quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A CATEDRAL DE MACEIÓ



A CATEDRAL DE MACEIÓ
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de setembro de 2013.
Crônica Nº 1082
IMAGEM  ANTIGA DA CATEDRAL DE MACEIÓ. (Foto da própria Organização).

Estamos diante da imponente Catedral Metropolitana de Maceió, ocasião que nos faz pensar sobre a quantidade de igrejas construídas no Brasil. São inúmeras, milhares entre pequenas e grandes que ajudaram a povoar o país levando adiante a fé cristã. Quem anda pelos sertões ainda contempla igrejas nos mais inusitados lugares. Fazendeiros construíam capelas, ermidas, e alguns queriam que depois os padres tomassem conta. Talvez não seja muito difícil construir-se um templo de tamanho razoável, mas parece que os construtores esqueciam-se do após, isto é, da manutenção anual que sem ela as casas de orações viravam ruínas. Como a igreja era rica, mantinha essas posses até com ajuda de paroquianos, mas como manter uma igreja de porte de uma gigantesca estrutura como esta de Maceió? No início havia apenas uma capela de engenho que se foi modificando, tornou-se matriz da paróquia desmembrada de Santa Luzia do Norte e agora representa o povo cristão como catedral da arquidiocese.
O lançamento da primeira pedra aconteceu no dia 22 de julho de 1840, quando governava a província Cansanção do Sinimbu. Somente em 20 de dezembro de 1859, o Visitador Diocesano Cônego Afonso de Albuquerque procedeu à bênção do magnifico templo. Foi o Barão de Atalaia quem ofertou uma belíssima escultura da Padroeira, benzida no dia 31 pelo próprio Visitador. Durante à tarde, entra majestosamente D. Pedro II, quando é entoado o hino de ação de graças. Quando foi inaugurada a nova Matriz, era pároco de Maceió, o Cônego João Barbosa Cordeiro, homem dinâmico que fundou várias instituições de peso. O Decreto de 02/07/1900 do Papa Leão III, criava a Diocese de Alagoas, conjuntamente, elevava à dignidade de igreja episcopal e Catedral, a Matriz de Maceió, nela instituindo a sede episcopal para aquele que deveria ser chamado bispo de Alagoas.
Assim como esse belo histórico da Catedral Metropolitana, também existem milhares de histórias mais humildes sim, porém, narradas pela tradição, como vitórias alcançadas e nuances incríveis. Vale à pena conhecer A CATEDRAL DE MACEIÓ.

























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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O HOMEM/CAVALO



O HOMEM/CAVALO
Clerisvaldo B. Chagas, 4 de setembro de 2013.
Crônica Nº 1081

HOMEM/CAVALO NAS RUAS DE MACEIÓ. (AUTOR).
      As cidades grandes vão se modernizando devagar ou às pressas, mas os contrastes urbanos mostram-se em toda plenitude. Edifícios modernos surgem ao lado de terrenos originários de sítios com mangueiras e outras árvores que aguardam apenas o capital da especulação. Antigos bangalôs de famílias tradicionais, abandonados, ainda de pé graças à bondade da natureza, ricos falidos, restos de família ou fuga para apartamentos deixam-nos órfãos do passado radioso. Nenhum governo tem condições de ir tombando tantos prédios antigos que fizeram história e nem todos os artistas juntos conseguem salvar esses casarões espalhados vítimas do próprio tempo dos seus antigos donos. Os berros dos vendedores tentam imitar um passado de cinquenta anos, concorrendo com os sons poderosos e irritantes. Casas velhas transformam-se em mercadões iluminados de calçadas repletas de remendos. As barreiras comidas pela ação do homem e do clima mostram prédios gigantes no topo, ao lado de residências capengas como desenhos máximos da pobreza que ameaçam queda fatal com família e tudo.
E nas ruas, desde as primeiras luzes da aurora, a miséria sai à cata da sobrevivência, mostrando as mazelas mais esquisitas de um corpo descomunal de concreto. Chamam-nos invisíveis aqueles seres que passam sem serem vistos, pela situação degradante da pele social. Entre eles, está a criatividade que substitui o animal de tração, pelas mãos dos humanos mais humildes. O catador de papelão mistura-se ao trânsito ligeiro das avenidas apinhadas no fado diário de herói de casa. Arrastando uma carroça entre dois caibros e correntes penduradas, adapta-se o ser humano à condição cavalar. Com precisão e vista de rapina, vai conduzindo aquela carroça enorme cheia dos recortes que encontra nas lixeiras. Passa por todos automóveis, não bate em nenhum, nem relincha, nem escoiceia, mas não deixa de ser o homem/cavalo da sociedade que não o enxerga. Os edifícios continuam furando o céu, o luxo permanece no brilho dos metais e, o dinheiro grosso a circular nos azuis da prosperidade. Enquanto isso, o lixo pede passagem entre pneus, apitos e luzes. Você nem vê, mas bem perto circula O HOMEM/CAVALO.

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