terça-feira, 6 de julho de 2021

 

FINALMENTE O BOI VAI BERRAR

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de julho de 2021

Escritor Símbolo do Sert]ao Alagoano

Crônica: 2.570


 

Por falta de condições, inúmeros abatedouros de bovinos foram fechados em cidades alagoanas. Isso já faz bastante tempo. Estamos mandando abater as nossas reses em Arapiraca com o nosso antigo e obsoleto matadouro localizado às margens do Ipanema sem atividade. O governo estadual elaborou um plano de construir matadouros regionais para atender com presteza cada uma das regiões de forma mais moderna possível. Pois bem, tudo indica que chegou a vez de Santana do Ipanema que tem mais de 200 homens na atividade de marchante. Foi divulgado que o governo estadual e municipal, estão entrando em parceria e que logo o novo terreno do matadouro será visitado pelo IMA e ADEAL para avaliação do projeto.

Santana do Ipanema ganhará assim um presente dos céus. Além da companhia que irá administrar o órgão, a sociedade terá um lucro extraordinário em relação a Saúde, deixando de consumir carne desclassificada. Pensem quando tudo tiver pronto (essas coisas são demoradas) os milhões e milhões que circularão todas as semanas em nossa cidade! Criadores, boiadeiros, marchantes, transporte de gado e tantos e tantos empregos que serão assistidos no entorno da atividade. Dizem que a capacidade é para se abater até 200 reses/dia. É o comércio da carne, do couro, dos ossos... Até porque “do boi não se perde nem o berro”. O seu regionalismo abrange as cidades do Médio Sertão e a Bacia Leiteira, o que se vislumbra como “negócio da China”.

Valeu o período de sacrifício para os que vivem do gado e para a população que procura consumir produtos frescos e seguros para   a firmeza da saúde do município. Enquanto o território de Dois Riachos continuará dando seus espetáculos de feiras de bovinos, nós trilharemos pela senda do abatedouro, do frigorífico, do movimento sertanejo que não para nunca. Outra oportunidade dessa para alavancar mais ainda o município, somente quando a prefeita resolver trazer uma faculdade de Medicina para Santana, pública ou particular.

Estamos atentos às coisas que dão futuro à “Terra de Senhora Santana”.

E o melhor é que todos nos acompanharão nesse futuro.

UM DOS ASPECTOS DO CENTRO COMERCIAL DE SANTANA DO IPANEMA. (FOTO: B. CHAGAS).


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NOSTALGIA

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de julho de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.569



 

Além da frieza do mês de julho, a pandemia vai deixando tudo diferente em algumas ruas. Enquanto na Pedro Brandão, o trânsito virou uma loucura, a nossa Rua José Soares Campos, parece nem existir no mapa do mundo, ou existir sozinha, tal a sua quietude. Madrugada ainda, pássaros cortam os ares fazendo alarido, a exemplos de espanta-boiadas e marrecas. Vão em busca de açudes, lagoas e riachos louvando a escuridão que precede o amanhecer. As quatro e quinze, ainda no escuro, as lideranças dos pardais vão acordando seus companheiros num chilrear compassado e irritante. As luzes diurnas ainda não saíram quando se ouve o canto da rolinha branca. Nem sabemos se a ave é de cativeiro! Mas esse canto mais saudoso que se conhece chama a atenção.

Uuuu.Uuuu... Arrulha a rola branca em algum lugar dos arredores. Ainda não apareceu por aqui, a rolinha fogo-pagou, a rolinha azul e caldo de feijão. Mas a rolinha branca estará na fiação da rua mais tarde, visitando as pedras do calçamento. E quando a luz diurna chega à rua, trata de dissipar a neblina que botam os gatos para correr. Fon-fon-fon, a buzina do pãozeiro vai cortando a manhã. Sim, ainda temos pãozeiro itinerante, vida inteligente tentando assegurar o café. As sete e meia passa o que virou tradição de um ano para cá, o carro do ovo, gritando 30 ovos por 15 reais e, às oito e meia, buzina a moto do leiteiro com o som estridente de Mercedes Benz. Após a obrigação cotidiana da rua, tudo vira silêncio e raro ruído se ouve como o longínquo martelar em alguma coisa.

É a rua do Posto São José, cujo movimento acontece dentro da unidade, talvez pela frieza do tempo complicado com a COVIDID. Passa das dez horas e, ao se abrir o portão, nem um pé de pessoa na via, nem um sapo na sarjeta, nem um gato no calçamento, nas árvores, nas portas. O parecer por essas bandas, é um convite às orações de que tem fé, para tentar uma melhoria no mundo. Às vezes, nem sempre, um nosso amigo professor e cantor ensaia em casa deixando as melodias engancharem-se nas árvores da rua. Isso faz a Natureza caprichar mais ainda no saudosismo que não perde tempo.

Melancolia!

Fim de mundo, gente!

RUA JOSÉ SOARES CAMPOS (FOTO B. CHAGAS).


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