quinta-feira, 14 de novembro de 2024

 

RECORDANDO OS FERAS

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de novembro de 2024.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.146

 



O ano de 1986 trouxe uma novidade para Santana do Ipanema e para toda a zona sertaneja. Era fundado na cidade, o Jornal do Sertão, como encarte do fantasticamente famoso, Jornal de Alagoas, este último com sede em Maceió. Ainda no início do seu desempenho, o Jornal do Sertão, registrou o futuro lançamento de um compacto duplo por quatro jovens cantores, amigos e unidos pela música. Exatamente no dia 7 de maio, foi lançado o disco dos músicos santanenses: “Pangaré”, “Dotinha”, “Dênis Marques” e “Adeilson Dantas”. O compacto duplo saiu pelo selo Beverly (Copacabana) com as músicas: “Você chegou” de Pangaré, “Novo Horizonte”, de Dotinha (lado A, interpretadas cada uma por seus respectivos autores).

“Galopando em Emoções” de Clerisvaldo B. Chagas e Dênis, interpretada por Dênis e “Colorida”, de Adeilson Dantas, com o próprio (lado B).

“O lançamento do compacto está previsto para este mês, segundo os membros do “Som em Quatro Tempos”. Na ocasião, disse ao Jornal do Sertão um dos quatro componentes: Foram muitos anos de luta, esforços, fé e esperança para realizarmos este magnífico trabalho que sonhávamos em concretizar; podendo mostrar aos alagoanos que Santana do Ipanema, apesar de ser uma cidade do interior, tem grandes talentos da MPB.

Muito sucesso foi o trabalho dos quatro talentos de Santana. Lá na mais na frente, Dotinha mudou-se para a cidade de Arapiraca. Adeilson Dantas foi morar na vizinha cidade de Olho d´Água das Flores e faleceu no acidente anos depois numa viagem de negócios à cidade de Maravilha. Pangaré, nome do músico adotado no início de sua carreira, passou a ser Valdo Santana e, continua cantando assim como Dênis Marques, especialista em shows noturnos e muito amados e admirados pelo povo sertanejo. Mesmo tendo sido registrado pelo Jornal do Sertão, já extinto, bem como o Diário Jornal de Alagoas, mas consta o registro na página 354 do nosso livro “O Boi, a Bota e a Batina; História Completa de Santana do Ipanema”.

Dênis Marques segue a tradição de sempre nos encantar com suas páginas musicais em todas as ocasiões que existam lançamento de livros de Clerisvaldo B. Chagas.

Muita honra, muita honra, muita honra.

FOTO DO JORNAL DO SERTÃO, 1986.

 

 


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terça-feira, 12 de novembro de 2024

 

SUMIU TUDO

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de novembro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.145



 

Dez horas da manhã em minha rua, neste domingo de novembro. Céu limpo, Sol forte, nem gente, nem gato, nem passarinho, nem nada, absolutamente nada de animal ou gente na via. Rua completamente deserta como se o povo do mundo tivesse se evaporado. Nem chega coragem de calçar os tênis    e perambular pelos arredores. Os tênis porque a velocidade com que esse tipo de calçado chegou ao comércio, fez desaparecer quase de uma vez os sapatos de couro. Foi mais uma profissão extinta, a do engraxate ou engraxador como dizia ser o correto, o professor de Português e Matemática, bancário Antônio Dias. Os inúmeros engraxates que havia no sertão e que lutavam por alguns trocados contra a fome de tempos difíceis, representavam os jovens pobres da periferia.

O primeiro golpe nos jovens que tentavam sobreviver, foi o surgimento do sapato de verniz. Esse, não precisava graxa, tic-tac e nem outros cuidados oferecidos pelos engraxadores.  Aquele número grande desses profissionais que se acumulava na Praça Coronel Manoel Rodrigues da Rocha, muitas vezes ficava sufocado com tantos sapatos masculinos e femininos que faziam montes perto dos bancos de cimento. Porém, o tempo que tudo renova, fez chegar o sapato de tecido que foi ficando cada vez mais atraente e usado com a força da propaganda. Chegou para ficar tal o Jean, de origem americana. Golpeados engraxates, golpeados alfaiates. Tudo em extinção. Muitas classes procurando outras atividades que também logo serão extintas.

Essas extinções de engraxates, de alfaiate, fazem desparecer outros profissionais: retelhadores, tangedor de burro, a espanadador da casa, flandreleiro, quebra-queixo, puxa, comprador de cinzas, sola, curtumes e vigias de praça. E a medida que o tempo vai passando, vai desaparecendo outras profissões que mostravam ser atualizadas, mas não eram.  Tá ruim a coisa por que ninguém consegue se dedicar a uma profissão que dure toda vida. E as tecnologias numa velocidade incrível vai esmerilhando tudo.

Por que pensar tanto no futuro!

MINHA RUA (B. CHAGAS).


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