SARAIVA Clerisvaldo B. Chagas, 14 de janeiro de 2015 Crônica Nº 1.345 Hoje queria falar sobre um dos grandes artistas do Brasil...

SARAIVA



SARAIVA
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de janeiro de 2015
Crônica Nº 1.345

Hoje queria falar sobre um dos grandes artistas do Brasil, alagoano, que nos fazia sonhar com o sax de ouro. Estive exatamente no local, região de Santos, onde na capa de um dos seus discos, ele aparece tocando perto de um braço de mar. “Foi aqui onde Saraiva tirou a foto da capa do disco, disse-me meu cunhado e acompanhante, Lourival Paraibano da Costa”. Veja a foto. Encontrei um belo texto sobre o artista na Wikipédia, enciclopédia livre, que fala o que eu gostaria de ter dito. Vamos a ele:
“Luiz Saraiva dos Santos, nome artístico Saraiva. Como compositor assinava Luiz dos Santos e em alguns LPs, Luiz Saraiva. Nasceu em Belo Monte, cidade as margens do rio São Francisco, em Alagoas, na data de 8 de março de 1929.
Filho do maestro da banda da cidade natal, Luiz logo cedo passou a ter contato com a arte musical. Luiz Saraiva dos Santos, dominava como ninguém o sax soprano e, apesar do instrumento ser considerado por alguns pouco versátil para solo, Saraiva conseguia interpretar magnificamente canções que ficaram imortalizadas em pelo menos 30 LPS, 4 compactos e 3 CDs remasterizados. Essa capacidade lhe rendeu o título de ‘O Rei do sax-soprano’. Compositor e corintiano roxo, Saraiva escreveu ‘Corinthiano’ melodia que fez grande sucesso e foi regravado em vários LPs e passou a ser uma espécie de identificação de sua maestria no sax-soprano.
 Tocava baião, samba de gafieira, frevo, choro, valsa, bolero e até bossa nova. Logo menino mudou-se para Santos onde construiu sua carreira artística imortalizando paisagens da região na capa dos seus vários LPs. Gravou em selos de renome como: Copacabana, Continental, Beverly, Tropicana, AMC, Phonodisc e a CBS. Grande parte de suas gravações foram de autoria própria ou em parceria. Talvez tenha sido o maior saxofonista soprano de sua época. Luiz Saraiva dos Santos saiu de Alagoas ainda jovem. Estudou cavaquinho em Santos, mas foi com o sax soprano que teve total identificação.
Trabalhou na antiga e extinta Companhia Docas de Santos no cais do porto e nas horas de folga geralmente a noite, tocava em bailes de gafieira onde desenvolveu sua capacidade técnica e uma inesgotável criatividade. Numa primeira entrevista para contratação na Rádio Clube de Santos PRB4, Luiz Saraiva surpreendeu o então diretor artístico Arnaldo Dias, tocando ali mesmo e chamando a atenção dos funcionários da rádio, pelo seu desempenho no instrumento.
Começava uma carreira de muito sucesso, sendo contratado imediatamente pela rádio. Saraiva viajou por todo o Brasil, norte, nordeste, centro oeste e sul, além de fixar seus shows no sudeste. Para onde ia, compunha alguma música como gratidão ao lugar que visitou. Teve uma casa de shows em Santos, chamada de Recanto do Saraiva, sempre lotada com visitantes ilustres e fãs de outras regiões, inclusive da capital”.

AS CISTERNAS DO MAJOR Clerisvaldo B. Chagas, 13 de janeiro de 2015 1.344   Fot:o (Jornal Consciência Ambiental). O sertão a...

