quarta-feira, 10 de agosto de 2016

MARAVILHA

MARAVILHA
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2016
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.558

Foto: (correionotíciablog).
Maravilha, cidade sertaneja de Alagoas, já pertenceu a Santana do Ipanema. Geograficamente chamada de cidade brejo de pé de serra, já teve nome horrível, mas reverteu para sua melhor sorte. Situada no sopé da serra da Caiçara – uma das mais altas do estado – tem arranjado sensível melhora no seu aspecto físico. Ligeiramente inclinada favorece o escoamento das águas pluviais das suas chuvas de relevo. Maravilha não é tão grande assim e compete com Ouro Branco, cidade vizinha assentada em amplo lajeado de granito. Seu povo é tão bom quanto atesta o nome da cidade.
Após a descoberta em sítio arqueológico da preguiça gigante, a cidade tomou gosto pelo desenvolvimento, embelezou-se e ostenta em seus jardins públicos a imagem da preguiça gigante como monumentos. Isso tem atraído milhares de visitantes curiosos em torno das pesquisas realizadas naquele município. No livro “Lampião em Alagoas”, os autores Clerisvaldo B. Chagas e Marcello Fausto, falam sobre as incursões que Virgulino Ferreira da Silva fazia naquela região, antes da fama adquirida. Foi por ali que aconteceu a morte de um dos irmãos Porcino, bando em que Ferreira havia se metido quando veio morar nas Alagoas.
O seu maior cartão de visita, porém, continua sendo a imponente serra da Caiçara que se estende por outros municípios. Atualmente a montanha também é chamada de serra da Maravilha e, contemplar fatia do sertão do alto de seu lombo é um privilégio inesquecível.
Para se chegar a “Terra da Preguiça Gigante”, indo da capital para o Sertão pela BR-316, é só passar à cidade de Santana do Ipanema e logo, logo, estará em Maravilha com seus barzinhos noturnos aconchegantes. Daí é só admirar o seu museu e respeitar os seus monumentos, de resto, é maravilha pura!...




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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

SEU OSÉAS, TEM PUXA?

SEU OSÉAS: TEM PUXA?
Clerisvaldo B. Chagas, 08 de agosto de 2016
Crônica 1.557

Foto: (Cozinnhanatureb)
Da feira não gostava, mas amava os seus produtos. Afinal, quem do sertão nordestino rejeita um “tijolo” de jaca, de raiz de imbuzeiro, uma broa macia ou o quebra-queixo com amendoim e castanha? Pode também ser um bolo de mandioca ou a malvada morosilha. Mas lá no Ginásio Santana não havia nada disso, somente na feira do sábado, camarada. Perto do Ginásio havia sim, a bodega de Seu Oséas na esquina do Bairro Monumento. E entre uma licença ou outra do Curso de Admissão, vamos nós à esquina do homem que vendia puxa. A puxa nada mais era de que um doce comprido, torcido e enrolado em papel manteiga. Por um lado parecia um macarrão, cuja espessura não chegava a um dedo mínimo. Não era doce demais e ligava nos dentes que era uma beleza. E assim, na falta das guloseimas da feira, a bodega fazia a felicidade da meninada.
Tem puxa, seu Oséas?
Ora, após tanto tempo fui descobrir numa banca em Maceió, a tal da puxa santanense. Estava lá, bem no cantinho do tabuleiro, para minha incredulidade. Rodeei a banca, rodeei a mulher e, com vergonha de estar enganado apontei com o dedo perguntando o que era aquilo. A lembrança trazia a voz suave do homem da bodega, a marca de uma meia lua na face e um bigode caprichado.
Na banca, era o mesmo o produto suspeito, igual nomenclatura, mas não sei afirmar sobre o sabor. De repente me vi indagando ao bodegueiro educado de Santana:
- Seu Oséas, tem puxa?
A sua resposta lembro claramente. Mas havia seu sogro que às vezes despachava também. Agastado, nervoso, puxando uma perna, talvez não desse resposta igual ao titular. Como vivia sempre a remoer a situação do país, imagino uma resposta nunca dita, mas...
- Seu Artur, tem puxa!
- Puxa mesmo, acabou, mas tem ladrão feito à peste!



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