SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
TEMA EM MARTELO AGALOPADO (Clerisvaldo B. Chagas. 20.10.2009) Um beijo escondido e matador Faz o mole virar-se em Lampião Quan...
TEMA
(Clerisvaldo B. Chagas. 20.10.2009)
Um beijo escondido e matador
Faz o mole virar-se em Lampião
Quando o homem é maluco pela dona
Quando a dona é mais doida pelo tal
Sobe um fogo por dentro do canal
Rompe amor à paixão que tudo abona
O recato dos peitos é quem detona
Abre as asas no tiro campeão
Junta à língua o fator da gustação
Vibra o sangue escoiceia o domador
Um beijo escondido e matador
Faz o mole virar-se em Lampião
No silêncio do velho apartamento
O corpanzil revive a geringonça
Na floresta a gostosa vira onça
Nas carícias do homem mais sedento
Na soleira, na neve ou ao relento
Não há força que dome uma paixão
As correntes que prendem o coração
Jogam longe a ferrugem feia cor
Um beijo escondido e matador
Faz o mole virar-se em Lampião
No calor da saga nordestina
Os lábios são da cor de melancia
Se carnudos são fontes de poesia
Assassinos desenhos de uma sina
São armas infalíveis de menina
Molhadas das fontes do sertão
Se o poeta sofrer dessa paixão
Como eu que não fico sem amor
Um beijo escondido e matador
Faz o mole virar-se em Lampião
Os mais brancos lençóis em desalinhos
E um vulcão por dentro da ternura
Na voz embargada, uma tontura
Aromas de taças e de vinhos
Cerejas, batons, choros de pinhos
Violetas no jarro de latão
Suspiros de ais em gratidão
Muitas veias rotundas de calor
Um beijo escondido e matador
Faz o mole virar-se em Lampião
FRUTA MADURA E LULA (Clerisvaldo B. Chagas. 19.10.2009) “ Laranja madura na beira da estrada, ou estar bichada, Zé, ou tem maribon-do no pé...
CACHAÇA NO QUENGO (Clerisvaldo B. Chagas. 16.10.2009) Para os professores apologistas do folclore nordestino: Valter Alves, Fábio C...
CACHAÇA NO QUENGO
(Clerisvaldo B. Chagas. 16.10.2009)
Para os professores apologistas do folclore nordestino: Valter Alves, Fábio Campos mais João de Oniel e Cecéu.
Entre os folguedos do estado alagoano, avulta-se o Guerreiro. Dependendo de inúmeras coisas, cada grupo pode variar entre 25 e 64 figurantes. O Guerreiro, com roupas vermelhas e azuis entre fitas coloridas, chapéus e espelhos, comemora o nascimento do Cristo, daí o surgimento quase sempre em época natalina. Alguns pesquisadores atribuem à origem do Guerreiro, vinda de uma dissidência do Reisado, sendo mais leve e ocupando menos pessoas. Esse folguedo teria aparecido entre as décadas de 20 e 30 do século passado. Chamam a atenção no Guerreiro, o colorido das suas vestes, as belas mocinhas que são chamadas “figuras”, o ritmo agradável, os improvisos do Mestre, também chamados de “embaixadas” e as brincadeiras dos Mateus. De qualquer forma, não cabem neste trabalho os detalhes sobre esse maravilhoso folguedo. Queremos chamar atenção apenas para a beleza dos versos de mestres talentosos. Muitos poetas célebres de Reisados e Guerreiros ainda continuam imortais em Alagoas. Algumas estrofes tornaram-se clássicas alagoanas como as seguintes:
“Ô minha gente...
Dinheiro só de papé
Carinho só de mulé
Capitá só Maceió...”
“Se eu me casar
Com mulé feia demais
O diabo é quem não faz
Todo dia ela chorar...”
Lembro da Expedita, mulherona branca e formosa chegada ao Guerreiro; era empregada na casa de meu pai. (Por onde andará a Expedita?). Gostava de cantar para mim no balançar da rede (inclusive, a estrofe abaixo foi parar em um dos meus romances):
“O avião subiu
Se alevantou
No ar
se peneirou
Pegou fogo e levou fim...”
Pois bem, deixando tantos versos bonitos de lado, resolvemos contar um caso de Guerreiro que se passou na zona rural de Penedo, segundo o subtenente Eurípedes (In memoriam). Convidado para brincar no aniversário de um fazendeiro, o grupo folclórico apresentou-se e começou a dançar até a meia-noite. O mestre era bom, tirava versos a valer e, as figuras faziam sucesso absoluto. Mas acontece que ninguém é de ferro e o mestre do guerreiro já começava a enrolar a língua pela força da “marvada”. Foi aí que alguém interferiu, dizendo ao mestre que ele já havia falado em tudo menos elogiado o dono da casa e a sua senhora. O mestre, surpreendido, arregalou os olhos e perguntou o nome do fazendeiro: “Seu Artur”. E o da dona da casa: “Dona Enedina”. E o nome da fazenda: “fazenda Urucu”. O mestre não se fez de rogado e bem que tentou uma quadrinha, mas se engrolou todo no nome da fazenda de rima parecida:
“Ô Seu Artur...
Ô dona Enedina...
Ô peça fina
Na fazenda deram o c...
Depois de a capangada quebrar tudo no cacete, dizem que o mestre do guerreiro ainda hoje corre. Alguém perguntou o que era aquilo. Outro respondeu cuspindo longe: CACHAÇA NO QUENGO!

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.