quarta-feira, 6 de novembro de 2019

SANTANA: A FÚRIA NO CEMITÉRIO


SANTANA: A FÚRIA NO CEMITÉRIO
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de novembro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.211
SANTANA COM BOQUEIRÃO AO FUNDO. (FOTO: B. CHAGAS).

No final do século XIX, foi construída estrutura para um convento, em Santana do Ipanema. No local alto e plano só havia mata de caatinga onde proliferava a passarada. Na passagem pela urbe, o padre Veríssimo aproveitou a estrutura e a transformou no primeiro cemitério que se tem notícia. Tinha sua entrada voltada para a povoação abaixo. Ali foram sepultadas desde pobres indigentes a ricas e ilustres pessoas. Havia avenidas dos mais caprichados mausoléus com fotografias e dizeres. (Oscar Silva foi o único escritor antigo, a registrar alguma coisa sobre o tema). O cemitério também, como outros semelhantes, seria grande fonte de pesquisa sobre pessoas da época. Aproximadamente, na metade do século XX, o cemitério foi “barbaramente assassinado”.
Governava Santana do Ipanema o coronel José Lucena Albuquerque Maranhão, homem que comandara as volantes que deram fim ao famigerado Virgulino Ferreira e Maria Bonita. Um ou outro santanense ancião ousa falar do assunto ainda à boca miúda. A cidade se expandia rumo ao cemitério. Não querendo a morada dos mortos dentro da urbe, o coronel planejava a demolição. Encontrando resistência populacional, apelou para a brutalidade. Segundo contam, Lucena teria contratado vários trabalhadores para demolir o cemitério à noite, após sua ausência programada. Assim foi feito. Munidos de marretas e outras ferramentas os comandados invadiram o cemitério e destruíram tudo deixando somente os escombros. Foi um desadoro, mas não se sabe da reação dos seus habitantes. A história calou.
Logo foi construído outro cemitério longe do comércio, em lugar alto e plano, mas, posteriormente a cidade também se expandiu para aquelas bandas, puxada pelo próprio cemitério. Este não foi demolido e ainda hoje existe com o nome de Santa Sofia. Sem mais condições, foi feito o terceiro cemitério, um pouco afastado da cidade, no sítio Barroso e que leva o nome de São José. Atualmente um grupo familiar resolveu implantar um Campo Santo entre Santana do Ipanema e o povoado Areias Brancas, à margem da BR-316.
Pouquíssimos santanenses sabem da história brutal aqui apresentada.
O que dizer quase 70 anos depois?
Ô Sertão velho ignorante, comadre.


 




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TRADUZINDO O SERTÃO


TRADUZINDO O SERTÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de novembro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.210

SERTÃO ALAGOANO. (FOTO: B. CHAGAS/ARQUIVO).
·        Marceneiro. Profissional da madeira que faz e conserta   móveis
·        Carapina. Profissional da madeira para cobertura e pisos de casas. O mesmo que carpinteiro;
·        Flandreleiro. Aquele que trabalha com o zinco fabricando bicas e candeeiros de frandres. Em outras regiões: funileiro. (Em extinção).
·        Bica. Calha de zinco por onde escorre a chuva;
·        Retelhador. Profissional exclusivo para cobertura residencial com telha (em extinção);
·        Vasculhador. Profissional que usa vara e vassoura de palha para limpar o teto de residências de madeira e telha (em extinção);
·        Cavoqueiro. Especialista em explosivos nas pedreiras;
·        Almocreve. Condutor de tropas de burros em transporte de mercadorias. Em outras regiões: tropeiro;
·        Boiadeiro. O que compra e vende boiadas;
·        Tangerino ou tangedor. O que conduz animais de um lugar para outro, a pé ou a cavalo;
·        Mascate. Aquele que negocia seus produtos de feira em feira;
·        Fazendeiro. O dono da fazenda;
·        Morador. Administrador ou simples morador da fazenda;
·        Vaqueiro. O que cuida do gado em geral, nas fazendas;
·        Tirador de leite. Especialista em ordenhar;
·        Vaquejador. Trilha na caatinga por onde o gado é conduzido;
·        Marchante. Vendedor de carne bovina nos açougues;
·        Aboiador. O que canta aboios, toada; (antes) para acalmar o gado;
·        Corisco. Fagulha elétrica que corre durante as trovoadas;
·        Jagunço. Guarda-costas de fazendeiros; o mesmo que capanga;
·        Vara de ferrão. Vara para conduzir os bois de carro, com um ferrão em uma das extremidades.

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