspecto e continua sendo
área residencial, não boa para comércio e ótimo para descanso devido a sua
tranquilidade, mais afastado do Centro e de poucos veículos no trânsito diário.
Assim,
São Pedro fecha com sua chave de ouro, o mês de junho.
Salve
a rocha da Igreja!
IGREJINHA
DE SÃO PEDRO, REFORMA E REFORMADA NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2013. (FOTOS: B.
CHAGAS/LIVRO 230.
OLHO D’ÁGUA DO AMARO Clerisvaldo B. Chagas, 29 de junho de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.915 Um dos anti...
OLHO D’ÁGUA
DO AMARO
Clerisvaldo
B. Chagas, 29 de junho de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.915
Um
dos antigos fundadores de Santana, que havia ganho sesmaria na Ribeira do
Panema, ficou com uma extensão de terras que ia desde a serra do Caracol, até o
Riacho Grande. A serra do Caracol fica logo após o atual povoado São Félix
(antiga Quixabeira Amargosa) e, Riacho Grande é hoje o município de Senador Rui
Palmeira. Tempos depois, saiu dividindo essas terras adquiridas, entre filhos e
filhas, à medida que iam casando. isso resultou em imensas áreas de terras como
o lugar rural Olho d’Água do Amaro. Ali, em tempo de seca, foi descoberta uma
fonte d’água e um negro escravo fugido, perto da fonte na caatinga bruta. Como
a fonte d’água descoberta nuca secou e conseguiu chegar até os nossos dias,
estivemos no lugar pesquisando vestígios históricos para o livro “Negros em
Santana”. E como o negro encontrado tinha o nome de Amaro, assim ficou a
denominação do lugar: Olho d’Água do Amaro.
Na
planura com ondulações da caatinga, fomos atravessando o Campo de Aviação, várzeas,
fazendas, chácaras e pontos de encontros de vaqueiros e visitantes da cidade em
bar de beira de estrada, até chegarmos ao núcleo do sítio procurado. Ali já
havia uma igreja e um estabelecimento de ensino, o que caracterizava um grande
espaço nos arredores como o centro da vizinhança. Através de informações,
chegamos até a fonte tricentenária que havia ganho uma proteção redonda de
cimento. Uma mangueira que ainda estava na boca da estrutura mostrava que de
fato a fonte ou olho d’água continuava na ativa.
Fotografamos
a fonte, indagamos a moradores e retornamos da zona rural, pronto para
complementarmos o livro que serviria de TCC para o Curso de pós-graduação em
Geo-História. Ficou assim comprovada a existência da fonte originária do sítio
Olho d’Água do Amaro. Mas não encontramos retrato e nem sequer desenho a carvão
do nosso herói doméstico Amaro, gente do grande Zumbi dos Palmares, o famoso
líder da serra da Barriga.
Um amigo de computador e programas poderosos,
mostra-me num mapeamento de Santana, inúmeros olhos d’água inativos, mas não se
tem notícia de nenhuma dessas fontes com trabalho público de recuperação.
No
peneplano de Olho d’Água do Amaro, fomos encontrar ainda em todas as suas
regiões, fazendas típicas de criatórios bovino e ovino porteiras e casas
tradicionais dos tempos das ocupações de terras devolutas.
SERTÃO
DO OLHO D’ÁGUA DO AMARO (FOTO B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.