SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
VERA CRUZ Clerisvaldo B. Chagas, 1 de junho de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.709 A Farmácia Vera Cruz, per...
VERA
CRUZ
Clerisvaldo
B. Chagas, 1 de junho de 2022
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.709
A
Farmácia Vera Cruz, pertencente ao ex-pracinha e saudoso Alberto Nepomuceno
Agra, era uma das mais antigas de Santana do Ipanema. Seu estoque atualizado e qualidade
no atendimento sempre foram itens importantes no status Vera Cruz. Mas
havia três coisas extras que nos chamavam atenção: o brinde anual de um
almanaque, o quadro na parede mostrando a porta estreita e a porta larga e a
balança permanente à porta de entrada. Qualquer pessoa passante na calçada – e
não somente fregueses – podia verificar o seu peso gratuitamente. E como era
importante a balança para aqueles que estavam querendo ganhar peso ou perdê-lo.
Um objeto tão relevante para quem dele precisa e indiferente para outros.
Quanto a marca da balança, esquecemos de anotar.
Ultimamente,
tanto em Maceió quanto em Santana do Ipanema, não encontramos balanças nas
entradas das farmácias. Quando você precisa de uma e indaga sobre ela, a
resposta é que tem lá dentro, nos fundos do estabelecimento. Outros lugares dizem
que não dispõem deste serviço. Se quiser balança, que procure comprar essas de
banheiro, vendidas ali mesmo no balcão. Algumas farmácias atendem tão mal que o
cliente tem vontade de deixar tudo pra lá e sair em busca de outra. Mas muitas
vezes o cansaço e a distancia de um ponto a outro, faz esse cliente sofrer o
constrangimento, mesmo querendo comprar e pagar. Enquanto a novela é atualizada
por alguns funcionários, o usuário fica a “ver navios”, prateleiras lotadas e
atendimento zero.
Mas
voltando à Farmácia Vera Cruz. Cumprida a sua missão, Alberto fez a sua
passagem. Sua farmácia atualmente está em outras mãos. Andando pelo comércio de
Santana, precisei verificar o peso, pois andava buscando uns quilinhos a mais.
Lembrei-me da antiga Vera Cruz e fui saber se ainda existia ali uma balança à
disposição da clientela e dos passantes. Supimpa! Lá estava ela no lugar
costumeiro, logo na entrada. E como manda a boa educação, um pedido de licença e
anotação do peso na cabeça.
Quanto
vale uma boa prestação de serviço!
O
quadro que indicava a porta estreita e a porta larga, pode não existir mais. Os
brindes de almanaques de final de ano podem ter sido desatualizados, mas a
balança continua prestando ótimos serviços para quem dela necessita.
Para
quem precisa, quanto vale uma balança!
BALANÇA.
(FOTO: MERCADO LIVRE).
MALABARISMOS SANTANESES Clerisvaldo B. Chagas, 31 de maio de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.708 Quand...
MALABARISMOS SANTANESES
Clerisvaldo B. Chagas, 31 de maio de 2022
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.708
Quando
a ponte barragem na BR-316 foi construída sobre o rio Ipanema, em Santana,
facilitou o trânsito para as cidades situada do outro lado do rio. Mesmo assim,
em épocas de grandes cheias, os veículos davam um rodeio enorme passando na
ponte e depois seguindo em direção a estrada que leva a serra da Remetedeira,
perto do hoje Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo. Aliás, o próprio
Clodolfo possuía fazenda por ali e contemplava subidas e descidas de automóveis
e caminhões contornando o rio Ipanema zangado, lá abaixo das barreiras. Antes
da construção da ponte, no início dos anos 1950, não havia alternativa. Era
passar em lombos de canoas ou não viajar para a margem direita do rio. Às vezes
um automóvel conseguia ser levado pelos canoeiros, mas caminhões, não havia
como, deixando inúmeros feirantes e suas mercadorias sem as feiras de Pão de
Açúcar, Carneiros ou a de Olho d’Água das Flores, as mais frequentadas por
santanenses.
