quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

CHIMANGOS E JURUJUBAS

CHIMANGOS E JURUJUBAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 6 de janeiro de 2011)

       Enfrentando os diversos e sérios problemas do seu governo, dom Pedro I não resistiu a tantas pressões e terminou abdicando. Com o afastamento do imperador, logo teve início a briga pelo poder. Podemos, então, sintetizar o cenário da época dividindo os interessados em três grupos distintos: liberais moderados, liberais exaltados e restauradores. Os liberais moderados assumiram o poder, iniciando o período da História governado por regentes. Os moderados representavam os desejos e expectativas da aristocracia rural, primordialmente das províncias do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Pensavam eles em pacificar o país e consolidar a nossa independência. Dos adversários, os liberais moderados receberam o apelido pejorativo de “chimangos” (de ximangos, aves de rapina do extremo sul do Brasil). Nomes importantes compuseram essa ala como Bernardo Pereira Vasconcelos, Evaristo da Veiga e padre Feijó (que depois criou a Guarda Nacional elevando o prestígio dos chamados “coronéis”).
       Os liberais exaltados, por sua vez, eram inimigos dos portugueses e defendiam maior liberdade às províncias; portanto amparavam o federalismo. Destacaram-se nessa luta, pessoas como Borges da Fonseca e Cipriano Barata. Queriam, os liberais exaltados a instauração da República brasileira. Também não ficaram isentos de apelidos, pois eram apontados como farroupilhas ou jurujubas.
       A terceira corrente era formada por aqueles que desejavam a volta do imperador. Tinham tendências absolutistas e eram ex-aliados de dom Pedro, por isso chamado restauradores, mas vulgarmente conhecidos como “caramurus”. Os “caramurus” foram surpreendidos, porém, com o falecimento do ex-imperador dom Pedro I, em 1834, fenecendo com ele as esperanças desse segmento que logo foi extinto.
       Estamos vivendo, nesse início de governo Dilma, um acotovelamento de partidos aliados com a velha prática do “chega pra lá”, em busca de postos importantes no espaço do Executivo. Em relação ao poder de mando, uns querem cargos, outros querem rasteiras no governo e outros ainda, choram adiantados pela volta do imperador, digo, de Luiz Inácio Lula da Silva. Não sabemos se dá para manter as aspirações dos atuais caramurus, por que o próprio ex-presidente já declarou que não quer voltar ao planalto. Bem, você acredita em palavra de político? Ficam os aliados dependendo do tal “freio de arrumação”. Como as coisas estão se organizando após essas primeiras trovoadas, não é possível ainda uma visão minuciosa dos bastidores. Ainda se tateia no escuro. Ninguém perde nada em conter a gula de notícias. Breve o candeeiro será aceso para delinear as sombras caneludas que rodeiam a presidenta. E sob os acordes do Hino Nacional, entre a égide e a hégira, ficaremos rindo e apontando em direção a novos CHIMANGOS E JURUJUBAS.


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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

MÃE BICENTENÁRIA

MÃE BICENTENÁRIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 5 de janeiro de 2011)

       Atualmente existe um controle maior sobre os órgãos públicos, graças, em parte, ao surgimento de tantos aparelhos avançados que interligam rapidamente o País. Inúmeras bibliotecas e museus prestam inestimáveis serviços aos pesquisadores jovens e adultos sequiosos de conhecimentos. Cada município que possui a sua fonte pública como a biblioteca, tem aí uma história à parte que deverá ser contada sempre aos frequentadores das escolas. Quando se puxa essa narrativa, vai-se descobrindo como foi dura a constituição daquele patrimônio para todos. Surgem aí vultos importantes da comunidade como o idealizador, doadores, pessoas que contribuíram das mais variadas formas com o prazer único de servir. Muitos ficam no anonimato perpétuo por que os narradores futuros, não aprofundam suas pesquisas históricas sobre essa notável joia de uma cidade.
       Completou em 2010, duzentos anos de fundação da Biblioteca Nacional com sede no Rio de Janeiro. Sua história bonita e inusitada tem início com o nome de Real Biblioteca e vem dos tempos mais difíceis dos portugueses. Com a ameaça de Napoleão Bonaparte, Portugal imaginou trazer para o Brasil também a sua biblioteca com cerca de sessenta mil peças, embaladas em caixotes. Entre as peças, livros, mapas, estampas e manuscritos. Mas como as tropas napoleônicas foram muito rápidas na invasão a Lisboa, não teve como seguir os caixotes no caos formado durante o pesadelo de embarque da família real e da nobreza. Os bibliotecários zelaram o patrimônio que ficou abandonado no porto. Os caixotes só começaram a vir para o Brasil, em 1810. Em 1811, toda a biblioteca foi refeita quando três viagens completaram a nobre tarefa interoceânica. A Real Biblioteca foi fundada no Rio de Janeiro em 1810, com apenas parte do seu acervo. Até 1814, apenas os estudiosos podiam frequentá-la e assim mesmo com autorização régia. Após essa data, o acesso à biblioteca foi liberado para quem precisasse. Cinquenta anos passou no mesmo local esse patrimônio importante, até que foi transferido para outro prédio. No início do século XX, outra mudança levou-a para o lugar onde funciona atualmente. Agora com o nome de Biblioteca Nacional, possui um acervo de quatro milhões de livros, sendo no momento a maior da América Latina. O prédio onde funciona a biblioteca foi inaugurado no centenário de fundação da Biblioteca Real. Seu endereço é Avenida Rio Branco, número 219, Centro, no Rio de Janeiro.
       Muito bom se tivesse um ponto específico em nossas cidades, nas bibliotecas públicas, onde se encontrassem diariamente escritores, pesquisadores, apologistas, para trocarem ideias e serem facilmente encontrados pelos estudantes. Um ponto tão curioso quanto à própria biblioteca. Está lançado o desafio aos dirigentes das cidades, aos comunicadores e escreventes em geral. E como não podemos frequentar com regularidade a longeva e respeitável matrona, parabenizamos efusivamente todas as bibliotecas do País através da MÃE BICENTENÁRIA.





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