AS CISTERNAS DO MAJOR



AS CISTERNAS DO MAJOR
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de janeiro de 2015
1.344
 
Fot:o (Jornal Consciência Ambiental).
O sertão alagoano lutou muito para conseguir dos seus governantes água e luz. Inúmeros movimentos foram realizados, inclusive, passeatas noturnas à luz de velas. Uma rádio clandestina foi montada para clamar todos os dias pelos direitos básicos da população. Com tantos berros assim, principalmente em Santana do Ipanema, Médio Sertão alagoano, o governador major Luiz Cavalcante resolveu providenciar ambas as coisas para Santana.
O sertanejo bem que possuía suas boas cisternas grandes e pequenas que aliviavam bastante à sede nos tempos de estiagem. O problema todo era apenas ter cuidado com o grande depósito caseiro, à base da higiene. Não havia orientação da Saúde em como armazenar as águas das chuvas nas cisternas, para maior segurança. Entretanto, o homem da cidade e da roça bebia tranquilamente sua água cristalina escorrida das chuvas pelos telhados.
Quando o major Luiz resolveu investir em água para Santana do Ipanema, a maior cidade do sertão, onde a revolta pacífica iniciara, houve certa esperança popular. E de fato a água encanada do rio São Francisco espirrou pelo cano no meio da rua de Santana. Choveu discursos na Praça da Bandeira. O próprio governador, entusiasmado, mandou que agora o povo quebrasse todas as cisternas que havia, pois ninguém iria mais precisar desse expediente. A água do São Francisco, segundo ele, não iria faltar jamais e estariam nas torneiras todos os santos dias. Inúmeras cisternas foram destruídas motivadas pela conversa mole do governador.
O resultado é que a euforia não durou muito. A crise da água começou alguns meses depois e continua até agora. E o caso abastecimento d’água tomou conta do Brasil inteiro por falta de investimentos, planejamento e honestidade. Lá vai o governo mandando construir no semiárido, milhares e milhares de cisternas, fazendo justamente, o que o sertanejo já fazia desde o início do século XX.
Tem sempre alguém reinventando a roda.

ASSANDO CASTANHA Clerisvaldo b. Chagas, 12 de janeiro de 2015. Crônica Nº 1.343 Assando castanha. Foto: (www.flickr.com) O ...

ASSANDO CASTANHA



ASSANDO CASTANHA
Clerisvaldo b. Chagas, 12 de janeiro de 2015.
Crônica Nº 1.343

Assando castanha. Foto: (www.flickr.com)
O amigo leitor já ouviu falar em assar castanha? É tarefa perigosa, mas quando o desejo aperta o sertanejo da fazenda, vai à luta. Pega-se uma vasilha de lata em forma de rasa assadeira, coloca-se ali quatro ou cinco litros de castanhas de caju secas pelo sol, há bastante tempo (quantidade muito pequena não compensa o trabalho, grande dificulta) e se faz uma trempe. A trempe é composta com três pedras onde se coloca lenha, gravetos e se faz o fogo. É preciso agora uma vara de bom tamanho.
Tudo providenciado, fogo queimando, o sujeito fica de longe com a vara sempre mexendo as castanhas que vão chiando e soltando azeite. A meninada tem que ficar longe. O azeite que vai se desprendendo das castanhas, de vez quando voa pelos arredores da trempe, daí manter pessoas afastadas.
Essa tarefa é de muito cuidado, habilidade e paciência, pois demora muito. Quando as castanhas estão no ponto, o aroma gostoso começa a invadir o ambiente e vai longe. O encarregado, então, coloca a vara por baixo da lata e arremessa-a ali por perto. Quando elas estão frias, são recolhidas, completamente negras. Com uma pedrinha batendo na castanha apoiada em pedra maior, a pessoa tem o cuidado para retirar a amêndoa por inteiro. Depois vem a tarefa mais gratificante, claro, comer castanha assada.
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É ali na roça, cabra velho, debaixo do cajueiro, sentado em tamborete rústico que você filosofa sem parar. As saborosas amêndoas são os seus objetivos na vida. Luta que você travou com muita determinação para alcançá-los. O azeite quente e perigoso são as coisas nocivas que encontramos em nosso caminho, desde as más companhias aos amigos falsos, inconstantes, sem confiança e traiçoeiros.  Reduza suas amizades às pessoas decentes, dignas, honradas, valorosas e prestativas. Fale com todos, cumprimente o bom e o mau, porém, evite aproximações prejudiciais. Se houver insistência, pense no sertão, na roça, no cajueiro e mantenha vara comprida na amizade, pois os respingos do azeite quente procuram você. Aja e pense igual à mulher e o homem assadores de castanha.