quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

 

FALTEI PELA FALTA

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.840

 



Dedicado nos últimos dias à elaboração de documentos importantes para entrega, isolei-me da mídia da terra. E por estar desligado do mundo imediato, perdi a convite da mídia de lançamento de livro. Mas não foi um lançamento de livro qualquer. Foi um trabalho cobiçado, anunciado e aguardado com ansiedade pelos apreciadores do mundo cangaceiro. Afinal de contas, tratava-se de um livro escrito com relatos de mãe cangaceira de Sílvio Bulhões, Dadá, mulher do cangaceiro Corisco, o mais famoso do bando, após Lampião. Somente quando voltei à mídia santanense, descobri que o lançamento tão aguardo durante anos, e até cobrado por mim ao autor, acabava de ser lançado.  

Assim perdi de prestigiar e rever o meu antigo colega de Magistério, hoje com deficiência visual e idade avançada, presente incomparável do Senhor dos Mundos. Agora tenho que correr atrás para tentar obter a obra que também escorregou das minhas mãos. Trata-se do livro “Memórias e Reflexões de um Filho de Cangaceiros, Corisco e Dadá”. Silvio é formado em Economia, trabalhou no DNER e foi professor de Matemática, dos bons, em nossa cidade. Era muito amigo do professor Alísio Ernande Brandão que nos contava muitas aventuras, cujos personagens centrais era ele e Sílvio Bulhões. Quando Silvio era professor do Ginásio Santana, eu ainda era estudante naquele estabelecimento, mas não tive o prazer de tê-lo como professor. Silvio já estava deixando o Ginásio com novo projeto de vida. Uma vez concursado, fui para a Escola Estadual Deraldo Campos e mais uma vez encontrei Silvio já de saída, ocasião que foi morar em Maceió.

Com certeza seu livro será muito disputado nos Sertões do Nordeste inteiro, mas para mim muito mais importante do que a obra, teria sido o abraço no autor, o dever incondicional de prestigiar a sua nobre e queridíssima presença na terra de senhora Santa Ana. Almejo ao escritor Silvio Bulhões toda a felicidade do mundo, parabenizando-o pela obra tão amplamente esperada dentro das grandes realizações dos seus desejos.


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terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

 

FREI DAMIÃO É FORTE

Clerisvaldo B. chagas, 15 de fevereiro de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.839

 



       Não sabemos bem o que aconteceu na Praça Frei Damião, em Santana do Ipanema. Apesar de modesta e de bairro, havia sido abraçada pela juventude e se tornado o novo “point” da cidade. Às sextas, a bebedeira era grande, a enxurrada de motos e “cocotas” a beber, namorar e comer churrasquinho. Isso até incomodava a Central de Velórios defronte, do outro lado da rua. Mas, como se vê em situações assim, existem muitas polêmicas, discussões e ojeriza à boca miúda. A praça Frei Damião está localizada em um largo onde quatro ruas convergem e divergem da praça. Ultimamente, á noite, num “tour” pela cidade, paramos e fotografamos a sua quietude que  surpreendeu. Parecia até nunca ter havido nada ali, devido à normalidade noturna, inclusive com o movimento em mercadinho famoso recostado ao logradouro.

             Enquanto isso, o Largo Maracanã continua com um tráfego intenso, principalmente à boquinha da noite. Centro principal do Bairro Camoxinga, além de seis ruas que ali despejam, ainda é cortado pela BR-316. O comércio e a prestação de serviços, mesmo sendo modestos, tem uma intensidade incrível. O movimento pedestre gira em torno de restaurante popular, farmácia, padaria, casas de lanches, artesanato, bancas de feira, serviços de Internet, ponto de transportes, clínica médica, salão de sinuca, bares e lava-jato. E quando o centro comercial de Santana, fecha, tudo ali vira deserto. Quem não acha o que procura até à meia noite, em outras regiões, vai encontrar vidas em atividade no iluminado Largo do Maracanã.

Quanto ao Carnaval que se aproxima, já acabou na cidade desde o final do século passado. Já naquela época os foliões se viraram para outras frentes e foram em direção à Piranhas e Pão de Açúcar, deixando o Carnaval santanense às moscas. Atualmente, as duas cidades do São Francisco também perderam o interesse na cabeça dos brincantes da “Rainha do Sertão”. Claro que ainda existe um ou dois carros de som fazendo zoada em alguns lugares da cidade e talvez meia dúzia de beberrões aqui ou acolá querendo ressuscitar Lázaro, mas o Carnaval santanense morreu e as diversas tentativas de oxigenar o morto nunca deram certo.

E se no Recife tem o galo da madrugada, em Maceió o pinto da madrugada, em Penedo o ovo da madrugada... Em Santana do Ipanema tem a galinha morta da madrugada. Ê...

 


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