domingo, 28 de dezembro de 2014

IPANEMA VAI JOGAR



IPANEMA VAI JOGAR
Clerisvaldo B. Chagas, 29 de dezembro de 2014.
Crônica Nº 1.333

Foto: Jean Souza/Alagoas na Net.
A Câmara Municipal de Santana do Ipanema, segundo notícias nos sites da cidade, aprovou uma verba mensal para ajudar o time do Ipanema na primeira divisão do campeonato alagoano de futebol. Isso não seria notícia se não fosse a insatisfação dos contra.
A cidade não faz divulgação lá fora para atrair novos investimentos para Santana. Sabemos que qualquer notícia, divulgação, propaganda paga na televisão, vai um rodo de dinheiro que só vendo.
Mas quem pode fazer isso muito bem é o time do Ipanema jogando na primeira divisão. Quantas vezes se fala no Ipanema e na cidade de Santana, na televisão e no rádio durante o período do campeonato? E se o time for se saindo bem, essa divulgação tende a aumentar enchendo de orgulho todos os santanenses e a grande região sertaneja representada pelo “time canarinho”. Como patrocínio da prefeitura, dizem, o time ficará com dez patrocinadores. As parcelas de R$ 35,000 para elevar o nome do município, muito pouco representa para que se fique fazendo picuinha por uma merreca.
Os que votaram a favor foram conscientes. A prefeitura por sua vez, nesse caso, faz muito bem em apoiar o único time da cidade à maior voz de propaganda do Sertão, no período.
É muito dinheiro sendo distribuído em benefícios de todos em dias de jogos em Santana. Nada de comer ou de beber sobra nas imediações do estádio. Além disso, tem os moto taxistas, taxistas, pousadas, bares, restaurantes, hotéis, casas de tintas, tecidos, material elétrico, postos de gasolina, padarias, açougues e muito mais fazendo girar o dinheiro em dia de jogo no Estádio Arnon de Mello.
Tem emprego para bilheteiro, vigia, gandula e nomes revelados no esporte como garotos que hoje brilham em grandes clubes do Rio de Janeiro e São Paulo.
Um dia de propaganda paga na mídia, não se gasta menos de 800 mil reais. Pois a prefeitura vai gastar apenas 35,000 por mês de divulgação da terrinha. Os que protestam ficam numa ridícula condição de crítica.
Quanto ao dinheiro que falta para outras coisas, aí é o que se diz “outro departamento”.
Ô filho desnaturado! Deixe o Ipanema jogar!!!







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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

SERTÃO DO CHAPÉU DE PALHA



SERTÃO DO CHAPÉU DE PALHA
Clerisvaldo Braga das Chagas, 26 de dezembro de 2014
Crônica Nº 1.332

Foto: (savoirfairessa.blog).
No antigo sertão nordestino predominavam os chapéus de couro, de palha e o de baeta, massa ou feltro. Este era usado, principalmente, pelo pessoal mais abastado e da cidade. O couro, pelos mais pobres ligados à pecuária e a palha, pelos da agricultura.
Hoje a matéria-prima usada no chapéu de palha, é diversificada, como a palha da cana e do milho. Quero me referir, contudo, aos chapéus de palhas feitos da palha do coqueiro ouricuri. Confeccionados por mulheres que trabalhavam sentadas no chão da casa de barro batido, usando pouquíssimas e simples ferramentas. Suas comercializações aconteciam nas feiras livres, ao lado de vassouras e abanos também de palhas.
O chapéu de palha sempre foi desvalorizado, levando junto o seu usuário. Porém, diante do sol inclemente sertanejo, para caminhadas e para uso no roçado, nada pagava a proteção desse tipo de chapéu. Ele não esquenta nunca, mesmo diante do sol mais quente do mundo. É igual à água de cabaça, quanto mais alta a temperatura mais é fria. O negócio é que não pode levar chuva. Nas feiras os emboladores de pandeiros à mão, se desafiavam:

Cabra de chapéu de couro
Quem não pode com besouro
Não assanha mangangá...

O outro respondia o desafio, atacando também:

Cabra do chapéu de “paia”
Como vai tua “canaia”
Já deixasse de roubar?

O chapéu de palha, nos últimos anos, vem sendo substituído pelo boné. Mas a muito que se dizia ao encontrar um cabra com chapéu desse tipo: “Homem de boné, ou corno ou chofer”.
Quem vai desaparecendo é o coqueiro ouricuri, matéria-prima  do chapéu, fruto do desmatamento.
Mesmo assim o chapéu de palha de vários formatos atinge seu alto grau de popularidade com os romeiros do padre Cícero, em Juazeiro do Norte, quando acontece a famosa bênção do chapéu.





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