SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
O CAFÉ DO BACURAU (Clerisvaldo B. Chagas. 29.9.2009) Quando a gente gosta muito de um produto, começa a fazer comparações. No meu ...
O CAFÉ DO BACURAU
(Clerisvaldo B. Chagas. 29.9.2009)
Quando a gente gosta muito de um produto, começa a fazer comparações. No meu caso, apaixonado por um bom café, não posso esquecer o líquido negro que é servido na região de Garanhuns. Andando para àquelas bandas com o motorista de camioneta, Eugênio Teodósio, tínhamos parada certa para o café da manhã na pequena cidade de Iati. Eu ficava admirado com o pretume encorpado do café servido e achava uma verdadeira delícia daquele lugar tão simples. Depois descobri que o mesmo café (até parece coado pela mesma pessoa de Iati) também era servido na rodoviária de Garanhuns. Sei que um bom café depende de uma porção de coisas, não sendo tão simples assim. Descoberto o café da rodoviária, tornei-me um viciado sempre que passava pela “Suíça Brasileira”. O danado é que mesmo trazendo pacotes dessa região, o gosto em casa parece muito distante do original. Deve haver algum truque, alguma coisa que transforma o grão naquela coisa deliciosa. Sei sim que existem cafezais no planalto dos 800 metros de Garanhuns. Mesmo assim tem que haver algum segredo na bebida quentíssima.
Aqui em Alagoas dificilmente encontro um café igual ao daquela região pernambucana. Quando teve início a construção do asfalto na Al-120, acompanhei quase diariamente o processo na rodovia. Era tempo em que os ônibus, Santana-Arapiraca, davam rodeios enormes pelos caminhos esquisitos das fazendas de gado para retornarem à estrada principal. Foi aí que eu conheci a cidadezinha de Jaramataia com aspecto ainda de fazenda-povoado. O lugar onde hoje é o Bacurau, havia apenas uma ou duas casas isoladas de pescadores, cujas redes de pesca ficavam expostas aos passantes. Após a construção do asfalto, as casinhas começaram a atrair outras casinhas, que fugiam da pobreza do açude. Não demorou muito a formar-se ali um povoado com bares, churrascaria e posto de gasolina. Foi muito mais fácil para aqueles pescadores buscarem a sobrevivência vendendo coisas na beira da estrada de que na peleja escassa do açude enorme. E assim formou-se e se consolidou o povoado Bacurau. Ao parar ali pela primeira vez — muito antes do surgimento do posto de gasolina — fui surpreendido no primeiro bar e lanchonete, pela qualidade do café. Quase 100% da qualidade do de Garanhuns. Fiquei entusiasmado e sempre nas minhas andanças por aquele trecho, paro a provar do café bem preto do Bacurau. Atualmente não sei, mas muita propaganda fiz. Em compensação, existe um lugar na mesma AL-120 Santana-Arapiraca, onde classifico como o café mais ruim do Brasil. É o verdadeiro bola-murcha do Fantástico. Quem gostar de café investigue. Ô cafezinho ruim da gota serena! Faz até lembrar o repentista que ao cantar com outro, já estava enjoado de ouvir elogios sobre o sertão e disse (segundo Hermínio Tenório, o Moreninho, há mais de 20 anos):
Cala-te com teu sertão
Sertão é monturo
A água do teu sertão
É mijo de bode puro.
Da água eu não sei, mas do café...
Nunca mais rodei pela AL-120, não afirmo se ainda existe como antigamente o legítimo CAFÉ DO BACURAU.
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BRASIL E O EQUILÍBRIO CIRCENSE (Clerisvaldo B. Chagas. 25.9.2009) Para os professores de História de Santana do Ipanema Honduras ...
BRASIL E O EQUILÍBRIO CIRCENSE
(Clerisvaldo B. Chagas. 25.9.2009)
Para os professores de História de Santana do Ipanema
Honduras é um dos países mais pobres das Américas. Situado na América Central, banhado pelo mar do Caribe — porção do Oceano Atlântico — Honduras tem como capital Tegucigalpa e possui um distrito e 18 territórios. Esse belo país está sempre precisando de ajuda externa como as que chegam da União Europeia, do Japão e de Taiwan. Da sua exportação, fazem parte produtos como café, banana, camarão, lagosta, carne, zinco e madeira. É ela, a agricultura, a principal empregadora daquele território. Com sua população mestiça, o país sempre foi aliado dos Estados Unidos que ali possuíam bases militares contra guerrilheiros da região. Esse acordo, porém, foi revisto, não existindo mais as bases americanas.
A crise gerada em terras hondurenhas, não representa nenhuma novidade no cenário caribenho. A América Central sempre participou da brincadeira preferida pela região: colocar e derrubar ditadores. Se os Estados Unidos estão sem entusiasmo para intervir contra o golpista atual Roberto Micheletti, é que o presidente deposto, Manuel Zelaya, reza na cartilha do fura-penico da Venezuela. Por outro lado, o Brasil que vem sendo o novo protagonista no Planeta, tem mesmo que agir com o máximo cuidado e esperteza, por duas razões básicas. Primeira, prega sempre o diálogo antes da força. No caso atual não poderia fazer diferente para defender sua embaixada e seu incômodo hóspede; principalmente agora em que está havendo reunião da ONU, ali pertinho. Segunda razão, o Brasil também poderia intimidar Micheletti, deslocando tropas para águas internacionais próximas ao Caribe. Muito fácil, porém, se sabe que ninguém pode mexer no que os Estados Unidos chamam de seu quintal. Seria uma temeridade tomar decisões isoladas, principalmente de força. Por isso, talvez o Brasil, sabiamente, pediu a intervenção da ONU. A Organização das Nações Unidas é um poder legítimo e que já condenou as pretensiosas eleições articuladas por Roberto Micheletti (mais um caudilho para perpetuar situações de pobrezas e ditaduras do Caribe).
O Brasil tem o apoio global da atitude democrática que tomou em Tegucigalpa. Passou a ser a atenção do mundo. Para quem está pretendendo um lugar permanente no Conselho da ONU, é um excelente teste para a sua diplomacia externa. É hora de domínio da prudência e da habilidade. Domínio esse usado até agora. Isso faz lembrar circos grandes e pequenos em trânsito pelo nosso interior; a tensão e a expectativa da plateia quando os exímios artistas caminhavam por cima do arame. Àquele mundo encantado, colorido e alegre, também era um espelho mágico da realidade humana. Sob a lona amarela das bandeiras agitadas, aprende-se bastante. Vamos torcer para que o Brasil passe no teste do EQUILÍBRIO CIRCENSE.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.