terça-feira, 6 de março de 2012

LIVRO ABERTO
                     Clerisvaldo B. Chagas, 7 de março de 201

AGUARDE O DIA 23

Contam os mais velhos que um cidadão que trabalhava na roça, não conseguia progredir. Certo dia resolveu fazer como milhares de outras pessoas e partiu para o Juazeiro em busca de conselho. Foi direto ao padre Cícero Romão onde contou a sua vida. O padre respondeu que fosse estudar os astros. Incrédulo, o roceiro indagou como poderia um analfabeto estudar os astros. O famoso taumaturgo teria apenas repetido a frase mandando-o estudar os astros. De volta a casa, o homem começou a meditar sobre o assunto do Juazeiro até que chegou a ele a inspiração de observar a Natureza. A posição e os sinais das estrelas, lua, barra do dia, amanhecer, mais o comportamento dos animais e da flora e assim por diante, embasaram seus estudos. Alguém anotava as suas observações que progrediam até o ponto de fornecerem segurança para suas interpretações. Na época não havia rádio, televisão e bastantes jornais e revistas circulando. A fonte de leitura mais popular eram os folhetos, escritos em versos, capas xilogravadas, sobre temos variados que eram vendidos nas feiras pendurados em cordões; daí os mais modernos chamarem “literatura de cordel”.
           Com esse veículo espetacular, o roceiro iniciou suas previsões sobre invernos, secas, trovoadas, tipos e épocas de plantio. Os autores dos folhetos, também chamados “cordelistas”, declamavam nas feiras os conteúdos sob acompanhamento musical ou não. Depois iam oferecendo o produto de mão em mão para recolherem o dinheiro na caminhada seguinte do passeio pela roda. Foi assim que o homem cresceu com seus conselhos e previsões, conseguindo conforto financeiro publicando outras obras como almanaques anuais que faziam um sucesso extraordinário.
          Seguindo tradição dessa fonte ou de outras parecidas, ainda hoje farmácias tradicionais como a “Vera Cruz” em Santana do Ipanema, Alagoas, distribui almanaques em final de ano, para a clientela.
         Esperávamos trovoadas desde novembro, na região santanense, e só agora (ontem) chegou a nossa terra um pé-d’água razoável. Estamos precisando de um profeta popular para nos dizer se vai haver inverno e se bom inverno. O homem que sabe ler a flor do mandacaru, as cheias do Ipanema, o ninho do joão-de-barro, o círculo da Lua, a posição da Papa-Ceia... Está fazendo falta ao sertanejo que depende diretamente do tempo. Para quem quer aprender a ler, a natura é LIVRO ABERTO.








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segunda-feira, 5 de março de 2012

LARANJA AZEDA

LARANJA AZEDA
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de março de 2012
Aguarde o dia 23
         
          Tive satisfação de visitar parte das obras que estão sendo trabalhadas em Maceió. As avenidas que estão sendo construídas para desafogar o trânsito na capital chamam a atenção pela pujança e beleza que se vão delineando. Falam os operários que as obras estão em fase de conclusão e que serão abertas ao tráfego ainda este mês. São elas as Avenidas Márcio Canuto e Pierre Chalita. A Avenida Jornalista Márcio Canuto interligará o bairro do Farol, através da Avenida Rotary ao Barro Duro. Dá gosto contemplar a obra que tem três quilômetros de extensão e mais de dez metros de largura com passeios, jardins laterais e uma ciclovia com três metros de largura. Já as obras da Avenida Pierre Chalita, também não ficam atrás. A Avenida será a ligação entre o Conjunto José Tenório, na Serraria, às imediações da loja Hiper Comercial com outra ligação pelo Sítio Jorge, aliviando assim o trânsito pela Via Expressa. Em breve o maceioense estará aplaudindo as inaugurações importantes e dignas de louvor que transformará em beleza aqueles trechos. Não somente o tráfego ganhará com isso, mas a possibilidade de novas habitações em lugares que atualmente ainda são extensos matagais, principalmente na segunda avenida.
          De fato dá gosto e muita satisfação ao povo obras relevantes em construções pela cidade. Avenidas, corredores, pontes, viadutos, ruas, praças, aterros vão marcando claramente a administração de qualquer gestor bem intencionado. Nada mais bonito do que as máquinas trabalhando incessantemente em cima do imposto pago pelo contribuinte que sonha com as melhorias para o lugar onde reside. Essa prática do trabalho com máquinas foi banida há muito, em inúmeros municípios que trocaram o barulho dos tratores por mãos ágeis e bolsos fundos. Centenas de municípios formaram suas vilas e cidades para o trânsito do carro de boi. Chegou o progresso trazendo milhões de veículos motorizados que invadem ruas, congestionam o trânsito e fazem raiva à população impotente sob a égide de governantes preguiçosos que não movem uma pá de terra em benefício de nada. São os laranjas azedas e sortudos que chegam ao poder ninguém sabe como e ali permanecem no balanço eterno onde armam a rede da letargia. Ah, mundo velho sem porteiras!
          Voltando a Maceió, também será construído, segundo os políticos, o viaduto diante da Polícia Rodoviária Federal, no Tabuleiro dos Martins, lugar de trânsito perigoso e violento. Seja quem for o dirigente, José, Maria ou João, faz gosto aplaudir um gestor voltado ao trabalho firme e profícuo em qualquer parte do país e do mundo. Mas o gesto popular de estalo de banana, ainda é muito pouco para o espírito doente do LARANJA AZEDA.

















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