Grande
influência teve a conhecida Ponte da Barragem na Economia de Santana e no seu
desenvolvimento. E se foi batizada com nome de gente, perdeu-se no tempo. Com
seus mais de 70 anos continua servindo em todo movimento do Sertão pela BR-316.
Formou-se ali vizinho o Bairro da Barragem formado por “cassacos” que
trabalharam na obra. Hoje o Bairro Barragem que era somente ao longo da pista,
se expandiu e mostra seu lado progressista e moderno do lado oposto da BR
seguindo à margem da barragem rio acima. Por outro lado, toda a área que representava
os fundos do antigo casario, foi completamente ocupada formando o chamado Clima
Bom, bairro denominado pela criatividade popular.
Pontes
físicas, sociais e espiritualista é isto que a humanidade precisa.
ÁGUA
CHEGANDO NO IPANEMA APÓS A PONTE DA BARRAGEM. FOTO/ARQUIVO.
ESPERANÇA NA ESPERANÇA Clerisvaldo B. Chagas, 30 de maio de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.707 No meu ser...
ESPERANÇA NA ESPERANÇA
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de maio de 2022
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.707
No
meu sertão, geralmente não se mata lavandeira, beija-flor, bem-te-vi, cancão,
espanta-boiada (quero-quero) e o inseto conhecido como esperança. A tradição
deixou muitas lendas, superstições e experiências e que perduram por séculos e
séculos. Mas não é somente no sertão nordestino ou no Brasil onde essas
particularidades existem é no mundo inteiro. Lavandeira e bem-te-vi, estão
muito ligados a uma lenda que fala em Nosso Senhor Jesus Cristo. O cancão e o
espanta-boiada, não são atrativos para a espingarda, a peteca, a armadilha,
porque são muito magros para um bocado, a ponto de haver o ditado popular:
“magro que só um cancão”. A esperança é blindada contra investidas humanas
porque representa bom augúrio. Alguma coisa boa irá acontecer com você quando a
esperança pousar na sua casa, em você, no seu quarto...
A
esperança verde e real é tão apreciada quanto a esperança sentimento presságio
de coisa boa. É um inseto verde, romântico, que pode causar grande alegria ao
pousar por perto. É como se fosse um aviso, uma mensagem direta dos céus que
vem aí uma coisa boa desejada por você. A esperança ainda tem parentesco com os
grilos e gafanhotos e acha-se espalhada em todos os continentes habitados. Às
vezes a esperança chega de repente e a pessoa procura matá-la por causa do
susto pensando tratar-se de um gafanhoto. Mas a esperança é bem delicada, suave
e silenciosa como deve ser uma mensagem de paz enigmática. Seu verde agradável
acende o outro verde que carregamos dentro de nós. Impossível ficar indiferente
à esperança.
Lampião
era um ótimo observador da Natureza, assim como outros sertanejos do seu bioma.
Graças a isso, teve sua vida salva diversas vezes com indicativos de pássaros com
aproximação e cantos que demonstravam perigos imediatos, posição de inimigos e
muito mais, até mesmo o voo inesperado do urubu, mostrava o perigo na área. Assim é o canto da acauã, da ema, do pavão e
do voo rasgando da coruja. Tudo obsorvido pelo sertanejo atento.
Uma
cigarra entrou no meu quarto e permaneceu quieta e no mesmo lugar durante o dia
e só foi embora à noite. Sertanejo da cepa, aguardei. Logo no dia seguinte,
após o café da manhã, recebi na porta de casa duas notícias boas e fui
apressado realizá-las mesmo com a chuvarada mansa que caía em Santana do
Ipanema;
Obrigado
esperança, obrigado a quem te enviou.
ESPERANÇA
(FOTO: RAPADURA CULT.).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.